Capítulo 8: As confissões das jovens apaixonadas

- Algo errado, baa-chan? – indagou Naruto, despertando Tsunade de seus pensamentos.

- Bem... – a Hokage não tinha decidido ainda se deveria ou não contar ao loiro sobre a situação de Sakura – Na verdade, eu quero que me ouça com atenção. O problema da Sakura é mental, ou melhor, emocional, e você não tem o direito de perturbá-la enquanto ela não estiver ao menos recuperada da fraqueza, ouviu bem?

- Emocional? – Naruto tentou pôr sua mente para pensar por um instante. "Nunca se sabe o que pode ter acontecido ontem a noite, afinal, eu estava com a Ino... Droga! A Ino, lembrei o que eu vim fazer aqui!" – Desculpa, mas eu tenho uma coisa antes que preciso resolver! – levantou-se, e foi correndo até a porta.

- Espere, Naruto! – era tarde demais. O loiro já tinha fechado a porta atrás de si.

Naruto descia num ritmo frenético as escadarias da Torre da Hokage, procurando por Shikamaru. Naquele momento, era o único que poderia pensar em algo coerente a se fazer na sua situação, e nesse mesmo momento, parecia que ele estava fora, realizando alguma tarefa. Vasculhou os andares superiores primeiro, em busca de seu amigo, sem obter sucesso. Até que, passando por um armário de vassouras, sentiu uma presença familiar. Virou-se de costas e deu justamente com quem procurava.

- Procurando alguma coisa? – indagou Shikamaru, com seu jeito impaciente de sempre.

- Sim, você. Preciso de ajuda!

- Com a Ino?

- Não! Com a... Ino... Como você sabia? – surpreso, perguntou o loiro.

- Pode sair daí de dentro... Se esconder dele não vai adiantar muita coisa – disse o jovem Nara, mas não se dirigindo ao loiro a sua frente. A princípio, Naruto estranhou a afirmação, ou melhor, a ordem de seu colega. Entretanto, sua confusão se foi assim que a porta do armário se abriu, revelando uma jovem loira, cabisbaixa.

- Ino?

- B-bom dia... – respondeu, com sua voz falhando, a loira. Aparentemente, ela havia chorado a noite toda, para sua voz estar naquele estado.

- Ino, será que eu podia falar...

- Naruto... Por favor, será que você não entende? – a loira finalmente levantou um pouco sua voz, e passou a olhar o loiro nos olhos.

- Não entendo o que?

- Eu não posso te ajudar! – essa afirmação soou como um grito na mente do jovem, que apenas sorriu – O que é tão engraçado?

- Eu não quero a sua ajuda. Não mais – Naruto apenas se resumiu a dizer isso, convicto de seus sentimentos – É como você disse, agora que eu já tive a experiência, já posso ir atrás de quem eu quero. E no momento eu não sei exatamente quem eu quero, mas eu sei de uma coisa... Sabe do que eu sei?

- Do que? – indagou a loira, sua curiosidade estava desperta.

- Que eu vou lutar para conseguir seu perdão – estendeu o polegar, fazendo sinal de positivo.

- Naruto...

- Sim? – por algum motivo estranho, o loiro percebeu que Ino estava começando a ficar corada.

- Eu...

- Desculpe me intrometer assim, mas Tsunade-sama mandou levar a Ino até a sala dela, e acho que você também deve ir, Naruto – disse Shikamaru, cortando totalmente o clima criado ali.

Os três foram subindo novamente a Torre, ambos em silêncio, cada um absorto em seu próprio ponto de vista. "Cara, isso está ficando cada vez mais problemático... A Ino acabou se apaixonando mesmo por esse mané, e o pior de tudo é que tenho certeza de que o Naruto ainda gosta da Sakura. Bom, é bem verdade que os dois saíram noite passada, e pelo que a Ino me contou eles se divertiram bastante", ao pensar no relato da loira, Shikamaru corou um pouco, mas por estar de costas para os dois, foi imperceptível, "Só que eu acho que no final, o Naruto vai acabar magoando não só ela, mas a Hinata também".

"Naruto... O que eu fiz para merecer tanta doçura de alguém? Ou ele é um imbecil dos grandes e eu estou interpretando isso tudo errado? Eu fui má... Acabei deixando o meu egoísmo atrapalhar a vida dele, e agora estou aqui me lamentando enquanto ele me fala que quer o meu perdão. Você não precisa do meu perdão, na verdade eu que te peço desculpas", Ino cada vez mais se impressionava com a mudança dentro de si mesma em relação ao loiro ao seu lado. Sentia que estava se apaixonando, por mais que fosse algo errado, entretanto na atual situação, lutaria por ele se necessário.

