Capítulo 1 – A mudança

Ao final de seu mandato como ministra, após quatro anos, o seu casamento com Ronald Weasley também chegou ao fim. Hermione se divorciou e voltou para Londres. Ela não viu outra saída a não ser esquecer o mundo mágico, que a fez sofrer desde que lá chegou aos onze anos. Um verdadeiro paradoxo, pois sua carreira foi brilhante, chegando muito jovem ao cargo máximo de poder e sucesso, tudo que algum bruxo poderia almejar, exceto ela.

Em sua gloriosa época escolar, Hermione era vista como a princesinha da Grifinória, protegida pela diretora da sua casa, e também pelo diretor geral. Amiga inseparável do menino famoso que sobreviveu, era o cérebro do trio dourado. Ela foi considerada a bruxa mais inteligente da sua idade, além de brilhar em todas as disciplinas na escola mais conceituada de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Respeitada pelos colegas da casa Corvinal, que se esforçavam, mas em nenhum momento alcançaram a performance das notas máximas que ela tirava, inclusive em Poções Avançadas. Amada pela casa Lufa-lufa por ser gentil e amável com todos, claro que com algumas poucas exceções. Hermione era odiada pela casa Sonserina por ofuscar o brilho deles, e principalmente por alguns colegas nascidos puro sangue, que a desprezavam totalmente, e não se conformavam por ela brilhar tanto sendo nascida trouxa de pai e mãe.

Mudar muitas vezes requer coragem, e essa era uma das suas características mais fortes. Ela estava convicta disso, pois poderia jurar que o chapéu seletor balançou e decidiu na última hora não colocá-la na casa Corvinal. Enquanto retirava a última caixa de livros do chão para arrumar sua estante, Hermione lembrava dos soluços e dos olhos cheios de lágrimas da Gina, sua melhor amiga. Ela lhe abraçou e implorou para que ficasse.

- Fique, por favor...

- Não posso, Gina, sinto muito. Eu preciso recomeçar... Londres não é tão longe.

- Mas Mione, você é uma bruxa, e não é uma bruxa qualquer. É um desperdício viver como trouxa em Londres... Você sabe que o uso de magia por lá é bastante limitado, para não dizer proibido.

- Eu consigo me adaptar. Você, Harry, Thiago e Lily podem me visitar sempre que quiser. Mando minha coruja com o endereço, assim que eu me instalar.

- Hermione! Hermione! Filha!

- Sim, mãe... desculpe estava pensando na Gina. – Ela estava com os pensamentos longe, agachada, colocando os livros enfileirados na última prateleira, nem ouviu o esforço que sua mãe fazia para conseguir sua atenção.

- Onde você quer deixar os porta-retratos?

- Deixe na caixa por enquanto. Preciso retirar todas as fotos do Ron. Não quero nunca mais olhar para a cara dele.

- Filha, sei que você deve estar passando por um momento muito delicado, mas não rasgue as fotos do casamento. Um dia você vai querer rever esta lembrança.

- Não estou bem certa disso, mãe. Mas vou deixar no fundo da caixa e no fundo do armário.

- Agora só falta esta outra caixa. Acho que são talheres. Vou colocar na gaveta da cozinha para você. – Sua mãe disse levando a caixa para o próximo cômodo.

Após arrumar a cozinha toda e não apenas os talheres, Anne voltou para a sala. George, o pai de Hermione terminou de instalar a máquina de lavar roupas, e o chuveiro no andar de cima, depois também retornou à sala.

- Desculpe não ter nada para servir vocês. Apenas chá, querem?

- Filha, nós vamos indo. Não quer jantar lá em casa? – O pai convidou.

- Agradeço, mas estou bem cansada, não se preocupem comigo. Vou comer alguma coisa no restaurante do bairro, se eu tiver fome.

- Almoça amanhã com a gente? Amanhã é domingo, faço aquela macarronada que você gosta! – A mãe convidou.

- Deixa para o outro domingo, está bem? Preciso arrumar meu guarda-roupa.

- Não fique sem comer. Você emagreceu muito nestes últimos meses. – A mãe reparou.

- Eu sei. Tenho que usar cinto em todos os meus jeans... Ficarei um mês em casa antes de começar no novo emprego. Comendo e assistindo filmes, logo volto ao normal. Não se preocupem comigo. – Hermione faz uma pausa, exala exausta após olhar os quatro cantos da sala e ver que estava tudo no lugar. Sem mais nenhuma caixa atrapalhando a passagem, tal façanha que levou o dia inteiro.

