"Que coisa mais grandiosa há para duas almas humanas do que sentirem-se unidas… do que fortalecerem uma a outra… do que estarem juntas, a sós, em silenciosas memórias indescritíveis."

George Eliot


Capítulo Trinta e Um: X é para o Fim

Edward perambulou pela vizinhança pelo que pareceu ser um período interminável de tempo, antes de finalmente decidir fazer o caminho de volta para casa. Ele achou ridículo o fato de sentir-se nervoso por estar voltando, mas depois da briga com Bella, ele estava genuinamente apreensivo por tê-la confrontado.

Enquanto arrastava seus passos pelas ruas de Seattle, ele continuamente relembrava a discussão em sua mente. Os sons que seus tênis faziam ao friccionarem contra o cimento da calçada criavam uma trilha sonora devastadora; ele sequer dava-se ao trabalho de erguer os pés ao caminhar, optando por apenas dragá-los sobre o chão úmido num gesto de extrema derrota.

Os dois haviam exacerbado completamente as proporções da situação. Ele nem ao menos pôde explicar a proposta inteira, e para ser honesto, fazer isso era algo que ele realmente não queria. Ele sabia que uma vez que Bella ouvisse as condições, ela lhe diria para aceitar a promoção, e essa era absolutamente a última coisa que ele desejava ouvir.

Era lamentável, ele sabia; céus, ele tinha certeza que Bella iria achar o mesmo. Ele sabia que poderia mais tarde arrepender-se da decisão, porém perder Bella simplesmente não era uma opção. Até mesmo a mera ideia de perdê-la já era terrível.

Não era apenas o medo de perder Bella como namorada. Era a idéia de perdê-la como uma amiga que o assustava mais. Por mais estranho que soasse - até para ele -, a amizade dela lhe significava o mundo. Sim, eles agora eram um casal, mas por trás de tal título, eles ainda eram Edward e Bella, os melhores amigos há vinte e tantos anos, e essa era a parte do relacionamento deles que Edward tinha mais receio de perder.

Para Edward, Bella era a única pessoa a quem ele podia confiar suas mais profundas e obscuras aspirações, segredos, e até mesmo desejos. Não havia ninguém no mundo em quem ele confiasse ou acreditasse mais do que ela.

Sempre tinha sido desse jeito, e era assim que ele pretendia permanecer. Ele sabia que não deveria estar preocupado, sabia que ela o amava tanto quanto ele a amava, mas ter ouvido Bella questionar tudo o que os uniu fora um tremendo golpe a sua alma. Ele queria acreditar que o que ela disse não passava de um ato de intimidação e que era pelo bem dele, mas Edward não podia escapar daquela sensação de vazio no peito quando Bella disse que tudo havia sido um erro. Parecia que ela havia enfiado a mão em seu peito e puxado seu coração para fora; e ele assistiu aquilo durante todo o tempo, hipnotizado pela raiva nos olhos de Bella enquanto ela pisoteava o coração dele.

Em toda sua vida, ele jamais teve uma ligação tão forte com alguém, mas isso realmente não o surpreendia; eles sempre foram muito próximos. Bella sempre esteve por perto quando ele precisava e vice versa, mas aquelas palavras haviam o ferido profundamente.

Vagarosamente, ele dobrou a esquina e voltou para o seu condomínio. Haviam se passado quase duas horas desde que ele saíra. A ascensão do elevador passou completamente despercebida. Num piscar de olhos, ele já estava parado em frente à porta de casa com suas chaves na mão. Edward encarou o número do apartamento talhado em bronze, que a luz florescente do corredor colocava em evidência.

Sua chave estava a postos, mas ele ainda tinha que virá-la na fechadura, já que, ao invés disso, havia escolhido fitar o número de pintura dourada.

Quando ele encontrara esse apartamento para morar, logo após a formatura da faculdade, ele imediatamente soube que iria querer dividi-lo com alguém; Bella tinha sido sua primeira e única escolha. Embora seus pais tivessem ficado um tanto apreensivos sobre seus filhos morarem juntos, eles confiavam nos dois, já que Edward e Bella jamais lhes deram razões para duvidarem que a amizade deles fosse algo além disso.

Originalmente, o número pregado na porta era feito de metal e a tinta preta que o cobria estava craquelada, de modo que era possível ver a base de prata original. Tinha sido idéia de Bella mudar o número para o atual, que era de um dourado espalhafatoso; ela explicara que este o lembrava de algo relacionado à realeza e que o apartamento deveria ser o castelo deles. Edward havia rido da bobeira daquilo tudo, mas ele concordou em trocar, mesmo assim.

Para ser honesto, se ela tivesse lhe pedido o mundo, ele teria encontrado uma maneira de dar a ela.

Ele olhou para o número cravado pelo que pareceu uma eternidade, antes de virar a chave e abrir a porta.

A casa estava em silêncio quando ele entrou; era um pouco estranho o quão vazio o apartamento parecia sem qualquer resquício de ruído nele. Tudo o que Edward ouvia era o ar e a sensação era esquisita. Imediatamente, Edward sentiu que algo estava errado. Ele sentiu como se algo estivesse fora de seu lugar.

