Capítulo 13: Encontro secreto à luz do luar

- Então, Ero-Sennin, com quem eu estou parecido? – indagou Naruto impacientemente, após um momento onde o velho Sannin dos sapos pareceu hesitar em terminar a frase.

- Err... Olhem ali! É uma loja de produtos de beleza em liquidação que está distribuindo armamento! – gritou o velho, fazendo com que no mesmo instante Sakura e Sasuke direcionassem seus olhares para a direção em que fora apontada pelo Sannin, enquanto Naruto simplesmente cruzou os braços – Err... Aquilo ali é ramen?

- Onde? – não havia nada quando o loiro virou sua cabeça. Não havia nada quando ele voltou a olhar para frente – Droga, Ero-Sennin! Odeio quando ele faz isso!

Enquanto isso, no alto de um edifício próximo, um certo Sannin de cabelos grisalhos se escondia. Aguardava o momento em que a área estivesse limpa novamente para poder descer dali, entretanto desconfiava do tempo necessário para isso acontecer. Os três simplesmente continuaram parados ali, procurando por ele. "Desculpe Naruto, não posso contar esse tipo de coisa a você desse jeito. Seria como de acertar com um martelo bem na sua cara. Mas você está idêntico a ele... Ao seu pai... Yondaime. Minato, se você visse como seu filho se parece contigo teria orgulho do garoto. Espero que onde você e Kushina estiverem, estejam olhando o jovem Naruto crescendo", pensou Jiraya enquanto buscava um modo de sair do alto do prédio sem ser visto.

Naruto, por outro lado, estava agora sentado no chão, ponderando sobre sua mudança na aparência. "Com quem diabos eu me pareço?", era tudo o que conseguia pensar, quando tudo ficou escuro. Viu-se diante do mesmo portão imenso, com o selo na fechadura impedindo que se abrisse. Encarou os olhos rubros do Demônio Raposa, sabia que era o momento para respostas.

- Apareça sua raposa desgraçada! – gritou, tendo sua voz ecoado no infinito da escuridão de sua própria mente.

- Então, garotinho, gostou do meu presentinho? – indagou ironicamente a Kyuubi, abrindo seu sorriso maléfico, e encarando com mais intensidade o pequeno ser loiro a sua frente.

- O que você fez comigo?

- Nada... Apenas fiz os outros notarem o quão parecido você é com ele... – disse com desgosto a Raposa.

- Ele? Quem é ele? – perguntou num berro, Naruto que cada vez mais se perguntava sobre a identidade do loiro na foto.

- Seu pai.

Por um momento, tudo rodou. Aquele era mesmo... O pai dele? Seria possível que finalmente descobriria algo sobre seus pais? A Raposa de Nove Caudas notou o tom chocado na face do loiro, e gargalhou gostosamente da confusão de seu hospedeiro. Tudo passou a ganhar cor novamente. Naruto se viu de joelhos no meio da rua onde estava antes da Kyuubi aparecer em sua mente. Sakura o estava abraçando, preocupada. Acordou ao sentir o calor e suavidade da pele da kunoichi e o perfume dos cabelos rosados dela.

- S-Sakura-chan? – Naruto chamou, surpreso.

- O que houve? Você levantou e começou a gritar coisas sem sentido, depois caiu de joelhos e não falou mais nada! Fiquei preocupada, nunca mais faça isso! - a rosada o repreendeu, mas não conseguia ficar brava com ele pois não sabia o que havia se passado entre o loiro e a raposa. Naruto esquadrinhou o ambiente, encontrando Jiraya no alto de um prédio próximo, o observando cuidadosamente. Seus olhares se encontraram, e o Sannin fez um gesto com as mãos, mostrando o polegar para cima. Piscou o olho, e fez menção de ir. Naruto beijou Sakura rapidamente nos lábios, e rapidamente estava encarando seu sensei.

- Ero-Sennin, ele é meu pai, certo? – a pergunta fez com que os olhos de Jiraya se arregalassem.

- C-como você...? – Jiraya parou por um momento, e prosseguiu – Foi a Kyuubi, não foi?

- Foi. Mas ela não me disse quem foi meu pai, e pretendo que você me diga – o loiro falava com seu tom de voz calmo e sério, mas no fundo de seu peito, um coração batia acelerado por saber mais dos pais que o haviam abandonado indo para o outro mundo quando ele ainda era um bebê.

- Sente-se. Acho que isso pode ser um pouco chocante pra você.

- Certo – disse ao sentar-se – Então, quem é ele?

- Meu melhor aluno. Chamava-se Namikaze Minato.

- E quanto ao Uzumaki, do meu nome?

- Era de sua mãe... Minha sobrinha, Uzumaki Kushina – Naruto olhou fixamente para seu mestre.

- Então isso significa que...

- Somos parentes... Exatamen... – Jiraya foi impedido de continuar pelo loiro que o abraçava. Lágrimas corriam pelo rosto dele.

