Capítulo 10 – Eileen
Severo se vestiu sem um pingo de pressa, Hermione desceu e foi fazer companhia a sua antiga professora.
- Ele já vem.
- Obrigada! Então você vai fazer mestrado? – Minerva guarda o lenço após fungar o nariz.
- Sim, se eu passar na seleção. Vai ser importante para a minha carreira, mesmo se for trabalhar em Hogwarts.
- É claro que você passa, minha querida. Me diga, sei que vocês andaram conversando sobre a minha proposta, poderia me adiantar a posição de Severo?
- Não será preciso, Minerva. Eu posso muito bem responder sua pergunta. – A voz sedosa e pausada faz com que as duas se virassem para a escada.
- Não sei se Hermione chegou a lhe dizer sobre o real motivo de eu estar aqui. – Minerva ignorou o sorriso irônico dele, e continuou.
- É uma emergência! Peço desculpas primeiramente por chegar sem anunciar, e depois por atrapalhar o repouso de vocês em pleno domingo.
- Que tipo de emergência? – Severo pergunta se sentando na poltrona. Ele vestia um abrigo cinza e um par de tênis da mesma cor. Minerva raramente o via sem suas vestes pretas, ficou olhando para a roupa dele.
- Minerva? – Severo a chamou, ela parecia longe. Havia uma expressão nostálgica em seu rosto.
Minerva pensava no seu primeiro amor, nascido trouxa, que adorava usar abrigo e tênis. Depois de se desculpar por ficar aérea por alguns segundos ela explica sua situação. Era desesperador ficar sem professor de poções para atender as turmas já na segunda-feira cedo.
- Severo, você faria este favor em nome da escola?
- Provavelmente...
- Provavelmente sim, ou não? – Por favor, preciso de uma resposta exata.
- Sim, mas com algumas ressalvas...
Minerva se mexe no sofá, cruzando os dedos.
- Não posso pernoitar em Hogwarts, longe dela. – Severo encontra os olhos castanhos. Hermione retribui com um sorriso tímido.
- Eu sei. Você dá suas aulas e retorna. As aulas são de segunda a sexta, nos horários de sempre. O almoço é por conta da escola. A sua masmorra, como você mesmo conferiu, está intacta, lhe esperando. Poderá tirar um cochilo depois do almoço. Horácio também ia e voltava, não pernoitava no castelo. Ele só ficava para dormir nas noites de seleção das casas dos alunos novos.
Severo estreita seus olhos, faz um estalo ao abrir seus lábios para falar, demonstrando total descontentamento.
- Você sabe quanto custa a taxa de aparatação? São dez viagens por semana.
- Sim, eu sei. Como fomos condecorados heróis de guerra, talvez não saiba, mas temos passe livre para qualquer lugar de ambos os mundos, quantas vezes quisermos. E mesmo se não tivesse, a escola arcaria com esta despesa.
Realmente ele não sabia, desde que fugiu do hospital estava alheio a muitas coisas. Seu rosto ficou inexpressivo por um momento, antes de encará-la de novo.
- E quanto as poções que elaboro semanalmente? Vou precisar de alguém com destreza para monitorar, mesmo que eu deixe tudo sob magia.
- Posso lhe conseguir tantos elfos quantos forem necessários. Eles aprendem rápido. Pode usar o laboratório principal da escola, e peço a Hagrid coletar as plantas que precisa.
- Ah, e tem mais... não vou bancar babá de aluno. Portanto, não posso ser diretor da Sonserina, uma vez que não estarei lá durante a noite.
- Compreensível. Mais alguma coisa?
- Você está de acordo, Hermione?
- Sim, por mim tudo bem. – Eu vou estranhar não o ter por perto durante o dia. – Pensou.
- Muito obrigada, meus filhos queridos! Quando você terminar o mestrado, Hermione, há uma vaga lhe esperando. Manda um abraço para seus pais.
Minerva se levantou para ir embora, abraçou os dois.
Severo resmungou, murmurando algo baixinho, antes de lançar um último olhar na diretora, que aparatou em seguida.
- Estou orgulhosa de você! – Hermione o beija. - A propósito, o que você murmurou, que eu não entendi?
- Raposa velha!
Hermione soltou uma gargalhada.
- Tudo bem que eu já tinha em mente voltar ao meu velho ofício de ensinar poções, mas preferia ter me casado antes, e começar só em janeiro depois do recesso.
- Vou sentir sua falta durante o dia.
- Bem, sei de algo que vai lhe ajudar a passar o tempo... fique à vontade para ler meus livros! E não fique sem almoçar. Quando eu voltar de Hogwarts faço a janta para lhe esperar da faculdade.
Anne, que chegou na sala para se despedir da professora, ouviu a última fala de Severo, e ficou emocionada por ele cuidar bem da sua filha.
- Ela já foi?
- Sim, Minerva estava bem aérea hoje.
- Gostaria que me visitasse mais vezes... Ela parece ser tão culta!
- E esperta também! – Severo acrescenta arrancando risos da Hermione.
Uma nova rotina para o casal se iniciou já na segunda-feira. Severo acordou um pouco mais cedo do que o hábito. Tomou banho, fez a barba e colocou suas vestes pretas. Foi para a cozinha preparar um café na máquina trouxa. Hermione mesmo sonolenta, colocou seu roupão e desceu para se despedir dele.
- Quer uma xícara?
- Não, obrigado. É muito cedo, tomo depois.
