9. Boas Notícias Sempre Vem em Pares

No mês que se seguiu, as coisas ficaram ainda mais conturbadas. Além da correria diária, agora Lea tinha que lidar com as mesmas perguntas chatas e insistentes: "Quem é seu namorado? Quando vai nos contar? Ele é famoso? Desde quando estão juntos? Já estavam antes de terminar seu relacionamento com Théo Stockerman?", e outras sem 'pé nem cabeça', típicas da mídia sanguessuga. Lea procurava não se preocupar, nem dava muita atenção quando as entrevistas iam pra esse rumo. Ela apenas dizia: "Logo vocês vão saber!".

Cory se sentia mal por Lea ter ficado com essa bomba sozinha, várias vezes esteve a ponto de confessar, mas ela sempre o impedia. "Falta pouco amor, eu nem ligo pra esse bando de corvos!", ela dizia.

Enquanto isso, o filme de Spielberg onde Cory era o protagonista, ficou pronto. Agora era só partir pra campanha de divulgação. E, segundo o próprio cineasta, ia ser uma mega publicidade: tv, Internet, rádio,... toda a imprensa, programas dos mais diversos, Cory e Daniel iam ser os 'garotos propaganda', iam se dividir pra cobrir o máximo possível.

"Ficou maravilhoso meninos, o filme do ano! Preparem seus smokings pro Oscar!", Steven estava todo animado, enquanto Cory sentiu um buraco no estômago ao imaginar o que Spielberg mencionou.

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"Como eu imaginei, maravilhoso!", um senhor aproximou-se de Lea ao final do espetáculo Sweeney Todd. "Você é única minha querida. Só espero que não fique aqui na Broadway pro resto da vida, gostaria de te ver de novo na tv!".

"Obrigada, que bom que gostou do espetáculo. E, obrigada por suas palavras. Eu amo aqui, quero fazer mais e mais papéis, mas assim como esse espetáculo esta chegando ao seu fim, os outros que também penso em fazer, não serão de grandes temporadas. Acho que espetáculos mais curtos, ao contrários da maioria por aqui, conservam o frescor da história, não fazendo a mesma ficar desgastada".

"Você é sensata. Tens razão".

"Obrigada. Quem sabe um dia eu volto pra tv, tenho algumas propostas, mas nenhuma me seduziu pra voltar".

"E se eu te convidasse? Seria a minha estrela principal pro meu novo seriado? Isso seria o bastante pra seduzi-la?", disse o senhor provocando-a.

Lea ficou intrigada.

"Desculpe, mas eu não o conheço, ou pelo menos, não me lembro se o conheço".

"Me desculpe, eu acho que comecei de forma errada...deixa me apresentar. Sou David Crane, eu criei..."

"Crane...meu Deus, ... você foi o criador da série de tv de maior sucesso no mundo ... Friends!"

Ele riu.

"Isso'".

"É uma honra senhor, sempre quis conhecê-lo!", ela estava emocionada.

"Vejo que sim... é o bastante pra seduzi-la!" ele sorriu.

"É um começo... mas pra mim aceitar qualquer proposta, tenho que ver exatamente do que se trata, tenho que ver se é algo que eu acredite e que me encaixo, só assim o trabalho será bem sucedido pra ambas as partes".

"Boa menina, nunca caia na lábia do primeiro louco que aparecer!", ele a cumprimentou.

"Nem se for uma lenda como David Crane!"

Ele riu, extasiado. Com certeza era de uma atriz dessas que ele precisava pra voltar aos tempos dourados.

"Estamos querendo reviver nosso grupo infalível dos tempos de Friends: o Bright, Kauffman, Crane Productions. Naquele tempo, eu e minha parceira Marta Kauffman, escrevíamos os textos e meu amigo Kevin S. Bright, dirigia. Era uma trinca perfeita. Depois que o seriado acabou, nos separamos mas nenhum teve muito sucesso sozinho. Então a pouco tempo resolvemos nos juntar novamente e estávamos procurando uma história, um elenco, um novo sucesso. Então, tivemos a idéia de montar por que não, um musical; mas nada juvenil, algo mais maduro, porém pop, como muita música, comédia, drama. A história típica de uma moça que vem pra Hollywood iludida em conquistar o mundo e se tornar uma grande estrela, uma cantora famosa".

"Bacana, interessante".

"Então, escolhemos você pra contar essa história, devido ao seu grande talento como cantora, mas também porque é ótima atriz, tanto de comédia como pro drama, sem contar na grande empatia com o público que você causa".

"Oh, obrigada. Fico lisonjeada pelo convite".

