Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.
Capítulo 48
Bella POV
"Bella, acorde." Pediu Charlie, chacoalhando meu ombro. "Vamos lá, dorminhoca".
"Que diabos." Eu murmurei, lentamente abrindo meus olhos. Olhei para o relógio. Era apenas após as seis da maldita manhã. Em um sábado, porra! "Por que você está me acordando tão fodidamente cedo?"
"Porque temos que ir." Ele riu, atirando-me um par de jeans, uma das suas camisas de manga comprida e meu casaco. "Apresse-se".
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Charlie se virou e saiu do meu quarto, fechando a porta atrás dele. Eu fiquei lá deitada por um minuto tentando descobrir o que diabos estava acontecendo, mas no final levantei-me e troquei para a roupa que ele tinha me dado. O que quer que estivéssemos fazendo hoje era importante para Charlie, então eu iria com ele.
Uma vez que eu estava pronta, fui lá embaixo. Ele e Renée estavam na cozinha. Ele estava derramando café em duas grandes garrafas térmicas e Renée estava embalando sanduíches em um pequeno refrigerador vermelho e branco. Ambos tinham grandes sorrisos em seus rostos e eu não pude deixar de sorrir com eles. Tinha sido um longo tempo desde que eu os tinha visto tão felizes. Charlie fechou a tampa em uma das garrafas térmicas e olhou para mim, fazendo-o sorrir ainda mais.
"Você está pronta?" Ele perguntou.
"Para onde vamos?" Eu perguntei, cautelosamente.
"Pescar." Ele sorriu. Eu sorri de volta para ele e balancei a cabeça.
"Sim, vamos." Eu gritei.
Charlie e Renée riram enquanto peguei o refrigerador da minha mãe. "Divirtam-se e tomem cuidado." Ela riu. Eu me virei e a abracei.
"Nós vamos." Eu murmurei. "Amo você".
"Também te amo." Ela sorriu, beijando minha bochecha.
Eu me afastei e segui Charlie para fora para o seu carro. Ele já tinha as nossas varas de pescar e caixa de equipamentos no banco de trás. Claramente, ele estava animado. Coloquei o refrigerador no banco de trás e entrei no banco da frente com ele. Ele tinha um sorriso enorme no rosto quando ligou o carro e saiu da garagem. Com um último olhar para mim, ele saiu da garagem e dirigiu-se para a estrada.
Poucos minutos depois, Charlie puxou seu carro até perto do seu local favorito de pesca. Saímos, pegamos nossos equipamentos e o lanche, e nos dirigimos para ir pescar. Quando eu era pequena, Charlie e eu vínhamos para cá e pescávamos a cada dois meses, ou algo assim. Havia um antigo cais de madeira que se estendia cerca de vinte metros sobre a água. Charlie me embrulhava em cobertores e ficávamos sentados na borda do cais e pescando. Normalmente, eu ficava cansada após cerca de uma hora e puxava um livro para ler enquanto ele pescava. Eu realmente tinha sentido falta disso enquanto estava longe.
Charlie me levou para o cais e nós nos estabelecemos. Eu tinha um cobertor envolto em torno de mim, tentando manter o calor do pequeno corpo que eu tinha. Charlie pegou nossas iscas e deixamos de lado. Eu me movi um pouco e coloquei minha cabeça no ombro de Charlie, recebendo um suspiro suave. Não foi um suspiro de agravamento ou irritação, mas de felicidade pura e completa. Acho que ambos tínhamos sentido falta do nosso momento pai/filha. Mesmo depois que voltei do Brasil, eu tinha muito trabalho a fazer em mim mesma que eu afastei Charlie e Renée um pouco.
"Isso é bom." Murmurei.
"Eu também acho." Ele disse baixinho. "Senti falta disso. Eu nem mesmo percebi o quanto senti falta disso, mas eu senti".
