Esta é uma história fictícia com os atores Cory Monteith e Lea Michele, ambos da série Glee da Fox. Não tenho o intuito de denegrir, nem rotular ninguém! Quaisquer nomes, marcas ou afins tem por finalidade apenas de "dar mais vida" a esta história. Alguns fatos usados podem até ser verídicos, mas a grande maioria são especulativos. Seu comentário será sempre bem-vindo.

Prólogo

Já fazia dois meses que o último capítulo da 3ª temporada de Glee havia ido ao ar nos EUA, e alguns dias a mais, desde as gravações deste, que Cory não via seus amigos e ex-companheiros de elenco. Apesar de muita insistência e apelos dos fãs, ele, Lea e Chris deixaram a série assim que seus personagens se graduaram no final dessa última temporada, como havia sido anunciado pelo autor, Ryan Murphy. Os três não fariam mais parte do elenco regular, mas poderiam voltar fazendo participações de seus personagens. Chris estava com muitos trabalhos em vista, inclusive desenvolver seu próprio seriado, então nem fez muita questão, agradeceu e seguiu adiante. Já Lea, estava estudando algumas propostas, principalmente de longas, cinema e outros trabalhos, também agradeceu e como boa política, não disse que não, mas talvez mais pra frente, agora pro próximo trimestre estava bem atarefada. Cory recebeu o convite da mesma forma que recebera o anuncio de que sairia no final da temporada: não diretamente, de maneira seca sem muitos rodeios."Bem, você também Cory, pode ser que traremos Finn de novo em alguma parte do caminho como uma participação especial", disse o autor. Cory agradeceu muitíssimo aquela oportunidade de ingressar na série e, com muito orgulho pensou consigo, "mesmo depois de três anos trabalhando juntos, ainda não acreditam em mim, não confiam no meu trabalho, no que posso fazer, nem um final adequado pro meu personagem deram, é como se ele existia somente por causa dos personagens de Lea e de Chris. Eu vou batalhar, vou correr atrás, e vou mostrar pra eles do que sou capaz. Só estão sendo educados, não estão nem um pouco pensando em me trazer de volta. Azar o deles!".

Cory estava envolvido em várias campanhas de caridade, tinha a banda que ora parecia que ia bem, ora meio que empacava, com apresentações esporádicas. Tinha alguns contatos pra papéis aqui e ali no cinema, nada concreto. A própria Fox, certa vez havia lhe prometido uma série, onde ele seria o principal, mas acabou ficando só em promessas. Ele suponha que os diretores não acreditavam em seu potencial, apesar do carisma e dos muitos fãs que possuía, eles certamente tinham medo de apostar nele para manter um seriado, então nunca chegaram a negociar nem um piloto. Então Cory, desde o fim dele em Glee, vinha remando, tentando ali, aqui, de tudo, mas sempre o que conseguia era fazer testes pra papéis medianos, sem muito impacto. Quando mencionava Glee, até que os produtores conheciam, mas meio que não lembravam muito do seu personagem lá. Ou até lembravam, e logo se pensavam, " esse cara... sei não, é só mais um com carinha bonitinha e tal, dá alguma coisa pra ele fazer que não precise falar muito, só pra tê-lo no filme, esse povo de seriado tem muitos fãs, e precisamos de público pro nosso filme!". A cada dia estava ficando mais cansativo e desgastante esse caminho, mas os amigos que moravam com ele, incentivavam a não desanimar, pois uma hora ou outra ele ia acabar conseguindo um papel bacana que ia torná-lo mais que conhecido por uma série de tv, a qual ele se obrigava a mencionar em seus testes pra poder conseguir algum diferencial, mas sim, pelo talentoso ator que era.

Cory sentia-se as vezes preocupado, ansioso, ou até meio desanimado, mas, mais que seu lado profissional, ele estava cada dia se sentindo mais sozinho, perdido, um estranho ali naquele mundo. Era como se faltasse algo, alguém. Os amigos que viviam com ele, diziam que era porque ele estava muito acostumado a ficar dia e noite com o elenco de Glee. Era muita gente, pra cima e pra baixo, seja no dia a dia das gravações ou nas tours que fizeram pelo mundo e tal. Segundo eles, logo ele iria se acostumar. Era verdade que ele sentia falta daquela bagunça da turma, daqueles seus amigos, irmãos, pois não falava com eles desde sua saída, mas não era bem isso que estava lhe deixando triste, com um vazio tão grande dentro de si. Alguém havia lhe roubado sua luz, sua alegria de viver, ele precisava recuperá-la urgente, e ele até sabia onde havia ido parar, o problema era coragem pra ir buscar.

