Capítulo 11: Sasuke
Naruto seguia seu sensei por dentro da floresta de Konoha, mergulhado na mais confusa das sinestesias. Havia estado a um fio de perder sua virgindade ali, com a garota que sempre gostou, e agora descobrira que seu melhor amigo, e traidor da vila, de algum modo tinha feito uma aparição ou algo do gênero. Permanecia quieto, enquanto Sakura apenas pulava de galho em galho tão rapidamente quanto os dois homens, permanecendo o tempo todo ao lado de seu amado. Por alguma razão, pressentia que Sasuke representaria um contratempo na relação dela com o loiro.
- Kakashi-sensei – indagou Naruto – O que houve com Sasuke dessa vez? Ele apareceu por aqui por perto, ou chegou alguma mensagem dele?
- Naruto... Você ainda não entendeu? – Sakura perguntou, com certo espanto em sua voz – Ele...
- Ele...?
- Ele voltou, Naruto. É isso que Sakura quer dizer – interrompeu o Jounin – Precisamos ir depressa... Eles vão começar logo o interrogatório.
- Interrogatório? – mais uma pergunta desnecessária do loiro.
- Meu Deus, Naruto! Todo shinobi fugitivo, quando capturado, é levado a interrogatório... Isso é meio óbvio – disse Sakura veemente.
- Desculpe, Sakura-chan, é que tudo anda acontecendo tão rápido que eu ainda estou meio fora de mim com o que QUASE aconteceu na clareira, hehe... – o loiro deixou-se corar por um momento, sendo acompanhado por Sakura.
- Agora que você mencionou, Naruto – Kakashi olhou para seu antigo aluno com o olho descoberto – Os boatos que correm por aí são verdadeiros?
- Boatos? Que boatos? – indagou o garoto-raposa, curioso.
- As más línguas andam dizendo por aí que você está saindo com três garotas ao mesmo tempo, e que nenhuma delas sabe do relacionamento com as outras duas. É verdade? – indagou o homem, mostrando mais interesse do que o normal.
- Bem... Na verdade, em parte é sim. Eu estou saindo, além da Sakura-chan, com a Hinata e a Ino... Mas as três sabem disso – o tom de voz usado pelo loiro deu a impressão de que não contava nada que seja fora dos padrões, ou incomum para seu sensei. Entretanto, não pôde prever a reação de Kakashi, que parou de se deslocar e virou-se para os dois jovens atrás de si.
"O que esse garoto está me dizendo é simplesmente... Incrível! Não existe um ser humano capaz de tal fato, ou será que estou diante de um exatamente agora?", indagou-se Kakashi parado sobre um galho de uma árvore. Os dois jovens o olhavam com uma certa curiosidade estampada em suas faces, agora coradas. Abaixou a cabeça por um momento, como se parasse para absorver o que havia visto minutos atrás, sacudindo-a logo em seguida.
- Acho bom vocês manterem esse relacionamento um tanto quanto... Err... Incomum... Fora dos assuntos que estejam envolvidos com missões. E isso vem ao caso nesse momento – disse, por fim, o homem de cabelos grisalhos.
- Mas quem está pensando nisso quando não devia é você, Kakashi-sensei! – Naruto coçou sua nuca, e vendo que seu antigo mestre apenas continuou prosseguindo rumo a Konoha novamente, resolveu seguí-lo como fazia antes de pararem para discutir o que se sucedia dentro do time Sete.
Nesse momento, na sede da ANBU, Tsunade andava impaciente de um lado para o outro, à espera de Kakashi, Naruto e Sakura. Jiraya também estava ali, assim como Shizune, Shikamaru e Morino Ibiki, especialista em interrogatórios e tortura. O mestre de Naruto nada fazia, além de seguir com o olhar os passos da Hokage, que ia de um lado para o outro incessantemente. A assistente e discípula de Godaime, por outro lado, fitava, preocupada, o interior da sala de interrogatórios onde jazia semi-consciente um rapaz alto, forte, de pele alva e cabelos rebeldes e morenos. Trajava um kimono branco, com uma calça preta, as tradicionais sandálias ninja. Sua vestimenta estava banhada em sangue, assim como se podiam ver as várias kunais que antes estavam cravadas no corpo do fugitivo antes de serem retiradas.
Alguns minutos tensos se passaram, até que finalmente adentraram dois ANBU, Sakura, Naruto e Kakashi. Shikamaru, que até então estava perdido em seus pensamentos, levantou-se indo diretamente ao encontro de Shizune.
