Capítulo Treze: Seis a menos, Vinte por vir
Mal-dormido e fatigante seriam as melhores palavras para descrever o sono de Bella na noite anterior. Ela não conseguia desligar a mente. Eventualmente ela decidiu ficar acordada de uma vez, e depois de algumas horas, ela enxergou o sol infiltrando-se pelas cortinas da janela do quarto antes de voltar a olhar para Edward, como ela estivera fazendo esse tempo todo. Ela o observou enquanto ele dormia profundamente ao lado dela, seu peito subindo e descendo estavelmente com cada respiração que ele dava.
Quando dormia, ele ficava bastante parecido com a criança que um dia ele foi, com suas mechas cor de bronze bagunçadas espalhadas desorganizadamente sobre seu travesseiro, seus lábios virados para cima em um biquinho que ocasionalmente se erguiam para se transformar em um sorriso e que depois voltariam ao biquinho.
Bella não tinha outra opção a não ser admirá-lo. Edward era realmente bonito em todos os sentidos da palavra - com sua silhueta alta, em forma, e bem estruturada, seu cabelo perfeitamente desarrumado, e um rosto que as mulheres adoravam e os homens invejavam. Ele era de uma beleza a qual Bella geralmente se referia como uma beleza "fora desse mundo". Edward possuía o tipo de beleza que você sabia que você não era nem sequer digno de estar olhando para a pessoa; era quase a aparência de um deus. O tipo de beleza que você lia em livros, mas jamais pensava que existisse na vida real. Havia quase uma aura de grandiosidade que Edward incorporava, e sempre houve, mesmo quando eles eram crianças.
Foi no primeiro dia da segunda metade do ensino fundamental - o sexto ano - que Bella realmente reparou nisso pela primeira vez. No momento em que os dois foram deixados na escola pela mãe dele, havia algo no andar de Edward que estava diferente de como Bella lembrava, ou que talvez ela jamais tenha reparado mesmo. Ela percebeu esse fato durante a caminhada pelo estacionamento, ao ver os olhares das meninas - algumas delas mais velhas; até mesmo os garotos encaravam os passos confiantes de Edward. Havia um magnetismo que radiava do jovem rapaz e que ainda existia até hoje.
Seria de se pensar que ter tamanho poder sobre as pessoas teria feito de Edward um arrogante, um completo imbecil, mas não. Ele continuou tão humilde, gentil, e sincero quanto era no tempo em que disse que "meninas bonitas não deviam chorar" para Bella.
Mesmo antes de realmente conhecer Bella, Edward estava lá para apoiá-la.
Ele sempre esteve presente para ela. Era até difícil para Bella pensar em uma ocasião sequer que Edward não estivesse lá ao seu lado. Ela se esforçou na semana anterior para tentar encontrar alguma vez, algum evento, algum momento devastadoramente embaraçoso em que Edward não estivesse presente para rir sobre o ocorrido, para confortá-la, para acalmá-la. Ela ficara sentada perto de sua janela por horas, e não conseguiu encontrar nem uma lembrança que não estivesse relacionada a Edward de alguma forma, mesmo que fosse apenas uma breve menção do nome dele a um dos colegas de faculdade dela. E após quase duas horas sentada em silêncio, ela finalmente conseguiu se lembrar de uma única ocasião em que ele não estivera presente - mas ainda assim, o tal acontecimento terminou em Edward vindo a seu encontro depois de descobrir o que se passava.
Aconteceu no dia anterior ao aniversário de treze anos de Edward. Ele não tinha ido para a aula porque aquela sexta-feira era o único dia que seu pai teria possibilidade de celebrar o aniversário com ele. Carlisle tinha sido chamado para fazer plantão no hospital no sábado e domingo, e se ele não pudesse estar presente para comemorar os aniversários dos filhos, ele sempre encontrava algum tipo de compromisso para compensar.
Não tinha sido a primeira vez que Edward faltara à escola, mas Bella nunca antes teve que lidar com esse tipo de humilhação sem ele: durante o almoço naquele dia, em frente a todas as turmas do sétimo e oitavo ano, Bella tropeçou e caiu de cara no chão no meio do refeitório, a pizza que ela tinha comprado criando em sua camiseta um alvo para a ridicularização pelo resto do dia.
