Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.
Capítulo 26
Bella POV
Eu estava deitada na rede no quintal. Era um dos poucos dias quentes que Forks tinha. Eu tinha meus olhos fechados, absorvendo tanto calor quanto poderia. Senti a rede mover quando alguém deitou ao meu lado. De repente senti um arrepio atravessar o meu corpo e eu sabia que era Edward. Ele passou os braços em volta de mim. Suspirei e deitei minha cabeça no peito dele.
"O que você está fazendo aqui?" Eu perguntei. "Você me mandou embora".
"Estou tentando ajudar você, amor." Ele disse calmamente. "Eu não queria mandá-la embora, mas você precisa de ajuda, ajuda que nós não poderíamos dar a você".
"Eu preciso de você, E. Você prometeu não me mandar embora." Eu murmurei quando deixei minhas lágrimas caírem. "Você deveria me ajudar".
"Eu estou, B. Eu tive que deixá-la ir para que você pudesse voltar para mim." Ele insistiu. "Você tem que liberar isso".
"Eu não sei se posso." Eu sussurrei.
"Você pode, amor." Ele sussurrou. "Eu sei que você pode".
Edward e eu ficamos deitados na rede por horas em silêncio. Ele manteve os braços em volta de mim apertados. Eu não senti o medo ou a dor. Eu não senti a dor de anos por estar separados. Eu não me sentia sozinha. Eu não me sentia suja. Eu estava feliz. Eu estava segura pela primeira vez em muito tempo. Olhei para Edward e pressionei meus lábios aos seus.
"Edward?"
"Sim, amor?"
"Eu vou permanecer forte por você".
"Eu te amo, Bella. Nunca se esqueça disso. Venha para casa para mim".
"Eu te amo, Edward, para sempre." Eu sussurrei quando caí em um sono tranquilo.
Eu lentamente abri meus olhos. Olhei ao redor e vi que eu estava no meu quarto na ilha. Limpei as lágrimas dos meus olhos quando percebi que foi apenas um sonho. Edward não estava realmente aqui comigo, mas, de alguma forma, eu sabia que cada palavra que ele disse foi verdadeira. Ele realmente me amava. Eu sabia que tinha que tentar achar um jeito para me ajudar antes que eu pudesse voltar para casa.
Lentamente saí da cama e me preparei para o dia. Depois que tomei banho e me vesti, comecei a ir até a sala de jantar, quando notei uma sala com muitos livros. A porta estava meio aberta. Eu a abri e entrei para olhar para eles. Eram livros de medicina como Carlisle costumava ter em seu escritório em casa. Eu costumava passar horas lá dentro com ele lendo através deles. Puxei um da prateleira e deslizei para o chão. Eu o abri e comecei a ler. Eu não sei quanto tempo fiquei sentada lá lendo, quando ouvi alguém limpar a garganta. Eu pulei e vi Garrett parado na porta.
"Desculpe." Eu murmurei, pressionando o livro de volta em seu lugar na prateleira. "Por favor, não me machuque".
"Por que eu a machucaria?" Garrett perguntou quando se aproximou e puxou o livro de volta na prateleira.
"Eu... eu..." Eu tentei através das minhas lágrimas. "Eu não deveria ter mexido nos seus livros".
"Está tudo bem. Porém, livros de medicina?" Ele perguntou, rindo enquanto me entregou o livro.
"Eu costumava ler livros de medicina de Carlisle quando eu era pequena. Eu me enrolava em sua poltrona de couro em seu escritório com um dos livros, enquanto ele completava suas anotações do hospital." Eu sussurrei. Abracei o livro no meu peito e deixei cair uma lágrima. "Era o nosso tipo de coisa".
"Uau, você deve ser muito inteligente." Disse Garrett.
"Eu tenho memória fotográfica. Nunca me esqueço de nada." Murmurei sombriamente. "Nunca".
"Bom, você não deveria esquecer de nada." Ele disse. "Você está se sentindo melhor hoje?"
"Acho que sim. O que aconteceu ontem?" Eu perguntei.
"Bem, você teve um sério ataque de pânico quando percebeu a data. Eu sinto muito por isso. Eu não tinha idéia, ou eu teria lidado com isso muito melhor. Você acabou desmaiando e dormiu durante as últimas 24 horas".
"Oh." Eu sussurrei, passando de um pé para o outro.
"Você está com fome? Você perdeu o café da manhã, mas tenho certeza que podemos encontrar alguma coisa?" Garrett perguntou.
"Não, eu não sou muito de comer." Eu disse suavemente.
