Capítulo Trinta: A Última Letra

Edward acordou cedo na manhã de domingo, gemendo quando seus músculos protestaram até contra o menor dos movimentos. Não importava qual parte do corpo ele mexesse - tudo doía. Tinha sido doloroso até inclinar sua cabeça para olhar Bella, e, no entanto, era uma dor com a qual ele não se importava.

O dia anterior havia sido um grande passo em seu relacionamento com Bella - se é que esse era o título daquilo que estava rolando entre os dois. Eles ainda não tinham conversado sobre o assunto, mas Edward estava mais do que certo que 'um relacionamento' era o que eles tinham, independente da falta de rótulo. Seu palpite era que as palavras 'namorado' e 'namorada' não precisariam ser discutidas entre eles; já estava explícito e claro.

Ele se virou lentamente e pousou sua cabeça na palma de sua mão a fim de olhar para Bella, tentando ao máximo não mover seu corpo muito bruscamente. Bella estava em um sono profundo, aninhada contra o peito dele. Seu cabelo estava espalhado como um leque sobre a cama, caindo sobre seu rosto e também sobre partes do peito de Edward. Sua respiração era estável e sua mão estava agarrada a um lado do quadril dele, seu dedo mindinho escondido sob a cintura enrolada do moletom de Edward.

Ela parecia tão serena enquanto dormia.

Por alguns minutos, Edward apenas ficou observando-a, deixando que sua mente atordoada descansasse. O sono dele tinha sido perturbado, já que passara a maior parte do tempo revirando-se na cama antes de finalmente conseguir adormecer.

Sua mente estivera consumida pelos rumores no trabalho, e não somente por aquele que ele tinha mencionado a Bella. O rumor que o preocupava era aquele que elevaria sua carreira a um outro patamar, e era tudo o que ele sempre esperou desde que começara a trabalhar na empresa.

Entretanto, diversas coisas tinham mudado, tudo estava diferente agora.

Agora havia outra pessoa na equação, alguém que ele tinha que levar em consideração, e era só nisso que ele pensava nos últimos dias. Ele havia tentado deixar a questão de lado, mas sabia que Bella estava percebendo que tinha algo errado - ela sempre conseguia reconhecer os sentimentos dele.

Edward penteou uma mecha que caíra no rosto de Bella para trás de sua orelha, certificando-se de não acordá-la. Ele pôs uma mão sobre a lombar dela e lentamente percorreu sua coluna com os dedos, para cima e para baixo. Ela soltou um som como o de um ronronar, ainda adormecida, e Edward sorriu para si mesmo, sacudindo a cabeça.

Ele ainda não conseguia acreditar que havia demorando tanto tempo - mais de vinte anos - para ele finalmente enxergar o que sempre esteve bem diante de seus olhos.

O dia de ontem tinha sido tão intenso. Embora tivesse sido um dia divertido, tinha sido muito diferente do cotidiano deles.

Era claro que um dia como aquele havia sido necessário para a relação, por mais emocional que fosse. Ele entendera que Bella precisava dizer tudo o que estava sentindo e que aquela fora a única forma que ela havia encontrado para expressar isso - mesmo que o coração dele tivesse ido parar em sua garganta quando Bella sugerira que eles pulassem do penhasco. As imagens de anos atrás haviam bombardeado sua mente enquanto ele olhava pela ribanceira do penhasco, e, no entanto, ele pulou. E ele estava extremamente grato por ter pulado, mesmo que seu corpo inteiro agora protestasse contra tal sentimento.

Perdido em pensamentos, Edward não reparou que os olhos sonolentos de Bella tinham aberto. A mão dela tinha subido pela lateral do corpo dele até chegar a seu rosto, sem que ele sequer percebesse. Ela estava tentando desfazer a tensão no cenho dele.

"Está fazendo contas de cabeça, Cullen?" ela provocou, sua voz pesada de sono. Ele olhou para baixo e viu que ela ainda estava acordando: seus olhos eram apenas pequenos filetes, mas ele conseguia avistar um pedaço daqueles adoráveis olhos escuros.

Agora havia outra pessoa na equação, alguém que ele tinha que levar em consideração, e era só nisso que ele pensava nos últimos dias. Ele havia tentado deixar a questão de lado, mas sabia que Bella estava percebendo que tinha algo errado - ela sempre conseguia reconhecer os sentimentos dele.

Edward penteou uma mecha que caíra no rosto de Bella para trás de sua orelha, certificando-se de não acordá-la. Ele pôs uma mão sobre a lombar dela e lentamente percorreu sua coluna com os dedos, para cima e para baixo. Ela soltou um som como o de um ronronar, ainda adormecida, e Edward sorriu para si mesmo, sacudindo a cabeça.

