16. Vamos Apenas Namorar

Depois daqueles dois dias penosos, Lea e Cory decidiram tirar um dia de folga, de tudo, das suas vidas de celebridades, dos compromissos, para apenas passar um dia juntos, apenas namorar.

"Mas isso não é irresponsabilidade da nossa parte Cory? Anti profissionalismo?"

"Não, às vezes a gente precisa parar um pouco pra acertar algumas coisas que não estão ficando boas ao longo do caminho, antes que a gente perca-as. E eu não quero te perder". Ele sorriu beijando-a. "Falei com sua equipe de Ellen, e seu diretor concordou em lhe dar o dia de folga. Ele me disse que talvez seria o melhor mesmo. Mas mandou avisar que amanhã vai tirar seu coro!" Cory ria brincando com ela, "ele também está preocupado contigo".

"E você?"

"Não se preocupe, pedi pro escritório remarcar meus compromissos. Hoje o dia é só nosso!"

Os dois não fizeram nada de anormal, apenas coisas típicas de namorados. Claro que sendo Cory muito romântico, fez com que cada coisa fosse especial. Tomaram café sentados em baixo de uma sombra, bem escondidinhos, no meio do Central Park. Tiraram fotos um do outro, de quem passava por eles e não acreditava que eram eles mesmos. Fizeram compras divertidas e muito diferentes do que estavam habituados nos últimos tempos: nada de grifes e lojas famosas, escolhiam aquelas mais estranhas, riram muito. Se iam usar aquilo algum dia era outra história. Almoçaram comendo besteiras na rua mesmo. "Amanhã eu vou ter que ficar só a pão e água!", Lea incomodava o namorado, "isso parece programa pra meninos! ... mas eu estou amando!". Corriam no meio do povo, como duas crianças que fugiram de casa. Caminhavam abraçados tomando sorvete, olhando as vitrines, provando óculos, bijuterias e outras bugigangas que encontravam nos camelôs. Quem iria imaginar ou acreditar que aquele casal tão simpático, vestidos de forma tão casual, tão normal naquele verão insuportável de Nova Iorque, eram dois artistas famosos. Lea usava um vestidinho floral, de alças, levemente rodado, de cabelo solto protegido por um chapéu e sapatilhas parecia uma menina. Cory de camiseta, bermuda, tênis e boné, estava mais pra um garotão do que pra homem feito. De óculos escuros, mas não pra se esconder do mundo, apenas pra proteger os olhos, eles desfilavam pelas ruas movimentadas. Loucura! Conviver com certas pessoas no seu meio de trabalho era a verdadeira loucura. Algum ou outro que ao se beliscar, percebia que eram reais, pedia algum autógrafo, mas no geral, o passeio foi divertido, não passaram por nenhuma situação constrangedora. Assistiram alguns artistas de rua, Cory emprestou um skate de um grupo de meninos pra tentar ensinar Lea a andar, sem muito sucesso, porém rendeu muitas risadas principalmente da turma de meninos. Quem via eles, imaginava que fossem sósias. O fato é que ninguém os incomodou, mas algumas fotos e comentários agitaram as redes sociais da Internet, despertando a curiosidade de alguns paparazzis. Eles acabaram flagrando o casal de namorados observando o pôr-do-sol, abraçados. Enviaram para a produção de um famoso site de fofocas o qual mandou que os dois homens ficassem grudados no casal. Felizmente eles perderam Lea e Cory, mas prometeram que iriam procurar e logo dariam mais notícias. Nem bem anoiteceu, e já mais uma nota 'pipocava' na Internet e também na tv: "ao que parece Lea Michele e Cory Monteith não estão separados, apesar dele ter estado sozinho no SAGs de ontem a noite, com a cara mais feia do mundo. Hoje os pombinhos passaram o dia circulando por aí, namorando!", dizia umas das manchetes. Enquanto isso, Lea e Cory ainda não tinham terminado seu dia de folga. Cory comprou flores pra ela de um garoto que vendia próximo a um restaurante que jantaram. A felicidade do garoto com o dinheiro que Cory lhe deu como pagamento, o qual fora bem generoso, alguns conselhos que o ator deu ao menino também, só não foram mais importantes dos autógrafos que ele ganhou e um beijo que Lea lhe deu. No meio do jantar, uma senhora de certa idade, reconheceu eles e veio cumprimentá-los. Disse que lembrou deles de Glee, que amava os dois, que era Monchele desde aqueles tempos. Eles riram com o comentário da senhora. Fazia tempo que não escutavam mais 'Monchele'.