- Shizune-san, não acha melhor prestarmos os primeiros socorros antes de fazê-lo encarar o interrogatório? – indagou o jovem para a moça que olhava fixamente o interior da sala. Por sorte, o rapaz que ali estava não podia vê-la, já que a suposta janela por onde olhavam era protegida por um vidro onde só se dava para enxergar visto de um lado. Para quem estava no interior da sala de interrogatório, aquilo não passava de uma parede.
- Foi o que tentei dizer a Tsunade-sama, mas ela disse apenas para trazer Naruto e Sakura até aqui e negou qualquer auxílio médico a ele – respondeu com certa agonia em sua voz.
Tsunade nada falou. Apenas conduziu Jiraya, Ibiki, os dois ANBU, Sakura, Naruto e Kakashi para dentro da sala de interrogatório, fechando a porta atrás de si. O loiro, ao se deparar com o estado em que se encontrava o jovem preso, não pôde deixar de se irritar.
- Ei! Por que diabos ele está sangrando tanto! Você não permitiu que cuidassem dele? – indagou Naruto à Hokage, que nada respondeu. Tinha um semblante sério, e muito irritado em seu rosto. Quando a Hokage finalmente abriu sua boca para falar, foi simples e direta.
- Ele pediu por vocês. Mandei prestarem os primeiros socorros aqui mesmo, antes de qualquer um chegar, mas ele usou genjutsu em todos os ninjas médicos até desistirmos. Ao que parece, ele só confia em Sakura para curá-lo. E graças a esse garoto, temos metade da nossa divisão de médicos ardendo em febre. Sakura!
- Sim! – respondeu a rosada.
- Vá logo e cuide do Uchiha – e dada a ordem, Tsunade foi andando em direção aos ANBU que ali estavam. Sussurrou algo em seus ouvidos, de forma que ninguém, além dos próprios ordenados ouviram o que foi dito pela Hokage.
A situação de Sasuke não parecia ser das melhores. Havia veneno espalhado por sua corrente sangüínea, assim como vários ferimentos abertos. O Uchiha também perdera uma boa quantidade de sangue no processo, e necessitava de uma transfusão imediata. A rosada fazia o que dava ali, aplicando antídotos que por acaso estavam na sala, já que foram levados por outros ninjas médicos atingidos pelo genjutsu do jovem ferido. Enquanto isso, Naruto assistia àquilo tudo com os punhos cerrados.
- S-Sakura... – a voz do Uchiha saiu falha, mas ainda pôde ser ouvida.
- Fique calmo, já estou fazendo o possível para que você melhore o máximo possível até poder fazer uma transfusão – disse a rosada, enquanto enfaixava algumas feridas e limpava o sangue com algodão.
- E-eu voltei... Por você – completou Sasuke, levantando seu rosto, e olhando-a com seus olhos negros. Seu olhar era capaz de engoli-la, mas pela primeira vez em sua vida, Uchiha Sasuke não persuadiu Haruno Sakura.
- Que bom que está de volta, mas não pense que te perdoei por abandonar a todos – respondeu rispidamente a rosada – Terminei... Tsunade-sama, ele já está em condições de ser interrogado.
Os dois ANBU se puseram cada um de um dos lados do Uchiha, de forma a conter qualquer reação do jovem capturado, mesmo que esse não mostrasse qualquer intenção de fazer qualquer coisa contra qualquer um ali dentro. Ibiki sentou-se numa cadeira no canto da sala, aguardando ser necessário ao interrogatório. Jiraya foi até a frente do Uchiha, e abaixou-se, de forma a ter seu rosto na mesma altura do dele.
- Então... Voltou para nós, Uchiha – disse o Sannin com sarcasmo.
- A menos que isso seja um genjutsu bem vagabundo, voltei, Jiraya-san – respondeu igualmente sarcástico, o Uchiha.
- Certo, certo... O que te traz de volta para cá?
- Um aviso – Sasuke fez menção de se levantar, mas foi impedido pelos ANBU que ali estavam – Konoha será invadida pelas tropas do Som em um mês – o aviso de Sasuke criou um pequeno burburinho na sala. A princípio, todos ali pensaram se tratar de um truque, mas uma pessoa ali sabia que não era um truque.
- Tsunade-sama... É verdade... – Sakura saiu do canto da sala, e do lado de Naruto que segurava sua mão – Eu injetei um pouco de soro da verdade na corrente sangüínea dele enquanto o medicava... Ele não pode ser capaz de mentir.
- Bom, se isso é verdade, então nos diga, Uchiha, por que voltou para cá ao invés de se juntar ao Orochimaru e nos atacar. E a razão de você estar ferido de forma tão perigosa – indagou Jiraya novamente.
