AVISO: CONTÉM VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA, CONTEÚDO SEXUAL, LINGUAGEM IMPRÓPRIA. A AUTORA NÃO CORROBORA COM AS PRÁTICAS AQUI NARRADAS, EM VEZ DISSO AS EXPÕE PARA QUE SEJAM MELHOR IDENTIFICADAS E EVITADAS.
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A MULHER DO INQUISIDOR
Capítulo 7
Quando acordou no dia seguinte, Violante pensou que havia sonhado tudo o que ocorrera no dia anterior. Seu homem estava a seu lado, ainda adormecido... e ela pensou que tudo não passara de um pesadelo...
...até sentir a dor nas costas.
As feridas feitas pelo chicote ainda doíam, e ela temia que grudassem nos curativos, dificultando assim sua retirada posterior.
"Não acredito que fez isso comigo!", pensou ela. Como?! Dar-lhe uma surra com o chicote, depois fazer sexo daquela maneira insana! Com que tipo de pessoa estava a lidar afinal?
Não muito tempo depois, ele acordou. Sorriu a ela como se nada no dia anterior houvesse acontecido, levantou-se e se vestiu. Depois a convidou a levantar da cama para que a vestisse também, como sempre fazia.
Pela primeira vez, Violante fora fria com ele. Propositadamente. Pois se ele achava que ela ia esquecer aquilo facilmente...! Nunca fora tão humilhada, tão machucada, sequer por João Fernandes ou mesmo por Xica, sua anterior rival. O que ele pensava? Que ela ia aguentar tudo aquilo e ainda sorrir para ele?
Expedito, claro, percebeu o rancor dela na hora. Vestiu-a e penteou-a, porém ela mal reagia. Como precaução, para não abrir mais uma vez as feridas feitas com o chicote, ele não colocou nela o corpete; somente o vestido por cima dos curativos. Chamou-a para tomar o desjejum, o que ela fez também sem grande emoção. A seguir, ele saiu da mesa e fez menção de ir embora. Violante, pela primeira vez, não pediu para acompanhá-lo até a porta.
Em vez de ficar abalado ou surpreso com aquele gesto, o frei sorriu e tomou a diligência, sem se despedir dela. "Pobre coitada!", pensou ele. "Violante pensa que está a lidar com todos aqueles tolos do arraial, dos quais ela conseguia se vingar facilmente. Pois está lidando com alguém que ri diante de suas provocações baratas!"
De fato, Expedito era pior do que ela. Pois a fidalga ainda tinha desejos de ser amada, tinha lá suas carências, mas ele não; ele era frio como pedra, sequer chorar chorava. Só tinha desejo de dominar, controlar e destruir. E tinha também uma paciência enorme, o que lhe dera grande facilidade ao aguentar dias inteiros torturando as pessoas mais duras de confessar: ele as observava sem pressa, testava vários métodos, não tinha ansiedade de obter uma confissão; de fato as torturas mais longas eram as que ele mais saboreava.
E Violante? Ela era a sua eterna torturada. Se precisasse testar vários métodos com ela, também o faria. Se precisasse levar tempo - que levasse! Ela não podia sair de qualquer forma, e ele não tinha urgência. Soubera desde o primeiro dia em que a vira, que mesmo ela sendo uma pessoa adequada a seus propósitos, que o trabalho poderia ser longo; justamente por ela ser geniosa, voluntariosa, acostumada a ser independente numa sociedade onde a maioria das mulheres dependia dos homens que mandavam nelas. Mas deixasse estar; era aquele o seu prazer, o de dobrar a uma mulher que um dia fora dona de si. Escravizá-la de dentro para fora.
Assim que retornou para casa, verificou a ceia com as criadas, mandou-as embora e foi ter com Violante, a qual se encontrava no quarto a rezar. Quando ela terminou, o frei chamou-a para tomar a ceia. Ela a tomou, ainda em silêncio. Assim que terminaram, foram ao quarto; ela vestiu a camisola de dormir e ele também se vestiu com roupas de dormir. Violante se deitou de costas para ele, mas Expedito a abraçou por trás, beijando seus ombros, a fim de testar sua vontade.
- Meu senhor, perdoe-me. Nunca lhe disse "não" antes, mas hoje direi. Após a noite que tivemos ontem, não estou em condições de me deixar possuir.
O frei sorriu.
