Capítulo 19: O festival

- Então, Naruto, quem você escolhe? - indagou Ino, já dando mostras de impaciência.

- Bem, eu escolho... Ela! - gritou, apontando para um ponto no horizonte.

Ao notarem que Naruto apontava, Sakura, Hinata e Ino se viraram para trás, apenas para descobrir que não havia ninguém ali. Repentinamente, nessa mesma sala, um ruído tão comum de uma porta se fechando chegou aos ouvidos das três pretendentes, que ao tornarem a olhar para frente, descobriram terem sido enganadas por seu amado.

- Bom, isso significa que ele não escolheu a Hinata, afinal... - disse Sakura, com uma ponta de alívio em sua voz.

- É... - respondeu Ino, mostrando um certo alívio, suspirando logo em seguida.

Enquanto isso, a uma distância segura do Hospital de Konoha, um certo loiro saltava de telhado em telhado, sem aparentar ter estado inconsciente por uma semana inteira. A batalha interna que travara com a Raposa de Nove Caudas ainda o preocupava, mas naquele exato momento, havia uma outra pendência que o ocupava totalmente: quem escolheria para o festival? "Droga! Eu tinha planejado usar essa semana que estive no hospital para pensar na minha escolha, mas NOVAMENTE essa maldita raposa teve de atrapalhar meus planos. E agora? Se eu escolher a Hinata, Sakura-chan e Ino irão ficar desapontadas. Se eu escolher a Ino, talvez as duas acabem se irritando, porque no fim das contas eu acabei saindo com ela primeiro e causando aquela confusão toda. E escolhendo a Sakura-chan... Bem, é o que eu faria se isso acontecesse mais ou menos duas semanas atrás, mas simplesmente não posso escolher!", pensava Naruto, indo para o único local onde poderia achar uma solução viável.

- Shikamaru! - gritou, ao achar seu companheiro fumando na sacada da Torre da Hokage.

- Ah, você acordou? - perguntou o Nara, sem mostrar muita emoção, como de costume.

- Aquele plano... Ainda tem como ser feito?

Naruto e Shikamaru se encontravam do lado de fora do apartamento do Uzumaki, quando o Nara resolveu indagá-lo sobre algo importante.

- Então, já sabe quem vai levar para o festival?

- Na verdade, não... - respondeu o jovem coçando sua nuca com uma expressão desesperada em seu rosto.

- Eu tenho um plano, se quiser ouvir... - disse o Chuunin, abrindo uma planta do vilarejo – Andei conversando sobre a sua situação com Asuma e chegamos a conclusão de que existe uma solução para os seus problemas.

- Qual? Qual?

- É bem simples. Você pode usar o kagebunshin no jutsu ilimitadamente, certo?

- É, graças a essa maldita raposa – respondeu o loiro com um sorriso brincalhão

- Então. Você pode ir com as três ao mesmo tempo, desde que cuide para que elas não se cruzem com nenhuma das cópias. Você deve ficar na Torre da Hokage, já que fica no centro de Konoha, e usar alguns clones e equipamento de rádio para monitorar a sua situação, e assim tudo dará certo se você for inteligente o suficiente para manobrar os seus clones...

- Ah, sim... Colocando as coisas dessa maneira... - Naruto parecia confuso.

- Só tem um problema básico.

- Problema?

- É. A parte de agir com inteligência. E como não confio na sua capacidade de pensar, eu vou estar com um dos walkie-talkies e te ajudar com as decisões.

- Claro, muito obri... Ei! Você ta querendo dizer que eu sou burro?

Os dois agora andavam pelos corredores da Torre, até que o Nara parou em frente a uma porta com uma placa escrita "Equipamentos". Os dois trocaram olhares, e foi só o que Shikamaru precisou para ter certeza de que era assim mesmo que o loiro pretendia agir. A determinação em agradar as três era visível no olhar de Naruto, que esperava ansiosamente que seu parceiro arrumasse o equipamento para que fosse possível pôr seu plano em prática. "Essas três realmente têm sorte. Ele se esforça para agradar todas elas, mesmo sabendo que a possibilidade de algo sair errado é alta. Ou... vai ver ele não se deu conta do quanto as coisas podem sair erradas, afinal, é o Naruto". Equipamento devidamente entregue, saíram, para que pudessem fazer um teste.

Ainda naquele mesmo dia, por conselho de Shikamaru, Naruto resolveu evitar qualquer tipo de problemas e escreveu cartas semelhantes para Hinata, Ino e Sakura. Deixava a cópia de Hinata na janela de sua casa quando ouviu um grito vindo da guarita dos guardas.

