15. Fazendo as pazes
Cory e Lea, desde que começaram a namorar passaram várias noites separados, mas nunca brigados. Aquela noite demorou uma eternidade pra acabar. Nenhum dos dois dormiu. Quanto mais tentavam, menos conseguiam. Saudade, culpa, angustia, vontade de sair correndo dali e ir ao encontro do outro. Os sentimentos estavam à flor da pele, juntamente com as lembranças da briga misturadas com os momentos mais simples, casuais que passavam juntos. As longas noites que perdiam o sono e ficavam conversando, as tardes um perdido no colo do outro apenas assistindo tv ou ouvindo música. As manhãs que começavam pegando fogo, as noites de loucuras e êxtase, cada lembrança fazia seus corpos estremecerem, como se pudessem até 'sentí-las'. Quando amanheceu o dia, Lea viu uma mensagem em seu celular: "estou aqui e sempre estarei por você porque te amo", ela chorou lendo aquela frase de Cory. Era dali que iria encontrar forças pra superar e passar por cima de todo aquele 'lixo', através do amor que compartilhavam um pelo outro. Levantou-se e foi trabalhar, munindo-se de muita disposição para recuperar o atraso de ontem. Mas antes, retornou uma mensagem à ele: "obrigada, também te amo, por favor me dê tempo. Cumpra seus compromissos de hoje a noite, depois nos falamos".
Cory quando recebeu a mensagem ficou aliviado, pois percebeu que ela estava melhor, mais ao mesmo tempo teve vontade de cancelar tudo, desistir de comparecer no SAGs.
"Você não pode, agora é você que tem que ter calma, seja profissional. Tem o prêmio que está concorrendo e ainda você prometeu ao Steven que iria prestigiá-lo, já que vai haver uma homenagem à ele pelos seus anos como cineasta. Erga a cabeça e cumpra seu papel". O agente não deixou ele desistir.
Cory foi ao evento, mas foi quase na hora de começar, evitando ter muito contato com os jornalistas. Escolheu alguns pra conceder entrevistas e fotos. Com a cara séria, não lembrando em nada o Cory simpático e atencioso de sempre. Ao ser perguntado por Lea, ele apenas respondia que ela tinha outro compromisso que não pode adiar. Sua cara e a ausência da namorada contribuíram para uma nova fofoca: "eles devem ter brigado!". Dessa vez ao menos a fofoca era verdadeira.
Em casa, vendo a cobertura do evento, Lea engoliu o choro quando viu o estado que Cory estava, visivelmente triste e apenas com um meio sorriso amarelo no rosto. Mas quando ouviu uma repórter na tv especular o por quê ele estaria sozinho, se haviam brigado e tal, Lea ficou com muita raiva, "pelo menos dessa vez estão falando a verdade, mesmo sem saber", ela pensou.
Cory ficou apenas durante a cerimônia e assim que terminou, saiu ainda mais rápido do que havia entrado no local. Não agüentava ficar mais nenhum minuto ali. Não tinha clima pra mais nada. Ele não ganhou o prêmio que concorria como melhor ator, dessa vez a premiação ficou mais dividida, mais isso nem sequer o abalou. Ele só tinha um pensamento em mente, iria resolver ainda naquela noite sua situação com Lea.
Lea adormeceu vendo o evento. Além de ficar a última noite em claro, ter chorado rios de lágrimas, trabalho o dia todo com muito afinco, logo, seu corpo se entregou e ela dormiu na metade da apresentação. Mas seu sono não foi tranqüilo, teve muitos pesadelos, todos envolvendo Cory. Via cenas do filme em que ele morria, não conseguia discernir o que era realidade o que era fantasia. Acordou nervosa, chorando.
"Chega! Chega de criancice, eu o amo, não vou ficar chorando aqui longe dele", ela levantou do sofá, pegou a chave do carro e sua bolsa, iria encontrá-lo aonde quer que eles estivesse aquela hora. Quando abriu a porta, deixou cair o que segurava e abriu o seu maior sorriso: "Cory!", ela pulou nele, entrelaçou seus braços em torno do seu pescoço. "Cory por favor me perdoe, eu não devia ter atirado em você todas minhas angustias, todos meus problemas, sei que só queria me ajudar, eu sou uma boba!", ela falava rápido, sem parar nem ao menos pra respirar, apertando-o junto dela.
"Eu sei", ele respondeu, "nós vamos passar por tudo isso juntos, combinando forças e não medindo elas. Me perdoe também amor, por não ter mais calma contigo, prometo que não vou te cobrar, quero sim é somar com você!".
Eles se separaram, os olhos dela cheios de lágrimas encontraram os dele também marejados: "Eu te amo!", saiu do coração de ambos, através de suas bocas, num mesmo coro. Eles entraram pra dentro do apartamento de Lea, foram até o quarto dela. Mais nenhuma palavra foi dita. De maneira lenta, contemplando, aproveitando cada momento, eles se amaram, de uma nova forma, com muito mais amor do que já haviam compartilhado. Lea tirou o smoking que Cory ainda vestia, sem desviar o olhar dos olhos dele. Ele assim também o fez, tirou a roupa que ela vestia, compenetrado nos olhos dela. Na cama, beijos cheios de doçura e amor eram trocados sem pressa, as mãos que sempre pareciam dobrar em número, deixando seu parceiro louco, dessa vez deslizavam preguiçosamente, acariciando, sentindo cada curva. Mais que unir seus corpos e saciar um desejo, naquele momento eles uniram pra sempre os seus corações. Depois de fazerem amor, dormiram entrelaçados: Lea enterrada no peito dele, segura, Cory abraçado à ela, protegendo-a do mundo.