- E quem disse que estou eu em condições? Também não quero isso hoje, minha senhora; que a noite de ontem me deixou sem querer fazer isso por uma semana no mínimo!
- E por que me abraça e me beija?
- Não posso? Não é vossa mercê mesma que gosta tanto de abraçar e beijar, mesmo após termos cumprido com nossos deveres conjugais?
- Gosto. Sim, nunca neguei. Mas não tenho vontade nem disto hoje.
- Pois ofende a seu homem dessa forma...
- Ofendeu-me muito mais ontem à noite, meu senhor!
- Que me diz?
- Digo! Digo mesmo! E se quiser me deixar a pão e água, pode deixar! Deus, os santos e a Virgem me darão forças para suportar!
- Ora, e quem falou em deixar a pão e água? Pois agora quero entender essa história. Por que se ofendeu?
- Disse que ia me aplicar uma penitência, mas me aplicou foi outra coisa! Estou cá embaixo que mal consigo me sentar, de tanto que me possuiu ontem!
Expedito riu. A fidalga ficou ainda mais nervosa:
- Ri porque não é consigo!
- Estava tão deliciosa ontem à noite, que não pude me conter... e de mais a mais, quis que eu ficasse com vossa mercê a noite toda!
- Mas aquilo já era exagero! Meu senhor, uma penitência com conjunção carnal?! Sempre pensei em penitências com abstinência destas cousas!
- Minha senhora... vossa mercê, como sempre, entende errado tudo que eu digo ou faço. A penitência foram as chicotadas... não a conjunção carnal!
- O que já foi um despropósito. Chicotear a mim, que sou uma fidalga de renome! Como se eu fosse uma escrava desobediente!
"Vós sois de fato minha escrava", pensou ele, mas não disse. Em vez disso, replicou:
- Senhora, caso soubesse como é o cotidiano de um convento ou mosteiro, teria noção de que a flagelação é constante e frequente. Muitos se auto-flagelam todas as sextas-feiras. Eu mesmo fiz isso por anos, apenas parei de fazer quando me tornei inquisidor porque a minha penitência diária já é cuidar destes infiéis.
Violante de repente se recordou de padre Eurico, o qual se auto-flagelava com frequência. De fato, devia ser comum. Mas ela não conhecia aqueles tipos de castigos corpóreos.
- Mesmo assim. As chicotadas eu poderia até suportar, mas... aquele sexo! Que foi aquilo, meu senhor?
- Minha senhora... estava tão tentadora com aquelas marcas de chicote, com aquele cabelo revolto...! Pensa que um homem pode se conter por muito tempo?
O frei a beijou outra vez nos ombros, passando a mão por suas "curvas macias" como ele gostava de chamar, mas ela o repeliu outra vez.
- Vossa mercê me forçou!
- Eu, forçar? Jamais! Sempre disse que a amava em demasia para fazê-lo!
- Mas forçou! Eu chorava enquanto me tomava, de tanta dor! E vossa mercê continuou!
- Pois continuei. A dor nem sempre é sinal de desagrado. Sempre apreciei a dor! E de mais a mais, se não queria mais era só falar. Não disse cousa alguma, eu pensava que consentia!
- Precisava dizer?
- Claro! Pois se não diz, como sei?
- Estava eu a chorar!
- Pois se às vezes deita lágrimas quando a faço sentir prazer... como saber a diferença?
E em seguida a apertou nos braços outra vez, ao que ela o repeliu, as faces coradas; odiava quando ele se referia com aqueles termos muito explícitos em matéria de sexo; ainda se considerava uma mulher recatada, criada sob anos de repressão sexual.
- É diferente! Dá para perceber! E de qualquer forma, vossa mercê ameaçou me deixar a pão e água aqui dentro caso eu continuasse a negar!
- E era só escolher! Não a tomei pelo braço e a joguei na cama enquanto gritava que "não" desesperadamente; isso é forçar. Dei duas escolhas a vossa mercê; escolheu a que mais lhe foi cômoda, foi isso. Se dissesse que preferia ficar a pão e água, eu sequer a tocaria.
- Pois é tão difícil ficar sem vossa mercê aqui...!
Violante chorava. Virou-se de frente para ele e escondeu seu rosto na curva entre o ombro e o pescoço de seu homem, chorando de soluçar. E por esconder o rosto, não viu que ele sorria: Expedito vencia a mais uma batalha afinal. Ela tinha sede de amor; ele não. Precisava apenas controlar e destruir. Era essa a grande vantagem dele.