- Intruso! - gritou o guarda, logo deixando todo o clã Hyuuga em estado de alerta para um possível invasor perigoso.

- Uh oh... - suspirou o loiro, já fazendo os selamentos necessários – Melhor eu cair fora... Hiraishin no Jutsu!

E assim, terminava a véspera do dia do festival. O loiro recapitulava tudo, desde a carta que dizia para as três que ele iria buscá-las em casa, até o equipamento disposto em cima de sua mesa, para si e seus clones. Foi até seu armário e retirou um kimono um pouco surrado. Suspirou decepcionado ao notar o estado de sua roupa para o dia seguinte, mas era o que tinha ali e mesmo que tivesse condições de comprar outro, não havia mais nenhuma loja aberta numa hora como aquela. Olhou em seu relógio apenas para constatar que faltavam quinze minutos para meia-noite. O dia seria extremamente cansativo, usaria bastante chakra para manter os clones ativos e realizando funções diferentes, e ainda por cima à distância. Ainda com cara de enterro, resolveu colocar seu kimono, só por precaução.

Tirava suas roupas ali mesmo, no meio de sua sala, afinal, estava em casa e ninguém iria visitá-lo àquela hora. Ou... Era o que ele pensava. Naruto estava muito absorto em sua tentativa de colocar seu kimono velho, "Acho que isso está meio pequeno demais para mim... E agora?", pensava ele. Não ouviu as batidas na porta e nem a mesma se abrindo, afinal, era o ninja hiperativo número um de ponta cabeça, e como tal, não era surpresa se deixasse a porta destrancada.

- Chega! - gritou, rasgando o kimono em seguida, ficando apenas em sua roupa de baixo – Amanhã eu acordo cedo e compro outro!

- Nossa, eu mal chego e você já tira a roupa? Vou começar a suspeitar de que você vai me escolher! - disse uma voz muito familiar, vinda das costas de um Naruto vermelho de constrangimento.

O loiro virou-se para encarar a dona da voz, descobrindo dentro de sua casa uma Ino com um sorriso safado no rosto e roupas provocantes. Usava um vestido vermelho, curto o suficiente para que ele visse boa parte de suas coxas bem moldadas pela vida de kunoichi. Demorou-se olhando os seios da loira à sua frente, quando percebeu um fio de saliva correndo pelo canto de sua boca e voltou à realidade. Ela carregava uma sacola de compras, com o logotipo de uma grife chique de roupas, que automaticamente foi estendida a ele.

- Achei que você fosse gostar de uma outra opção para amanhã – disse Ino, retirando um kimono laranja de dentro da sacola – Imaginei que seu kimono estaria mais ou menos nesse estado.

- Laranja? Como você adivinhou a minha cor favorita? - indagou Naruto com uma expressão comovida em seu olhar.

- Vai ver é porque... Você ta sempre de laranja, né? Baka... - respondeu a Yamanaka, rindo de seu amante.

- Ah sim...

- Mas, chega de falar disso, afinal, como você deve bem ter reparado, eu não estou aqui só para te dar presentes – a loira se aproximava sensualmente do rapaz – Acha que eu não reparei que você estava olhando para eles?

- Ah, bem... err... - Naruto estava ficando sem jeito, fora o fato de estar sentindo a excitação do momento subindo-lhe a cabeça.

- Então, vai só olhar? - indagou a jovem, pegando uma das mãos dele e colocando-a sobre um de seus seios.

O toque macio do seio de Ino soou extremamente convidativo para o loiro, que já sorria abobalhado como vira seu mestre fazer tantas outras vezes, criticando-o. Por um momento, lembrou dessas ocasiões, o que lhe rendeu um "Agora eu entendo a razão do Ero-Sennin ficar com aquela cara boba". Colocou sua outra mão no outro seio da loira, que apesar de enrubescida, olhava-o com luxúria, de forma sedutora. As quatro orbes azuis se encontraram, e logo suas bocas também, num beijo quente e lascivo, fazendo com que o loiro largasse os seios de sua amante e a abraçasse com força e impulsividade. Pararam por um momento, buscando o ar que lhes faltava, até que Ino se afastou de Naruto.

- Mas... - balbuciou Naruto, sem compreender o que a loira fazia.

- Relaxe, só vou fechar a porta – disse ela, com um sorriso malicioso no rosto já rubro. "Me desculpem meninas, mas se vocês não pensaram nisso, eu pensei e vou tirar bastante vantagem disso", pensou a Yamanaka, empurrando seu amado em sua cama – Fechar a porta e... bem...

- Ino, você ta cada vez mais vermelha, ta tudo bem? - indagou o loiro, estranhando a atitude da jovem em cima dele.