Ele ainda não conseguia acreditar que havia demorando tanto tempo - mais de vinte anos - para ele finalmente enxergar o que sempre esteve bem diante de seus olhos.

O dia de ontem tinha sido tão intenso. Embora tivesse sido um dia divertido, tinha sido muito diferente do cotidiano deles.

Era claro que um dia como aquele havia sido necessário para a relação, por mais emocional que fosse. Ele entendera que Bella precisava dizer tudo o que estava sentindo e que aquela fora a única forma que ela havia encontrado para expressar isso - mesmo que o coração dele tivesse ido parar em sua garganta quando Bella sugerira que eles pulassem do penhasco. As imagens de anos atrás haviam bombardeado sua mente enquanto ele olhava pela ribanceira do penhasco, e, no entanto, ele pulou. E ele estava extremamente grato por ter pulado, mesmo que seu corpo inteiro agora protestasse contra tal sentimento.

Perdido em pensamentos, Edward não reparou que os olhos sonolentos de Bella tinham aberto. A mão dela tinha subido pela lateral do corpo dele até chegar a seu rosto, sem que ele sequer percebesse. Ela estava tentando desfazer a tensão no cenho dele.

"Está fazendo contas de cabeça, Cullen?" ela provocou, sua voz pesada de sono. Ele olhou para baixo e viu que ela ainda estava acordando: seus olhos eram apenas pequenos filetes, mas ele conseguia avistar um pedaço daqueles adoráveis olhos escuros.

"Sempre, Swan, sempre."

"Meu corpo dói," ela gemeu e Edward riu.

"O meu também. Talvez ter pulado de um penhasco não tenha sido uma coisa muito inteligente," ralhou ele. Bella fracamente o socou em seu bíceps.

"Ei, eu digo que estou dolorido e você tenta me socar. Isso é crueldade."

"Pare de choramingar como um bebê," provocou Bella, e Edward rolou o corpo dela para cima do dele. Ambos gemeram de dor antes de Edward colocar Bella de volta sobre a cama.

"Ugh, seu bruto," ela repreendeu. Edward se desculpou.

"Desculpe... não foi uma das minhas melhores idéias."

"Eu não sinto a menor vontade de me mexer."

"Eu também não. Vamos apenas nos prostrar no sofá e assistir televisão o dia todo," sugeriu Edward, e Bella suspirou.

"Isso implica mover-se, e me mover é a última coisa que eu quero fazer."

Edward riu e se levantou, mexendo-se o mais vagarosamente possível, antes de esticar o pescoço enquanto olhava para Bella, que ainda vestia as roupas de ontem. O sorriso que se formou não podia ser interrompido, nem que ele tentasse.

"Vamos, Bells. Vou até pagar pela comida e levantar minha bunda preguiçosa para atender ao entregador," Edward a persuadiu, balançando as sobrancelhas, como se estivesse fazendo uma barganha.

"Tudo bem, mas você também vai ter que ir pegar as bebidas na geladeira sempre que necessário," argumentou ela e Edward meneou a cabeça enquanto Bella lhe estendia a mão. Com facilidade, ele a puxou contra seu corpo, adorando a sensação dos braços dela, que envolveram seu torso em um abraço. Ele nunca se cansava desse sentimento.

"Você está quentinho," ela bocejou contra seu peito e Edward embrenhou a mão nos ralos fios de cabelo da nuca dela. Ele acariciou suavemente o local antes de se afastar.

"Vamos lá, dorminhoca. Vamos escovar os dentes."

"Isso é só porque você quer me dar uns beijos," ela provocou enquanto se arrastava até o banheiro.

"Por isso, e também porque seu hálito não está exatamente o mais fresco no momento," Edward respondeu rindo e Bella resfolegou, fingindo mágoa.

"Olha só quem fala."

"Eu sei. É por isso que eu disse para irmos escovar os 'nossos' dentes."

"Tá bom, tá bom," Bella grunhiu, e eles entraram no banheiro. "E nem pense nisso," ela avisou, rapidamente pegando sua escova de dente no pote. Edward riu, sacudindo a cabeça.

"Eu não uso sua escova quando você pode me ver. Eu só uso quando você não está por perto para me pegar no flagra. É assim que eu consigo me safar sem que você descubra."

"Que nojo! Vou comprar uma nova escova amanhã depois do trabalho; e além do mais, você nunca consegue se safar. Acredite."

Edward sorriu e observou Bella através do espelho em frente a pia, enquanto ambos escovavam seus dentes. Mesmo com a espuma da pasta cobrindo sua boca, Edward não conseguia deixar de ficar fascinado por Bella e, novamente, ele se perguntou por que até antes de começarem o jogo ele jamais havia realmente reparado no quão linda ela era.

