"Não professo, de modo algum, a evasão e enfrentamento à lei. Isso abriria caminho para a anarquia."
- Martin Luther King, Jr.
Capítulo Dezoito: A é de Audácia
O poder era algo com que Bella nunca conseguiu lidar realmente. Ela definitivamente era uma seguidora, e não uma líder. Ela nunca costumava dominar uma conversação, tampouco era alguém que desafiava as regras. Na maioria das vezes, ela deixava Edward tomar conta desse aspecto da amizade deles. Vez ou outra ela o provocava sobre isso, chamando-o de "vossa alteza" e "vossa majestade", apenas para implicar com ele, embora não fizesse isso há anos.
Aí estava um problema na relação deles, algumas vezes - o desejo de controlar de Edward, e a incompetência de Bella em dizer não a ele. Isso havia resultado na escapulida escondida para assistirem a Entrevista com o Vampiro no cinema quando tinham onze anos, e também foi a causa de Bella ter se acidentado no penhasco. Emmett jamais deixava esse pequeno fato passar batido. Ele tinha a mania de sempre dizer a Bella que faltava nela ter peito e "colhões" para enfrentar Edward.
Talvez fosse verdade, ela pensara sobre isso em diversas ocasiões, mas havia alguma coisa por trás de sua ausência de enfrentamento contra seu melhor amigo, e contra todas as suas aventuras e ridículas armações: ela gostava de vê-lo feliz. Para ela, não existia nada mais lindo do que Edward agraciando aquele sorriso branco como pérola na direção dela, mesmo que isso significasse que ela estaria se comprometendo de alguma forma, e ela sabia que ele pensava da mesma maneira.
Se Bella fosse ser sincera, o sorriso de Edward era de tirar o fôlego. Mesmo quando tinha cinco anos e perdera o dente da frente enquanto mordia uma maçã no recreio, seu sorriso ainda assim era uma coisa preciosa - com janelinha e tudo. Ele portou aquele sorriso orgulhosamente ao tirarem a fotografia de turma daquele ano, e a mãe dela achou aquilo adorável. Bella tinha achado um máximo, pois ela ainda iria perder o seu primeiro dente, e também porque Edward bebia água e a espirrava através da pequena fenda. Ela podia até rir disso hoje em dia, pelo absurdo da coisa, mas aos cincos anos de idade, aquele era um truque e tanto.
Quando Edward sorria, toda sua face se iluminava, os cantos de seus olhos se enrugavam, e umas mínimas covinhas apareciam em suas bochechas. Assim como seu pai e Emmett, Edward possuía as famosas covinhas da família Cullen, apesar de que as suas eram bem menos notáveis que as de seu irmão.
Ela amava aquele sorriso quase quanto amava a ele. Era a razão de ela jamais negar alguma coisa a ele; era fisicamente impossível fazer isso. Tudo o que ele tinha que fazer era lhe contar sobre seu louco plano - fosse queimar giz de cera, ou perder as suas virgindades -, ao qual ela argumentaria que era uma ideia idiota, e em seguida Edward simplesmente sorriria e diria que aquilo o faria feliz e isso seria tudo o que bastaria para que Bella concordasse com o plano. Edward sempre a acusava de manipulá-lo ao mostrar-lhe o tão famoso "beicinho", mas ele fazia exatamente a mesma coisa ao apenas sorrir.
Era praticamente impossível negar qualquer coisa a ele quando ele era complacente, mas quando ele sorria, era simplesmente tão impossível quanto caminhar sobre a água.
Porém, justiça seja feita, Bella sabia que ela tinha seus momentos de poder. Recentemente, ela havia colocado Edward amarrado à cama dela - e essa lembrança ainda a fazia corar. Ela não conseguia entender como aquilo tinha acontecido. Na hora, ela agiu com incrivelmente confiante no que estava fazendo, mas momentos mais tarde, quando se lembrava do que tinha feito, todo o seu corpo ficava ruborizado. Era inexplicável a repentina onda de confiança que a atingia sempre que estava prestes a fazer sexo. Ela se tornava uma pessoa completamente diferente, e para ser honesta, Bella amava esse fato - no entanto, havia um outro problema aí nesta constatação.
