Esta história lida com as consequências do sequestro, estupro e extrema violência física. É sombria e bastante gráfica.


Capítulo 49

Bella POV

Segui Renée pelas escadas para o meu quarto. Ela me levou para o banheiro e começou a puxar os nossos shampoo e condicionador especiais. Como fizemos na manhã seguinte a que eu cortei minhas costas e braços, curvei-me para o lado da banheira e deixei minha mãe lavar meu cabelo. Assim como foi naquela época, seus dedos eram incríveis na minha pele. A única diferença foi que desta vez eu não estava nervosa sobre ela me tocar, ou ver as cicatrizes em meu corpo quando eu tive que tirar a minha camisa. Foi bom não sentir medo da minha mãe.

Uma vez que ela tinha lavado meu cabelo duas vezes e passado o condicionador, ela enrolou uma toalha em torno dele e eu me sentei. Ela me tinha sentada em uma cadeira em frente à penteadeira enquanto secava meu cabelo com a toalha. Ela sorriu para mim no espelho enquanto puxou o secador de cabelo e começou a secar meu longo cabelo castanho. Eu a observei pelo espelho enquanto ela me mimava. Ela tinha um enorme sorriso no rosto e um brilho nos olhos. Ela estava feliz e isso me fez feliz. Depois que ela secou meu cabelo, ela puxou os rolos quentes e começou a puxar meu cabelo para cima. Ela estava se certificando que eu estivesse no meu melhor para o que Edward havia planejado para mim esta noite.

"Mãe, posso perguntar uma coisa?"

"Qualquer coisa." Ela sorriu.

"Você sente falta de dar aulas?" Eu perguntei. Renée franziu os lábios enquanto segurava o último rolo no meu cabelo. Ela se sentou no vaso sanitário e olhou para mim.

"Eu sinto." Ela admitiu, puxando a minha mão na dela. Ela estendeu a mão e pegou um esmalte rosa pálido e começou a pintar minhas unhas. "Há algo de mágico sobre observar uma criança aprender. A forma como seus olhos brilham quando eles estiveram lutando para entender algo que estivemos ensinando. É meio que como assistir você ler".

"O que você quer dizer?" Eu perguntei. Renée sorriu quando se mudou para o meu outro lado.

"Quando você está absorta em um livro." Ela disse. "Você tem este pequeno sorriso em seu rosto. Eu juro, poderíamos ter uma banda sentada na sua frente e você nem sequer a notaria".

"Suponho que seja verdade." Eu sorri. "Você já pensou em voltar a ensinar?"

"Oh, não." Ela disse, balançando a cabeça. "Tem sido muito tempo e eu não seria capaz de fazer isso".

"Parece como medo para mim." Murmurei. Renée soltou minha mão e colocou o esmalte de volta no balcão. "Mãe".

"Estou apavorada em voltar a trabalhar como professora." Ela sussurrou, olhando para mim. "Quando você foi raptada..." Renée parou enquanto balançou a cabeça. "Eu via aquelas crianças, sentadas em suas mesas e tudo que eu conseguia pensar era que costumava ser você. Que deveria ser você. Um dia, eu estava sentada na minha mesa e as estava observando enquanto trabalhavam em uma atribuição de matemática e eu simplesmente não podia mais fazer isso. Então, depois da escola, digitei a minha carta de demissão e entreguei ao diretor. Ele tentou me convencer a ficar, mas..." Renée balançou a cabeça novamente. "Eu simplesmente não podia. Tínhamos apenas um par de semanas faltando no ano escolar, então eu, de alguma forma, consegui passar por isso e nunca olhei para trás".

"Isso é uma vergonha." Eu fiz uma careta. "Você era uma boa professora, mãe. Você fazia o aprendizado divertido".

"Eu tentava." Ela riu, afastando-se para cima e tomando uma respiração profunda. "Agora, vamos prepará-la para o seu grande encontro".

"Tem certeza que você não vai me dizer onde Edward está me levando?" Perguntei. Renée riu e balançou a cabeça quando começou a puxar a minha maquiagem. "Oh, bem, eu tinha que tentar".

