"Às vezes, a sorte lhe sorri."

- Bella Swan, Capítulo 5, Trapaça. Lua Nova, Stephenie Meyer


Capítulo Vinte e Seis: K é de Karma

Pedras e estacas podem quebrar os meus ossos, mas palavras jamais irão me ferir. Edward sequer conseguia começar a contar quantas vezes estas palavras haviam saído de sua boca ao longo de sua vida, nem quantas vezes Bella as tinha dito. Para cada pequeno insulto que ele e Bella despejavam um sobre o outro - como quando ele caçoara do pijama engraçado dela, ou quando um bigodinho começara a crescer em Edward -, as palavras eram rapidamente gritadas, esbravejadas, proferidas, ou o que fosse cabível, mas logo em seguida eles começariam a rir da situação.

Insultos eram sempre jogados para lá e para cá quando Edward e Bella eram menores. Não era de se estranhar quando um chamava o outro de "mané" ou quando xingavam-se simultaneamente, berrando sobre como o outro era "o mais idiota do universo" e coisas do mesmo gênero. Porém quando eram crianças, as palavras jamais tinham muito peso, eram apenas pequenos xingamentos triviais, e mesmo quando passavam dos limites e tornavam-se muito pessoais, tais insultos continuavam sendo apenas atritos de implicância infantis.

Quando pequenos, Emmett sempre era aquele que levava os insultos longe demais. No ensino fundamental, ele adorava falar besteiras, como quando espalhou a história de que Edward ainda fazia xixi na cama aos dez anos, mesmo isso sendo mentira. Quando era a vez de implicar com Bella, Emmett sempre pegava no pé por Bella não interagir com outras crianças, chegando até mesmo a chamá-la de "excluída e anti-social" - mesmo que aos sete anos suas palavras tivessem sido "Bella tem pereba, e é por isso que ninguém fala com ela".

Ao ficarem mais velhos, Emmett começou a implicar com eles por causa da relação próxima que os dois tinham. Ele fazia comentários chulos, geralmente ganhando olhares tortos dos outros colegas, pois afinal todos sabiam que Edward e Bella eram apenas amigos. Os amigos riam e descartavam as insinuações, sabendo muito bem que o boato de Emmett, sobre Edward e Bella estarem "afogando o ganso", era mais falso do que os peitos de uma estrela pornô.

Apesar disso, sempre existiu uma pessoa que achava que os dois terminariam juntos: Angela Weber. Inúmeras vezes, ela fizera comentários sobre como eles foram feitos um para o outro, e como eles tinham sido unidos pelo destino, e que estava tudo escrito nas estrelas. Ela comentava sobre como eles, durante uma conversa, conseguiam terminar as frases um do outro, pois sabiam exatamente o que o outro estava pensando só pelo olhar. Quando os dois batiam o pé e argumentavam com ela, explicando que todos os melhores amigos eram capazes disso, Angela balançava a cabeça, rolava os olhos, e dizia que eles estavam apenas lutando contra a roda da fortuna.

Quando Angela ouviu a história de como eles haviam se conhecido no supermercado, ela gargalhou e ainda gritou: "Eu disse! É o destino!". Edward jamais se esqueceu da expressão no rosto de Angela enquanto ela falava: "Isso é o destino, é o karma de vocês. Esse tipo de coisa não acontece por acaso. Vocês estão predestinados a ficarem juntos, pra sempre."

Tais palavras volta e meia ecoavam na mente de Edward, mas ele nunca tinha dado muita importância a elas até agora, enquanto via Bella chorando do outro lado do quarto.

"Precisamos conversar."

Edward ficou repetindo as duas palavras em sua cabeça ao cambalear de volta para a cama. Em toda sua vida, ele nunca ouvira duas palavras que soassem tão intimidantes e ameaçadoras. Em sua mente, ele as ouvia como uma sinfonia assustadora, com violinos ensurdecedores e um órgão poderoso, enquanto via Bella lenta e timidamente caminhando para sentar-se ao lado dele.

"Precisamos conversar sobre nós dois."

Sua mente estava a mil por hora ao sentar-se no colchão macio. Ele nem sabia como começar a avaliar todas as possibilidades que a conversa prometia, nem as direções que poderia tomar, e o que seria dito. Ele imaginava duas coisas apenas, e nenhuma delas era boa. Nenhuma delas envolvia, nem remotamente, uma conclusão feliz. O fim, era tudo que Edward conseguia pensar. Isso é o fim, ele ficava pensando. Eu a perdi para sempre.