"Fazendo contas de novo, Cullen?" perguntou Bella após gargarejar com o enxaguante bucal. Ela portava aquele sorriso acanhado que Edward tanto adorava.

"Não. Estava pensando em outras coisas," ele respondeu, trazendo Bella para perto antes de imprensá-la de leve contra a parede. Ele a beijou rapidamente, deixando que seus lábios roçassem contra os dela, firmemente. "Coisas muito mais legais que matemática. A não ser que você considere a subtração de nossas roupas como sendo matemática."

Bella soltou uma gargalhada e afastou Edward para longe, enquanto ele ria junto.

"Essa foi péssima, Edward. Tão ruim."

"Eu sei, mas pelo menos eu não fiz a piada inteira," ele defendeu-se e Bella assentiu, concordando.

"Verdade. Vamos para o sofá?"

"Vamos," ele falou, indo na frente e puxando Bella para cima de seu corpo quando eles chegaram lá. Os dois gemeram quando eles colidiram um contra o outro.

"Droga, essa doeu," Edward grunhiu e se reposicionou, para que assim o peso de Bella não ficasse tanto sobre sua perna.

"Culpa sua."

"Pois é," ele admitiu e se esticou para pegar o controle.

"Então, o que você quer ver?" ele perguntou e Bella deu de ombros.

"Isso não me ajuda em nada, Swan."

"Vai passando pelos canais até acharmos algo para assistir," Bella sugeriu, aninhando-se em Edward. Gentilmente, ele envolveu seu braço em torno do ombro dela.

O resto do dia foi gasto dessa forma; relaxando no sofá, assistindo a maratona de Monty Python que passava e mal se movendo. Eles riram até saírem lágrimas dos olhos e aproveitaram a comida mexicana que pediram de um pequeno restaurante perto de casa. Bella até foi boazinha e se levantou, algumas vezes, para pegar coisas na cozinha.

No fim das contas, foi um domingo calmo e leve como muitos outros finais de semana que eles já tinham passado juntos antes de iniciarem o jogo. Pareceu bastante natural e por aquelas breves horas, Edward esqueceu-se do que possivelmente ele encontraria no trabalho segunda-feira. Sua mente ficou apenas concentrada na mulher que tinha em seus braços - a sua melhor amiga, a sua possível eternidade.

Os dois adormeceram encostados um no outro ao som de Brave Sir Robin.

oOo

Edward foi o primeiro a acordar no dia seguinte. O som de seu despertador tocou e ele rapidamente levantou-se do sofá para ir até seu quarto e desligá-lo. O movimento repentino fez com que Bella caísse sobre as almofadas e também despertasse.

Ele voltou e foi para a cozinha, meneando a cabeça como cumprimento ao passar por Bella.

"Bom dia," ela falou em um bocejo, levantando-se para juntar-se a ele na cozinha.

"Dia," murmurou ele em resposta, parecendo desinteressado.

"O que deu em você?"

"Nada," ele grunhiu, pegando a caixa de suco de laranja para tomar um gole direto do gargalo. "Só estou cansado e é cedo e hoje é segunda. Meu Deus, eu odeio segundas."

Bella riu, enquanto Edward se espreguiçava e esfregava os olhos para livrar-se do sono. Ele bocejou alto e se jogou em uma cadeira, resmungando qualquer coisa sobre trabalho e segundas-feiras.

"Pare de agir como um velho rabugento, Edward, e me fale logo o que quer comer."

"Pare de ser tão má comigo," ele fez um beicinho e Bella comprimiu seus lábios tentando suprimir o sorriso que ameaçava escapar. Ele parecia adorável e ridículo, tudo ao mesmo tempo.

"Eu não estou sendo má, mas eu tenho certeza que ninguém no trabalho vai gostar muito de você se entrar lá com esse mal humor," ela retrucou enquanto pegava a caixa de cereais e duas tigelas no armário.

"Eles me adoram," ele respondeu presunçosamente e levantou-se para ajudar Bella.

"Eu sei que eles te adoram," ela falou, soando triste.

"Ei, por que isso agora?" ele questionou, caminhando por trás dela e puxando-a contra seu peito.

"Nada, é só que... o que nós somos?" ela gaguejou e Edward a virou para encará-la.

"Nós somos o que você quer que sejamos, Bella."

"Então, se eu fosse apresentá-lo às pessoas," ela começou devagar, olhando para ele com timidez. "Eu poderia apresentá-lo como meu namorado?"

"Claro, mas eu vou te apresentar como 'a minha alma gêmea'," Edward sorriu para ela. Bella olhou para cima e ele pôde ver o lindo tom de rosa que tingia suas bochechas.

"Eu amo quando você cora," murmurou para Bella, que corou ainda mais.

