AVISO: CONTÉM CENAS DE SEXO, TORTURA, CÁRCERE PRIVADO, VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA, VIOLÊNCIA FÍSICA, PERVERSÃO SEXUAL, MISOGINIA.

A AUTORA NÃO CORROBORA NEM ENDOSSA AS PRÁTICAS AQUI NARRADAS; PELO CONTRÁRIO, AS DESCREVE APENAS PARA QUE ELAS SEJAM RECONHECIDAS E MELHOR EVITADAS PELOS QUE POR VENTURA VIEREM A PASSAR POR ISSO.

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A MULHER DO INQUISIDOR

Capítulo 4

Após muito bater e chamar, Violante passou a respirar rapidamente, o coração batendo em taquicardia, porém não sabia o que fazer. O pânico invadia seu corpo, a voz rouca de tanto gritar já não mais saía. Que fazer?

O sol ainda não havia se posto. Expedito fora ao quarto de hóspedes a fim de ler a Bíblia - especialmente as partes mais cruéis do velho testamento, as quais eram as que mais lhe fascinavam. Mas ela ficava ali embaixo, sem saber o que pensar. Será que ele voltaria? Será que ele teria ido buscar outra mulher lá fora? Que diabos ele fizera?!

Não saberia; e teria de ficar ali até de manhã, em jejum.

Tentou ordenar os pensamentos. Não comera desde antes da hora de ir à missa, no desjejum. A missa fora um evento longo, que só ocorria uma vez ao ano, por isso durara até à tarde. Ela esperava comer algo quando voltasse, mas o frei a trancara no quarto e a botara em jejum. Ficaria mais de vinte e quatro horas sem ingerir nada portanto, caso ele cumprisse com sua palavra.

Tentou se ajoelhar em frente ao oratório, mas fora em vão. O pânico não a permitia pensar. Queria ao menos que ele lhe falasse! Que dissesse que ainda gostava dela, que ainda a via como mulher de valor! Cumprir o castigo podia cumprir, mas com a aprovação dele! Precisava da aprovação dele pra sentir que tinha valor!

As lágrimas voltaram e com elas os delírios. Violante enxergava a pele leprosa, caindo aos pedaços como castigo de Deus. Depois via vultos nas sombras a lhe assombrar. Em seguida a porta se transformava em pedra que ela não conseguiria transpor nunca mais. Rezou mais uma vez, mas em resposta às suas orações escutava vozes de demônios que a atentavam.

Via João Fernandes deixando-a para trás outra vez; via Expedito beijando-a e a chamando dos nomes mais belos, para em seguida a ofender e esbofetear. Via-se derretendo no fogo do inferno.

Seu corpo ficou quente, febril. Jogou-se ao chão, pedindo a clemência da Virgem Maria. Mas a santa apenas a condenava, pois ela tivera a coragem de se deitar com um sacerdote!

- Ele disse a mim que não é pecado!

Era pecado, era! Ele era pecador e ela também; ela, que sentira prazer nos braços de um homem que havia feito voto de castidade. Ela não fizera, mas ele sim.

Chorava mais uma vez. Deitou-se para tentar dormir, mas se sentiu culpada. Foi rezar outra vez, mas não conseguiu. Assim se passou até o cair da noite, quando as sombras pareciam esconder mil demônios cada uma. Enxergava os piores seres nelas, os quais não a deixavam dormir de forma alguma. Cochilava por alguns minutos, depois acordava ainda com mais pânico que antes.

Por volta das quatro da manhã, conseguiu ficar acordada sem dormir, lavando o rosto com a água que estava presente numa jarra que usualmente se usava nos quartos, para lavar o rosto e as mãos, a qual os criados trocavam diariamente; conseguiu se ajoelhar para rezar outra vez, porém se sentia entre acordada e inconsciente, as mãos trêmulas; a surrealidade na qual estava inserida parecendo um pesadelo sem fim, indefinido e cruel.