- Eu já vou indo. Preciso chegar mais cedo para saber quais são as turmas que tem aula comigo hoje, e em qual conteúdo Slughorn parou.
- Boa sorte! E não tire pontos da Grifinória! – Ela levanta os pés para beijá-lo.
- Prometo pensar no seu pedido. Uma coisa é certa... posso não tirar, mas também não vou dar nenhum pontinho! – Ele mostra um sorriso divertido.
- Malvado! Tchau, querido! Manda um beijo para Minerva.
Aquela semana se arrastou. Hermione contava os dias para chegar fim de semana e ter Severo com ela o dia todo. Nunca em sua sã consciência iria pensar algo assim aos doze anos de idade, quando ele a chamou de "irritante-sabe-tudo". Chegou a esboçar um sorriso com tal pensamento.
Ela aproveitou seus dias para ler todos os títulos que lhe chamavam a atenção, das prateleiras de fácil alcance. E eram muitos. Somente na segunda semana que ela se organizou, e dividiu seu tempo entre estudar para a prova de mestrado, preparar suas aulas, ler os livros, e começar a pensar no casamento.
Anne passou a visitar sua filha com mais frequência, para não deixá-la tão sozinha durante o dia. Estranhou que ela estava praticamente morando na casa ao lado.
- Filha, como você vai fazer com a sua casa? Pelo visto vocês vão morar aqui, não é?
- Sim, a casa é dele. Lá, eu alugo. Severo disse que vai começar as obras. Ele vai mandar construir mais dois quartos. Um será meu escritório e o outro, quarto de hóspedes, que levarei meus móveis novos do quarto. O quarto de hóspedes dele é bem simples, tem praticamente só uma cama de solteiro, que vou transfigurar em algo útil para a minha sala de ginástica. Os móveis da sala você vai querer?
- Claro, vou adorar! Eu estava mesmo querendo trocar meu sofá, mas seu pai nunca se anima para ir nas lojas comigo. Aquele sofá grande bordô, ainda é o mesmo de quando você era criança. Inclusive com uma marca, que nunca saiu devido as suas primeiras tentativas de feitiço.
- Mãe, você precisa me ajudar com o casamento. A senhora Molly me ajudou aquela vez, porque ela fazia questão de casar os filhos todos no quintal da casa dela. Eu e Severo vamos nos casar na igreja daqui de Londres. Então, você e papai poderão ir no meu casamento. Eu fiquei bem sentida por vocês não estarem presente aquela vez.
- Para ser sincera nós também. Seu pai chorou no dia do seu casamento.
- Verdade? – Hermione ficou emocionada, seu coração deu uma fisgada no peito. Ela imaginou que eles ficariam tristes, mas nem tanto.
- Me desculpe! – Ela abraçou a mãe chorando.
- Está tudo bem, entendemos que a família dele fez questão do local mágico. Por isso que pedimos para você e Ronald se vestirem de noivos para tirarmos aquelas fotos. Você é a nossa única filha. Agora será diferente, George vai adorar lhe levar até o altar.
- Sabe... – Hermione enxuga as lágrimas. - Eu não me importei muito aquela vez, porque não estava casando com quem eu realmente queria.
- Eu sei, mas agora você fará um ótimo casamento. Severo se preocupa muito com você.
- Sim, ele me manda o patrono dele com alguma frase bonita, todas as tardes. Eu o amo tanto...
- Ele também te ama, dá para ver no brilho do olhar.
Quase três meses depois a obra ficou pronta, em função das chuvas de Londres. Hermione estava entregando a casa alugada, ela se mudava definitivamente para a casa ao lado.
- Que pena, pensávamos que a casa fosse do seu agrado. – A moça da imobiliária disse assim que vistoriou o local, pegando as chaves de volta.
- Sim, a casa é ótima, mas vou me casar.
- Ah, parabéns! Desejo muitas felicidades ao casal. Vocês têm intenção de comprar algo? Um terreno, ou uma casa maior? Temos muitas opções...
- Agradeço, mas estou com um pouco de pressa. – Ela aperta seus livros contra o peito, e sai apressada até um ponto da rua para aparatar.
Era o dia da sua prova de seleção para mestrado. Estava preparada, mas sempre aquele friozinho na barriga lhe acompanhava desde a época de Hogwarts. Havia duas vagas e seis candidatos. Depois da prova escrita, os candidatos passavam por uma entrevista, onde apresentavam um projeto de pesquisa.
Naquela noite, ela pediu para Roberto dar suas aulas. Quando chegou em casa mais cedo, Severo já lhe esperava com um magnífico jantar. Ele estava prestes a perguntar como foi, Hermione fazia suspense.
- Senhorita Granger, acho melhor me dizer logo! – Ele disse calmamente, se aproximando e colocando seus braços ao redor da cintura dela.
- Passei! Muito obrigado por me ajudar no projeto de pesquisa! Fiquei em primeiro lugar por causa do projeto! Eles adoraram o tema sobre a planta ditamno!
- Eu imaginei, porque a minha pesquisa no mestrado deu margens para aprofundar muito mais o assunto. Parabéns, você mereceu!
Severo a pega no colo e trocam um longo beijo.
- Quer saber? O jantar pode esperar!
Ela assentiu com a cabeça.
Ele a leva até o sofá da sala. Hermione sempre quis fazer amor naquele sofá, desde o dia que ela desmaiou e foi levada ali. A sensação das mãos grandes dele acariciando seu corpo era sempre como a primeira vez, lhe deixava excitada e levemente corada.
