Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.
Capítulo 46
Bella POV
"Admito que é difícil, mas não posso deixar a minha raiva reger a minha vida. Quando eu estava sendo mantida na escuridão, eu me enrolava no meu canto. Era o único lugar em que eu me sentia segura. Eu chorava e gritava para alguém me ajudar. Eventualmente, percebi que ninguém viria para me salvar. Olha, eu queria o conto de fadas. Eu queria que meu príncipe encantado subisse em seu grande cavalo branco e derrotasse o malvado feiticeiro e me levasse para o meu felizes para sempre. De alguma maneira, Edward fez isso, mas agora percebo que não importa o que eu faça, a dor e o medo simplesmente estão lá. Mas também percebo que eu tenho que controlar como eu uso essa dor e o poder que vem da dor. Eu poderia usar o poder para ferir vocês, mas eu opto por usar esse poder para ajudá-las porque ninguém merece ser tratado como uma aberração. Ninguém merece ser chamado de uma vadia, ou puta, ou qualquer um dos outros nomes que estavam chamando vocês. Eu escolho perdoar vocês." Sussurrei através das minhas lágrimas.
"Você... você nos pe... perdoa?" Sussurrou Lauren em meio às suas lágrimas.
"Sim, eu não posso prometer que posso algum dia ser mais do que apenas uma pessoa legal com vocês, mas não vou deixar minha raiva me controlar mais." Eu chorei.
"Nós não vamos deixar nossa raiva nos controlar mais." Edward murmurou enquanto deixava cair suas lágrimas.
"Obrigada, Bella." Chorou Jessica.
"Obrigada por nos ajudar." Lauren exclamou quando o sinal tocou.
"Vamos encontrá-lo na sala de aula, Edward." Disse Garrett.
"Ok." Ele murmurou baixinho.
Ele me deu um beijo e saiu com os outros. Peter saiu com Lauren, Jessica e Charlotte, mas Garrett pediu a ele para ficar com a gente. Lentamente, o refeitório se esvaziou, ficando apenas eu, Garrett e Peter.
"Bella, eu estou realmente orgulhoso de você por defendê-las." Disse Garrett.
"Obrigada." Eu sussurrei. "Simplesmente não era certo".
"Elas tem recebido esse tratamento desde que chegamos em casa. Até mesmo os pais delas têm recebido telefonemas assim." Disse Peter.
"Eu não entendo como as pessoas podem ser tão crueis." Eu disse suavemente.
"Eles estão bravos. Eles estão com medo. Acho que a maioria dos alunos aqui sabe que há mais nas histórias de Lauren e Jessica do que apenas se sentirem culpadas por tratá-la da maneira que trataram quando você foi encontrada." Disse Peter. Eu pensei ter visto um lampejo de culpa através dos olhos dele. "Eles não sabem como lidar com seus próprios sentimentos de culpa".
"Peter, você me contaria a sua história?" Eu perguntei.
"Charlotte contou a você a dela?" Ele perguntou, enquanto uma lágrima caiu dos seus olhos.
"Sim".
"Meu pai foi o homem que a estuprou e esfaqueou. Ele não era um homem muito legal comigo também. Até aquela noite, ele nunca me machucou fisicamente, mas verbalmente ele me cortou em pedaços quase todas as noites. Charlotte foi à minha casa estudar para uma prova de biologia que teríamos no dia seguinte. Eu não deveria ter pessoas vindo em casa, mas pensei que poderia levá-la para casa antes que ele chegasse em casa, mas ele veio para casa mais cedo. Ele estava irritado. Ele insistiu em levá-la para casa. Eu estava deitado na minha cama quando ele chegou em casa. Ele estava coberto de sangue dela. Ele entrou no meu quarto e simplesmente começou a rir. Ele disse: 'aquela sua putinha foi uma foda fantástica pra caralho'. Fiquei tão irritado com ele. Eu sabia que ele a tinha estuprado. Eu estava apaixonado por ela e sabia que ela não estaria disposta a fazer sexo com ele. Voei para fora da minha cama e tentei bater nele, mas ele era muito maior do que eu. Eu tinha apenas 16 anos. Ele simplesmente riu e me jogou contra uma parede. Ele veio e puxou-me para a minha cama. Ele disse: 'Eu vou te mostrar o quanto a putinha gostou de eu a fodendo'. Ele me estuprou. Minha mãe chegou enquanto ele estava me estuprando. Ela pegou uma arma que ele guardava no armário e atirou nele. Ela se virou e olhou para mim e disse: 'Sinto muito por não ter feito isso quando ele me estuprou'. Ela colocou a arma em sua boca e se matou." Peter fez uma pausa e desviou o olhar de nós.