Foi quando ele caminhou em direção ao seu quarto que ele percebeu. Do canto de seu olho, ele viu o brilho do pequeno abajur de cabeceira do quarto de Bella. Ao andar até lá, ele encontrou Bella enroscada em cima da cama. Ela estava dormindo, e de onde ele estava podia ver uma mão de Bella envolvendo firmemente o pingente pendurado em seu pescoço.

Era aparente que ela havia chorado; suas bochechas estavam manchadas de preto pela maquiagem, e ela não tinha sequer se preocupado em trocar as roupas de trabalho que vestia.

Edward tirou os sapatos o mais silenciosamente possível, andando na ponta dos pés até a cama de Bella, e deitou-se ao seu lado. Ele a puxou para perto de seu peito e encaixou seus joelhos por trás dos dela até estar confortável; eles pareciam duas colheres engatadas uma contra a outra.

O movimento, entretanto, tinha feito Bella despertar.

"Edward?" sussurrou.

"Sim, sou eu, Bells. O que está fazendo aqui?"

"Achei que você não fosse me querer no seu quarto quando voltasse," ela falou mantendo a voz baixa.

"Como você pôde pensar uma coisa dessas, Bella? É o nosso quarto." Declarou ele em um tom firme, e levemente afrouxou o aperto de seus braços em torno de Bella quando ela se virou para encará-lo. Ela conseguiu virar o corpo sem sair do abraço reconfortante. Edward limpou as lágrimas quase secas nos cantos dos olhos dela e até tentou limpar as manchas escuras em seu rosto.

"Eu espero que você saiba que eu falei aquilo tudo da boca pra fora," Bella murmurou. Sua voz estava rouca de tanto chorar.

"Então por que falou?" Edward soava destroçado e era exatamente assim que ele se sentia.

"Foi a única forma que eu encontrei, naquela hora, de conseguir fazer você mudar de idéia. Você tem que aceitar esse cargo; não há outra resposta além do sim. Edward, esse é o seu sonho se tornando realidade. Eu não quero que daqui a vinte anos você olhe para trás e se arrependa de nunca ter aceitado. Eu não quero que você me culpe quando contar à sua esposa que a vida de vocês poderia ter sido completamente diferente... ou até mesmo melhor," explicou Bella e Edward sorriu levemente.

"Bem, em vinte e poucos anos, quando nós dois estivermos vendo nosso filho mais velho se formar na escola, eu vou fazer de tudo para me lembrar de não tocar no assunto," ele anunciou e viu Bella apenas o encarar.

"Edward-" ela começou a dizer, mas Edward interrompeu.

"Eu sei o que você está tentando fazer, mas não vai dar certo," ele afirmou. "Eu te amo, e daqui a vinte anos eu espero estar aninhado na cama com a minha linda esposa chamada Bella, cujo cabelo estará começando a ficar grisalho e que não se importará que eu não me pareça mais com o homem por quem ela se apaixonou há tanto tempo."

"É isso o que você vê pela frente?" ela perguntou e Edward assentiu.

"Sim. Além do mais, eu ainda não te contei tudo sobre o cargo em Nova York."

"E o que é?"

"Que é apenas uma mudança temporária, durante seis a nove meses, no máximo. Eles apenas me querem lá como o diretor geral enquanto organizam a filial da costa leste e depois disso, eles querem que eu volte para Seattle. O fato é que eu não quero ir," ele explicou e Bella balançou a cabeça.

"Isso é ridículo, Edward. Você tem que ir. Uma promoção dessas é o motivo de você ter trabalhado tanto e ter feito todas aquelas horas extras de estágio só para causar uma boa impressão. Não seja imbecil a ponto de jogar tudo isso para o alto."

"Eu sei," murmurou Edward, pendendo o queixo para o peito.

"É só que eu odeio a idéia de estar separado de você. É ridículo, eu reconheço, mas agora que finalmente estamos juntos, eu vou ter que te deixar. Por falta de melhor expressão, eu digo que isso é uma merda homérica. Eu até expliquei isso ao Meyers e ao Austen. Eu disse a eles que não poderia aceitar o cargo pois não iria agüentar ficar longe de você."

"Você disse isso pra eles? Estava bêbado quando falou?" Bella perguntou com um toque de brincadeira. Ela sentou-se na cama e Edward imitou o gesto.

"Não. Eu só… senti o impulso de dizer. Eu não sei, droga."

"Você, realmente, confessou tudo isso a eles? Aos seus patrões?" Bella indagou, o riso no fundo de sua voz.

"Sim…" Edward alongou a resposta, claramente demonstrando embaraço. Ele sacudiu a cabeça e continuou, "Pensando bem, agora, eu não consigo acreditar que fiz isso."

"Onde estão seus colhões, Edward Cullen?"

"Provavelmente pendurados em uma bela corrente prateada ao redor do seu pescoço," ele brincou e Bella sacudiu a cabeça para ele enquanto brincava com a chave e o coração do pingente de seu colar.

"Não acredito que você teria coragem de contar isso ao sr. Meyers," ela falou. "Ao sr. Austen, talvez, já que você sempre teve mais intimidade com ele, mas o Meyers? Nem tanto."