Em agosto quando os alunos entraram de férias, tanto em Hogwarts, quanto na faculdade, Hermione passava o dia todo no laboratório ajudando Severo. Ele tinha em mente como queria seu casamento, e por isso comentava com ela sobre a cerimônia e a recepção, para saber se aprovaria. Queria algo simples, sem muitos convidados.
- Eu vou amar! Também não quero muitos convidados.
Com um mês de antecedência, eles foram visitar os amigos para levar o convite de casamento. Hermione e Severo depois de deixarem o convite na casa do pais dela, aparataram em Hogwarts.
- Fico muito feliz por vocês, meus filhos! O que vocês querem de presente de casamento?
- A sua presença! – Hermione a abraça com um sorriso.
- É muito pouco. Vocês merecem muito mais. Talvez uma reforma na masmorra, ou uma casa nova só para vocês, próxima a casa de Hagrid...
- Hum... pode ser uma boa ideia, conversamos depois sobre a casa.
- É sério, Severo? - Hermione se inquieta, ela sempre quis ficar nos aposentos dele.
- Se o guardião das chaves de Hogwarts pode ter uma... Por que não, o diretor de Hogwarts? Penso em algo de pedra para não fugir da arquitetura, e não tão grande como a nossa de Londres.
- Não leve a sério, Minerva! Vamos indo? Temos que levar o convite para Lucio Malfoy. Eles nos esperam para o almoço.
- Pensei que iriam almoçar comigo... – Minerva faz beicinho.
- Vamos ter muito tempo ainda para almoçar com a senhora. – Hermione responde.
- Vamos?
- Severo, só um minutinho que vou ao banheiro.
- Então vai logo.
Minerva e Severo voltam a conversar, enquanto aguardam Hermione.
- Severo, já está decidido, assim que voltarem da lua de mel, você assume a direção geral.
- Sem chances de recusar? Saiba que não passarei as noites em Hogwarts.
- Eu continuo como vice, e não haverá nada que não possa ser resolvido pela manhã.
Ele esperou Hermione se afastar totalmente, e chamou Minerva num canto.
- Sabe, andei pensando sobre nossas honras de heróis de guerra. Então quero fazer uma surpresa para Hermione. O que a senhora acha de construirmos uma casa para os pais dela morar no terreno de Hogwarts? Ela é a única filha, e eu vi o quanto a mãe dela é apegada e preocupada com ela. Hermione vindo morar aqui comigo, estou tirando a filha de perto dela. Não é a mesma coisa de quando ela era ministra, porque estava em Londres o tempo todo.
- Compreendo. Eu se estivesse no lugar dos pais dela, iria adorar. Primeiro precisa saber se eles querem vir, e depois veja com Harry a parte burocrática diante do ministério.
- Está bem, vou ver isso. Hoje à noite vamos entregar o convite na casa do Potter. Eu falo com ele.
- Posso ver em Hogsmeade os bruxos mais qualificados para erguer a casa de pedra.
Hermione volta do banheiro e escutou esta última frase, ficou parada olhando para eles.
- Vou pedir para meu arquiteto trouxa fazer o projeto. Não temos pressa, pois Hermione precisa terminar o mestrado.
- Está bem. Vai dar tudo certo! – Minerva dá uma risadinha.
- Ah, será tudo por minha conta, afinal não sei o que fazer com aquele cheque que recebi...
- Nada disso, eu também recebi um cheque destes, e preciso dar meu presente de casamento.
- Mas não uma casa... – Severo retruca.
- Querem parar? – Hermione se intromete. - Já está tão avançada assim a ideia da casa? – Ela encara os olhos negros.
- Na verdade, não, mas Minerva ofereceu nosso presente de casamento...
- Não ligue para ele, Minerva. Vamos indo, Severo?
- Venha me visitar quando puder. Nas sextas à tarde tenho meu horário livre.
- Vou vir sim, porque em setembro não vou poder... começam as minhas aulas no mestrado.
- Parabéns, filha! Eu sabia que você seria aprovada! – Minerva beijo o rosto de Hermione.
Severo abraça Hermione, e eles aparatam na frente dos portões da mansão Malfoy. Os portões foram abertos pelo reconhecimento facial do bruxo.
Narcisa os aguardava na porta imponente de carvalho maciço. Cumprimentou calorosamente o casal, e os direcionou para a ampla sala de estar. Lucio apertou a mão de Hermione e abraçou Severo. Com sua varinha escondida na bengala, atiçou mais fogo na enorme lareira, mostrando em seguida o sofá preto de couro. Ele esperou o casal se sentar, e puxou a poltrona em frente, com a intenção de observar melhor a bruxa jovem. Hermione parecia um pouco desconfortável, com aqueles olhos cinzentos vidrados em seu rosto e decote. Severo entrelaçou a sua mão na dela, o que a fez relaxar um pouco.
Narcisa expressou mais de uma vez seu agradecimento em relação ao convite de casamento, que lhe foi entregue. Já Lucio, fez cara feia ao ser convidado para padrinho ao lado de Minerva.
- Aquela raposa velha? – Ele pergunta com sorriso de escárnio.
- Não fala assim, Lucio. – Narcisa chamou atenção do marido.
- Não se preocupe, Narcisa, ele tem mesmo razão. – Severo lembrou das artimanhas dela. - Ela me fez aceitar a direção de Hogwarts!
- Sim, eu ainda faço parte do conselho de educação dos jovens bruxos, aprovei sua indicação na hora! Até guardei a edição do profeta diário, com sua foto na capa. Você está com a vida ganha, meu amigo!