Agora era só dar carinho a ela. Tocou-lhe nos cabelos, acariciou-lhe o rosto, beijou-lhe a boca afinal.
- Minha querida senhora...! Se até mesmo Deus nos ama quando nos pune! Este é meu modo de a amar! A tomei, sim, com todo aquele ímpeto, porque não suporto a ideia de haver outro homem na face da Terra que a deseje, como aquele atrevido do senhor Antônio Carlos a desejou. Ao tomá-la daquela forma, foi como se a sentisse cada vez mais minha... como se pudesse expulsar de sua lembrança todos os homens que já amou!
- Nunca amei verdadeiramente antes de conhecê-lo! João Fernandes, como já disse antes, foi uma obsessão e nada mais! Eu o amo, senhor! Não duvide nunca de meu amor!
- Pois não duvido, minha senhora. Apenas temo pelos homens que por aí andam e que podem lhe fazer mal!
Delicadamente, o frei limpou as lágrimas do rosto da fidalga. Em seguida, direcionou suas mãos para a camisola que ela vestia e passou... a retirar seus seios para fora da mesma.
- Meu senhor, já lhe disse que hoje não quero, não tenho condição! Cumpra com sua palavra e não me force!
- E eu também já não disse que não farei nada hoje? Apenas... quero apreciar as vossas belezas mais um pouco.
Sendo assim, tomou dos seios dela e os beijou avidamente. Violante fechou os olhos. Mesmo que não estivesse disposta ao sexo naquele dia, aquele ato não deixava de a atentar...
Em seguida, o frei a virou na cama, de costas a si, e baixou a camisola a ponto de ver as costas inteiras da fidalga. Com cuidado, retirou alguns dos curativos que cobriam as feridas. A moça gemeu de dor.
- Meu senhor, que fará comigo?
- Acalme-se. Apenas ainda estou a apreciar as suas belezas... e essas marcas, ah...! Deixaram-na tão linda!
A respiração dele se tornou mais intensa. Estava fascinado pelas marcas que fizera nela anteriormente, e queria dormir olhando para elas. A fidalga se exasperou; sem vê-lo, de costas para si, de repente teve novamente na memória o lampejo daquele monstro ávido de sangue e dor. E não conseguia, em momento algum, de deixar de pensar que Expedito era aquele monstro - por mais que tentasse desculpá-lo, por mais que tentasse amá-lo, seu ser sabia da verdade.
Ficaram mais um tempo daquela forma, até que o frei dormiu praticamente encostado nas feridas dela; e a moça então, vencida mais uma vez pelo cansaço, dormiu também.
OoOoOoOoOoOoO
Passaram-se mais dois meses de relação dessa forma. Mais uma vez, Expedito voltara a uma forma mais "normal" de amar: não mais a chicoteara, não mais a punira. Apenas algumas vezes ainda pegava forte em seu cabelo ou em seu braço durante o sexo, mas se continha. Olhava de vez em quando as feridas que nela fizera e já se satisfazia. E Violante, mais uma vez, esquecera daquela noite como se fosse um pesadelo que passara. Negava-se veementemente ao ver a seu homem como aquele ser horrível. Tinha de ser bom, ele! Pois como não seria? Era apenas um pouco diferente dos demais, mas ela também não pedira sempre a um homem especial? Talvez "especial" fosse justamente aquilo... e ela não estava sabendo compreender.
Um belo dia, no entanto, o frei a acordara com a notícia de que mais uma vez sairiam juntos.
- Minha senhora, hoje à tarde tenho um evento muito especial na igreja. Vamos comigo?
O coração de Violante bateu com força, o pânico aflorando em seu semblante na hora.
- Meu senhor, não! Não, se aquele tal de Antônio Carlos ou qualquer outro me mirar e eu tiver de apanhar por isto...!
- Fique tranquila. Não vai apanhar nem sofrer penitência, muito menos ser cortejada por ele.
- C-como sabe?
- Vista-se, acompanhe-me e saberá.
Trêmula, ainda muito receosa, Violante se levantou e o obedeceu. Mas todo aquele terror não a abandonou: desde o desjejum até saírem de casa, chegarem à igreja e esperarem o evento começar, seu coração bateu furiosamente, as mãos trêmulas. Se apanhasse...! Não sabia o que faria. Expedito dizia que era homem de palavra, que o que prometia ele cumpria. Então tinha de cumprir e não lhe castigar naquele momento!
