Capítulo 20: O plano perfeito... Ou quase

Deu-se início a operação "Dia dos namorados", ou ao menos para dois dos três kagebunshins. O dia estava ensolarado, com poucas nuvens a perturbar a luz soberana do Sol, que brilhava sem exageros, e isso poderia significar um grande problema para o encarregado de acompanhar Hinata. Naruto não levara em conta que entrar sorrateiramente no pequeno vilarejo dos Hyuuga é possível, até porque já o fizera algumas vezes, mas sair, e ainda por cima acompanhado da herdeira primogênita do clã, era outra história.

- Então... Hehe, Hinata, sabe, tenho algo engraçado para te contar – disse o clone, corando um pouco ao ser forçado a admitir que não planejara a saída – É que... Como posso te dizer? Eu me esqueci de... Bem, você sabe, não é? Planejar a nossa saída daqui e tudo mais...

- B-bem, e-existe um jeito de n-nós sairmos daqui – disse, após um breve momento de silêncio, a jovem Hyuuga, que corava gradativamente, deixando seu acompanhante cada vez mais curioso.

- Eh? Você, por um acaso, tem um plano, Hinata? – indagou o kagebunshin, esperançoso.

- É-é q-que...

- Sim? – Naruto aproximou-se mais, sua atenção totalmente voltada para a jovem de cabelos negro-azulados e olhos perolados à sua frente.

- V-você entrou a-aqui usando um... h-henge no jutsu, n-não foi? – Hinata parou por um momento, onde o clone assentiu num leve, porém rápido, menear positivo de cabeça – E-então... Acho que a s-sua transformação é p-pequena o s-suficiente para caber...

- Ah, sim – respondeu o loiro. De fato, fazia sentido, afinal, se Hinata saísse sozinha para curtir o festival, não poderia haver qualquer problema nisso, ou poderia? Na verdade, era uma grande idéia. Por um momento fitou-a, admirado com sua perspicácia – Então, tudo o que eu tenho que fazer é me transformar novamente em sapo e entrar no seu bolso? Mas, por que você ficou tão vermelha assim?

- É... É q-que m-meu kimono n-não t-tem... Bolsos – respondeu cabisbaixa a jovem, corando feito um pimentão no fogo. Reparou no kimono dela. Definitivamente um modelo luxuoso, feito de uma seda especial, brilhante, na cor exata do perolado de seus olhos, com a faixa negro-azulada combinando com seu cabelo. Mal sabia o jovem clone, mas normalmente esses modelos não possuíam bolsos internos, o que representava uma grande dificuldade em usar esse tipo de vestimenta.

- Oh... – respondeu o kagebunshin, sem se tocar. Até que... – Isso significa que eu teria de ir no seu...

- Isso – disse a Hyuuga, num tom quase inaudível.

Ambos passaram alguns instantes paralisados. Hinata mal ousava sequer levantar o rosto, encabulada e tímida como sempre fora. Naruto, por sua vez, parecia não acreditar na sugestão feita pela Hyuuga. "Deve ser essa raposa desgraçada agindo novamente nos instintos da Hinata", pensou o loiro. Não eram capazes de trocar palavras, ainda mais depois do ocorrido no dia anterior, afinal, ainda não houve tempo para se falar sobre o que havia se passado naquela sala escura, enquanto a Raposa das Nove Caudas manipulava os sentidos e instintos de ambos. Foi quando aconteceu o inesperado.

- Nee-chan? – batidas à porta retiraram os dois de seus respectivos pensamentos. Rapidamente uma sensação de urgência lhes tomou conta das atitudes, e a Hyuuga rapidamente forçou seu amado para debaixo de sua cama, numa tentativa desesperada de ocultá-lo de sua irmã, que mal terminara de bater, adentrou nos aposentos de Hinata.

- Sim, Hanabi? – o fraco de Hinata era mentir. Corava violentamente, enquanto Naruto mantinha suas mãos sobre sua boca, na tentativa de abafar qualquer som de sua respiração.

- Err... Nee-chan, se você quiser esconder o menino-raposa debaixo da cama, a minha sugestão é que ele mantenha os pés ocultos também... – zombou a mais nova das Hyuuga, causando mais constrangimento ainda para a dona do quarto – Mas fique tranqüila, não pretendo contar ao nosso pai sobre isso. Ei, Raposa-san, saia já daí, quero falar com você!

