Capítulo Vinte e Nove: Tudo o Que Eu Queria; A Única Exceção
A cabeça de Bella emergiu à superfície mais rápido do que ela previa devido ao empuxo da água, que empurrara seu corpo para cima. Ela jogou a cabeça para trás, sentindo as grossas mechas de seu cabelo baterem no topo de suas costas, enquanto caíam em cascata; podiam ser ouvidos os sons dos pingos que escorriam para o oceano.
Ela ofegou, enquanto seus pulmões tentavam reajustar-se a sensação de estarem novamente cheios de ar. Ela afastou fios de água e cabelo de seus olhos, tentando desesperadamente ajustar a visão para saber onde ela tinha mergulhado. Ela estava aliviada por ter tampando seu nariz antes de cair na água. Suas vias nasais estariam matando-a de dor agora, caso ela não tivesse os tampado. Uma tonelada de água teria invadido suas narinas no momento do impacto - ela tinha aprendido a lição da última vez.
Por alguns breves momentos, Bella se esqueceu de onde ela estava e quem a acompanhava ao tentar se readaptar à superfície do mar. Enquanto continuava a falhar suas tentativas de respirar normalmente, um par de braços envolveu sua cintura e a virou.
Ela deu de cara com o intenso olhar abismado de Edward, cujos cabelos estavam penteados para trás por causa da água. Assim como sua própria roupa, a camiseta dele também estava agarrada ao corpo.
Suas mãos soltaram a cintura dela debaixo da água, e os dois permaneceram flutuando em silêncio, até as mãos de Edward traçarem o rosto de Bella. Ele acariciou suas bochechas antes de falar.
"Diga isso de novo," ele falou ofegante, em meio a respirações profundas, seus olhos viajando entre os olhos e os lábios dela. Bella sorriu para ele e mordeu o canto do lábio, enquanto observava o peito de ambos subindo e descendo em uníssono, fazendo com que minúsculas ondulações na água se formassem em torno deles.
"Por favor, Bella? Por favor, diga isso de novo? Eu quero ter certeza que não estava ouvindo coisas," implorou, afastando as gotas de água que caiam da raiz dos cabelos dela para as bochechas.
"Você não estava ouvindo coisas," murmurou Bella, e Edward arregalou os olhos com a confissão. Usando a fluidez da água, ele chegou seu corpo para ainda mais perto de Bella, entrelaçando suas pernas com as dela.
"Então?" perguntou, desesperadamente, e Bella sorriu.
"Eu amo você, Edward Cullen," ela afirmou com sinceridade, e Edward lançou-se ao seu encontro, puxando seu rosto para ele e a beijando apaixonadamente. Seus lábios moldaram contra os dela em perfeita sincronização. Foi um beijo lento e amoroso, mas ainda completamente despudorado, enquanto ambos flutuavam verticalmente na água. Quando seus lábios se moveram para sugar o lábio inferior de Bella, os dela se moveram para clamar o lábio superior dele. As mãos de Edward se afundaram no cabelo molhado dela, e Bella o imitou, entrelaçando seus dedos nos cabelos dele.
"Outra vez," ele sussurrou, e ela obedeceu imediatamente.
"Eu te amo."
Seus lábios se encontraram novamente. Seus dentes tocaram-se por um instante antes que eles desacelerassem para saborear os movimentos.
"De novo," ele murmurou contra sua boca, e Bella riu, concordando mais uma vez.
"Eu te amo. Eu te amo. EU TE AMO!" ela gritou e Edward sorriu. Ela estava completamente entregue; seu coração se enchia e estourava cada vez que ela dizia aquilo. Bella se afastou para apropriadamente olhar para Edward, e foi recebida com a mais pura e genuína emoção em sua expressão.
"Eu te amo tanto," ele sussurrou, e a puxou de volta. Edward subiu os dedos por sua coluna sobre a roupa molhada, e agarrou o pescoço dela suavemente antes de forçar seus corpos para baixo.
"O que está fazendo?" Bella perguntou, quando seu queixo encostou na superfície da água.
"Você confia em mim?" Edward respondeu sério.
"Com a minha vida."
"Então, confie em mim agora," respondeu ele, inclinando-se para beijá-la. Seus lábios encontraram os dela com firmeza, e em seguida ele puxou seus corpos lentamente para dentro da água. Bella tinha certeza que, se suas pernas não estivessem entrelaçadas, ela já teria flutuado de volta à superfície. No entanto, eles permaneceram lá, enroscados um no outro e submersos na água. Eles ficaram apenas a pressionar seus lábios contra os do outro.
Foi um beijo surreal.
Bella não sentia nada que não fosse o corpo de Edward. Tudo o que ela pôde ver quando abriu os olhos foi Edward. Não importava que a água salgada ardesse em seus olhos. Tudo o que ela podia ouvir era o vazio do oceano. O beijo não durou muito tempo antes que Edward puxasse os dois de volta à superfície.
Edward ficou observando Bella, segurando seu corpo, e embora o semblante dele fosse estranho, Bella não conseguia deixar de ficar fascinada e encantada pelo seu olhar.
"Conseguiu entender?" ele perguntou.
"Entender o quê?"
"O que eu acabei de te mostrar?" ele respondeu, e ela balançou a cabeça negativamente.
"Quando estou com você, é como se o mundo desaparecesse. Tudo o que eu vejo é você, Bella. Tudo o que eu cheiro, tudo que eu ouço e sinto, é você. Estar perto de você me faz sentir... é um... é uma tranquilidade e uma paz que eu mal consigo entender. Só sei que a sensação parece tão certa pra mim," Edward descreveu e Bella lhe sorriu.
