"Eu não devia te amar, eu não devia me importar com você, eu não devia viver minha vida desejando que você estivesse aqui. Eu não devia querer saber onde você está ou o que está fazendo... Me desculpe por não conseguir evitar, estou apaixonado por você."

- Autor anônimo.


Capítulo Dezesseis: D é de Desculpas

Quando Edward tinha dezoito anos, ele quase causou a morte de Bella, e até hoje essa memória o assombra. Ele ainda conseguia ouvir os ensurdecedores gritos de agonia, o cheiro do sangue dela, a maneira como seus olhos ficavam piscando enquanto ela tentava impedi-los de se fecharem.

Aquele era para ter sido um dia de diversão. Lá estavam eles matando aula pela primeira vez em toda sua carreira acadêmica. Eles ficaram semanas planejando aquilo: eles dirigiriam até a escola, agiriam como se fossem entrar, e no último minuto, quando todos os alunos já tivessem entrado, eles iriam dar o fora dali.

Essa parte tinha corrido perfeitamente bem. Todos tinham visto os dois conversando perto do carro de Edward; eles acharam que seria mais inteligente usar apenas um carro ao invés de dois, especialmente se o outro fosse a velhaca picape vermelha de Bella.

Eles tinham cumprimentado a todos, como de costume, e assim que Eric Yorkie entrou no edifício, Bella e Edward pularam de volta para dentro do Volvo e seguiram para fora de Forks, para a Reserva Quileute.

Edward já havia dirigido até os penhascos diversas vezes antes com o irmão, então a viagem até lá não tinha sido tão difícil para ele. Ele podia dirigir até vendado para lá, mas tinha plena certeza que Bella não iria gostar nem um pouco dessa peripécia.

Bella passou a ida inteira até lá se remexendo em seu banco; nervosa por achar que eles seriam pegos, mas Edward a tranqüilizava, dizendo que não havia nem chances de ter alguém perto da costa às nove da manhã. Isso não a acalmou, mas ele sabia que ela estava tão animada quanto ele por estar cabulando aula.

Eles eram bons alunos, daqueles que nunca faltavam às aulas, que eram exímios nos estudos, e participavam das atividades escolares. Matar aula era algo que nenhum dos professores jamais esperaria deles. No momento em que os professores percebessem que os dois estavam ausentes, eles presumiriam que tinham apenas faltado aula.

Quando Edward parou o carro a um minuto longe da encosta, Bella parou de se remexer, mas ficou sentada como pedra em seu assento, seus olhos abertos largamente enquanto olhava para a lateral do penhasco.

Ela apontou para aquela direção, e Edward assentiu com a cabeça. Ele sabia o que ela estava perguntando sem precisar dizer uma palavra. Ele conseguia se recordar do som alto da respiração de Bella dentro do carro silencioso quando ela se virou para lhe dizer que 'nem morta ela pularia daquela altura'.

Claro, como sempre foi durante os primeiros catorze anos de amizade, ele a persuadiu a pular - e esse fora o seu maior arrependimento até os dias de hoje.

Assistir a queda de Bella foi doloroso. Sempre que ele via um pedacinho que fosse da cicatriz no pulso dela, ao fechar os olhos ele era capaz de rever a pequena silhueta dela colidindo contra a lateral da montanha, e ele conseguia ouvir os gritos dela chamando por socorro.

Ele jamais esqueceria a imagem de seu pai e dos médicos da emergência levando Bella em uma maca. Os sons das rodinhas deslizando contra o chão de linóleo do hospital estariam para sempre gravados na trilha sonora de sua vida, assim como estariam gravados os sons de bip dos monitores com os batimentos cardíacos dela, e as ameaças de vida de Charlie Swan - apesar de que vistas agora, as ameaças tinham sido bem engraçadas.

A espera para que ela acordasse foi uma tortura. Toda vez que os olhos dela fizessem o menor movimento, uma onda de esperança surgia por ele, apenas para ser destruída quando nada mudava.

E quando acordou, tudo o que ela disse a ele foi: 'Acho que agora tenho mais uma história para contar aos meus filhos'. Não foi um 'Edward, seu idiota, seu merda, você quase me matou!' ou 'Edward, eu te odeio, nunca mais fale comigo!', nem mesmo um 'Você irá pagar por isso'.

Nada.