- Eu... Tenho uma família, afinal? – disse entre soluços.

- Tem. Eu... – ficaram assim por um momento silencioso, onde tudo que se ouvia eram os soluços de Naruto e o vento soprando - Vou continuar, tudo bem?

- Certo – respondeu largando de Jiraya.

- Bom... Não há muito que dizer dele. Era um gênio como shinobi, meu melhor aluno na arte das mulheres – não pôde deixar de sorrir ao relembrar do galante Minato, e na forma com que ele fazia sucesso com as garotas – E virou uma lenda aqui em Konoha. Quer vê-lo adulto?

- Sim! Sim!

- Ele está ali – apontou para as estátuas dos Hokages – Entre Sarutobi-sensei e Tsunade.

- Ehhhhhhhhh? V-v-v-você q-quer d-dizer que m-meu pai era... – Naruto não conseguiu se conter e gritou alto o suficiente para que Sakura e Sasuke, que ainda estavam na rua pudessem localizar os dois e ir até ali. Seus parceiros não entendiam muito bem o que se passava ali, até Jiraya falar novamente.

- Isso. Sua família é composta de grandes shinobi Naruto. Seu tio é um dos Sannin... No caso, eu – deu uma risada e prosseguiu – E seu pai foi, nada mais, nada menos, que Yondaime Hokage Namikaze Minato!

Os três ali ficaram boquiabertos. Nunca imaginariam que Naruto, sempre o fracassado, burro, desatento, ninja hiperativo número um de cabeça para baixo, seria descendente direto do maior Hokage que Konoha já teve. Um momento de silêncio se passou, até que Jiraya, se levantando, deu um abraço em seu discípulo e disse estar indo. Sentiu que estava sensibilizado pelo momento. Após a ida do Sannin, Naruto finalmente pôde falar algo.

- Quem diria... Eu, filho do Yondaime e sobrinho do Ero-Sennin...

- Parece que você finalmente encontrou suas origens, Naruto... E descobriu que ainda tem família nesse mundo – disse Sakura com um sorriso, plantando-lhe um leve beijo nos lábios e abraçando-o logo em seguida – Parabéns.

- Hmpf... Quem diria que um fracassado como você seria filho do maior shinobi de Konoha – comentou Sasuke, apenas para levar um soco da rosada e acabar no hospital, local de onde não deveria ter saído. Sakura resumiu rapidamente para o loiro a razão de estarem ali, e dizendo estar ocupada demais com o Uchiha, acabou tendo que voltar para sua tarefa de cuidar de seu ex-parceiro.

Ainda sentindo orgulho e felicidade correndo dentro de si, Uzumaki Naruto continuou andando ao acaso por Konoha, sem lembrar do que tinha de fazer. "E quem se importa em fazer alguma coisa? Eu não estou sozinho afinal! Sempre me senti meio estranho por não ter uma família com laços de sangue... E agora eu tenho!", pensava alegre até que sentiu algo fofo bater em si. Acordou de seus pensamentos apenas para ver que havia atropelado, sem querer, Hinata que agora estava no chão.

- Gah! Hinata! Desculpe! – disse Naruto, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.

- N-não f-faz m-mal... E-estou bem, N-Naruto-kun – disse a Hyuuga, corada como sempre.

- Bem... Então acho que está tudo bem... Ah! Lembrei o que eu queria fazer! – disse o loiro, batendo com a mão fechada na outra aberta, como se martelasse algo – Hinata, que tal se hoje nós saíssemos?

- É-é... B-bem, t-tem um p-problema... – Hinata corou, mas Naruto notou que o olhar que normalmente é cheio de ternura da jovem se encheu de tristeza. Algo havia acontecido – M-meu pai o-ouviu o-os r-rumores e n-não a-aprova...

- Certo então – disse o loiro, decidido.

- C-como?

- Se o seu pai não quer que eu saia contigo porque já estou saindo com a Ino e Sakura-chan... Então eu não saio contigo, tudo bem – Naruto foi se aproximando a herdeira Hyuuga com um sorriso singelo – Mas não se preocupe... Isso não quer dizer que eu goste menos de você do que das outras. Já disse... Não posso escolher. Não se desanime.

Para Hinata, o que se seguiu depois da fala de Naruto fez com que seu mundo girasse. Ele estava próximo, e ela já podia sentir a respiração do loiro, olhava fixamente para seus olhos safira, sentia o rosto corar. Fechou os olhos por um momento, quando sentiu os lábios de Naruto em uma de suas bochechas. Seu mundo girou, se apoiou numa parede próxima e lutou contra o desmaio.

- Hinata, você está bem? – indagou preocupado o loiro.

- S-sim... – foi tudo o que ela respondeu.

- Então, se não se importa... Eu ainda tenho algumas coisas para resolver, tudo bem por você?

- C-claro, Naruto-kun...

