21. Sr. e Sra Monteith
Era só mais um dia qualquer de setembro. Ensolarado, de clima agradável e sem nenhuma nuvem no céu. A multidão corria de um lado pro outro, apressados, na grande Nova Iorque. Gente famosa, gente comum, correndo atrás dos seus sonhos, trabalhando, estudando, vivendo. Pra maioria das pessoas era só mais um dia. Pra Lea e Cory era 'o dia'. Longe do movimento do centro da cidade, mas com a mesma intensidade senão ainda maior de fluxo de pessoas, numa linda fazenda de interior, era celebrada a união de um casal apaixonado. Um casamento normal já mudaria o cenário calmo e pacato do lugar, mas um casamento cheio de celebridades, imprensa e a mídia em geral, transformou aquela bela fazenda numa 'Times Square'. Muitos carros lotados de famosos e familiares, amigos, convidados, entravam por um corredor de seguranças. Jornalistas, fotógrafos e curiosos se espreitavam procurando uma frestinha pra ver alguma coisa lá dentro da cerimônia, dos convidados e principalmente dos noivos. Um esquema digno da CIA fora montado pra não deixar ninguém que não fosse convidado entrar e nem perturbar os convidados. Nem os jornalistas puderam entrar, tudo fora fotografado e filmado por uma equipe escolhida pela organização do casamento, pra assim deixar todos a vontade pra se divertirem na festa, sem se preocupar. Por serem os noivos pessoas famosas, todo o material relacionado ao casamento seria concedido a imprensa depois do mesmo, sendo meticulosamente analisado pelos agentes. Assim, garantia que todos pudessem compartilhar aquele momento mágico que o casal e os familiares estavam vivendo. Saindo da confusão da entrada, que a mídia e seus paparazzis sabiam fazer tão bem, logo se via uma bela fazenda, toda decorada com lindos arranjos de orquídeas brancas e tecidos lembrando o famoso 'véu da noiva'. Vários ambientes, regados a muita natureza e tranqüilidade traziam o devido aconchego a que a festa pretendia. Uma imensa tenda delicadamente decorada com tecidos, orquídeas e muitos cristais, era o palco principal da cena mais importante da vida do mais jovem casal. Uma harmonia única, entre o rústico do campo e o glamour daquela decoração, digna de toda a emoção ali presente.
Cory e Lea eram muito queridos, tantos pelos amigos normais, como por várias celebridades, logo, a festa se tornou num desfile de famosos maior do que o Oscar e o Emmy juntos. Porém, naquele momento, o mais importante era celebrar o amor que o casal tinha e fazia questão de compartilhar com todos os convidados. E, eles não pouparam nem se preocuparam em deixar transparecer toda a felicidade que sentiam.
Olhos nos olhos, um segurando as mãos do outro, assim cada voto foi dito com toda a certeza de que aquele momento era a confirmação de tudo o que Cory e Lea sentiam, do que planejavam. e com as bênçãos do céu, da família, dos amigos, não importava se 90% eram artistas, acostumados a interpretar emoções, naquele momento, todos 'sentiam' a alegria do iniciar de mais uma família.
"Eu vos declaro marido e mulher...pode beijar a noiva!", disse o celebrante da cerimônia. Sempre discreto, nessa hora, tamanha sua emoção, Cory não se conteve e após dar o famoso beijo em sua esposa, ergueu a pequena morena pela cintura, como se quisesse exibir seu maior prêmio. Ambos se olhavam emocionados. Ele finalmente desceu-a fazendo escorregar pelos seus braços em um abraço.
"Eu te amo", disse Lea.
"Eu também te amo", respondeu Cory ajeitando uma mecha do cabelo dela preso a uma tiara de diamantes que caiu em seu rosto.
Agora já casados, o Sr. e a Sra. Monteith atravessaram o tapete de vidro e cristais feito especialmente para os noivos. Ele num elegante fraque escuro, ela com um tradicional vestido tomara que caia branco com uma enorme cauda. Todos se levantaram, aplaudindo, enquanto enxugavam suas lágrimas.