Ela nem sequer o obrigou a se desculpar. Quando Emmett quase a matou ao jogá-la na piscina, anos antes, ela o torturou por semanas, obrigando-o a comprar seus absorventes na farmácia, e a sair pela cidade usando maquiagem; mas para Edward... nada.

Ele nunca entendera isso. Mesmo quando ele tentava se desculpar, ela dispensaria as desculpas - e ainda fazia isso.

Foi essa a razão pela qual ele mentiu para ela no banho, na manhã de domingo. Ele queria usar a letra D. Ele queria dar a ela o pedido de desculpas que ela merecia dele, um pedido de perdão por tudo o que ele já havia feito para machucá-la, física e emocionalmente.

Ele precisava mostrar a ela o quão arrependido ele estava por tudo isso.

Então, após o banho, ele correu para seu quarto e depois de oito tentativas falhadas, ele finalmente desdobrou a tira de papel correta, contendo uma letra D escrita ali. A letra A havia sido sua escolha inicial, mas em sua mente ele desejou poder pegar aquela letra em outra ocasião, optando pela letra D no lugar.

Ele escondeu o papelzinho em sua gaveta de meias e começou a formular planos sobre como utilizar a letra, e como conseguir fazer com que Bella finalmente o deixasse se desculpar.

Na manhã de segunda-feira, Edward encontrou Bella largada no sofá, de pijamas, e comendo uma barrinha de cereal. Ele indagou sobre o que ela estaria fazendo ali, simplesmente deitada, e não arrumada para o trabalho.

"Por que não está se aprontando para sair?" ele perguntou, ajustando a gravata que tinha apertado demais e agora estava sufocando-o.

"Estou tirando um dia de folga. Estou lesionada," ela falou em tom de brincadeira, porém Edward não achou nenhum humor no que ela havia dito.

"Desculpa," ele grunhiu enquanto finalmente terminava de afrouxar sua gravata.

"Já chega com as desculpas. Vá para o trabalho, consiga outro cliente, faça milhões, e seja processado pelos pais de crianças com os dentes cheios de buracos."

Dessa vez, Edward riu genuinamente. Ele se abaixou e beijou a testa de Bella, saindo, em seguida.

Ele parou petrificado bem do outro lado da porta, inclinando-se contra a parede ao lado.

Ela havia subconscientemente dado um beijo de despedida em Bella - mesmo que tivesse sido na testa, ele havia feito isso sem nem perceber. Durante anos ele vira seu pai dar tchau a sua mãe daquela mesma forma. Era um gesto incrivelmente afetuoso, e Edward nem sequer percebera que estava fazendo aquilo.

Pareceu tão natural desejar um bom dia de descanso e beijá-la daquela maneira. Era uma coisa tão íntima a se fazer. Um beijo na testa poderia significar tantas coisas, e o fato de que ele não acreditava que o beijo tinha acontecido sem nenhum planejamento prévio, o deixara estarrecido. Como poderia ser possível ele não ter sequer percebido que tinha se inclinado e feito aquilo?

No percurso até o trabalho, aquele fato era a única coisa que ele tinha em mente, tudo o que ele conseguia sentir. Ele achou interessante como seus lábios pareciam diferentes, como eles quase formigavam, vibravam sob seus dedos curiosos, e por um momento ele riu ao pensar no quão remota a idéia era, o fato de que seus lábios tinham uma sensação diferente após beijá-la, mas ele não conseguia evitar. Ele realmente sentia-se diferente.

E sentado em seu escritório, ele ainda não tinha conseguido descobrir porque aquilo havia sido tão estranho. Tinha parecido tão certo quando ele a beijou, tão natural, como se fosse algo que ele fazia sempre. Mas é claro, havia também a sensação de que tinha algo de muito errado naquilo, algo quase proibido, como se ele não devesse agir daquela forma.

Ele não pensou em outra coisa o dia inteiro - ficou pensando nisso e em Bella no sofá provavelmente assistindo àquelas novelas que ela dizia que não gostava, mas que ele sabia que ela curtia. Ele se perguntou se ela estaria bem, e se as costas dela estariam melhores. Ele se indagou sobre o que ela estaria fazendo, e para ser sincero, isso o deixava um tanto quanto desatencioso.

Durante uma reunião com o vice-presidente executivo da sua agência, ele tinha não apenas uma, mas duas vezes sido distraído por seus próprios pensamentos sobre Bella e sobre o que ela estaria fazendo em casa. Será que ela estaria realmente assistindo novelas? Será que ela estava colocando a leitura em dia? Será que ela estava fazendo faxina? Será que ela estava pensando nele?