Ela só era aventurosa desse jeito com Edward.
Sim, ela já havia tentado coisas diferentes na cama em seus relacionamentos anteriores, mas ela jamais sequer ousou fazer as coisas que já tinha feito com Edward. Tudo parecia mais fácil na presença dele. Ela podia ser ela mesma, e inventar as mais loucas ideias, e ele não iria se opor a nada daquilo.
Ele fazia de bom grado tudo o que ela desejava.
Essa revelação infestou seus pensamentos enquanto Bella estava em seu escritório. Ela havia dado vida a algumas das muitas fantasias que povoavam seus sonhos, no entanto, Edward ainda não havia lhe confessado o que se passava em sua mente, e ela tinha certeza de que algo bastante pervertido estaria vagando por lá.
Ela continuou a imaginar quais seriam as fantasias sexuais de Edward. Será que ele gostaria de ser um professor e ela, sua aluna repetente e safadinha? Será que ele a queria no banco traseiro de seu carro? Ou no capô do Volvo, como em um videoclipe do Whitesnake? Ela queria saber. Apesar de terem sido completamente maravilhosos, todos os finais de semana comandados por Edward haviam sido básicos, comparados às loucas brincadeiras com personagens que Bella inventara. Mesmo a noite passada havia sido serena - a noite passada havia sido diferente de tudo.
Ela fora bombardeada por imagens da noite anterior enquanto ia para o trabalho, e mesmo quando já estava em seu escritório. Ela havia refletido sobre o que tinha acontecido por um breve momento enquanto se trocava para sair, e como naquela hora as coisas ainda estavam claras e vívidas em sua mente, as lágrimas se amontoaram em seus olhos antes mesmo que ela pudesse piscar e dispersá-las.
Cada uma de suas cicatrizes, desde a mais obscura marca de queimadura em seu braço, adquirida ao cozinhar um prato de frango para ele em um jantar, até a bruta marca em seu pulso - todas foram veneradas e todas receberam um pedido de desculpa por elas, e cada perdão fora tão sincero, de dar nós no estômago. Ela viu a verdade nos olhos vidrados dele. A noite de ontem tinha sido uma espécie de limpeza da alma para Edward, mesmo que ela jamais tenha o culpado por qualquer coisa que tivesse acontecido. O clima da noite tinha sido diferente do de todas as outras, e ela estava muito tentada a chamar aquilo de amor - eles fizeram amor na noite passada. Fora lento, sensual, e incrivelmente emocional.
"Por que está fazendo esse bico?" Emmett perguntou ao invadir o escritório sem aviso prévio, como sempre fazia. A invasão tinha quebrado sua linha de pensamentos.
Ele se sentou na cadeira à sua frente, inclinando-se, descompromissadamente, para encará-la.
"Estou só pensando em algo triste. E boa tarde pra você também," ela o cumprimentou, seu tom de voz demonstrando o quão irritadiça ela estava.
"Ah, está estressadinha hoje, já entendi. Está naqueles dias?" perguntou ele, rindo, desviando-se de um grampeador que ela atirou contra ele.
"Porque você está aqui? Hoje é quinta-feira. Aquele jogador de beisebol, o gay enrustido, não vem hoje? Aquele que tem uma queda por você?"
"Hoje não, ele tem um jogo fora da cidade. Vim para informar que sua presença é requisitada em minha casa, para o jantar de sábado."
"Quem vai estar lá?"
"Você, o babaca do meu irmão, Alice, o noivo dela, e provavelmente meus pais. Apesar de que eu não sei se quero mesmo que eles venham, porque isso significa que eles terão que passar a noite lá."
"Eles são seus pais, Emmett. Você deve desfrutar da companhia deles," Bella comentou, voltando sua atenção para o manuscrito que estava lendo. Ela estava relendo sem parar a mesma página desde que seus devaneios começaram a assolá-la.
"Sim, e eu amo os dois, mas minha mãe acha que não tem nenhum problema em acordar Rose e eu às seis da manhã do dia seguinte. Amo a minha mãe, mas eu quero dormir."
"Imbecil," Bella murmurou em um quase sussurro - o que não passou despercebido. Ela ainda estava tentando se concentrar em seu trabalho.