"O que foi?" ele perguntou, confuso por sua expressão.
Bella puxou Edward para mais perto e tascou-lhe um beijo. Enquanto se beijavam, Bella envolveu suas pernas ao redor da cintura de Edward, e ele metade nadou e metade caminhou em direção à borda do oceano, para chegar à terra.
"Edward," Bella gemeu quando os lábios de Edward trilharam beijos até a base de seu pescoço. Ele a colocou suavemente no chão e posicionou-se sobre o corpo dela, apoiando seu peso nos cotovelos. Havia pequenas pedrinhas no chão, mas Bella não se importou; ela não sentia nada a incomodando sob sua coluna, tudo o que ela sentia era Edward.
"Eu te amo, Bella," ele disse, olhando para ela.
"Eu também te amo," respondeu ela, antes de voltar a unir seus lábios aos dela e a beijar carinhosamente, movendo suas bocas em uma dança lenta. Bella estava tentando saborear o momento, beijando-o de volta com exatamente a mesma quantidade de paixão.
Edward começou a salpicar beijos ao longo do pescoço de Bella, soprando ar fresco sobre as trilhas de água que continuavam a escorrer por sua pele. Ele regozijou-se na forma como o corpo dela estremeceu embaixo dele, adorando poder sentir os arrepios formando nos braços de Bella. Ele segurou o colar dela entre os dedos antes de pousá-lo de volta sobre seu peito, beijando o coração incrustado de diamantes.
Bella suspirou, contente, quando as mãos de Edward começaram a levantar a camiseta molhada dela, esforçando-se ligeiramente ao ajudá-lo a desgrudar a peça de sua pele. Os dois lutaram para puxar o algodão úmido até passá-lo por sua cabeça, com o colarinho apertando sua face, e então Edward a jogou no chão ao lado deles. Suavemente, Edward deitou Bella para trás e, mais uma vez, ela não se importou com as pedras que agora espetavam em suas costas nuas.
"Talvez não tenha sido uma boa ideia pular na água completamente vestidos," Edward riu enquanto tentava, frustrado, retirar sua própria camisa. Ele lutou contra o tecido até que, finalmente, a camiseta dele se juntou a de Bella no chão.
Bella riu, concordando, e começou a vaguear as mãos sobre a pele fria do peito de Edward. Ela criou pequenos trajetos de calor com a fricção de suas mãos. Edward gemeu antes de interromper seus movimentos, e colocou os pulsos dela acima da cabeça. Ele segurou os pulsos de Bella com ambas as mãos antes de separá-las para entrelaçar seus dedos aos dela.
Eles ficaram imóveis, apenas se entreolhando por alguns breves segundos de silêncio. Uma onda repentina do mar deslizou sob Bella e a fez sobressaltar, fazendo com que Edward saísse de cima dela e começasse a rir.
"Não ria," Bella fez beicinho, batendo bem no meio do peito dele. "Estava muito frio, de verdade."
"Me desculpe, mas esse é o preço que você paga por deitar no chão onde as ondas quebram."
"Você me colocou lá," ela argumentou, e virou para inclinar-se sobre o cotovelo e encarar Edward; ele imitou sua posição.
"Você não reclamou," contestou ele, espanando a areia e as pequeninas pedras para fora de suas costas, enquanto se sentava.
"Eu estava absorta no nosso momento," ela respondeu timidamente, e viu Edward abrir um sorriso e estender a mão para tocar o calor escaldante de suas bochechas.
"Eu também."
"Sempre fico absorta nos momentos em que estou com você," Bella emendou, sentindo-se ridícula pela forma como a conversa tinha virado melosa.
"Bella Swan," Edward riu. "Quem diria que você era tão sentimental?"
"Cale a boca!" ela ralhou, e Edward a puxou para cima dele, suas mãos firmemente segurando os quadris dela.
"Estou só brincando," ele se defendeu.
Edward não disse mais nada, e pegou Bella pelo pescoço para unir sua boca com a dela. Bella deixou se perder na sensação daqueles lábios; ela sabia que nunca iria se cansar deles nem dele.
"Edward," ela gemeu ao se afastar.
"Você não faz ideia do quanto eu te quero agora," ele grunhiu. Edward atacou o busto dela com beijos, puxando as taças do sutiã para beijar a parte inferior de cada seio, até se irritar com a peça de renda vermelha e puxá-la sobre a cabeça de Bella, sem se preocupar em abrir o fecho antes.
As mãos dele massageavam os seios dela, ao mesmo tempo em que descia beijos por sua barriga, alternando entre selinhos e mordiscadas, fazendo Bella contorcer-se sob ele. Ela arfou pesadamente quando os polegares dele, simultaneamente, rodearam cada um de seus mamilos, assistindo enquanto endureciam.
"Edward," ela gemeu, quando ele beijou a área de seu umbigo, ainda não tirando as mãos de seus seios.
"Bella," ele ecoou. Suas mãos, finalmente, afastaram-se dos seios dela e ele as arrastou para baixo, acariciando sua cintura, até segurar seus quadris com força e investir os quadris dele de encontro aos dela. Ambos gemeram com a sensação antes de Edward grunhir.
"O quê?" perguntou ela, e Edward se levantou rapidamente, puxando Bella em seguida.
"O que está fazendo?" ela indagou ao ser levantada por ele; os seixos da areia grudados em sua pele caindo ao chão. Bella envolveu as pernas em torno da cintura de Edward. Os jeans molhados tornavam quase impossível andar com qualquer resquício de graciosidade.
"Eu não queria fazer isso com todo esse cascalho machucando suas costas," ele explicou, posicionando-a sobre o capô de seu carro. O motor ainda estava levemente aquecido.