O loiro olha mais uma vez para Hermione como se quisesse despi-la. Desde que ela virou ministra, deixou de implicar sobre ser 'uma sangue ruim', e passou a tratá-la melhor. Severo arqueou uma sobrancelha entendendo o que ele quis dizer pelo olhar que direcionou a Hermione. Ele toma um gole grande de firewhisky. Lucio só servia o melhor para seus amigos íntimos. Severo para trocar de assunto, pergunta:
- Muito bom! Esse é o single malts, datado de 1940?
- Chegou perto! É de 1933, meu pai comprou toda a produção, por isso ainda tenho algumas garrafas guardadas. Draco não é chegado, Cisa não toma. Você tem que vir me visitar mais vezes, Severo!
- Draco não está? Hermione certamente gostaria de ver o bebê, não é querida? – Severo pergunta.
- Eles não estão aqui hoje. Draco e família passam um fim de semana aqui, e o outro na sogra. Vocês pensam em ter filhos?
Narcisa pergunta um tanto encabulada, pois a curiosidade falou mais alta. Em outra ocasião não perguntaria, não é do seu feitio se intrometer. Ainda mais conhecendo Severo há anos, que sempre foi muito reservado.
- Eu gostaria, antes preciso convencê-la... – Severo a beija rapidamente. A bebida forte já lhe deixava mais à vontade.
- É verdade, Hermione? – Narcisa olha para ela na expectativa. Lucio também parou de brincar com os gelos no copo para prestar atenção.
- Mais adiante, meus pais com certeza esperam um neto!
- Ou uma neta! - Severo complementa.
- Não podem esperar muito... Severo tem quase a minha idade, e eu já sou vovô! – Lucio riu.
- Menos, Lucio! – Severo riu também.
- Assim que eu terminar meu mestrado. – Hermione respondeu procurando ser educada.
- Você voltou a estudar? Que corajosa! – Os olhos de Narcisa brilharam. Ela sempre admirou pessoas cultas.
- Bem, não é de se admirar que foi para a Grifinória. – Severo comenta.
O elfo entra na sala anunciando que o almoço estava sendo servido.
- Vamos passar para a sala de jantar? – Narcisa convida.
- Venha, Severo, vamos lavar as mãos no lavabo. As mulheres lavam na cozinha.
Assim que Narcisa se afastou com Hermione, ele bate nas costas de Severo.
- Agora me conta como conseguiu fisgar uma jovem que tem a idade do Draco? E ainda por cima, é a ex ministra!
- Na verdade foi ela que me fisgou! Eu já estava praticamente morto. Vamos apenas dizer que se não fosse por ela, a fênix de Dumbledore não apareceria para me salvar.
- Que romântico! E ela é boa de cama? – Lucio pergunta sem preâmbulos.
- Insaciável! – Severo responde com sorriso maroto.
- Meu velho, vai ter que fazer uso de muitas poções, pelo visto.
Severo riu.
- Tenho algo a lhe dizer, todos os bruxos que frequentavam o ministério a desejavam, quando ela era ministra. O nome dela estava sempre nas conversas masculinas. Você pode imaginar o tipo de piada que surgia para aquele marido ruivo? Pouco dotado era o menos ofensivo. – Lucio gargalhou.
Na cozinha, Narcisa também tinha certa curiosidade, ela perguntava de forma mais sutil, como Severo era.
- Adorável! – Hermione responde meia encabulada.
- Severo é um bom homem, muito culto. Draco sempre diz que foi o melhor professor que ele já teve.
Pouco depois do almoço, Severo e Hermione se despediram com a desculpa de ter mais convites de casamento a serem entregues. Eles retornam para casa, e somente à noitinha vão para a casa de Harry e Gina.
Severo não estava com muita vontade de ir, por vários motivos. Sendo que o principal dizia respeito as suas memórias. Na beira da morte, não se importava que seus segredos fossem divulgados ao vento. A questão é que ele sobreviveu, teria que confiar nas palavras dele quando disse que ninguém mais saberia, o que duvidava de certa forma.
Hermione deu a mão para ele na hora de aparatar. Não precisava perguntar para saber que ele não se sentia confortável, tal como ela na casa do Lucio Malfoy.
Gina abre a porta com um sorriso largo.
- Mione! Até que enfim vou conhecer seu NOIVO! Entrem, por favor!
Hermione entrou primeiro. Severo suspirou antes de passar pela porta.
- Harry, ELES chegaram! – Ela grita para o marido que estava nos fundos da casa preparando o fogo na churrasqueira.
Era verão e as crianças ainda estavam na piscina, dava para ouvir as risadas e barulho de água. O casal Potter havia passado o dia se preparando para receber Severo Snape, o mestre de poções de Hogwarts, em sua casa.
Assim que Gina solta Hermione depois de um abraço demorado, Harry chega para cumprimentar o casal. Ele primeiro abraça Severo, e Gina aguarda sua vez para abraçá-lo também.
- Harry e Hermione, com licença. Professor Snape, com todo o respeito, mas preciso abraçar este homem que roubou o coração da minha melhor amiga! – Gina quase empurra Harry para chegar perto de Severo.
Severo vira-se para ela, erguendo uma sobrancelha. Gina envolve boa parte do corpo másculo com seus braços e permanece mais tempo do que ele gostaria. Ela inala o perfume amadeirado inebriante que Hermione comentou na sua última visita.