- Obrigada, mãe e pai, por me ajudarem na mudança. Gina me lembrou que o uso de magia aqui deve ser bem discreta. Seria tão simples balançar minha varinha e ver tudo nos seus devidos lugares...

- Logo sua casa estará toda organizada. – A mãe dela procura tranquilizá-la, era notório seu estado abatido. Além de ter emagrecido, Hermione apresentava profundas olheiras e o rosto pálido.

- Hermione, filha, você tem certeza mesmo que quer morar sozinha? Seu quarto está lá em casa lhe esperando a qualquer momento, que queira voltar.

- Eu sei, papai... obrigado.

- Então nós vamos indo. Se precisar de alguma coisa nos telefone... – A mãe disse antes de lhe dar um beijo na testa.

- Preciso anotar... comprar um celular. Se eu precisar mando a Edelweiss.

- Por falar na coruja, você vai poder ficar com ela? – A mãe dela se preocupou.

- Acho que sim. Ela não é tão pomposa, não chama muito a atenção das pessoas na rua. Vou comprar um viveiro grande e deixar no quintal dos fundos. Por enquanto ela fica na gaiola.

- Piu...

- Acho que ela prefere ficar solta. – O senhor Granger riu.

- Não sei ainda quais predadores tem neste bairro, não vou deixá-la solta. As lojas trouxas só abrem agora na segunda-feira. Vai ter que ficar na gaiola, mocinha. Tenho muito serviço por aqui e nenhum elfo para ajudar...

- Posso ficar e lhe ajudar mais. – Anne sempre prestativa disse com pena da filha, pois no andar superior havia muitas caixas com coisas ainda para guardar. Roupas de cama, as roupas dela, os sapatos, sem contar os inúmeros livros para organizar no escritório, que ocupava mais da metade do espaço. Ao menos todos os móveis e eletrodomésticos já estavam nos seus devidos lugares.

- Obrigada, mãe. Mas é melhor eu mesma organizar minhas coisas.

Hermione vai até o portão se despedir dos pais. Eles ficam mais alguns minutos conversando. Aquele sábado voou, já era noite adentro quando o pai finalmente ligou o motor do carro e saíram. Assim que Hermione fechou o portão, seu vizinho acabara de chegar. Ela reparou na silhueta do homem alto, magro, usava um sobretudo preto. Ele demorou para encontrar a chave certa do seu portão no bolso. Estava muito escuro, muitas nuvens no céu encobrindo a lua minguante. Hermione reparou que ele não virou o rosto em nenhum momento para a o lado dela, e mesmo que fizesse não conseguiria ver o rosto, pois mal via os dedos da sua própria mão. Aguardou alguns instantes achando que ele fosse cumprimentá-la, mas vendo que isso não iria acontecer, ela voltou rápido para dentro de casa, para não congelar.

Sentou-se no sofá sentindo-se mais leve. Pela primeira vez iria morar sozinha. Seu subconsciente lhe dizia que foi a melhor coisa que ela já havia feito em toda a sua vida. Deixar tudo para trás, esquecer que aos onze anos de idade, quase doze, ela recebeu uma carta que revelava sua verdadeira identidade, e marcaria sua vida para sempre. Já seu consciente lhe dizia que Gina estava certa. Divorciar-se sim, pois as brigas eram constantes, mas jamais deveria sair do mundo mágico.

Hermione fechou os olhos e parecia ver um filme em alta velocidade passando em sua mente. Desde o momento que a professora McGonagall tocou a campainha da casa dos seus pais para entregar uma carta. O dia que avistou pela primeira vez o imponente e belíssimo castelo de Hogwarts; o prazer que sentia ao ir bem nas provas e demais avaliações, que lhe fazia esquecer dos bullyngs que sofria, até o momento em que ela viu a guerra de perto, e teve que lutar para sobreviver. As lágrimas rolaram em forma de cachoeira. Hermione se levantou e foi preparar um chá. Enquanto a água esquentava, ela ligou seu aparelho de som e começou a ouvir Celine Dion para deixar as lembranças para trás. A música trouxa, que raramente ouvia, lhe trouxe ainda mais melancolia. Ela se sentou junto à mesa da cozinha, com seus cotovelos apoiados ao som de "My heart will go on", nova crise de choro. O ano do filme Titanic foi próximo ao ano que seu professor morreu.