A tensão dentro do quarto estava pesada demais, quase palpável; era sufocante, e Edward sabia que aquilo não estava afetando somente a ele. A tensão pairava densa no ar e mexia com Edward de uma maneira que ele não conseguia descrever. Parecia quase como se uma nuvem carregada estivesse parada sobre suas cabeças.

Ele jamais se sentiu tão nervoso assim. Ele sequer se lembrava de alguma ocasião em sua vida que chegasse perto desse nível de ansiedade que sentia nesse instante. Nem mesmo quando estava a caminho de casa, há pouco tempo, tinha sido tão ruim quanto agora - mas ele sabia que não estava sozinho nessa. Ele podia ver o nervosismo transpirando dos poros de Bella, também.

Todos os nervos dele estavam em alerta, as sinapses disparando agitadas. Cada parte de seu corpo tomava vida própria; cada parte tremia à sua maneira. Suas mãos tremiam em seu colo, sua perna esquerda balançava inquieta, incontrolável. Havia um nó em sua garganta, e ele sabia que a qualquer momento ele poderia debruçar-se e vomitar no chão. Seria uma forma de diluir toda a dor, todo o nervosismo, mas isso não o deixaria mais calmo.

Ele deu uma olhada em seu próprio corpo, e sequer se abalou com o fato de ainda estar nu, enquanto Bella vestia uma regata de alças finas e a cueca feminina que ela usava quando ele chegou, mais cedo. Foi então que ele se deu conta de que mal ele havia chegado em casa, fazia apenas algumas horas, e a merda já tinha sido jogada no ventilador.

Ele reparou que mesmo agora, parecendo a ponto de ter um colapso nervoso, Bella estava deslumbrante. Seu cabelo estava emaranhado, um sinal certeiro de que os dedos dele recentemente estiveram entre as macias mechas onduladas; seu rosto estava ruborizado e sua postura estava horrível. Seus ombros estavam curvados para frente, como se ela quisesse esconder-se do mundo, desolada. Mas apesar de tudo, ela ainda parecia incrivelmente linda para ele.

Durante cinco minutos, os dois ficaram apenas se entreolhando, ou desviando o olhar pra qualquer lugar quando reparavam que o outro também o olhava. No momento em que sabiam que tinham sido pegos, seus olhos rapidamente desviavam para uma peça da mobília ou, no caso de Edward, para a camiseta do Mariner descartada sobre sua cômoda. Ele se perguntou se Bella havia usado a blusa enquanto ele esteve fora, e por um breve momento um sorriso saudoso brincou por seus lábios ao lembrar-se da larga camiseta azul marinho cobrindo o torso de Bella.

Nas poucas vezes em que Edward realmente olhou para Bella sem que ela soubesse, ele pôde ver a trepidação em seus olhos - e ele conhecia muito bem aquela expressão: ela estava nervosa demais.

Seu instinto natural era de ir acalmá-la, perguntar o que estava errado, de abraçá-la e fazer tudo melhorar; fazê-la rir, fazê-la esquecer da conversa que eles teriam que ter, mas ele sabia que não podia. Ele era o motivo de tanto tormento e preocupação estampados no rosto dela. Ele era a razão de seu sofrimento.

E isso estava o matando.

"O que tem a gente?" Edward perguntou, finalmente reunindo coragem suficiente, engolindo os nervos o melhor que podia. A repentina invasão de som em meio ao silêncio absoluto do quarto assustou Bella.

Mais uma vez, o instinto de confortá-la veio à tona, porém novamente ele não podia fazer nada. Isso também tinha sido culpa sua.

"Bella, por favor, fale alguma coisa," Edward implorou, enquanto ela permanecia estática, lágrimas silenciosas rolando por suas bochechas. Por um momento, ele assistiu, em transe, uma lágrima descer até o queixo dela, dependurar e cair em sua coxa.

"Não sei o que dizer... por onde começar," ela sussurrou, e o aperto no peito de Edward pulsou e expandiu-se.

"Não tenha pressa," Edward balbuciou, sentindo-se desconfortável consigo mesmo. Era quase como se seu corpo todo pinicasse de desconforto. Ele inclinou-se para a borda de sua cama e pegou sua cueca do chão, vestindo-a em seguida.

"Nós..." Bella começou, parando ao ver o olhar apreensivo de Edward. Ela deixou escapar um soluço de choro, e dessa vez Edward mandou a precaução para o espaço e pegou a mão dela. Com seu dedão, ele acariciou o topo de sua mão, sentindo os relevos dos nós dos dedos e a maciez da pele que ele tanto adorava.