- Minha busca por poder me cegou. Por muitas vezes ignorei as ações dele para me focar nos treinos...
- Ações? Como por exemplo,...? – indagou Tsunade.
- Aquela missão de investigação, onde dois ANBU foram dados como mortos em combate, certo Sasuke? – Jiraya tornava a se pronunciar.
- Certo. Ele os executou sem ao menos pestanejar. E eu assisti àquilo tudo, sedento por poder – a declaração de Sasuke fez Naruto cerrar mais ainda os punhos. Apenas parou de forçar seus dedos para dentro das palmas quando sentiu o sangue escorrendo, em decorrência de suas unhas estarem cravadas com força em sua mão – Até que certo dia, eu os ouvi comentando algo sobre Konoha.
- Ouviu quem? – indagou Tsunade.
- Orochimaru e Kabuto. Eles diziam algo sobre invadir Konoha, matar a Hokage, Jiraya-san e capturar Sakura e Naruto. Aquilo mexeu profundamente comigo. Invadi a sala na hora, decidido a parar de ignorar a matança promovida por aquele monstro antes que atingisse algum conhecido meu. Eu sei que vocês devem achar isso estranho, já que sempre fui apático, mas nunca aprovei matança sem motivos. Lutei contra os dois.
A porta voou, resultado de uma explosão. Orochimaru pôde sentir que a explosão continha traços de chakra nela, e por um momento temeu uma invasão. Apenas deparou-se com Sasuke, e sua lâmina de Kusanagi em riste, Sharingan ativado. Em seu rosto podia-se ver a fúria nunca antes solta pelo caçula Uchiha.
Num movimento rápido, Sasuke parou ao lado de Orochimaru, girando sua espada sobre seu pulso e segurando a bainha de forma inversa, golpeando como se manuseasse uma kunai. Suas habilidades de combate haviam aumentado muito desde que fugira para treinar com o Sannin das Cobras.
Orochimaru se deixou cortar a garganta. Sasuke imaginou se estava acabado ali, mesmo sabendo que nunca seria tão fácil. Pressentiu uma movimentação de chakra pelas costas, e girou seu corpo num movimento evasivo, enquanto Kabuto passava exatamente onde o Uchiha estava a uma fração de segundos antes, atacando com seu jutsu secreto. A mão do ninja médico brilhava com o chakra cortante que se concentrava ali. Mas Sasuke sempre soube que Kabuto nunca fora páreo para ele. O Uchiha sorriu com o canto da boca, como sempre fazia nos momentos em que tinha certeza de uma vitória. Kabuto detestava o ar arrogante dele, principalmente seu sorrisinho debochado.
- Está debochando de novo, não é Sasuke-kun? – provocou Kabuto, apenas para sentir que sua guarda havia abaixado enquanto falava. Foi a última coisa que sentiu, já que num movimento imperceptível ao olho nu, a lâmina de Kusanagi agora estava enterrada sobre o pescoço do parceiro de Orochimaru. Sasuke pulou para o alto, vendo que seu inimigo ainda agonizava, e fez alguns selos.
- Katon: Goukakyuu no Jutsu! – e logo o corpo agonizante de Kabuto fora consumido pelas chamas da bola de fogo de Sasuke.
- Então... Você matou Yakushi Kabuto? – perguntou Tsunade, incrédula.
- Sim, e sem muita dificuldade. Ele sempre foi um ninja medíocre, e mal via a hora de por um fim na vida miserável daquele imprestável – Sasuke apenas deixava sua mente fluir por suas lembranças, já que sabia que o soro da verdade o impediria de contar outra versão – Mas meu erro foi sair sem me certificar de que Orochimaru estava morto. Apenas fugi, visando chegar a Konoha rapidamente. Quando cheguei à fronteira do País do Fogo, ele já me esperava. Nessa batalha não fui bem sucedido, e ele acabou me ferindo e me deixando no estado em que vocês me encontraram.
- Isso ainda não responde a pergunta principal, Sasuke. Por que voltou? – dessa vez quem se pronunciava era Naruto. Cansara de escutar tudo àquilo calado, e resolveu tomar alguma iniciativa.
- Porque agora eu sei como você se sente em relação a algo – respondeu o Uchiha.
- Como assim? – o loiro não entendera a afirmativa de seu ex-parceiro.
- Nesse tempo que passei fora, eu descobri algo importante sobre mim mesmo.
- E o que seria?
- Sakura... – o chamado fez com que a rosada olhasse fixamente para as duas ônix de seus olhos – Eu te amo.