Renée sorriu enquanto me ajudava a fazer a minha maquiagem. Ela sabia que eu ainda não estava confortável usando isso, então colocou apenas o suficiente para acrescentar um pouco de cor ao meu rosto. Ela puxou os rolos do meu cabelo e passou a escova por ele, deixando-o solto de modo que ricocheteou em minhas costas. Ela me deixou sozinha para que eu pudesse me vestir. É claro que foi a parte mais difícil. Eu não sabia para onde Edward estava me levando. Tudo que eu sabia era que eu deveria vestir roupa quente. No final, decidi usar um par de jeans, uma camiseta preta com um grande coração branco no meio. Adicionei as minhas botas pretas de couro e minha jaqueta de couro. Eu tinha acabado de amarrar minhas botas quando alguém bateu na porta do meu quarto.

"Entre." Eu gritei. A porta foi aberta e vi Emmett ali. Ele se encostou ao batente da porta com um sorriso enorme no rosto.

"Então você vai sair hoje, hein?" Ele perguntou.

"Sim." Eu sorri, levantando-me. "Eu estou bem?"

"Você parece certa." Ele disse sorrindo. Revirei os olhos. "Estou brincando. Você está linda".

"Obrigada, Em." Murmurei.

"Bella." Ele disse, olhando para o chão. Foi a primeira vez em provavelmente 12 anos que ele me chamou de Bella e não de B.

"Emmett?" Eu perguntei. Ele olhou para mim e notei lágrimas nos seus olhos. "O que há de errado?"

"Nada." Ele disse rapidamente. "Eu só... eu queria te dizer que... bem, estou feliz por você e Edward e... mesmo que esta seja a coisa mais difícil que já fiz, eu... bem, eu tenho que deixar você ir e deixá-lo cuidar de você agora".

"Emmett." Eu sussurrei, balançando a cabeça. Atravessei o quarto e deslizei meus braços em volta do meu irmão mais velho. "Eu sempre vou precisar de você, Emmett. Você foi a primeira pessoa que soube de tudo... a única pessoa em quem eu poderia realmente confiar para não mudar-me. Eu sempre precisarei do meu irmão mais velho".

"O que aconteceu comigo sendo apenas dois minutos mais velho que você?" Ele sussurrou, envolvendo os braços ao redor de mim.

"Ainda mais velho, certo?" Murmurei.

"Sim." Ele disse, pressionando os lábios no topo da minha cabeça. "Eu te amo, Bella".

"Eu também te amo, Emmett." Murmurei quando a campainha tocou.

"Bem, é melhor você descer." Emmett riu.

"Obrigada, Emmett." Eu sussurrei. "Por me trazer para casa".

"De nada." Ele disse, sorrindo.

Segui Emmett escadas abaixo e vi Edward parado ao lado da porta da frente. Ele tinha um olhar assustado no rosto que eu não entendi muito bem até que olhei para o meu pai. Charlie estava sentado no sofá, polindo sua espingarda com um grande sorriso no rosto. Eu deveria ter ficado brava, mas não fiquei. Foi a maneira de Charlie de deixar-me amadurecer e isso significava tudo para mim. Meus olhos encheram de lágrimas quando cruzei a sala e passei meus braços em volta do meu pai.

"Obrigada, papai." Eu sussurrei.

"É o meu trabalho assustar o namorado, certo?" Ele perguntou. "Mesmo se eu acho que ele é um homem bom que não tem feito outra coisa senão cuidar da minha menina".

"Isso mesmo, papai." Eu ri, beijando sua bochecha. "Você faz o seu trabalho bem".

"Eu tento." Ele sorriu, levantando-se. Ele passou o braço em volta do meu ombro enquanto olhou para Edward, colocando um olhar severo sobre seu rosto e disse, "Edward, trate a minha menina com respeito, ou melhor".

"Eu vou, senhor." Edward disse, lutando contra o sorriso ameaçando se espalhar pelo seu rosto. "Você tem a minha palavra".

"Bom." Sorriu Charlie. Ele colocou sua arma sobre a mesa de café e cavou uma moeda do seu bolso e a entregou a mim. "No caso de você precisar de mim".

"Pai." Eu bufei. "Obrigada".

"De nada." Ele sorriu.