.:

Desde que saiu de Glee, Lea estava cheia de trabalhos e propostas das mais variadas. Novas séries, shows, gravação para um cd dela, filmes, comerciais. Ela não tinha do que se queixar. Além de muito trabalho, agora ela podia morar em sua cidade, Nova Iorque, em seu apartamento, com seu namorado, perto da sua família e amigos de infância, da Broadway. Seus fãs à acompanharam pra sua nova trajetória, sempre lhe apoiando e incentivando. Tudo estava perfeito! Ou melhor, tudo deveria estar perfeito. "Mas por que não estava?" Lea dizia a si mesma. Ela não estava feliz, por mais que fizesse, por mais que conquistasse. Sentia-se na maior parte do dia sozinha, perdida, mesmo estando cercada de conhecidos ou de simplesmente profissionais. Não tinha mais aquele olhar iluminado, aquele sorriso alegre que contagiava o ambiente. Estava estranha. Sua mãe lhe dizia que era devido à mudança, os hábitos, o lugar, as pessoas que deixou pra trás... "ah, como sinto falta deles, do pessoal do elenco, dos meus amigos,..." Lea falava pra sua mãe. Pra ela, não tinha segredos, sempre soube tudo da vida de sua filha.

Lea não perdera o contato completamente com o pessoal, mas agora era mais difícil conversar com eles, a maioria permaneceu na série e seus horários não batiam. Chris mesmo ocupado volta e meia, eles ainda conversavam, coisa rápida, pois ele estava conseguindo firmar sua própria série, agora já fazendo certo sucesso. Já Cory... "ah, Cory,...", ela deu um suspiro imaginando a última vez que falou com ele: era o dia que o último episódio foi ao ar, onde todos assistiram juntos num restaurante, fizeram uma grande confraternização, uma despedida. Ele estava muito triste, não ficou muito, ela mal pode se despedir dele, pois no outro dia já estava voando pra Nova Iorque. E por telefone, ficava sem jeito de ligar pra ele, pra ver como estava, o que estava fazendo, já que seu nome não estava aparecendo muito na mídia ultimamente. "...nunca mais falei com ele mamãe".

"Vocês se davam muito bem, não é mesmo minha filha? Eu sempre percebi que vocês dois tinham uma sintonia. Se não fosse pelo Théo, pensei até que pudessem ter tido algo mais".

"Da onde mãe! Sabe que eu amo o Théo. Cory e eu sempre nos demos muito bem, ele era mais que meu amigo, por isso sinto falta dele".

"Então você sente falta dele? Engraçado que nunca comentou sentir falta dos outros!" sua mãe olhava-a com um ar de curiosidade.

"Não me olhe assim e nem imagine nada. Não me deixe tonta!".

Lea desviou o olhar enquanto sua mãe lhe abraçava.

"Querida Lea, não importa quem ou o que, até você não resolver esse probleminha, essa angustia que está sentindo dentro de si, nunca vai estar feliz, nunca vai se sentir realizada, mesmo que conquiste o mundo!"

"Está sonhando mamãe! Estou bem". Lea tentava disfarçar mas aquela senhora a conhecia demais.

"Se você quer me enganar, ok, mas não engane a si mesma! Feche os olhos por um minuto e tente não pensar em nada. Respire fundo e me diga que está tudo bem".

Lea assim o fez, mas não conseguiu ficar com sua mente vazia, uma imagem vinha sempre lhe perturbar, por mais que ela tentasse afastá-la: Cory! Ela abriu os olhos, mas não disse nada, apenas olhou pra sua mãe com os olhos cheios de lágrimas.

"O que você esta sentindo? Um Vazio? Falta de alguma coisa, alguém?"

Lea fez um sinal positivo com a cabeça.

"Liga pra ele, pegue seu celular e ligue! Existem pessoas que não conseguimos tirar da nossa vida da noite pro dia, talvez nem devemos! Amigos verdadeiros a gente deve levar sempre com a gente minha filha".

Lea se recompôs e pegou seu celular pra ligar pra Cory. Seria bom ouvir sua voz de novo, saber o que anda fazendo, rir de alguma piada boba sua. Ela precisava um pouco daquele clima de alegria que ele trazia consigo, daquele menino brincalhão, mas também alguma palavra doce daquele homem seguro e meigo. Quando estava procurando seu nome pra fazer a ligação, seu celular tocou. Ela olhou no display e num misto de surpresa e alegria falou à sua mãe, que estava ali ainda com ela: "é ele!".

"Então atenda!"

"Hei, não vai acreditar, ia te ligar agora! Santa coincidência!"

Do outro lado da linha, uma voz conhecida cheia de ternura, a qual Lea podia jurar que vinha junto de um largo sorriso com covinhas e tudo mais, lhe respondeu:

"Oi baixinha, como você está? Estava aqui vendo algumas coisas, muita papelada, e veio em minha cabeça sua imagem, não consegui me concentrar mais, parecia que se não te ligasse, não ia ter paz. Você faz muita falta... estou com saudades!"