Apearam da diligência. Atencioso, Expedito a fez descer gentilmente da mesma. Após isso, deu o braço a si - cumprimento que antes não ousava fazer, pois era reservado àqueles que eram marido e mulher, e em público eles não eram reconhecidos desta forma. Mas Violante estava tão exasperada, esperando encontrar o tal de Antônio Carlos a qualquer momento, que sequer reparara nisto.
O evento era misto desta vez; homens e mulheres estavam misturados na igreja. O frei e a fidalga tomaram assento juntos portanto. Foi quando ela reparou a Antônio Carlos no altar; parecia esperar alguém.
Então uma música de órgão começou a tocar. Uma mulher, nem feia nem bonita; nem alta nem baixa; nem magra nem gorda; entrara trajando a um vestido cor de creme, com um buquê nas mãos, sendo levada ao altar por um de seus tios.
Foi então que Violante compreendeu: Antônio Carlos se casava, e com outra mulher que não fosse ela. Suspirou de alívio afinal.
- Ele então se casa! - repetiu ela, mais de si para si que para alguém; mas Expedito ouvira, sorrira e dissera:
- Sim. Fui eu quem arranjou o casamento.
- Ah, sim?
Havia sido ele. Após aquela segunda investida contra aquela que o frei considerava como extensão de si, ele resolvera agir. Fora muito educado, muito cortês, e escrevera a Antônio Carlos lhe dizendo que, se sua urgência era por casar com uma viúva, ele conhecia uma perfeita! Havia uma tal de senhora dona Mirtes, com cerca de trinta anos de idade, já viúva há dois anos, com dois filhos do anterior casamento; ainda com idade para lhe dar mais dois ou três rebentos naquela nova união, quem sabe? E assim apresentou a ambos.
O comerciante ficara feliz: Mirtes não era tão bela quanto Violante, mas era tão prendada e religiosa quanto. Nunca tivera amantes, como outras viúvas tinham: se orgulhava de estar sem homem desde que o seu partira chamado por Deus! E assim, após alguns chás pela tarde, combinaram que não precisavam esperar muito. Com um mês e meio de corte, marcaram o casamento. Expedito apressara tudo, desmarcando alguns eventos na igreja e deixando-a livre para o esponsal de ambos àquela tarde. Mas resolvera fazer uma surpresa a Violante quanto àquilo.
A fidalga suspirou de alívio mais uma vez.
- Espero que sejam felizes!
- Pois eu também espero. E espero que nenhum outro homem a corteje - nunca mais.
- Eu também.
Após o fim da cerimônia, houve uma simples celebração na casa do comerciante, onde ambos residiriam a partir daquele dia. Os filhos de ambos os casamentos anteriores estavam presentes; bem como dona Amália, a filha, o marido da mesma e a filha mais nova também, a qual aos dezoito anos já esperava marido, com medo de ficar para tia. Fora pessoalmente pedir uma florzinha de laranjeira da grinalda à senhora dona Mirtes, pois! Se ela casava pela segunda vez já, com apenas trinta anos, é que era boa casamenteira! E que promessas fazia ela própria a Santo Antônio para casar antes dos vinte e um anos, que era feio ficar solteira além dessa idade sem ter feito votos religiosos!
Na cerimônia, Expedito ficara de olho o tempo todo em Violante, mesmo quando ela somente ia trocar uma palavrinha com dona Amália ou com as filhas da mesma. Não desgrudava o olho dela um segundo e se aborrecia caso qualquer homem a cumprimentasse - até mesmo e principalmente o noivo, o qual, já totalmente destituído de qualquer intenção de corte por estar já casado, era ainda uma ameaça pois Expedito pensava que homem casado era ainda pior que solteiro. "E se me cisma de tomar a mulher para amante?! Esta é que não seria má!"
Violante, porém, se comportou exemplarmente e apenas o cumprimentou de forma bastante fria.
Às seis da tarde, como de praxe, Expedito se despediu dos presentes e tomou Violante pela mão. Explicava a todos:
- Não sou homem de ficar fora de casa por muito tempo. Durmo cedo, quando não leio a Bíblia antes de dormir.
Os anfitriões se despediram de maneira cortês, convidando-os a vir mais vezes em sua casa. O frei sorriu, mas sabia que nunca mais pisaria lá a não ser que lhe interessasse: não tinha amigos, somente aliados.
