8. Namoro Escondido
Nunca um minuto valeu tanto! Pra Lea e pra Cory, cada minuto de folga que tinham era mais que precioso. Era uma oportunidade de fugir da sua correria diária pra ficarem juntos. Foram assim os primeiros dois meses de namoro. Cory estava a mil com as filmagens do filme com Spielberg, Lea montou uma adaptação de Sweeney Todd juntamente com Chris Colfer, seu amigo do tempo de Glee, para a Broadway, a qual estava fazendo muito sucesso perante os críticos. Além disso, sempre havia trabalhos 'avulsos', aqui e ali, participações em séries, filmes, sessões de foto. Sem contar os trabalhos de caridade. Cory estava orgulhoso, desde que entrou à frente, como embaixador da Virgin Unite, conseguiu inúmeras conquistas, tanto pros jovens que ajudava, bem como pra ele mesmo. A cada nova conquistas, a cada jovem a menos na rua, fora das drogas e devidamente encaminhado, era uma verdadeira vitória pra ele, como ser humano, mas principalmente devido ao seu passado. Ele ainda tinha a banda, que começara a ter certo reconhecimento, e os shows passaram a não serem tão esporádicos. Então, estava ficando cada vez mais difícil conciliar tudo, ainda mais um namoro escondido. Mas ao contrário de querer desistir de alguma coisa, ambos estavam maravilhados com a quantidade de coisas boas que surgiam a cada dia pra cada um. E, do relacionamento dos dois, eles tinham o combustível exato para fazer o que quisessem: do amor e da união deles, tiravam energia, alegria e uma força pra conquistar tudo e todos. Era de dar inveja a luz que cada um trazia ao mundo a cada novo dia que começava. E, aos poucos as pessoas ao redor de cada um deles começaram a questionar da onde vinha todas essa magia, essa aura que brilhava sob Lea e Cory.
"Deve ser amor! Só o amor é capaz de deixar uma pessoa tão linda e radiante desse jeito! Tão cheia de luz, de energia, de vida! É de contagiar por onde passa...". Algumas pessoas arriscavam comentários desse tipo. Estavam certos. Por poucos que fossem os momentos juntos de Lea e de Cory, eram maravilhosos; e, durante o restante do dia, cada uma levava consigo o outro, em pensamento, dentro do coração, preso na mente e na alma.
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Terminadas as filmagens, Cory teve um pouco mais de tempo, então combinar as agendas ficou um pouco menos complicado, dando margem até pra ele surpreendê-la com alguma flor ou mimo, encontrando-na depois de uma noite longa de apresentações na Broadway. Sempre tomando os devidos cuidados pra não ser visto, ele 'raptava' ela dali e iam ver algum filme ou fazer um passeio romântico na madrugada a fora pelo Central Park.
"Cory, hoje me vi quase contando sobre você ao Chris. Estávamos conversando sobre nossos amigos de Glee, e sem perceber, quase menciono que estamos namorando. Que coisa chata amor, isso de ter que esconder, eu queria gritar por aí, não só pros nossos amigos, os quais eu tenho certeza que iam amar, mas pro mundo todo! Que se dane, eu quero caminhar com você por aí sob a luz do dia, não de madrugada e ainda disfarçados. Não estamos fazendo nada de errado, ora!". Lea praguejava enquanto era abraçada confortada por Cory. Quero assistir a um show da Bonnie Dune e quero que você venha ver nosso musical".
"Babe, não leve por esse lado. Eu também quero muito isso, mas tenha calma. Dê tempo ao tempo, mais alguns dias e vamos escancarar. Vamos pensar numa forma adequada e depois disso também concordo, que se dane!"
"Por que mais alguns dias?"
"Posso estar enganado, mas como conversamos outro dia, não quero que nosso relacionamento seja o foco principal sobre mim, já no início do ano vamos estrear meu filme e quero que foquem nele, no trabalho que fizemos com tanta dedicação minha e de uma produção imensa. Nunca foi minha intenção estar nas manchetes por namorar uma estrela de Hollywood. Depois da premier, 'chuto o balde'".
"Te entendo e te respeito, se você quer assim, vamos fazê-lo, mas acho que poderíamos adiantar um pouco...". Lea sorria pra ele com tanto apelo e encanto quase impossível de negar alguma coisa.
"Vamos ver então amor". Ele beijou-a com carinho.
Mas enquanto eles admiravam as estrelas e se beijavam a luz do luar, perceberam que não estavam sozinhos ali e, não se tratava das outras poucas pessoas que circulavam naquele lugar.
"Amor, acho que vamos ter que encerrar nosso passeio, a menos que você ache que seja uma boa hora pra contar pro mundo que estamos namorando", disse Lea mostrando à Cory um paparazzi que disfarçadamente os seguia de longe.
"Vi, mas será que ele nos viu?"
"Eu é que não vou ir lá perguntar pra ele. Onde está seu carro?"