Lea não conseguia acreditar, ficou boba, meio atordoada. A verdade que aquelas palavras mexeram com ela, tocaram lá no fundo da sua alma.

"Eu também... por isso estava pra te ligar, estava pensando em você, vai ver que é por essa razão que começou a pensar em mim... eu sou meio bruxa, se não ligasse pra mim não iria descansar..." ela começou a rir. Sua mãe saiu do quarto pra deixá-la mais a vontade.

Eles começaram a conversar, contando tudo o que havia acontecido em suas vidas desde então, colocando o papo em dia. Sempre gostaram de conversar, seja sobre assuntos banais ou assuntos importantes, no set, nas viagens de trabalho, quando havia uma oportunidade ou quando não havia, eles criavam, eram ótimos amigos, cúmplices.

Lea contou sobre o quão maravilhosa estava sua vida profissional, sobre tudo o que já fizera, e seus planos. Cory disse que tudo o que ela fez ele sabia, pois acompanhava tudo sobre ela. "Sempre soube que você ia longe, você brilha como sua ex-personagem, a Rachel, como uma estrela!" Ele por sua vez também falou entusiasmado sobre seus planos e tudo mais. Se despediram depois de umas três horas na linha. Lea desligou e continuou olhando pro celular. Retornou a ligação.

"Cory, não sei mentir pra você! Estou com muitos trabalhos, alguns ótimos por sinal, mas a verdade é que nunca me senti tão triste, tão perdida e sozinha. Eu estou finalmente morando na minha cidade, como sempre quis, com minha família, no meu apartamento, com o meu namorado. Tinha que estar dando pulos! Está tudo dando certo! Mas não estou, não me sinto feliz, estou cada dia mais deprimida. Não é só por ter me afastado do pessoal do elenco e tal, não sei te dizer, mas não estou bem!"

"Eu também não consigo mentir pra você, Lea. Liguei porque precisava de você! Você sempre iluminava e alegrava meus dias, com sua alegria contagiante, sua presença minha amiga! Perdido pra mim é pouco, estou cheio de papéis pra testes, nenhum relevante, mas tenho que fazer se quiser continuar nisso até conseguir algo melhor, se é que vou conseguir... ando meio sem forças, desanimado! A banda também não vai pra frente, não conseguimos sair do chão! Parece que quanto mais eu ando, mais eu fico no mesmo lugar! Te liguei porque precisava de alguém pra conversar esse tipo de coisa. Só confio em você...não imagina nas coisas que ando pensando ultimamente... tem que ter muita força...estou sendo rotulado pelos personagens que exerci até agora, todo mundo acha que não consigo fazer mais nada superior, que não sou um bom ator pra tanto...tá difícil Lea!"

Ela escutou um choramingo do outro lado e sentiu o coração apertar como se pudesse sentir aquela dor.

"Eu estou aqui e vou sempre estar! Sou sua amiga. Nunca esqueça disso. Pode contar comigo sempre. Me prometa que não vamos perder contato. Vamos continuar nos ajudando e nos divertindo como sempre fizemos, Cory! Eu nunca mais quero saber de você ficar longe da minha vida! Ouviu,meu urso de pelúcia gigante?" Ela riu lembrando do apelido que certa vez deu à ele.

Cory sorriu e respondeu:

"Sempre baixinha! Os melhores amigos pra sempre..."

Ele desligou o celular. Estava deitado na cama e, adormeceu lembrando de Lea e seu sorriso encantador. Como ele gostava daquela menina tão pequenina de tamanho e tão grande por dentro. Era como se aquela a dor que sentia até a pouco havia sido curada. Era como se o mundo voltasse a ficar iluminado só porque ele agora iria voltar a falar com ela, como até então sempre fora. Estava novamente cheio de entusiasmo pra seguir em frente, viesse o desafio que fosse com o nascer do novo dia, pois agora ele tinha certeza que a parte que estava lhe faltando acabara de recuperar. Lea era a pessoa mais importante que tinha, e não iria deixá-la novamente.

Lea também adormeceu, lembrando das longas conversas com Cory, segurando seu braço, dos momentos de descontração, quando ela ficava boba olhando a curva do seu sorriso emoldurado com duas covinhas uma em cada lado da bochecha, era encantador...ah, como ela gostava daquele menino gigante...como era bom saber que ia tê-lo de novo consigo. Sempre teve apoio da sua família, sempre pode contar com seu namorado, tinha amigos de longa data também, mas Cory era diferente, com ele ela não precisava se explicar pra que entendesse o problema. Através do seu olhar ele sabia se ela estava feliz ou chateada e com um simples sorriso, ele tinha o dom de curar suas feridas e sacudir seu mundo. Como sua mãe mesmo disse: "... existem pessoas que não devemos tirar das nossas vidas...", e, ela agora tinha a certeza que nunca ia tirá-lo da sua.