Aquele último pensamento lhe causou uma brusca freada mental.

Por que diabos ele sequer se importava se Bella estava pensando nele?

A terça-feira provou também não ser nada melhor para Edward. Bella tinha saído para o trabalho antes dele naquela manhã, e por alguma razão, o fato de que ele não tinha tido a chance de lhe dizer 'tenha um bom dia', o chateou.

Enquanto guardava seus pertences em seu escritório, ele viu o scrapbook que Bella tinha lhe dado há quase oito anos, na formatura de colégio deles. Ele riu, tirando o álbum de capa de couro da sua estante. Seus dedos acariciaram o material gasto, enquanto um sorriso se espalhava por seu rosto. Há anos ele não se sentava para folhear o scrapbook, mas ele ainda lembrava-se do rosto de Bella quando ela lhe deu aquele presente.

Ela parecera tão nervosa, principalmente depois que ele havia entregado o presente que comprara para ela. Depois de abrir a caixa de jóia, e ver o colar que ele comparara com suas economias, ela entregou-lhe o álbum com o máximo de trepidação que era possível.

Ela rapidamente lhe disse que o presente não chegava nem aos pés de ser tão bom quanto o que ele lhe dera, mas ele não se importou com a quantidade de dinheiro que Bella havia gastado com ele. Quando abriu o álbum, ele ficou boquiaberto. Ela havia passado horas construindo um livro inteiro de memórias - tudo, desde as coisas boas às ruins, e na última página, ela escreveu: 'Tudo o que é bom dura pouco. Ainda bem que nós somos ótimos e vamos durar para sempre!'

Ele passou uma boa parte de sua manhã olhando o álbum. Ele nem mesmo percebeu quanto tempo havia passado olhando o scrapbook até Alice bater na porta de seu escritório.

"Edward, o que está fazendo?" Alice perguntou enquanto ele continuava a folhear o álbum em sua sala, sem se importar em olhar para cima quando ela entrou no recinto.

"Estou só olhando umas fotos," foi sua resposta, seus dedos traçando sobre uma foto divertida de Bella e ele em uma montanha-russa na Disney quando eles tinham oito anos.

"Por quê?" ela questionou, e ele a viu do canto do olho andando em sua direção, segurando seu almoço.

"Sei lá. Só me deu vontade," ele respondeu evasivamente, não querendo de fato dar uma resposta.

"Esse daí é o scrapbook que Bella te deu na formatura de Ensino Médio de vocês?"

Alice, apesar de ter freqüentado uma escola diferente, havia passado muito tempo na casa da família Cullen pois seus pais costumavam viajar muito à trabalho durante os meses de verão. Ela até mesmo esteve presente na formatura dos dois, e também na formatura de Emmett, dois anos antes que a de Bella e Edward.

"É. Eu nunca percebi quanto tempo ela gastou fazendo isso. Quero dizer, está vendo isso aqui?" ele apontou para uma embalagem de bala de morango. Alice assentiu, estimulando-o a continuar.

"Eu dei a Bella um pedaço dessa bala no supermercado, no dia em que nos conhecemos."

Alice encarou seu primou com uma expressão de quem sabia de alguma coisa em seu rosto, e no entanto, Edward interpretou aquilo de modo diferente.

"Por que está me olhando desse jeito?" ele perguntou, fechando o scrapbook.

"Você a ama."

"Perdão?"

"Você ama Bella," Alice repetiu, um sorriso que Edward chamaria de presunçoso formando-se no rosto dela.

"É claro que eu amo Bella. Ela é minha melhor amiga," ele retorquiu com raiva, não crendo que Alice seria capaz de questioná-lo sobre isso.

"Eu sei, mas não foi isso o que eu quis dizer. Você a ama; você está apaixonado por ela."

Edward bufou e prendeu sua gargalhada, a fim de não provocar Alice. Ela era pequena, mas sabia chutar bem forte.

"Do que você está falando?" perguntou ele, enquanto começava a vasculhar a sacola que guardava seu almoço.

"Você sabe muito bem do que eu estou falando. Você está apaixonado por Bella, e sabe o que eu acho? Eu acho que você sempre foi apaixonado por ela. Quer dizer, isso explicaria a razão de você não ter se acertado firme com nenhuma moça ainda. Jasper e eu estávamos conversando-" Edward a cortou.