"Nós o quê, Bells? O quê?" ele avidamente implorou, apertando a mão de Bella, e silenciosamente adorando a forma como ela apertou a dele de volta, tão forte quanto.

"Dói demais," ela confessou e Edward olhou para ela em choque. Ele não sabia o que estava acontecendo com ela e isso o amedrontava. Ele sempre soube lidar bem com as emoções dela, porém agora ele estava confuso, especialmente porque agora isso tudo tinha a ver com ele.

"O quê dói, Bella? O quê? Você não me fala nada!" grunhiu ele, pondo-se de joelhos em frente a Bella, que permanecia sentada no pé na cama. Suas duas mãos agora se encontravam nas dele, e repousavam sobre seus joelhos. Edward engoliu em seco ao sentir a movimentação dos joelhos dela sob suas mãos. Estavam tremendo mais do que os dele.

"Isso aqui," ela respondeu, mexendo seus braços de forma que apontasse para ambos, mas jamais desentrelaçando suas mãos das dele. "Não podemos mais fazer isso, Edward, esse joguinho estúpido. Nunca devíamos ter começado com essa brincadeira."

"Ok," ele sussurrou, ainda segurando as mãos de Bella, porém agora sentando-se sobre os calcanhares. "Mas me diga o por quê? Me dê um motivo legítimo para que a gente pare de jogar?" O aperto em seu peito pareceu crescer e repentinamente romper, de forma dolorosa. Edward sentiu-se como se seu mundo estivesse saindo de sua órbita. Ele não conseguiria parar. Ele precisava dela... dela por inteira. Ele necessitava poder acordar e ver o rosto de Bella, sentir o corpo dela contra o seu.

"Porque dói por dentro," Bella esbravejou, afastando-se de Edward, e levantou-se para andar até um canto do quarto. "Dói pra cacete, Edward. Eu não posso mais suportar isso."

Edward ergueu-se para rapidamente cruzar a cama e chegar até Bella. Segurando-a pelos ombros, ele a virou para encará-lo. Os braços de Bella contornavam seu próprio torso e Edward pegou nos bíceps dela, delicadamente, como se estivesse com medo de que ela fosse quebrar. O movimento fez com que os braços de Bella caíssem pela lateral de seu corpo.

"Bella? Por quê?" ele tentou arrancar alguma resposta dela ao murmurar gentilmente, falando em um sussurro que tudo ficaria bem, porém Bella o ignorou.

"Tudo não vai ficar bem," ela gritou ao desprender-se dos braços de Edward. "Você não entende, Edward! É claro que não. Eu sabia que não entenderia."

"Entender o quê, Bella?" Edward perguntou, frustrado, puxando seus cabelos pelas raízes. "Não sei o que você está tentando dizer. Qual o motivo para acabarmos com esse jogo?"

"Porque é grandioso demais," ela admitiu, rendendo-se, sentando de volta na cama.

"O quê é grandioso demais, Bella? Você não está facilitando as coisas. Me deixe saber o que se passa."

Edward sentou-se novamente no chão em frente a Bella, mais uma vez pegando suas delicadas mãos.

"Eu não posso mais continuar com isso... Não posso mais acordar todos os dias sabendo que..." ela não aguentou prender o choro, e parou enquanto falava. Edward tentou acalmá-la ao gentilmente acariciar a mão dela.

"Você não pode acordar sabendo do quê, Bella? Me deixe saber o que está passando na sua cabeça, meu amor. Apenas me diga. Me fale qual é o problema."

Bella o fitou, seus olhos vermelhos de choro, e novamente sua cabeça caiu para frente quando uma nova onda de lágrimas e soluços tomou conta de seu pequeno corpo. Tudo isso era doloroso de assistir para Edward, pois ele se sentia de mãos atadas diante da situação. Era tudo culpa dele, e não havia nada que ele pudesse fazer para impedir que aquelas lágrimas caíssem ou que a dor aumentasse.

"Não me chame disso," sussurrou ela, confrontando-o, e Edward tombou a cabeça de lado, confuso.

"Te chamar de quê, Bella?" ele perguntou, e Bella mais uma vez bufou.

"Mas é claro, você nem percebe que faz isso," ela murmurou, choramingando. "Não me chame de 'meu amor' se isso não tem o significado verdadeiro."

"Mas é verdadeiro," ele argumentou e Bella bufou novamente.

"Não posso continuar nessa situação... Não dá mais pra acordar todos os dias e saber que quando toda essa aventura passar, nós vamos voltar a ser apenas amigos. E isso é tudo o que sempre seremos: apenas amigos. Não é?" ela murmurou baixo, mas Edward conseguiu ouvi-la.