"Então venha até nosso escritório pra conversarmos melhor. Se possível até o fim da semana, marcamos um dia bom pra você e pra nós três. Acho que vamos nos acertar e se Deus quiser faremos um trabalho maravilhoso!" ele entregou-lhe um cartão, se despediu e saiu pelo corredor, deixando Lea atônita. Não podia acreditar no que havia lhe acontecido. Ainda de boca aberta, olhou pro lado e viu Chris encostado na parede. Ele ouviu toda a conversa.

"Só digo uma coisa: você merece querida!", abraçou-a orgulhoso.

Mais tarde ela ligou pra Cory, pois não podia esperar até se encontrarem pra contar. Estava muito feliz e queria compartilhar com ele.

"Não vai acreditar amor... o mesmo bichinho da sorte que te mordeu colocando Steven Spielberg em seu caminho, hoje esteve por aqui e me deixou um grande presente". Ela contou todos os detalhes, enquanto ele ouvia emocionado.

"Você merece babe. É de um trabalho desses que você precisava. Chegou a hora de sua estrela brilhar mais do que qualquer uma. Você vai longe. Eu acredito em você. Vai ser um sucesso maior do que Friends, porque agora eles vão ter Lea Michele". Lea chorava do outro lado da linha.

"Eu te amo. Você é que é o meu maior presente! Desde que apareceu na minha vida, só coisas boas vieram contigo. Primeiro, não diretamente mas junto, Glee. Depois já como meu namorado, eu fiz tantos trabalhos bons, minha própria produção da Broadway e agora, esse! Obrigado por estar sempre comigo. Você me completa pra que eu tenha toda essa luz que encanta os outros e faz com que eles me vejam no meio de tantos talentos".

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A maratona de publicidade do filme era intensa. Cory e Daniel se desdobravam para estar em todos os veículos de comunicação da tv, Internet, rádio, toda a imprensa especializada. Era de manhã em um programa de entretenimento em uma cidade, almoço com entrevista em outra, a tarde já estavam em outro canal, e às vezes a noite faziam mais de um programa. "Vamos deixar esse povo tonto, fissionado, ansioso pra estréia do filme! Não vamos dar tempo pra ninguém respirar", dizia o mantra da agencia de publicidade responsável. Em meio as expectativas pro filme, haviam também especulações sobre suas vidas privadas, o que era normal. Cory sempre dava um jeito de enrolar e fugir das perguntas quando vinham na direção de 'relacionamentos'. Ele não era muito bom em mentir, tinha medo de se atrapalhar e acabar colocando seu maior segredo em risco. Contudo, em certa entrevista para um experiente repórter, Cory não conseguiu fugir e, depois de muitas perguntas, muitos rodeios, acabou se entregando:

"É, eu estou apaixonado!"

"Eu sabia, está estampado em sua cara. Está todo bobo! Quem é ?"

"Calma, deixa eu dizer...estou apaixonado pela minha vida, por tantas coisas boas acontecendo comigo e..."

"Pare, Cory...não queira me enganar, eu sou mais experiente nesse mundo que você!".

O senhor ria ao ver seu entrevistado vermelho, todo sem graça.

"Ah, nos diga o nome, é famosa? Será que eu a conheço?"

"É...estamos no início do namoro, por enquanto vamos ficar assim, só pra nós esse romance. Quem sabe logo a gente resolva abrir pro mundo..."

"Não faça uma coisas dessas comigo, com seus milhares de fãs... conta!"

Cory deu um meio sorriso, arqueou sua sobrancelha e deu por encerrada a conversa.

Noutro dia, nos bastidores de um talk show, ele encontrou uma antiga amiga, Taylor Swift. Fazia um bom tempo que não a via, cumprimentou-a com carinho e ficou por alguns minutos conversando com ela, ambos felizes de se reverem. Mas quem não estava na conversa, e com a intenção de criar uma fofoca, tirou uma foto deles juntos, sorrindo um pro outro e, tratou de polemizar soltando a nota no primeiro programa de fofocas daquela noite.

"Ele não quis nos revelar, mas a gente descobriu: o amor secreto de Cory Monteith!", era a manchete com uma foto de Cory com Taylor. "Eles se encontraram nos bastidores hoje, enquanto aguardavam pra entrar no ar, e não puderam se agüentar... o amor é lindo!".

Cory quando viu a notícia ficou louco: "Meu Deus...Lea!", ele tratou de ligar pra ela no mesmo momento, esperando que ela ainda não tivesse visto, queria alertá-la antes, iria tomar as providências pra desfazer o mal entendido, mas queria primeiro tranqüilizá-la, mesmo sendo mentira, não queria que ela ficasse magoada, nem por um instante, ela não merecia.