"Você e Jasper conversam sobre mim?" ele indagou, incrédulo. Ele estava começando a se chatear - mas chateado com o quê, ele não sabia. Alice rolou os olhos para Edward e continuou a falar.

"É lógico que conversamos. Nós estamos noivos, a gente fala sobre quase tudo. Ele mencionou uma coisa pra mim, e eu tenho um pressentimento interessante de que talvez ele esteja certo."

"E o que é?" Edward perguntou com uma bufada, soando mais como uma criança petulante de cinco anos do que como um adulto.

"Você só sai com loiras. É claro que provavelmente você as ache atraentes, mas Jasper frisou o fato de que talvez o real motivo pra isso seja porque uma morena faz você pensar em Bella, e o problema é: essa outra moça não é Bella. Você está apaixonado por ela, admita!"

"Você está completamente louca, Alice," Edward protestou enquanto balançava a cabeça e apontava para a porta, esperando que ela pegasse a dica e saísse.

"Que seja, Edward, continue acreditando no que quiser, mas isso está claro como o dia."

"Nós moramos em Seattle, Alice. Não existem dias claros aqui," ele respondeu sarcástico, e Alice revirou os olhos e fechou sua porta.

Edward ficou em casa na quarta-feira. Para ser sincero consigo mesmo, o motivo foi que ele não queria lidar com mais uma sessão de ataque de Alice. Ela estava totalmente maluca - ou pelo menos era isso que ele ficava justificando para si mesmo.

Ele não estava apaixonado por Bella. Sim, ele a amava, mas ele também amava Emmett e Alice. Tirando o fato de que ele não estava transando com nenhum dos dois, aquele era relativamente o mesmo tipo de amor.

Ele passou grande parte da manhã sentado perto da janela, na sala de estar; era um passatempo dele. Ele gostava de admirar como tudo mudava conforme os dias passavam. No inverno, uma camada fina de gelo ficava na janela e havia estalactites congelados caindo das árvores. Durante a primavera, as folhas já começavam a crescer novamente, o ar estava mais quente. No verão, as árvores ficavam verdes, as ruas cheias de gente. E no outono, as folhas caíam, e todo o ciclo começava mais uma vez.

Ele adorava observar como tudo mudava.

E enquanto ficava sentado observando as ruas que começavam a ficar mais lotadas com a aproximação do Memorial Day*, e uma outra estação chegando, ele se indagou sobre o quanto tinha realmente mudado.

Olhando ao redor da sala, o apartamento ainda parecia o mesmo, mas no momento em que ele entrou em seu quarto, ali parecia estar diferente... vazio, e ele não sabia explicar realmente o frio que penetrou por seu corpo.

Algo havia mudado, e ele não sabia o que era.

Por volta das três da tarde, ele recebeu um telefonema de uma Bella estressada e agitada. Sempre que um dos dois estava chateado com seus trabalhos, eles ligavam para o outro para relaxar, mas hoje tudo o que Edward dizia pareceu ser inútil. A voz de Bella continuou extremamente alta e esganiçada, por assim dizer.

Quando desligou o telefone, ficou claro o que ele deveria fazer.

Ele começou por finalmente mexer seu traseiro preguiçoso e foi tomar um banho. Quando saiu, ele se vestiu rapidamente e foi ao supermercado, parando em uma loja Godiva na volta.

Ele iria preparar espaguete ao molho branco de ostras para Bella; era um dos pratos favoritos dela. Era leve, mas ao mesmo tempo a deixava bem satisfeita, e de sobremesa eles teriam morangos mergulhados em chocolates branco, ao leite e meio-amargo. Ele até mesmo comprou algumas velas para preparar um cenário tranqüilo para quando ela entrasse em casa.

Enquanto preparava tudo, ele decidiu recorrer a seu próprio baú de tesouros que continham seus acessórios eróticos, retirando uma venda de veludo azul, uma pena verde, e frascos de óleos para massagem.

Esta noite aconteceria lentamente, e ele não estava ligando a mínima para o fato de ser apenas quarta-feira. Isso apenas significava que sábado seria o dia de Bella.