"Ei, ei, agora eu me ofendi. Estou sendo civil aqui e você está sendo super antipática. Que diabos deu em você? Terminou com aquele seu novo cara ou algo assim?" sugeriu ele, lançando um bloco de Post-its sobre os papéis que ela estava olhando. Ela retirou as notas grudentas de cima do manuscrito e olhou para cima, seus olhos furiosos.
"Emmett," ela começou, preparando-se para liberar todos as suas frustrações acumuladas em cima dele, mas no último momento, ela respirou fundo e pediu desculpas ao invés da raiva. "Me desculpe, Em. É só que tenho muito trabalho para fazer, e eu fico me distraindo toda hora. Diga a Rose que Edward e eu compareceremos, e que eu vou ligar amanhã à tarde para ver se ela quer que eu leve alguma coisa. A que horas devemos estar lá?"
"Sem problemas, Belly. Vocês podem chegar por volta das seis, mas tenho certeza que Rose falará mais sobre isso," ele riu, vendo o modo como os lábios de Bella estavam pressionados um contra o outro. Ela estava irritada, mas tentando conter a irritação.
"Se isso é tudo, Emmett, então faça o favor, eu preciso voltar a trabalhar. E pare de me chamar de Belly!" ela esganiçou, e levantou-se, apontando um dedo para ele. Emmett riu alto e saiu, mandando um tchau com uma mão por cima do ombro ao fechar a porta.
"Será que todos os homens da família Cullen são enervantes?" ela falou, sem esperar qualquer resposta de alguém.
"Me sinto ofendido!"
"Emmett, vai embora!" ela praticamente berrou para ele, jogando uma caneta em sua direção enquanto ele fechava a porta dela mais uma vez.
Eu juro, todos os homens Cullen têm permanentemente cinco anos de idade, ela pensou.
Bella tentou se concentrar em seu trabalho mais uma vez, porém não conseguia ir além da passagem onde os amantes discutiam a relação e as razões que tinham para mantê-la em segredo. Foi inevitável lembrar-se de Romeu e Julieta. Diabos, ela não conseguiu nem escapar de ser lembrada de seu caso secreto e quase obsceno, o que só serviu para distraí-la ainda mais ao relembrar de seu corpo contorcendo-se sob Edward no sofá, e dos braços dele amarrados, relutando contra as amarras quando ela o provou em sua boca pela primeira vez.
Ela balançou a cabeça para espantar todas as distrações, e novamente tentou focar-se em seu trabalho, mas novamente as palavras desencadearam flashes da pele de Edward, o corpo dele arqueando, seu rosto se retorcendo de prazer, o suor escorrendo por sua face. A mente de Bella estava lhe traindo com cada palavra que ela lia, a ponto dela empurrar o manuscrito para o lado, aborrecida, e girar sua cadeira para encarar a janela.
De sua nova posição, ela conseguia avistar o topo do prédio onde Edward trabalhava. O prédio tinha um telhado de cobre oxidado, com gárgulas de pedra nas quinas das colunas, que ela conseguia enxergar, embora a cobertura de nuvens bloqueasse a maioria das medonhas esculturas.
Enquanto sentava-se virada para lá, olhando para centro de Seattle, ela se indagou sobre o que Edward estaria fazendo. Será que estava em uma reunião? Talvez ele estivesse ajustando a gravata, que parecia muito apertada nesta manhã. Talvez ele estivesse olhando pela janela em direção ao prédio dela.
Ela balançou a cabeça para afastar aquelas ideias malucas, e virou-se para encontrar, novamente, Emmett parado a sua frente, desta vez segurando um buquê de flores.
"Você comprou flores para mim?" ela perguntou, levantando-se para pegá-las da mão dele, mas ele as colocou sobre a mesa dela, cheirando as delicadas flores amarelas.
"O que é isso?" questionou ele. Bella encarou-lhe confusa.
"Não foi você que comprou?" indagou ela, brincando com o caule de uma das flores do buquê.
"Não, mas tem um cartão aí," ele gesticulou para o papel no meio das flores, puxando o pequenino envelope que o guardava.
"Passa isso pra cá, Emmett," ordenou ela, e para sua surpresa, ele o fez.