Apenas quando o sol nasceu, deitando sobre a Terra raios ainda tênues, foi que ela escutou o som que esperara ouvir durante toda a noite: o da chave na fechadura.

Arrastou-se até a porta; ele viera vê-la! Mas assim que entrou, Expedito já lhe disse, a voz ainda seca:

- Não se arraste pelo chão como uma demente! Caso o faça, a deixarei aqui dentro a pão e água por uma semana!

A fidalga respirou fundo, os olhos brilhando de emoção. Somente de ele se dirigir a ela, mesmo que com impropérios, já era a si como chuva num deserto árido.

O frei tomou a um jarro de água, colocou-o ao lado do jarro e da bacia que serviam para lavar as mãos e rosto, e também um copo; em seguida proferiu, a voz ainda terrível:

- Ficará aqui em jejum, fechada no quarto, até as seis da tarde, quando eu retornar de meus afazeres; pode beber a água que eu trouxe, mas não pode comer. Ore bastante, escute o que Deus e os santos tem a lhe dizer. As criadas não entrarão aqui para arrumar coisa alguma hoje, trancarei o quarto por fora. Caso precise fazer necessidades, há dois urinóis embaixo da cama.

- Meu senhor... quando vossa mercê voltar, eu poderei sair?

O frei sorriu de forma sádica outra vez.

- Isso decidirei eu depois.

- Meu senhor...

Aborrecido, Expedito se voltou a ela e falou com a voz impaciente:

- Diga. Mas diga rápido, tenho de sair.

- Posso acompanhá-lo até a porta?

- Não. É a penitência, minha senhora.

E, sem dizer mais uma palavra ou mesmo uma mirada gentil, o sacerdote saiu e trancou a porta por fora.

Após aquele contato, Violante quase se sentiu aliviada. Afinal ele não fora embora de vez! Respirou fundo e foi até a cama, tentando desfazer as tranças a fim de pentear os cabelos, mas mal conseguia fazê-lo; as mãos não obedeciam seu comando.

Então se apercebeu que ainda era muito cedo; devia ser pouco mais de seis da manhã e ela teria de passar doze horas sozinha, sem comida, a cabeça virando em mil pensamentos ruins.

Chorou mais um pouco, desolada. Mas logo seu corpo cedeu ao cansaço e caiu na cama, dormindo um sono sobressaltado, amargo, gemendo o nome de Expedito durante o mesmo, os pesadelos tomando sua mente num sem fim de imagens pérfidas que rodavam sem parar.

Quanto ao frei, ele estava bem descansado e alimentado; após ler a Bíblia, ele fora cear à noite e depois dormira como um anjo, já antegozando um auto de fé que haveria no dia seguinte: uma mulher ruiva, benzedeira, denunciada pelos vizinhos que não gostavam dela. Sorriu; adorava torturar mulheres. Teria essa os seios grandes ou pequenos? Seria virgem ainda? Teria corpo bonito ou feio? Teria cara de santa ou de vagabunda? Pra ele, todas eram vagabundas; não havia a "mulher exceção". Muito menos Violante, a qual mesmo quando era pura sempre desejara se deitar com um homem; era tanto o desejo de macho dela, que todas as noites ela sentia prazer nos braços dele igual à libertina que certamente era.

Odiava às mulheres. Achava que o demônio se escondia no corpo delas. Gostava particularmente quando pegava a uma donzela para torturar, e não eram poucas, pois as denúncias de mulheres bonitas sempre estavam em alta nos últimos anos. Sentia imenso prazer em esmagar-lhes os seios, em arrebentá-las todas por dentro com as máquinas de tortura. Nada lhe dava mais prazer do que ouvir os gritos delas de clemência, no que ele jamais cedia. Era implacável.

Ia assim imaginando e já fruindo prazer disso, quando as criadas perguntaram o que fazer com o quarto de dormir, uma vez que estava trancado. O frei então tomou a um semblante terno, compadecido; a voz macia como seda.