"Você sabe que eu odeio isso," ela choramingou e Edward riu.

"Bem, parece que eu amo todas as coisas que você odeia em si mesma."

"Galanteador, Edward Cullen, você é um galanteador. 'Alma gêmea'... 'eu amo tudo o que você odeia em si mesma'… é como se você tivesse lido o manual de Como Fazer Sua Mulher Feliz," ela provocou e Edward fez cócegas em suas costelas, fazendo-a rir.

"Eu escrevo o meu próprio manual, Esguichinho," ele piscou um olho e Bella ficou boquiaberta, o rubor rapidamente retornando ao seu rosto.

"Eu já te disse que amo a nossa mesa da cozinha?" Edward sussurrou, sua voz carregando um misto de provocação e um tom sedutor.

"Acho que já," respondeu Bella, engolindo em seco e pigarreando.

"Que bom," ele falou, se afastando para sentar-se e comer seu cereal.

Bella permaneceu encostada contra a bancada, atordoada.

"Eu odeio quando você faz isso," ela reclamou enquanto andava até a mesa para sentar.

"Eu sei," ele riu e Bella lançou-lhe um olhar atravessado.

"Você tem alguma novidade no trabalho?" Bella perguntou.

"Eu ainda não faço idéia, mas tenho certeza que uma grande e bela pasta de uma nova campanha estará à minha espera na minha mesa," disse ele, um tanto amargo.

"O que há de errado?" Bella perguntou pela segunda vez naquela manhã e Edward deu de ombros.

"Sério, Edward, qual é o problema?" o tom de Bella mostrava preocupação. Edward fez uma careta para a expressão séria em seu rosto.

"Não há nada de errado, Bella. Eu juro. "

"Eu não acredito em você."

"É só um lance que tem a ver com trabalho. Não se preocupe com isso," ele tentou afastar a tensão dela, dando um aceno de mão.

"Eu quero saber," ela insistiu.

"É sério, Bells. Não é nada. Se fosse, eu te falaria," ele disse firmemente, levantando-se para colocar sua tigela na pia. Quando ele voltou, viu o olhar chateado no rosto de Bella e foi se sentar ao lado dela.

"Eu juro, Bella. Não é nada, de verdade."

"Então por que você está soando tão distante sobre isso?" replicou ela. Edward bufou, colocando um braço em volta do ombro dela.

"Me desculpe se eu soei desse jeito. É só que eu não sei o que está acontecendo, então eu não quero deixar você enervada também."

"Eu estou aqui por você, para conversar, Edward. Você sabe disso, certo?"

"Claro que sim. Eu só não quero fazer uma tempestade em copo d'água sobre algo que pode nem vir a ser um fato concreto."

"Está bem," Bella concedeu, "Mas se esse algo se tornar um fato concreto," ressaltou, "por favor, fale comigo."

"Você sabe que será a primeira."

oOo

Durante a maior parte da segunda-feira, Edward ficou em seu escritório contemplando sobre quando ele iria ouvir qualquer notícia, ou quando o Sr. Austen ou o Sr. Meyers viriam até ele ou o ligariam. Seu estômago ficou cheio de nós o dia todo, e mesmo quando Alice ofereceu-se para avisar a todos que ele estava doente, para que assim ele pudesse sair mais cedo, Edward recusou. Disse que precisava ficar.

De hora em hora, Alice entrou em seu escritório para verificar se ele estava bem. Ela também tinha ouvido os rumores sobre a possível promoção de Edward e devido à probabilidade, ela sabia que isso acabaria acontecendo. Sim, Edward era seu primo, mas ela nunca tinha conhecido alguém que trabalhasse tão arduamente quanto ele. Mesmo ele sendo mais jovem que a maioria dos executivos da empresa, Edward ultrapassava em muito as habilidades deles.

Edward sabia o que Alice estava fazendo a cada vez que ela entrava em seu escritório. Em todas as vezes, ele afirmou que estava apenas estressado sobre uma nova campanha que deveria terminar para a semana seguinte. Ele sabia que não havia ingenuidade em Alice.

Ele ficou a segunda-feira inteira uma pilha de nervos, e até mesmo conversar com Bella durante o dia não tinha feito nada para melhorar isso. Ele tinha simplesmente conseguido piorar as coisas. A voz dela era um lembrete daquilo que ele poderia estar perdendo.

Quando chegou a hora de ir para casa, Edward quase voou para fora do escritório, correndo em direção ao elevador, querendo evitar a todos. Dentro do elevador, ele tentou fazer a engenhoca descer mais rápido do que o normal. Ele estava desesperado para sair do prédio.