"Apenas amigos," ele repetiu as palavras em voz alta, e imediatamente sentiu uma dor aguda em seu peito. Era quase insuportável. As duas palavras perfuraram seu coração como balas de um revólver.

"Sim, Edward," Bella respondeu, timidamente, e então o quarto ficou silencioso. Nenhum dos dois disse uma só palavra até que Edward engatinhou pelo chão para recolher os pedaços caídos de papel, colocando-os todos de volta no gorro. Agilmente, ele se levantou e andou até Bella, segurando o gorro a sua frente, e viu quando os olhos dela arregalaram de medo.

"Tire uma letra, Bella," Edward sussurrou, e ela sacudiu a cabeça, negando.

"Tire uma letra, Bella," ele repetiu, e novamente Bella balançou a cabeça. Dessa vez ela começara a chorar, o que levou Edward a ajoelhar à sua frente.

"Tire uma letra, amor."

"Não me chame de 'amor', Edward," Bella soluçou entre suas lágrimas.

"Por favor, tire uma, Bells," insistiu Edward, mexendo o gorro na direção dela, mas ela empurrou sua mão para longe.

"Não posso, Edward. Você não ouviu nada do que eu acabei de dizer? Não posso mais continuar jogando esse jogo imbecil."

Edward tombou a cabeça para baixo e olhou para Bella por sob os cílios por apenas um instante, antes de voltar seu olhar para o gorro de lã em suas mãos. Ele olhou de volta para Bella com um início de um sorriso e puxou um papel.

"Acho que agora é a minha vez," ele anunciou e o queixo de Bella caiu.

"Edward! Não dá mais-" ela começou a dizer mas foi interrompida pelos lábios de Edward. Ele se ergueu, segurou o rosto dela pelas bochechas e deixou um beijo casto em seus lábios. A intenção inicial dele era de dar-lhe um beijo profundo, porém Bella o empurrou bruscamente.

"Por que me magoar desse jeito?" Bella perguntou e Edward balançou a cabeça.

"Bella, você, sinceramente, acha que eu não sinto tudo isso igual a você? Você realmente pensa que meu coração é tão frio assim? Isso já não é mais um jogo pra mim; deixou de ser há algum tempo. Será que você não percebeu? Eu tentei romper com cada uma das suas regras o mais cedo que pude. Bella Swan, eu te amo," Edward confessou olhando diretamente para ela, e viu quando uma luz piscou em seus olhos arregalados.

"O quê?" ela perguntou, sem fôlego.

"Eu te amo, Bells."

"Isso é sério?"

"Você realmente, sinceramente, precisa questionar isso?"

Edward viu um mínimo traço de um sorriso ensaiar uma aparição nos cantos dos lábios de Bella. Os olhos dela começaram a clarear e sua respiração começou a sair em um ritmo mais estável.

"Mas, e agora?" ela perguntou e Edward sorriu brilhantemente para ela, embora houvesse uma pontinha de dor por trás do sorriso. Ele fizera sua confissão, mas Bella não lhe retribuiu. É verdade, ele compreendia que Bella havia confessado querer mais do que uma pura relação de amizade, porém ela não tinha dito que também o amava. Seu palpite era de que ela de fato o amava, mas ele queria ouvir isso vindo da boca de Bella, por mais egoísta que parecesse.

"Não sei, mas a gente continua o jogo até o fim, e depois vemos no que dá daí pra frente."

"Eu acho que você só quer continuar a fazer 'safadezas' comigo," Bella provocou, citando o comentário que Emmett fizera. Edward riu e sentou ao lado de Bella, colocando um braço em volta dela. Ele estava contente por ela estar sentindo-se melhor, mas Edward não conseguia evitar o sentimento amargo por não ouvir um "eu te amo" de volta. Ele não queria pressioná-la nem parecer carente pedindo que ela falasse as palavras, portanto ele ficou quieto e agiu como se estivesse tudo bem - afinal, parando para pensar, as coisas realmente meio que estavam bem.

"E você pode me julgar? Agora eu fiquei acostumado a ter sexo maravilhoso toda hora. É tudo culpa sua, sabe?" ele brincou e Bella riu. Edward estava contente por dentro; era bom saber que as coisas estavam indo como sempre foram, mesmo que não completamente.

"Mas agora falando sério, Edward. Aonde que isso nos deixa? O que nós somos, agora?"

"Nós somos dois amigos que tem sido idiotas demais por não enxergar o que estava bem debaixo de nossos narizes pelos últimos vinte anos...?" ele explicou, porém pareceu mais uma pergunta do que uma afirmação.