Ela leu a mensagem no cartão três vezes seguidas, a cada vez achando mais difícil não sorrir largamente na frente de Emmett.
Emmett apenas a observou, esperando que ela lesse o cartão em voz alta, mas ela rapidamente o guardou no bolso, e expulsou o intruso para fora de sua sala mais uma vez. A contra gosto, ele saiu, roubando uma das flores e colocando-a atrás de sua orelha, fazendo Bella rir.
Ela se sentou em sua cadeira, girando-a novamente para encarar a janela, e tirou o cartão do envelope. Ali, estava escrito:
Essas me fizeram lembrar de você.
Espero que tenha um dia melhor do que ontem.
- Edward
Ela segurou o cartão contra seu peito firmemente, enquanto sorria, com os olhos focados nas assustadoras gárgulas a quadras de distância.
oOo
Se a quinta-feira havia provado ser um bom dia, sexta-feira provou o contrário. O dia se arrastou e, embora a imagem das frésias amarelas sobre sua mesa trouxesse um sorriso ao seu rosto, e um doce aroma para o escritório, as exigências do chefe de Bella para que ela terminasse a edição dos três manuscritos que ainda estava lendo, até o final da semana seguinte, estavam pesando no fundo de sua mente.
Ela ficou tão feliz quando a sexta-feira terminou. Há tempos ela não dirigia para casa assim tão rápido, e quando chegou Edward já tinha começado o jantar. Ainda faltaria um tempo para que ficasse pronto, então Bella optou por ligar para Rosalie.
Ela tirou os sapatos enquanto se jogava em sua cama, e discou o número de Rosalie e Emmett.
"Oi, Bella," Rosalie atendeu o telefone, um barulho alto no fundo.
"Ei Rose, o que diabos está acontecendo aí?" perguntou ela, rindo ao ouvir Emmett xingando ao longe.
"Ah, sabe como é. Emmett está dando uma de Sr. Faz Tudo e está tentando montar a mesa nova da sala de jantar. Ele foi pão duro demais para deixar que os entregadores da loja montassem quando a mesa chegou."
"Eles queriam me cobrar cem dólares! Cuida da sua vida!" Bella ouviu Emmett gritar, e em seguida ouviu Rosalie berrar, mandando que ele calasse a boca, e falando algo como 'nada de sexo a menos que ele erguesse a mesa e a deixasse pronta para o jantar com convidados'.
"Greve de sexo, Rose? Isso não é do seu feitio," brincou Bella, ouvindo a risada de Rosalie.
"Às vezes é a única forma de conseguir que Emmett faça alguma coisa por aqui. Eu o amo, mas sinceramente, ele se comporta como uma criança."
"Eu acho que essa é uma característica típica de todos os homens Cullen, porque Edward é exatamente igual," Bella riu e Rosalie se juntou a ela.
"Então, por que telefonas? Faz muito tempo que não nos falamos, sua besta. Estou sentida. Você não me liga mais, e eu ouvi do meu marido que você está saindo com alguém. Aparentemente, você chegou no trabalho parecendo um leopardo," ela provocou, sua voz naquele tom que Bella conhecia muito bem. Era o tom que significava que Bella tinha algumas explicações a dar.
"Me desculpe, Rose. O trabalho tem sido muito estressante ultimamente. Estou ligando para saber se você quer que eu traga alguma coisa amanhã," começou ela, quase optando por não mencionar a última pergunta de Rosalie. "E eu não estou saindo com ninguém. Foi um... caso de uma noite só," ela mentiu.
"Eu entendo, Bella. Não se preocupe, eu estava apenas brincando. O trabalho tem sido exaustivo pra mim, também. Eu amo os meus alunos, de verdade, mas às vezes eu quero torcer o pescoço deles."
"Eu posso imaginar. Por que você escolheu lecionar para alunos da primeira série, mesmo?"
"Eu amo crianças, Bella, especialmente crianças mais novas, porque são como esponjas. Você pode ensinar muito para elas. Você sabe disso," Rosalie respondeu, bufando quando Emmett xingou alto ao fundo.
"Porra, Emmett! Se você riscar o chão, você vai pagar para colocar um piso novo!"