"Lea, eu preciso..."

"Calma amor, eu já sei o que você quer me dizer...eu vi"

"Meu Deus, por favor Lea, eu ..."

"...eu sei que isso não é verdade, te conheço bem, sei que nada foi de má fé. Você é muito inocente pra fazer qualquer maldade! Eu confio em você! Não se preocupe. Não sei o que estavam conversando, mas tenho certeza que nunca me trairia."

"Oh, babe...você é incrível, eu te liguei preocupado, pois fiquei com medo de você ter acreditado, mesmo sabendo que confia em mim, pois me disse, ... eu também confio em você, sempre, mas,...sei lá...fiquei mal pensando que pudesse ter ficado magoada, jamais eu quis causar qualquer constrangimento, qualquer mal estar,... se um dia eu te fizer chorar por qualquer besteira que seja, eu me mato...porque ninguém merece que chore, que deixe cair nenhuma lágrima sequer..."

"Nem de felicidade?"

Lea estava emocionada por ele ter se preocupado tanto com ela. Ele não tinha culpa da mídia sensacionalista e inescrupulosa que existia, que gostava de causar polêmica e mentiras só por prazer ou dinheiro.

Cory estava emocionado por ter o amor e a confiança de alguém como Lea, que não se deixava levar por qualquer mentira ou fofoca.

Se ambos estavam seguros do amor que sentiam um pelo outro e tinham a confiança de estarem sendo correspondidos a altura, logo, era hora de dar o próximo passo: era hora de viver esse amor no 'mundo real', na frente de todos, sem precisar se esconder.

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Os dias pra estréia do filme estavam contados. Mais que expectativa, ansiedade, Cory estava uma 'pilha de nervos'. Além de finalmente ter a resposta pelo trabalho, através do lançamento e aceitação de sua atuação, bem como do filme por completo, também ele foi informado que o mesmo havia sido indicado aos membros do Golden Globes Awards. Apesar da premier do filme ser um dia após a premiação, ele poderia concorrer, já que os críticos poderiam assisti-lo antes da estréia em uma sessão especial. O mesmo iria acontecer com outro filme, também estreante após o cerimonial dos prêmios do Golden Globes, e principal concorrente ao filme de Spielberg na premiação.

"Daqui alguns instantes, vamos ter a lista anunciada pela comissão organizadora do Golden Globes Awards, com todos os nomeados, categoria a categoria. A expectativa é grande porque, assim como todos os anos, temos ótimos concorrentes, grandes trabalhos, tanto na tv como no cinema, mas este ano em especial temos algumas promessas... na tv... seriados como o Whisley Depsy, de Chris Colfer, antigo Glee, que agora postula como criador e produtor da série juvenil, além de ... Já no cinema, temos bons filmes, muitos atores que resolveram trabalhar esse ano, depois de longas férias das telonas...mas sem dúvida, os mais esperados são os filmes de Steven Spielberg e James Cameron, os quais ainda nem estrearam e já estão com as bilheterias esgotadas. Hero, de Spielberg, vem com uma história forte, o drama das drogas, como as famílias convivem ou tentam sobreviver com esse mal, baseada em fatos reais; já Revenge, de Cameron, trás um drama cheio de suspense, a história de um homem que busca justiça pra morte de sua mulher e filhos. Duas grandes apostas que com certeza vão ter alguma indicação na nossa lista tão aguardada". Comentava a repórter na tv.

"Cory, vem aqui, senta aqui comigo, logo vão anunciar quem está concorrendo...".

"Ah babe, eu fico nervoso, vou ficar aqui na cozinha fazendo nosso jantar, qualquer coisa você me grita".

Lea estava na sala, sentada, aguardando. Torcia muito pra que o Hero, o filme de Cory fosse listado pra concorrer como melhor filme de drama, ele havia se empenhado tanto, se dedicado tanto, merecia ser reconhecido. Ela queria mesmo que ele tivesse indicação como ator, mas seria pedir muito, já que era o menos experiente dos possíveis concorrentes, saber se isso não seria levado em conta pela comissão.

E chegou a hora tão aguardada...

Duas atrizes famosas de Hollywood, se revezavam com dois atores também reconhecidos, trazendo as indicações de cada categoria.

"Cory, a série do Chris foi indicada, ihuuuuuuuuuu!" Lea ia narrando pra ele, feliz pelo amigo.

Mais adiante...

