7. O Flagra

O jantar com Spielberg, Daniel e parte da produção seria no início da noite, mas mesmo sendo no próprio hotel onde estava hospedado, Cory não teve muito tempo, mal chegou do aeroporto, tomou um banho rápido e foi ao encontro deles.

"Meu Deus, que cara é essa? Foi atacado por quantos? Ou Quantas Ms. Monteith?", Daniel não perdeu a oportunidade pra incomodar o amigo. Nos últimos dias eles haviam construído uma linda amizade, com trocas de experiências e admirações. Se tornaram grandes amigos.

"Engraçadinho...culpa sua! Me mandou ligar e olha no que deu... fiquei só no bagaço!", Cory entrou na brincadeira. "Dani, tô tão mal assim?"

"Ahhh, ponha mal nisso, e não me culpe. Eu ia imaginar com quem você anda? Mas me conta, quantas fizeram esse estrago? É porque imagino que pelo menos umas três", Daniel não se continha.

"Uma só, baixinha ainda, pequenininha, toda delicadinha, doce, meiga...um anjo".

"Anjo? E te sugou assim? Imagina só o capeta então..."

Eles riam indo em direção à mesa onde estavam sendo aguardados.

"Cory, eu não acredito que você voou até Nova Iorque e voltou aqui da noite pro dia. Você é louco! Por isso que está com essa cara de cansado! Agora, que a Lea deve ser fogo...não duvido, essas meninas que se mostram 'santas' são as piores".

"Como você sabe que é ela? Só te disse que fui pra Nova Iorque? Virou adivinho?"

"Não precisa nenhuma mágica pra descobrir seu segredo. Pensa que eu não vi que você tem um foto dela no celular? Muito cauteloso você!".

"E você mexerico!".

Spielberg cumprimentou-os, apresentou o restante da mesa e antes de começar a tratar das questões pertinentes sobre do filme, que era o assunto principal daquele jantar, não deixou passar batido um comentário:

"Você entrou mesmo no personagem Cory!", rindo enquanto todos sentavam.

"Pois é", Cory ficou sem jeito.

"Imagino que isso tem dedo de mulher... mas não se preocupe, só não deixe interferir no seu trabalho". Steven piscou-lhe como quem dissesse 'tudo bem'.

"Jamais".

O jantar transcorreu normalmente. Acertaram os últimos preparativos pra começar as filmagens, bem como o cronograma.

"Sei que talvez estou exigindo demais, que vai ser bem corrido, puxado, mas acho que esse vai ser o ponto fundamental: ritmo. Assim, vamos conseguir impregnar maior dramaticidade ainda aos personagens, já que vamos praticamente 'vivê-los', não perdendo 'o clima' ao final de cada cena. Quero que a transgressão de uma pra outra seja quase que automática. Por isso, quero saber de vocês dois, quando podemos começar as filmagens. Quanto antes melhor!".

"Eu estou pronto, quando quiser!" Cory respondeu, confiante.

"Gosto disso, confiança. É isso que precisamos!"

"Eu também, pode contar comigo". Continuou Daniel.

"Isso garotos! Então ainda essa semana vejo vocês no set em Nova Iorque".

Já no seu quarto, logo depois do jantar, mesmo exausto, Cory antes de dormir, juntou forças pra uma última mensagem, respondendo alguém do outro lado do oceano:

"Já estou com saudades..." Lea lhe enviou.

"Não fique! Estarei aí antes do que você imagina. Daqui dois dias estou voltando!".

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Lea saia de uma sessão de fotos, ansiosa. Já era noite, e logo Cory estava chegando da Europa. Marcou de buscá-lo no aeroporto, pra passarem a noite juntos, matar as saudades e tal. O ensaio demorou mais do que ela esperava e acabou se atrasando. Não iria no aeroporto, enganou Cory, na verdade ia fazer uma surpresinha no apartamento dela. Só disse que iria até lá, pois quando ele não a visse ia lhe ligar certamente pra pedir onde estava, daí ela poderia calcular o horário mais preciso que ele chegaria. Estava muito frio pra ela se preparar muito tempo antes, mesmo tendo aquecedor.

Correu pra casa, preparou tudo e não demorou muito pro seu celular tocar:

"Amor, onde você está? Se escondeu tanto dos paparazzis que nem estou te vendo!" Disse Cory.