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O dia ensolarado deu lugar a noite e ninguém dos convidados fazia menção de ir embora. Uma festa aconchegante e animada juntou simples mortais aos artistas mais famosos da atualidade. Além do maravilhoso buffe, uma banda fora contratada pra tocar para os convidados, contudo era Jimmy Fallon que animava e contagiava a todos, sempre com seu jeito zombeteiro e brincalhão, brincando, convidando as pessoas para cantar como se fosse um karaokê. Coisas inacreditáveis estavam acontecendo ali. Não é todo dia que se vê os padrinhos Steven Spielberg e Richard Branson cantarolando sucessos de quando eles eram garotos. Nem astros como Anne Hathaway, Zac Efron, Mila Kunis e Daniel Radcliffe tentando fazer alguns passos de dança 'a la Justin Timberlake', mesmo o próprio tentando ensinar. Muito menos ver correr entre as crianças, a prole Jolie-Pitt. Sem mencionar os muitos amigos de Hollywood em geral, atores, cineastras, alguns cantores e todo o elenco de Glee, companheiro do casal.
Sempre sorridentes e atenciosos, Cory e Lea festejaram a noite toda com seus convidados. Em determinado momento, Lea pegou um microfone e chamou a atenção de todos:
"Só um minutinho meus amores, por favor, só vou interromper a festa um pouquinho, ok?" Ela então se voltou em direção do marido. "Babe, sei que nos prometemos não trocar nenhum presente, assim como todos aqui fizeram à nosso pedido, em vez de presentes, todos fizemos doações às intituições que nós dois representamos, mas... eu vou ter que quebrar nossa promessa...eu tenho algo para você!" Ela entregou-lhe uma pequena caixa.
"Isso é injusto, pra você principalmente, porque eu não tenho nada pra você!"
Todo mundo achou graça da situação de surpresa do noivo.
"Calma amor, meu presente está incluso aí também!"
Cory não entendeu nada, mas percebeu que pelo ar malicioso no rosto de Lea, ela estava aprontando alguma coisa.
"Ok, vamos ver então"
Ele abriu a caixa, tirou um papel e permaneceu mudo com uma das suas sobrancelhas arqueadas, tentando entender o que estava escrito ali. Enquanto isso, todos procuravam desvendar aquele mistério, curiosos, olhando o casal. Ninguém estava entendo nada. Lea fez um sinal para um técnico de som que estava no palco. Ele substituiu a música que estava tocando por um som acústico de bateria. Todos deduziram que era uma música que Cory estava tocando.
"Ele está compondo essa música", esclareceu seu agente.
"Você sabe o que é isso tudo?", a mãe de Cory perguntou a mãe de Lea.
"Não faço idéia", ela respondeu.
Em meio as batidas da bateria, ouvia-se cada vez mais nitidamente e consistente um som diferente, uma batida forte e cadenciada. Aos poucos, o batuque da bateria foi sumindo permanecendo apenas aquela seqüência de batidas diferenciadas.
"Até parece o pulsar de um coração", alguém arriscou.
Lea finalmente encontrou o olhar interrogativo do marido. Ela apenas fez um sinal afirmativo com a cabeça. Foi o suficiente. Ele entendeu. Correu em direção da esposa, abraçou-a chorando compulsivamente. Lea também chorava, enquanto todos ainda estavam perdidos. Depois de alguns instantes, ele escorregou ficando de joelhos na frente dela. Um beijo na barriga de Lea finalmente deu fim ao mistério:
"Oh, meu Deus! Lea está grávida!", quase saiu em coro.
Ainda ali de joelhos abraçado em sua mulher, Cory olhou pra cima, encontrando o rosto de Lea banhado de lágrimas. Ela sorriu pedindo pra ele prestar atenção.
"Tem só dois meses de vida e já está com o coraçãozinho batendo mais forte que a bateria do papai!", ela disse com a voz embriagada de emoção.
Cory não conseguia dizer nada, apenas agradeceu o presente enquanto ficava de pé.
"Não precisa me agradecer, porque eu também ganhei o maior presente da minha vida, amor". Eles se beijaram pra delírio dos convidados.
"Dois meses você disse? Então, ...", Cory começou a entender mais além.
"...sim, é isso mesmo que você está pensando. Lembra que a poucos dias eu fiz uma brincadeira contigo? Que na nossa última viagem que fizemos juntos, lá pro Canadá, quando voltamos..."
"...quando voltamos você disse que tinha trazido mais de um canadense de lá", Cory começou a sorrir meio bobo, emocionado, lembrando da conversa que tiveram logo que chegaram em casa. "Ainda lá, antes de sairmos você disse que sentia que alguma coisa tinha mudado, que aquela viagem iria mudar nossas vidas. Você já sabia?"
"Não, mas como mulher eu senti, não me pergunte, eu e meu sexto sentido somos infalíveis", ela riu vendo a cara confusa do marido. "Não sabia de nada, mas tinha certeza que nós dois não estávamos voltando pra casa sozinhos".
Agora sim, podia-se afirmar que ali estava começando uma nova família.