Bella sorriu em agradecimento para ele, e se inclinou para beijá-lo antes de ele se afastar e começar a abrir o fecho de sua calça. Sua urgência fez Bella rir.
"Não ria de mim," ele resmungou enquanto lutava para tirar de suas pernas o jeans encharcado e apertado. Bella sorriu para a situação. Rosalie uma vez lhe disse que o melhor tipo de sexo era aquele em que você poderia dar risadas antes, durante e depois, pois isso significava que havia sido atingindo o nível máximo de segurança entre um casal.
"Não há pressa, Edward," ela ronronou. Edward parou seus movimentos e levantou uma sobrancelha para ela. Um sorriso presunçoso se espalhou por seu rosto.
"Você acabou de ronronar?" perguntou ele, puxando o jeans amontoado na perna direita. Ele puxou com força o tecido, quase caindo ao conseguir.
"Talvez você deveria ter tirado os sapatos," brincou Bella ao começar a tirar sua própria calça e também relutar com a retirada.
"Não amola!" ele ralhou, de brincadeira, finalmente conseguindo eliminar as calças e os sapatos. Ele ficou apenas de cueca boxer e meias. Bella estava sentada no capô de seu carro usando apenas a calcinha. Ela sorriu para Edward e o chamou com um dedo.
"Alguém está animadinha, não?" Edward presunçosamente perguntou ao parar em frente a Bella.
"Talvez? Mas eu não sou a única, já que você praticamente rasgou suas calças ao tirá-la," ela respondeu brincalhona, e Edward gemeu quando as mãos dela encontraram o caminho do profundo V de seus quadris. Ela percorreu a ponta de seus dedos indicadores ao longo das definidas linhas de músculos.
"Jeans molhado entre as pernas não é agradável. Queimaduras de fricção não são legais," declarou ele, e Bella gargalhou alto.
"Pare de rir," ele fingiu um beicinho, trazendo-a para perto.
"Não consigo," ela se defendeu. "Você sempre me faz rir."
"Vou tomar isso como um elogio," sussurrou ele enquanto se inclinava para beijá-la, puxando o quadril dela de encontro ao dele.
"Acho que não devemos transar aqui no capô," Bella repreendeu quando ele começou a tirar sua boxer.
"Por que não?" murmurou ele contra sua clavícula, banhando-a de beijos.
"Alguém pode ver," ela gemeu seu argumento, e Edward bufou para sua inútil tentativa de interromper as ações dele.
"Você preferia no chão!"
"Você que me deitou no chão."
"Foi, mas mesmo assim, você queria fazer no chão."
"Eu sei, mas não me sinto bem fazendo aqui," ela falou e Edward pendeu a cabeça para frente.
"Está bem," ele se rendeu, colocando de volta sua boxer molhada e se afastando de Bella. Ele deu o melhor de si para que Bella soubesse que ele estava chateado, exagerando um beicinho e dando chutinhos na areia do chão com suas meias. Não foi a coisa mais inteligente; só fez com que a terra grudasse ainda mais no tecido molhado.
"Eu não posso com esse beicinho, Edward," Bella grunhiu, o acompanhando ao redor da área para pegar suas calças, enquanto Edward pegava a blusa e o sutiã de Bella.
"Bem, você vai ter que aguentá-lo," ele lamentou, brincando, e piscou para informá-la de que tudo não passava de encenação.
"Isso é crueldade!" bufou ela, encontrando-se com ele no porta-malas para despejar suas roupas molhadas lá.
"Espere!" ela exclamou e tirou alguns sacos de plástico do porta-malas para guardar as roupas.
"Bem pensado," comentou Edward, tirando a cueca e as meias e jogando-as no saco junto com sua roupa e a de Bella.
"Edward!" Bella berrou quando viu que ele se encaminhava para o banco do motorista para ligar o carro.
"Que foi?" ele perguntou, inocentemente, como se não estivesse nu em pêlo se dirigindo ao volante de um carro.
"Você não vai dirigir o meu carro para a casa do meu pai assim pelado. E se ele estiver trabalhando na patrulha da estrada e parar a gente? Como você pensa que vamos explicar isso a ele?"
"Bom..." ele começou a falar enquanto saía do carro. Edward não estava nem um pouco acanhado de estar nu ao ar livre. "Primeiro teríamos que explicar quais foram os motivos disso - você sabe, todos esses anos de sentimentos reprimidos, o nosso jogo, sua estratégia de transar aqui na praia e depois amarelar-" ele começou a elaborar, porém Bella o interrompeu.
"Fecha a matraca e põe suas roupas logo," ela exclamou enquanto lhe tacava uma boxer, uma calça de moletom e uma camiseta para Edward, todas secas e novas.
"Você me trouxe roupas?" ele perguntou com um tom de surpresa na voz.
"Claro que sim. Não iria trazer apenas para pra mim. Não sou tão malvada."
"Há quanto tempo você está planejando isso?" indagou ele enquanto se vestia. Bella lhe entregou um par de meias e tênis secos.
"Desde a letra D," ela respondeu com sinceridade, e Edward a puxou para um abraço. Ele beijou o topo de sua cabeça e ela suspirou de felicidade. Ela adorava estar nos braços de Edward; não havia sensação melhor do que sentir os fortes braços dele ao seu redor. Se sentia amada e protegida.
"Obrigado," ele sussurrou e Bella se afastou do calor do seu corpo para olhar em seus olhos.
"Pelo quê?" perguntou Bella, e Edward penteou as mechas do cabelo dela que haviam grudado na testa.