Eles apressaram-se em sair dali. O homem percebeu e tentou interceptá-los, sem muito sucesso. Cory e Lea saíram dali cantando pneu. O homem praguejou. Mais tarde na sua casa, o paparazzi revelava as fotos e, ao olhar uma delas, percebeu que a luz de um poste do parque iluminava claramente uma das pessoas. "Eu já vi essa menina...aonde...pensa, pensa,...tv, foi da tv..." depois de algum tempo procurando aqui e ali, ele viu um comercial de Glee passar na sua tv que estava ligada. "Claro, é ela!...Lea Michele...bingo!". Ele revelou o restante das fotos que tirou naquela noite pra ver se encontrava alguma que mostrasse com quem ela estava passeando abraçada tarde da noite. Infelizmente em nenhuma encontrou o que procurava. Nas mais nítidas apenas dava pra ver que era ela abraçada com um homem alto, mas ele não viu que era tão mais alto que ela porque Lea usava salto, pra sorte de ambos. Mas numa, aparecia claramente os dois se beijando, abraçados. "Essa onde se vê ela bem nítida e essa outra dela agarrada no maior amasso já está bom, dá pra começar uma fofoca...".
"Ei Lea, será que o carinha conseguiu ver que éramos nós?" Já no apartamento que Cory alugara em Nova Iorque, ele e Lea discutiam sobre a confusão de mais cedo, enquanto se preparavam pra dormir.
"Acho que não amor, ele estava longe, não se preocupe".
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Cory acordou preguiçosamente. Era cedo ainda, mas não tinha nada agendado até o meio dia, então aproveitou pra ficar ali deitado na cama, descansando. Folgas eram sempre raras, ainda mais tendo a melhor companhia: acordar com Lea ao seu lado não era quase todo dia, e poder ficar admirando-a dormir tranqüilamente, sem pressa pra sair, era uma das visões mais lindas do mundo. Ele ficou ali por um bom tempo velando o sono da mulher que amava, até que ela acordou.
"Bom dia minha vida!" disse ele à uma Lea ainda sonolenta, beijando levemente sua boca.
"Bom dia... a quanto tempo está aí me secando?"
"Pouco..." ele sorriu vendo ela se aninhar no seu peito.
"Me diga que o mundo explodiu lá fora e que não precisamos sair daqui!"
"Boba, vai explodir se não honrarmos nossos compromissos".
"Esse seu comprometimento e dedicação são muito chatos", ela subiu em cima dele, "quero ver você sair daqui?"
"Está me provocando baixinha?", ele arqueou uma sobrancelha.
Os dois começaram a rolar pela cama, se beliscando e se empurando, até que Cory caiu pra fora dela.
"Você ainda me mata...", antes dele conseguir terminar a frase, ela pulou em cima dele no chão, "...não falei!". Pareciam duas crianças. Mas logo as brincadeirinhas bobas deram lugar à beijos, depois à amassos,... e em pouco tempo, já eram caricias mais quentes. "Se não me matar, vai me deixar louco!".
"Foge então covarde", Lea falou levantando-se pra sair de cima dele.
"Não quero!", ele respondeu puxando-a novamente pra junto de si.
Não precisava um lugar específico. Qualquer lugar era perfeito pra eles fazerem amor. E ali mesmo, no chão, eles mais uma vez se entregaram um ao outro ao prazer.
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"Amor, acho que já é quase meio dia, que tal deixarmos a preguiça de lado e ir tomar um banho, acho que temos que voltar pra 'selva' lá fora". Disse Lea olhando o relógio na parede do quarto.
Enquanto eles combinavam de pedir alguma coisa pra comer ali mesmo, Lea ligou a tv pra assistir. Colocou em um canal de entretenimento, onde passava notícias e algumas fofocas de Hollywood.
"Meu Deus..." ela sentou-se na cama.
"O que foi?", perguntou Cory desligando o celular.
"Não vai acreditar...o desgraçado conseguiu me reconhecer!", ela apontava pra tv onde passava uma notícia: a estrela de Hollywood e da Broadway, Lea Michele e seu namorado passeando no Central Park à luz do luar!
Ele aumentou o volume pra escutarem a nota detalhadamente.
"Não sei se por romantismo ou pra fugir dos paparazzi que circulam em maior quantidade durante o dia, mas o fato é que nossa pequena notável já não está mais sozinha. Apesar de não conseguirmos reconhecer seu acompanhante, dá pra ver nas imagens que o clima era de muita paquera. Eles passearam abraçadinhos, ora trocando carinhos e beijos. Apesar de tentar não chamar a atenção, disfarçando-se, nosso paparazzi capturou esse momento tão lindo dos pombinhos!" A repórter comentava enquanto imagens passavam na tela, em alta definição.
Eles deram uma olhada na Internet e em outros canais similares, e viram que a notícia se espalhou tão rapidamente como um rastilho de pólvora. Tinham até apostas pra saber quem era o tal homem da foto, o namorado de Lea Michele.
"E agora? Não podemos negar", disse Cory perdido.
"E agora nada! Eles não sabem quem é. Eu estava solteira pro mundo, logo posso namorar quem eu quiser, não tem nada demais. Só não podemos deixar ninguém saber que é você. Então continuamos nosso plano babe. Sem crise!", ela tentava acalmar.
"Mas quando eles vierem até você e pedirem quem é seu namorado? Vai mentir?"
"Vou enrolar. A sorte que não dá pra ter uma idéia de como ele é...você...entendeu? Olhe a foto que estão se baseando...nem a diferença de altura aparece!".
"Lea, acho que nossos dias de namoro escondido estão contados!"