"Pai, eu sei que não fiz as coisas mais fáceis-"
"Não, não vá por aí." Charlie disse, interrompendo-me. Inclinei-me para longe e olhei para ele. "Bella, nada sobre o que você passou tem sido fácil. Nenhum de nós esperava que você voltasse para casa e fosse a menina alegre e feliz o tempo todo. Nós só queríamos ajudá-la, mas não sabíamos como".
"Eu não sabia como deixá-los me ajudar." Eu murmurei, apertando o cobertor ao meu redor. "Eu pensei que se eu escondesse tudo de vocês, que eu os estava protegendo da dor. Eu não vi que isso não tinha importância. Você e mamãe seriam feridos, independentemente de se eu dissesse a vocês, ou não. Era só que..."
"Só o que?" Ele perguntou.
"Eu não queria que vocês me vissem como a menina que se encolhia para longe no canto." Eu sussurrei.
"Nunca vimos você como essa menina, Bella." Charlie disse, sorrindo enquanto empurrou o cabelo para fora do meu rosto. "Nós sempre a vimos como a menina incrivelmente forte... não, mulher, que nunca desistiu".
"Você quer dizer isso?" Eu perguntei, sentindo meus olhos enchendo de lágrimas.
"Sim." Ele sussurrou, fungando de volta as suas lágrimas. "Querida, você viveu com um monte de inferno e olhe para você. Você foi forte o suficiente para voltar para casa. Forte o suficiente para deixar Garrett e Kate a ajudarem e, apesar de deixar você ir ter sido a coisa mais difícil que já tivemos que fazer, nós sabemos que foi a decisão certa. Você provou que não vai deixar ninguém te machucar novamente, nem mesmo nós. Eu nunca estive mais orgulhoso de você".
"Eu realmente precisava ouvir isso." Eu chorei, baixinho.
"Eu vou te dizer mais vezes." Charlie prometeu, deslizando seu braço em volta de mim e me puxando para os seus braços. "Você está quente o suficiente?"
"Sim, estou quente o suficiente." Eu sorri, aninhando-me em seus braços.
Um momento depois, senti um puxão na minha vara de pesca. Gritei enquanto comecei a girar a minha linha de volta. Charlie passou os braços em volta de mim e me ajudou a puxá-la para trás. A linha saiu da água com um peixe enorme balançando na ponta. Charlie o desenganchou e o jogou de volta à água, sorrindo para mim. Hoje seria um dia do tipo pegar e liberar.
Charlie e eu pescamos pelo resto da manhã. Nós dois conseguimos pegar um par de outros peixes. Bebemos o nosso café e comemos nossos muffins que Renée tinha embalado para nós. Conversamos um pouco, mas na maior parte ficamos ali sentado em silêncio e apenas apreciando estar juntos. Só depois das onze Charlie entregou-me um sanduíche de atum. Eu irrompi em risadas e levantei uma sobrancelha para ele.
"Eu não posso acreditar que a mamãe nos fez sanduíches de atum para comer enquanto estamos pescando." Eu estava rindo tão forte que eu ronquei, fazendo com que Charlie jogasse a cabeça para trás e risse ainda mais forte. "Quero dizer, é como uma mensagem para o peixe?"
"É um aviso." Ele riu. "Pegue a isca e torne-se o nosso almoço. Peixe, tenha cuidado".
"Você acha que eles entenderam a mensagem?" Eu perguntei, dando uma pequena mordida.
"Duvido." Charlie riu, dando uma mordida no dele. "Já decidiu se você vai para Dartmouth?"
"Sim." Eu sorri. "Eu meio que estou ficando animada e realmente com medo".
"Por que você está com medo?" Ele perguntou.
"Porque vai ser diferente. Novas pessoas, mais olhares, eu tenho certeza." Murmurei, olhando para fora sobre a água. "Além disso, você e mamãe não estarão lá".