"Por ter criado uma nova recordação nesse lugar. Não vai substituir a outra, mas será para sempre a primeira coisa que surgirá na minha mente quando eu pensar sobre essa praia."
"Não tem de quê," ela respondeu, timidamente, ligeiramente tombando sua cabeça para frente.
"Como eu pude ter tanta sorte?" Edward ponderou para si mesmo, e Bella mais uma vez o fitou, confusa.
"Do que está falando?"
"De você," ele retorquiu. "Estou falando sobre você. Sou o cara mais sortudo do mundo, se você me perguntar. Eu tenho você em minha vida; qualquer homem mataria para estar no meu lugar."
"Edward-"
"Nem comece!" ele interrompeu Bella. "Você sabe que é verdade. Você é incrível, Bella Swan, e sempre foi. Eu me apaixonei por você quando tínhamos quatro anos e fui idiota demais de só agora perceber isso. Sou muito sortudo por ainda poder ter você em minha vida dessa forma."
"Edward," Bella o chamou enquanto se jogava nos braços abertos dele. Ela o segurou firmemente e ele fez o mesmo. Bella sorriu radiante contra o peito de Edward. As palavras dele haviam tocado seu coração. Ninguém jamais havia se declarado de tal forma para ela.
Nenhum homem jamais havia dito que a amava e que ela era perfeita. Nenhum homem nunca havia lhe feito se sentir bonita. Nenhum homem jamais conseguiu fazê-la rir quando ela queria chorar, ou sorrir quando estava brava.
Ninguém, com exceção de Edward.
Ele era a única exceção.
Edward a fazia sorrir. Ele a fazia gargalhar. Ele a fazia sentir-se linda.
Ele a fazia se sentir verdadeiramente importante.
"Eu tive tanto medo de que esse jogo... naquela noite quando voltou de Nova Iorque..." Bella iniciou, seus pensamentos em fragmentos. "Eu tive medo de que fôssemos estragar tudo."
"Mas não estragamos, então não há nada mais a temer," ele afirmou, embora houvesse uma expressão distante no fundo de seu olhar. Ele estava escondendo alguma coisa dela, e isso já vinha acontecendo há duas semanas. O que quer que fosse aquilo que ele escondia, era algo grandioso, e por alguma razão ele não queria contar a Bella.
"Para onde vamos agora?" Edward perguntou enquanto andava ao lado de Bella até a porta do passageiro.
"Ei!" ela chamou. "Quem disse que você vai dirigir?"
"Eu disse. Então, qual o destino?"
"Para a casa do meu pai."
"Vamos ao lar do Chefe, então," concordou ele, entrando no carro.
oOo
O percurso até a antiga casa de Bella não durou muito, e antes que ela percebesse, Edward estava estacionando na garagem vazia - o que significava que Charlie não estava em casa.
"Acho que seu pai está trabalhando," Edward comentou enquanto ele e Bella subiam os familiares degraus da varanda. Ela usou a chave extra escondida na caixa do correio para abrir a porta.
"Nossa," Edward resfolegou quando Bella fechou a porta.
"Que foi?"
"Já faz um tempo desde que estivemos aqui."
"Eu sei. Foi por isso que eu quis vir pra cá. Meu pai sempre vai nos visitar, mas a gente nunca vem para Forks."
"Nos visitar?" Edward bufou. "Tenho certeza que o Chefe vai visitar você, e não a mim."
"Você sabe que meu pai te considera como um filho."
"Creio que todo esse sentimento dele por mim mudaria se ele soubesse que eu já consegui fazer você me implorar para possuí-la bem no sofá que ele nos deu," Edward sorriu, arrogante, imprensando Bella contra a parede ao lado da escada.
"Porra, Edward," Bella deixou escapar. "O que deu em você?"
"Estou com fogo por sua causa," ele riu e se afastou.
"O que foi que eu fiz?" Bella reclamou, começando a subir as escadas em direção ao seu quarto.
"O que você fez?" Edward argumentou. "Nada. Esse é o problema. Foi o que você não fez," ele explicou, fazendo ambos rirem.
"A parada aqui é dura, meu amor," Bella brincou enquanto abria a porta do quarto. Edward a seguiu, entrando no cômodo familiar.
"Meu Deus, seu pai não mudou nada nesse quarto, não é?" Edward comentou, suas mãos percorrendo a superfície dos objetos no quarto antigo de Bella. Seus dedos passaram pelas pequenas pedras brilhantes que pendiam do abajur da escrivaninha, e tamborilou o teclado pré-histórico do antigo computador que ainda repousava sobre a mesa de madeira.
"Eu sei. Eu também não mexi em nada daqui. Gosto do jeito que é."
"Por quê?" Edward indagou ao chegar no mural de fotos de Bella, sorrindo enquanto seus olhos trilhavam sobre as imagens.
"Guarda boas lembranças," respondeu ela, parando ao lado dele para olhar uma foto dos dois, onde tinham quatorze anos e brincavam na chuva. Ambos estavam cobertos da cabeça aos pés de lama, no quintal da casa de Edward. Eles pareciam tão felizes e serenos na foto. Os dois portavam largos sorrisos radiantes sob a chuva que os envolvia.
"Você lembra de como ficamos doentes depois disso?" riu ele, apontando a imagem que Bella acabara de observar.
"Nossa," ela bufou. "Foi tudo culpa sua. Você simplesmente tinha que me convencer a brincar na chuva."
"Claro que sim. Eu estava com segundas intenções," ele sorriu, prendendo a atenção de Bella.
"Como é?" perguntou ela, curiosa, e Edward apontou para a blusa branca de alça, toda encharcada, que ela usava na foto.
