Capítulo Vinte e Dois: Onze a menos, Apenas Quinze por Vir
Já eram dez horas quando Edward finalmente acordou na manhã de sábado. O sol infiltrava-se pela pequenina abertura entre as cortinas semi fechadas. Ele não teve coragem de fechá-las completamente ontem à noite, já que ficara inebriado pelos flashes reluzentes que piscavam no Madison Square Garden¹, do outro lado da rua. De seu quarto de hotel, ele conseguia ouvir o burburinho do complicado trânsito da cidade de Nova York, mesmo estando a quinze andares de distância.
Ele sentia-se descansado, relaxado, e ao se espreguiçar, não conteve a sensação de felicidade que o envolveu quando um ardor espalhou-se por seus músculos enrijecidos. Enquanto estava deitado na cama, observando a decoração intricada de padronagens douradas no teto acima, ele não conseguiu pensar em outra coisa que não fosse o telefonema da noite anterior.
A noite passada tinha sido maravilhosa. Entretanto, ele odiou não poder estar lá para ver Bella se tocando, contorcendo-se de prazer em sua cama enquanto ele comandava o corpo dela à distância, pelo telefone. Por outro lado, ele adorou poder ouví-la.
A voz dela estava deslumbrante no momento em que gritou o nome dele. Estava rouca e profunda; do jeito que ficava sempre que ela estava excitada. Era tão incrivelmente sexy. Edward amava o modo como a voz de uma mulher ganhava um tom mais grave, enrouquecido nessas horas. Não havia nada mais sensual ou hipnotizante. Qualquer homem comprovaria esse fato; ou ainda, qualquer homem estaria disposto a encarar até mesmo uma palestra sobre menopausa, se esta fosse apresentada por uma mulher de voz suave e sensual. Os lábios da Angelina Jolie não eram a única razão pela qual os homens a desejavam.
A voz de Bella sempre ficava uma ou duas oitavas mais grave, e o nome de Edward nunca soava tão bem quanto naqueles momentos. Aquilo jamais falhava em fazê-lo se sentir como um adolescente cheio de hormônios. Era pura biologia, de verdade. Todo seu sangue corria para seu pênis assim que a primeira sílaba de seu nome, articulada naquela erótica voz, saía dos lábios dela. A noite de ontem comprovara isso com todos aqueles sons, todos os sons que ele desejava poder escutar em cada minuto de cada dia, sons que ele queria poder ter presenciado pessoalmente.
Até mesmo o simples som que o vibrador fazia dentro dela, embora baixo para ouvir ao telefone, quase o levaram ao orgasmo. Ele conseguiu ouvir nitidamente os sons do vibrador deslizando por entre o sexo umedecido de Bella, e isso o fez enfurecido com o fato de que não era ele quem estava lá entre as pernas dela. Já fazia tanto tempo desde a última vez que ele pôde sentí-la daquela forma, e havia uma ardência na parte inferior de seu corpo, um desejo incontrolável de sentir as pernas de Bella envolvendo sua cintura, um desejo de penetrar fundo no calor que ela oferecia.
Foram as imagens de como Bella estaria parecendo naquela noite que o fizeram chegar a seu ápice. Só de imaginar o corpo dela retorcendo-se na cama foi suficiente para mexer com ele, até mesmo agora, em seu estado meio dormindo, meio acordado; ele podia sentir o familiar formigamento do sangue correndo para o sul.
Com sua mão posicionada firmemente ao redor de si mesmo, ontem à noite, ele manteve os olhos fechados enquanto imaginava Bella deitava em seu lençol macio.
Ele visualizou a forma como o suor descia pelo peito dela, e como se aglomerava em sua clavícula, para escorrer por suas costas quando se arqueava na cama. Com seus olhos fortemente fechados, ele viu o corpo de Bella ruborizado, seu cabelo grudado à testa, seus dedos dos pés fechando-se, e seus olhos rolando para dentro das pálpebras. Ele imaginou a forma como a boca dela abria sempre que, de tanto prazer, não era mais capaz de pronunciar mais nenhum som; era apenas uma respiração estremecida.
Para Edward, não havia mais lindo do que ver Bella perdendo o controle, vê-la jogando suas hesitações pela janela e se deixar levar pelo êxtase intenso que ele era capaz de lhe proporcionar.
Porém o melhor de tudo era senti-la próximo a ele.
Só o fato de tê-la por perto já era incrível. Só o fato de poder abraçá-la, e sentir sua pele sensível contra a dele, seu corpo quente contra o dele, era a sensação mais maravilhosa - ou pelo menos era isso que ele achava antes.
Os lábios dela tocando o canto de sua boca... a onda de calor flamejante que ele sentiu... o quase beijo... aquela sim tinha sido a sensação mais incrível.
Ele ficara tão confuso e surpreso na hora, que nem sequer reagira. Refletindo sobre isso, agora, ele desejou ter virado sua cabeça para o lado na segunda vez que ela o beijou, para que assim seus lábios encontrassem os dela.
