Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.


Capítulo 23

Bella POV

"Bella, vamos." Garrett disse, balançando meus ombros. Olhei em volta e percebi que estávamos no chão.

"Onde estamos?" Eu bati. Notei que ele tinha colocado as algemas em mim novamente. Idiota do caralho.

"Estamos no Rio De Janeiro, Brasil." Ele explicou enquanto me puxava para fora do avião.

"Para onde vamos agora?" Eu bati.

"Temos que entrar no nosso barco agora." Ele disse enquanto me puxou pelo pequeno aeroporto. Notei que as pessoas estavam olhando para mim.

"O que diabos você está olhando?" Estalei para um homem que estava olhando para mim. Garrett parou e puxou meu braço.

"Perca essa porra da atitude, Bella." Ele retrucou. "Essas pessoas não fizeram nada para você".

"Eu não dou a mínima. Eu não pedi para que eles olhassem para mim como se eu fosse uma porra de aberração".

"Você está agindo como uma louca fodidamente mimada." Ele retrucou.

"BOM!" Eu gritei. "EU FODIDAMENTE MEREÇO AGIR ASSIM!"

"Um dia você vai me agradecer por isso." Ele retrucou.

"Não conte com essa porra." Eu bati de volta.

Garrett apenas riu e me arrastou para fora do aeroporto. Entramos em outro táxi. Eu só olhava para fora das janelas enquanto dirigimos através do Brasil ensolarado. Eu fodidamente já odiava aqui. Nós paramos nas docas e Garrett rudemente me puxou para fora do táxi. Ele jogou minhas malas em uma pequena lancha e me jogou por cima do seu ombro enquanto ele saltou para o barco.

"SOLTE-ME!" Eu gritei enquanto batia nas suas costas. Ele me jogou no assento ao lado dele. "EU NÃO GOSTO DE SER TOCADA".

"Maldição, você bate forte para uma garota." Ele riu enquanto esfregava suas costas. Ele ligou a lancha e pilotou pelo mar.

"Para onde exatamente você está me levando?" Eu perguntei.

"Eu tenho uma pequena ilha a cerca de 32 quilômetros, ou algo assim, das docas. Eu abri um pequeno resort onde ajudo pessoas que têm experiências semelhantes como você." Ele explicou.

"Por que você está fazendo isso comigo?" Eu perguntei.

"Porque sua família te ama muito, Bella. Eles não querem perder você." Ele disse suavemente.

"Se eles me amassem, eles não teriam deixado você me levar para longe deles." Eu disse, principamente para mim mesma.

"Bella, se eles não te amassem, eles a teriam deixado sangrar até a morte na floresta".

Passamos o resto do passeio de barco em silêncio. Eu tinha certeza que em sua mente ele honestamente acreditava que eles davam a mínima para mim, mas eu sabia a verdade. Eles tinham desistido de mim. Agora que eles sabem exatamente o que ele fez comigo, eles perceberam que eu não valia a pena. Mesmo quando criança eu era sempre a esquisita de nós seis. Eu era muito inteligente. Eu não era bonita como Alice e Rose. Eu não era tão forte quanto Emmett ou Jasper. Eu nunca fui tão talentosa como Edward. Nem mesmo meus pais me queriam mais por perto. Eu não era boa o suficiente para ser sua filha. Eu era uma puta feia, suja e desfigurada. Limpei uma lágrima do meu olho quando percebi que não tinha ninguém. Eu realmente estava sozinha.

Quando chegamos à ilha, Garrett puxou até o cais. Eu vou admitir que era linda. Garrett tirou a algema e fez sinal para eu sair do barco. Suspirei e saí. Ele colocou minhas malas no cais e levou-me pelo pequeno caminho para um pequeno grupo de edifícios. Ele apontou cada um enquanto passamos por eles. Ele explicou que o café da manhã é servido às oito horas, o almoço era servido ao meio-dia, e o jantar está pronto às seis horas Ele disse que me revezaria na agenda para ajudar a preparar as refeições e na limpeza. Ele explicou que cada um de nós trabalhava exclusivamente com uma pessoa. Ele e sua esposa, Kate, eram as duas únicas pessoas com quem eu teria que falar. Ele apontou para o ginásio, a lavanderia, salas de estar, sala de exercícios e a sala de música. Ele me levou a uma pequena sala de conferências onde três meninas por volta da minha idade estavam sentadas com uma mulher bonita alta e loura que me fez lembrar de Rose, e uma mulher de cabelos pretos. Garrett me jogou em uma cadeira vazia e puxou a loira em seus braços e lhe deu um beijo. Ele se virou para olhar para todos os outros.

