14. Intrigas
As semanas passaram, Cory continuava sendo muito abordado e reverenciado pelo filme, Lea fora com ele em vários eventos como uma boa namorada faz, acompanhando, dando apoio. A mídia oportunista aproveitou pra fazer em cima dessa situação sua mais nova e envenenada fofoca, escolhendo Lea como vítima. Quando era uma nota aqui ou ali, ela não dava muita importância, mas em pouco tempo, meio que da noite pro dia, elas começaram a aumentar tanto em quantidade quanto em tamanho. Lea começou a ficar atordoada, zonza, bombardeada com tanta maldade. Todas traziam em comum o mesmo conteúdo: Lea estaria usando a boa fase do antigo amigo, agora 'namorado', pra tentar promover sua carreira, já que ele tinha agora muitos contatos, importantíssimos, além de estar fazendo um grande sucesso em Hollywood. Talvez até o próprio 'namoro' era conveniente pra ela. Apesar dela saber que o que aqueles veículos de comunicação diziam não era verdade, que não passava de fofocas, sempre eles batendo na mesma tecla, estava começando a machucá-la. E pior de tudo, é que ela não conseguia mais esconder de Cory isso, despejando justamente em quem não devia, toda sua angustia.
"Lea, já conversamos sobre isso, babe. Pare de dar ouvidos a essa gente intrigueira", mais uma vez ele argumentava pra ela não prestar atenção nessas bobagens.
"São bobagens, mas eu não estou mais agüentando! Todo dia, em todos os lugares! Só porque eu não estou em um grande espetáculo aclamado da Broadway e sim num 'caseiro' que eu o Chris montamos, acham que não estou fazendo nada! A série que sou protagonista começou outro dia, ainda não chegamos nem na metade da primeira temporada, estamos ainda engatinhando, porque todos tem que ficar exigindo sempre mais?"
"Calma, amor, eu sei, eles também sabem. Só querem nos atordoar pra daí sim conseguir alguma bomba, alguma intriga! Seu musical está sendo muito bem comentado pela crítica, é de poucas proporções, mas como você mesma falou, é o primeiro, 'é sua produção'. Está tendo sucesso de público também. E o seriado, babe, eu já ouvi também falarem maravilhas a respeito, então, de tempo ao tempo! Amanhã eles acham outro pra tentar infernizar!"
A tv estava ligada, e Lea quando percebeu que era mais uma nota dela, aumentou o volume.
"Amanhã a noite, em mais uma premiação do SAGs, vamos ter mais um desfile de celebridades por esse tapete aqui, seus maravilhosos vestidos, elegantes cavalheiros, todos da indústria cinematográfica. Estão sendo muito aguardados esse ano... e é claro, suas esposas, namoradas, uma mais deslumbrante que a outra. Claro que tem muita mulher que serve aqui apenas como troféu de exposição devido a sua beleza, ou ainda como escorra, já que não passam disso mesmo, nadaram e morreram na praia. Tem gente que nem pra escorra não serve devido a altura!", a repórter de um canal de entretenimento que cobria o evento tecia seus comentários maldosos, e Lea percebeu que alguns foram direcionados pra ela, já que Cory era mais uma vez um dos grandes nomes da noite.
Ela saiu da sala derrubando um vaso que viu numa mesa no corredor.
"Você tem que aprender a se controlar Lea, não pode levar tudo tão a sério!"
Ela virou-se fuzilando ele com toda a raiva que estava sentindo, quase afogando-a.
"Não leve tão a sério Lea, só falta dizer que sou infantil, mimada"
"Não quis dizer isso, mas está parecendo!"
"Olha o que estão fazendo comigo!...você não vê o que estão falando de mim? Virei piada! Todo esforço, todo meu empenho, meu trabalho...virou nada! Agora nem pra escorra eu sirvo?", ela esbravejou.
"Nós conversamos tanto Lea, tanto. Esse tipo de mídia quer isso mesmo, criar intrigas, plantar desavenças, por isso não podemos nos ater a isso. Hoje seremos nós, amanhã vai ser outra pessoa. Você se deixando levar por esse tipo de coisa só vai te deixar mal".
"Hoje não somos nós, sou eu que eles estão atacando!"
"Ok, então você acha que se alguém faz alguma coisa pra você não me atinge, eu não sinto nada, não me afeta?"
"Sinceridade? Não está parecendo que está ofendido!"