"Eu queria espiar o seu sutiã," respondeu ele, com honestidade, e Bella bateu de leve em seu braço.
"Seu pervertido," ela acusou e Edward a puxou para perto dele.
"Sim, o seu pervertido. Além disso, eu tinha quatorze anos; todos os meninos que eu conhecia naquela idade teriam feito o mesmo," ele sorriu, batendo no nariz dela com a ponta do dedo. "Mas essa não foi a única razão."
"Ah é?" Bella respondeu, sem acreditar.
"Não lembra por quê você estava na minha casa naquele dia?" perguntou ele, virando-se para abraçá-la contra seu peito. Antes de falar, ele viu a cabeça dela balançando de um lado a outro, negando.
"Você tinha acabado de descobrir que aquele cara da sorveteria, Ted, Tod, Tom, ou sei lá qual o nome, não gostava de você."
"Caramba," Bella falou. "Eu tinha esquecido totalmente disso. Eu fiquei tão arrasada e corri para sua casa, de bicicleta, quando saí da sorveteria."
"Ahã, e você estava chorando demais, e eu mal conseguia entender o que você dizia entre os soluços e o catarro que escorria do seu nariz, de tantas lágrimas," ele riu e Bella olhou brava para ele, até rir eventualmente.
"Devo ter estado uma maravilha," ela zombou, e Edward começou a embalá-los de um lado a outro.
"Você parecia tão triste. Eu detestei te ver daquele jeito - ainda detesto. E aí quando eu vi a chuva começando a cair, perguntei se você queria sair. Você parecia tão feliz no quintal," ele apontou a imagem novamente.
"Bem, você conseguiu o que queria. Até hoje eu não me lembrava dos fatos desse dia."
"Esse era o propósito."
Os dois permaneceram em silêncio até Bella decidir sentar-se na cama. Ela deitou, se espreguiçando, como fazia quando era adolescente.
"Cacete," Edward resmungou ao deitar-se, espremido, ao lado dela. "Continua aquele mesmo colchão de pedra."
"Eu amo esse colchão. Queria poder levar para o apartamento, mas é pequeno demais para minha cama."
"Que horas são?" Edward perguntou e Bella olhou para a mesinha de cabeceira, onde ainda ficava o mesmo relógio-despertador que a acordava para a escola.
"Uma, duas, ou três da tarde, dependendo se meu pai um dia ajustou a hora para os horários de verão dos últimos quatro anos."
"Então são duas," Edward corrigiu. "Era quase uma quando estávamos no carro, saindo dos penhascos."
"Ficamos lá aquele tempo todo?"
Edward meneou a cabeça, trazendo Bella para ficar sobre ele, e se colocando no centro da estreita bicama.
"Edward," Bella repreendeu, tentando sair de cima dele, mas falhando. Tudo o que ela conseguiu foi se esfregar contra a crescente ereção dentro da calça de Edward.
"Bella," ele gemeu quando ela continuou a lutar sobre ele, e mesmo com todo o prazer que ele estava sentindo, suas mãos continuaram segurando firmemente nos quadris dela.
"Meu pai pode chegar em casa a qualquer momento," protestou ela, e Edward começou a acariciar suas costas sob a blusa.
"São duas da tarde, Bella. Nós dois sabemos que o Chefe trabalha até às seis nos sábados. Sempre foi assim."
Bella riu ao lembrar o motivo de Edward saber, exatamente, que seu pai ficava a serviço da polícia até às seis da tarde aos sábados.
Em um desses dias, os dois estavam no quarto dela, dando privacidade a Emmett e sua nova namorada no sofá da sala. Bella havia permitido que eles ficassem em sua sala, pois não tinham conseguido achar outro lugar para ir, já que os freios do carro de Emmett haviam escangalhado. Bella tinha se esquecido de avisá-los que seu pai chegava às seis, mas já era tarde demais. Exatamente às seis e quinze, o Chefe Swan entrou em sua casa, só para dar de cara com Emmett sendo agraciado pela namorada ajoelhada em frente a cadeira reclinável preferida de Charlie, onde Emmett estava sentado.
"Você se lembra do grito de viadinho que Emmett deu quando Charlie encontrou aqueles dois?" Edward interrompeu os pensamentos dela, e ela assentiu.
"Aquilo foi terrível."
"Bem, nós sabemos que ele não vai chegar tão cedo, então..." Edward grunhiu ao começar a puxar a blusa de Bella; ela retirou o resto, prontamente.
"Vou te confessar, Bella, que eu amo quando você não usa sutiã," ele gemeu, e suas mãos foram massagear os seios dela. Bella tombou a cabeça para trás, maravilhada, colocando suas mãos sobre as de Edward. Ela rebolou os quadris contra os dele, arrancando de ambos mais sons de prazer.
"Essa pode ser outra nova memória para adicionar à lista. A gente nunca sequer se beijou nesse quarto," Edward gemeu quando Bella se ergueu sobre ele na cama. Pairando sobre ele, Bella não conseguiu evitar o sorriso sacana ao ver o desejo encobrindo os olhos de Edward. Ela livrou-se de sua calça e a jogou sobre a cadeira do computador, num canto, antes de remover a calcinha, em seguida. Mesmo completamente nua, ela permaneceu de pé.
"Bella," Edward lamuriou, sentando-se na cama sobre seus joelhos dobrados, parando embaixo das pernas de Bella. Ele teve que manter sua cabeça um pouco abaixada, pois se a levantasse um centímetro que fosse, sua boca encontraria o paraíso naquele monte de nervos que ele podia ver escondido entre a carne umedecida do sexo dela.