"Eu realmente não sei o que deu em mim. Naquela hora, eu literalmente tive que me arrastar até o escritório deles quando ligaram para Alice, e quando eu desci, ela teve que me consolar."

"Isso é meio patético, Edward," Bella provocou e Edward franziu o cenho, embora fosse bom ver Bella parecendo mais alegre, mesmo que fosse às suas custas.

"Você acha patético que eu prefira ficar em Seattle a ir embora e te deixar aqui?" ele perguntou com seriedade. Bella apenas o fitou com um sorriso tímido e travado no rosto.

"Não. Eu adoro o fato de você sentir isso, pois eu sinto o mesmo, mas pareceu que você estava praticamente implorando a eles para que não obrigassem você a se mudar. Isso, isso é bastante patético," ela argumentou e Edward riu enquanto meneava a cabeça, concordando.

"Sim, realmente é."

"Tenho certeza que eles esquecerão de tudo isso quando você informá-los de que vai aceitar esse emprego," Bella afirmou e Edward assentiu a cabeça lentamente.

"Você não tem nenhuma objeção contra eu me mudar?" ele perguntou e Bella sentou-se sobre os joelhos, em frente a Edward, que mais uma vez imitou suas ações.

"Edward," começou ela baixinho, olhando diretamente em seus olhos, e na maior inversão de papeis, ela pegou o rosto de Edward em suas mãos e lhe falou.

"Eu não vou ficar aqui parada e dizer que não vai doer, ou que eu não vou estar chorando desesperadamente quando você for embora, mas esse cargo só irá durar o quê, de seis a nove meses? Isso... isso não é tão ruim assim."

"Sim, mas eu sequer conseguiria agüentar três dias, e nem você," Edward argumentou e Bella esfregou a tensão que se formou no meio do cenho dele.

"Nós vamos ter que aprender a lidar com isso. Você sempre esteve me apoiando, Edward, e sempre, sempre me incentivou a fazer o que eu queria; agora é minha vez de fazer o mesmo por ti. Você. Tem. Que. Ir. Essa poderia ser a maior oportunidade em toda sua carreira. Não consegue entender isso? A maior."

"Você está falando como o Meyers," Edward riu e Bella o acompanhou por um breve momento.

"A gente vai conseguir lidar com isso," ela repetiu e Edward assentiu.

"Você vai me visitar. Certo? Ou você poderia vir comigo e arranjar um emprego lá? Existem milhares de editora em Nova York. Tenho certeza que qualquer uma delas te contrataria num piscar de olhos."

"Você sabe que eu não posso ir. Charlie só tem a mim," ela explicou e Edward sacudiu a cabeça.

"Não, ele tem a Sue, que eu acho que deve ser uma companhia melhor que você, pelo menos quando o assunto é o quarto do Chefe," ele brincou e Bella fez um som de nojo.

"Nunca mais fale do meu pai, Sue, e uma cama na mesma frase, ok? E você sabe que não foi isso que eu quis dizer."

"Pode deixar. E sim, eu sei o que você quis dizer. Isso não muda o fato de que eu queira que você venha comigo," ele fez um beicinho e Bella cutucou o centro do biquinho para que ele parasse.

"Eu quero ir, mas não posso. A gente vai conseguir. Isso é só uma pequena pedra no nosso caminho," ela o reconfortou e Edward puxou seu corpo para abraçá-la.

"Isso vai ser muito ruim," ele mal sussurrou e Bella assentiu.

"Nós vamos superar isso," gaguejou Bella e Edward pôde sentir a tensão no corpo dela, enquanto ela lutava contra as lágrimas.

Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes, envolvidos nos braços um do outro, até que Bella se afastou.

"Quando você tem que partir?" ela perguntou timidamente.

"Em seis semanas."

"Bem, nós temos seis semanas até lá, então. Vamos aproveitar esse tempo da melhor forma possível."

"Com toda certeza," Edward sussurrou, trazendo Bella para ainda mais perto dele, embora isso fosse quase impossível.

"Você realmente aceita que eu vá?" ele perguntou depois de um breve período de silêncio.

"Não… sim… eu não sei," Bella gaguejou. "Eu quero que você vá, porque você sempre batalhou por isso, e você merece todo esse sucesso."

"O que mais você quer?"

"Nada. Tenho tudo o que poderia querer, e acima de tudo, eu tenho você. Eu não preciso de mais nada."

"Você sabe que eu te daria o mundo, Bella Swan," ele respondeu decididamente.

"Eu não creio que isso seja possível," ela riu. Edward adorou a forma como o corpo dela tremeu contra o seu, que também estremecia de risadas.

"Bem, eu pelo menos tentaria," ele argumentou.

"Agora sim, nisso eu acredito."

oOo

Na manhã seguinte, Bella acordou incrivelmente rígida. Ao tentar se mover, ela percebeu que estava presa em um forte aperto nos braços de Edward. Ela tentou se desvencilhar, porém ele a prendeu mais com mais firmeza ainda contra seu peito.

"Bom dia," ele cumprimentou e Bella soltou uma pequena risada.

"…Dia," ela murmurou, grogue. "Será que dá pra você me soltar um pouquinho? Você está me apertando e isso dói."