Ao chegarem em casa, como de seu costume, o frei conferiu a ceia e liberou as criadas. Mas antes mesmo que pudessem elas se retirar, Violante fora a um balde que havia ali perto, que Maria da Graça, a arrumadeira, havia deixado pois esfregara o chão naquele dia, e vomitou dentro do mesmo. As criadas a acudiram.
- Minha senhora, consumiu algo de ruim na festa?
- Não... estava tudo muito bom!
- Pois vamos ao quarto, eu vou afrouxar seu corpete e lhe fazer algumas perguntas, sim?
- Sim...
Maria da Graça era a mais velha das três criadas; tinha cinquenta anos e também trabalhava de parteira quando não estava a servir como criada. Ana, a cozinheira, era muito jovem, com apenas dezessete; e Teresa tinha vinte e cinco, viúva já e ainda sem filhos, como muitas que perdiam marido para as doenças, guerras, violência urbana e outras ocorrências do gênero. Todas as três solteiras (Maria da Graça também viúva, com os filhos já criados e casados), pois Expedito preferia trabalhar com mulher livre de ter de cuidar de família.
Como não podia ser diferente, o frei as seguiu para o quarto - embora as criadas houvessem deixado claro que era uma reunião de mulheres, mas isso não o parou; estava em sua casa afinal. Escutou a parte final da conversa: Violante deitada na cama, falava sobre alguns fatos seus recentes.
- As regras atrasaram?
- Sim.
- E a cintura, parece engrossar?
- Também.
- Os enjoos já ocorreram outras vezes?
- Já, algumas.
Expedito entrou no quarto e perguntou diretamente a Maria da Graça:
- Que tem ela? Alguma indisposição?
- Meu senhor, pelo que me conta a senhora dona Violante, ela está a esperar um filho.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
Agora imaginem, só imaginem (principalmente a quem viu a novela): um filho de Expedito e Violante! Esse sim que ia ser o literal "filho do demônio", e não o pobre bebê da Das Dores e do Martim! kkkkkkkkkkkkkkkkk!
Um adendo aqui: jamais tenha filho com um abusador caso possa evitar. Separe antes. É um vínculo eterno e a criança não merece viver neste inferno. Ex namorado existe; ex pai ou mãe, jamais. O dano de ser filho de sociopata ou narcisista é um negócio que às vezes demora anos para ser curado, após muita dor e sofrimento desnecessários. É um mecanismo complexo, que não explicarei em detalhes aqui, mas a pessoa tende a repetir os abusos na vida adulta. É pior que qualquer filme de terror.
Sobre os abusos do capítulo: nesse ele não agrediu fisicamente, mas debochou da dor dela, distorceu bastante os fatos, chamou de "amor" aquela baixaria toda e ainda fez "gaslighting" ao dizer que ela "entendeu errado" - de novo. Isso sem contar que misturava gestos de afeto - como beijos, abraços - com palavras rudes e abusos. Gente, é a pior coisa. Você fica pensando que qualquer demonstração de afeto será abusiva a partir de então. É complicado demais. Parece simples, mas não é.
Sobre o vestido da noiva: no século XVIII, as noivas ainda não casavam de branco; quem iniciou essa moda foi a rainha Vitória no século XIX. E mesmo na época em que passou a haver casamentos com noivas de branco, as viúvas costumavam casar de outras cores pois não eram mais virgens - o branco simbolizava a virgindade.
Reparem, quem viu a novela, que mesmo Violante casando virgem com João Fernandes, ela casa de vestido vinho, justamente pela falta de costume em casar de branco.
E na fic com o frade ela nem casou rsssssss, teve o casamento anulado e simplesmente voltou ao estado civil de antes; anulação é diferente de divórcio - que na época da fic nem existia. Anulação faz com que o casamento nunca tenha existido e devolve o estado de solteiro. Divórcio separa uma união que um dia existiu e foi válida. Rssss, Violante solteirona até quando ganha homem.
Mas a Violante na fic nem tinha como evitar. O cara procurava ela com frequência, ela não negava, tavam fazendo sem contracepção alguma (contracepção essa que mal tinha na época; havia camisinha mas ninguém usava, era rudimentar ao extremo e a igreja proibia), tinha idade fértil. Não podia dar em outra.
No próximo capítulo, as consequências da gravidez. Abraços a todos que lerem!