A chaleira apitava com a água fervendo, mas Hermione não se movia. Sua respiração cada vez mais difícil pelos soluços, ela abaixou a cabeça e chorou até seu coração apertar no peito. A dor pela morte do homem que aprendeu a amar e respeitar ainda não havia cicatrizado como imaginava.

Somente quando a música terminou, ela ergueu a cabeça, passou a manga de sua blusa nas bochechas para enxugar as lágrimas derramadas e levantou. Terminou de preparar o chá, voltou para a sala com a xícara. Pegou o primeiro livro da estante para esquecer aquele dia fatídico, mas por ironia o livro que estava em suas mãos era do autor Libatius Borage, "Estudo avançado no preparo de poções". Ela atirou o livro na parede, voltou para o sofá e ligou a televisão com auxílio do controle remoto. Pegou sua xícara e começou a bebericar o chá fumegante, enquanto assistia o homem do tempo anunciar a próxima nevasca e as temperaturas congelantes para os próximos dias.

- Congelante está meu coração. – Ela ironizou. – Se ele não tivesse morrido eu jamais me casaria com Rony, mesmo sabendo que não tinha chance alguma de me aproximar dele, nem como amiga. – Ela fungou.

Hermione terminou seu chá e foi para seu quarto. Ainda bastante bagunçado, ela custou para achar seu pijama mais grosso. Depois que se trocou, permaneceu usando seu sapato de salto, porque não achava seus chinelos. Foi ao banheiro escovar os dentes e ao se deparar com seu reflexo no espelho, ela se assustou com a cara vermelha e inchada de tanto chorar. Lavou o rosto e voltou para o quarto gelado. Pegou mais dois cobertores jogando por cima do edredom e ligou o aquecedor. Não foi fácil dormir aquela primeira noite. Raramente ela dormia completamente sozinha. Logo que terminou a escola, ela e Rony se casaram.

- Vou me sentir melhor amanhã. – Ela dizia para si mesma até o sono lhe consumir.

Era domingo. Hermione acordou cedo e ao abrir a janela da sala, ela se depara com um homem de cabelos negros e olhos de obsidiana lhe observando. Seus músculos todos se contraem ao extremo a ponto de sentir dor, o ar lhe falta nos pulmões e o coração dispara no peito. Ela esfrega seus olhos para ter certeza de que estava mesmo vendo aquele rosto tão familiar, que viu durante alguns anos na sua adolescência... Mas isso não era possível, o homem estava morto e ela... bem, enlouquecida, afinal deveria estar vendo coisas. Ou estava imaginando, ou o seu vizinho era um fantasma. Quando aqueles olhos negros conhecidos de anos lhe perfuraram, ela estremeceu toda e acordou num sobressalto. Custou para sua respiração voltar ao normal. Os batimentos do coração voltavam ainda mais devagar para a normalidade. Ela permaneceu deitada na cama ainda bastante confusa.

Meia hora depois Hermione se levantou e foi tomar uma ducha de água quente para relaxar a tensão muscular. Era um sonho tão lúcido que ela chegou a ver o rosto pálido, com a franja lisa caída lateralmente, e o nariz proeminente do antigo professor. Se por um lado ela ficou aterrorizada e confusa com o sonho, por outro, agradeceu a Merlin por ter esta memória tão nítida do rosto dele. Afinal, ela não tinha nenhuma foto do mestre de poções ou dos outros professores, apenas alguns raros recortes de jornal, cujas fotos sumiam quando saiu do mundo mágico. Quantas vezes ela planejou seu baile de formatura, tirando fotos e dançando com ele, mas infelizmente a guerra chegou e acabou não apenas com este sonho, acabou com parte de sua vida. Ela nunca mais foi a mesma desde o dia que o viu caído contra a parede, se esvaindo em sangue sem saber o que fazer. O castelo todo estava sendo atacado, não tinha como conseguir os antídotos a tempo. Ela só lembrava de entregar um frasco para Harry, que coletou as lágrimas dele com as lembranças. Seus amigos já estavam longe quando ela ainda abaixada ao lado do professor, pressionando o local da picada da cobra para diminuir a hemorragia, beijou os lábios frios dele e disse que o amava, antes de seguir para a batalha.

Hermione retorna ao seu quarto com uma toalha enrolada na cabeça, e um roupão somente. Estava descalça porque não encontrou seu par de chinelos. Ela abre outra caixa em busca de roupas confortáveis e quentinha, mas só encontra roupas sociais que usava enquanto era ministra.