- Agora eu sei o que Mione viu no senhor! – Ela o solta lentamente. Harry e Hermione trocam um olhar, segurando o riso por causa da expressão no rosto dele. Não precisavam ser legilimente para saber o que ele estava pensando.
Harry para quebrar o constrangimento dele, o convida para ir até o quintal.
- Está uma noite muito agradável de verão! Venha, já preparei nossas bebidas. As crianças ainda estão na piscina.
- Ainda, Harry? Eu não pedi para você mandar elas saírem?
- Eu mandei, mas não me obedecem. A quem será que puxaram? – Harry ri.
- Com certeza a teimosia dos dois. – Hermione defende a amiga e também riu. - Deixa que eu lhe ajudo, Gina!
- Venha, Snape! – Harry gentilmente o conduz até a edícula. - Se quiser tomar banho de piscina, posso lhe emprestar calção e toalha.
- Agradeço, mas já está noite.
- É tão raro um dia de calor aqui, que deixei as crianças aproveitarem mais. Diga olá para o professor Snape!
- Olá! Oi! – Ambos respondem.
- Vamos saindo! – Gina se aproxima com duas toalhas. Vira-se para Severo, que acabou de pegar um drinke nas mãos de Harry. - Sente- se, professor Snape!
- Obrigado, mas não sou mais seu professor. – Ele lhe dá um meio sorriso.
- Tem razão! É a força do hábito. Vamos lhe chamar de Snape, se não se importa. Aliás era como lhe chamávamos na sala comunal!
- É, eu sempre soube que as formalidades eram banidas na sala comunal. Mas não se preocupem, até na Sonserina me chamavam de Snape!
- Velhos tempos, Snape! Sabe que tenho muitas saudades das suas aulas? Até das implicâncias de Draco e seus comparsas. – Harry fala com saudosismo.
- Sempre soube que você não era normal. – Sua voz de barítono com uma boa pitada de sarcasmo arrancou risos de todos.
- Draco agora tomou jeito, teve seu primeiro filho. Severo chegou a vê-lo, eu ainda não vi. – Hermione comenta.
- Espero que tenha puxado ao pai, para ele ver o quanto é bom! Como é o nome? – Gina quis saber.
- Scorpius. Deve estar com três meses agora.
- A filha de Rony está para nascer a qualquer momento. Imagina o grau de nervosismo dele...
- Posso imaginar. Ele achava fácil ver vocês com Thiago recém-nascido.
Hermione terminava de secar o cabelo de Lilly, Gina lhe chama para ir até o quarto das crianças para eles se trocarem.
- Então, Hermione... agora com ele é certo, que vocês não vão querer ter filhos.
- Você não vai acreditar! Eu até estou mudando de ideia, Gina. Ele quer muito ter uma filha!
- É mesmo? Ele não faz bem o tipo de ser pai. Está mais para o tipo de ser um amante em potencial! Bem como você o descreveu! Que homão, hem? Eu apalpei a massa muscular dele! Dos ombros, Mione! Dos ombros! – Ela enfatiza.
- Você não tem jeito, né? – Hermione riu. Ela faz uma pausa e pergunta: - Por que você diz que ele não faz o tipo de ser pai?
- Não que ele não possa ser um ótimo pai, mas com a gente ele era meio exigente demais, não era?
- Isso é verdade! Mas sem dúvida um excelente professor! Talvez exatamente por ser exigente!
- Tenho até dó do rapaz que quiser namorar sua filha! – Gina riu sem perceber que uma cabecinha e dois ouvidos estava bem ao lado.
Thiago que acabava de amarrar sozinho os seus tênis, até parou o que fazia para ouvir melhor a conversa.
Harry e Severo também aproveitaram para conversar.
- Desculpe a minha esposa. Ela foi criada com muitos homens, então releve algumas coisas. – Harry percebeu a intenção de Gina ao dar aquele abraço demorado.
- Digamos que era curiosidade feminina. – Severo não esconde um sorriso.
- Parece que ela precisava lhe agarrar para ver se estava realmente vivo!
- Não se preocupe, Hermione já me advertiu que ela é assim.
- Eu soube que você vai assumir a direção de Hogwarts! É um cargo mais do que merecido. Tenho certeza que meus filhos vão estudar na melhor escola de Magia e Bruxaria daqui a alguns anos, porque você será ainda mais brilhante que Alvo Dumbledore.
- Gentileza da sua parte, Potter.
- É verdade, você certamente não favorecerá somente a sua casa. Bom, assim espero. – Harry não consegue evitar um riso.
- Quando Hermione terminar o mestrado, ela ficará com Poções e eu ficarei somente na direção. Pode ter certeza que o senso de justiça dela é muito forte e não me deixará cometer as barbaridades que o velho cometia. – Severo se referia ao bullying que recebia dos marotos, e o diretor passava panos quentes.
- Sim. Eu lamento muito tudo que passou, Snape. Lamento as escolhas erradas da minha mãe. Acredito que você seria um pai e tanto para mim.
- Talvez ela ainda estivesse viva... – Severo deixa escapar com tom melancólico.
- Talvez... Snape, posso continuar a dar minhas palestras anuais sobre Defesa das Artes das Trevas? Minerva sempre me convida. Eu gosto muito! – Harry procura trocar de assunto, porque ele também entristece quando pensa nela.
- Certamente, Potter! Ah, quero lhe pedir algo.
- Sim, claro. – Harry pensou que ele iria voltar a lhe pedir segredo sobre as memórias.
