5. Quando o Coração Fala Mais Alto que a Razão

Cory estava cansado, mas satisfeito. Já fazia um mês que estava compenetrado moldando seu personagem. Aquela reclusão estudando seu papel e vencendo seus demônios internos do seu passado, estava sendo maravilhoso pra ele. Estava se sentindo mais forte, mais seguro, e dia após dia, suas idéias pro papel aumentavam. Sem contar que conquistara um grande amigo. Daniel se tornou um grande companheiro, cúmplice nessa jornada. Mas tinha uma coisa que volta e meia fazia ele perder o brilho no seu sorriso.

"Isso é saudade Cory", Daniel interrompeu seus pensamentos.

"Que, o que...?" Cory não percebeu que seu amigo se aproximava dele.

"Pega o celular e liga pra ela" ele alcançou o aparelho que estava dentro da mala. "Sei que você deixou de lado o mundo, que afastou todos pra que pudesse ficar concentrado aqui, mas...cara...está dando pena...parece um cachorro sem dono! Liga pra ela, um 'oi' não vai matar ninguém!" Daniel insistia. "Vou sair, acho que vou dar uma volta por aí, já que temos um dia de folga. Te vejo amanhã a noite no jantar com a produção".

Cory exitou, deu voltas no quarto, pegou o celular, largou,...até levar um susto. Ele tocou.

"Oi, que bom que atendeu...me desculpe antes de mais nada em te ligar, prometi não te atrapalhar...mas...é que eu estava com saudade. Faz meia hora que estou olhando pro aparelho, lutando pra não fazer a ligação. Acho que perdi a batalha, quando percebi já havia feito".

Cory sorriu.

"Mas uma vez...transmissão de pensamentos...estava exatamente lutando pra não te ligar".

"E aí como você está?"

Eles conversaram sobre o trabalho de Cory, sobre propostas que Lea também recebera.

"Foi isso mesmo que pensei, achei meio louco demais, então não aceitei. Já pensou. Mas que nada, entre uma e outra aparição aqui e ali, filmei também um curta e tenho convite pra protagonizar um longa mas é mais pra final do ano, ainda nada certo. Vou filmar agora nos próximos dias uma participação em um longa, parecido com aquele que fiz, comédia romântica com vários casais e tal, vai ser divertido. Ah, e a Fox continua insistindo em fazer um seriado comigo, estamos negociando, sabe né, se for seriado quero algo diferente de Glee".

"Fico contente, já te disse que você vai longe!"

"Você disse, eu lembro. Só queria que estivesse ao meu lado, não importa até aonde eu for...sinto sua falta".

"Também sinto a sua, mas eu vou estar, sempre. Não faz isso comigo, estou aqui meio isolado porque preciso, vai ver se orgulhar do mim depois".

"Você sempre deixa orgulhosa. Você é incrível meu amor...ops!" Lea se tocou tarde demais do que havia dito.

"Amor? Fala isso brincando. Depois seu namorado houve e vai ficar bravo!"

"Ele não vai ouvir porque ele não está mais aqui... eu não tenho mais namorado. Eu e o Théo acabamos, pronto falei!"

"Acabaram? Porque? Achei que vocês estavam tão bem..." ele mal conseguia acreditar, "desde quando?"

"Era isso que eu queria te contar aquele último dia que conversamos. Desde aqueles dias eu estou solteira".

"Oh Lea sinto muito, espero que você esteja bem! Separações são sempre difíceis". Ele tentava confortá-la mas era óbvio que tinha vontade de gritar e pular de felicidade, um a menos em seu caminho.

"Foi complicado na época, mas era preciso. Eu já não amava-o e não podia ficar enganando nem ele muito menos eu mesma".

"E eu como amigo não estive aí pra te ajudar, tantas vezes que você me ajudou...me sinto mal, me desculpe".

"Sinta-se mesmo, pois foi por culpa sua!" novamente ela falou sem pensar.

"Eu? Como assim? Você disse que não o amava mais..."

"Não o amava porque eu havia descoberto que amava outra pessoa...você!"

Cory sentiu seu corpo inteiro estremecer. Um arrepio lhe correu pela espinha. Ficou mudo.

"Cory...ainda está aí, alô..." Lea pensou ter caído a ligação.

"Estou...morto...mas estou."

Lea riu.

"Por isso queria conversar quando voltasse, pessoalmente, mas acho que o coração falou mais alto que a razão".

"Você tem atitude baixinha! Se soubesse a quanto tempo eu venho tentando, procurando as palavras certas, tentando tomar coragem... mas eu sou muito tímido".

"Não tem coragem pra que 'cara pálida'?" Lea ria imaginando a situação que ele se encontrava, devia estar vermelho, todo nervoso.

Ele respirou fundo...

"Pra dizer que eu te amo!"

"Assim por celular? Não, eu não aceito! Uma coisa dessas se diz cara a cara, olhando nos olhos da pessoa. Assim fica muito frio, distante. Guarde pra quando voltar Sr. Monteith, se encha de coragem e venha bater na minha porta. Você sabe onde eu moro. De hoje em diante estou te esperando!"

Lea desafiou-o e Cory entendeu o recado.

"De hoje de dia...de noite...amanhã? Não vai trabalhar mais?" ele zombou dela mas com intuito de saber seu itinerário.

"Bobo, claro que tenho compromissos, hoje a tarde inclusive, se bem que a noite, finalmente estou livre, vou aproveitar pra descansar. Mas você entendeu!"

Ele entendeu. Ela que não havia entendido a pergunta dele. Cory olhou no relógio. Daria tempo, fez alguns cálculos rapidamente.

"Vai dar, vamos ver como está a América e voltar antes do jantar de amanhã a noite pra terra da Rainha". Essa seria a primeira loucura de amor que ele faria, mas ia valer a pena. Lea mal ia acreditar quando o visse na sua porta naquela noite. Ele iria cruzar o oceano só pra vê-la, só por uma noite, só pra dizer que a amava.