"Categoria melhor filme dramático: ... Revenge do diretor James Cameron e Hero de Steven Spielberg. Apostas confirmadas, os dois filmes desses dois cineastas aclamados estão na lista, mesmo sem terem estreados", informava uma das atrizes.

"Quero morrer amiga desses senhores, que poder!", a outra atriz brincou, já que não era muito comum um filme concorrer sem ter estreado, apesar de estarem dentro das normas da premiação, pois na mesma semana iriam à público.

"Cory, Cory,...amor, seu filme foi indicado ao prêmio...", Lea veio correndo, gritando até a cozinha e pulou no colo de Cory, extasiada de felicidade.

"Meu Deus...", ele ficou feliz, queria muito que o filme fosse indicado, era um começo pra eles, o primeiro reconhecimento pelo trabalho deles.

"Quem sabe eles não dizem o seu nome daqui a pouco...já pensou!", Lea estava eufórica, com os olhos brilhando imaginando a possibilidade.

"Babe, não sonhe tão alto...eu ser indicado é meio surreal, difícil. Me informei dos outros possíveis concorrentes...você acha que eles tendo Brad Pitt, Russell Crowe, George Clooney, Matt Damon, eles vão olhar pra mim, que caí outro dia aqui?"

"Não se menospreze meu amor. E eu sei que não foi outro dia que você apareceu por aqui, faz tempo que você vem batalhando".

Os dois foram pra sala pra ver o restante das indicações.

"Categoria melhor ator coadjuvante em filme dramático: ... Daniel Radcliffe por Hero, Javier Bardem também por Hero, ...", um dos atores anunciava os concorrentes.

Cory ficou eufórico, seus amigos do filme foram listados. Os dois ainda. Pegou o celular pra mandar um torpedo parabenizando-os. Enquanto estava entretido, viu ainda Hero, ser nomeado pra melhor direção e melhor roteiro. Não havia ordem nos anúncios, com o intuito de causar maior expectativa aos concorrentes.

"Categoria melhor ator em filme dramático:..."

Cory gelou. Lea segurou a respiração.

"...Brad Pitt por …., George Clooney por …., Matt Damon por .….., Russell Crowe por Revenge e Cory Monteith por Hero." Finalizou uma das atrizes.

Lea gritou quando ouviu o nome de Cory. Ele havia conseguido! Mas quando ela olhou por seu lado pra abraçá-lo, o grito foi maior ainda. Ele estava desmaiado.

"Estou bem...acho que estou bem." Ele confortava ela, enquanto era chacoalhado.

"Não vai morrer agora!"

"Eu acho que morri mesmo, eu devo estar sonhando...eles falaram meu nome? Você ouviu?"

"Ouvi, em alto e bom som", ela tranqüilizava-o com um grande abraço.

"Meu...eu...nossa...eu nem imaginava Lea!" ele estava tão perdido, não sabia se gritava, se corria, lágrimas corriam em seu rosto.

Lea também estava emocionada. Chorava junto. Ela acompanhou todo seu empenho e agora era como se pudesse compreendê-lo, entender o que estava passando naquela cabecinha extasiada de felicidade.

"Você merece!", ela lhe deu um beijo e lhe abraçou tentando acalmá-lo.

Alguns minutos depois, e Cory já mais calmo, não vencia atender os telefonemas, agradecer a tanta gente que vibrou com ele pela sua primeira indicação à um prêmio consistente. Lea sorria admirando orgulhosa seu amor, enquanto o mesmo se desdobrava entre as ligações.

"Quero ver como vai ser no dia da premiação!...Você está todo perdido hoje, imagina no dia 'D', sozinho no meio do povo, com tanta gente te felicitando, amor".

"Nem brinca, não me mate antes do tempo. Além do mais, não vou estar sozinho...", ele voltou-se pra ela, com um sorriso encantador, com suas típicas covinhas na bochecha, "...vou estar contigo!", ele a beijou vendo que havia provocado um espanto nela, "acho que já chega de nos escondermos, nesse dia tão importante pra mim, quero que você esteja junto comigo, mais do que pra me dar forças, me acalmar, mas pra celebrar se por ventura eu ganhar alguma coisa! Você esteve desde o início junto, me acompanhou em toda essa caminhada, acreditou em mim, agora que compartilhe comigo!"

Lea ficou maravilhada pelo convite. Estar com ele nesse momento era o que ela mais queria.

"Claro que eu vou, sempre fomos amigos pro pessoal! E, ..."

"Você não vai como minha amiga, babe. Você vai como minha namorada!", ela arregalou os olhos e pulou no seu pescoço. Finalmente!