Nas últimas três semanas, o impulso de beijar Bella na boca vinha crescendo. Havia uma atração invisível, uma força a qual ele não conseguia lutar contra, e para ser bem sincero, ele não queria mais reprimir isso.
O jogo deles estava mudando - ou melhor, Edward acreditava piamente que o jogo já havia mudado, que já tinha ganhado um aspecto novo. As regras deles estavam lentamente sendo aniquiladas, uma por uma; uma mudança lenta, porém perceptível, e Edward esperava que todas as regras desaparecessem um dia.
A cada rodada do jogo ele ficava mais perto daquilo que ele se negava a admitir. Eles estavam sempre tentando superar a rodada do outro, tentando trazer o outro ao limite do prazer supremo, ir e voltar lá. Havia um magnetismo ali, uma conexão inexplicável, uma expressão profunda e mútua de sentimentos, emoções que ele não conseguia apontar o que realmente significavam. Ele sabia o que ele queria que essa expressão fosse, sabia o que desejava que aquela coisa fosse. Porém Edward descartara essas ideias, e concluíra que o que ele queria estava fora de questão.
Vinte minutos após essa revelação de partir o coração, Edward finalmente fez um esforço para sair da cama e abrir as cortinas. Ele passou alguns minutos olhando para o Madison Square Garden, e para o grande painel de TV anunciando um show para aquela noite e os ingressos dessa temporada dos jogos dos Knicks. Ele admirou a pressa com que os pedestres andavam pela calçada, e a forma como os carros serpenteavam e manobravam seu caminho em volta deles. Ele conseguia até apontar quais eram nativos e quais eram turistas, pela maneira como eles se moviam na rua.
Esse era um daqueles momentos que Edward desejava poder compartilhar com Bella. Ela teria amado observar o corre-corre da grandiosa metrópole.
Enquanto a trilha sonora da cidade tocava ao fundo, Edward sentou-se em uma cadeira e continuou a olhar pela janela. Por alguns breves momentos, ele ficou completamente parado, sentindo-se cheio de remorso, até que seu celular começou a vibrar.
"Edward!" Emmett berrou ao telefone, e Edward assustou-se com o som alto, fazendo-o segurar o telefone para longe de sua orelha.
"Tinha necessidade disso?" Edward repreendeu, e Emmett gargalhou alto.
"Claro que sim. Tudo o que eu faço tem uma finalidade," Emmett explicou. Dessa vez Edward fez um som de desaprovação igualmente alto no celular.
"Tenho certeza. Mas importa-se de esclarecer qual o propósito dessa vez?"
"Hm, alguém acordou no lado errado da cama," comentou Emmett, e Edward grunhiu para avisar que ele não estava no clima de brincadeiras, e que devia se apressar.
"Emmett. Diga o que tem que dizer, e me deixe em paz."
"Está bem, está bem. Poderia me explicar sobre aquilo que Rose me contou sobre você e Bella?"
Naquele momento, Edward sentiu-se como se o mundo tivesse girado 360 graus em seu eixo. Ele ficara tão desorientado com o comentário, que quase errou a cama ao sentar-se nela.
"O que você quer dizer?" Perguntou ele, apreensivo. Edward não queria abrir o jogo se Emmett não soubesse das coisas com exatidão.
"Não banque o inocente comigo, irmãozinho. Você sabe muitíssimo bem do que eu estou falando. Desde quando vocês estão transando?"
Edward não devia ter ficado em choque por aquela pergunta, mas ele estava.
"O que foi que ela te contou, exatamente?"
Edward quase xingou a si mesmo de todos os nomes possíveis ao ouvir o arfar de surpresa vindo do outro lado da linha. Ele soube bem naquele instante que tinha acabado de se entregar.
"Então é verdade? Vocês dois estão realmente..." Emmett deixou a frase suspensa no ar até Edward confirmá-la com um simples 'sim'.
"Uau. Não consigo acreditar que os dois finalmente tiraram os olhos dos próprios umbigos, e perceberam o quanto vocês já são praticamente casados."
"Do que está falando, Em?" Edward perguntou, embora ele já tivesse entendido o que Emmett tentava dizer.
"Ah, pelo amor de Deus!" Emmett gemeu.
"Eu realmente não sei o que você quis dizer com aquilo."
"Quem foi que começou esse lance, Edward?" Emmett questionou, e pelo seu tom de voz, Edward percebeu que seu irmão já sabia que tinha sido ele quem havia iniciado a brincadeira.
"Foi uma coisa mútua," Edward respondeu e Emmett xingou para ele.
"Porra, não vem com essa! Seja honesto comigo, Edward. Quem iniciou o jogo? De quem foi a ideia?"
Edward não conseguiu evitar os risos, abaixando a cabeça. Ele se sentia novamente como um garotinho sendo reprimido por seus pais, só que dessa vez era Emmett dando a bronca.
"Por que está rindo?"
"Nada não," Edward despistou, suprimindo as risadas.