"Você vai ficar bem, querida." Sorriu Charlie. Olhei para ele. "Você vai ter Emmett, Rose, Jasper, Alice, e, mais importante, você vai ter Edward. Eles vão cuidar de você".
"Mas eles não deveriam ter que cuidar." Eu fiz uma careta.
"Não, eles não deveriam." Ele admitiu. "Mas eles vão porque amam você".
"Eu sei." Murmurei, terminando o meu almoço. Joguei meu lixo de volta para o refrigerador e enrolei o cobertor em torno dos meus braços novamente. "Pai, eu posso perguntar uma coisa?"
"Claro que você pode." Ele sorriu.
"Você sente falta de ser um policial?" Eu perguntei. Charlie respirou fundo enquanto olhou por cima da água.
"Honestamente?" Ele perguntou. "Às vezes, mas, ao mesmo tempo, eu gosto de trabalhar com a sua mãe".
"Oh." Eu disse, balançando a cabeça. "Estou contente por você não ser mais um policial".
"Por quê?" Ele perguntou, olhando para mim. Mordi meu lábio enquanto olhei para a água.
"Porque então não terei que me preocupar com você se machucando tanto." Eu murmurei.
"Você não precisa se preocupar comigo, querida." Ele sussurrou, inclinando-se e beijando o topo da minha cabeça.
"Eu sei," murmurei, "mas eu ainda o faço".
Charlie não disse qualquer outra coisa quando terminou seu sanduíche e jogou o seu saco de plástico de volta para o refrigerador. Puxei meus joelhos para cima e enrolei o cobertor em torno de mim mesma enquanto ele voltou para a pesca. Depois de outra hora, ou algo assim, Charlie e eu embalamos as coisas e encerramos o dia. Ele levou as varas de pesca e caixa de iscas, enquanto eu carreguei o refrigerador, garrafas térmicas e cobertor. Nós carregamos tudo no carro e fechamos as portas traseiras.
"Aqui." Charlie disse, jogando-me as chaves. Eu as pegue e olhei para ele. Ele estava sorrindo. "É hora de você aprender".
"Você está falando sério?" Eu perguntei, quase gritando de emoção.
"Sim." Ele riu.
"YAY!" Eu gritei, pulando para cima e para baixo.
Corri ao redor do carro e abracei Charlie, fazendo-o rir ainda mais forte, antes de subir atrás do volante. Charlie subiu no banco do passageiro e puxou o cinto de segurança, certificando-se de exagerar em quão apertado ele o estava deixando. No entanto, optei por ignorá-lo e colocar o meu próprio cinto de segurança. Coloquei a chave na ignição e liguei o carro.
"Ok, agora, você sabe o que é o freio e o acelerador, certo?" Ele perguntou, colocando a mão na parte de trás do meu assento.
"Eu sei, pai." Eu sorri. "Eu li o manual de motoristas quando eu tinha dez anos, lembra?"
"Sim, mas há uma diferença enorme no manual e realmente dirigir." Ele riu. "Agora, ajuste os espelhos e desloque o carro em marcha à ré".
Sorri enquanto ajustei o espelho retrovisor e os laterais para que eu pudesse ver ao meu redor melhor. Tomei uma respiração profunda enquanto pressionei meu pé esquerdo sobre a embreagem e desloquei o carro do estacionamento e para trás. Olhei para ele, esperando que ele me dissesse o que fazer a seguir.
"Ok, lentamente, quero dizer, realmente lentamente, libere seu pé da embreagem." Ele disse. Olhei de volta enquanto lentamente levantei meu pé da embreagem. O carro arrancou para trás e eu gritei enquanto bati meu pé de volta para o freio, fazendo com que Charlie risse. "Está tudo bem. Você pode fazer isso".
"Eu sei." Murmurei, olhando atrás de mim novamente.