"Eu definitivamente vou conseguir que a Ino me perdoe pelo que eu fiz, seja lá o que tenha sido! É isso aí!", Naruto tinha em sua mente a determinação de sempre, e podia-se ver o fogo em seu olhar. Deu uma espiada com o rabo de seu olho para Ino. Seu semblante estava horrível, provavelmente passou a noite toda chorando por algo que ele mesmo fizera, mas ainda não sabia exatamente o que. "Ela parece mal... Se ao menos eu soubesse o que fiz, ao menos dava para consertar isso mais facilmente. Mas isso não vai me fazer desistir! Eu juro que ela ainda vai sorrir na minha frente novamente, porque esse é o meu jeito ninja de agir!".

Chegaram até a porta da sala de Tsunade, e ainda assim nenhuma palavra foi dita. Shikamaru abriu a porta, e os dois loiros adentraram o escritório fechando a porta atrás de si. A Hokage fitava Ino de cima a baixo, conferindo a veracidade da história de Sakura. Ao que parecia, o estado da loira também não era dos melhores. "Uma noite e tanto para esses garotos... Imagino se isso tudo não é tempestade em copo d'água, mas de qualquer jeito é meu dever como Hokage dar um basta nisso".

- Yamanaka Ino, Uzumaki Naruto! – disse, enérgica, a Hokage.

- Sim! – responderam os dois em uníssono, mesmo que Ino ainda o fizesse com certo desânimo.

- Boas notícias para vocês... Mas antes, gostaria de falar a sós com a senhorita Yamanaka – Tsunade encarava Naruto com seu mais clássico olhar "saia da minha frente agora".

- Mas... E eu? – indagou o loiro.

- Apenas espere lá fora, mando você entrar quando puder.

Sem ter outra opção, Naruto saiu da sala ainda contrariado. Lá fora, encontrou Shikamaru recostado ao lado da porta, que sorriu ao ver o loiro saindo. O loiro sentou-se em frente ao seu colega, encostando-se na parede. Percebeu o sorriso no rosto dele.

- Shikamaru? Você ta rindo do que? – indagou Naruto, curioso.

- Na verdade, de você...

- Como é? – a afirmativa do Nara soou como insulto ao loiro.

- Não me entenda mal... Não digo que é porque você é digno de risos, e sim porque para quem reclamava que não tinha ninguém, você anda muito bem de vida – respondeu o jovem, com seu tom sério de sempre.

- Ah... Bem, na verdade eu não sei exatamente qual a minha situação, mas... – Naruto foi interrompeu sua fala no meio ao perceber Hinata chegando pelas escadarias. A Hyuuga, ainda corada, apenas correu e entrou direto no escritório da Hokage, incapaz de sequer dizer uma palavra ao loiro.

Enquanto isso, no escritório da Hokage, Ino e Hinata agora estavam de pé, lado a lado, aguardando que Tsunade dissesse algo. Shizune estava ao lado de sua mestra, quando ouviu a ordem expressa de trazer Sakura para aquela sala, mas evitasse que Naruto a visse. A assistente apenas respondeu "certo", e saiu da sala sem mais palavras. Shizune sabia o que viria a seguir. Seriam tempos difíceis para aqueles quatro... Bem, talvez Naruto ainda tire proveito disso tudo, mas as três garotas iriam passar por maus bocados, e certamente apenas uma sairia disso feliz. E se conhecia bem o loiro, seria Sakura. Entrou no quarto onde Sakura estava deitada, aparentando estar visivelmente recuperada. A jovem estava de pé, aguardando a volta da assistente da Hokage.

- Vamos, Sakura – disse Shizune, abrindo a janela – Tsunade-sama mandou você não passar pelo corredor, vamos ter de ir pela janela.

- Pela janela? Por que Tsunade-sama pediria para eu não passar pelo corredor? – indagou confusa a rosada.

- Eu não tenho idéia, mas eu não desobedeceria a uma ordem expressa dela, certo?

- Bem... É, tem razão – e as duas foram pela janela, até o escritório da Hokage, de modo que Naruto nem desconfiara por um segundo que Sakura já estava fora da cama.

Tsunade tinha agora as três garotas que possivelmente estariam envolvidas numa mesma crise afetiva. Ambas compartilhavam de um mesmo sentimento por um mesmo garoto que mal desconfiava da intensidade com que as três gostavam dele. "Naruto é realmente um cara de sorte, são três das kunoichi mais belas de toda Konoha, e ele conseguiu conquistá-las", pensou Tsunade antes de começar a falar.

- Bem, o motivo pelo qual chamei vocês aqui é um só – a Hokage falava com autoridade – Naruto – notou uma reação diferente em cada uma das garotas ao pronunciar o nome do mesmo jovem que havia conquistado seus corações. Ino passou a fitar o chão, como se estivesse envergonhada. Sakura deu um suspiro e deixou seus ombros caírem, enquanto Hinata apenas corou ligeiramente ao ouvir o nome de Naruto.

- Tsunade-sama, tem certeza que isso...

- Sim, Shizune, eu tenho. Eu chamei vocês aqui porque preciso esclarecer algo com as três. Não vou tolerar que seus sentimentos interfiram na sua vida de kunoichi, entenderam? – disse seriamente a Hokage.