Bella riu enquanto eles se alfinetavam, esperando que Rosalie lembrasse que ela ainda estava do outro lado da linha. Passou-se mais um minuto antes que Rosalie reparasse.
"Me desculpe, Bella. Estou indo dar um jeito no meu marido agora, mas apenas traga alguns daqueles doces deliciosos que você trouxe da última vez, e esteja aqui um pouco antes das seis. Te vejo na quinta, então, e nós definitivamente iremos conversar sobre este tal de 'caso de uma noite só' que você espertamente decidiu não me contar agora," Rosalie se apressou ao ouvir Emmett chamá-la para ajudar.
"Sem problemas, Rose. Até quinta. Fale para Emmett que eu torço pra que ele sobreviva para ver o amanhã," ela brincou, e Rosalie riu, dizendo suas despedidas.
Quando desligou o telefone, ela saiu de seu quarto para encontrar Edward perto da porta da sala, pagando o entregador da comida chinesa.
"Eu pensei que você estivesse cozinhando," ela perguntou ao entrar na cozinha.
"Eu estava, mas decidi que estava com vontade de comida chinesa, em vez disso. Espero que não se importe."
"Não, tudo bem. Acabei de desligar um telefonema com Rosalie. Ela quer que a gente esteja lá por volta das seis e leve alguns daqueles doces de confeitaria francesa que você comprou da última vez."
"Foi o que eu pensei," ele respondeu apático, enquanto passava o Mei Fun.
"O que há de errado?" Bella perguntou, querendo saber o motivo de Edward parecer chateado.
"Nada, Bella. Está tudo bem."
"Por que você está mentindo pra mim?"
"Não estou."
"Está sim. Sempre que a sua voz desce para esse tom grave assim, é porque você está mentindo. Qual é o problema? Por favor, me diga," ela pediu, seus olhos fixos nos dele, os quais estavam vagando para longe dos dela.
"Nada, é sério. É só que estou cheio de coisas na minha cabeça, só isso. Eu juro, Bella. Você sabe que eu não esconderia nada de você," argumentou ele, sorrindo para ela e, claro, ela pôs suas inseguranças de lado e deu de ombros, assentindo com a cabeça.
Eles comeram em silêncio, o que não era raro, porém mais uma vez, Bella não conseguiu não se sentir estranha enquanto tomava sua sopa de ovos e milho verde, sentada na cozinha ao lado dele.
oOo
"Posso te fazer uma pergunta pessoal?" Bella questionou, na manhã de sábado enquanto ela e Edward comiam cereais Fruit Loops direto da caixa, assistindo a reprises de Scooby Doo na TV.
"Bella, você pode me perguntar qualquer coisa," ele voltou-se para ela e sorriu, e Bella sentiu seu coração palpitar uma batida enigmática. Ela se indagou sobre o que seria aquilo, mas abafou o pensamento.
"Qual é a sua fantasia sexual mais obscura, Edward Cullen?" ela perguntou, mantendo sua voz baixa e enrouquecida.
Ela viu os olhos dele arregalando-se enquanto ele se remexia no lugar. Ele deglutiu audivelmente e ela se pegou hipnotizada pelo pomo de Adão dele durante o movimento.
"Você está falando sério?" ele perguntou hesitante, testando a reação dela.
"Sim, eu quero saber. Nesses últimos dois meses eu tenho explorado algumas das minhas fantasias, mas você não. Do que você gosta, Edward? Você gostaria que eu fosse uma enfermeira safadinha? Ou talvez uma colegial safadinha? Ou uma bailarina depravada?"
Novamente, Bella observou Edward engolir o ar.
"Eu apenas gosto-" ele começou, mas Bella o interrompeu.
"Seja sincero, Edward. Eu quero saber."
"Sinceramente, a minha maior fantasia é ser dominado, como você fez quando usou a letra R. Você não faz ideia do quão excitado eu estava; o quão duro eu fico sempre que lembro daquele dia. Eu adorei estar à mercê de uma mulher sensual como você, deixando que me usasse da maneira que quisesse. Eu sei que isso não é lá muito coisa de macho, e que Emmett provavelmente riria de mim, mas eu não consigo evitar ficar excitado com uma mulher que sabe o que quer."