"Senhoritas, como estamos indo hoje?" Ele perguntou.

"Ok, eu acho." Uma menina loira morango deu de ombros.

"Bem, isso é melhor do que o 'merda fodida' que você costuma dizer para mim, então eu acho que é uma coisa boa. " Garrett riu.

"Suponho que sim." Riu a menina. Eu queria rolar meus olhos para ela, mas não o fiz.

"Bella, estas são minhas outras reféns. Estas são Tanya, Maggie e Heidi. Esta linda dama é a minha esposa, Kate. Esta é Charlotte. Ela começou a trabalhar comigo há dois anos. Senhoras, esta é Bella. Por que vocês não contam a ela suas histórias? Vamos começar com você, Tanya".

"Ok, um ano atrás eu fui estuprada por cinco membros da equipe de basquete da minha escola. Eles gravaram um vídeo e o colocaram na internet. Quando meus pais viram, eles me chamaram de puta e vagabunda e me chutaram para fora. Passei os próximos meses fodendo com qualquer um que me deixasse ficar com eles por pelo menos uma noite. Então, seis meses atrás eu apanhei tanto desse cara com que estive fodendo que acabei no hospital. Eu fiquei em coma por duas semanas. Quando acordei, Garrett arrastou-me até aqui." Explicou Tanya.

"Maggie?" Disse Garrett.

"Eu fui estuprada pelo meu padrasto há seis meses. Descobri um mês depois que ele me engravidou. Ele me bateu tanto que eu perdi o bebê. Eu peguei uma faca e esfaqueei-me no estômago quatro vezes antes da minha mãe ser capaz de me parar. Garrett arrastou-me para cá três dias depois." Disse Maggie, uma ruiva com sardas e olhos castanhos.

"Heidi?" Disse Garrett.

"Meus pais estavam dirigindo para casa de um jantar de caridade quando eles foram mortos por um motorista bêbado. Quando ouvi a notícia, fiquei arrasada. Corri para a casa do meu amigo Tony. Eu precisava de um amigo. Ele tinha alguns dos seus amigos lá, mas ele me puxou para dentro da casa e deixou-me chorar por horas. Em algum momento eu adormeci. Quando acordei, eu estava amarrada à cama e estava nua. Tony e seus amigos se revezaram estuprando-me a noite toda. Finalmente, quando o sol nasceu, eles me jogaram na parte de trás de um dos seus carros e me levaram para casa. Eles nem sequer frearam o veículo quando me jogaram para fora do banco de trás. Eu fui levada às pressas para o hospital. É aí que eu conheci Garrett." Disse Heidi, uma menina de cabelos escuros com olhos escuros.

"Charlotte?"

"O melhor amigo do meu pai estava levando-me para casa da sua casa uma noite, quando ele parou no parque. Ele me estuprou e esfaqueou-me oito vezes. Fiquei em coma por três meses. Quando acordei, tentei me matar pulando de uma ponte." Charlotte explicou. Ela tinha cabelo preto azeviche e brilhantes olhos azuis. Olhei para todos eles antes de olhar de volta para Garrett.

"Eu deveria sentir uma porra de conexão com elas?" Eu bati.

"Não." Ele disse simplesmente.

"Bom, porque o que elas passaram soa como a porra de um sonho tornado realidade comparado com o que eu passei." Eu estalei.

"Você fodidamente não sabe de nada." Retrucou Heidi. Eu apenas balancei a cabeça e sorri para todos eles.

"Vadia do caralho." Tanya murmurou baixinho.

"Eu fui sequestrada uma semana antes do meu aniversário de 12 anos e mantida em cativeiro por cinco anos e nove meses. Eu fui estuprada a cada fodido dia, eu fui chicoteada, queimada, sufocada, esfaqueada, transformada em uma puta quando ele me acorrentava a uma mesa e deixava outros homens entrarem e fodidamente me estuprarem. Eu tinha 11 anos quando ele me amarrou a uma cama e deixou um homem entrar e fodidamente cortar meu útero para que eu não pudesse ter a porra de um bebê. Ele quebrou minha mão, minhas duas pernas, meus dois braços e, provavelmente, todas as costelas da porra do meu corpo. Ele fazia xixi em mim, me espancava e me xingava de todos os nomes que vocês podem pensar e muito mais. Eu vivi no inferno mais do que vocês poderiam sonhar. Ele colocou a porra de uma arma na minha cabeça e perguntou-me se eu queria que ele me matasse. Quando eu implorei pela minha vida, ele puxou o gatilho só para ver-me estremecer. Ele ameaçava trazer meus amigos e fazer-me vê-lo matá-los na minha frente. Eu fiquei trancanda em um quarto no porão por 2095 dia do caralho." Eu bati. "Então, desculpem-me se eu não sinto muito pelo fato de que vocês tiveram que passar pela porra de algumas noites de dor".