"Mas, o que faremos agora?"

"Eu não sei," Edward respondeu. "Vamos apenas esperar para ver aonde tudo isso vai nos levar. Além do mais, eu tenho esse adorável papelzinho aqui que promete trazer muita diversão," ele insinuou, mexendo as sobrancelhas sugestivamente. O clima dentro do quarto estava bem mais leve agora, mas ainda havia uma pitada de tensão no ar, a qual Edward estava lentamente tentando dissolver.

"Então realmente vamos dar continuidade ao jogo?" Bella virou o rosto de frente para ele, e Edward assentiu. "Vamos permanecer dentro das regras?"

"Que regras?" Edward respondeu, presunçoso. "Você mesma disse 'fodam-se as regras', e se bem me lembro, você disse 'todas as regras'."

"Eu sabia que isso iria se voltar contra mim de alguma forma," Bella riu, seus olhos já não mais vermelhos, e Edward sorriu ao ouvir a risada dela, mesmo ainda estando chateado consigo mesmo.

"Você quer que as coisas voltem a ser como eram no início da jogo?"

"Não!" Bella rapidamente respondeu. "Não, jamais."

"Ainda bem, porque aquela regra que proibia beijos estava me matando. Você nem faz ideia," Edward gemeu, enquanto se inclinava para tragar Bella para um beijo doce.

"A mim também," murmurou ela contra os lábios dele, seus dedos entrelaçando nos cabelos dele.

"Qual letra você tirou?" ela perguntou, interrompendo o beijo.

"K," ele respondeu, encarando-a nos olhos. "Apesar de que, para ser sincero, K na verdade é a sua letra, já que estamos na sua rodada."

"Bem, então acho que fico com o K. Eu já sei até o que quero fazer," ela riu e o coração de Edward palpitou uma vez. Bella estava feliz, ou pelo menos era o que parecia, e por enquanto ele faria de tudo para mantê-la assim. Ele não queria mais vê-la sofrendo - nunca mais -, fosse ele capaz de prevenir isso.

"Bom, e aí?" ele indagou, e Bella subiu em seu colo, colocando uma perna de cada lado e o empurrando pelos ombros. Ele deitou-se na cama, olhando para ela e sorrindo. Era tudo o que ele podia desejar. Tudo isso era o seu destino, o seu karma, e era lindo demais.

Bella não disse nada, mas removeu o cabelo que caía nos olhos de Edward, e se inclinou para beijar sua testa. Em seguida, ela desceu os lábios até sua bochecha e por toda a extensão de seu maxilar, até finalmente beijá-lo na boca.

"Isso," ela respondeu contra seus lábios. "Isso é tudo que eu quero fazer." Edward sorriu, trazendo-a para perto, fechando seus braços em torno da cintura dela e a abraçando apertado enquanto eles se beijavam.

E foi apenas isso que eles fizeram pelo resto do dia. Ficaram se beijando como um casal adolescente do ensino médio que eram medrosos demais para dar o próximo passo na relação. Quando Edward refletiu sobre isso, ele concluiu que a descrição era bastante cabível para a atual situação deles.

Ele sabia que devia estar preocupado com o caminho que o relacionamento deles tomaria. O que Bella e ele eram agora? Será que eles estavam em uma relação amorosa, eram namorados? Ou será que continuavam sendo apenas amigos, mas agora "com benefícios"? Ele não sabia responder.

Ele sabia que devia estar preocupado quanto aos sentimentos de Bella por ele - céus, ele deveria estar preocupado até com os seus próprios sentimentos -, mas no entanto, nesse momento ele não estava se importando com nada disso enquanto os lábios de Bella mexiam contra os seus em gentis movimentos.

Esse momento era a perfeição, era tudo o que ele podia desejar e ia além.

Às vezes, a sorte lhe sorri, Edward pensou ao percorrer as mãos pela coluna de Bella, apavorado demais para parar de beijá-la, com medo de que essa pudesse ser a última vez, para sempre.


N/T: Estão vivas depois disso? Eu falei que ia valer à pena esperar!

Bom, só uma explicação "técnica" pra esclarecer possíveis dúvidas: a letra K é para Karma, mas na história original é também para Kiss, ou beijo/beijar, que foi a atividade que a Bella escolheu para a rodada dela. Na verdade, o nome do capítulo em inglês é "K is for Kismet", palavra que aparece naquela frase de Lua Nova lá no início, originalmente: "Sometimes, kismet happens". Kismet significa destino, mas adaptei para Karma, que no fim passa a mesma ideia, né?

Lembrem-se das reviews! ;)

Beijos e até o próximo!