Diante da ordem dada pela caçula, o kagebunshin nada pôde fazer senão obedecer. Rapidamente já estava de pé, totalmente sem saber o que pensar ou como agir. Viu Hanabi se aproximar com um tom sério em seu rosto jovial, até mesmo infantil. Mas as palavras que se seguiram foram extremamente adultas.

- Por sua causa, a minha nee-chan deixou de ficar pra baixo, ela passou a sorrir, eu a vejo muito mais feliz. Por sua causa e de mais ninguém, sua Raposa safada! – apontou o dedo e o pôs no nariz de Naruto – Então acho bom que você cuide MUITO bem dela, caso contrário, contarei tudo, inclusive sobre as suas invasões no meio da noite – o loiro gelou. "Gah! Ela percebeu que eu invadi?" – para o Neji-niisan, e aí você vai ver! Estamos entendidos?

- S-sim... – respondeu, quase sem voz, o jovem de olhos azul-safira. Hanabi deu as costas e saiu, rindo dos dois jovens que deixara para trás.

Os dois se entreolharam, ainda sob efeito da grande tensão que passaram. Perceberam o quanto haviam sido pouco cautelosos nos últimos encontros, e por um momento se deixaram pensar sobre o que poderia ter acontecido se fosse outra pessoa no lugar de Hanabi. "Bem, acho que não há o que fazer agora", pensou o Uzumaki, dando de ombros. Com um movimento de mãos fez um selo e dizendo "Henge", transformou-se num pequeno sapo novamente.

- Pronta para ter o melhor festival da sua vida, Hinata? – indagou um Naruto confiante.

- S-Sim! – respondeu, até com certa animação a moça de cabelos negro-azulados, no momento em que um ninja-sapo pulava em seu decote.

Longe dali, no topo da Torre da Hokage, um certo casal procurava ajudar os kagebunshins com a orientação dos que estavam no festival, com Sakura e Ino. Temari se encarregara de dois, enquanto Shikamaru informava outros dois e, ao mesmo tempo, mantinha o verdadeiro Uzumaki Naruto informado da situação. Até ali tudo ia bem, exceto pela ausência do terceiro clone, que já deveria ter chegado. No entanto, graças aos comunicadores que o Jounin pegara "emprestado" do depósito de equipamentos, o estado do clone no clã Hyuuga não era desconhecido.

- Shikamaru, acho que o Rosado está vindo nessa direção – "Rosado" era o codinome utilizado para identificar o clone encarregado de acompanhar Sakura – Alguma recomendação?

- De preferência que eles não passem por aqui. Será possível uma coisa dessas? Cuidar desses caras é tão problemático! – respondeu o Nara enquanto levava sua mão ao rosto, num gesto de incredulidade – Se elas virem o nosso posto de observação, não acha que seria estranhamente suspeito, Naruto?

- Falando desse jeito... – o clone coçou a nuca – Faz todo o sentido, eu acho. Rosado, responda Rosado. Evite passar perto da Torre da Hokage, senão teremos problemas.

- Entendido – respondeu Rosado, em voz baixa.

- O que disse, Naruto? – indagou Sakura, que andava abraçada ao seu acompanhante.

- Err... Entediado, foi isso que eu disse. É, essa é boa, entediado! – respondeu o clone loiro, sem pensar exatamente no que tinha dito.

Desde que buscara Sakura em sua casa, os dois mal pararam a manhã inteira. Jogaram nas barracas, fizeram compras, Naruto, querendo se mostrar, arrancou aplausos de quem estava em volta do teste de força. Fizeram um bocado de coisas diferentes, e mesmo assim, ele alegava que a manhã estava entediante. Sakura fixou seu olhar esmeralda no de seu parceiro, uma crescente irritação a fazia corar, seu punho cerrado.

- Quer dizer que passar a manhã comigo, fazendo todo o tipo de coisa que se possa fazer no Festival do Dia dos Namorados de Konoha é entediante? – Rosado percebeu uma lágrima se formando nos cantos dos olhos verde-esmeralda de sua parceira.

- Gah! N-Não, não foi isso que eu quis dizer, Sakura-chan! – "Eu sou muito burro!" pensou consigo mesmo.