"Então porque eu não estou revidando nem quebrando coisas é que não estou dando a mínima, estou fazendo pouco caso? Muito bem Sra Sarfati, agora sim chegamos no ponto certo da questão. Acho que conversamos muito antes, montamos uma base sólida de confiança, mas acho que só pra mim valia, só se você se destacasse mais que eu, pra mim saber como lidar com possíveis fofocas. Eu me preparei pra confiar em você e em mim acima de tudo, fosse a situação que fosse, você tendo mais reconhecimento e sucesso profissionalmente que eu, o contrário, os dois juntos, me preparei pra ser o seu namorado, mas também da Lea famosa, celebridade, estrela. Pelo visto, você só se preocupou em se preparar pra que eu te acompanhasse, nunca pra me acompanhar. Isso não é troca, não é um relacionamento".
"Você está me chamando de 'diva' ou coisa desse tipo? Essas suas palavras é que são de uma pessoa assim! Eu também me preparei pra te seguir e não só ser seguida. O que peço é um pouco de compreensão... porque só estão te elogiando ultimamente, acha que essas ofensas que estou agüentando são criancices minhas? Só estava querendo um pouco de apoio, o mesmo que venho lhe dando desde o início do namoro!"
"Você acha que não estou te apoiando? Isso sim é uma ofensa! Você não sabe quanta gente eu tive vontade de esganar nos últimos dias quando ouvia falando algo sobre você, teve alguns que até amecei denunciá-los, discuti, coisa que odeio fazer. Só não te disse nada pra não pôr mais lenha nessa fogueira. Quando escutei agora pouco, junto com você, aquela mulher falando, pensei até de protestar e cancelar nossa presença. Dane-se o prêmio, o evento que for, se acho que estão ofendendo alguém, principalmente você, não tenho porque ir".
Os dois estavam exaltados. Finalmente os fofoqueiros conseguiram o que queriam: eles tinham tido sua primeira briga. O que eles dois pensaram ter construído com base sólida e firme, estava cheio de rachaduras!
"Tenho alguns compromissos agora, mais tarde nos falamos. De cabeça quente não vamos resolver nada!", Lea pegou a bolsa e ia saindo em direção da porta, quando Cory falou:
"Nisso você está certa, mas enquanto não repensar e voltar a ser aquela Lea forte que ninguém atinge nem derruba com nada, deixar de ser essa criança boba que acredita em qualquer bobagem, não volte".
"Arrume então outra mulher pro SAGs de amanhã a noite, porque a criançona aqui não vai servir de escorra mais uma vez", ela saiu batendo a porta atrás dela, correndo pra ele não ver seus olhos cheios de lágrimas. Cory quis correr atrás dela, ..."droga, eu não acredito que isso está acontecendo!", mas quando foi já era tarde, ela havia partido. Ele voltou pro apartamento, afundando-se no sofá, a cabeça enterrada entre as mãos, lágrimas teimavam em escorrer pelo seu rosto.
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Aquele dia demorou a passar. Tudo dava errado. Pela primeira vez na vida, um diretor pediu mais atenção de Lea e foco no trabalho. Eles estavam filmando mais um capitulo do seu seriado, Ellen, onde vivia uma jovem cantora que vinha pra Los Angeles, Hollywood em busca dos seus sonhos. Era uma cena simples, mas Lea não conseguia acertar uma frase sequer do texto.
"Pausa", disse o diretor chamando ela em um canto.
"Amor, o que você tem hoje? Está em qualquer lugar, menos aqui. Preciso da minha protagonista aqui. Seja lá o que for, deixe lá fora, por favor! Tenho certeza que vai conseguir resolver. Calma, ok!", ela respirou fundo pra não começar a chorar, "agora vai tomar uma água e começamos de novo daqui 10 minutos".
Com Cory também não estava tão diferente. Ele e seu agente não se entediam, tinham muitas propostas a serem estudadas pra próximos trabalhos, inclusive filmes, mas não entravam num consenso pra escolher em quais ele trabalharia.
"Escolhe você, depois me comunica", disse Cory desistindo, se jogando num sofá do escritório.
"Quem é você? Não, porque você nem de longe é o Cory. Que é isso? Nunca discutimos por nada, nem nos piores momentos com pouco trabalho! E ainda parece desinteressado! O que aconteceu?", replicou o agente.