Eu ri sozinha enquanto caminhava junto de Edward e empurrei a moeda em meu bolso. Edward passou o braço em volta da minha cintura quando saímos da casa, descendo a varanda e até seu carro. Ele abriu a porta para mim e eu deslizei para dentro e virei-me para colocar meu cinto de segurança e vi Charlie e Renée parados na varanda da frente da nossa casa, enquanto Carlisle e Esme estavam na varanda da frente da casa de Edward. Edward entrou no carro e eu olhei para ele.

"Eu sei que deveria estar envergonhada," eu disse, "mas eu não consigo estar".

"Eu sei que deveria ter medo do seu pai," Edward disse, sorrindo, "mas eu não tenho. Ele me pagou vinte dólares para parecer assustado quando você descesse as escadas".

"Você parecia." Eu admiti. Edward riu quando puxou seu cinto de segurança e ligou o carro. "Você vai me dizer para onde estamos indo?"

"Não." Ele sorriu. "É uma surpresa".

Fiz uma careta, mas não disse qualquer coisa enquanto Edward nos levou para fora de Forks. Se eu forçasse, eu sabia que Edward me diria, mas isto era claramente importante para ele. Ele tinha feito um grande esforço para tornar esta uma noite inesquecível para nós dois e eu não tiraria isso dele. Enquanto Edward dirigia para fora da cidade, eu apenas olhava para ele. Ele estava vestindo uma calça jeans escura, uma camisa branca que ele havia deixado para fora da calça e um paletó esporte preto. Ele nunca tinha estado mais bonito, mas não tinha nada a ver com as roupas que ele usava e tudo a ver com o sorriso no seu rosto. Ele estava genuinamente feliz.

"Por que você está me encarando?" Ele perguntou.

"Porque eu posso." Eu sorri. Coloquei minha mão em seu ombro. "Às vezes eu ainda tenho que dizer a mim mesma que você está realmente aqui".

"Eu estou aqui, amor." Ele sorriu, olhando para mim. "Eu sempre estarei aqui".

"Eu sei." Murmurei.

Edward virou à esquerda para uma estrada escura. Enlacei meu braço ao dele e vi para onde ele estava me levando. Poucos minutos depois, ele puxou seu carro através de um conjunto de portões enferrujados. Ele passou algumas árvores e eu ofeguei. Edward tinha nos levado a um antigo cinema ao ar livre. Ele estacionou seu carro na primeira fila e saiu do carro. Ele deu a volta e me ajudou.

"E, o que estamos fazendo aqui?" Eu perguntei.

"Viemos assistir a um filme." Ele sorriu, abrindo o porta-malas do seu carro. Ele puxou duas cadeiras de camping e dois cobertores. Ele fechou o porta-malas e colocou as cadeiras na frente do carro. "Sente-se."

"Que filme vamos assistir?" Eu perguntei.

"É uma surpresa." Ele riu.

Suspirei quando me sentei em uma das cadeiras. Edward me passou o mais grosso dos dois cobertores antes de puxar sua cadeira exatamente ao lado da minha. Ele estendeu seu cobertor sobre seu colo e colocou seu braço na parte traseira da minha cadeira, puxando-me um pouco mais perto dele. Um momento depois, a tela piscou enquanto o filme começava.

Quando os créditos de abertura começaram a rolar, eu ofeguei de novo e olhei para Edward. Ele estava me observando com um sorriso enorme no rosto. Eu podia sentir as lágrimas aumentando em meus olhos quando olhei e comecei a assistir a versão cinematográfica de 1939 do Morro dos Ventos Uivantes. Edward se inclinou e pressionou seus lábios no lado da minha cabeça.

"Eu te amo, B." Ele sussurrou.

"Eu também te amo." Murmurei, enxugando minhas lágrimas.

Eu me aninhei no lado de Edward enquanto nós assistimos ao filme. Não sei como ele fez isso, mas naquele momento, eu sabia que eu tinha sorte de tê-lo amando-me tanto que ele rastrearia atrás do meu filme favorito para mim. Ele era o homem mais doce e mais gentil do mundo e ele era meu. Edward manteve seu braço em volta de mim enquanto assistimos ao filme. Estava muito frio lá fora e nós nos aconchegamos em nossos cobertores, observando a nossa respiração soprar das nossas bocas como fumaça. Fez-me sorrir ao pensar em como, quando éramos pequenos, nós seis fingíamos que estávamos fumando quando ficava frio assim. Nossos pais nos chamavam de bobos, mas eles riam com a gente. Engraçado, as coisas que você se lembra da sua infância.