"Então foi você, não foi?" Emmett perguntou e Edward pegou-se mais uma vez tendo que rir ao rolar os olhos para o celular em suas mãos.
"Por que você perguntaria uma coisa que você já sabe a resposta?"
"Porque eu quero ouvir você admitindo isso," Emmett explicou. Seu tom de voz estava ficando mais sério, bem parecido como quando ele terminava uma consulta com um de seus pacientes.
"Não há nada para realmente admitir, Emmett. Sim, eu que dei a ideia, mas foi Bella quem desenvolveu as regras," ele esclareceu e ouviu uma pequena comemoração de vitória de Emmett.
"Quer dizer que vocês dois estão mesmo transando todo fim de semana, usando o alfabeto?"
"Sim," Edward respondeu, em um murmúrio. "E às vezes durante a semana."
"Caramba. Quantas letras vocês já usaram, então?"
"Onze. Por quê?"
"Isso já está acontecendo há três meses?" Emmett praticamente berrou de indignação no telefone. Edward sabia que ainda não haviam se passado três meses de jogo, mas ele não estava a fim de corrigir Emmett, visto que isso levaria a uma discussão mais aprofundada sobre os encontros dele e de Bella em dias de semana.
"Sim. Bom, isso é tudo que queria saber?" Edward, claramente de saco cheio, perguntou.
"Não," Emmett rapidamente respondeu. "Tenho mais uma coisa a perguntar."
"Manda."
"Lembra-se de tipo, dez anos atrás? Quando você me perguntou sobre perder a virgindade?" Emmett começou, e o irmão o interrompeu.
"Se está querendo saber se Bella e eu nos beijamos, a resposta é não." Ele explicou e Emmett arfou em surpresa, incrédulo.
"Vocês não se beijam quando fazem sexo? Qual o problema de vocês?"
"Quando eu tinha dezesseis anos você me disse que eu não deveria beijar alguém com quem não planejo estabelecer um relacionamento amoroso," Edward protestou, indignado, e Emmett bufou.
"Você é um idiota. Eu disse que se você estivesse disposto a arriscar sua amizade com Bella, então que fosse em frente, e a beijasse. Caso contrário, então que não a beijasse."
"Então, agora você me diz que eu devo beijá-la?"
"Sim!"
Foi uma afirmação simples, uma única palavra que fez o coração de Edward vibrar e fez um calor intenso percorrer sua espinha.
"Por que dizer sim agora? Por que não dez anos atrás?"
"Porque naquela época eu acho que você não sabia o que sabe hoje," Emmett respondeu, misteriosamente.
"E isso seria...?" Edward perguntou, irritado. Ele estava ficando frustrado com a habilidade de Emmett sempre estar certo.
"Quando você propôs a Bella que jogassem esse tal jogo; você propôs por que sabia que ela ia aceitar participar, ou por que você queria que ela aceitasse?"
E lá estava, Edward pensou. A pergunta que dez anos antes tinha sido tão fácil de responder, mas que agora ele não sabia qual era a resposta.
"Então?" Emmett pressionou quando Edward permaneceu calado.
"Eu não sei."
"Sim, você sabe, Edward. Você sempre soube. Você a ama. Você está apaixonado por Bella."
"Eu amo Bella. Eu estou apaixonado por Bella," ele repetiu, testando o som dessas palavras.
"Eu sei," Emmett falou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e, mais uma vez, Edward repetiu as palavras ao telefone.
"Eu amo Bella. Estou apaixonado por Bella."
"Até que enfim você percebeu isso! Agora tenho que ir, Edward. falo com você quando voltar," Emmett se despediu, porém Edward estava em um estado de graça, e nem sequer notou que Emmett terminara a ligação.
"Estou apaixonado por Bella," ele falou para o quarto de hotel vazio. "Estou apaixonado por Bella," ele repetiu, começando a proclamar isso como uma música.
Tirando-se de seu estado hipnótico, Edward rapidamente mandou uma SMS para Bella, dizendo,
Bom dia, minha linda.
11 a menos. Apenas 15 pela frente.
Mesmo enquanto escrevia, ele sentiu um aperto no peito. Havia somente mais quinze letras por vir, mas e depois?
Enquanto esperava pela resposta dela - uma mensagem que não chegaria pelas próximas duas horas, Edward ficou a se perguntar.
Quando foi que ele havia se apaixonado por Isabella Swan?
Em que bendito momento ele tinha começado a amar sua melhor amiga?
E por que ele não percebera isso antes?
N/T: ¹Madison Square Garden - um famoso e grande estádio de NY, onde ocorrem shows igualmente grandes e aqueles famosos jogos, principalmente de basquete, como o do Knicks. http:/ wayfaring. info/wp-content/uploads/2007/04/madison-square-garden. jpg
E então? Agora ele já admitiu pra si mesmo, quando será que ele vai admitir isso pra Bella? E o principal: como?
Reviews são sempre muito bem-vindas! :)