Cory lhe contou que ele e Lea haviam brigado por causa dessa onda de notícias maldosas, dizendo que ela estaria se aproveitando do sucesso dele e tal. Eles conversaram um bom tempo. Cory ouviu bons conselhos do amigo, mas mais que isso, ele foi orientado a dar tempo à ela também, não sendo mais uma pessoa exigindo dela. "Num momento assim, o melhor é você estar do seu lado, e não sendo mais um querendo que ela seja isso ou aquilo. Vocês dois precisam ter mais paciência, tranqüilidade, calma mesmo! Logo eles mudam de foco e esquecem vocês, senão, vocês mesmos vão encontrar um meio de contornar essa e até outras situações. O importante é vocês dois não se perderem: você não perder a si mesmo, ela não perder a essência dela, e ambos não perderem o que sentem um pelo outro".
"Você está coberto de razão" disse Cory, "não podemos perder nosso amor próprio e nem o amor um pelo outro!"
"Amor é importante, mas eu falava em outra coisa...respeito, vocês nunca deixem de lado o respeito por vocês mesmos, no que acreditam, no que valorizam, e nisso inclui o respeito um pelo outro, tendo isso, pode vir o que vier. Digo isso, porque estou a tanto tempo nessa estrada e já vi tanta gente se perder quando alcançou o sucesso, pessoas que tinham o mundo pela frente à ser conquistado, se perderam nas drogas, no meio desse mundo de intrigas, traições e fofocas! Gosto muito de você Cory, gosto também da Lea. Não quero que sejam os próximos!"
Cory abraçou o amigo em agradecimento à aquelas doces lições.
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"Ok Lea, pela enésima vez, chega de chorar...você já chorou o permitido por essa vida e por todas as que estão por vir. Chega querida, eu já chorei junto e você sabe que não gosto, porque amanhã eu vou estar com imensas olheiras!" Jonathan Groff, um dos melhores amigos de Lea, tentava consolar a amiga. Depois de um dia tão atrapalhado, ela chamou pelo amigo pra desabafar, precisava conversar com alguém. Depois de algumas taças de vinho, Lea estava mais calma, e pode se concentrar nos conselhos do amigo.
"Lea, tenha calma minha querida, se não agüentar, chore, quebre o mundo, mas sozinha, não dê o gosto à essa gente mesquinha de ver que estão conseguindo. Faça pouco caso das maldades, dê de ombros pros problemas, não torne eles ainda maiores. Esse é o primeiro passo. Em segundo lugar, faça isso pra você mesma, esnobe essa gente, você é maior que isso tudo. Não entre no jogo deles, não dê 'armas' para mais fofocas. Uma nota sem provas, vira apenas fofoca que dura um dia, dois. Tire vantagem meu bem das fofocas. Até nas piores, tire algo bom!"
"Você falando assim parece ser fácil!", ela disse se lamuriando.
"Nada é fácil! Também se fosse não teria graça", ele fez cócegas na amiga até ver um pequeno sorriso, "assim está melhor! E minha amiga, não desconte em quem te ama e quer só o seu bem"
"Eu sei, me arrependo de ter brigado com Cory por causa disso. Como te contei, ele me pediu justamente pra ter mais calma, pra não me abalar, não dar importância, mas 'pai', estava tão difícil...eu sei que tenho que arrumar forças e erguer a cabeça, mas quanto mais eu tento mais eu afundo!"
"Então pare de tentar! Faça! Você é uma das mulheres mais lindas que conheço, talentosa, cheia de trabalhos, projetos, amigos, família que te ama, e um homem maravilhoso disposto a atravessar o oceano só pra passar uma noite contigo! Ânimo menina! Você tem o poder e não meia dúzia de 'abutres'! Ah se eu tivesse um homem daqueles pra mim... já estava feliz da vida!", Lea deu um tapa no amigo enquanto ele suspirava.
"Talvez um dia eu divida contigo"
"O que? Vai dividir o 'bofe' comigo?"
"Pare, trabalhos, amigos. Isso eu divido contigo, 'meu bofe' jamais!"
O clima finalmente ficou mais ameno. A brincadeira de Jonathan trouxe mais leveza à alma de Lea. De repente, o celular de Lea começou a tocar. Ela ficou sem ação quando viu que era Cory.
"Atende", Jon ordenava à ela.
"Não, estou confusa, com vergonha, não sei nem o que dizer..."
"Diga a verdade, que o ama, e o resto se ajeita. Lea Michele Sarfati, atenda!...Oi Cory, sim é o Jon, sim ela está aqui, ela vai passar a noite comigo, amanhã vocês conversam...ok, eu sei sim, calma, está bem eu digo, abraço"
"O que ele disse Jon?"
"Que você é uma boba!"
"Não é verdade"
"Não, ele não disse isso, disse que te ama"
Lea abriu um sorriso no seu rosto inchado de tanto chorar.
"Mas que você é uma boba, você é!", ela deu outro tapa no rapaz.