"Sério? Eu nunca teria... nunca teria pensado nisso." Edward deu de ombros e sorriu timidamente, jogando um Fruit Loop vermelho para o alto e o pegou na boca.
"Por que quis saber isso?" perguntou ele, passando a caixa de cereais para ela.
"Eu estava pensando, no escritório, quinta, sobre como você nunca fez nada tão audacioso quanto a minha fantasia do bibliotecário ou a do vampiro."
"Bem, vou me lembrar disso quando for usar a minha próxima letra. Apesar de que eu tenho uma outra fantasia, mas nós discutiremos isso uma outra hora," ele riu, tremelicando suas sobrancelhas, enquanto o Salsicha perguntava a Scooby se ele queria outro Biscoito Scooby.
oOo
"Você trouxe os doces certos?" Edward perguntou quando Bella entrou de volta no carro para seguirem para o jantar.
"Aham, mas por que eles são tão caros?"
"Porque esses são os melhores da cidade, Bells. Você paga pela qualidade!"
"Será que isso se aplica também às prostitutas?" ela brincou, e Edward riu junto com ela.
Após o café da manhã daquele dia, eles pareciam estar muito mais relaxados na presença um do outro, mas ainda havia uma eletricidade entre os dois, um ar de tensão que Bella não conseguia realmente compreender, porém, como na mais perfeita maneira dos últimos dois dias, ela pôs essas indagações de lado.
Eles chegaram na casa de Emmett em pouco tempo, e antes que ela percebesse, uma loira com perfil de modelo estava a atacando na porta.
"Bella!" Rosalie cumprimentou, a puxando para dentro rapidamente enquanto Edward as seguia.
"Rosalie!" Bella cumprimentou de volta, com igual entusiasmo.
"Hmmm... isso é sexy," Emmett falou em meio a assovios, da sala de estar, e Edward juntou-se a ele.
"Crianças. Os homens dessa família são umas crianças," Rosalie falou, em direção à sala.
"Eu não poderia concordar mais, querida," Esme falou ao levantar-se de sua cadeira.
"Bella, meu amor," ela falou, lhe dando um abraço.
"Esme, quanto tempo!"
"Sim, meu bem, muito tempo."
"Como vai, Dr. Cullen," Bella falou enquanto o abraçava. Ele riu e a retribuiu o abraço.
"Bella. Quantas vezes eu tenho que dizer para me chamar de Carlisle?" ele a repreendeu, de brincadeira.
"Ah, então Bella ganha essa grande recepção e eu não ganho nada. Eu trouxe a sobremesa, ok?" Edward bufou como uma garotinho, fazendo com que todos rissem.
"Venha cá, Edward. Estava com saudade. Você não me liga nunca," Esme estapeou levemente o braço de Edward enquanto se afastava do abraço deles.
"Também senti saudades, mãe."
"Tudo bem, já chega de amor. Podemos comer? Eu estou faminto, essa carne de panela está cheirando bem pra cacete," Emmett os interrompeu. Rosalie rolou os olhos e guiou a todos até a sala de jantar.
"Onde estão Alice e Jasper?" Bella perguntou.
"Edward não te contou?" Rosalie indagou, virando-se para Edward, o qual a encarava confuso. "Ela não contou pra você que ela estava indo para Los Angeles nesse fim de semana? Ela foi fazer os últimos ajustes do vestido de casamento."
"Ah," tanto Bella quanto Edward responderam, enquanto seguiam Rosalie.
"Ah, essa é a mesa nova, querida?" Esme perguntou enquanto se sentava ao lado de Carlisle.
"Sim, Emmett passou a maior parte da noite de ontem e o dia de hoje montando. Só espero que ela não desarme em cima de nós," Rosalie brincou, e Emmett fechou um bico. Bella riu para o modo como os irmãos Edward e Emmett realmente eram parecidos.
"Onde você vai sentar?" Edward perguntou para Bella, andando atrás dela. Bella apontou para o lado oposto a Esme e Carlisle na mesa. Edward assentiu e a seguiu, sentando-se a seu lado. Rosalie e Emmett sentaram-se nas duas extremidades opostas da grande mesa.
"Isso está com uma aparência ótima, Rosalie," Edward falou, enquanto servia vinho para todos.