"Sabe de uma coisa, Bella?" Edward perguntou, e o tom provocador pôde ser ouvido. "A persiana está aberta, então tenho quase certeza que você está fornecendo uma bela visão aos meninos que estão brincando de Base Quatro lá na rua."
"Ai meu Deus," Bella arfou ao tentar pular da cama, porém Edward a agarrou e o puxou para cima de seu corpo.
"Isso," ele gemeu, imediatamente trazendo o bico do seio direito de Bella para sua boca, sugando e mordiscando o mamilo. Circulou com a ponta da língua sobre a carne sensível, e percorreu sua língua pela auréola igualmente sensível, antes de repetir o mesmo no outro bico.
Bella gemia e puxava os cabelos dele, o tempo todo esfregando seus quadris contra os dele.
"Edward, pare de me provocar," grunhiu enquanto Edward deslizava uma mão até o clitóris dela. Com o dedo indicador, ele acariciou lentamente o nervo, com movimentos circulares no mesmo sentido. Ele massageou o clitóris dela por apenas um breve momento antes de virar a posição deles na cama. Quase caiu enquanto se movia.
"Que droga de cama pequena," reclamou ele, tirando suas calças e a cueca boxer junto, soltando as peças no pé da cama. Bella riu e Edward segurou o quadril dela para provocar sua entrada com a ponta de sua ereção.
"Parece que faz uma eternidade," ele grunhiu ao lentamente invadi-la. Ele engoliu um gemido quando o calor escaldante e a sensação de incrível maciez o envolveram. De fato, parecia que fazia uma eternidade desde a última vez que ele pôde sentir Bella daquela maneira.
Bella arfava audivelmente enquanto ele continuava a penetrá-la devagar. Era um ritmo agonizante de tão calmo. Ele estava adentrando seu corpo centímetro por centímetro, e por mais que ela detestasse o quão devagar ele estava indo, não tinha como evitar sentir-se satisfeita e maravilhada com as sensações que pareciam muito mais aguçadas.
"Edward," Bella gemeu enquanto ele saía e voltava para dentro dela. Ele inclinou a cabeça para capturar o lóbulo da orelha de Bella, mordiscando o ponto que era o favorito de ambos, e arrancando a lamúria de êxtase que Edward tanto esperava.
Edward manteve o ritmo lento, penetrando Bella com movimentos medidos e calculados. Cada investida era mais forte do que a anterior, porém continuava lenta.
Era pura tortura erótica para Bella.
Ela mal se aguentava com a forma como seus músculos internos o envolviam e moldavam-se em torno dele. Ela mal tolerava o jeito como cada vagaroso movimento fazia com que Edward esfregasse seu corpo contra o clitóris dela. Era uma espécie de transe. Todos os seus sentidos pareciam estar trabalhando dobrado. Seu corpo parecia estar em chamas. O suor escapava de cada poro de sua pele, e ela tentava encontrar um resquício de ar que pudesse inspirar profundamente enquanto Edward, vagarosamente, a penetrava.
O sexo nunca tinha sido assim tão intenso.
"Bella," Edward grunhiu. "Está tudo bem?"
"Caralho, Edward," ela proferiu. As esmagadoras sensações daquilo que pareciam ser minúsculos choques elétricos percorreram seu corpo de cima a baixo, começando em seu ventre, ramificando-se para os seus membros e pontas dos dedos, e assim por diante.
"Não dá..." ela sussurrou, incoerentemente. Ela tentava encontrar cada uma das estocadas de Edward ao investir seus próprios quadris contra os dele, porém as sensações eram paralisantes. Ela não conseguia fazer nada a não ser virar sua cabeça de um lado para o outro, quando seus gemidos transformaram-se em arfantes lamúrias. Seu corpo parecia a ponto de explodir com o prazer que corria dentro dela. Era poderoso demais para ela aguentar.
"Bella," Edward rugiu. Ele segurou a haste de metal da cabeceira da cama e começou a invadi-la mais rapidamente. Bella berrou com o novo ritmo. Seu corpo parecia inteiramente confuso com as novas sensações. A pequena cama batia contra a parede e parecia que seu corpo estava sendo embalado pelo movimento.
"Chega. Eu não..." Bella gritou quando suas chamas internas começaram a incinerá-la por inteira. Ela podia sentir seu clímax iminente tentando libertar-se em seu corpo.
Edward respirava pesadamente sobre ela, enquanto a estocava vigorosamente. Estava ficando mais e mais difícil segurar o seu próprio orgasmo. A sensação do corpo que o envolvia era boa demais; o mesmo corpo que estava reagindo de forma que Edward não conseguia descrever. Ela, gradualmente, se apertava em torno dele na maneira mais gloriosa, segurando-o dentro dela com um firme aperto.
"Edward!" Bella berrou ao finalmente chegar ao orgasmo, seu corpo estremecendo, quase convulsionando sob Edward. Seu torso ergueu da cama enquanto as ondas de prazer viajavam por seu corpo de cima a baixo. Seus dedos dos pés fecharam-se sobre as costas de Edward enquanto descia de volta para a cama.
Edward assistiu a tudo com orgulho, ao mesmo tempo em que continuava a penetrá-la até conseguir seu clímax e enfim unir-se a uma Bella exausta na cama. Ele teve que espremer-se para caber ao lado dela.
"Tá tudo bem?" perguntou ele, sem fôlego, e Bella vociferou um som agudo.
"Isso foi um sim?" ele riu e Bella assentiu, apoiada contra o peito dele.
"Que tal tomarmos um banho?" sugeriu ele e Bella assentiu novamente.
"Consegue falar?" perguntou ele, arrogante, e Bella bateu de leve na barriga dele.