- Então o que foi que você quis dizer, Naruto? – era perceptível que aquelas poderiam ser as últimas palavras do clone. A tez alva das maçãs do rosto da jovem discípula da Hokage agora estava avermelhada, rubra como só a raiva é capaz de fazer.

- É só que... Err... – suor começou a pingar da testa de Rosado, que forçava seu intelecto a ter uma idéia – Bem...

- Ai, Deus, Naruto... O que houve com você? Até parece que emburreceu, de ontem para hoje – disse Sakura, visivelmente decepcionada.

Algo que ninguém, nem ao menos o próprio Naruto sabia, é que por mais que o executante do Kagebunshin no Jutsu se desenvolva intelectualmente, os clones nunca serão capazes de se equiparar ao verdadeiro. No entanto, durante certos momentos, os clones são capazes de pensar exatamente no mesmo nível que o original, apenas com a desvantagem de ser involuntário e acontecer sem qualquer sinal. Para a sorte de Rosado, isso acabara de acontecer em sua mente.

- Desculpe, Sakura-chan. É que, como é Dia dos Namorados, eu pensei que nós pudéssemos... Bem, ter um dia diferente de todos os outros casais de Konoha. Só que eu estou um pouco nervoso. Sempre foi meu sonho poder te trazer aqui, no Festival, mas agora que eu finalmente consegui, não consigo parar de pensar que talvez não seja suficiente para alguém que eu sempre amei – disse o clone, seus olhos fixos no de sua parceira, que repentinamente deixaram as lágrimas acumuladas saltarem, escorregando pela pele macia e rubra, não mais de raiva, mas de paixão.

- Naruto... – a jovem de cabelos rosados mal conseguia esboçar uma reação.

- Será que eu poderia te levar para um lugar especial para mim? – indagou o clone, arquitetando um plano em sua cabeça.

- C-claro – um sorriso se abriu nos lábios da Haruno, que abraçou o clone. Céus, como ele amava aquele sorriso, sempre o achou lindo, ainda mais quando ele era a causa.

Naruto a pegou no colo, concentrando um pouco de chakra nos pés, e saiu pulando de telhado em telhado, indo exatamente na direção oposta a de antes. "Missão cumprida" pensou Rosado, ao se afastar da Torre da Hokage. Ainda ouviu, pelo comunicador, Shikamaru dizendo que fizera um bom trabalho enrolando Sakura. Mal sabia o rapaz, mas Naruto realmente dissera a verdade. Apenas aproveitou a oportunidade para tirá-la dali.

- N-Naruto-kun... p-por favor, p-pare de se mexer tanto – disse Hinata, de modo que só o pequeno sapo pôde ouvir.

- Não dá... Sua pele é muito lisa! – respondeu o sapo, sem perceber o efeito que causara na jovem que o carregava.

Hinata corou de leve com o elogio. No entanto, o sutiã que a jovem utilizava, preto e ligeiramente apertado, possuía seu fecho pela frente. Naruto não percebeu, mas para se segurar da queda, agarrou exatamente no único lugar que não deveria. A lingerie afrouxou, mais um pouco e ela abriria. Naruto, vendo que isso poderia acontecer, pulou para um dos lados da peça de roupa, ficando com o rosto exatamente em frente a um dos mamilos da Hyuuga.

- Gomen, Hinata, eu... Ohhh – começou Naruto, até se dar conta de que encarava um mamilo "gigante".

- N-Naruto-kun... – a jovem de olhos perolados mal conseguia respirar ao mero toque em seus seios. Sentiu uma pontada de prazer,mesclada com a timidez de sempre e o medo de que o esquema fosse descoberto. Mas também não era capaz de fazer nada, não teria como colocar a mão dentro de seu kimono sem que corresse o risco de ser pega fazendo algo suspeito. Estava quase passando pela guarita, tentou controlar o rubor em sua face e caminhar naturalmente.

O clone apenas ficou parado, observando o seio nu a sua frente, sem qualquer ação. Foi o suficiente para que Hinata pudesse se recompor e passar naturalmente pelo posto de segurança montado na entrada do pequeno vilarejo do clã Hyuuga. Assim que alcançou uma distância segura, a Hyuuga rapidamente colocou sua mão em seu kimono, retirando o sapo de dentro de suas roupas, fechando seu sutiã novamente. Com uma nuvem de fumaça, o local onde antes havia um pequeno sapo, agora era ocupado pelo nosso loiro favorito.