- Vou aproveitar que Hermione não está junto, procure manter em segredo, sim?
- Claro, Snape! Conte comigo!
- Minerva me ofereceu parte do terreno próximo a cabana de Hagrid para eu construir uma casa, se eu quisesse. Penso em construir para levar o casal Granger a morar nas terras de Hogwarts. Vou precisar da sua ajuda junto ao ministério. Sei que é bem burocrática esta questão, permitir que trouxas acessem o mundo mágico. Sei que não são vistos com bons olhos na corte. Morei muito tempo sozinho, sei bem como é não ter família. Eu não gostaria de afastar Hermione, a única filha.
- Muito bacana da sua parte. Pode deixar que Júnior é bem acessível, como lhe disse aquela vez. Hermione sendo ex ministra, facilita muito a parte burocrática. E também porque a dona Anne é filha de bruxa, então não são totalmente alheios ao mundo mágico.
- Então, você acha que é possível?
- Sim, certamente. Só tem detalhe... Creio que na documentação deverá haver uma contrapartida. Tipo qual benefício o casal trará para a comunidade escolar? Podemos pensar em algo.
- O que você acha do senhor George prestar serviços odontológicos para os alunos, e funcionários da escola? Ele poderia estar aposentado, mas parece que gosta do ofício. Atualmente ele tem uma pequena clientela seleta.
- É uma ótima ideia! – Harry entoou.
- O que é uma ótima ideia? – Gina pergunta com Lilly no colo, Thiago de mãos dadas a madrinha.
- Jantarmos! – Harry disfarça. – A carne está no ponto. Vamos passar para a mesa?
- Simmmm! – As crianças com fome são as primeiras a correr até a mesa.
- Ei! Primeiro as visitas! – Harry chama a atenção delas.
- Podem escolher qualquer lugar. – Gina oferece.
A conversa durante o jantar passou rapidamente das formalidades para as corriqueiras conversas de ótimos amigos entre eles. Severo participava com um ou outro ponto de vista, ou sempre que perguntavam sua opinião. Ele sabia que levaria tempo para Hermione se sentir à vontade na casa dos seus amigos, assim como ele na casa dos amigos dela.
De noite na cama, Severo finge aborrecimento.
- Que maneira estranha que a senhora Potter tem de cumprimentar homens na frente do marido... Ela simplesmente me agarrou, pensei que ia ser estuprado!
- Eu sabia que ela iria aprontar alguma... Você não ficou chateado, né?
- Mais um pouquinho minha ereção ficaria incontrolável, e ai?
- Severo? Não me diga que sentiu algo?
- Estou brincando. Ela não faz o meu tipo, ainda mais grávida!
- Grávida? Ela não comentou comigo.
- Provavelmente ela ainda não sabe. Deve estar no início.
- E como você sabe?
- O nível de progesterona dela está altíssimo, o que justifica uma gravidez recente.
Hermione continua olhando intrigada para seu noivo cheio de mistérios.
- E? – Hermione queria saber mais.
- Percebeu o cabelo dela? Extremamente brilhoso. A progesterona faz isso.
- Nossa, você é uma caixinha de surpresas! – Ela o beija.
Eles ficam um tempo em silêncio abraçados.
- Severo...
- Hum?
- Estamos quites, porque a propósito, seu amiguinho também só faltou me comer com os olhos hoje antes do almoço.
- Pois é... ele também não tem jeito. Com a esposa do lado... Narcisa deve estar acostumada. Ah, preciso lhe dizer algo... Lucio me disse, mas na verdade eu sempre soube.
- O quê?
- Que todos os homens no ministério lhe desejavam, e não sabem dizer o que você viu no ruivo.
Hermione deu uma gargalhada gostosa.
- Eu percebia os olhares másculos ao meu redor, e fazia de conta que não era comigo. Mas o único olhar que eu queria, não tinha, porque era o seu.
- Agora tem, e não apenas o olhar... – As mãos grandes começam a acariciá-la.
No mês seguinte, sábado pela manhã, Hermione deu um beijo em Severo.
- Eu já vou! – Ela fala saindo debaixo do edredom.
- Vai aonde?
- Para a casa dos meus pais. Preciso me arrumar para o nosso casamento.
- Está marcado para às 18 horas. Tem muito tempo. Volta aqui!
- Não, Severo. Eu marquei num SPA às nove horas, e já são quase oito e meia.
- Ainda dá tempo para uma rapidinha, do jeito que você gosta. – Ele a provoca com o olhar cheio de malícia.
- Gostava na época do Rony, porque eu queria me livrar logo... – Ela riu. - Com você não me importo de ficar o dia todo na cama.
- Então venha! – Ele faz sinal com os dedos graciosos.
- Amanhã é nossa lua de mel! Você vai precisar estar em forma meu bruxo gostoso! Porque eu vou lhe cobrar!
- Está certo! Amanhã! – Ele afundou a cabeça no travesseiro com um sorriso travesso nos lábios.
Eram cinco da tarde, Hermione estava praticamente pronta, mas não queria se vestir logo.
- Hermione, seu pai lhe espera no jardim para tirar fotos. Pensei que já estivesse com o vestido. – Ela entra no quarto da filha e vê o vestido ainda no cabide.
- Estou tão nervosa, mãe... Porque parece ser um sonho. Várias vezes durante o dia fiquei com medo de acordar, e saber que tudo não passou de um sonho...
- Quer que eu peça uma poção para Severo? Posso mandar a Edelweeis...