"É mesmo, Rose, e o cheiro também está muito bom," Bella comentou.
"Obrigada, gente. Vamos lá, pessoal, podem atacar," ela instruiu, e todos começaram a passar os pratos adiante.
"A carne está fantástica," Carlisle elogiou, comendo mais um pedaço. Rosalie sorriu graciosamente enquanto todos continuavam a saborear seu prato. Esme perguntou a Rosalie sobre seus alunos, e esse passou a ser o foco principal da conversação do jantar.
Bella riu quando Rosalie descreveu um incidente entre dois de seus alunos, que envolvia cabelos e cola. Edward riu, trazendo para a conversa a história de como ele persuadiu Bella para que eles queimassem alguns gizes de cera em uma pequena caverna de um parquinho, o que fez com que todos explodissem em gargalhadas.
"Quem está pronto para a sobremesa?" Emmett perguntou, enquanto ajudava Rosalie a limpar a mesa.
"Você trouxe aqueles deliciosos doces de confeitaria, filho?" Carlisle perguntou a Edward, que assentiu ao permitir que Emmett retirasse seu prato.
"Vem aqui," Edward falou à Bella, e ela se inclinou em sua direção. Ele limpou com o dedo alguma coisa no rosto dela e em seguida lambeu seu dedo.
"Molho," ele explicou para a expressão confusa dela. Bella sorriu, sentindo o ponto em que ele havia tocado sua face ficar incrivelmente quente. Uma corrente elétrica foi mandada diretamente para suas regiões ao sul.
Quando se voltou para a mesa, ela encontrou todos ali encarando os dois, mas nenhum deles disse uma palavra. Rosalie e Emmett já haviam trazido a sobremesa.
"Estão maravilhosos," Rosalie falou ao colocar outra bombinha recheada em sua boca.
"Uhumm," foi tudo o que Emmett disse enquanto colocava outra dentro da boca.
"Não coma tão rápido, querido," Esme lhe aconselhou, ao mesmo tempo que comia o doce que estava em sua mão.
Mais uma vez, a conversa concentrou-se em uma pessoa só, dessa vez, Carlisle. Bella rapidamente desviou sua atenção quando começou a esfregar uma perna contra a outra, em busca de fricção. Ela ficou tão aborrecida com seu ciclo menstrual naquele momento. Ela estava desesperada por um alívio, depois que Edward havia lhe tocado. Tudo o que ele tinha feito fora limpar uma gota de molho do rosto dela, mas foi o modo como ele lambeu o dedo que fez Bella reagir dessa forma. Ele a encarou diretamente quando sua língua disparou para lamber a substância.
Sem avisos, sua mão se encontrou sobre o joelho esquerdo de Edward, o que o assustou. Ele se virou para ela e ela sorriu inocentemente, enquanto seus dedos começavam a tamborilar para o norte da coxa dele, como uma aranha. Ela teve que reprimir uma risada quando Edward ficou tenso sob sua mão. Ele sentou-se mais reto e rígido em sua cadeira, seus lábios pressionados firmemente um contra o outro.
Ninguém reparou nos dois, já que eles mantiveram suas atenções na sobremesa e em Carlisle.
"O está fazendo?" ele perguntou por entre dentes trincados quando os dedos dela serpenteavam levemente para cima e para baixo o zíper de sua calça.
"Nada," respondeu ela inocente, mordendo seu lábio inferior. Ela pressionou a palma de sua mão na excitação dentro da calça dele, e ele ligeiramente pulou em sua cadeira, porém ninguém notou.
"Está maluca?" perguntou ele, entre respirações pesadas quando ela começou a acariciá-lo com intenção.
Ela balançou a cabeça ao pressionar sua mão contra ele com mais força. Ela teve que suprimir uma outra risada quando Edward agarrou as laterais de seu assento, e seus quadris começaram a se elevar contra a mão dela.
Bella desviou seus olhos dele, mantendo sua mão em movimento, e grata pela longa toalha de mesa que cobria a sua pequena performance. Ela jogou algum comentário para dentro da conversa, a fim de não levantar qualquer suspeita acerca do silêncio dos dois. Edward se esforçou para manter um rosto sério quando Bella parou os movimentos para que pudesse desabotoar a calça.