Mais uma vez, levantei meu pé da embreagem. O carro começou a rolar para trás para fora do espaço de estacionamento e eu virei o volante lentamente. Pressionei de volta no freio assim que estávamos fora do local e mudei o carro para dirigir. Charlie colocou a mão no meu ombro enquanto coloquei meu pé no freio e delicadamente pressionei sobre o acelerador. O carro deu uma guinada para a frente e agarrei o volante firmemente quando comecei a nos dirigir para casa.
"Você está indo muito bem." Charlie aplaudiu.
Eu sorri, mas não me atrevi a olhar para ele. Charlie me instruiu a dirigir em torno de algumas das estradas de volta antes de me dizer para sair para a estrada. Devo ter tido um olhar de medo puro no meu rosto porque ele me disse para tomar uma respiração profunda e expirar. Fiz o que ele disse e puxei o carro para fora para a rodovia. Rindo baixinho, comecei a dirigir de volta para Forks.
Poucos minutos depois, puxei o carro na garagem e desliguei o motor, mas, em vez de sair imediatamente, fiquei sentada lá. Charlie não tinha idéia do quanto significou para mim que ele me ensinou a dirigir. Sempre tinha sido uma daquelas coisas que todo mundo consegue fazer, mas eu não. Olhei para o meu pai enquanto as lágrimas brotaram em meus olhos. Abri minha boca para falar, mas não conseguia obter as palavras.
"Querida, fale comigo." Ele disse calmamente. "Você está me assustando".
"Obrigada, papai." Eu chorei suavemente. "Eu tive o melhor tempo hoje entre a pesca e... aprendendo a dirigir".
"Hoje foi um grande dia para mim também." Ele sorriu, estendendo a mão e limpando as minhas lágrimas. "Eu nunca pensei que conseguiria ensiná-la a dirigir".
"Nem eu." Eu sussurrei, inclinando-me na sua mão. "Eu te amo, papai".
"Eu também te amo." Ele murmurou.
Charlie e eu saímos do carro, pegamos tudo e entramos em casa. Emmett, Rose, Garrett e Kate estavam sentados na sala assistindo a um filme. Emmett sorriu quando viu Charlie com as varas de pescar. Ele acenou com a cabeça quando se virou de volta para o filme. Garrett e Kate estavam aninhados juntos, perdidos em seu próprio mundinho. Era doce e cativante.
Segui Charlie para a cozinha. Renée estava sentada à mesa, cortando cupons. Ela olhou para nós dois e sorriu. "Você se divertiu?" Ela perguntou.
"Muito." Eu disse, sentando em frente a ela. Renée assentiu e puxou um envelope do bolso, entregando-o para mim.
"Edward me pediu para entregar-lhe isto." Ela disse, sorrindo. Eu o peguei e abri.
B,
Esteja pronta às 19hs. Roupa quente. Eu te amo.
E
Olhei da carta para Renée, que sorria como uma boba. "Você sabe o que ele está planejando?" Eu perguntei.
"Talvez." Ela sorriu, levantando-se. "Tudo o que sei é que me foi dito que você precisa estar pronta e eu deveria ajudá-la".
"Dia de spa?" Eu perguntei, esperançosa.
"Dia de spa." Ela disse, balançando a cabeça.
Segui Renée para o andar de cima e tentei descobrir quais eram os planos de Edward para nós esta noite. Conhecendo-o, poderia ser qualquer coisa, mas uma coisa eu sabia, seria incrível.
Nota da Tradutora:
Achei tão lindo esse dia da Bella com Charlie, um momento para os dois se reconectarem e mostrarem o seu amor para o outro... e o que será que Edward está planejando?
Deixem as 10 reviews e até amanhã!
Bjs,
Ju
Alguém perguntou se já tenho uma substituta para essa fic, a resposta é SIM! A Lary está me ajudando com a tradução e temos vários caps. prontos... logo logo anuncio qual será...
Ah, postei uma cena extra em Mr. Horrible, pra quem acompanhou a fic...