"A polícia chegou alguns minutos mais tarde. Eu estava deitado na minha cama com minhas calças abaixadas em meus tornozelos. Eu estava sangrando e chorando. Eles me levaram para o hospital e me disseram que eu ficaria simplesmente bem. Simplesmente bonito. Eu desci e vi Charlotte. Ela ainda era tão bonita, mesmo que ela tivesse hematomas em seu rosto onde ele bateu nela. Pelos próximos três meses, eu me sentei ao lado da cama dela e segurei sua mão enquanto ela dormia. Quando ela finalmente abriu seus belos olhos negros, ela me pediu para levá-la embora. Eu não poderia dizer não para ela. Então eu escapei com ela do hospital e fomos ao nosso lugar. Nós costumávamos amar nos sentar na ponte bem na periferia de Houston. Ela olhou para mim e disse: 'Eu não posso viver sabendo que ele machucou você'. Ela se levantou e pulou da ponte. Corri de volta com ela para o hospital. Ela tinha quebrado a perna e o braço. Poucas semanas depois, eu fui capaz de convencê-la de que precisávamos de ajuda. Nenhum de nós estava lidando com o que tinha acontecido conosco. Encontramos Garrett e Kate na terapia de grupo algumas semanas depois. Ele e Kate nos ajudaram a liberar a nossa dor e nossa raiva. Quando eles abriram o resort, nós viemos para ajudá-los. Já faz quatro anos desde a noite em que meu pai fez tudo aquilo conosco. Não tem sido fácil, mas Char e eu sabemos que podemos passar através de qualquer coisa, desde que tenhamos um ao outro." Peter murmurou através das suas lágrimas.
"Obrigada por compartilhar sua história comigo." Eu chorei. "Estou feliz por você e Charlotte serem capazes de trabalhar com isso. Amo muito vocês dois".
"Nós também te amamos, Bella." Ele disse. "Estamos muito orgulhosos de você por enfrentar aqueles homens ontem".
"Foi tão difícil." Eu sussurrei. "Eu não sei como eu fiz isso".
"Bella, eu estava pensando em pedir a Eleazar se ele poderia nos ajudar a trazer pais e alunos amanhã para uma assembleia. Eu acho que você precisa falar com todos eles. Eu acho que eles precisam ouvir que você não vai deixá-los te machucar mais." Disse Garrett.
"Eu não sei." Eu disse, com cautela, enquanto puxei meus joelhos para cima. "Da última vez, eles não foram muito agradáveis comigo".
"Da última vez não era sobre você, querida. Aquilo foi eles tendo medo." Bufou Garrett. "Eu acho que você pode ajudá-los como você ajudou Lauren e Jessica".
"Você promete não me deixar sozinha lá fora?" Sussurrei através das minhas lágrimas.
"Eu prometo, querida. Eu nunca vou te deixar." Garrett sussurrou.
"Ok." Chorei suavemente. "Vou fazer isso".
"Boa menina, querida. Vamos para a aula." Garrett sussurrou, puxando-me para os seus braços.
Ele me segurou perto dele enquanto deixei minhas lágrimas caírem. Eu sabia que precisava fazer isso. Eu precisava fazer isso por Lauren e Jessica, pela Amanda de Eleazar. Eu precisava fazer isto por todos os alunos que estão deixando o medo e a culpa controlá-los. No momento em que chegamos à aula de Biologia, havia apenas cerca de 15 minutos para acabar a aula. Edward pareceu preocupado quando me viu chorando, mas ele só me puxou para o seu colo e me segurou enquanto deixei minhas lágrimas caírem. Quando o sinal tocou, Garrett foi para pegar o meu trabalho para mim e avisar ao Sr. Banner que tudo estava bem.
Nós fomos para a aula de Trigonometria. Assim que o Sr. Varner viu Garrett, ele empalideceu e recuou um pouco. Edward, Garrett e eu rimos enquanto caminhamos para os nossos lugares. Trigonometria passou dolorosamente lenta. O Sr. Varner estava agitado e nervoso através de toda a aula. Eu meio que senti pena dele. Ele realmente tinha sido tratado muito rudemente desde que voltei do Brasil. Quando o sinal tocou, Garrett e eu fomos até o escritório para falar com Eleazar sobre uma assembleia amanhã. Ele disse que achava que era uma ótima ideia. Ele disse que poderíamos fazer disso a primeira coisa na manhã. Ele ativou o que chamou de árvore telefônica. Tudo o que eu sabia era que ele prometeu ligar para os pais de todos e avisá-los.
Saímos e encontramos os outros no carro. Nós dirigimos para casa e trabalhamos em nossos deveres de casa até Charlie, Renée e Kate chegarem em casa. Garrett e eu ajudamos os outros com alguns dos seus trabalhos. Cerca de uma hora depois, Charlie, Renée, Kate, Carlisle e Esme vieram. Renée e eu fizemos o jantar para todos. Dissemos a eles sobre o nosso dia enquanto comíamos. Eles ficaram surpresos que eu ajudei Lauren e Jessica do jeito que eu fiz, mas eu apenas disse a eles que era a coisa certa a fazer. Contamos a eles sobre a assembleia de amanhã de manhã. Todos eles ficaram preocupados com a forma como eu lidaria com levantar-me na frente de todo mundo novamente, mas eu disse a eles que isso era apenas um medo a mais que eu tinha que superar.