"Bella," Edward disse entre dentes quando ela puxou o zíper para baixo, propositalmente fazendo pressão para que ele sentisse a vibração do zíper. Ele deglutiu audivelmente, e Bella lambeu os lábios ao ver seu pomo de Adão erguendo e descendo da forma sensual como sempre fazia.
Ela sorriu quando deslizou sua mão para dentro da cueca boxer, e pegou o membro dele, libertando-o da restrição do tecido. Ela em nenhum momento tirou os olhos de Carlisle enquanto ele descrevia um caso complicado que tinha acabado de diagnosticar. Rosalie e Esme pareciam tão interessadas, e Emmett parecia mais interessado nos doces do que no tópico da conversa, porém continuava prestando atenção.
A mão de Bella moveu-se para baixo, lentamente, sobre a extensão enrijecida de Edward, antes de trazer sua mão para cima devagar, circundando sua unha curta do dedão sobre a parte inferior da glande inchada dele. Edward pulou em seu assento, rapidamente transformando um gemido em uma ligeira tosse, o que chamou a atenção de Emmett.
"É," ele falou, sua voz rouca e grave. "Caiu no... agh... buraco errado," comentou, apontando para o doce meio comido em seu prato. Emmett bufou e voltou seu foco para sua própria sobremesa e para Carlisle.
"Agh, Bella," ele gemeu lentamente, sua boca fechando-se firmemente quando a mão dela acelerou, apenas diminuindo a velocidade quando ela provocava o pequeno orifício da cabeça de seu membro.
"Bella," ele soltou, sugando o ar entre dentes, sem fôlego, enquanto seus quadris subiam para encontrar as passadas dela, que vinham na direção contrária. Ela virou a cabeça apenas ligeiramente, olhando para ele através de sua visão periférica. Ele murmurou um "tão perto" sem emitir sons, e ela acelerou sua mão ao fazer o movimento de subida. Ela viu brevemente quando os nós dos dedos de Edward ficaram pálidos ao agarrarem com mais força sua cadeira, antes de se voltar para a mesa. Esme estava comandando a conversa agora. Bella pegou alguns doces em seu prato, com a mão esquerda, e colocou um em sua boca.
Todos riram de algo que Esme tinha dito e Bella se uniu a eles, embora não fizesse ideia do que estava acontecendo ali. Ela estava focada no membro que pulsava em sua mão. Ela deu uma olhadela rápida em Edward, reparando seus cílios se debatendo quando seus olhos começaram a rolar para dentro de sua cabeça.
Ele estava quase lá.
Ela podia sentir. Ele começou a se retorcer na mão dela, e seus quadris ondulavam com mais fervor.
"Bella," ele arfou. "Não consigo... segurar... mais," sussurrou ele, e então gozou sobre a mão dela, estremecendo em sua cadeira, passando despercebido por todos ao redor.
Ela manteve sua mão sobre ele, coletando os traços de prazer que escorriam dali, até ele parar. Ela removeu sua mão lentamente, dando-lhe oportunidade de guardar seu pênis dentro da calça e abotoá-la.
Bella pegou um dos doces no prato, colocando-o em sua mão direita, e o comeu vagarosamente. Edward assistindo o tempo todo.
"Essas bombinhas estão muito gostosas. Eu não consigo parar de comê-las," ela gemeu e todos à mesa concordaram, redirecionando sua atenção de Esme.
Edward observou hipnotizado quando Bella lambeu a mão para limpá-la. Ela sabia o que estava fazendo. Uma sobrancelha dele ergueu-se enquanto ela fechava os olhos, em êxtase, ao lamber sua mão e limpá-la de resquícios de Edward.
"Então, Bella, quem é esse novo cara que Emmett me contou que está saindo com você?" Rosalie fez a pergunta, direcionando a atenção de todos para cima de Bella.
"Bem, ele é... ele é..."
N/T: Bella safadinha, não? Bem, só quero avisar, porque nunca é demais: não repitam isso em casa! hahah
Me deixem suas REVIEWS pra eu ler e ficar alegrinha, por favor? Lembrem-se que, pro meu azar, eu não tenho nenhum Edward pra me aliviar e me alegrar! hehe
Beijos!