Então, na manhã seguinte quando seu pai entrou em seu quarto e a chamou para acordar e se aprontar para a festa de Edward, ela fingiu que estava doente. Ela pediu para Charlie, implorou mesmo, para que ele ligasse para Esme e falasse que ela não estava se sentindo bem e que não poderia ir. E mesmo Charlie não acreditando em uma só palavra das desculpas dela, ele ligou para a casa dos Cullen, sem nem se dar ao trabalho de perguntar o motivo de Bella não querer ir. Essa era uma das coisas que ela amava sobre seu pai, o fato de que ele não ficava pegando no pé dela.
Caso ele tivesse perguntado, ele iria saber que ela não queria aparecer na frente de todos os colegas de classe que estariam lá na festa, mesmo apesar da promessa de infância que tinha feito com Edward.
Duas horas mais tarde, Bella ouviu os familiares sons de uma carta de baralho - um ás de espadas, para ser exato - se debatendo, por conta do vento, contra o aro de uma roda suja de bicicleta. Ela jamais se esqueceria do som de Edward gritando seu nome enquanto tentava controlar o fôlego, tudo ao mesmo tempo em que descia de sua bicicleta e corria até os degraus da sacada dela. Da sua janela, de onde ela o observava, Bella pôde ver o suor escorrendo do rosto dele, a poeira em seus braços, e uma caixa de bolo amassada em suas mãos enquanto ele tocava a campainha incessantemente.
Segundos depois, ela ouviu o cumprimento afobado que ele direcionou a Charlie - que tentou lhe dar um sermão por causa da maneira irritante com que Edward havia tocado a campainha, mas foi apenas ignorado e recebeu um pedido de desculpa jogado no ar, enquanto Edward escalava escada acima o mais rápido que podia. Alguns instantes depois, ele veio entrando como um tufão pela porta do quarto dela, e se jogou na cama, tudo enquanto Bella o assistia de seu posto perto da janela. Agora de perto, ela conseguiu ver o que a longa jornada de bicicleta e o clima de Junho haviam feito com ele. Ele estava ligeiramente queimado de sol e suando como se tivesse acabado de correr uma maratona.
"Edward, o que você está fazendo aqui?" ela perguntou exasperada, enquanto ele esfregava a testa na sua colcha. Ela fez uma carranca de nojo, mas optou por não dizer nada a respeito. Afinal, ele tinha acabado de pedalar mais de 3 quilômetros em sua bicicleta para chegar até a casa dela.
"Vo... você... nã... não," ele começou a falar, sem fôlego antes de tomar uma grande porção de ar. "Eu fiquei sabendo o que aconteceu. Foi por isso que você não foi?" ele perguntou, ainda tentando regularizar a respiração.
"Não foi por isso, eu estou doente."
"Não está porra nenhuma!" ele berrou, e Charlie gritou lá de baixo para avisar a Edward que tomasse cuidado com os palavrões.
"Desculpe, Chefe Swan," ele gritou de volta antes de falar mais calmamente desta vez, mas seu tom de voz continuava irritado e acusador. "Você não está doente P.N.! Eu sei que não está. Se você estivesse, você mesma teria me ligado, mas ao invés disso, você pediu para o seu pai ligar pra minha mãe. Isso foi uma manobra idiota, Bells."
"Me desculpe," ela pediu, virando-se para longe dele. Ela estava envergonhada de seus atos.
"Bella, eu não posso acreditar que você ia perder o meu aniversário. Nós prometemos que sempre estaríamos presentes nos aniversários um do outro, não importa quantos anos estivéssemos fazendo - treze, vinte, cento e um."
Bella riu de leve enquanto ele recitava a promessa que tinham feito quando tinham sete anos de idade, mas o riso ainda foi duro. Ela se sentia horrível por ter quebrado o 'juramento de mindinho' deles.
"Peço desculpas, mas você deveria voltar. Não acredito que você simplesmente saiu da sua própria festa assim. Devem ter umas cinquenta pessoas lá na sua casa agora mesmo."
"Não. Eu falei para eles irem embora, e depois vim pra cá."