"Você gostou?" Edward perguntou quando os créditos finais começaram a rolar. Coloquei minha cabeça em seu ombro.

"Não." Eu murmurei. "Eu amei. Eu não posso acreditar que você fez isso".

"Você sempre amou tanto esse filme." Ele pressionou seus lábios nos meus. "Eu quero dar o mundo a você, B".

"Você já tem dado." Eu sorri. "Contanto que eu tenha você, Edward, eu tenho o meu mundo".

"Você sempre terá a mim." Ele sussurrou. Ele se inclinou e me beijou novamente. "Agora, nós temos que ir, no entanto. Temos mais uma parada".

"Eu perguntaria onde, mas eu sei que você não vai me dizer." Eu sorri. "Então, vamos".

Edward riu quando nos levantamos. Pegamos as cadeiras e cobertores e colocamos de volta no carro. Edward se virou e acenou para um homem velho que estava no fundo no posto de concessão. Eu não consegui visualizar muito das suas feições, mas eu tive a sensação de que ele estava sorrindo. Voltei para o carro e silenciosamente agradeci Edward por ligar o aquecedor. Ele nos levou de volta para a cidade e até a escola. Ele estacionou na frente da escola elementar.

Levantei uma sobrancelha para ele quando ele me levou de volta para o antigo parque infantil. Eles o fecharam um ano ou mais antes de eu ser raptada porque eles tinham construído um parque infantil novo, mas eu sempre gostei do antigo. Edward me puxou para os balanços e fez sinal para eu sentar. Sorri quando sentei no balanço e o deixei começar a empurrar-me.

"Quantas vezes eu empurrei você neste balanço quando éramos crianças?" Ele perguntou.

"Pelo menos cem." Eu ri. "Você nunca reclamou sobre isso, no entanto".

"Eu gostava." Edward disse, empurrando-me ainda mais. "Você ria, ou gritava, quando eu empurrava muito alto".

"Eu me lembro." Murmurei.

"Eu costumava vir aqui." Edward disse. "Depois que você foi levada, eu vinha aqui. Eu me sentava neste balanço e imaginava que você estivesse comigo".

"Oh, E." Eu sussurrei.

"Eu quis trazer você de volta aqui tantas vezes depois que você voltou para casa, mas eu sabia que você não estava pronta." Ele disse, puxando-me para parar. Ele moveu-se para a minha frente e segurou minhas mãos e se ajoelhou na minha frente. "Eu queria ajudá-la a ver que você nunca se foi realmente porque nós, você e eu, estávamos aqui. Neste parque infantil, naquela rede, nos corações um do outro".

"Edward." Eu chorei. Edward soltou uma das minhas mãos e a trouxe para cima e enxugou minhas lágrimas.

"Eu te amo, Isabella Swan." Ele sussurrou, puxando uma pequena caixa de veludo do bolso. Minha boca se abriu enquanto eu engasguei. Ele puxou a caixa aberta. Dentro, havia um pequeno anel de diamante situado no revestimento de veludo preto. "Você quer se casar comigo?"

"Edward." Eu sussurrei. "Eu não tenho certeza que estou pronta para isso".

"Eu não estou dizendo que temos que casar em um mês, ou até mesmo em um ano." Ele disse. "Eu só quero que você se case comigo um dia".

"Claro, eu me casarei." Sorri, levantando minha mão até sua bochecha. "Quando estivermos prontos".

"Vou esperar o tempo que for preciso." Ele disse, sorrindo. "Você vai usar o anel?"

"Sim." Eu disse, balançando minha mão. Edward sorriu quando deslizou o anel em minha mão esquerda. Ele se inclinou para cima e pressionou seus lábios nos meus. "Eu amo você, Edward".

"Eu também te amo, Bella." Ele murmurou. "Eu sempre amei e sempre amarei".

"Para sempre".


Nota da Tradutora:

Então, o que acharam dessa surpresa do Edward? E o pedido de casamento?

O próximo é o epílogo...

Até amanhã!

Bjs,

Ju