- Gomen, Hinata, Gomenasai! É que... Você é tão linda que eu... – o kagebunshin mal conseguia falar, sua face queimava num tom semelhante ao de um tomate, não muito diferente do de Hinata, que era capaz de pensar apenas que Naruto havia estado entre seus seios havia poucos minutos.

Ino zanzava de um lado para o outro das ruas, arrastando seu clone por onde quer que fosse. De fato, estava tão feliz, sorridente e saltitante, que qualquer um que trocasse uma palavra sequer com a loira acabava contagiado pela felicidade da jovem Yamanaka. Mal podia acreditar que ele a havia escolhido, afinal. E, passando exatamente ao lado da entrada do prédio onde Naruto morava, se decidiu por recompensá-lo.

Não era a primeira vez que entrava numa loja daquelas. Costumava ir ali de vez em quando, cada vez que sentia a necessidade de se presentear com algo mais... Quente. A atendente a cumprimentou com um sorriso, indagando sobre o tipo de lingerie que procurava. "A mais sedutora que você tiver", foi o que a moça obteve como resposta.

Provou inúmeras peças, sempre se indagando se Naruto iria perder o controle se a visse. Não imaginava o que se passava no interior do garoto-kyuubi, achava que ele apenas estivesse se controlando para não acabar fazendo algo que pudesse se arrepender num futuro distante, e não queria que isso acontecesse com ela. Precisava seduzi-lo.

Passou algumas horas dentro da loja, até que, enfim, achou um conjunto que a fez ficar tão estonteante, tão irresistível, que nem mesmo o loiro que rondava todos os pensamentos de Ino, tendo o auto-controle que tinha, poderia se conter. Pagou, e saiu sorridente, arquitetando um meio de usar o que acabara de comprar logo no dia seguinte.

- Naruto-kun! Rápido, por aqui! – disse Ino, puxando Naruto consigo. Mal o jovem conseguiu notar para onde estava sendo levado, a loira o colocou contra a parede, se aproximando lenta e maliciosamente.

- I-Ino, o que você tem em mente? – indagou o kagebunshin, vendo a lascívia em seu olhar safira.

- Tenho uma surpresinha especial, bem guardada. Mas ela é só sua, e só você pode ver – um sorrisinho safado surgiu no canto de sua boca – Olha só que sorte! Estamos bem perto da sua casa, não estamos?

- Uh... – o clone mal tinha reação, pois que apenas balançou sua cabeça, num gesto positivo. No próximo minuto ambos adentravam o apartamento do jovem loiro.

Ela se aproximava vagarosamente, após fechar a porta atrás de si. A cada passo rebolativo da Yamanaka, Naruto, ou melhor, seu clone, sentia ondas de excitação pulsando em suas veias. Logo os dois estavam tão próximos que podiam perceber suas respirações se mesclando. Seus lábios se tocam pela primeira vez, logo imergindo num beijo quente e profundo, tanto que se esqueceram de tudo e todos, apenas ficaram ali, na sala, curtindo um ao outro sem pensar no que viria a seguir. As mãos de Naruto, antes comportadamente postas na cintura de sua parceira, pouco a pouco se deslocavam, "passeando" pelo corpo escultural da bela moça que estava ali, entregue às carícias de seu amado. Ou era isso que ela queria que ele pensasse.

- Naruto-kun – sussurrou ao pé do ouvido de Naruto – agora é a hora em que eu te mostro a minha surpresinha.

Rosado pulava de telhado em telhado com Sakura aninhada em seu colo, sua cabeça levemente recostada no peitoral desenvolvido por anos de treinamento shinobi do ninja loiro que a carregava. Indagava-se sobre o local para onde ele a estava levando, mas ao mesmo tempo em que ansiava descobrir para onde ia, não queria que a viagem acabasse, assim poderia ficar ali eternamente nos braços do homem que a conquistara. Esboçou um sorriso calmo, sereno, que não passou despercebido pelo kagebunshin.

- Sakura-chan, por que esse sorriso lindo no seu rosto? – indagou inocentemente o rapaz

- Ah... – ela sentiu seu rosto corar. Estava tão absorta em seus pensamentos que mal foi capaz de ocultá-los de seu rosto – É só que...