- Tsunade-sama – Sakura deu um passo à frente – Sabe que isso é difícil demais para mim.

- P-para m-mim... T-também... D-desculpe, Tsunad-de-sama – Hinata gaguejava muito, mas assim mesmo a Hokage conseguiu compreender o que foi dito pela Hyuuga.

- O mesmo para mim... – Ino limitou-se a dizer isso, apenas.

- Então temos um problema aqui – Tsunade parou por um momento e virou de costas, fitando toda a vila de Konoha – Vocês agora vão me responder uma pergunta. O que vocês sentem pelo Naruto?

- E-eu... – Hinata, por incrível que possa parecer, foi a primeira a dar um passo à frente e responder. "Não posso ficar aqui e ver essas duas ficarem com Naruto-kun. É a minha hora" – EU O AMO! – Hinata gritou, tirou do peito todo o sentimento preso por todos aqueles anos, surpreendendo a todos ali. Naruto, do lado de fora, ouviu o grito de Hinata e corou ao lembrar do que Ino dissera. "Você não percebeu que a Hinata é louca por você?", então era realmente verdade. Estavam falando dele ali.

- Tsunade-sama, eu já te disse isso antes. Eu também amo o Naruto! Droga... Ele é um imbecil, mas eu o amo! – Sakura levantou sua cabeça e respondeu com convicção e determinação. Ino apenas permaneceu ali, cabisbaixa e pensativa.

- Ino? – indagou Tsunade, tentando acordá-la de seus pensamentos.

- Pessoal, eu quero que me desculpem. Não queria atrapalhar vocês, mas... Acabei me apaixonando por ele também! O jeito dele me cativa, e cada vez mais eu me sinto atraída por ele, desculpe pela traição, só que...

- Ino, tudo bem – respondeu Tsunade – Todos somos humanos. No nosso coração ninguém manda, mas acho que temos um impasse aqui. Mesmo que o Naruto saiba fazer kagebunshin... Não acho que ele sozinho dê conta de vocês três, certo?

- De certa forma, sim – respondeu Sakura, indagando-se sobre o que sua mestra estaria planejando.

- Então vocês estão dispensadas de suas funções como shinobi até resolverem essa situação. Não pretendo perder mais dos meus ninjas por causa de uma crise amorosa. Shizune mande-o entrar. E fiquem relaxadas que eu não pretendo contar nada sobre o que vocês sentem por ele. Vocês mesmas devem fazer isso.

Shizune foi até a porta, deixando Naruto entrar. Ao deparar-se com as três, não pôde deixar de corar um pouco. Estivera com o ouvido colado na porta o tempo todo, e como nenhuma das três teve a cautela de manter o tom de voz baixo, o loiro agora sabia de tudo.

- Naruto, você está dispensado de suas obrigações como shinobi até segunda ordem. Pelo que Jiraya me relatou, a Akatsuki anda fazendo mais movimentos em busca dos Jinchuuriki e não pretendo arriscar você numa missão nesse momento.

- Mas, Tsunade-baa...

- ME CHAME ASSIM E VOCÊ NUNCA MAIS VAI SER CAPAZ DE FAZER MISSÃO ALGUMA! – Naruto estava prestes a se referir a Hokage como "vovó", mas calou assim que fora ameaçado.

- Gah! Bem... Ainda assim, por que? – o loiro insistia.

- Não posso arriscar o futuro Hokage, certo? – deu um sorriso doce para o jovem, que não pôde evitar senão corar um pouco. Tinha ganhado o respeito da Godaime Hokage, que assumiu ser sua provável antecedente – Bem, se não há nada mais a se dizer, vocês três estão dispensadas. Naruto, eu ainda quero falar contigo, por isso fique aí.

As garotas saíram da sala de Tsunade, sem, no entanto, irem embora. Cada uma fitava as outras duas com determinação. Era isso, de agora em diante eram rivais. E ali mesmo, combinaram um pacto. Nenhuma delas jogaria sujo, ou tentaria sabotar as outras. Nenhuma delas faria algo que atentasse contra suas rivais. Seria um jogo limpo. Ou melhor. Uma guerra limpa.

- Naruto, preciso te dizer algo antes que saia daqui – disse Tsunade, dentro de seu escritório.

- Eu já sei. Ouvi tudo de lá de fora – respondeu o loiro com um sorriso no rosto.

- Pretende dizer a elas que sabe?

- Não.

- Melhor assim, eu acho. Tem certeza que está preparado para escolher? – indagou a Hokage, preocupada com sua discípula.

- Não estou preparado. E nem pretendo escolher ainda. Acho que vou ver no que dá... Nunca se sabe, e também tem algo mais... Descobri que eu gosto das três. Seria difícil até para mim mesmo escolher – Naruto ali, abria seu coração para Tsunade, que ouvia atentamente.