Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.
Capítulo 40
Bella POV
"NÃO, SUA VADIAZINHA ESTÚPIDA. EU QUERO QUE ISSO ACABE. EU NÃO QUERO MAIS SENTIR ESSA DOR!" Ela gritou.
"É UMA MERDA, NÃO É? A DOR SIMPLESMENTE CONTINUA. ELA NUNCA PARA. ELA NUNCA VAI EMBORA ATÉ QUE VOCÊ DECIDA DEIXÁ-LA IR".
Eu estava circulando ao redor de Tia enquanto todos os outros foram rebocados para as paredes à nossa volta. Não sei por que, mas eu sabia que precisava chegar a ela. Ela estava com raiva e com medo. Ela era eu a apenas alguns meses atrás. Talvez ela fosse eu agora.
"O QUE VOCÊ SABE? VOCÊ NÃO CONHECE A MINHA DOR. VOCÊ FEZ ALGUMA PORRA DE HISTÓRIA CHOROSA PARA TENTAR FAZER A MINHA DOR MENOR. NINGUÉM PODERIA VIVER COM ISSO!" Ela gritou. Tirei minha camisa e a joguei para ela.
"ESSA PORRA PARECE INVENÇÃO? VOCÊ VÊ ONDE ELE FODIDAMENTE ME QUEIMOU APENAS PARA ME FAZER CHORAR? VOCÊ VÊ AS FODIDAS MARCAS DE CHICOTE QUE ELE ME DEU POR FALAR NO MEU SONO? VOCÊ QUER VER AS CICATRIZES NOS MEUS PEITOS, PORRA? NUNCA ME CHAME DE UMA PORRA DE MENTIROSA!" Eu gritei.
"Eu... eu..." Ela sussurrou enquanto caiu de joelhos. Fui até ela e puxei minha camisa. Ajoelhei-me ao lado dela. Joguei a faca em um canto vazio da sala.
"Eu nunca quis fazer você pensar que sua dor não era real, querida. Faça a escolha para deixá-la ir. Não vale a pena. Não deixe quem quer a tenha machucado ganhar, querida".
"Eu não sei como." Ela sussurrou enquanto soluçava. "Toda vez que fecho meus olhos, ele está bem ali. Ele não vai me deixar ir".
"Conte-me, Tia." Eu sussurrei enquanto a puxei em meus braços. "Apenas fale para mim, querida".
"Duas semanas atrás, eu estava fora correndo. Eu gostava de correr. Costumava fazer-me sentir tão livre. Eu estava correndo passando por estes arbustos quando ele me puxou para dentro. Ele envolveu suas mãos em volta do meu pescoço até que eu desmaiei. Quando acordei, eu estava deitada nesta cama. Eu estava nua. Estava tão frio e tão escuro. De repente, a porta se abriu e ele entrou. Ele riu quando se aproximou e começou a me tocar. Tentei não olhar para o seu rosto. Pensei que se eu não o visse, não era real. Ele subiu em mim e me violentou uma e outra vez. Doeu tanto. Eu queria morrer. Quando ele terminou, ele me amarrou e vendou meus olhos. Ele colocou um pano na minha boca e me jogou no banco de trás do seu carro. Dirigimos ao redor pelo que pareceram horas antes do carro parar. Ele me arrastou para fora e me jogou no chão. Ele se inclinou e sussurrou em meu ouvido, 'Agora todos saberão que você é uma puta'. Eu sabia quem era. Eu conhecia a sua voz. Tentei gritar, mas eu não podia. Ele deixou-me nos degraus da minha escola. Quando os alunos na minha escola me viram deitada nua, ferida e sangrando, eles riram de mim. Eles me chamaram de puta e disseram que eu devia gostar disso rudemente. Finalmente, o meu treinador de basquete veio correndo até mim. Ele jogou seu casaco sobre o meu corpo nu. Ele chamou a polícia e uma ambulância. Ele disse a todos os alunos para ficarem longe de mim. Quando a polícia chegou lá eu não consegui dizer a eles quem foi. Eu estava tão assustada que ele me machucaria novamente. Eles me levaram para o hospital e trataram dos meus cortes. Quando cheguei em casa, ele estava lá. Vi a vergonha nos olhos do meu pai. A vergonha nos olhos da minha mãe. Entrei na cozinha e peguei uma faca e esfaqueei-me. Eu não podia lidar com os olhares em seus olhos. Eles correram comigo para o hospital e me deixaram lá. Eles disseram que eu não era mais problema deles. Eu tinha desonrado o nome da sua família. Passei duas semanas no hospital. Benjamin veio e me trouxe até aqui." Ela sussurrou.
"Quem foi, querida?" Sussurrei. "Quem te machucou?"
"Meu irmão, Amun." Ela chorou.