Bufando, ela vai até o outro quarto, que em breve viraria seu escritório e biblioteca particular, pegou sua varinha de cima da escrivaninha e voltou para seu quarto.

- Tsts senhorita Granger... Quando uma bruxa deixa sua varinha largada num cômodo qualquer? É a principal ferramenta de proteção de um bruxo e deve permanecer próxima a sua mão enquanto dorme. A senhorita está ficando senil, ou é simplesmente um deslize da convivência com o mais idiota dos Weasleys? – Ela parecia estar ouvindo aquela voz aveludada em seus ouvidos falando suavemente em contraste com a puxada de orelha.

- Accio chinelos.

Imediatamente a caixa dos fundos se abre e o par de chinelos forrados voam até suas mãos. Ela calça os chinelos, e abre a caixa ao lado encontrando camisetas, moletons, meias e blusas de lã.

- Bom, melhor não exagerar na magia. Agora posso fazer o resto sozinha. – Pensou.

Hermione passou a manhã toda organizando o andar de cima da casa. Já passava do meio dia quando terminou. Seu estômago roncava de fome. Ela não tinha nada em casa para comer, apenas chá e mel.

Não havia muito o que pensar, apenas duas opções: pegar um táxi e almoçar com seus pais, mas pelo adiantar das horas, ela sabia que eles já haviam almoçado. Então só restava se arrumar e ir almoçar no restaurante do bairro. Ela pegou um blusão mais novo colocando por cima daquele de andar em casa, e vestiu uma calça jeans por cima do moletom. Desta vez não precisou do cinto. Colocou seu sobretudo da cor vinho, calçou meias grossas, suas botas, que encontrou fácil na caixa onde estavam os chinelos.

Ao descer até a sala, pegou sua bolsa de cima da mesinha e o cachecol, que havia deixado assim que chegou no sábado, junto com o caminhão que entregou seus móveis.

Ela foi caminhando até a quadra seguinte. Havia bem pouco movimento na rua, o frio era intenso e o vento cortava o rosto. Hermione tapou parcialmente o rosto com o cachecol vermelho em tom escuro. Baixou a cabeça para andar mais rápido e se proteger do vento. Quando estava dobrando a esquina um homem alto vestido de preto, passou por ela. Mesmo se estivesse prestando atenção, ela não conseguiria ver o rosto, porque ele também usava seu cachecol preto para proteger o rosto do frio. Um rastro sutil de algumas notas de perfume masculino invadiu as narinas sensíveis dela.

- Hum, que gostoso. – Ela disse para si mesmo. – Cruzes Hermione, recém se livrou de um idiota e já está pensando em homens...

Hermione entrou no restaurante e se sentou bem ao fundo, mesmo com várias mesas desocupadas na frente. Naquele horário o movimento era fraco, com vários lugares vazio. Ela optou por uma refeição rápida. Queria chegar logo em casa, para se aconchegar na sua cama quentinha. Enquanto aguardava o garçom trazer seu pedido, ela se lembrou de quando foi eleita ministra. Sabia que Quim Shacklebolt tinha ótimas referências dela para lhe indicar como sua sucessora, mas o que fez mesmo ela ganhar as eleições foi sem dúvida o apoio de Harry Potter. Harry estampava todos os jornais daquela época, como o herói intrépido que derrotou o Lord das Trevas. Assim que chegou sua refeição, ela voltou sua atenção para o garçom e pediu mais uma para viagem. Seu jantar estava garantido, pois ela não sairia da sua casa à noite por nada. Quando terminou de almoçar, colocou pedaços de pão que serviram na entrada dentro da sua bolsa. Ao chegar em casa, deu para Edelweiss. A coruja fez um movimento com a cabeça que Hermione interpretou como forma de agradecimento.

- Amanhã vou ao supermercado e abasteço a casa. Por enquanto é o que tenho para lhe dar.

- Piu.

Hermione deixou a lareira da sala acessa para aquecer a coruja e seguiu para seu quarto. Achou melhor pegar um livro para ler. Se dormisse a tarde toda, dificilmente conseguiria dormir à noite. Ela não passou nem da segunda página, porque as lembranças retornaram a sua mente.