"O quê? Você interrompeu a sua festa de aniversário por minha causa? Edward, você não devia ter feito isso! As pessoas não vão gostar nada disso!" Ela falou, e Edward riu.
"Você acha que eu me importo?" Seu tom de voz evocando exatamente o quão pouco ele realmente ligava para o que os outros pensavam, e por um breve momento, ela sorriu com a postura corajosa de seu melhor amigo.
"E a Lauren?" Bella perguntou, já sentindo toda a ira que Lauren soltaria sobre ela segunda-feira na escola.
"O que tem ela?" perguntou ele, sentando-se na cama, dando um tapinha no lugar ao lado dele. Bella retirou a colcha coberta de suor e sentou ali.
"Ela é sua namorada. Ela já me odeia, e agora você deu ainda mais razão pra isso."
"Quem se importa? Quando eu a pedi em namoro, eu falei pra ela que você era minha melhor amiga, e que você e a minha família vinham em primeiro lugar."
"Cara, não é à toa que ela me odeia," Bella balançou a cabeça surpresa, mas não conseguiu evitar o pequeno sorriso que começou a escapar. Aquelas poucas palavras tinham iluminado o dia dela.
"Tanto faz, ela é maluca. Eu devia ter dispensado ela depois do primeiro encontro. Quer dizer, que tipo de garota não come pizza? Tipo, fala sério! Você mesma manda pra dentro tipo três pedaços. Ela nem tocou no negócio!"
"Edward! Ela não é maluca. Ela é só realmente muito feminina, e eu não. Ela se importa com a aparência. Você devia saber disso, ela é a sua namorada, afinal."
"É, eu ainda me perguntou por que a pedi em namoro. Eu odeio garotas frescas demais. É por isso que você é minha melhor amiga. Você é praticamente um cara," ele riu, e Bella socou seu braço.
"Retiro o que disse. Você bate como uma garota, então pelo menos alguma parte sua é de menina."
"Hey, eu sou menina por inteiro!" ela protestou, cruzando os braços sobre seu peito. Os olhos de Edward viajaram até o decote da regata que ela usava, reparando pela primeira vez que Bella tinha seios, mesmo que fossem pequenos e ainda estivessem crescendo, mas caramba, sua melhor amiga tinha peitos, e a pequena escapulida de seus olhos não passou batido.
"EI! Pare de olhar para o meu peito," ela sussurrou rispidamente, não querendo alarmar Charlie, mas ainda querendo dar seu aviso.
"Desculpe, estava apenas tentando checar se você era mesmo uma garota. Confirmado!" ele riu enquanto marcava um 'x' no ar e puxava a caixa amassada de bolo para colocar entre eles.
"Babaca!" ela berrou em meio às risadas, e abriu a caixa. Dentro estava um bolo de aniversário que tinha sentido toda a viagem de bicicleta. Metade do bolo estava colado na parte da tampa e as letras que deviam dizer 'FELIZ ANIVERSÁRIO EDWARD', agora pareciam mais 'FEZ ÁRIO ED'.
Os dois riram e começaram e comer o bolo, usando as colheres de plástico que Edward tinha trazido em seu bolso.
"Fez ário, Ed!" Bella falou alegremente, rindo de leve.
"Obrigado, Bells," ele agradeceu com sinceridade, sorrindo com a boca cheia de bolo e fazendo Bella rir até cuspir um pouco de cobertura para fora de sua boca.
"Disponha, Edward."
"Idem, Bella!"
Mesmo naquela época, ele tinha achado uma forma de fazer de seu aniversário algo que girasse em torno dela. Bella pensou sobre isso em grande parte do domingo, e chegou à conclusão de que durante toda sua vida, pelos vinte e cinco anos que ela tem estado na Terra, ela sempre possuiu um pequeno grupo de amigos bastante próximos, uma fatia de bons conhecidos, e então havia Edward em sua própria categoria.
E pensando nisso, Edward era tão mais do que apenas seu companheiro de apartamento, tão mais do que seu amante dos fins de semana e melhor amigo.
Ele era sua alma gêmea.