- A senhora dona Violante se encontra a cumprir penitência no quarto. Está de jejum, orando pelo marido que faleceu. Não a incomodem; hoje o quarto não precisa de limpeza, façam o serviço amanhã. Quando eu retornar, darei assistência espiritual a ela.

As mulheres assentiram e lhe serviram o desjejum, no que ele o tomou e depois saiu, já sorrindo ao imaginar como encontraria a interrogada; e depois à noite, como encontraria a Violante - aquela sua eterna torturada, aquela que ele não mataria no Santo Ofício pois preferia deixá-la viva para os seus propósitos sinistros.

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O dia para Violante fora pesado e difícil; apenas perto do final da tarde ela se dirigira à jarra de água para bebê-la, porém quase vomitara o pouco que tomara; estava com medo, os nervos ainda em frangalhos, e tudo isso não deixava sequer que a água parasse dentro de si.

Fora rezar, pensando ser inútil tentar ingerir mais água, porém as rezas saíam incertas de seus lábios, pois sua mente confusa não a deixava raciocinar direito. Estava a tentar engrolar um "Padre nosso", quando ouviu, novamente, o barulho da chave na fechadura. Percebeu pelo brilho na janela que os raios do sol já se tornavam longos, anunciando a noite que em breve começaria.

Expedito entrou no quarto e o trancou outra vez. Estava refeito; extirpara os seios da interrogada sem dó, introduzira objetos em sua vagina que a arrebentaram toda por dentro e chicoteara suas costas tantas vezes, que ficaram dliaceradas. Em seguida, a deixara ainda viva, ainda palpitante, na sala da prisão, semi-morta; no dia seguinte seria a condenação.

Agora, via a Violante. Estava também ela semi-morta, mas no espírito e não no corpo. Era isso que ele preferia fazer com ela: matá-la aos poucos na mente, até que nada mais sobrasse. Era um trabalho mais longo, mais difícil, porém não impossível.

Foi até ela, tomando a um ar gentil em seu semblante outra vez.

- Veja...! Agora vossa mercê parece uma santa!

- Meu senhor...

- Uma santa! De fato, o jejum a purificou, minha senhora.

Tomou da mão dela, que ainda segurava o terço, e a beijou suavemente. Ela piscou algumas vezes; o Expedito bondoso, gentil, estava de volta?

- Eu pareço uma santa?

- Parece... se parece! Está completamente refeita. Minha querida senhora...!

Violante chorou, deitando a cabeça no ombro dele, ao que ele a apertou forte nos braços. Beijou-a no alto da testa, acariciando-lhe os cabelos.

- Vamos... vamos, eu estou aqui a si.

- Meu senhor...! Ainda me ama? Ainda gosta de mim?

- Minha senhora! Sempre a amei! Pois se só se almeja a salvação da alma daqueles que amamos! Se eu não a amasse., deixava-a pecar! Pois não posso... não vê que vós sois minha principal responsabilidade? Se eu não cuidar de si, como poderei me perdoar?

- Disse ontem que eu era uma libertina... uma vagabunda! Eu, que nunca conheci o corpo de outro homem além do seu!

O frei beijou as mãos dela docemente outra vez. Em seguida, falou com a voz macia:

- Minha querida... vossa mercê entendeu tudo errado! O que eu quis dizer é que na verdade tenho medo de que se torne uma libertina! Muitas quando são cortejadas por esses... esses gaviões que andam por aí, acabam se perdendo! Mas fique tranquila: cuidarei para que seja uma mulher honesta!

- Eu não me tornarei uma libertina.

- Nunca se sabe! Deve-se sempre orar e vigiar; nunca se deve subestimar o poder do demônio! Mas agora que está purificada... sinto-me plenamente feliz.

Em frente ao oratório, beijou-a na boca. Com os nervos fracos como estava. Violante sentiu-se ainda mais vulnerável às carícias dele; correspondeu ao beijo, sentindo novamente aquele arrebatamento que lhe torcia os pensamentos. Finalmente, o tormento terminara!