Depois que limpamos os pratos do jantar, Garrett e eu fomos para o meu quarto e trabalhamos sobre as técnicas de relaxamento um pouco mais. Nós só estávamos lá por cerca de uma hora quando Renée veio e bateu na minha porta.
"Entre." Eu suspirei. Ela empurrou a porta aberta.
"Bella, os pais de Lauren e Jessica gostariam de ter uma palavra com você." Ela disse. "Eles estão lá embaixo na sala de estar".
"Ok." Murmurei. Garrett e eu nos levantamos e a seguimos pelas escadas para a sala de estar. Eles estavam sentados nos sofás. Parecia que eles haviam chorado muito. "Sr. e Sra. Mallory, Sr. e Sra. Stanley, está tudo bem com Lauren e Jessica?"
"Sim, Bella. Elas estão bem. Elas chegaram em casa e nos contaram o que você fez por elas." Disse o Sr. Stanley. "Não posso agradecê-la o suficiente por ajudá-las. Pensei que eu nunca mais veria a minha Jessica novamente. Beth e eu temos estado tão preocupados com ela desde que você foi raptada. Pensávamos que ela simplesmente sentia a sua falta, mas quando você voltou para casa, ela estava tão assustada. Deveríamos ter visto que ela precisava de ajuda. Optamos por não ver a sua dor".
"Lauren estava da mesma maneira. Quando percebemos que você tinha sido sequestrada, ela foi à loucura. Ela se afastou de todos nós. Posso olhar para trás agora e ver que ela deixou a culpa destruí-la. Eu desejaria que nós pudéssemos tê-la ajudado naquela época. Então, talvez, você não teria que sofrer por tanto tempo." Chorou o Sr. Mallory.
"Não é culpa de vocês que elas não tenham contado a ninguém. Ambas têm assumido a responsabilidade pelas suas ações. O homem que me levou esteve me observando por várias semanas antes que ele me agarrou. Desejo todos os dias que elas tivessem contado a alguém, mas eu não posso deixar minha raiva por elas me controlar mais. Eu tomei um monte de merda por um tempo muito longo porque eu o deixei me culpar sobre ser levada. Quando fui encontrada, eu não sabia como deixar minha dor ir. Eu não sabia como deixar a culpa que eu sentia por não lutar forte o suficiente, ou o tempo suficiente, ir. Quando vi nossos colegas de classe as xingando e vi os rostos delas, eu pensei sobre como eu me sentia quando ele me chamava de puta, ou vadiazinha. Como ele me disse que ninguém jamais me quereria de volta aqui. Eu não queria que elas se sentissem da maneira como ele me fez sentir. Da maneira como eles me fizeram sentir quando voltei para casa. Ninguém merece ser tratado assim. Eu não posso prometer que eu algum dia serei capaz de deixar minha raiva por elas ir, mas eu não posso deixá-la controlar-me. Eu tenho que perdoá-las antes que elas possam perdoar a si mesmas. Vocês todos têm que se perdoar. Não é culpa de vocês que elas permitiram que o seu medo e vergonha envenenassem. A única pessoa que tem culpa é aquele homem que me levou porque ele machucou mais do que apenas a mim. Ele machucou mais do que apenas a minha família. Ele machucou todos nós".
"Como você faz isso?" Sussurrou Beth Stanley. "Como você superou isso?"
"Você precisa encontrar alguém para conversar, como uma família." Disse Renée. "É a única maneira de vocês todos se curarem".
"Podemos dar a vocês o nome de um bom par de terapeutas." Disse Carlisle. "Eles nos ajudaram muito".
"Obrigada. Isso seria muito bom." Sussurrou a Senhora Mallory. "Obrigada, Bella, por nos ajudar a obter nossas meninas de volta".
"De nada." Eu disse através das minhas lágrimas.
Eles saíram e eu fui e fiquei na rede por um tempo. Eu estava orgulhosa deles por pedir ajuda. É difícil deixar a dor ir algumas vezes, mas eles têm que fazer isso se eles querem ser felizes novamente. Não seria fácil para eles, mas eles precisavam fazer isso por Lauren e Jessica. Eles precisavam fazer isso por si mesmos. Depois de algum tempo, fiz meu caminho de volta para a casa. Fui para o meu quarto e vesti meu pijama. Subi na cama e adormeci no meu lugar feliz.
Nota da Tradutora:
Que história triste a de Peter, fiquei com os olhos cheios de lágrimas aqui... e realmente não deve ser fácil para os pais de Lauren e Jessica verem tudo que suas filhas estão passando, mas que bom que eles pediram ajuda...
Deixem as 10 reviews e até amanhã!
Bjs,
Ju