Ninguém sabia tanto sobre ela quanto ele sabia. Ninguém mais sabia o que a fazia rir e o que a fazia chorar. Ninguém mais sabia exatamente como aguçá-la de certa forma e quebrar sua compostura. Ninguém mais sabia o quanto ela adorava Nutella, mas odiava manteiga de amendoim. Ninguém sabia como fazê-la se sentir viva tanto quanto ele fazia.
Ele a conhecia como conhecia a palma de sua mão.
Ele era sua alma gêmea, e no domingo quando tal revelação a atingiu durante o café da manhã na cafeteria, ela ficou apavorada. Por isso, quando Edward quase a beijou na noite passada, ela arfou. Era coisa demais para aguentar.
Não de todo porque era contra as regras, mas porque ela quisera o beijo, muito, muito mesmo. Aquele beijo que ele deixou no canto esquerdo de sua boca ainda estava formigando mesmo depois de terem dormido.
Ela quis o beijo, e isso a assustou, pois seria um ato tão íntimo. Quando tinham dezesseis anos, eles resolveram que não se beijariam durante todo o processo da perda de suas virgindades. Edward fizera questão de frisar que isso seria pessoal demais, e ela concordara plenamente. Beijar era uma coisa de casal. No entanto, se Bella tivesse sido mais esperta na época, ela teria dito que sexo também era uma coisa de casal.
E quando eles finalmente começaram a "brincar de papai e mamãe", como Edward escrevera escondido no calendário dela - BRINCAR DE PAPAI E MAMÃE COM O E! -, nem uma vez sequer desde o início ela tivera qualquer vontade de beijá-lo, mas ontem à noite foi como se alguma coisa estivesse a impulsionando para que ela o beijasse. Ela quis aquele beijo como um drogado precisava da sua próxima dose.
E isso a assustou imensamente, e por isso ela arfou, cheia de arrependimento, porque no momento em que os lábios dele tocaram o canto de sua boca, ela quis chorar, pois ter estado tão perto de conseguir aquilo o que ela realmente desejava e depois ser negada daquela forma era cruel.
Tinha doído mais do que ela sequer pensava que doeria.
Mesmo ao sair do quarto dele e ir para o chuveiro, ela ainda conseguia sentir o beijo, e ainda sentia a vontade de chorar.
Ela sabia que esse jogo iria mudar tudo. Ela tinha tido suas dúvidas, mas sempre as deixava de lado, uma vez que pelas manhãs, Edward ainda continuava a agir da mesma maneira como sempre. Porém ela tinha um pressentimento de que hoje seria diferente.
Enquanto tomava banho, tirando a sujeira de seu corpo, ela não pode escapar de ser recordada da noite anterior. Todo o seu corpo doía, até mesmo sua garganta, por ter se reprimido de gritar.
Ela ficou remontando a imagem de Edward por cima dela, os olhos dele dardejando entre os olhos e os lábios dela, e ela quase chegou a acreditar que ele também quisera o beijo tanto quanto ela.
Bella foi tirada de seus devaneios por uma batida persistente na porta.
"Hey, Bells, posso entrar?" ele pediu; obviamente, ele precisava usar o toalete, então ela o autorizou a entrar rapidamente.
"Obrigado," ele murmurou, ainda meio sonolento.
Ela tentou não prestar atenção nele, mas quando o ouviu terminando, ela se afastou da água, esperando pelo som da descarga da privada, porém o barulho nunca veio. Ao invés disso, ela sentiu dois fortes braços envolvendo sua cintura.
Ela berrou. Mas não foi muito alto, apenas algo entre um ganido e uma arfada.
"Desculpe," murmurou a voz familiar dele. É lógico que era Edward. Quem mais poderia ser? Ela pensou.
"Tudo bem. Você me pegou de surpresa, foi só isso. O que você está fazendo aqui, por falar nisso?"
Ela se virou para encontrar Edward olhando para ela. Apenas a metade direita de seu corpo estava sendo molhada.
"Posso me juntar a você?" ele perguntou inocentemente, um sorriso como o de um querubim em sua face.
"É um pouco tarde para perguntar, não acha? Você já está debaixo do chuveiro," ela apontou com um pequeno sorriso, e agradecendo a Edward internamente. Ele estava agindo como se o quase-beijo não tivesse acontecido, e apesar de chateá-la ver que ele abstraía o fato completamente, estava sendo tão melhor apenas agir como se nada tivesse ocorrido. Isso, isso o que eles tinham, essa conversação fácil, esse tom de brincadeira, esse conforto era normal para eles, e era bom se comportar da maneira como eles sempre se comportaram.