Ele ligou para ela por volta das seis para saber quando ela sairia do escritório, e ele teve sorte de ter quinze minutos sobrando para terminar tudo. Depois que desligou o telefone, ele despejou o espaguete fresco dentro do caldeirão de água fervente e pôs a panela do molho em fogo baixo. Ele foi até a sala e escondeu os acessórios embaixo do sofá - tendo limpado ali anteriormente -, e acendeu todas as velas, um doce aroma de lavanda preenchendo o ar rapidamente.

Ele suavizou a iluminação da sala, para que harmonizasse com o brilho leve das velas e esperou por Bella. Quando ela pôs os pés dentro do apartamento, seu cabelo que mais cedo tinha estado preso em um coque, agora parecia ter perdido uma batalha contra a escova. Metade dele estava solto, enquanto a outra metade ainda estava sob os grampos.

"Oi," ela cumprimentou, fechando a porta, ainda sem reparar no ambiente.

"Oi, Bells. Eu já sei, hoje foi um dia péssimo," ele respondeu, andando em direção a ela.

"Foi péssimo mesmo-" mas antes que pudesse terminar seu raciocínio, ela olhou ao redor da sala, sua face sendo iluminada pelo bruxulear das velas. Por um momento, Edward ficou hipnotizado pela forma como a luz brincava sobre a pele de porcelana dela.

"O que é tudo isso?" ela perguntou, sua voz subitamente enrouquecida, e andou para a cozinha.

"Como eu disse, você teve um dia ruim, então merece uma noite boa."

"Você não precisava fazer isso," ela comentou enquanto tomava conhecimento das velas e da mesa de jantar.

"Precisava sim," foi a única resposta de Edward, enquanto pegava a mão dela e a puxava para sentar-se à mesa. Ela sorriu para ele, e ele sentiu uma repentina palpitação em seu coração, e que ele não conseguiu explicar. Deixando de lado isso, ele removeu as tampas das panelas em cima do fogão.

"Então, o que temos para o jantar?" Bella perguntou animada, deixando seus sapatos em um canto.

"Espaguete ao molho de ostras."

Bella soltou um gritinho de excitação e novamente aquela sensação familiar atingiu o peito de Edward. Ele se perguntou se aquilo seria o resultado das fritas com queijo que comeu no almoço.

"Ah, cara. Eu estou com tanta fome. Anda logo, isso está com cheiro muito bom."

Edward riu e colocou uma porção em um prato para cada um e sentou-se, entregando o de Bella. No mesmo instante ela enrolou uma garfada e comeu.

"Hmmm... delicioso," ela gemeu enquanto enrolava mais do macarrão.

Edward a observou enquanto ela comia contentemente. Ela parecia tão mais relaxada do que ele podia supor que ela estava nesta tarde.

"Por que está olhando pra mim?" ela perguntou em meio a uma boca cheia de massa. Ele fez uma carranca antes de balançar a cabeça e rir.

"O que foi?" ela quase choramingou como resposta.

"Não consigo te levar a sério com o seu cabelo desse jeito," ele apontou, e ela franziu o cenho. Edward sorriu timidamente e levantou-se para andar até ela. Bella apenas o observou, quase encantada pelo movimento.

Ele parou atrás dela e começou a retirar os grampos de seu cabelo, um por um, até que dez pequenos grampos repousassem ao lado do copo de Bella.

"Obrigada," ela falou com a voz fraca enquanto Edward penteava seu cabelo para baixo com os dedos. Ele começou a massageá-la, imaginando o quão sensível o couro cabeludo devia estar após ficar preso o dia todo.

"Isso é bom," ela gemeu, levando a cabeça para trás, seus olhos fechando-se lentamente.

"Venha comigo," ele sussurrou, puxando a mão dela para que ela levantasse da cadeira. Ela pegou a mão dele e o seguiu até o sofá.

"O que vai fazer?" perguntou ela quando ele abaixou-se na sua frente, deslizando a mão para debaixo do sofá.

"Shh," foi tudo o que ele disse. Suas mãos pegaram o pé esquerdo dela, e ele começou a pressionar seus dedões na sola do pé, antes de seguirem para o calcanhar. Bella observou aquilo, boquiaberta, deleitando-se com a sensação. Ele fez a mesma coisa com o pé direito, e então se pôs de joelhos até ficar cara a cara com ela.

"Tire a roupa para mim."

"O quê?" ela perguntou, seus olhos imensos. "Hoje é quarta, Edward."

