18. O Troco
A última premiação do ano para o cinema, e a mais importante, o Oscar finalmente chegou. A ansiedade e as expectativas eram grandes, pois nas maiores premiações até então, tanto Hero de Spielberg como Revenge de Cameron haviam 'abocanhado' todas as categorias. No Golden Globes, Spielberg levou todos os prêmios, já no SAGs os premiados ficaram divididos entre os dois filmes. Aquele ano foi de uma 'safra' surpreendente de filmes excelentes, muita gente boa, de renome, não foi sequer indicada, outros 'morriam na praia', já que as grandes sensações do momento eram Hero e Revenge, os quais disputam o sucesso até em bilheterias e retorno financeiro.
"Agora vai ser o desempate, hoje vamos ver quem realmente conquistou o mundo!", dizia um dos produtores e amigos de Steven.
"Não, ambos já conquistaram, tenho certeza que tanto os meus que estão concorrendo como os de Cameron estão satisfeitos. Dentre tantos, 'ficamos nas cabeças'! Estou orgulhoso, fizemos um grande trabalho, fomos reconhecidos tanto pelo público como pela crítica. Claro que quem não quer o mais cobiçado, o Oscar! Mas muitos deles já conseguiram muito mais do que isso...conseguiram mais trabalhos". Steven falava dos atores que mal terminaram seu filme já haviam engatado novas produções, além de cada dia estarem sendo mais e mais disputados.
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Flashes, luzes piscando, 'um chama daqui outro dali', muita gente se contorcendo, fazendo malabarismos pra conseguir um melhor ângulo, um diferencial. Repórteres dos mais diversos ramos, cada um tentando uma entrevista exclusiva, a atenção de uma daquelas celebridades que atravessavam o imenso tapete vermelho do Oscar. Celebridades das mais diversas em seus longos vestidos chiquíssimos, cavalheiros elegantes e um mar de fotógrafos que acompanhava cada passo daquelas estrelas, cada gesto, cada piscar. Uma noite impecável, só a 'nata da sociedade' cinematográfica e alguns poucos abastados de sorte que foram convidados.
Mais uma vez, Cory e Lea desembarcaram de uma limusine para atravessar entre as 'feras' antes de chegar na premiação. Cory lembrou dos últimos comentários numa dessas noites importantes, o SAGs, os quais fizeram com que a namorada ficasse em casa. Ele olhou Lea, "Você sabe o que vamos encontrar babe, não quero te forçar a passar por uma situação constrangedora novamente, sei que agora você está bem e por isso não quero que fique triste, porque sabe que os comentários maldosos sempre vão existir. Se não quiser ir comigo, entendo".
"Nada disso", ela o beijou levemente para não borrar seu batom e nem sujá-lo, "eu é que não vou perder de ver você subir naquele palco pra receber um Oscar, só por causa desses idiotas. Vamos lá amor!"
Cory sorriu conduzindo ela pra fora do carro, segurando sua mão com força.
"A propósito, eu já te falei antes quando te vi sair do quarto pronta, mas não resisto, ...você está maravilhosa!...". Lea estava muito bonita mesmo, num vestido vermelho, frente única, deixando suas costas totalmente a mostra e seus seios fartos, a cintura fina contrastava com uma saia volumosa cheia de apliques de cristais na cauda. O cabelo preso em um 'rabo de cavalo' e seu salto sempre altíssimo completavam o visual.
"Obrigada, você também está lindo meu amor, adoro te ver de smoking!", ela sorriu pra ele enquanto cutucava seu abdômen por sob a roupa.
"...não vejo a hora de tirar esse vestido com os dentes!", ele cochichava no ouvido dela deixando-a vermelha.
"Pervertido!".
Eles desfilaram por mais aquele tapete vermelho, sendo constantemente parados para as entrevistas. Fizeram a alegria dos fotógrafos deixando eles tirarem muitas fotos, já que, mesmo saindo juntos muitas vezes, não davam margem pra ninguém fotografá-los, pelo menos não tão a vontade e nitidamente. No meio de todo aquela confusão de fotógrafos e imprensa, Lea avistou um rosto conhecido, a repórter que fez a piada sobre as 'namoradas que só servem como escorras pros homens influentes nas premiações, e que deu a entender que ela, Lea Michele, não servia nem pra isso devido o seu tamanho se comparado com Cory, seu namorado'. Não pensou duas vezes, "é hoje que vou me vingar de você, sua repórter de quinta!".
"Ei, ei, você de vestido azul, ... é você mesma, venha mais perto, vou te dar uma 'exclusiva'!", Lea chamou a mulher, a qual respondeu prontamente, feliz da vida, achando que tinha tirado a sorte grande. Cory logo reconheceu a moça e não entendeu nada.
Quando a repórter veio até perto deles, todos os outros ficaram curiosos, todas as câmeras voltaram-se na direção deles. Lea desceu do salto, ..."babe, não vá bater na moça!", Cory ficou preocupado do porque a namorada tirar o salto, iria ir pra cima da mulher, só pode.
"Calma", ela tranqüilizou o namorado.