No momento que entrou no apartamento, uma sensação de alívio tomou conta dele. Ele rapidamente se livrou da gravata sufocante que estava usando e pôs uma camiseta e uma calça de moletom para começar a preparar frango e batatas para o jantar enquanto esperava Bella chegar.

Ele não teve que esperar por muito tempo.

"E aí, como foi o resto do seu dia?" Bella perguntou ao deixar sua bolsa na mesa da cozinha, começando a retirar seus sapatos.

"Bem entediante. Além de Alice, ninguém mais me incomodou."

"Isso é bom, eu acho," ela riu e pegou seus sapatos. "Eu vou botar um pijama. Volto pra ajudar a terminar de descascar as batatas."

Edward acenou com a cabeça, vendo Bella dirigir-se para seu quarto, e de repente uma idéia lhe veio à cabeça. Bella voltou rapidamente e se juntou a Edward perto da lata de lixo para ajudar a descascar as batatas que iriam cozinhar.

"Como foi seu dia?" Edward perguntou.

"Foi bom, na verdade. Gostei muito da nova história que eu estou dando uma olhada. Tem um grande potencial para ser um best-seller."

"É sobre o quê?"

"Sobre um casal que está para morrer e seu último dia juntos, embora eles não saibam que é o último."

"Parece interessante."

"É tão doce e encantador," elogiou Bella e Edward sorriu junto com ela antes de ir lavar as batatas.

"Você pode colocar essas na panela? Tenho que pegar uma coisa," ele perguntou enquanto secava as mãos com o pano de prato ao lado da pia.

"Claro. Do que você precisa?"

"Você vai ver. Só lembre de virar o frango no forno daqui aproximadamente um minuto."

Bella assentiu e observou Edward andar apressadamente para o seu quarto. Ela ouviu o farfalhar de roupas antes de ouvir Edward andando de um lado a outro lá.

"Tá tudo bem aí?" ela gritou.

"Sim, apenas vire o frango."

Edward saiu do quarto rapidamente, foi até a cozinha, e encontrou Bella abrindo a porta do forno, usando o pano de prato para puxar a bandeja. Ele escondeu alguma coisa atrás da parede da porta da cozinha, do lado de fora, e esperou até que ela fechasse o forno.

"Bella?" Edward chamou, com um tom de voz muito sério. Bella virou-se para encontrar seus olhos, que estavam tão sóbrios quanto sua voz.

"O que foi? perguntou preocupada. "Edward, o que foi?" Ela largou o pano de prato sobre a bancada e esperou enquanto Edward inspirava profundamente. Por um momento, ela ficou hipnotizada demais pelo movimento para notar o que estava acontecendo.

Edward havia se ajoelhado sobre uma perna.

Ele estava em frente à Bella e ela não pôde evitar a sensação de quentura que se acumulou em seu peito ao ver aquela imagem, assim como as repentinas arfadas que emanavam de sua boca.

O martelar no peito de Edward estava tão aflito quanto no de Bella. Parecia que seu coração iria se rasgar para fora do peito.

"Bella Swan, eu te amo e não consigo me imaginar sem você na minha vida. Você quer-"

"Espera!" Bella interrompeu, sentindo-se sem fôlego e em pânico. "O que está fazendo?"

"Me deixe terminar pra que você possa descobrir," ele pediu e Bella assentiu, abobalhada. Seu corpo inteiro parecia estar em chamas. Ela olhou para baixo, de onde Edward olhava para ela.

"Como eu estava dizendo: eu não posso viver sem você. Eu adoro acordar ao seu lado e ficar te vendo enquanto você se espreguiça e deixa a manhã tomar conta. Eu amo ver você pentear seus cabelos e eu amo brigar com você por causa de uma bendita escova de dente. Você quer," ele fez uma pausa e se esticou para pegar o objeto escondido atrás da parede, ao que Bella respirou aliviada e começou a rir.

"Isso é uma gaveta do seu guarda-roupa?"

"Então, Bella Swan, você quer se mudar para o meu quarto? Eu abri espaço pra você," ele ergueu a gaveta na direção de Bella, enquanto ela continuava a rir de alívio.

"Sim, eu quero," Bella respondeu e Edward sorriu-lhe largamente, levantando-se. Ele pôs a gaveta de volta ao chão e puxou Bella para beijá-la.

"O que você pensou que eu fosse perguntar?" provocou ele ao beijá-la na ponta do nariz antes de encostar seus lábios nos dela.

"Eu não faço a menor idéia, sinceramente. Eu só vi você em um joelho e comecei a surtar."

"A idéia de se casar comigo te apavora?"

"Nós estamos apenas começando essa relação," defendeu ela e Edward se afastou sorrindo.

"Estamos? Eu acho que começamos há vinte e tantos anos atrás."