"Apenas tire," ele respondeu em voz baixa, encarando-a direto em seus olhos. Ela assentiu e começou a se despir até ficar completamente nua sobre o sofá.

A sala estava apenas iluminada o bastante para que Edward conseguisse enxergar cada machucado e cada cicatriz que ele um dia já causou a ela.

"Bella," ele falou, tocando sua perna. Ele se inclinou e beijou a pequenina cicatriz rosada no joelho direito dela. "Quando nós tínhamos seis anos, eu te desafiei para uma corrida comigo no Ranking Hill e você caiu e ralou tanto seu joelho a ponto de quase não conseguir andar." Ele se abaixou e beijou a cicatriz novamente.

"Eu sinto muito por isso."

"Edward," Bella soltou, quase arfando.

"Shh, Bella. Fique em silêncio."

Ele pegou a perna esquerda dessa vez, descendo seus lábios pela extensão da canela dela até atingir seu calcanhar.

"Quando tínhamos treze anos, você caiu do trampolim e torceu seu calcanhar depois que eu a desafiei a dar uma cambalhota como eu tinha feito... Sinto muito por isso."

Bella assistiu enquanto Edward venerava cada cicatriz e marca em seu corpo. Lágrimas se amontoavam em seus olhos quando ele chegou nos ombros dela.

"Há cinco dias eu quase arranquei toda a pele das suas costas... me desculpe por isso," ele pediu, beijando os ombros dela.

Seus beijos e pedidos de perdão encontraram cada cicatriz, e quando Edward chegou nos pulsos de Bella, as lágrimas começaram a rolar pelas bochechas dela.

Gentilmente, ele pegou seu pulso e deixou um suave e longo beijo sobre a cicatriz adquirida no salto do penhasco.

"Quando tínhamos dezoito anos, eu a desafiei a pular de um penhasco, e quase perdi você naquele dia," Edward começou, sua própria voz vacilando. "Eu lamento tanto, tanto, tanto. Sempre me arrependerei, pelo resto da minha vida. Eu quase te perdi, Bella; não sei o que eu teria feito se o pior tivesse acontecido. Isso me mataria." Ele beijou novamente a cicatriz, deixando os lábios ali por um instante antes de se afastar.

"Peço mil perdões por isso."

"Ah, Edward," Bella arfou e se jogou para cima dele. Ele a pegou facilmente. Ele conseguia sentir as lágrimas contra seu pescoço quando ela o beijou ali.

"Você está perdoado," ela sussurrou. Era o que ele queria ouvir, e não 'Edward, você não precisa se desculpar' ou 'Edward, isso foi uma bobeira'. Ele ouviu as palavras que desejava ouvir.

"Isso foi lindo," ela comentou enquanto se esticava para pegar seu suéter, mas Edward o tirou para fora de seu alcance.

"Ainda não terminei!"

Bella caiu de volta no sofá, prestes a dizer alguma coisa, mas ele a impediu ao colocar um dedo sobre os lábios dela.

"Eu tirei a letra D, e ela significa diversas coisas. Por exemplo, já foram 'os pedidos de desculpas', agora vem o silêncio, os sentidos, e a sedução."

Ele pegou a venda e a segurou na frente de Bella.

"Ponha isso sobre os olhos," ele pediu suavemente, e pegou a pena quando ela estava seguramente vendada.

"Escute a mim e somente a mim, Bella," ele falou no ouvido dela, segurando a ponta da pena a uma fração de distância dos lábios dela.

Ela assentiu a cabeça. Ele roçou a pena contra seus lábios, e Bella riu.

"Shh," ele instruiu, apanhando um morango semi-coberto de chocolate branco. Ele pôs o morango sobre uma vela por uns instantes para que um pouco do chocolate derretesse antes de passá-lo sobre os lábios dela. Instintivamente, ela lambeu o doce antes de Edward roçar a textura áspera do morango contra seus lábios.

"Abra a boca, Bella," ordenou, e ela obedeceu. Lentamente, ele deslizou a fruta suculenta para dentro e ela mordeu, um pouco do caldo da fruta escorrendo por seu queixo. Edward se inclinou para frente e lambeu o suco; Bella estremeceu, e ele não conseguiu evitar o sorriso presunçoso. Ela já estava começando a entrar no clima. Suas pernas estavam pressionadas uma contra a outra firmemente, e a cada poucos segundos, ele via que elas se juntavam ainda mais. Ele quase gemeu ao pensar no quanto ela estaria molhada para ele.