"Ao contrário, estou só metade debaixo do chuveiro. A outra metade pode entrar?" ele perguntou, aquele infame sorrisinho sacana à mostra em seu rosto.
"Que seja! Sinta-se à vontade para colocar o seu corpo inteiro embaixo d'água."
"Que bom, porque meu lado esquerdo estava ficando com frio," ele riu, empurrando Bella um pouco para trás, e finalmente molhou todo o seu corpo.
Bella riu quando uma expressão de puro prazer formou-se no rosto dele enquanto a água quente corria em cascatas por seu peitoral. Ela assistiu deslumbrada às trilhas de água que escorriam, algumas lentamente, outras mais rápido, descendo pelo abdome dele, e seguindo diretamente até seu membro adormecido.
Maravilhoso, ela pensou, porém rapidamente parou de encará-lo antes que Edward pudesse pegá-la no flagra.
"Vem aqui," ele ordenou, trazendo-a para perto, e a virando para que ela ficasse de costas para ele.
"O que você vai fazer?" ela perguntou enquanto ele a mantinha longe da água.
"Me passe o xampu."
Bella aquiesceu e lhe passou o frasco de seu xampu favorito. Ela ouviu a tampa abrir e ouviu o frasco sendo espremido. A embalagem fez um som de esguicho, já que estava quase vazia. Edward gargalhou, e levou um tempo até que Bella entendesse o motivo.
"Ah, merda," ela gemeu enquanto Edward continuou rindo. "Vê se cresce, Cullen!"
Por entre risadas pesadas, ele respondeu. "Não consigo evitar. É a ironia desse momento, desse som. É um som tão memorável. Ele traz as imagens mais magníficas para a minha cabeça," ele gemeu atrás dela, e ela fechou os olhos, soltando o ar longamente. Ela podia imaginar que as imagens que ela via em sua mente eram as mesmas que ele.
"Só mesmo algo como uma embalagem de xampu vazia é capaz de fazer você pensar naquilo," ela respondeu, sua voz enrouquecida. "Você é tão estranho."
"Mas você me ama," ele brincou, começando a massagear o couro cabeludo dela com o xampu. Ele movia-se gentil e vigorosamente, tudo ao mesmo tempo. Seus dedos eram como magia. Eles esfregavam o couro cabeludo dela simplesmente da forma correta. Ele até mesmo puxava de leve as raízes, fazendo-a gemer.
"Você gosta disso?" ele perguntou, sua voz rouca na orelha dela.
"Uhummm," foi a única resposta que ela conseguiu emitir, e então as mãos dele repentinamente deixaram sua cabeça. Ele a trouxe gentilmente para baixo da corrente de água, e esfregou o xampu para que ele saísse, repetindo seus movimentos anteriores.
"É muito bom," ela gemeu enquanto sentia as bolhas de xampu descendo por sua coluna.
"Ótimo. Eu sei de muitas coisas que podem fazer você se sentir maravilhosamente bem," ele grunhiu, sua voz era puro sexo. Bella reconheceu aquele tom de voz. Ela ficou incrivelmente tentada a descer a mão e pegar o membro dele, sabendo muito bem que ele já estava excitado.
"Jura?" perguntou ela, sorrindo ligeiramente, seu tom de voz igualando-se ao dele. Ela abriu os olhos para olhar para ele, e imediatamente se arrependeu.
"Ahh, está queimando," ela choramingou quando o xampu escorreu para dentro de seus olhos. Edward soltou uma risada entrecortada, e parou a cabeça de Bella sob a água para enxaguar seus olhos.
"Só mesmo você pra ser a minha empata-foda por deixar entrar xampu nos seus olhos," ele provocou enquanto segurava os olhos dela abertos para que todo o xampu saísse.
"Cala a boca, está doendo de verdade. O que você estava pensando, afinal? Hoje é domingo. Nada de gracinhas!" ela riu, e Edward fez um biquinho.