Seus pensamentos vagaram novamente para quando foi eleita ministra. Na festa de sua posse, Rony lhe presenteia com um par de alianças e lhe pede em casamento. Ela não quis chamar atenção de todo o ministério presente naquela tarde, por isso simplesmente aceitou. No fundo Hermione sabia que estava sendo precipitada. Casamento não estava em seus planos, a guerra ainda recente lhe deixou marcas profundas. Por outro lado, a solidão lhe assustava e como Gina e Harry já estavam noivos, ela acreditou que Rony seria uma opção. Seu verdadeiro amor estava morto mesmo...

Hermione sempre foi devoradora de livros. Devorava cada palavra, de cada linha das páginas dos livros que ela escolhia para aprofundar seus conhecimentos. Ao se tornar ministra, uma luz iluminou um caminho que ela até então jamais imaginou que seguiria. Ela leu muito sobre os vira-tempos, modelos e datas de fabricação. Era um artefato mágico proibido e confiscado. Dentro do ministério havia uma sala proibida onde alguns estavam sendo guardados. Como ministra, Hermione teve acesso a todos os cantos do prédio. Não levou nenhum mês para ela encontrar a sala e se deparar com três dos objetos mágicos. Não se tratava do vira-tempo que a professora McGonagall lhe emprestou quando estava no terceiro ano. Era algo bem mais potente. Mesmo sem ter conhecimento mais aprofundado de seu funcionamento, ela sabia que dois estavam em estado lamentável, não passava de sucata. Mas o terceiro estava com uma aparência razoável, por isso passou cada momento de seu tempo livre em busca de manuais e referências em todas as estantes de livros do ministério. Até que um dia Harry encontra Hermione dentro da sala proibida retirando a poeira deste vira-tempo.

- Mione, o que está fazendo?

- Ah... Oi, Harry! Não vi você entrar.

- Você não respondeu minha pergunta. O que está fazendo?

- Estou só olhando. Quando será que confiscaram? E de quem era? Deve ter algum registro.

- Posso ver para você, mas me promete nem chegar perto disso. Promete?

- Sssim... mas por quê? – Ela gaguejou, pois sua verdadeira intenção era mesmo usar e mudar alguns acontecimentos para que o professor Snape não morresse.

- Outro dia conversamos. Vou encontrar os registros e marcamos um horário na sua sala. Pode ser?

- Claro. Obrigado Harry!

Na semana seguinte quando eles se encontraram, Harry esperou Hermione terminar de bombardeá-lo com inúmeras perguntas. Ele aceitou o chá que a secretária serviu, esperou ela se retirar para fechar a porta.

- Bem, Mione. O registro estava na prateleira de cima na mesma sala onde os outros também estão guardados. Este que está em melhor estado pertenceu aos bisavôs de Lucio Malfoy, fabricado em 1899. Foi confiscado na época em que ele recebeu a carta para ingressar em Hogwarts.

- Nossa, então é bem antigo.

- Sim, por isso você não deve nem tocar. Vai que acidentalmente você vá parar na primeira guerra bruxa...

- Harry, é claro que eu não iria mexer em nada. – Não sem antes saber exatamente como funciona. – Pensou.

- Está bem guardado por um bom motivo. Mas você o encontrou... Só gostaria de saber qual seu interesse nisso. – Harry atirou com a voz preocupadíssima.

- Depois que eu li sobre o assunto, pensei se existisse a possibilidade de voltar para o dia dois de maio de 1998 e salvar Fred, salvar o professor Lupim, a Tonks...

Harry se ergueu da poltrona num pulo.

- Enlouqueceu, Mione? Jamais mexa no tempo. É perigoso demais. Vai que algo saia errado e Voldemort vença a batalha? E não falo por mim. Pouco importa se eu estou vivo ou morto. Já imaginou o tipo de vida que os bruxos levariam, vivendo nas trevas e sendo torturados a cada dia? Não vale a pena arriscar...

- Tem razão, Harry. Foi só um lapso. Vou esquecer isso. - Sim, eu riscarei esta possibilidade da minha mente, mas jamais esquecerei meu primeiro e verdadeiro amor.

A partir daquele dia ela finalmente se decidiu que se casar com Rony era mesmo sua melhor opção. Os pesadelos da guerra lhe assombravam todas as noites no início. Rony se mostrou compreensível e lhe acalmava a cada pesadelo que tinha, até quando ela gritava o nome do Snape pedindo por socorro.

Hermione se dá conta que as lágrimas estavam molhando as páginas dois e três do livro que estava segurando. Ela suspirou e foi para cozinha fazer um chá para acalmar seus nervos e sua mente.

Continua...