Ele deixou que ela terminasse de comer aquele morango antes de repetir o mesmo procedimento, com a pena e o morango mergulhados em chocolate ao leite, e o meio-amargo.

Agora, Bella estava roçando suas pernas furiosamente.

"Bella," ele chamou, "deite-se no sofá."

Vagarosamente, ela fez o que lhe foi dito, com a ajuda de Edward. Verificando se a venda continuava no lugar, Edward arrastou a pena desde o vão sob o pescoço de Bella até seu umbigo, circulando-o antes de arrastar a pena novamente para cima pelo mesmo caminho.

Ele parou os movimentos da pena e deu um beijo no pé do pescoço dela, e em seguida beijou todo o percurso que a pena tinha feito. Bella se contorcia, arqueando seu tronco na direção da boca de Edward.

Ele se afastou e arrastou a pena pelos contornos dos seios dela, circulando-os antes de passar a ponta da pena provocantemente sobre cada mamilo.

Mais uma vez, ele repetiu os movimentos com sua boca, Bella gemendo e se retorcendo sob ele.

Edward, novamente, se afastou e pegou a pena, roçando-a apenas sobre o quadril dela, e levando-a até seu sexo. Bella estremeceu e arfou, o nome dele saindo de seus lábios involuntariamente.

"Edward," ela clamou de novo quando ele repetiu a ação com seus lábios, deslizando sua língua pelo sexo dela, lambendo rapidamente seu clitóris. Bella quase pulou do sofá.

"Preciso de você, Edward," declarou, tirando a venda dos olhos.

"Bella," foi tudo o que ele disse ao pegá-la nos braços e levá-la para o quarto dela. Ele a colocou na cama gentilmente antes de olhar para ela. Ele estava tentando agir devagar, apesar de desesperadamente querer estar enterrado dentro dela.

Ele salpicou beijos pelo seu pescoço, a tentação de beijá-la na boca o sufocou ao ponto de praticamente ter que se retirar à força de cima dela.

Ele olhou direto nos olhos de Bella, murmurando algo em um sussurro baixo, antes de deslizar para dentro dela. Lentamente ele se mexia, para dentro e para fora, se deliciando com o quão quente e macia era a sensação de Bella ao redor dele. Ela envolveu as pernas na cintura dele, erguendo-se para cima com cada investida dele.

Não demorou muito para que Edward sentisse o formigamento familiar escalando por suas pernas, e então acelerou seus movimentos, sua mão deslizando para esfregar o clitóris dela. Ele queria que o orgasmo dela viesse ao mesmo tempo que o dele. Seu dedão circulou o clitóris de Bella algumas vezes e ele viu quando os olhos dela alargaram-se, sua boca abrindo em um rápido arfar. Assim que Edward sentiu seu próprio orgasmo varrendo por seu corpo, o corpo de Bella arqueou-se na direção do dele enquanto ela gozava com um gemido sem palavras.

Ao sair de dentro dela, ele se deitou ao seu lado e apenas a observou quando ela sorriu rapidamente para ele e em seguida caiu no sono.

Ele ficou observando o peito dela subindo e descendo. Ele estava fascinado por ela, e um pensamento repentino lhe veio à mente naquele momento.

Talvez Alice esteja certa.


N/T: *Memorial Day é um feriado que acontece sempre na última segunda-feira de Maio, em memória aos homens e mulheres mortos em serviço militar aos EUA durante as guerras do país.

Links!

- Godiva é uma chocolateria super famosa - e bem cara também. Visitem o site, para ver lindas fotos de dar água na boca: http:/www(PONTO)godiva(PONTO)com/category/chocolate-collections-treats/id/131(PONTO)gdv

- Aqui uma foto do que eu acho que é o espaguete que ele fez: http:/bit(PONTO)ly/aR7toQ

Queridas(os?) leitoras, vou fazer igual nosso Ed aqui e pedir desculpas pela demora com esse capítulo! Estava estudando para as provas, vocês sabem como é, né?

Bem, quero saber o que acharam porque até agora esse foi o capítulo mais "romântico", e com várias revelações decisivas pro rumo da história.

Me contem nas REVIEWS, sim? Já falei isso, e repito, é meio frustrante mesmo ver a fic em tantos favoritos, mas saber pouquíssimo do que estão achando. Adoro saber, de verdade!

Beijos, até a próxima. :)