"Ok, bem, você está atrasada para encontrar Kate. Verei você quando você tiver terminado com ela." Garrett disse.
"Ok." Eu sussurrei quando coloquei o livro de volta na prateleira. Eu me virei para sair quando Garrett me parou.
"Bella?"
"Sim?"
"Você é bem vinda para ler qualquer um dos meus livros sempre que quiser".
"Obrigada." Eu disse.
Eu me virei e saí da sala. Caminhei até a sala de Kate e empurrei a porta aberta. Ela estava sentada no meio do chão com os olhos fechados. Ela parecia tão calma e relaxada. Eu daria tudo para ser tão despreocupada assim.
"Entre, Bella." Ela disse, seus olhos ainda fechados.
"Como você sabia que era eu?" Eu perguntei.
"Porque você é a única que pararia na porta. As outras garotas sabem que é simplesmente para entrar e tomar um assento." Ela riu quando abriu os olhos. Ela deu um tapinha no tatame em frente a ela. "Venha sentar-se".
"Ok." Eu sussurrei enquanto fui sentar-me em frente a ela. Puxei meus joelhos no meu peito e passei meus braços em torno deles.
"Bella, eu quero ajudá-la. Para que você confie em mim, eu preciso contar a minha história. Isso está bem?" Ela perguntou.
"Ok".
"Minha irmã Irina e eu éramos muito próximas. Tínhamos apenas 11 meses de intervalo, então éramos praticamente gêmeas. Nossos pais foram mortos em um acidente de carro quando eu tinha 12 anos. Fomos enviadas para morar com meu tio, que realmente não era nem mesmo aparentado conosco. Pelos primeiros meses, tudo estava bem. Estávamos ainda sofrendo a perda dos nossos pais, mas tínhamos uma à outra, então estávamos bem. Então ele começou a nos bater. Toda vez que nós fazíamos algo que ele não gostava, ele nos batia. No dia em que completei 13 anos, ele entrou no meu quarto e me estuprou. Ele foi violento e rude. Quando ele terminou, ele me trancou no meu armário enquanto foi estuprar Irina." Kate fez uma pausa e respirou fundo.
"Eu fiquei lá sentada a ouvindo gritar para eu ajudá-la, implorando-me para ajudá-la. Tentei arrombar a porta, mas eu não era forte o suficiente. Pelos próximos três anos, vivemos através disso todas as noites. Tínhamos medo de pedir ajuda. Ele deixou claro para nós que nos mataria se alguma vez pedíssemos. Quando eu tinha 16 anos, descobri que ele tinha me deixado grávida. Eu sabia que se contasse a ele, ele mataria Irina e eu, então nós fugimos. Foi sorte que conseguimos até mesmo sair daquela casa. Ele normalmente mantinha o local trancado, mas naquela noite ele ficou tão bêbado que desmaiou no corredor e Irina e eu fugimos de lá".
"Passamos os próximos meses fazendo o nosso caminho do Missouri para Nova York. Passamos as primeiras semanas apenas sobrevivendo o melhor que podíamos. Eu consegui um emprego em uma pequena mercearia e consegui encontrar um apartamento barato para nós, mas ainda era difícil. Irina tinha completamente se fechado em si mesma e eu não sabia como ajudá-la, ou a mim. Então nós conhecemos Garrett e Laurent. Nós nos apaixonamos por eles".
"Eles entenderam o que tínhamos passado. Nós quatro decidimos nos tornar uma família. Garrett e eu nos casamos. Nós criaríamos o bebê juntos e teríamos certeza que ele teria uma vida melhor do que nós tivemos. Então eu entrei em trabalho de parto com um mês de antecedência. Meu filho, Christian Eric Mitchell, viveu por 69 horas. Ele era tão pequeno. Eu sei que Garrett contou a você sobre Laurent e Irina terem se matado. Eu me culpava por não ser forte o suficiente para mantê-la segura, para manter meu filho vivo." Kate enxugou as lágrimas do seu rosto.
"Um dia, eu estava no banheiro quando escorreguei em um pouco de água que estava no chão. Joguei minha mão para cima para impedir minha queda. Minha mão atravessou a janela. Puxei meu braço para fora e vi o sangue escorrendo pelo meu braço. Por um momento eu fiquei confusa porque eu deveria ter sentido a dor do vidro, mas não senti. Virei-me e saí para a sala. Garrett olhou para cima com este olhar de terror em seu rosto. Ele jogou-me no carro e me levou ao pronto-socorro. Eu tive quatro cortes no meu braço pelo vidro." Kate estendeu o braço e me mostrou as cicatrizes. "Enquanto eu estava deitada na cama, Garrett começou a chorar. Estendi a mão com o meu braço bom e o puxei para a cama comigo. Nós ficamos deitados lá e nos libertamos. Fomos ver um terapeuta juntos. Não foi fácil. Não foi divertido, mas conseguimos trabalhar com a dor. Bella, se você nos deixar ajudá-la, nós podemos ajudá-la a superar a dor também".