- Chegamos! – exclamou o loiro, aterrissando no terraço de um prédio muito familiar, colocando sua amada novamente em pé.

- Naruto... Esse aqui é o terraço do seu prédio? – indagou a jovem de cabelos róseos

- É, sim, Sakura-chan. Quer saber a razão de esse lugar ser tão especial para mim?

- Claro que quero – respondeu a jovem, com um sorriso estampado em seu rosto. Ele foi até ela, plantou um beijo em sua boca e a abraçou pela cintura, ficando extremamente próximos, seus olhares colados um no outro.

- Foi aqui que passei cada noite pensando em você, na verdade, todas as noites eu vinha até aqui e ficava sonhando acordado com o dia em que finalmente poderia ter a chance de sair contigo e poder te mostrar que eu valho a pena – Naruto deixou seus olhos baixarem por um momento, lembrando-se de toda a solidão que passara em seus dias até pouco tempo atrás – e sempre sonhei em, um dia, poder te beijar bem aqui e te dizer o que eu sinto. Sakura-chan?

- Sim, Naruto-kun? – respondeu Sakura, inebriada pela fala do clone.

- Eu... Você acabou de me chamar de Naruto-kun? – indagou o loiro, surpreso, acabando com todo o clima.

Finalmente Hinata e o seu kagebunshin conseguiram chegar até o Festival. Concordaram que já tinham tido sua dose de adrenalina pelo resto da semana após sair do clã Hyuuga surpreendentemente sem serem descobertos. A não ser por Hanabi, que o fez jurar que não iria ferir os sentimentos de sua irmã mais velha. "Eu faço a Hinata feliz. Pensando bem, acho que não é exatamente desse jeito. Ela me faz muito feliz também, me sinto bem perto dela, é como se eu quisesse... saber o que há dentro dela que me cativa tanto", pensava consigo mesmo o jovem Uzumaki Naruto número três, quando sentiu algo recostando em seu ombro.

- N-Naruto-kun... s-será que eu p-posso falar contigo? – perguntou a jovem de cabelos negro-azulados, ao repousar sua cabeça sobre o ombro de seu amado.

- Claro, Hinata, o que quiser – respondeu o loiro com seu sorriso tão característico. Pararam ali mesmo, no meio da rua vazia. Aquela área não estava sendo muito utilizada pelo Festival, e coincidia com outro local: a casa de Naruto.

De volta à Torre da Hokage, Shikamaru pressentiu que havia algo de muito errado naquela situação. Os dois clones que estavam sob sua supervisão já tinham perdido os três clones que estavam em campo de vista fazia tempo, sem, no entanto, ter qualquer pista sobre o paradeiro de ambos. Curioso, virou-se para os dois que estavam sob a tutela de Temari, não encontrando a mesma os monitorando.

- Narutos, onde está a Temari? – perguntou Shikamaru, com sua voz impaciente de sempre.

- Ela disse que ia ao banheiro, eu acho – respondeu um dos clones, coçando a nuca.

- Certo... Algum sinal dos clones e das meninas? – o Nara tinha um estranho pressentimento de que algo sairia errado.

- Bem, da última vez que chequei...

- COMO ASSIM DA ÚLTIMA VEZ QUE CHEQUEI? – Shikamaru mal podia acreditar no que seus ouvidos acabaram de ouvir – Você tirou os olhos dos binóculos em algum momento?

- Só enquanto a Temari-san esteve fora. É cansativo bancar o vigilante o tempo todo, sabia? – respondeu o loiro, sentindo que talvez tivesse posto tudo a perder.

Shikamaru pegou seus próprios binóculos, esquadrinhando o setor que permanecera sem vigilância pelos últimos minutos. Avistara Naruto e Sakura no terraço do prédio onde habitava o loiro, e, para seu horror, logo abaixo, na entrada do prédio, encontrou Naruto e Hinata conversando. Xingando mentalmente a displicência de seu colega, tentou não perder a calma. Procurava por Ino e o último clone, para então poder traçar uma estratégia viável, mas não os achava em lugar algum.

- Alguém viu a Ino?

- Err... Eu vi – respondeu o clone displicente – ela me levou para casa faz uns dez minutos.

- Isso não é bom – Shikamaru tentou fazer contato pelos comunicadores, mas por algum motivo, eles pararam de funcionar – Droga! Parou de funcionar logo agora? Por que, dentre todos os momentos, logo agora?