"Desculpe, não estou aí, estou em casa. Te enganei, mas foi por um bom motivo: queria saber exatamente quando você chegasse. Quando vier pra cá, vai entender. Corre que está frio...estou te esperando!", a última frase saiu meio rouca. Ele entendeu que ela estava aprontando, e ficou louco, se pudesse ia voar até lá, literalmente.

Quando ele chegou na porta do apartamento de Lea, foi tocar a campainha, mas percebeu que a porta estava só encostada, havia uma fresta. Quando abriu-a, deixou suas malas no closet da entrada. Havia uma música tocando, ele a seguiu, até dar de cara com uma imagem enlouquecedora: Lea estava sentada em cima do encosto do sofá, com as mãos apoiando-se pra trás, pernas cruzadas, com um olhar malicioso e mordendo seu lábio emoldurado num batom vermelho picante. Uma dama de preto. Vestia apenas um sapato de salto alto, uma gravata e um chapéu, o qual escondia todo o seu cabelo e com a aba, metade do seu rosto. Ela estava toda arrepiada, de frio e de desejo. Cory ficou encantado com aquela visão.

"Isso é tudo pra mim?"

"Essa são as minhas boas vindas! Eu também sei fazer surpresas, babe"

"Estou vendo. Você está uma ...delicia!" ele se aproximou dela.

"Mas acho que não foi bem calculada... Estou congelando!"

"Foi, porque agora é a minha deixa...agora eu aqueço você amor". Ele a levantou do sofá, abraçando-a. "Só tem mais uma coisa... você está linda, mas eu prefiro sem esse chapéu", ele tirou o chapéu deixando cair os cabelos de Lea levemente cacheados, "assim está perfeito!".

Ela sorriu enlaçando seus braços no pescoço dele e capturando seus lábios com uma série de beijos. Lea parecia possuída: mordia, beliscava, arranhava ele por sob a roupa. Quando ele se deu conta, ela já estava com as duas mãos dentro da calça dele, acariciando, puxando, amassando. Ele estava quase louco, só rezava pra ela não machucá-lo, porque de resto, estava adorando. De repente, pra surpresa de Cory, ela trocou as mãos pela boca. Então ele não agüentou mais, e a sala foi tomada pelos gemidos dele. Depois de algum tempo, Lea subiu até a boca dele com muitas mordidinhas. Ele então abraçou-a, perdendo-se em beijos por todo seu corpo nu, deslizando suas mãos pelas costas até chegar no bumbum, fazendo-a encaixar nele. O contato fez ela deixar escapar um gemido que ecoou no lugar. Ele riu olhando pra ela lânguida em seus braços. Ela se entregou. Ele aproveitou pra devolver o feitiço dela: encheu ela de mordidinhas pelo pescoço descendo até seus seios inchados de tanto ele acariciar, indo em direção ao seu ponto mais íntimo. Ele quase estava virando ela do avesso ali. Lea teve de segurar pra não cair enquanto ele brincava com a língua dentro dela.

"Chega, chega amor... você vai me matar assim,..." quando ele foi se afastar... "não, volta, esquece, por favor". Cory se divertia vendo ela perdida de tanto prazer. Quando seus olhares se encontraram, um beijo mais quente e ofegante quase os afogou.

"Espera, vamos pro quarto, esse seu sofá me matou aquele dia", disse Cory enquanto estava procurando a melhor forma pra penetrá-la.

"Isso que não foi você que ficou por baixo né".

Foram pro quarto, se beijando, esbarrando nas paredes, caindo, mas sem se desgrudarem; deixando no caminho uma trilha das peças de roupa de Cory.

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"Que bagunça! Tudo bem que a vida dela está cada dia mais corrida, mas capricho e organização não fazem mal pra ninguém!". A mãe de Lea entrou no apartamento dela e se assustou vendo a bagunça da noite anterior, inclusive várias roupas masculinas jogadas no chão. "Será que são do Théo? Devem ter se acertado", olhando pra uma calça, mas quando pegou-a, na intenção de juntar tudo..." espera aí, acho que não é do Théo, é de alguém mais alto que ele".