Se de salto alto Lea ainda ficava menor que Cory, sem salto era ainda mais visível a diferença de altura entre eles. Ela puxou-o mais perto dela, deu um ponta pé nas pernas dele, que pego de surpresa caiu sobre ela, se escorando instintivamente nos ombros da amada.
"O que acha Beatriz, Perfeito não? Vejam só como o grandalhão se encaixou certinho na baixinha! Pelo visto não sou uma escorra das piores, já que meu namorado se encaixa perfeitamente em mim". A moça ficou sem palavras, foi pega em sua própria teia de intrigas. Todos seus companheiros começaram a rir da situação, pela cena em si, e aos poucos como iam se interando da tal história que a repórter havia dito em rede nacional, difamando as namoradas dos famosos, zombavam da jovem jornalista.
"Você é fogo baixinha!", Cory riu ajudando ela calçar novamente seus saltos.
"Isso é pra lavar a nossa honra amor, mesmo as que não trabalham na mídia, com certeza tem seus trabalhos, seus afazeres, a maioria não está aqui nesse mundo a passeio, pra agüentar esse tipo de insulto".
Quando eles entraram no salão da premiação, Lea foi ovacionada pelas mulheres do lugar, as quais adoraram seu ato perante aqueles sanguessugas dos jornalistas. "Pode até ser que amanhã nem se lembrem, mas pode ter certeza que de agora em diante vão pensar um pouco mais antes de falar qualquer bobagem, ou terão que agüentar as conseqüências se mais uma 'louca' feito você tomar uma atitude parecida", cumprimentava Anne Hathaway.
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O cerimonial procedeu como os outros aos quais Lea e Cory já estavam se acostumando, muito glamour, expectativas, conversas e cumprimentos de gente famosa, surpresa de celebridades assumindo ser fãs deles; enfim, uma noite típica de premiação. Dessa vez, Hero e Revenge, estavam empatados em quantidade de premiados. A próxima categoria, a última da noite, e certamente uma das mais aguardadas, a de melhor ator iria finalizar os trabalhos.
"Nervoso amor?", Lea perguntava ao ver Cory agitado.
"Um pouco...também estou feliz, a um ano atrás estava perdido, não conseguia nem pelo menos um trabalho descente, estava quase desistindo de ser ator e pensando em arrumar um emprego, sei lá, estava frutado. E hoje, estou aqui, não só participando mas concorrendo com tantos profissionais renomados, talentosos, o prêmio máximo do cinema. É um sonho, babe!"
Lea sorriu pra ele enquanto afagava seu rosto. "Você merece!", ela sussurrou próximo ao seu rosto, dando-lhe um beijo.
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"... e o Oscar de melhor ator desse ano vai para...(suspense)", um telão mostrava a cara de ansiedade dos concorrentes, "...Cory Monteith pela sua atuação em Hero". Cory quase desmaiou. Os amigos do filme, inclusive Steven Spielberg levantaram de pé eufóricos com a vitória do ator. Quando Cory conseguiu respirar, ele deu um beijo em Lea, e levantou, indo em direção do palco. Todos da platéia além de aplaudir, levantaram também de pé, reverenciando a conquista merecida dele. Agradeceu como sempre, seus amigos e parceiros do filme, Spielberg em especial, a família e os amigos, aos fãs e é claro, a Lea, sua fiel escudeira.
Já nos bastidores, Spielberg cumprimentou Cory.
"Aqui termina nosso compromisso com Hero, estou mais do que satisfeito com o resultado desse filme. Foi muito além do que eu esperava. Quando escrevi o roteiro, deixei alguns anos engavetado porque não me animava em produzi-lo, não conseguia achar gente competente que aceitasse encarar esse desafio. Estava quase desanimado. Da noite pro dia, resolvi tirar do armário e tentar. Mesmo quando estava quase finalizando a escolha dos personagens, ainda não estava satisfeito, ainda não tinha encontrado alguém que fosse um diferencial, que desse 'vida a essa história!'. Aí me aparece você, todo sem jeito, envergonhado, que num minuto de bobeira atreveu-se a interromper uma conversa pedindo pra fazer um teste. Todo mundo disse pra mim que era loucura, deixar um ator de pouca experiência fazer o teste, e ainda, depois que dei-lhe o papel, mesmo você dando aquele show de interpretação no seu teste, minha produção não acreditou que você conseguiria fazer o que eu tinha em mente. Eles estavam certos, Cory, você não fez o que eu queria, você fez muito mais do que eu esperava! Você é um dos principais 'heróis' do sucesso desse filme. Agradeço à você por todas as nossas conquistas".
Cory desabou chorando abraçado ao renomado cineasta, que também não se conteve, emocionado.
"Ah e não pense que vai se livrar de mim assim, meu amigo, quero ser padrinho desse casamento", Steven incomodava Lea que observava de longe os dois. "Além disso, vamos deixar passar um tempo, e depois voltamos a nos ver profissionalmente. Fiquei sabendo que você é um comediante nato, Sr. Monteith, eu quase não fiz humor na minha vida, quem sabe não montamos outra união infalível? E dessa vez incluímos uma moça baixinha e que gosta de brigar com as jornalistas. Hein, que tal?"
Lea ficou envergonhada com o comentário, agora ia virar 'baraqueira'.
"Quem sabe!", Cory respondeu abraçando a namorada.
