13. Premier
Um novo dia com cara do dia anterior... Já não estavam mais no Golden Globes, mas muitas caras que estavam circulando por lá, também estavam na premier de Hero. Muitos já estavam listados há algum tempo porém a grande maioria foi convidada de última hora.
"Steven, você tem que parar de nos dar esses sustos? Como você convidou toda essa gente? Onde vamos acomodar todo esse povo pra assistir?". Um dos produtores encarregados pra cuidar da premier falava aflito pelos demais, vendo que mais uma vez o cineasta convidou muita gente de última hora.
"Brian, meu garoto, respire, calma. Sei que apareceu mais pessoas do que havíamos programado, mas...você sabe como são as coisas... acabei me empolgando. Mas fique tranqüilo, pelas minhas contas, vai caber todo mundo. Por isso combinamos um lugar grande como esse. Sei que no final tudo vai dar certo".
Spielberg tinha muitos conhecidos, era muito querido por todos. Também tinham aqueles que meio que 'imploravam' pra estar com ele. Mais a imprensa costumeira...resultado: o tapete vermelho da premier não conseguia acomodar tanta gente, e principalmente, gente famosa, de prestígio, celebridades e muitos paparazzis e repórteres. Todo aquele movimento deixava a produção que sempre acompanhava Spielberg, atordoada. Eles se desdobravam mas no fim tudo se encaixava.
Quando a turma de Glee entrou naquele ambiente, ficaram fascinados.
"Isso está parecendo o Grammy, o Oscar! Quanta gente!", Dianna exclamava, absorta.
"E eu que nem me arrumei tanto!", comentou Kevin.
"Ah eu por via das dúvidas, como sou prevenido, dei uma caprichada, porque depois de ontem...o sucesso, os prêmios, era certo que hoje isso aqui iria estar uma loucura!", afirmou Chris.
Eles se misturaram entre as pessoas, foram abordados por alguns repórteres, até que a atenção de todos foi direcionada pra entrada do tapete: Cory apareceu de mãos dadas com Lea. Vendo que chamaram a atenção mais ainda do que na noite anterior, Cory apertou a mão de Lea e começou a desfilar através do tapete. Não demorou muito até que foram abordados por pessoas cumprimentando-os, Cory pelo feito da noite anterior, e ambos pelo relacionamento. Nem dois segundos, e já se formava praticamente uma fila de repórteres ansiando pra falar com o casal. Depois de responder inúmeras vezes as mesmas perguntas, tanto sobre o filme quanto ao namoro, Lea e Cory finalmente entraram no cinema.
O filme foi muito mais além das expectativas atiçadas pelo trailer estendido passado na noite anterior, na premiação do Golden Globes. Muita gente emocionado, muita gente chorando, até os próprios atores e produção que, finalmente assistiam seu trabalho final, se emocionaram. Um filme muito triste retratando o quão as drogas podem dilacerar uma família, mesmo tendo muito amor, união e carinho. Um 'banho' de atuação dos atores:
Não teve quem não ficou com raiva e ao mesmo tempo com pena, ao ver que o pai daquela família, ao ser afastado do exército por problemas de saúde, não encontrando mais nenhum emprego descente, se desespera e começa a beber até se tornar um alcoólatra, chegando ao ponto de bater no filho mais velho com uma garrafa, quando este apenas queria ajudá-lo a sair daquela situação. Ou ainda, se assustar vendo aquele menino tão doce do início do filme, Daniel, se transformar num monstro e destruir a casa, quebrar tudo, roubar, se drogar literalmente na frente das câmeras. Sem dúvida, todos que assistiam tiveram vontade de 'entrar na tela' pra ajudar Cory, quando ele tentava em vão ajudar o pai e o irmão, quando ele arrastava o pai do bar, cuidava dele mesmo sendo agredido, insultado, quando teve de segurar o irmão pra que ele não se machucasse durante uma de suas crises de abstinência. Agora cenas que tão cedo ninguém da platéia irá esquecer: quando Cory sabe que a mãe se matou por não agüentar mais aquele ambiente, a dor nos olhos do rapaz era inexplicável. Quando ele encontra o pai morto, supostamente devido a um coma alcoólico, ele abraça o pai e chora lágrimas de sangue por não ter conseguido evitar aquilo. Quando Cory e Daniel estão brigando, o irmão mais novo alcança uma faca da cozinha e aponta pra Cory. Ele ao invés de recuar, instiga Daniel a matar ele, porque senão ele vai fazer de tudo pra impedir o irmão de se drogar, vai até no inferno se tiver que buscá-lo, ambos os atores gritando, um verdadeiro 'show', terminando a cena com Daniel mudando suas emoções, seu rosto, de raiva pra desistência, dizendo "eu nunca iria te fazer nada, eu não tenho coragem, porque eu te amo", abraçando seu irmão, desabando em lágrimas e desespero. A cena que deu a Cory o prêmio na noite anterior, claro que o filme como um todo contou, mas esta foi uma das mais importantes: quando ele chega ao ponto de seu limite, quase sem sanidade, perdido, confuso, atordoado, quase se mata com cacos de vidro de uma janela que ele mesmo quebrou pra obter os cacos, depois de um acesso de culpa causado pelos gritos desesperados e raivosos de seu irmão menor drogado. Ele pedindo ajuda da mãe morta, de joelhos,, enquanto apertava o vidro em sua mão, se segurando pra não cortar o próprio pulso. Aquilo sim é que era desespero! A platéia inteira chorava. Mas eles mal podiam esperar. Havia uma cena pior ainda, que ninguém havia visto, já que fazia parte do final. Cory vai