Nesse momento ela viu um vulto caminhando no corredor próximo ao quarto da filha. Não deu pra ver o rosto, mas viu que estava só de toalha. A curiosidade falou mais alto que a razão e ela foi ver mais de perto quem era. Quando estava quase na porta, desistiu. " Isso é loucura, vou sair daqui, depois falo com Lea. Onde já se viu eu ir lá ver com quem minha filha está!". Enquanto pensava, ouviu um barulho e como por instinto, virou-se e deu de cara com Cory. Os dois gritaram do susto. Lea levantou da cama, apavorada:

"Quem morreu? O que aconteceu?" disse ela atônita. "Mãe? Como você entrou aqui?"

"Eu peguei a chave que era do Théo, pra vir aqui te ajudar organizar as coisas, quando não estivesse".

"Sei, já te disse que eu me viro, agradeço a ajuda, mas minhas coisas cuido eu. Ah, você lembra do Cory não é?"

"Sim, mas não nesses trajes...", a senhora cobria o rosto. Ele continuava ali só de toalha, todo molhado do banho, sem saber se corria ou cumprimentava a sogra.

"Cory, sua roupa?"

"Eu estava indo pegar, quando encontrei sua mãe no corredor".

Nesse instante, a senhora se tocou que ainda segurava a calça e entregou-lhe sem jeito.

"Desculpe".

Ele pegou a calça e o restante de sua roupa.

"Mãe você é louca! Como você vai entrando assim e catando a roupa dos outros..." elas ficaram se encarando um momento, mas logo caíram na gargalhada. "Quase mata o menino do coração!".

"Desculpe querida, mas podia ter me avisado que vocês estavam juntos, principalmente hoje, ia evitar toda essa situação!".

"Eu hoje mal acordei, ou melhor, acordei mal isso sim, parecia que encontraram um morto no corredor você e o Cory, precisavam gritar tão alto?" Lea ria imaginando a cara dele ao ver sua mãe ali, principalmente ele estando quase nu.

"Vou embora, essa não foi a melhor hora'.

"Não mãe, vai pra cozinha, vou me trocar e ver onde ele se escondeu, se não morreu do susto. Podia fazer um café".

Já devidamente composto, Cory e Lea entraram na cozinha, onde sua mãe preparara além do café uma linda mesa de café da manhã.

"Pra quebrar 'o clima', vamos esquecer o incidente, apesar que você só de toalha é difícil de esquecer...", a mãe de Lea implicou com ele percebendo que estava todo envergonhado. Ele sorriu agradecido.

"Mãe! O namorado é meu e eu sou ciumenta, você sabe". Lea achou graça do comentário da mãe, que sempre fora conservadora.

Os três sentaram-se pra tomar o café e depois do impacto inicial, conversaram tranqüilamente, enquanto Lea explicava à mãe como perceberam que estavam apaixonados e como tudo aconteceu.

"Então eu sou a primeira a saber?"

"A ter certeza sim", disse Cory, " o Daniel, meu colega do próximo filme, meu amigo, desconfia, mas nunca confirmei".

"Ainda não pensamos como vai ser daqui pra frente, está tudo muito recente mãe. Só sei que estamos juntos pro que der e vier".

"As coisas não são tão fáceis como essa sua frase feita, querida. Meu conselho... já que estão no início, deixem as coisas se firmarem bem entre vocês dois, façam uma base sólida antes de abrir pro mundo que estão namorando, porque vai vir uma enxurrada de bombardeios dos mais diversos em vocês. Além de serem famosos, vocês já formaram um casal na ficção, imagina a loucura dos fãs seus, pior, imagina os tablóides sensacionalistas! Pela carinha dos dois, vejo que se amam, mas só amor é pouco pra enfrentar os abutres lá fora, é preciso confiança, segurança, apoio. Só assim vocês podem continuar suas vidas profissionais, terem uma vida a dois, sem transtornos. Sempre juntos!".

"Você é sábia minha mãe", Lea olhou pra Cory, que a apoiando, "vamos fazer isso mesmo, vamos esperar um pouco, daqui um tempo, no momento certo, a gente se declara. Até lá, pro mundo lá fora você continua solteiro Sr. Monteith, mas não me traia". Ela riu enquanto lhe dava um beijo.

"Nunca!".

"Aproveitem, nunca ouviram falar que o que é proibido é mais gostoso. Ou no caso de vocês, escondido!", a mãe de Lea olhava os dois, o amor que ambos compartilhavam em seus olhares: eles estavam mesmo apaixonados... 'que Deus ilumine e proteja esses dois', ela pensou consigo".