"Querida, eu ouvi muita coisa chata a seu respeito, mas tenho certeza que são calúnias, porque sei que você não é capaz dessas barbaridades! Essa gente não tem mais o que fazer. Nunca fique triste por esse tipo de gente, não dê ouvidos! Você é muito maior que eles", a mulher deu um beijo em Lea, parecia que aquela senhora lia seus olhos e viu que os últimos dias da moça não foram dos mais fáceis. Depois abraçou Cory e pediu pra ele cuidar 'da nossa menina' como ela mesmo definiu Lea.

"Ela parece um anjo Cory!", depois da conversa com a senhora, Lea se sentia abençoada, leve.

"Talvez ela seja!"

Após o jantar, eles ainda tinham fôlego pra desafiar uma agitada Times Square. Passearam por entre as pessoas, curtindo cada um daqueles imensos painéis, sempre de mãos dadas, como se fossem um casal visitando ali pela primeira vez em lua de mel.

"Está gostando do passeio amor? Ou está muito chato? Sei que você nasceu aqui mas correu a vida inteira, pensei que ..." ela, que estava com a cabeça encostada no braço de Cory, levantou o olhar até ele.

"...pensou certo, babe, nasci, cresci aqui, mas nunca passiei, nunca parei pra apreciar esse lugar que gosto tanto. Pelo menos desse jeito aqui com você namorando, nunca! Estou adorando!", ela lhe deu um grande sorriso convidando-o pra um beijo apaixonado. Mas quando ia se beijar, se deram conta que não estavam sozinhos. Além deles dois e uma multidão de pessoas que transitavam entre eles, indo e vindo, havia também alguns flashes que estavam longe de ser de fãs ou curiosos: eram paparazzis.

"Acho que nossa tour por Nova Iorque está com as horas contadas!", Lea riu e puxou o namorado pela mão. O casal começou a correr entre as pessoas e os dois paparazzis seguindo-os. Apesar da inconveniência e a parte chata de ter que correr como fugitivos do seu próprio passeio, Lea e Cory acabaram levando aquilo como uma brincadeira e se divertiram muito enganando os dois sujeitos entre as pessoas, usando tudo o que viam pela frente como obstáculo, pulando, se esgueirando aqui e ali. Virou uma festa pra eles. Algumas perceberam e ajudaram eles, importunando os paparazzis. No final, os dois sujeitos acharam que haviam perdido o casal. Cansados, eles pararam em um sinal, tentando imaginar onde poderiam estar 'suas estrelas'. De repente, um caminhão arrancou e atrás dele, no outro lado da rua, Lea e Cory acenavam. Porém quando os homens foram tentar alcançá-los, foram impedidos pelo intenso trânsito no local. O casalzinho apaixonado foi embora feliz da vida.

Já na casa de Cory, algumas horas depois...

Lea saiu do banho, de cabelo molhado, descalça, apenas com um baby-doll rosa, simples, tranqüila, sorriso no rosto, de corpo e alma 'lavados'. Cory olhava pra ela vindo em sua direção, parecia que tinha tirado uma tonelada das suas pequenas costas.

"Está com uma carinha tão tranqüila, com um semblante mais sereno...como você está se sentindo?", abraçando ela e beijando seu rosto.

"Estou novinha em folha! Pronta pra enfrentar as feras!", ela sorriu, deixando o namorado mais calmo, vendo que conseguiu o que queria: dar um pouquinho de paz e alegria pra ela. "Quero te agradecer, nunca ninguém fez isso por mim. As pessoas sempre te aconselham, ou te questionam, brigam, querem impor o que acham que é o certo, que vai ser melhor...a solução pros problemas! Mas nunca ninguém pegou minha mão e me levou pra fora do problema, pra eu mesma ver a minha vida do lado de fora, como espectadora. Nunca pude ser eu mesma, me divertir sem me preocupar com nada. Obrigada meu amor, nunca me diverti tanto como hoje!"

"Fico feliz, quis apenas te dar um pouco de alegria, te distrair".

"Agora sei o que fazer, como resolver esse e os próximos problemas...é só não fazer deles maiores do que realmente são. É só parar, ... e respirar. Dar valor e atenção pra quem realmente merece. Pros outros, para a meia dúzia que vem me importunando, eu vou apenas ignorar".

"Assim é que se fala, cabeça erguida babe. Mostre, não perca tempo tentando explicar, apenas faça! Você é melhor do que todos eles juntos, não só por talento, mas principalmente por caráter".

"Ah, que lindo! Você é único, maravilhoso! Eu te amo taaaaaaaaaanto!"

Ela abraçou ainda mais forte o namorado e o beijou, empurrando-o do sofá, caindo ambos no chão, perdidos no som de gargalhadas.