O dia passou rapidamente para Naruto. Sabia que sua entrada no clã Hyuuga seria barrada caso tentasse ir falar com o pai de Hinata. E imaginava também que Hyuuga Hiashi fosse tomar alguma atitude como aquela. "Tão típico desses nobres...", pensou Naruto enquanto reunia seu equipamento. O sol se punha no horizonte quando terminou os preparativos. Trajava uma calça preta, as sandálias ninja de sempre, uma camisa preta com o símbolo de Konoha estampado em vermelho no peito, e uma jaqueta aberta, também preta. Precisava ser o mais discreto possível para passar por tantos sensores oculares, conhecidos como Byakugan.

Uma leve brisa corria nos redores do pequeno vilarejo dos Hyuuga. Hinata, sentada em sua janela, apenas deixava que os ventos carregassem suas lágrimas para fora de si. A tristeza proporcionada pela decisão de seu pai era algo mais forte do que ela mesma era capaz de suportar sem extravasar. "Naruto-kun...".

Naruto estava parado, taticamente escondido na vegetação dos arredores. Esquadrinhava cada parte da entrada principal do lugar que teria de invadir. Seria sua prova de que era um verdadeiro shinobi. "Não posso deixar de ver a Hinata... E também não posso deixar que outra pessoa que não seja a Hinata me veja", pensou. O uso do Hiraishin no Jutsu não era aconselhável, por não ter total domínio da técnica, e o clarão proporcionado seria um alerta de invasão. Teria de confiar na sua inteligência, perícia, e uso de suas técnicas que não chamam a atenção. Resumindo... Era uma missão suicida.

Usando kagebunshins fez um estudo detalhado de todo o entorno do clã Hyuuga, achando uma pequena brecha. Num dos cantos da pequena muralha construída estava, tecnicamente, fora do ponto de vista dos guardas. Obviamente que teria de saber se eles costumavam usar o Byakugan normalmente, ou se o mantinham desligado de modo a conservar chakra. Henge no Jutsu foi útil, já que se transformou num pequeno sapo, e passou perto da guarda sem atrair nenhuma atenção. "Ótimo... Sem Byakugan".

Passou por cima da brecha na guarda, estava dentro. Olhou seu relógio de bolso, constatando terem se passado cerca de duas horas desde que o sol se punha. Mas sua tarefa não se resumia a apenas passar pelos muros do clã. Ainda tinha que seguir discretamente até a casa principal, que ficava exatamente no centro. Fora as armadilhas, as pessoas que eventualmente teria de evadir e outros contratempos, parecia uma tarefa fácil. O problema eram exatamente os contratempos.

Parou para observar o ambiente, encontrando a grande mansão no meio da vila se erguendo diante de si ainda um pouco distante. Era para lá que seguiria, e decidiu ir logo antes que fosse pego. Seguiu nas sombras, sem usar chakra para que ninguém percebesse sua presença nas ruas do clã. O que parecia uma tarefa impossível se mostrou mais fácil do que o esperado, visto que não encontrou armadilhas pelo caminho e nem habitantes. Sabia que não era sua habilidade como shinobi que o havia feito passar. Pelo visto sua estrela brilhava com força naquele dia, pois a sorte era grande.

Se agachou na sombra imensa da casa, procurando algum jeito de descobrir onde ficava o quarto de Hinata, mas parece que até nisso teve sorte. A jovem Hyuuga Hinata estava sentada na janela de seu quarto, e Naruto sentiu como se fosse perfurado por uma kunai em seu peito quando constatou que ela estava chorando. Sem se demorar mais ali, já que ver as lágrimas da jovem o machucava tanto quanto ela se sentia machucada, pulou discretamente no telhado, usando o mínimo de chakra possível. Usou tão pouco chakra que quase não alcança o telhado, tendo que se segurar antes de subir. Andou sorrateiramente até o ponto acima do quarto dela, pondo sua cabeça para fora do telhado.

- Psiu! Hinata! – sussurrou Naruto do alto da casa.

- Agora... Parece até que... Ele está falando comigo – disse entre soluços a Hyuuga.

- Ei! Olha pra cima! – o loiro continuou sussurrando, e finalmente conseguiu chamar a atenção de Hinata para o alto.

- N-Naruto-kun! – disse, ainda num tom baixo, a jovem.

- Heh... Bom, se você não pode ir até em meu encontro, eu venho de encontro até você... – disse o shinobi loiro com seu sorriso de sempre.

- B-bom... E-entre... – disse num tom baixo a garota, abrindo mais a janela para dar passagem ao seu amado.

Assim que Naruto entrou, Hinata o abraçou com todo o ímpeto que tinha em vê-lo. Corada, sem dúvida, apenas ficou ali, aproveitando o momento com aquele que sempre estivera em seu coração desde da época da Academia Shinobi. O loiro se separou da jovem de olhos perolados por um momento, seus olhares fixos um no outro. Seus rostos se aproximavam, suas respiração se mesclavam. Seus lábios se tocaram, num beijo simples e terno, mas que ficará marcado na vida dos dois para sempre.