- Isso, eu acho que posso explicar Shikamaru – respondeu uma voz familiar, num tom não muito agradável, fazendo o Nara gelar em seu lugar.

- H-Hokage-sama?

Ino se afastou de Naruto, indo até sua cama e subindo nela. Ainda com seu olhar malicioso e ardente, jogava seus quadris de um lado para o outro, lenta e sensualmente, enquanto levava suas mãos às costas. Foi desfazendo o laço da fita que prendia o seu kimono safira, rebolando um pouco mais a cada vez que sentia o laço mais frouxo. O clone mal conseguia respirar de tanta excitação, tanto que se sentou para admirar o seu "presente".

- Quer mais? – provocou Ino, recebendo apenas um leve balançar de cabeça como resposta.

Abriu seu kimono, revelando um jogo de lingerie feito para deixar qualquer homem hipnotizado. O sutiã era levemente justo, fazendo com que seus seios ficassem bastante em evidência, a cinta-liga presa numa meia que ia até metade de suas coxas, assim como a calcinha branca. Tudo num tom branco, levemente transparente e rendado.

- Ops! – exclamou a Yamanaka, deixando seu kimono cair – Eu pego!

Virou-se de costas e se curvou bem lentamente para pegar a roupa. Internamente fazia uma contagem regressiva, que no momento estava praticamente no fim. Seu plano era que, no final, o jovem com quem compartilhava esse momento íntimo perdesse o controle e viesse com todo o seu ímpeto para cima dela, que já estaria o esperando com toda a vontade do mundo. No entanto, ao se levantar e olhar para Naruto, Ino percebeu algo estranho. Por mais que estivesse se esforçando, Naruto não era o mesmo de antes. Não havia as marcas em forma de bigode de raposa saltando em suas bochechas, ou as pupilas dilatas e as unhas crescendo. Seria possível que ele não estivesse excitado, mesmo depois daquilo tudo?

- Naruto-kun... Faria de tudo para saber o que está em sua mente – disse a Yamanaka, num tom um pouco menos sensual.

- A-Acredite, não tem nada na minha mente, não consigo nem pensar com você assim, desse jeito – respondeu, quase sem ar, o kagebunshin.

- Ah, mas eu quero saber, sim – respondeu a loira, fazendo um sinal circular com suas mãos – Shintenshin no Justu!

A loira foi adentrando a mente de seu amado, com seu hijutsu. No entanto, quando estava quase assumindo o controle da mente do jovem Naruto, se viu novamente no quarto, rodeada por uma nuvem de fumaça. Por um momento, não entendera absolutamente nada, até que se viu sozinha no apartamento. Então, repentinamente, tudo passava a fazer sentido. Era um kagebunshin.

Sakura, diante da pergunta de Naruto, não pôde se controlar, e disse:

- Naruto! Você quebrou o clima, seu baka! – socou-o, sem, no entanto, medir sua força. Quando deu por si, tinha atirado Naruto para fora do terraço – Ah, meu Deus!

Correu até o parapeito, apenas para ver o corpo do clone bater contra o chão e sumir numa nuvem de fumaça. Para o azar do loiro, o clone caíra exatamente em frente de onde outro clone e Hinata conversavam, o que fez com que ambos se entreolhassem antes de voltarem suas atenções para cima e se depararem com uma Sakura totalmente transtornada. A jovem medinin pulou do terraço, caindo de pé exatamente onde antes o clone havia se desfeito e, com um leve peteleco na testa, desfez o último clone, segundos antes de Ino descer correndo e se deparar com suas rivais, as três confusas e irritadas.

Nota-se um clarão na rua, e uma pequena nuvem de poeira crescente. As kunoichi perceberam exatamente o que era aquilo tudo. E aguardaram até que a fonte desse clarão chegasse até elas. Naruto, o verdadeiro, percebeu seus clones sendo desfeitos e, rapidamente, usou seu Hiraishin no Justu para ir até onde suas amadas estavam. Só que, mais uma vez, errara os cálculos, no que lhe custou uma queda brusca, parando aos pés das três que o aguardavam, com cara de poucos amigos.

- Hehe... Err... Olá, meninas! Sei que parece estranho, mas eu posso explicar – disse o loiro, coçando sua nuca.