"Eu realmente quero. Eu simplesmente estou muito assustada." Eu sussurrei. "Eu sinto que estou em nós o tempo todo".
"Eu vou tentar te ensinar algumas técnicas de relaxamento. Eu quero que você feche os olhos e respire fundo." Ela disse. Fechei meus olhos, mas vi os frios olhos negros dele olhando para mim. Senti meu corpo começar a tremer.
"NÃO!" Eu gritei quando abri meus olhos.
"Feche os olhos, Bella. Quando você o vir, eu quero que você pense no lugar que deixa você mais feliz." Disse Kate. Fechei meus olhos. Ele estava em pé na minha frente novamente. Ele estava rindo quando estendeu a mão para mim.
"NÃO! NÃO ME TOQUE!" Eu gritei.
"Olhe através dele, Bella. O que você vê por trás dele? Não o deixe vencer." Kate sussurrou, colocando as mãos sobre os meus joelhos. "Não desista, Bella".
Eu apertei meu punho e o empurrei para longe de mim. Olhei através dele e vi uma luz de um túnel. Comecei a correr em direção à luz. Saí e encontrei-me no meu quintal. Edward estava deitado na rede. Ele estendeu seus braços para mim. Fui até ele quando senti braços me puxando de volta para a escuridão.
"NÃÃÃÃÃO, EU QUERO EDWARD. SOLTE-ME!" Eu gritei enquanto lutava contra os seus braços.
"Bella, ele não está lá. Empurre-o para fora da sua cabeça." Kate ordenou. Eu tentei empurrá-lo para fora, mas ele simplesmente continuava me puxando de volta para a escuridão.
"Eu não consigo. Eu quero voltar." Eu chorei. "Eu quero Edward".
"Sim, você consegue, Bella. Empurre-o para fora." Ela disse, pedindo-me para continuar. Virei-me e o empurrei para longe de mim.
"VOCÊ NÃO PODE MAIS ME TER!" Eu gritei com ele. "EU NUNCA FUI SUA. NÃO VOLTE NUNCA MAIS".
Ele caiu mais e mais para trás com cada palavra que eu gritei para ele. Senti Edward envolver seus braços em volta de mim. Suspirei quando caí para trás em seu abraço. Edward baixou os lábios até meu ouvido: "Estou esperando por você em casa, amor".
"E, eu te amo. Eu estarei de volta. Eu prometo." Sussurrei.
"Eu também te amo, B, sempre." Ele sussurrou enquanto desapareceu.
Eu lentamente abri os olhos. Eu estava deitada no chão com os braços em volta do meu peito. Kate e Garrett estavam sentados ali me olhando. Sentei-me e limpei as lágrimas do meu rosto.
"Bella, conte-me o que aconteceu." Disse Garrett.
"Quando fechei os olhos, eu o vi lá. Ele está sempre lá, me tocando, me machucando uma e outra vez. Edward estava esperando por mim, mas ele tentou me puxar de volta para a escuridão Eu lhe disse que não era dele, eu nunca fui dele e ele desapareceu".
"Bella, como você viveu através de tudo isso?" Garrett perguntou. "O que fez você suportar isso?"
"Toda vez que ele estava me machucando, eu tentava focar em Edward. Eu estive apaixonada por ele desde que consigo me lembrar." Sussurrei enquanto minhas lágrimas começaram a cair. "Quando eu estava na escuridão, eu imaginava que Edward estava sentado ao meu lado. Ele envolvia seus braços ao meu redor e apenas sussurrava para mim que eu estava bem. Eu ainda estava viva. Ele sussurrava que algum dia ele me encontraria. Eu lutei por ele".
"Bella, quando você ficar com medo, eu quero que você imagine que Edward está envolvendo os braços ao redor de você. Eu quero que você o deixe lutar com ele por você." Kate disse. "Você pode fazer isso?"
"Eu não sei." Sussurrei, balançando a cabeça. "E se Edward se machucar?"
"Querida, ele não pode se machucar. Aquele monstro se foi." Garrett disse.