Eu me levantei e saí da sala batendo a porta atrás de mim. Desci e sentei-me na praia. Puxei meus joelhos até meu peito e me deixei chorar. Chorei por cada dia do caralho que eu estive no inferno. Chorei por cada minuto que passei implorando para ele parar. Por cada vez que ele riu e cuspiu em mim. Chorei pela família que eu amava, apesar do fato de que eles haviam me abandonado. Eu os amava apesar do fato de que eles tinham desistido de mim. Eu os amava apesar do fato de que eles não me queriam mais. Eu os amava apesar do fato de que eu não merecia ter qualquer um deles. Eu não era nada. Eu não era nada mais do que um vazio no espaço.

"Sente-se melhor?" Garrett perguntou sentando-se ao meu lado.

"Não realmente." Eu murmurei. "Não é como se eu me importante por qualquer um, de qualquer maneira".

"Sim, você se importa, querida." Disse Garrett. "Você não é a única que viveu no inferno e sobreviveu".

"Oh, eu sei. Ouvi todas as suas histórias chorosas." Eu murmurei.

"Eu quero lhe contar uma história. Eu não quero que você diga nada até que eu termine, Ok?" Ele perguntou.

"Ok." Eu sussurrei.

"Eu nasci para Alec e Jane Mitchell. Para todos no mundo exterior nós parecíamos a família perfeita. Ninguém sabia os verdadeiros horrores que estavam sendo realizados em nossa casa. Meus pais acreditavam que as crianças tinham que ser quebradas a fim de crescerem direito. Pelos primeiros anos da minha vida, eu fui feliz. Então, quando eu completei três anos, tudo mudou. Meus pais eram sádicos*. Eles começaram a me bater todos os dias. Eles me amarravam e chicoteavam meu corpo uma e outra vez. Eles me marcavam com um ferro em brasa. Fui acostumado a ser abusado de muitas maneiras diferentes. Aprendi muito rapidamente a não chorar. Isso só piorava a situação. Quando eu tinha quatro anos, meu irmão, Laurent, nasceu. Jurei naquele dia proteger o meu irmão mais novo. Eu realmente tentei, mas no momento em que ele fez três anos, eles começaram a 'treiná-lo'. Ficamos muitas vezes morrendo de fome por dias de cada vez. Éramos trancados em um armário por dias, sentados na escuridão sozinhos e assustados.

*Sádico (ou sadista): sente prazer com o sofrimento alheio, malvado; sente prazer sexual ao provocar dor no parceiro/a.

"Um dia, quando eu tinha 12 anos, fui levado para o porão e amarrado a uma mesa. Olhei e vi Laurent amarrado a uma mesa exatamente como eu estava. Ele tinha oito anos. Depois de cerca de 10 minutos, os nossos pais voltaram com vários homens. Estes homens nos estupraram e nos forçaram a praticar atos sexuais com eles. Ambos estávamos com muito medo para dizer não. Sabíamos melhor do que gritar para todos. Depois de algumas horas de sermos repetidamente atacados, fomos levados de volta aos nossos armários. Naquela noite eu consegui fugir do meu armário. Encontrei Laurent e nós fugimos. Estávamos ambos nus. Tínhamos contusões cobrindo nossos corpos inteiros. Corremos para a delegacia e imploramos a eles para nos ajudar. Eles nos levaram ao hospital. Nós dois tínhamos costelas quebradas, hematomas cobrindo quase todo o nosso corpo. Laurent não dizia uma palavra a nenhum deles. Eu disse a eles quem nós éramos. Eles prenderam os nossos pais e todos os homens envolvidos no nosso abuso".

"Fomos enviados para lares adotivos, mas eles nunca realmente funcionaram. Apesar de nunca ter estado em um ambiente escolar regular, eu fui capaz de me formar no colegial aos 16 anos. Tornei-me um menor emancipado e consegui a custódia de Laurent. Fui para a faculdade, em seguida, para a de medicina, mas Laurent ainda não falava com ninguém, nem mesmo comigo. Nós dois íamos para a terapia juntos, mas nós realmente não confiávamos em ninguém. Então Kate e sua irmã, Irina, entraram em nossas vidas. Eu estava trabalhando em uma clínica gratuita em Rochester, Nova York. Kate entrou, grávida e coberta de cicatrizes. Irina era tímida e envergonhada. Ela se encolhia toda vez que eu olhava para ela. Laurent estava me ajudando nesse dia. Irina apenas olhou para ele e caiu em seus braços e começou a chorar. Nem Kate ou Irina nos disseram o que estava errado, mas sabíamos, pelas nossas próprias experiências traumáticas, que algo havia acontecido com aquelas garotas. Eu me apaixonei por Kate no momento em que a vi".