"Desculpe, Bells," ele disse, soltando Bella, e observou enquanto ela se levantava da cama para espreguiçar. Ele ficou hipnotizado pela forma como a blusa de botões dela se ajustou contra sua barriga quando seus braços esticaram-se para trás.

"O que foi?" ela perguntou, tímida ao reparar o olhar de Edward.

"Essa camisa fica bem em você."

"Obrigada." Ela enrubesceu e virou-se para desabotoar a blusa. Bella esfregou os locais onde os botões haviam deixado marcas, em seu peito e barriga.

"O que está fazendo?" Edward perguntou, sentando-se na cama dela.

"Esses botões ficaram pressionados a noite toda contra minha pele, e agora está coçando," ela grunhiu enquanto coçava os lugares. "Dormir com essas roupas de sair não foi uma boa ideia."

Edward riu, assistindo enquanto Bella tirava o sutiã e esfregava a pele sob seus seios, e novamente roçar a pele ao tirar sua calça social, esfregando as marcas que havia deixado em sua cintura.

"Eu queria ter sido avisado antes que você iria fazer um strip-tease. Teria colocado alguma música pra tocar," brincou Edward e Bella mostrou-lhe o dedo médio.

"Muito engraçado."

"Também achei," ele riu.

"Vou tomar um banho," Bella anunciou e Edward sorriu-lhe, andando ao seu encontro. Quando estava bem próximo, ele a puxou para perto, regozijando-se com a sensação de seu peito contra o dela.

"Tenho permissão para me unir a você?" ele inquiriu, sorrindo presunçosamente e correndo sua mão pela coluna de Bella. Ela estremeceu sob Edward.

"Hmmm," ela pensou alto. "Não sei."

Edward não disse nada, apenas infantilmente fez mais um beicinho para Bella. Ele estava tentando fazê-la esquecer sobre a conserva que tiveram na noite anterior. Ele queria vê-la sorrir, e para ser franco, ele mesmo não queria pensar sobre aquilo, também.

"Está bem, mas só um banho. Nada de gracinhas."

"Hoje é sábado, lembra? Hoje é o dia oficial de fazer 'gracinhas'," Edward gemeu ao esfregar-se contra Bella.

"O que isso tem a ver com a letra X?"

"Não sei, mas tenho certeza que podemos descobrir."

"O que você tem planejado para hoje?" Bella perguntou, enquanto eles continuavam apenas parados no meio de seu quarto, entrelaçados.

"Sinceramente?" ele perguntou e Bella assentiu, afastando-se de Edward.

"Quando eu escolhi a letra X, no início do jogo, eu pretendia usá-la como a última letra porque achei que nenhum de nós fosse ser capaz de arranjar alguma atividade relacionada a ela."

"Espere aí, então quer dizer que você não faz a menor idéia do que fazer com essa letra?" Bella perguntou, entre um acesso de riso. Edward apenas a encarou.

"Não existem muitas palavras que começam com a letra X, Bells, pelo menos não palavras que possam ter alguma relevância dentro das especificações desse jogo. Mas eu decidi inovar, e ao invés de escolher uma palavra para o X, preferi examinar a letra em si," explicou, e Bella apenas ficou olhando confusa para ele.

"O que eu quero dizer é que a letra X é composta por duas linhas que se cruzam, estão interligadas. Vou usar isso como base para o nosso dia de hoje."

"E isso significa?" Bella o incitou a continuar.

"Você verá. Agora, que tal aquele banho?" ele manteve sua voz baixa e sacudiu as sobrancelhas para Bella, e ela apenas riu bufando e balançando a cabeça.

"Vamos lá, garanhão. Vamos ver se conseguimos limpar essa sua mente suja."

"Você pode tentar," ele respondeu ao segui-la até o banheiro, internamente adorando o ar mais leve que agora os rodeava. Não havia resquícios da tensão presente na noite anterior, e ele esperava que continuasse dessa forma até sua partida para Nova York.

oOo

Uma hora depois, Edward e Bella estavam vestidos e tomando o café da manhã na cafeteria que eles freqüentavam, perto de casa.

Havia sido a primeira refeição que eles fizeram quando se mudaram para o apartamento. Na época, eram quatro da tarde e após seis horas de sobe e desce, desempacotando coisas, eles andaram pelo quarteirão atrás de um lugar para comer, até facilmente acharem a cafeteria. Desde então, a lanchonete tinha se tornado um dos lugares preferidos dos dois.

"Você não vai me contar o que planejou, né?" Bella perguntou, roubando um pedaço da omelete de Edward.

"Não, mas eu prometo que não é algo tão grandioso. É bastante simples, na verdade," respondeu ele, tentando despistá-la e Bella ficou curiosa para saber o que havia de errado com ele.

"Está tudo bem?" perguntou.

"Claro."

"Você parece um pouco… distante. Tem algo a ver com a mudança?" ela persistiu e Edward balançou a cabeça. Ele, mentalmente, se repreendeu por ter feito Bella pensar mais uma vez sobre sua promoção.

"Não, estava só pensando se o que fizermos hoje vai se equiparar com a última semana. Você praticamente afundou todas as outras coisas que já fizemos. Com perdão do trocadilho."