"Verdade," Bella respondeu com um pequeno sorriso no rosto.

"É a mais pura verdade," Edward replicou, sentando-se à mesa.

"Você sempre tem que estar certo?"

"Você só percebeu isso depois de todo esse tempo?"

"Seu metido a sabichão," brincou Bella enquanto mexia as batatas na panela.

"O seu metido a sabichão."

"Como eu pude ter tanta sorte na vida?" Bella riu zombeteira e Edward bufou.

"Eu falo a língua do sarcasmo."

"Tire o frango do forno, Espertinho."

"Com todo prazer, amor," ele respondeu e sorriu quando viu o familiar tom de rosa colorir as bochechas de Bella.

Eles jantaram em frente a televisão enquanto assistiam as reprises antigas de alguns programas, antes de Edward dirigir-se para o quarto de Bella.

"O que você está fazendo?" perguntou ela.

"Eu vou te ajudar a tirar suas coisas."

Demorou uma hora para que eles pegassem todas as coisas de Bella e levassem ao quarto de Edward; foram mais duas horas até conseguirem arrumar um jeito de fazer tudo caber no quarto. Durante todo o tempo, Edward sorriu enquanto via as roupas de Bella começarem a preencher o espaço em seu armário e os sapatos começarem a se unir ao lado dos dele.

Por volta das onze, os dois estavam completamente exaustos e se esticaram na cama deles.

"Nossa, isso levou uma eternidade."

"Quem diria que você tinha tanta tralha," Edward provocou.

"Ah sim, porque a sua coleção de cards de beisebol não são tralha, né" ela retorquiu e Edward resfolegou.

"Que blasfêmia! Aquilo vale dinheiro."

"Claro que vale," Bella ironicamente falou e se levantou para pegar uma muda de roupas e tomar um banho. Ao colocar seu elástico de cabelo sobre a mesinha de cabeceira, ela encontrou um pedaço de papel saindo por debaixo do abajur. Quando puxou o pedaço e o abriu, a letra X apareceu pomposa.

"Então foi aqui que você escondeu," ela falou para Edward, que sorriu-lhe inocentemente.

"Você achou. Me passa isso," ele esticou a mão e Bella pôs o papel dentro dela. Ele se levantou, foi em direção ao armário e pegou o gorro de lã para colocar a letra lá dentro.

"O que está fazendo?" Bella perguntou, perplexa.

"É bom terminarmos o jogo corretamente," sugeriu ele e Bella balançou a cabeça.

"E pra quê? Nós já sabemos qual será a letra."

"Se tivéssemos continuado a jogar, a gente iria saber de qualquer forma. Além disso, eu pensei que você fosse gostar de seguir as regras uma última vez."

"Tá, ok. Mas teríamos que ter feito isso ontem."

"Então a gente faz uma modificação e eu escolho a letra na sexta à noite."

"Você perdeu a cabeça," Bella riu.

"Não perdi não, Franco. Achei que você fosse gostar dessa idéia."

"Acho que eu prefiro a sua versão de anarquia, Chomsky."

oOo

A semana pareceu ter passado por Edward rapidamente, embora seus nervos dissessem o contrário. Todos os dias desde segunda-feira, ele ficou esperando ansiosamente por alguma notícia do sr. Meyers ou do sr. Austen, mas ficou desapontado e aliviado quando não ouviu nenhuma boa-nova.

Sempre que era hora de ir para casa, ele se apressava até o elevador e corria para seu carro, arrancando para fora do estacionamento como se fosse tirar o pai da forca. Ele não queria dar brechas a ninguém que pudesse o impedir de fazer seu caminho para casa.

No entanto, tudo mudou na sexta-feira.

Foi por volta de três da tarde que Alice o chamou através do interfone.

"Edward," ela disse, sua voz grave, fazendo o coração de Edward bater furiosamente em seu peito.

"Sim, Alice?" respondeu com trepidação e um leve tremor em sua voz.

"Sr. Austen gostaria de vê-lo no escritório dele. Sinto muito, Edward."

"Alice, tudo bem. Pode até não ser sobre isso," ele tentou convencer não só a Alice, como também a si mesmo.

"Quem sabe você está certo," disse Alice enquanto ele passava por ela.

"Ambos sabemos que eu estou errado," ele murmurou baixinho e Alice assentiu solenemente.

O percurso do elevador foi lento e tortuoso. O repique dos números enquanto ele subia andar por andar só serviu para que ele se sentisse ainda mais enjoado.

Edward anunciou sua presença para a secretária do sr. Austen e caminhou com uma lentidão em seus passos até o escritório do chefe.

"Edward," tanto Austen quanto o sr. Meyers o cumprimentaram, e ele desejou-lhes uma boa tarde.