- Não, não precisa. Não quero que ele me veja antes do casamento. Eu vou me vestir. Fala para o papai que já estou indo.
Enquanto isso, na igrejinha pequena que Severo escolheu, todos os convidados já estavam presentes. Ele chega visivelmente nervoso. Minerva se aproxima e lhe dá um beijo no rosto.
- Você está tão lindo, Severo! Nem parece o mesmo bruxo mal-humorado de sempre.
- Obrigado, pela parte que me toca, Minerva! – Ele responde fingindo aborrecimento, mas ele sabia que o elogio foi sincero.
Todos, um por um, chegam para cumprimentá-lo.
- Hermione realmente tem bom gosto! – Gina deixa escapar depois de beijar o rosto macio dele, com a barba recém feita. Sua barriguinha grávida de dois meses já era perceptível.
Severo olhava no relógio. Já passava das dezoito horas. No altar estavam Harry e Gina de um lado, Lucio de braços dado a Minerva do outro.
Anne dava o braço a Severo para entrarem juntos na igreja. A música Perfect começava a tocar, deixando não só Severo, mas a maioria dos convidados emocionados.
Minutos depois com o som da marcha nupcial, os irmãozinhos Thiago e Lilly entram levando a cestinha com o par de alianças. Logo em seguida, Hermione entra de braços dados ao seu pai, que fazia o possível para segurar suas lágrimas. Estava tão ou mais emocionado que a própria noiva.
Quem conhecia a história de Severo não conseguiu controlar as lágrimas. Ele próprio precisou várias vezes recitar, não verbalmente, o feitiço para não chorar em público.
Após a cerimônia, o casal recebeu os convidados num restaurante luxuoso próximo a igreja para a recepção. Tiraram muitas fotos, e pela primeira vez Severo não se importou, porque era o dia mais feliz da vida dele.
Após jantar com os convidados, os noivos aparatam no último andar da torre Eiffel. Eles recebem duas taças de champagne de brinde por estarem com as roupas do casamento. Depois seguiram a pé até o hotel, com uma vista magnífica para a torre.
Passaram o domingo todo na cama. Severo agradeceu a Merlin por ter lembrado de incluir vários frascos de poções na sua bagagem reduzida. O almoço foi servido no quarto, não poderiam perder tempo. À noite, eles foram jantar no restaurante da Torre. Estavam famintos após gastarem tanta energia.
Do casamento até o término do mestrado de Hermione, o casal parecia estar sempre em lua de mel. Passavam o dia longe e se encontravam à noite. Hermione por ser dedicada e devoradora de livros, conseguiu concluir sua dissertação em recorde de tempo, defendendo seu mestrado com um ano e meio de estudo.
Roberto foi escolhido pelo orientador dela para fazer parte da banca. Hermione estava bem preparada e não se importou. Severo foi assistir a defesa da sua esposa, caso precisasse de alguma ajuda, ele não hesitaria em assoprar via feitiço não verbal. Assim que o professor Roberto o viu na plateia, começou a dificultar cada vez mais as perguntas. Hermione por saber todo o conteúdo, não precisou recorrer a magia, respondia tudo com precisão. No final, quando os professores da banca já haviam aprovado, o orientador, um professor grisalho, deu um envelope nas mãos de Hermione.
- Senhora Snape, estamos encantados com sua dedicação na pesquisa. Aqui dentro temos um contrato para ser nossa professora em tempo integral, e uma vaga para prosseguir no doutorado, caso aceite.
- Muito obrigado! Eu dedico esse título ao meu marido! Severo?
Ela o chama lá na frente. Roberto saiu de fininho. O orientador após cumprimentar o casal, os convida para jantar. Foi uma noite memorável, onde até Severo recebeu convite para lecionar em Oxford, em tempo integral.
- Agradecemos. Prometemos que vamos pensar na proposta. – Severo responde educadamente.
Hermione não renovou o contrato para as suas aulas de química, porque na segunda-feira ela aparatou com Severo. Acabava de assinar o contrato em Hogwarts, no escritório do seu marido! Estava muito feliz.
A casa nas terras de Hogwarts estava totalmente concluída há meses. Severo preparou uma festinha surpresa para inaugurar a casa. Além de Lucio, Narcisa, Draco, esposa e filho, estavam Harry, Gina, e os três filhos. Também presente o casal Granger, que já estavam instalados, mudaram-se no dia anterior. Minerva aguardava ansiosa pelo retorno de Severo, que foi buscar Hermione. Só ela que não sabia da surpresa.
Após o último período de poções, Severo esperava no corredor ela encerrar a aula.
- Passou a vigiar minhas aulas, senhor Snape? Isso faz me lembrar aquela vez da Umbridge! – Ela pergunta com tom zombeteiro, assim que o último aluno saiu, e fechou a porta.
- Não... nem me faça lembrar aquela época! Tenho coisa melhor para hoje!
- É mesmo? Vou tentar adivinhar... Hoje é sexta, talvez um jantar no Cabeça de Javali... Ou Três Vassouras?
- Errou! Vamos inaugurar a casa de pedra! Aposto que Hagrid está ansioso para os novos vizinhos!
- Fala sério? Eu não quero morar lá. Estou muito bem na masmorra, obrigada!
- Está bem, mas Minerva está chamando a gente para inaugurar a casa! Vamos, vai ter coquetel, bebidas e alguns convidados.
- Professora Sprout, Professor Flitwick, Trelawney também?
- Errou de novo! Onde está a minha 'sabe-tudo'?