"Tenho certeza que qualquer coisa que você tenha planejado será incrível." Ela estendeu a mão e acariciou a dele, de modo a tranquilizá-lo. Edward sorriu e se inclinou para beijá-la levemente, antes de voltar ao seu café. Ele viu o rosto dela tingir-se com o rubor de um rosa vibrante e novamente teve que sorrir; aquele era, sem dúvidas, seu tom de cor favorito.

"Você já está terminando?" ele perguntou e Bella assentiu com a cabeça enquanto terminava o resto das batatas fritas caseiras.

"Então, o que você planejou?"

"Não é nada tão espetacular assim, mas vamos lá," ele pegou a mão dela e a ajudou a sair da mesa. Edward deixou mais dinheiro que o suficiente na mesa e os conduziu para fora. Era outro dia tipicamente cinza em Seattle, porém não chovia e a falta de umidade no ar significava que provavelmente não iria chover em breve.

"Aonde estamos indo?" Bella perguntou e Edward abriu um grande sorriso para ela ao começarem a caminhar pela calçada. Ele dobrou a esquina na direção do prédio deles, mas passou direto, fazendo o familiar caminho até o parquinho.

"O parque?" Bella perguntou ceticamente, olhando para os brinquedos vazios.

"Sim, vem cá," ele a puxou até chegarem nos balanços e Bella sentou-se em um, Edward sentou-se no balanço ao lado.

"Por que o parque?"

"Bem, para começar, ainda é muito cedo para ter crianças aqui, então estará vazio por um certo tempo. Segundo lugar e o mais importante, é porque esse aqui foi o lugar onde eu falei que te amava pela primeira vez," ele respondeu.

"Sabe, eu pensei que estava ouvindo coisas naquela noite. Fiquei refletindo sobre aquilo por tanto tempo. Estava certa de que minha mente estava me pregando peças," Bella lhe contou, lembrando o momento em que ele sussurrou 'eu te amo' contra seu pescoço.

Edward sacudiu a cabeça.

"Você não estava louca. Naquela hora, tudo simplesmente se encaixou pra mim; a ficha caiu. Não sei como explicar."

Bella levantou-se do balanço e cruzou a pequena distância até Edward para sentar em seu colo, colocando uma perna de cada lado do balanço dele, ficando cara a cara. Ela se inclinou e o beijou profundamente. Edward soltou as correntes de metal e suas mãos grudaram-se em torno do rosto dela.

"Eu te amo tanto," ela sussurrou quando o beijo terminou.

"Estou tão loucamente apaixonado por você, Bella." declarou.

"A outra razão por eu ter te trazido pra cá," falou ele, começando a mover o balanço, "É também porque tudo isso começou quando éramos crianças."

"Como assim?" Bella perguntou, colocando suas mãos sobre as de Edward nas correntes.

"Você e eu somos amigos desde crianças. Qual melhor lugar para expressar essa parte da nossa relação, se não um parquinho?"

"É isso o que você quer dizer por 'duas linhas interligadas'?"

Edward assentiu. "Tudo me recorda um momento de nossas vidas. O parquinho, o shopping, ovos com gema mole," ele começou a falar e Bella o socou de leve em seu braço após ouvir o último exemplo.

"Mas estou falando sério, Bella. Não existe nada que não me faça lembrar de você. É só me dizer alguma coisa e eu te digo algo que aconteceu conosco envolvendo aquilo," ele a desafiou e Bella sorriu.

Ela olhou pelo parque e viu uma mochila esgarçada e encardida no topo da pilha de uma lixeira transbordante.

"Está bem, essa é difícil. 'Mochila'." Ela sorriu, convencida, mas vacilou quando Edward sorriu de volta tão convencido quanto.

"Bella, isso não é nada difícil."

"Como não? E eu não quero uma resposta tão simples como dizer que nós usávamos mochilas na escola," ela retrucou e Edward riu.

"Eu sei, mas sempre que vejo uma mochila, eu me lembro daquela Jansport¹ azul marinho com todos aqueles retalhos e broches, os quais eu sempre te presenteava a cada Natal. E mais ainda, sempre que penso em uma mochila, lembro de como você conseguiu colocar não apenas um pijama, mas também uma muda de roupa para a noite em que perdemos a virgindade."

Bella arfou, surpresa. "Você se lembra disso?"

Edward assentiu com a cabeça.

"Também me lembro de como você ficou arrasada quando a alça direita arrebentou e minha mãe não conseguiu consertá-la pra você. Ela tentou costurar, remendar, e até mesmo colar com fita crepe, mas nada funcionou," respondeu ele e Bella beijou-o de leve.

"Como você se lembra de tudo isso?"

"São coisas importantes."

"Então tá, que tal... 'telefone'?"

"Mole," Edward gabou-se. "Você não lembra das contas de telefone que recebíamos quando estávamos longe, na faculdade?"

"Ai meu Deus. Eu achava que meu pai fosse me matar," Bella riu.

Ela sentou-se sobre as coxas de Edward com a coluna mais reta para começar a interpretar o pai."Bella, fale a verdade, o que você tanto tem para contar a Edward todos os dias? Sério, trezentos dólares? Será que você não podia simplesmente conversar com ele pela internet, como outras pessoas fazem?"