"Sente-se, Edward," sr. Meyers sugeriu e ele lentamente sentou-se.

"Tenho certeza que você ouviu por aí os rumores do motivo de estarmos chamando você aqui," o sr. Austen falou e Edward assentiu. Por um momento, parecia que ele tinha voltado ao colégio e estava sentado na sala da direção.

"Isso é bom, Edward. O sr. Meyers e eu achamos que você seria um ótimo executivo nessa empresa. Nós estamos abrindo nossa segunda filial na costa leste, e adoraríamos que você estivesse lá nos primeiros meses, como o diretor."

"Senhor-" Edward começou a falar, porém o sr. Meyers interrompeu.

"Eu sei que é uma grande mudança, Edward, especialmente porque você teria que partir para Nova York já no mês que vem, mas existem pouquíssimas pessoas que nós acreditamos ter a capacidade necessária para estar a frente desse trabalho, e você era o primeiro na nossa lista."

"Senhor, eu estou muito grato pela oferta. De verdade. É tudo o que eu sempre sonhei desde que comecei a trabalhar nessa companhia, mas minha vida toda se baseia aqui em Washington. Minha família, meus amigos estão aqui. Eu não sei se posso simplesmente me desvencilhar de tudo isso e me mudar para o leste," Edward explicou, olhando entre os dois homens que, além de serem seus chefes, ele considerava seus ídolos no campo da publicidade.

"Eu tenho a sensação de que isso tem mais a ver com um certo alguém do que com um grupo de alguéns," o sr. Austen falou e Edward pendeu a cabeça para frente, envergonhado.

"Não há motivos de sentir-se embaraçado por isso, Edward," Austen o reconfortou. "Quem é a moça sortuda que roubou seu coração?"

"O senhor se lembra da festa de Natal?" perguntou ele e ambos os chefes assentiram.

"Aquela adorável morena que o acompanhava?" o sr. Meyers questionou e Edward acenou com a cabeça.

"Mas eu pensei… bem, você sempre a apresentou como sua melhor amiga," sr. Austen comentou, confuso.

"Ela é a minha melhor amiga, mas nós começamos a explorar mais a fundo os limites da nossa amizade."

"Ela era realmente uma jovem adorável, Edward. Não quero menosprezar a relação de vocês dois, mas o fato é que essa é uma oportunidade única na vida. Isso poderia realmente construir o seu nome no mundo da publicidade, e especialmente em Nova York," o sr. Meyers começou. "A cidade de Nova York é a Meca de tudo que é relacionado à publicidade, Edward. Se você conseguisse fazer um nome lá, isso possivelmente atrairia grandes realizações para sua carreira."

"Estou ciente disso, sr. Meyers, mas essa mulher significa tudo pra mim. Eu sei que pode ser bizarro expressar tão diretamente o quanto ela é uma parte fundamental na minha vida, mas eu estive em Nova York por três dias e tudo o que eu queria era pular no primeiro avião de volta para Seattle," Edward replicou e o sr. Austen sorriu-lhe gentilmente.

"Você está cadinho por ela, não é?" perguntou.

"Eu a amo," ele afirmou e os dois homens se entreolharam.

"Pense sobre a proposta, Edward," o sr. Meyers falou com seriedade. "Converse com ela sobre isso. Quem sabe ela não se mude junto com você? Além disso, será apenas por seis ou nove meses. Você realmente acha que deixaríamos você escapar da nossa sede aqui em Seattle?" ele tentou soar brincalhão, mas tudo o que Edward conseguia pensar era em Bella. Ele sabia que ela não iria com ele.

"Apenas pense sobre isso, Edward," sr. Austen repetiu e Edward assentiu a cabeça enquanto sacudia as mãos de ambos e voltava para seu escritório.

Quando a cabeça de Alice se afastou do computador para olhar para o primo, ele viu o momento exato quando ela uniu as peças e descobriu o motivo da expressão séria em seu rosto.

"Eu vou para casa mais cedo, Alice," ele falou em voz baixa enquanto passava e ela o seguiu até sua sala. Alice o envolveu em um abraço apertado.

"Sinto muito, Edward. É engraçado que ao invés de estarmos celebrando, estamos levando isso como se alguém tivesse morrido."

"É quase isso que eu sinto no momento," ele murmurou e Alice acariciou seu braço em um gesto de reconforto.

"Vá para casa."

"Até segunda," ele acenou enquanto entrava no elevador.

oOo

Ele esperou duas horas e meia por Bella.

Assim que ela pôs os pés em casa, ela soube que havia algo errado.

"O que foi?" perguntou e Edward levantou-se.

"Precisamos conversar."

"Essas palavras nunca significam algo de bom," ela sussurrou e seguiu Edward até o quarto deles.