- É que na verdade... eu queria dizer que... bem... - enrolada com as palavras, Ino buscava uma saída daquela situação embaraçosa. Tentou beijá-lo, mas ele a segurou com força, encarando-a de perto. Fitava seus lindos olhos azuis, procurando neles uma resposta para a súbita mudança de comportamento da jovem.

- Você ia dizendo alguma coisa, o que era?

- É que eu queria dizer algo bem sujo... Isso excita vocês, não excita? - por um momento, Naruto parou para observar o rosto da verdadeira Ino Yamanaka, uma jovem indecisa e insegura por dentro, mesmo que aparentasse saber exatamente o que fazer e ter o controle. E, olhando para ela, percebeu o porque de ter se apaixonado por ela, além de Sakura. Aquele rosto transmitia a face verdadeira de Ino, aquela que ele realmente gostava.

- Você fica linda assim, sabia? - respondeu o jovem, causando espanto na loira.

Sem saber o que fazer, Ino levantou-se e saiu correndo do apartamento de um Naruto risonho e um tanto quanto enrubescido em suas bochechas. Correu o mais rápido que pôde, entrando pela janela de seu quarto, que deixara convenientemente aberta, com o objetivo de entrar por ali após ter completado seu objetivo. Mas, na verdade, apenas conseguiu se atrapalhar na hora exata e estragar tudo. Tirou suas roupas, colocando seu habitual pijama roxo e deitou-se com o rosto virado para o travesseiro. Teria um longo dia pela frente, e ainda mais depois que não conseguira determinar a escolha de seu amado.

O dia amanheceu ensolarado e sem uma nuvem no céu. Pássaros cantavam, uma leve brisa corria pelas ruas de Konohagakure e lentamente as pessoas começavam a sair de suas casas, para enfim aproveitarem o dia mais aguardado de toda aquela parte do ano: o festival do dia dos namorados. Entretanto, um certo jovem loiro de cabelos espetados já estava desperto e pronto para toda a ação que teria naquele dia. Terminava de se aprontar, colocando o kimono laranja que Ino lhe dera no dia anterior, o que o fez lembrar da última noite e do surto de insegurança da jovem Yamanaka. Pegou-se sorrindo para o espelho, admirado pelo que vira na loira. "Ela não sabe de tudo, afinal. Isso me surpreende bastante. Mas... no fim das contas, não a fez ter vantagem nenhuma", pensou enquanto colocava o perfume do frasco esverdeado.

Deveria sair direto para casa de uma das três jovens apaixonadas por ele, mas, seguindo os planos de sey colega Shikamaru, seguiu para a Torre da Hokage saltando de telhado em telhado, o mais sorrateiramente que seu kimono laranja, uma roupa bonita porém não muito discreta, lhe permitia. Usando um pouco de chakra, fixou seus pés nas paredes externas da Torre e subiu até o telhado, onde já se encontravam Shikamaru e Temari, num momento mais... íntimo. Sem saber o que fazer, decidiu dar as costas e se afastar até que eles terminassem, no entanto, sua falta de costume com kimonos acabou fazendo com que tropeçasse e rolasse, caindo rumo ao chão, alguns andares abaixo. Esboçava um grito quando dois pares de mãos o seguraram, evitando uma queda e talvez uma internação para o resto do dia no hospital de Konoha.

- Podia ter pedido licença, garoto – disse Temari, com certa impaciência no tom de voz.

- Podia ter aparecido uns quarenta minutos atrasado também, não faria a mínima diferença – disse o preguiçoso Nara – Seria menos problemático do que segurar você.

- Gomen, gente, só não queria atrapalhar – respondeu o loiro, sem jeito.

- Não faz mal – disse Shikamaru, puxando-o para cima – Aqui está o equipamento. Coloque no ouvido e faça sete clones.

- Certo – fez os selamentos – Kagebunshin no Jutsu!

Após as nuvens de fumaça se dissiparem, oito Narutos jaziam lado a lado no telhado da Torre da Hokage, com seus respectivos equipamentos funcionando e ajustados. Enfim, o plano começava a ter andamento. Ficou decidido que quatro clones ficariam ali mesmo, monitorando a situação usando binóculos e transmitindo informações via rádio. O verdadeiro Naruto iria ficar no alto da Montanha dos Hokage, longe de toda a confusão, no caso de algum erro se suceder. E mais três iriam até onde suas respectivas acompanhantes moravam. Num sinal, todos assumiram posições e os que deveriam partir, partiram rumo aos seus objetivos.