"Tecnicamente, domingo ainda é fim de semana, e você nomeou o jogo como 'Os fins de semana do alfabeto', então por que nós só podemos nos divertir aos sábados?" ele perguntou.
"Porque eu gosto de andar, e se eu tiver que me esforçar pra levantar de manhã, eu me atrasarei para o trabalho, e você sabe o quanto eu odeio chegar atrasada," foi a sincera resposta de Bella enquanto ela saía do chuveiro, Edward rindo enquanto lavava seu próprio cabelo.
"O que você quer comer?" ela perguntou, secando-se com a toalha, e observando Edward inclinar a cabeça para trás para dentro d'água. Ela seguiu com os olhos uma trilha de pequenas bolhas que escorriam pelo torso dele, porém rapidamente ela se arrancou para fora daquele transe induzido por xampu. Apenas uma espiada na ereção dele e tudo estaria perdido para ela e para suas restrições.
"Você," Edward respondeu, a total e completa presunção presente em seu tom.
"Muito engraçado, Sr. Cullen, mas isso num vai acontecer."
"Você, uma editora de livros usando 'num' em uma frase? Tsc, tsc, Bells," ele a provocou enquanto saía da água, parecendo ter saído de um anúncio de Cool Water.
"Enfia o 'num' na sua bunda," ela reprimiu ao começar a escovar os dentes.
"Enfia você primeiro!" ele apontou, e piscou para ela através do espelho umedecido que ela tinha acabado de secar. Bella revirou os olhos, e enxaguou sua escova de dentes, observando Edward como uma águia para ter certeza de que ele usaria a escova dele.
"Poxa, mamãe! Não confia em mim?" Edward perguntou, olhando para Bella.
"Quem não te conhece, que te compre!"
"Isso é horrível, Bella. Eu pensei que você confiasse em mim," fingindo mágoa, ele tacou a escova de volta dentro do copo na pia de linóleo. Novamente, Bella se pegou rolando os olhos.
"Vamos lá, Casanova¹. É hora do café da manhã. O que você quer?" ela perguntou andando em direção ao quarto dela para se vestir.
"Eu já respondi isso," ele falou, começando a fazer seu caminho na direção dela.
"Estou falando sério, Edward Anthony Cullen!" ela ralhou e ele riu.
"Bem, já que você está falando tão sério desse jeito, jogando até o meu nome inteiro e tudo o mais, então nesse caso eu vou querer ovos e bacon, e... ah, aquele negócio que você faz de salada de pêssego e morango."
"Está bem."
"Ah, e Edward," ela chamou. Ele se virou e lhe lançou um olhar atencioso.
"Eu já peguei a minha letra."
"O quê? Isso é trapaça! Como eu posso saber se você não pegou várias delas e depois escolheu ficar com aquela que você gostou mais?" inquiriu ele, seus braços cruzados por cima de seu peito.
"Porque você me conhece, e confia em mim. Portanto ao melhor estilo Edward Cullen: seis a menos, vinte por vir," ela fez uma reverência com as mãos, sorrindo para ele enquanto fazia, mas Edward apenas ficou lá parado com uma expressão amarga em seu rosto.
"Manda ver, Benedict Arnold²!" ele respondeu, sorrindo arrogantemente para ela.
"Eu não sou uma traidora," ela choramingou em protesto, quase tentada a bater o pé no chão e Edward apenas riu enquanto fechava a porta de seu quarto.
N/T: ¹ Casanova foi uma famosa personalidade do século XVIII, que viveu em Veneza, e era conhecido por suas conquistas e aventuras amorosas. Uma espécie de Don Juan da vida real.
² Benedict Arnold foi um general norte-americano, que passou para o lado britânico durante a Guerra da Independência Americana, constituindo assim sua 'traição' ao povo norte-americano.
e um (ótimo) exemplo de como é um anúncio de perfumes Cool Water: http:/*migre.*me*/uyoc
Agora sintam-se à vontade pra imaginar Edward saindo do banho assim! ;)
Capítulo fofo e um pouco mais revelador, não? Daqui pra frente veremos mais sobre esses sentimentos confusos que enlouquecem as cabecinhas desses dois.
REVIEWS, como sempre, são bem-vindas!
Até o próximo capítulo,
beijos.