"Tia, você tem que dizer à polícia que ele a machucou." Murmurei. "Você tem que dizer a eles tudo como eles te machucaram. É a única maneira que você pode se curar. É a única maneira de lutar, querida".
"Eu não posso enfrentá-los sozinha." Ela chorou.
"Você não vai." Disse Benjamin, puxando Tia dos meus braços e para os seus. Ela derreteu nos braços dele com um suspiro suave. "Eu nunca te deixarei".
"Você promete?" Ela sussurrou.
"Eu prometo." Ele sussurrou, enquanto uma lágrima caiu dos seus olhos.
Ele murmurou um agradecimento a mim e a levou para fora da sala. Eu olhei para Garrett, que tinha lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Eu soube então onde eu deveria estar.
"Eu vou trabalhar com você." Eu chorei. "Eu fodidamente virei trabalhar com você".
"Você foi muito bem lá, querida." Ele sorriu. "Muito bem".
"Obrigada." Eu murmurei enquanto me levantei. "Agora vamos comer. Estou com uma fome do caralho".
"Bella." Riu Garrett, olhando para mim com um olhar patético em seu rosto. "Por favor, faça-me um pouco daqueles brownies do caralho".
"Tudo bem." Eu ri. "Basta parar fodidamente de choramingar".
"Não é justo." Emmett fez beicinho.
"O que não é justo?" Eu perguntei.
"Você nunca me faz os brownies do caralho." Ele bufou.
"Pare de ser um bebê, Em. Vou fazer para todos alguns brownies do caralho. Eu ri.
"SIM!" Todos eles gritaram.
"Vocês todos são tão idiotas fodidos." Eu ri enquanto fazia meu prato.
"Mas somos os seus idiotas fodidos." Alice brincou.
"Isso vocês são, Ali." Sorri. "Sempre".
"Então, o que você quis dizer sobre vir trabalhar com Garrett?" Perguntou Emmett.
"Depois que eu terminar a faculdade de medicina, vou voltar e trabalhar com ele aqui." Expliquei. "É uma chance para eu ajudar alguém".
"A oferta vai para todos vocês." Disse Garrett. "A qualquer momento que vocês quiserem".
"Vamos pensar sobre isso." Disse Alice.
Todos nós nos estabelecemos na mesa e começamos a pegar nossa comida. Edward estava sentado ao meu lado, com o braço descansando na parte de trás da minha cadeira. De vez em quando ele traria sua mão para cima e a colocaria na minha nuca. Toda vez que olhei para ele, ele sorria e piscava para mim. Deus, como eu amava esse homem. Ele tinha sido tão suportivo comigo e tudo que eu passei.
"Então, eu não quero ser aquela a trazer isso à tona, mas nossos pais têm ligado... muito." Murmurou Rose.
"Eu sei." Eu disse. "Eles estão bravos comigo por fazê-los partir. Eles me culpam por me colocar naquele lugar".
"Não, eles não culpam." Zombou Emmett.
"Sim, eles culpam, Em." Disse Edward. "Eu conversei com Charlie e Renée no avião para cá. Eles disseram que B foi imprudente. Eles disseram que ela não tinha nada que tentar ajudar Garrett. Eles disseram que ela deveria ter pensado sobre o que estava fazendo quando ela o levou para a delegacia. Eles disseram que ela deveria saber melhor do que colocar-se naquele tipo de perigo".
"MALDITOS FILHOS DA PUTA!" Gritou Emmett. "COMO ELES PODEM SER TÃO FODIDAMENTE ESTÚPIDOS?"
"Em, acalme-se." Eu ri. "Você vai estourar uma veia".
"B, como você pode rir disso?" Perguntou Rose.
"Rosie, eu não estou, mas eles não entendem. Eu tinha que ir. Eu acho que eles sentem como se tivessem falhado comigo quando não podiam me ajudar, mas Garrett e Kate podiam. É difícil para eles porque eles não entendem realmente quanta dor nós sentimos. Assim como como quando éramos bebês. Quando você afasta um de nós, todos nós choramos. É a mesma coisa com Garrett e Kate agora. Se você machucar um de nós, você machuca todos nós".
"O que você quer dizer quando vocês eram bebês?" Perguntou Kate.
"Você sabe como nós seis nascemos no mesmo dia?" Eu perguntei.
"Sim".
"Quando nascemos, eles costumavam nos dizer como, quando estávamos no berçário do hospital, se eles levassem um de nós para longe dos outros, os outros cinco começavam a chorar. Não parávamos até que o trouxessem de volta".
"Mesmo quando chegamos em casa, eles tinham que trazer nós seis para uma casa quase todas as noites por semanas." Disse Alice. "No momento em que tínhamos um ano de idade, estávamos passando as noites nas casas uns dos outros nos finais de semana, apenas para que não chorássemos mais".