O Naruto encarregado de ir até a casa de Ino foi o primeiro a chegar ao seu destino, tocando a campainha dos Yamanaka sem mais rodeios. Não julgou necessário o uso de mais clones, como o fez da última vez que estivera ali, porém manteve-se alerta para qualquer reação adversa que pudesse acontecer. Entretanto, tudo se mostrou desnecessário, uma vez que a própria Ino atendeu a porta. Trajava um kimono azul, exatamente do mesmo tom safira de seus olhos, o que lhe dava um charme ainda mais atraente. No mesmo momento em que a porta se abriu, o queixo do clone caiu, dada a beleza da jovem, que vendo o estado de transe de seu amado, puxou-o para dentro, tascando-lhe um profundo e apaixonado beijo.

- Você me escolheu! - disse, após finalmente romper o beijo – E ainda está usando o kimono que te dei! Ah, Naruto-kun, eu realmente não sei nem o que dizer!

- Você me chamou de Naruto-kun? - indagou, surpreso o kagebunshin

- Sim, porque? Prefere outra coisa?

- Não, só por curiosidade mesmo. Então, vamos?

Nessa mesma hora, porém algumas quadras mais distante, o segundo kagebunshin tocava a campainha da residência dos Haruno. Nervoso, afinal ele iria finalmente realizar seu sonho de infância, suava frio enquanto aguardava que alguém atendesse à porta. E, por fim, por trás da porta que se abriu, encontrou uma moça de cabelos rosados. Porém não era Sakura, e sim sua mãe. Ao que parecia, a aprendiz da Hokage teve de passar no hospital rapidamente e havia saído não havia muito tempo. Um tanto quanto decepcionado e apreensivo, o clone se despediu da Sra. Haruno e seguiu rapidamente para onde sua amada de cabelos rosados estava.

Corria contra o tempo, e também contra seu kimono que o atrapalhava na movimentação, ansioso por ver Sakura e enfim dar início ao dia com o qual sonhara por tantos anos de sua vida. Mal percebeu, de tão absorto que estava em seus pensamentos, que já havia adentrado o hospital e passava pela recepção sem ao menos se apresentar.

- Naruto-san, aonde o senhor pensa que vai? - indagou uma enfermeira encarregada da recepção.

- Err... Estava indo buscar a Sakura-chan, eu acho – respondeu o clone, um pouco constrangido.

- Aquela ali? - apontou para uma jovem de kimono rosa que ria e acenava para o loiro num canto do hall principal do hospital.

- É, ela mesma! - respondeu animado o kagebunshin – Saaaakura-chan!

Um pouco mais longe dali, próximo do pequeno vilarejo onde se encontra o clã Hyuuga, o terceiro clone esquadrinhava o movimento das sentinelas, notando que a segurança estava mais apertada desde a última vez em que estivera ali. Perguntou-se sobre a razão, mas não demorou muito até que um dos guardas resolveu ser bonzinho para nosso herói e acabou comentando com outro, num tom extremamente audível:

- Que ótimo, agora que aquele invasor misterioso esteve aqui ontem, eu perdi metade do dia do festival porque tenho que reforçar a guarda do clã! - queixou-se o guarda da direita.

- Calma, Sugito-san, ao menos sobrou o resto do dia para nós levarmos nossas famílias ao festival. É só uma parte do dia, tenho certeza de que é suportável – respondeu o guarda da esquerda.

Foi quando as memórias do dia anterior vieram na cabeça do jovem. O invasor do dia anterior era ninguém mais, ninguém menos do que ele próprio, quando fora levar a carta para Hinata. Amaldiçoou-se por não ouvir seus mestres e não ter aperfeiçoado suas habilidades em discrição, mas agora era tarde. Pensou num plano simples, porém eficiente. Fez uns selamentos e logo, o jovem loiro de kimono laranja que estava nas moitas transformou-se num pequeno sapo, que, graças à má vontade dos guardas em permanecer vigiando no dia do festival, passou sem ser notado.

Hinata sonhava acordada com a chegada de Naruto, sentada no parapeito de sua janela como de costume. Passava horas a fio ali, pensando em seu amado, e a proximidade de tê-lo consigo e poder aproveitar a paixão que sentia estavam fazendo com que ficasse cada vez mais ansiosa e insegura. O medo de o loiro nunca aparecer era crescente, e quando finalmente uma lágrima correu de um de seus olhos perolados, um pequeno sapinho entrou saltando pela janela, se desfazendo numa nuvem de fumaça e dando lugar para aquele por quem a dona da casa ansiava. O sorriso de Hinta foi instanâneo, e a felicidade, crescente.

- Prefiro você assim, Hinata, sorrindo – disse o kagebunshin, sorridente – Desculpe o atraso, foi bem complicado passar por todo mundo sem ser notado. Então, vamos?