atrás do irmão no inferno mesmo. Vai buscá-lo num lugar onde vendiam drogas. Além de encontrar o irmão roubando o próprio dono do lugar, ainda tem que ajudá-lo a sair dali. Eles são perseguidos por bandidos, abordados, e quando acham que está tudo perdido, Cory protege Daniel com o próprio corpo quando pensa que vão ser fuzilados. Nesse momento, uma outra gangue entra no meio deles, não pra defendê-los, mas por questões de território e tal. Mesmo assim, os irmãos conseguem fugir em meio aos tiros. Cory percebe que não vão conseguir sair dali vivos, pois se lembrava das ordens do chefe dos bandidos, "matem quem pegou meu relógio e tragam aqui!". Ele então pega do bolso do irmão o tal relógio e empurra o garoto em um moro, "se você quebrar vai ser um braço ou uma perna, finja-se de morto!", ele disse ao menino, enquanto chamava a atenção dos homens em sua direção, tirando-os dali. Os bandidos o seguiram e na primeira oportunidade, cercaram Cory e dispararam vários tiros. Saíram dali. Daniel veio correndo e se desesperou ao ver o irmão caído no chão com vários tiros. Num último suspiro, ele fez Daniel prometer que iria mudar de vida, parar de se drogar, se tratar, e viver por eles dois. Assim ele o fez, enquanto chorava vendo o irmão mais velho morrer em seus braços, por ele. Nisso ele ouviu os bandidos voltarem e se escondeu. Eles esqueceram que tinham que levar o ladrão ao chefe. "Tinha outro, um menor...", um deles indagou aos outros, nesse momento, Cory se mexeu, havia disfarçado que morreu pro irmão se afastar dali, pois escutou que a gangue voltava. Um dos bandidos pegou sua arma e atirou na cabeça dele...agora sim ele estava morto. "Esquece, vi que rolou pelo moro ali do lado, duvido que tenha sobrevivido a queda, e também, o importante era esse que foi quem roubou". Eles se afastaram levando arrastado o corpo de Cory, Daniel olhava tudo de longe, com vontade de correr atrás, desesperado. Mas do que adiantava, seu irmão morreu. Cory morreu por ele, pra salvar sua pele. Soluços se escutavam entre o público, rostos banhados de lágrimas. O filme termina com Daniel, já mais velho, deixando uma clínica de reabilitação, vendo alguns anúncios de emprego, fazendo planos pra uma faculdade. Ele pega sua mala, seu casaco e coloca na cabeça o mesmo boné do exército que seu pai usava, depois seu irmão, agora ele, mas ao contrário deles, do pai que salvou um país, do irmão que além do país salvou ele, Daniel apenas conseguiu salvar a si próprio, mas sentia o mesmo orgulho que os dois antecessores dele sentiam: dever cumprido! As luzes se ascenderam, a platéia ainda chorava.
Uma grande salva de palmas ecoou no salão. Lea olhou pra seu amado, orgulhosa. "Incrível! Sem dúvida, o melhor que assisti até hoje!", ela beijou-o, já perdendo ele no meio da multidão de se formou ao redor dele, para abraçá-lo.
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"Cory, você esteve sensacional! Que filme! Nossa", Dianna, e o restante da turma de Glee abraçavam o amigo, orgulhosos e extasiados com a apresentação que viram.
"Vamos comemorar Cory, nós já programamos tudo, pedimos pra um barzinho aqui de perto, deixar um lugar privado pra gente", Mark estava animado, seguindo o que haviam combinado com os outros.
"É sim, vamos, não adianta negar, é nossa oportunidade de passarmos algum tempo juntos, todos nós, como nos velhos tempos!", Kevin interviu.
"Vamos brindar, que apesar do tempo e da distância, e de você e a Lea finalmente terem visto o que todo mundo aqui já sabia, ..." Chris riu acompanhado da turma olhando pra Cory e Lea, "...ainda continuamos amigos, ainda nos gostamos como na primeira semana que começamos a trabalhar juntos".
"Ok, me convenceram, mas primeiro eu vou ter que ir no coquetel da premier, eu e a Lea, daí encontramos vocês no tal local".
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"Nossa mas isso aqui está melhor do que imaginamos!", Cory exclamou entrando um local fechado do tal bar, vendo todos muito animados, bebendo, dançando, cantarolando.
"Não acredito!", Lea ficou espantada ao ver uma turminha pulando num pequeno palco improvisado.
"Sim, nós encontramos um Karaokê", Chris respondeu à surpresa da amiga.
"Pessoal", Cory chamou a atenção de todos, "vocês são muito loucos...adorei!", Lea cutucou ele. "Ah, espero que não se importem, mas trouxe comigo alguns amigos...", ele apontou pra porta, por onde entraram algumas celebridades, inclusive Daniel Radcliffe. Todos ficaram de 'queixo caído', com vontade de correr dali, da situação ridícula que se encontravam.
"Estava meio chato lá, espero que não se importem. E já vou avisando que o primeiro duelo no Karaokê meu vai ser contra a Sra. Lea Michele", Daniel fez uma brincadeira pra 'quebrar o gelo' daquele momento embaraçoso.
"Adoro isso, vamos lá então, quero ver do que você é capaz!", Lea provocou.
"Daqui a pouco, primeiro eu vou me aquecer, vou beber um pouco, conversar com uma ou duas das suas amigas bonitas, depois eu vou, porque assim já de imediato vai assustar o resto dos candidatos!", Daniel deu de ombros, arrancando gargalhadas de todos. Pronto, todo mundo estava em 'casa'.
A noite foi pequena pra toda aquela turma de amigos comemorar. O dia amanheceu quando os últimos deixavam o lugar, com a promessa de promoverem mais noites como aquela.