"Quase," sussurrou em resposta, e Edward grunhiu, inclinando-se para beijá-la.
"Vem. Vamos deixar você bem limpinha antes que seu pai chegue em casa."
"Me dê só um minuto," Bella gemeu, sentando-se. "Não sei se conseguirei andar."
"Meu ego está te agradecendo, nesse momento," Edward gargalhou, mas Bella rolou os olhos.
"Como se seu ego precisasse ser inflado," ela zombou, e Edward bufou, levantando-se da cama e pegando Bella em seus braços.
"Me bote no chão," reclamou ela, porém Edward balançou a cabeça e saiu do quarto, indo em direção ao único banheiro da pequena casa.
"Quando foi a última vez que estivemos aqui?" perguntou ele enquanto Bella ajustava a temperatura do chuveiro para uma que lhe agradasse.
"Alguma semana de janeiro. Por quê?"
"Eu acho que seu pai está namorando alguém," ele comentou, dando de ombros.
"Ele não me disse nada," Bella falou, parando ao lado de Edward em frente a pia. Ele apontou para todas as maquiagens e o perfume feminino posicionados sobre a bancada; nenhum dos itens pertencia a Bella.
"Por que ele não contaria?" Bella perguntou quando Edward entrou no chuveiro, segurando sua mão para ela pegar.
"Talvez ele tenha virado travesti," Edward brincou enquanto esfregava o sabonete na mão e espalhava em seu peito.
"Muito engraçado. Se bem que eu me pergunto porque não me contou nada."
"Talvez seja algo recente e ele não teve tempo de contar. Pergunte quando ele chegar em casa," Edward terminou o assunto e começou a passar o xampu no cabelo de Bella.
"Isso é bom," ela suspirou e Edward inclinou-se para beijá-la.
O banho durou mais tempo do que o esperado. A maior parte foi gasta apenas ficando embaixo da água morna enquanto se beijavam languidamente.
Eles ainda tinham uma hora até que Charlie chegasse, então decidiram sentar na sala e assistir televisão. Antes disso, Bella refez a cama de seu quarto, e até mesmo pôs suas roupas molhadas na máquina para lavar e, mais tarde, secar.
Exatamente às seis e quinze, Charlie entrou em casa.
"Bella?" ele chamou ao avistar apenas o topo de sua cabeça no encosto do sofá.
"Pai!" exclamou ela, levantando-se rapidamente dos braços de Edward e abraçou o pai.
"Por que está aqui, Bells?"
"Queria te ver," ela respondeu, e Edward levantou-se para cumprimentar Charlie.
"E aí, Chefe."
"Edward. Como vai?"
"Bem, muito bem. E você, como está?" perguntou ele, insinuante, e Charlie virou-se para Bella poder explicar o tom provocador de Edward.
"Tenho uma coisa para te perguntar."
"O que é?" indagou ele, preocupado, enquanto os três andavam para a cozinha. Charlie pegou uma cerveja na geladeira e sentou-se à mesa.
"Você está grávida, Bella?"
"Não, pai. Eu juro!" ela respondeu, cruzando as mãos sobre o coração, como ela e Charlie faziam quando ela era mais nova.
"Você tem uma namorada?" Bella perguntou e Charlie quase cuspiu a cerveja que ele havia acabado de tomar um gole.
"Como assim?" respondeu ele, timidamente, e Edward teve que suprimir uma risada ao ver a expressão atordoada de Charlie.
"Bem, eu fui ao banheiro e vi toda aquela maquiagem..." ela falou, deixando sua explicação pairar do ar. Essa conversa estava deixando-a desconfortável. Ela e Charlie nunca tiveram uma relação muito íntima, porém já haviam compartilhados seus momentos de proximidade.
"Sim," Charlie respondeu em tom sério, assentindo a cabeça.
"Quem é?" Edward inquiriu, parecendo feliz, e viu Charlie enrubescer. A reação o pegou de surpresa; ele sempre pensara que Bella havia herdado seu nervosismo da sua mãe.
"Pai, quem é ela?" Bella perguntou, animada. "É só me dizer."
"Sue Clearwater," ele respondeu discretamente.
"Ah, pai, isso é ótimo. Estou muito feliz por você. E a Sue é um amor de pessoa," Bella falou, levantando-se e indo abraçar o pai.
"Sério? Não está chateada?"
"Pai, por que eu estaria chateada? Você merece ser feliz, e se é a Sue que te faz feliz, então isso é maravilhoso."
"Que bom ouvir isso, Bells. Estava querendo contar para você. Só que eu não sabia como você iria reagir ao saber que seu velho pai estava namorando alguém depois de todo esse tempo."
"Pai," Bella bufou, sentando-se de volta na cadeira. "Não acredito que você pensou que eu ficaria chateada. Se bem que se isso tivesse acontecido quando eu tinha dez anos, provavelmente eu teria corrido pelas escadas e batido a porta do meu quarto algumas vezes."
"Claro," Charlie riu. "E depois você teria ligado para Edward para ele te acalmar."
"Com certeza," Edward respondeu. "Estou feliz por você, Chefe. Ouvi dizer que a Sue prepara um peixe delicioso."
"Sim, ela faz. Vocês dois podiam vir um dia e jantar conosco. Vão achar o paraíso depois da primeira mordida."
"Claro, pai, quando quiser. É só me ligar antes."
"Nós também temos uma coisa para te contar," Edward anunciou de repente, e Bella olhou surpresa para ele, enquanto ele se levantava.
"Temos?" perguntou ela, em choque.