"Ele disse que traria Edward para mim e me faria vê-lo matá-lo. Eu não posso perdê-lo".
"Ele não pode machucar Edward, querida." Garrett insistiu. "Bella, você tem que deixá-lo ir".
"Estou tentando." Eu bati quando pulei para cima. "Eu não posso deixá-los se machucar. Eu não posso sair e deixá-los se machucar. Ele disse..."
"O que ele disse?" Garrett perguntou, levantando-se. "Fale comigo, querida. Eu não posso te ajudar se você não falar comigo".
"Ele veio com este bolo. Ele me jogou na cama e me disse que estávamos celebrando nosso aniversário. Foi exatamente um ano depois que ele me levou. Ele prendeu-me enquanto empurrou bolo em minha boca até que eu comecei a engasgar. Ele apenas riu quando eu caí da cama chorando, tentando recuperar o fôlego. Ele aproximou-se e abriu a porta e se afastou. Ele disse 'Se você quiser sair, você pode'. Levantei-me e caminhei até a porta. Eu estava me preparando para sair quando ele disse, 'É claro, assim que você pisar fora da porta, vou encontrar Alice'. Eu fiquei lá na porta pelo que pareceu para sempre. Eu podia ver o sol brilhando através da janela no andar de cima. Eu realmente queria ir embora, mas então eu fechei os olhos. Eu vi Alice deitada no escuro, machucada, quebrada, implorando para eu ajudá-la. Eu não poderia fazer isso. Eu tinha que protegê-la. Então eu deixei minhas lágrimas caírem quando eu caí de joelhos e me arrastei para longe da minha liberdade." Eu sussurrei enquanto deixei minhas lágrimas caírem livremente. "Todos os anos, era a mesma coisa. Todos os anos, eu queria tanto ir embora, mas então eu veria Alice ou Rose, Renée, Esme, Cat. Eu via todas elas vivendo no escuro e eu não podia deixar isso acontecer. Então eu aceitei por elas. Todos os dias, eu o deixei me machucar para que ele não as machucasse".
Eu me virei e corri para fora da sala. Corri até a sala de música e sentei-me ao piano. Eu nunca tinha contado a ninguém sobre isso, nem para Emmett ou Edward, ou qualquer um dos outros sobre isso. Puxei meus joelhos no meu peito e comecei a chorar. Eu sentia tanto a falta deles. Eu sabia que precisava fazer isso sozinha, mas eu queria que eles me ajudassem. Eu queria que eles me salvassem. Eu queria que eles me protegessem. Senti Garrett vir e me puxar para o seu peito. Eu me soltei e apenas chorei.
Uma vez que consegui parar de chorar, eu me afastei e coloquei as mãos sobre as teclas. "Você toca?" Ele perguntou.
"Eu costumava tocar." Murmurei, olhando para minha mão esquerda. "Ele quebrou minha mão uma noite depois que me estuprou. Eu gostava de tocar piano".
"Você já tentou tocar?" Ele perguntou.
"Não." Eu balancei minha cabeça.
"Tente".
Suspirei quando coloquei meus dedos sobre as teclas novamente. Fechei os olhos e comecei a tocar a única música que eu conseguia lembrar. Era Claire De Lune. Depois de algumas notas, senti uma pontada de dor através da minha mão esquerda. Eu bati minhas mãos nas teclas.
"ISSO NÃO É JUSTO!" Eu gritei. "EU QUERO MINHA VIDA DE VOLTA. EU QUERO MINHA FAMÍLIA DE VOLTA. EU QUERO MEU EDWARD DE VOLTA. ELE NÃO TINHA O DIREITO DE ME TIRAR DELES".
"Eu sei que não é justo, querida. Você desistiu de muita coisa pela sua família. Eu sei que parece que eles abandonaram você aqui, mas, querida, eles estão fazendo isso para ajudar você. Eles querem protegê-la. Eles brigaram comigo sobre deixar você vir. Eles não queriam deixá-la vir, querida. Eles não podem mais protegê-la. Você tem que fazer isso por você. Você está pronta para se curar?"
"Sim." Eu sussurrei enquanto soluçava. "Eu não quero mais sofrer. Estou tão cansada de sofrer".
"Bom, então vamos começar." Ele sussurrou.
Nota da Tradutora:
Mais algumas revelações sobre como foi o inferno da vida de Bella... agora ela está se abrindo mais e pedindo ajuda... O próximo capítulo terá um avanço de alguns meses...
Deixem reviews e até amanhã!
Bjs,
Ju