- Meu senhor... agora posso sair?

- Claro que pode! Está pura, a penitência foi aplicada e está tão resplandecente, que até sinto vontade de assoviar. Vamos! Ana já pôs a ceia a nós. Agora pode comer.

Com as pernas bambas, a moça se levantou lentamente, amparada pelo eclesiástico. Estava tão fraca, que ele teve de passar o braço por cima de seu ombro a fim de levá-la até chegar à mesa de refeições.

As criadas se assustaram com a aparência da fidalga: olhos com olheiras fundas, cabelos desgrenhados, pele sem brilho. Mas Expedito parecia tomá-la com tamanho carinho, que elas não desconfiaram ser ele o causador do sofrimento da senhora.

Solícito, Expedito sentou Violante em frente à mesa. Depois, abriu a porta para as criadas irem embora. Durante a refeição, acariciara os ombros e os braços de Violante, beijando a ponta de seus dedos outra vez. Ela, mais animada, comeu; pouco, mas comeu. Afinal de contas, seu estômago estava vazio há muito e não suportava muita comida de uma vez.

Após a refeição, tomou-a para se banhar e enfim se deitar com ela. A coisa, porém, não seria fácil; ela estava se sentindo tão culpada em relação ao sexo, por causa da penitência, que instintivamente cobria os seios, fechava as pernas, virava o rosto. Com jeito e paciência, o frei a beijou nos lábios, disse a ela que não era pecado se fosse com ele e sim com os outros; que pra ele Violante teria de ser doce e submissa; que não havia problema.

E com mais algumas carícias, ela enfim se entregara; abraçara-o e sentira prazer em seus braços outra vez. E o frei, enquanto a beijava na boca e a tomava para si, pensava que de fato eram todas umas vagabundas. Se faziam de santinhas, se faziam de pudicas, mas era só falar uma palavra mais quente, um apelo mais sensual, e já lá estavam elas, todas úmidas de desejo, abrindo as pernas, pedindo homem. Vida de mulher de fato se resumia em desejar macho! Todas umas vagabundas.

Mas ele não podia deixar de a tomar, pois ficara muito excitado no auto de fé. Antigamente, quase sempre se excitava também; a sorte era o hábito de frei ser tão largo a ponto de ninguém conseguir ver que ele estava "aceso" para aquilo; no entanto, antigamente apenas se masturbava, se tocava solitariamente. Agora, tinha a Violante ali para satisfazer os seus ímpetos de homem.

Apertava-a nos braços, pensando na outra, na ruiva que àquele instante ainda agonizava com as costas a sangrar, os seios extirpados. Gozava em Violante pensando nela, na dor que ela sentia. Querendo dliacerar ao corpo de Violante também, porém deixando-a inteira apenas para que pudesse torturá-la mais vezes. A condenada morreria no dia seguinte; Violante sofreria o suplício pro resto da vida.

To be continued

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Nem precisa comentar aqui o nível de abuso, né? Daqui pra frente vai ficar cada vez mais explícito.

Apenas tenho a dizer que sociopatas, de fato, mentem olhando nos olhos; ele por exemplo diz a ela que "não é pecado" se deitar com um sacerdote, mas no fundo a considera uma vagabunda - por ceder aos apelos que ele mesmo provocou! O nível de baixaria é bem esse mesmo.

Quanto aos instrumentos usados, havia todos esses. De extirpar seios, de alargar as vaginas e os ânus a ponto de rasgar. Sim, o nível é esse.

Sobre os delírios de Violante: na novela ela tem surtos psicóticos e uma vez ela de fato fora presa numa caverna com o corpo de uma leprosa, por isso a lembrança de estar presa com lepra novamente.

O frei "safadaum" também faz "gaslighting" ao dizer que ela "compreendeu errado" o que ele disse. Esse tipo de abuso psicológico é muito mais comum e acontece muito mais vezes do que pensamos, de forma velada.

Abraços a todos que acompanham!