- Não me enche, Severo! A semana foi cansativa! Vamos para nossos aposentos, sim?
- Sim, mas antes vamos beber algo lá? Seus amigos e os meus também estão nos esperando...
- Gina? – Ela pergunta já mudando de humor.
- Sim, os Malfoys e os Potters!
- Então preciso me trocar. Estou com cheiro de poções!
- Está bem. Eu lhe acompanho até nosso quarto.
- Pensando bem, é melhor eu tomar um banho rápido.
- Rápido! Não faça nossos convidados esperar.
- As aulas recém terminaram, seu diretor exigente!
Hermione entrou no chuveiro. Depois Severo a ajudou a secar os cabelos. Ela se vestiu com auxílio da varinha.
- Estou bem?
- Está linda como sempre, e perfumada! – Severo a beijou antes de aparatarem. Todos estavam parados em pé na frente da casa, começaram a aplaudir, assim que o casal chegou.
- Meus pais? – Ela pergunta já com lágrimas nos olhos.
- Sim, a casa é para eles, senhora Snape! – Minerva responde lhe dando um abraço.
- Mas?
- Coisas do seu marido! Vai lá, receba seus pais!
- Nos mudamos ontem, filha. Este lugar é mesmo mágico!
Pai, mãe! Os três se abraçam.
Minerva abraçou Severo, também estava muito emocionada.
- Você tem um bom coração, Severo!
- Tenho que concordar, Minerva. Era para eu ter morrido na batalha...
- Não foi isso que eu quis dizer! – Ela enxuga uma lágrima.
- Prefiro vê-la sorrindo, Minerva! – Severo aperta a vice-diretora em seus braços.
Naquela noite, o casal se ama no quarto da masmorra. Severo já havia deixado de tomar anticoncepcional masculino propositalmente.
Sete meses depois Hogwarts toda se acorda com um diretor nervoso, porque Hermione estava passando mal. A menina que estava para nascer em julho, se adiantou e nasceu em maio. Ela cresceu paparicada por todos. Os avós cuidavam dela durante o dia, e à noite o casal levava para a masmorra, onde fizeram um quartinho para ela. Eileen mostrou muito cedo seu dom para magia. Quando a cor de uma roupa não lhe agradava, ela trocava sem pedir permissão, ou ajuda de ninguém. O papel de parede do seu quarto que era rosinha, acabou ficando verde-água.
Eileen herdou as características dos seus pais. Era uma morena muito linda, e muito inteligente. Sempre foi muito apegada ao pai. Adorava ouvir a história da família Prince. Pesquisou tudo que podia para saber mais sobre sua avó, afinal recebera o nome dela.
Quando fez onze anos já estava determinada a ir para a Sonserina. O chapéu seletor não queria criar conflitos em casa, e escolheu a Corvinal para ela. Mas Eillen também herdou a teimosia, e no último momento o chapéu anunciou:
- Que seja Sonserina!
Severo levantou da cadeira, orgulhoso, aplaudiu de pé!
De noite, na casa dos avós, ela abraçou sua mãe.
- Desculpe, mamãe...
- Não precisa se desculpar, querida. Eu sempre soube que você era a versão feminina de seu pai! Temos muito orgulho de você, Eileen!
Thiago Potter estava com dezessete anos, no último ano de Hogwarts quando Eileen foi selecionada para a Sonserina. O assunto nas mesas dos alunos naquela noite era quem namoraria a filha do diretor. Eu vou namorar esta garota! – Ele afirmou com convicção para os colegas da Grifinória, arrancando risos.
Thiago e Eileen se visitavam com frequência durante as férias, e nas horas vagas em Hogwarts estavam sempre juntos como grandes amigos.
Sabia que teria que esperar muito tempo para ela crescer, e também muito tempo para o pai dela aceitar o namoro, mas Thiago não tinha olhos para nenhuma outra garota.
Dezenove anos depois...
O jardim na frente do castelo estava todo enfeitado para a cerimônia. Os convidados e o padre já estavam aguardando os pais da noiva, os avós, e a noiva.
- Depressa, Severo. A noiva já está atrasada. – A avó terminava de ajeitar o véu de Eileen. O avô aguardava ansioso na porta para tirar mais umas lindas fotos da única neta. E Severo permanecia sentado na cama olhando o reflexo da filha no espelho.
- É que estou tão emocionado... A minha filha já está se casando...
Severo enxuga discretamente uma lágrima, mas Anne percebeu.
- Algum dia, isso iria acontecer! O rapaz é de uma ótima família, não tem com o que se preocupar! – Anne procura acalmá-lo.
- Talvez por ser filho de Potter, que me preocupo... Além do mais, ele é seis anos mais velho do que ela!
- Ei... arrume outra desculpa. Quem é que é dezenove anos mais velho do que eu? - Hermione sorri abraçando o marido.
- Tem razão, querida! Sabe, talvez em algum momento a família Snape deveria se unir a família Evans...
- Que bom que foi só nessa geração. Não gostaria que fosse diferente! Você é o melhor marido, e o melhor pai que alguém poderia desejar! Eu te amo, Severo Snape!
- A vida passa como um filme de cinema! Parece que foi ontem que você me ajudou com as sacolas de supermercado. – Anne comenta, enquanto Hermione beijava o marido.
- É verdade, quem diria que Hermione seria a minha vizinha... – Severo se levanta finalmente, e dá o braço a sua princesa para conduzi-la até o altar onde o noivo e o padre a aguardava.
FIM