"Nós quatro nos encontramos todos os dias pelos próximos meses. Nós eventualmente contamos a elas a nossa história e elas nos contaram a maior parte da delas. Foi mais um mês antes de Kate e Irina se abrirem sobre o abuso sexual que elas sofreram. Estávamos preparados para ser uma família. Estávamos preparados para criar o bebê juntos e, finalmente, ser uma família. Então, Kate entrou em trabalho de parto prematuro. Christian viveu por pouco menos de três dias. Kate ficou arrasada. Nós todos ficamos. Cerca de um mês depois que o bebê morreu, Laurent e Irina se mataram. Eles atiraram em si mesmos no meio da nossa sala de estar, enquanto Kate e eu estávamos no cemitério visitando o bebê. Eles deixaram um bilhete dizendo a nós que eles não podiam viver em um mundo que levava a nossa única chance de felicidade para longe. Kate e eu ficamos devastados. Eles eram tudo o que tínhamos. Ao longo dos próximos meses, nós brigamos como loucos. Eu acho que nenhum de nós sabia como lidar com tudo. Através de todos os nossos anos vivendo no inferno, pelo menos nós tínhamos os nosso irmãos. Um dia, eu estava tendo um dia realmente ruim quando Kate entrou na sala onde eu estava sentado. Olhei para ela e vi o sangue. Ela havia caído no banheiro e sua mão atravessou a janela. Ela nem sequer sentiu a dor do corte. Corri com ela para o hospital. Eles deram pontos nela e, enquanto eu estava sentado lá segurando a mão dela, eu comecei a chorar. Eu me soltei naquele dia e me livrei de toda a minha raiva. Kate e eu fomos para a terapia e conseguimos a ajuda que precisávamos. Três anos depois, nós compramos essa ilha e abrimos o resort. Bella, você é a única que pode curar você. Eu sei que você tem passado por mais do que qualquer um de nós e eu sinceramente sinto muito. Você não deveria ter que passar por isso, mas você tem que tomar a decisão sobre se você vai ou não ser uma vítima, ou se você vai ser uma sobrevivente".

Garrett se levantou e saiu. Eu fiquei lá sentada atordoada. Eu sabia que ele estava certo, mas eu não tinha certeza de como eu poderia me ajudar quando eu me sentia tão perdida e sozinha. Como posso confiar em mim o suficiente para deixar a dor ir? Como faço para me deixar vulnerável para todos? Como faço para tirá-lo da minha cabeça? Ele estava sempre lá. Eu sabia que tinha que fazer isso se eu algum dia quisesse a minha família de volta, mas eu simplesmente não sabia como me livrar dele. Eu fiquei sentada lá na praia e observei o pôr do sol. Eu finalmente me levantei e fiz meu caminho para o meu quarto. Entrei e deitei na minha cama. Eu me enrolei em uma bola e chorei até dormir.


Nota da Tradutora:

Não tenho nem palavras aqui pra dizer como estou me sentindo com esse capítulo... todas as histórias das coisas que aconteceram com as outras meninas, e como é possível que os pais de Garrett, que deveriam amar e proteger seus filhos, são capazes de cometer tanta atrocidade com crianças? O que me deixa mais triste e indignada é que isso infelizmente acontece na vida real todos os dias!

Obrigada por todas as pessoas que estão acompanhando e comentando, sei que esse não é o tipo de fic que vocês estão acostumadas a ler, assim como eu tb não estou acostumada a traduzir uma história tão 'pesada', é realmente difícil! Então obrigada por continuarem por aqui...

Deixem as 10 reviews e até amanhã!

Bjs,

Ju

Minha recomendação hoje é para que vocês leiam as fics da Marta Potter Cullen, ela começou a postar uma nova fic essa semana e a história é muito boa! Passem por lá, leiam e deixem reviews! O link é:

http:/ www. fanfiction. net/ s/ 7245734/ 1/ Nas_Asas_do_Destino# (retirar os espaços)

Ela também já tem outras 2 fics finalizadas e as histórias também são ótimas! Vale a pena ler! E não esqueçam de comentar, sempre!

Ah, e amanhã vou estrear uma nova tradução!