"É, meus pais me deram um baita sermão por isso também."

Bella começou a olhar em volta do parquinho novamente. "Ok, então 'mesa'?"

Edward gargalhou rapidamente antes de limpar a garganta. Sua voz tomou um tom grave enquanto ele respondia.

"Mesa," ele gemeu ao repetir a palavra. "Você realmente quer que eu entre nessa explicação?"

Bella corou e levantou-se do colo de Edward para sentar de volta no balanço onde ela tinha sentado antes.

"Venha me empurrar."

Edward se levantou e começou a puxá-la para trás, o máximo que podia.

"Segure-se para não cair," ele riu antes de soltar.

"Isso já aconteceu uma vez," Bella gritou enquanto tomava impulso com as pernas. "E eu tinha oito anos e foi tudo culpa sua!"

Os dois riram como crianças do jardim de infância e brincaram nos balanços e nos brinquedos de escalar até o parque começar a inundar-se de crianças. Eles foram embora por volta do meio dia, e almoçaram em um pequeno restaurante italiano.

Depois disso, os dois simplesmente andaram por Seattle, mãos entrelaçadas, apenas conversando. Ocasionalmente, os dois parariam para olhar vitrines, ou Edward parava Bella, apontando para algo que fosse relacionado aos vinte anos de sua amizade.

"Pra onde vamos agora?" Bella perguntou enquanto o sol começava a cair. Edward se manteve em silêncio, guiando Bella de volta para casa.

"Quando chegarmos lá em cima, Bella, eu quero que você vá para o seu quarto, troque-se para a roupa que deixei no seu closet, e me encontre no terraço em uma hora. Nem antes nem depois disso," ele orientou enquanto deixava Bella no apartamento, mas se afastou da porta.

"Não vai entrar?"

"Não, apenas siga as instruções no papel que deixei sobre sua cama."

"Quando foi que você encontrou tempo pra fazer tudo isso?" ela perguntou e Edward sacudiu a cabeça.

"Não se preocupe com isso. Você tem uma hora," ele repetiu e inclinou-se para beijá-la. "Te vejo daqui a uma hora, minha linda."

Edward viu Bella fechar a porta com uma expressão quase assustada. Assim que ouviu a fechadura trancar, ele andou em direção às escadas e subiu até o terraço do prédio. Assim que chegou no topo, ele destrancou a porta e viu que tudo estava como ele havia deixado no dia anterior.

Haviam pequenas lâmpadas pendendo dos fios de TV a cabo e Edward tinha montado uma pequena aparelhagem de som completa em um canto da cobertura, com seu iPod ligado a ele.

Infelizmente, ele não havia planejado tudo perfeitamente, pois teve que colocar um smoking num canto espremido e escondido das escadas. A última coisa que ele queria era que alguém decidisse subir para o terraço logo hoje e encontrá-lo se desnudando bem no meio do corredor. Aquela seria uma explicação certamente interessante que ele daria.

Ao terminar de se trocar, ele voltou ao terraço. Ele escorregara levemente ao pisar no primeiro degrau, já que seus nervos tinham começado a agir; assim, ele culpou a sola lisa dos sapatos de verniz. Edward andou de um lado a outro no terraço por alguns minutos, retorcendo as mãos, e ocasionalmente ajustando a gravata que ele tinha certeza que estava torta, já que não tinha um espelho para checar.

Essa coisa toda não tinha sido muito bem planejada, pelo menos não a parte dele, mas ele sabia que a qualquer minuto Bella estaria entrando por aquela porta e a última coisa em sua mente seria a sua gravata torta.

O som estava a postos, e o controle remoto para ligá-lo estava em seu bolso. Ele havia pendurado as lâmpadas nos cabos e as ligado em um pequeno gerador que havia conseguido comprar em uma loja de eletrônicos.

Não era nada planejado muito a fundo, mas era suficiente para o propósito final.

Bella estava permitindo que os sonhos dele virassem realidade ao concordar que ele fosse para Nova York. Hoje à noite, ele iria fazer um dos sonhos dela se tornar real.

Ele queria dar um rosto ao homem desconhecido que aparecia em seus sonhos.

O rosto dele.

Por mais quinze minutos, ele rodeou a cobertura do prédio, perdido em pensamentos. Ele estava morrendo de ansiedade para ver Bella; não conseguia pensar em mais nada. Ele esperava só que subir aquela escada fina de metal não fosse muito difícil para ela com aqueles saltos. Ele estava pensado na possibilidade de ela escorregar e se machucar quando ouviu seu nome ser chamado.

"Edward?" Bella chamou da porta e Edward virou-se mais rápido que o possível.

Edward arfou quando olhou para Bella. "Você está radiante," ele elogiou de forma adoradora. Seus olhos percorreram cada parte dela, vagando pelo seu corpo acima até que olhos verdes conectassem com olhos castanhos.

"Obrigada," sussurrou Bella timidamente, dando uma olhada em seu lindo vestido longo de cor azul royal, que ela havia achado em seu closet.