"Eu vou ser promovido," ele começou a falar e Bella correu ao seu encontro, o abraçando apertadamente.

"Edward, isso é incrível. É maravilhoso!" ela exclamou, antes de perceber que era a única que parecia feliz. "Por que sou a única que está comemorando?"

"Eu teria que me mudar para Nova York."

"Ah," Bella esforçou-se para achar o ar que começou a lhe faltar, e sentou-se ao pé da cama. "Nova York," ela repetiu baixinho enquanto Edward parava de pé ao seu lado.

"Eles querem que eu vá mês que vem."

"Isso… isso é ótimo, Edward," Bella comentou com um fio de voz, tentando controlar suas emoções. Edward sabia, pelo tremor em suas mãos e pela ligeira trepidação em sua voz, que ela estava à beira das lágrimas.

"Eu não vou aceitar," Edward declarou e Bella levantou-se rapidamente.

"Não seja idiota!" ralhou. "Isso é tudo pelo que você sempre batalhou. Você precisa aceitar."

"Eu não posso, Bella. Não posso partir para Nova York sem você."

"Essa é a sua carreira-"

"Não posso te deixar, Bella. Eu te amo. Eu preciso estar com você o tempo todo. Necessito acordar e ver seu rosto todos os dias," argumentou ele, mas Bella balançou a cabeça enquanto as lágrimas começavam a rolar em suas bochechas.

"Você não vai ficar aqui só por minha causa. Ouviu bem? Você precisa aceitar esse cargo. Eu também te amo, mas você precisa fazer isso."

"Bella-" ele tentou falar e ela o interrompeu.

"Não, Edward. Eu sabia que esse jogo iria estragar tudo em nossa volta. Olha bem pra nós. Você está jogando pro alto a sua carreira por algo que pode nem mesmo durar até o próximo mês."

"Eu não me importo."

"Você devia se importar!" ela gritou.

"Esse jogo foi o que nos uniu, Bella. Essa brincadeira fez o que nós menos esperávamos, mas ela me deu você como recompensa."

"Essa brincadeira foi a coisa mais estúpida que podíamos ter feito. Eu nunca devia ter concordado em começar isso."

"Como você pode dizer uma coisa dessas, Bella? Você se arrepende?" ele berrou.

"Nunca devíamos ter feito isso! Eu sabia que esse jogo iria ferrar tudo," Bella o repreendeu, enquanto Edward apenas olhava para ela sem expressão, sentado no outro lado da cama.

Eles haviam criado as regras, ela as tinha aplicado - ela tinha sido a única a cumpri-las rigorosamente, mas que se dane, regras eram feitas para serem quebradas.

"O que você quer que eu fale, Bella? Não faço porra de idéia nenhuma do que você quer que eu diga, então por favor... por favor, não aja como se eu fosse o vilão! Você foi tão parte disso quanto eu. Você concordou desde o início. Eu não sou o único culpado aqui."

Bella ganiu agarrando as raízes de seu cabelo, e murmurou, "Eu sabia, eu sabia que isso iria acontecer."

"Só falta uma letra, Bella. Vamos apenas terminar o que começamos. Depois disso, a gente vê o que acontece," Edward sussurrou e caminhou até Bella. Ele tocou os ombros dela com os seus, tentando acalmá-la, mas fora em vão; ela estava incrivelmente tensa.

Ele puxou a touca da gaveta, sacudiu duas vezes, e entregou a Bella. Ambos sabiam qual era a letra, mas era assim que eles jogavam desde o início, há quatro meses.

"É a minha vez," ele murmurou, suspirando profundamente enquanto puxava o único papelzinho dobrado. Rapidamente colocando o papel no bolso depois de ler, ele saiu de seu apartamento para se preparar para sábado, deixando Bella mofar sozinha com seus pensamentos.


N/T: Eu sei, eu sei que eu disse que o capítulo viria rapidinho. E de fato, eu terminei de traduzi-lo uma semana depois que postei o anterior, mas o que eu menos esperava aconteceu: o HD do meu computador queimou, perdi TODOS os arquivos, e por isso tive que traduzir de novo (enquanto viajava, ainda por cima).

Mas ok, já superei isso. *respira fundo*

O próximo é o último capítulo, depois tem o epílogo e aí postarei os dois extras.

Daqui a umas 2 semanas, mais ou menos, eu vou postar um segundo capítulo da minha one, Um Bom Menino. Quem curtiu o primeiro, eu aconselho a colocar a fic nos alertas pra ser avisado quando eu postar ;)

Vocês notaram que finalmente chegamos ao prefácio? Podem reclamar à vontade nas reviews sobre o suspense que foi deixado nesse finalzinho de capítulo. heheh

Beijos!