"Claro que temos," afirmou ele. "Chefe Swan; Charlie," começou Edward, mas parou quando Charlie franziu o cenho. "Bella e eu, nós-" emendou ele, porém Charlie o interrompeu na metade.
"Espere aí, vocês estão aqui para me contar que você e Bella estão namorando agora?" Charlie perguntou, como se não fosse nada demais, o que fez Bella afastar-se na cadeira.
"Sim?" Edward respondeu, timidamente, e Charlie riu.
"Jura?" provocou ele, e Edward e Bella assentiram a cabeça em silêncio.
"Até que enfim!" Charlie gargalhou e estendeu a mão para a de Edward.
"Como é que é?" tanto Bella quanto Edward perguntaram enquanto ele balançava a mão de Charlie; foi o aperto de mão mais fraco que Edward já dera.
"Vocês dois são apaixonados um pelo outro desde que eram crianças. Eu espero por esse dia há anos. No dia em que você me disse que iria morar com Edward, achei que seria nessa hora que vocês assumiriam um namoro. Isso não me deixa nem um pouco pasmado."
"É sério? Você não está preocupado com isso?" Bella perguntou.
"Não há ninguém nesse mundo em quem eu tenha mais confiança do que você, Bella, porém Edward está logo atrás, em segundo lugar. Você e Edward nasceram um para o outro, Bells. Eu enxergava isso quando vocês eram menores, e vamos ser sinceros, eu não consigo ver um palmo a frente do meu nariz quando o assunto são essas coisas do coração, mas isso... esse amor que você dois demonstravam um pelo outro enquanto cresciam era muito difícil de não notar, até mesmo para mim."
"Pai," Bella sussurrou, contente.
"Fico feliz que vocês tenham, finalmente, decidido enxergar aquilo que todo mundo sempre viu nos últimos vinte anos," concluiu ele, e Bella mais uma vez saltou da cadeira para abraçá-lo.
"Obrigada, pai. Isso significa muito para mim, de verdade."
"Não me agradeça," ele a dispensou, brincando. "Não existem pessoas mais perfeitas uma para a outra, do que vocês dois."
"Eu não saberia expressar melhor, Chefe," Edward comentou, pegando na mão de Bella quando ela sentou-se novamente ao seu lado.
"Sim, eu confio em você, Edward, e sempre confiei - mas se você a magoar, eu vou te caçar onde quer que seja, e eu tenho meus contatos," Charlie ralhou, e Edward riu levemente.
"Eu jamais correria esse risco, Chefe."
"Então, vocês vão ficar para o jantar, ou vão voltar para Seattle?"
"Ficaremos," Bella respondeu por ela e por Edward, e ele assentiu, concordando. Bella abriu um sorriso imenso enquanto segurava a mão de Edward.
"Por que o sorriso?" provocou ele, cutucando-a com o ombro.
"Só estou feliz," falou ela.
"Eu também," ele respondeu.
Ali, naquele exato instante, a vida não podia ficar melhor; Bella tinha tudo que sempre quis.
oOo
O jantar na companhia de Charlie foi muito melhor do que suas lembranças de jantares do tempo em que ainda morava com o pai - o que significa que Charlie pedira uma torta salgada da pizzaria, e os três dividiram-na sentados na sala, assistindo ao início da partida do Mariner; no entanto, no quinto tempo, Bella começou a pegar no sono, e Edward sugeriu que eles colocassem o pé na estrada.
"Foi legal ver o seu pai," Edward tentou comentar enquanto dirigiam pela saída de Forks, porém Bella estava com outros planos: mal passara dez minutos do percurso de volta para casa, e ela já estava dormindo com a cabeça contra a janela.
Eventualmente, eles chegaram ao seu condomínio, e Edward estacionou ao lado de seu carro.
"Bella, acorde," ele a sacudiu levemente para despertá-la. "Já chegamos."
"Já?" perguntou ela, grogue, esfregando os olhos para livrar-se da sonolência.
"Sim. Agora, vamos, vou colocá-la na cama," ele riu. Edward saiu do carro para ajudá-la a sair.
"Espera!" Bella exclamou quando aproximavam-se do elevador. "Preciso pegar nossas roupas no porta-malas."
"Você pega amanhã," Edward grunhiu, puxando-a pelo braço para dentro do elevador que os esperava. "Vamos tirar uma soneca."
"É, dormir é uma boa ideia," ela riu de leve. Bella ficou aninhada ao corpo de Edward, seu braço a envolvendo, enquanto o elevador subia; ela já estava voltando a adormecer.
Edward a sacudiu gentilmente para acordar o suficiente e conseguir andar até o apartamento.
"Para onde está indo?" Edward perguntou, brincando, encostado contra o portal da porta de seu quarto, enquanto Bella andava em direção ao quarto dela.
"Para a cama," ela falou em tom alto.
"Nossa cama é aqui," anunciou ele, cheio de orgulho, e Bella sorriu largamente ao caminhar de volta de encontro a ele. Edward a puxou para perto, amando o jeito como ela encaixava em seus braços.
"Gostei de como isso soa," Bella murmurou contra seu peito.
"Que bom. Agora vamos dormir; foi um longo dia."
Edward andou com ela até a cama, e os dois sentaram-se em lados opostos, removendo apenas seus sapatos. Ambos estavam cansados demais para trocar de roupa.
"Boa noite, Edward," Bella grunhiu, entrando sob as cobertas.
"Boa noite, Bella," respondeu ele. Bella caiu no sono quase no mesmo instante, e ele adormeceu logo em seguida.
N/T: Ufa, que capítulo enorme! Mas não foi lindo? É o meu preferido.
O próximo virá rapidinho. Deixem reviews!
Até mais :)