Seu coração batera inconsolável enquanto ela esperava pela hora passar. Quando encontrou o vestido, ela ficara à beira das lágrimas. É claro que Edward iria se lembrar de algo tão pequeno quanto um sonho que ela não mencionava há semanas. Ela prendeu o cabelo em um coque casual e colocou uma leve maquiagem antes de subir. Ela tinha vacilado um pouco enquanto subia a escada, já que seu nervosismo brincava com sua coordenação mais do que o normal.

"Tão linda," ele sussurrou. Bella pendeu a cabeça para frente e enrubesceu.

"Não faça isso," ele pediu em um sussurro apressado.

Assim, Bella ergueu a cabeça para olhar Edward e perdeu o fôlego ao ver a expressão de completo encantamento no rosto dele. Bella fez uma pausa para visualizar o smoking que Edward vestia e as luzes que estavam penduradas. O smoking envolvia perfeitamente o corpo dele, as lapelas do paletó estavam perfeitamente lisas contra seu peito, e até mesmo a gravata borboleta estava o mais alinhada possível.

"Quando você fez tudo isso?" Ela manteve sua voz baixa, com medo de estragar a aura mística que envolvia o local. As luzes brilhavam fracamente sob o céu da noite que escurecia, e o único som além deles era o burburinho distante da vida de Seattle acontecendo ao redor.

Edward permaneceu em silêncio, caminhando a sua frente, e parou a alguns centímetros de Bella.

"Isabella Swan," ele começou, estendendo a mão e pendendo seu torso ligeiramente para frente. "Amor da minha vida. Me concede esta dança?"

Bella assentiu e pôs sua mão sobre a de Edward, deixando que ele a guiasse até o centro do terraço. Ela viu a mão livre dele escorregar para dentro do bolso da calça e, de repente, os famosos acordes de violino de "At Last", de Etta James² começaram a florescer num rádio no canto da cobertura.

Edward deslizou o pequeno controle de volta para o bolso e trouxe Bella para mais perto. Quando a mão dele pousou em sua cintura e a outra ergueu o seu braço para envolver no pescoço dele, Bella sentiu uma pontada de déjà vu e de confirmação.

Ela tinha ficado refletindo, antes de subir, sobre o que aquele vestido longo azul e o que aquelas palavras - "Hoje à noite, eu te darei o mundo" -, escritas no papel poderiam significar, e era exatamente isso o que eles estavam fazendo. Aqui no terraço, bem acima dos moradores de Seattle, estavam apenas os dois, embalados ao som da música e ignorando tudo ao redor deles.

Durante aquela noite, não existia mais ninguém no mundo, a não ser Edward e Bella.

Os dois dançaram lentamente pelo terraço enquanto a voz de Etta ressoava. Edward cantarolou baixinho, seguindo a letra da música. Ele era um pouco desafinado, mas Bella não se importava, enquanto Edward olhava intensamente para ela. Ele se inclinou vez ou outra para beijá-la e, a cada vez, Bella ficava perdida na sensação de absoluta perfeição, um sentimento que ela não conseguiria começar a explicar, nem que ela tentasse.

O céu estava completamente escuro, vinte minutos depois. As pequenas luzes penduradas brilhavam sobre eles e Bella jamais se sentiu mais apaixonada do que naquele momento. Ela se inclinou para frente e pôs a lateral de seu rosto contra o peito de Edward, em cima do coração, e deixou que ele os balançasse vagarosamente de um lado a outro enquanto a música tocava repetidas vezes.

"Eu te amo, Bella."

"Eu também te amo, Edward," respondeu de volta. Quando a música chegou a um novo fim, Edward desligou o rádio, porém os dois continuaram balançando, embalados nos braços um do outro até não mais conseguirem ficar de pé.

oOo

Seis semanas haviam passado mais rápido do que Bella pensava ser possível.

Ela revivia em sua mente tudo o que tinha ocorrido naquela noite, enquanto ela e Edward dirigiam ao aeroporto.

Era um típico dia cinzento e chuvoso em Seattle, mas Bella não gostaria que fosse de outro jeito. Iria doer mais se o sol estivesse brilhando forte naquele dia.

Eles passaram a noite anterior certificando-se de que Edward havia empacotado tudo que ainda não tinha despachado para o apartamento que a empresa alugara para ele em Nova York. Bella roubou algumas camisas de botão dele e colocou em sua gaveta, para poder usar enquanto ele estivesse longe.

Eles combinaram que Bella ia visitá-lo em quinze dias e ficaria por uma semana, e outros quinze dias depois, Edward iria visitá-la. Essa foi a programação. A cada duas semanas um deles iria voar para ver o outro.

O caminho ao aeroporto no carro de Bella foi gasto em relativo silêncio. Bella observou cada detalhe de Edward dirigindo seu carro. Ela estudou a forma como as mãos dele seguravam o volante e o modo como sua mandíbula se apertou quando alguém tentou dar uma fechada na rodovia.

Quando chegaram ao aeroporto, a chuva começava a ficar um pouco pior, mas Bella sabia que nem isso iria impedir o avião de decolar. Não havia nenhum perigo real nas gotas finas que caíam. Se estivessem mais grossas e se o vento começasse a ficar forte, aí sim ela sabia que poderia haver atrasos e ela teria mais alguns minutos, ou até mesmo horas com Edward.