"Sério? Eu acho que isso explica por que foi tão difícil para todo mundo quando você foi sequestrada." Disse Kate.
"O que você quer dizer?" Perguntou Garrett.
"É óbvio que vocês seis compartilham uma ligação incrível uns com os outros. Eu acho que vocês têm uma conexão uns com os outros. É como quando um dos gêmeos sabe quando o outro está doente, ou ferido, eles sentem isso. É como isso para os seis de vocês." Explicou Kate.
"Não, eu acho que é assim para os oito de nós." Eu disse.
"Por quê?" Perguntou Kate.
"Eu tive essa sensação por três dias antes de você me ligar, de que algo ruim estava para acontecer. Não importa o que eu fizesse, eu não poderia removê-la. Eu acho que você, Garrett e eu temos uma conexão que funciona da maneira como com os seis de nós. Eu acho que o fato de que nós três tenhamos vivido anos no inferno e sobrevivido, nos atrai juntos. Eu acho que é por isso que eu fui capaz de confiar em vocês tão facilmente quando cheguei aqui".
"Quando você se foi por todos aqueles anos, às vezes parecia que eu podia sentir o que ele estava fazendo com você." Sussurrou Alice. Todo mundo olhou para ela. Ela estava olhando para o seu prato, mas eu poderia dizer que ela tinha lágrimas em seus olhos.
"Por que você nunca disse nada?" Eu perguntei.
"Eu achei que você poderia pensar que eu era louca." Ela estendeu a mão e enxugou as lágrimas do seu rosto.
"Eu?" Eu perguntei enquanto Jasper deslizou seu braço em torno dela. "Eu não acho que você seja louca, Ali. Alguma vez você disse a Carlisle ou Esme?"
"Não, eu estava com medo de dizer a eles." Ela sussurrou. Ela inclinou a cabeça sobre o ombro de Jasper.
"Você deveria dizer a eles." Murmurei.
"Eu costumava acordar no meio da noite com a sensação de que alguém estava deitado em cima de mim. Das primeiras vezes eu gritei por socorro. Quando Will ou Cat entravam, eles simplesmente reviravam os olhos e diziam que eu estava sonhando." Disse Rose. Ela tinha seus joelhos puxados para cima. "Chegou a um ponto em que, quando eu acordava sentindo isso, eu sufocava meus gritos para não incomodá-los. Eu passava horas a cada noite chorando no meu travesseiro. Em e eu costumávamos passar horas conversando ao telefone só para que eu não tivesse que dormir e ter essa sensação novamente".
"Alguma vez você disse a eles que eles te machucaram, Rose?" Perguntou Garrett.
"Não, eles têm se preocupado mais com a forma como parecemos para todos. Quando B chegou em casa pela primeira vez, eles tentaram nos dizer que não poderíamos mais ser amigos dela. J e eu dissemos a eles para se foderem, mas quando você teve que vir para cá, eles riram quando chegamos em casa e falaram que eles nos disseram isso. Eu os odeio tanto." Rose chorou. Emmett tinha se aproximado e a estava segurando em seus braços.
"Oh." Eu sussurrei enquanto senti uma lágrima cair do meu olho. "Sinto muito por ter causado problemas entre vocês e eles".
"Bella, você não é o problema." Disse Garrett. "Eles estão deixando o medo controlá-los".
"Eles eram como um outro conjunto de pais para mim quando éramos pequenos. Como eles podem pensar que eu algum dia machucaria minha Rosie ou meu J?" Eu chorei.
"Eles estavam com medo, querida. Eles não sabem como lidar com seus sentimentos. Eles não entendem o quanto você afeta todos eles." Garrett disse quando passou o braço em volta de mim.
"Rosie, J, vocês têm que dizer a eles." Eu murmurei. "Vocês têm que dizer a eles o quanto eles machucaram vocês".
"Se fizermos isso, eles vão nos expulsar. Nós não temos para onde ir." Chorou Rose.
"Sim, vocês têm, irmã. Você e J são sempre bem vindos comigo e Em." Eu chorei. "Irmãs para sempre, lembra?"
"E sempre." Sussurrou Alice em meio às lágrimas.
"E sempre." Sussurrou Kate.
"E sempre." Rose sussurrou. "E sempre".
Nota da Tradutora:
Que história triste a da Tia também, pensar que o próprio irmão é capaz de uma atrocidade dessas... E agora ficamos sabendo o que Will e Cat fizeram, será que Rose e J terão a coragem de dizer a eles?
Essa história de que gêmeos sentem a dor do outro eu não concordo não... eu sou gêmea, e eu e minha irmã nunca tivemos isso não! Claro que a ligação que temos é super forte e a gente se entende só com olhares, mas sentir a dor da outra, nunca...
Deixem as 10 reviews e até amanhã!
Bjs,
Ju