Ela pegou um guarda-chuva na mala do carro e os dois o compartilharam enquanto caminhavam pelo largo estacionamento. Edward puxava duas malas atrás dele, não se importando se molhassem ou não, enquanto iam até a área de embarque.

De cara fechada, Bella ficou assistindo Edward fazer o check-in e retirar seu bilhete de embarque. Durante todo o tempo, ela sentia-se como se fosse vomitar. Seu estômago parecia estar grudado no fundo de sua garganta.

"Eu tenho que ir agora. A fila da revista da segurança está bastante longa," Edward falou em voz baixa ao voltar para Bella. Ela assentiu tristemente, olhando para a fila que crescia cada vez mais. Eles haviam ficado em casa o máximo de tempo possível antes de terem que ir para o aeroporto. Só agora eles percebiam que isso significava que o adeus chegaria mais rápido do que imaginavam.

"Pois é," foi tudo o que ela conseguiu balbuciar.

Edward deu um passo a frente e envolveu Bella em um abraço apertado.

"Vem comigo," ele sussurrou e ela fungou o nariz.

"Você sabe que eu não posso. A gente já conversou mil vezes sobre isso. O meu emprego e todo mundo que eu conheço está aqui."

"Todo mundo menos eu!" argumentou ele, agarrando com força sua própria camiseta, bem acima do seu coração.

"Edward-" ela sussurrou.

"Eu sei, Bella. Eu sei," murmurou enquanto a abraçava novamente. "Merda, eu vou sentir tanto sua falta... já sinto."

"Eu também," falou ela em um sussurro carregado de emoção. Ela estava tentando ao máximo não chorar.

"Te vejo em duas semanas."

"Duas semanas," repetiu ela, sentindo o aperto em sua garganta ficando ainda pior.

"Eu amo você," Edward falou ao beijá-la. Ambos se doaram plenamente naquele beijo antes de se afastarem.

"Me ligue quando pousar."

"Claro," ele declarou e entrou na área da segurança.

"Eu te amo," ela gritou e Edward virou-se e abriu aquele seu sorriso de tirar o fôlego.

Enquanto via Edward passar pelas medidas de segurança, Bella sentia seu coração partindo, cada pedaço por agonizante pedaço. Quase parecia que o músculo estava crescendo em seu peito, apenas para que ela pudesse sentir cada fração que se partia. Ela olhou para Edward até que ele, entristecido, acenou-lhe do corredor de vidro que levaria ao avião, e o observou enquanto ele andava o aeroporto adentro, cada vez mais longe dela.

Ela ficou olhando para ele até não conseguir mais ver a confusão de cabelos cor de bronze, e após alguns momentos apenas encarando o ponto vazio onde ele estivera, ela virou-se e andou até o estacionamento.

Seu peito doía, sua garganta estava tensa de tanto engolir o choro e seus olhos ardiam. Ela ainda podia sentir os braços de Edward ao seu redor enquanto a abraçava, e ela envolveu seus braços em torno de si mesma. Ela ainda podia senti-lo por perto, e ela segurou-se com firmeza, desejando e tentando não perder aquela sensação.

Ao sair do aeroporto, ela finalmente permitiu que as lágrimas escorressem livremente por seu rosto, aliviando o nó em sua garganta. Ela sequer se importou em abrir o guarda-chuva, que estava pendurado em seu pulso. As pessoas a olhavam enquanto ela passava, e Bella sabia que eles certamente estavam indagando o motivo de ela não usar sua proteção contra a chuva.

Seus pés se arrastavam contra o asfalto molhado, e ela não deu a mínima para a água que infiltrava a lona de seus tênis, continuando a andar de cabeça baixa até seu carro.

Quando chegou ao carro, ela não sabia onde começavam as lágrimas e onde terminava a chuva. Lentamente, ela entrou e ligou o motor. Bella ligou o aquecedor apenas para aliviar o frio que sentia, resultante da chuva, mesmo estando razoavelmente quente lá fora.

Na solidão do carro, Bella desabou-se e chorou até soluçar, com a cabeça encostada sobre o volante. Ela ficou vendo as lágrimas rolarem sobre a logomarca de anéis interligados do Audi e caírem em suas coxas, até ela erguer a cabeça novamente.

Ela pegou sua bolsa e tirou um papel que havia colocado lá na noite anterior.

"1.209.600 segundos," ela leu e continuou. "20.160 minutos, 336 horas, 14 dias."

"Duas semanas," ela falou como um mantra, "duas semanas."


N/T: ¹Mochila Jansport http:/ bit. ly/ gZfr9t
²Letra e canção de At Last http:/ bit. ly/ hathGg - sugiro ouvir enquanto lêem a cena... é tão linda :~

Tem alguém chorando aí? Não entrem em crise, por favor! hahah

ATENÇÃO: Esse NÃO é o último dos últimos! O próximo capítulo é o epílogo, e depois terão 2 capítulos extras: um sobre o primeiro beijo e o outro sobre a primeira vez.

Mas antes de postar o próximo capítulo, semana que vem postarei o capítulo 2 de Um Bom Menino, como eu prometi! ;)

E aí, se tiverem palpites para o que acontecerá no epílogo, me contem nas reviews?
Beijos!