A MULHER DO INQUISIDOR
Capítulo 10
A primeira semana com a criança fora algo que ocupara Violante totalmente: tinha de acordar durante à noite pra dar de mamar, qualquer coisinha o filho chorava, trocava as fraldas com frequência. Os peitos doíam, sensíveis, e ela dava de mamar com muita dificuldade, pois até mesmo para o leite descer ela sentia uma coisa estranha, uma "tristeza" que não sabia descrever. Doía bastante também porque o seio não estava acostumado e acabava ficando até mesmo ferido de tanto o bebê sugar.
Expedito então, praticamente se mudara pro quarto de hóspedes. Não tinha paciência praquele tipo de coisas, nem pra choro de criança. Queria ser pai, mas não exercer de fato a paternidade. Mas de uma coisa sentia falta: de se deitar com sua mulher. Pois um homem passa o dia todo fora, cuidando daquele monte de infiéis, ainda chega em casa e tem de lidar com criança mamando no seio que era pra ele estar a acariciar? Pois sim. Era fácil de resolver o problema.
Contatara a uma ama de leite, a qual ficaria no quarto de hóspedes com o bebê a noite toda, fazendo todas as coisas que as mães usualmente fazem: acordando no meio da noite pra dar de mamar, trocar as fraldas, embalar nos braços, olhar pra ver se a criança estava bem no berço. Ela ficaria lá a noite toda ao contrário das outras três, então teriam de ser ainda mais discretos em relação à presença dela.
Sem sequer consultar a Violante, o frei trouxe a ama de leite para casa e explicou a ela como lidar com a criança. Ela também saberia que o filho era de ambos, e por isso foi muito bem paga para ficar quieta. Claro que se a coisa saísse de lá de dentro, ele puniria às criadas - todas as quatro, independente de quem houvesse vazado a informação. Por isso, todas cuidavam umas das outras naquele aspecto do sigilo.
A ama de leite, Josefa, era uma pobre mulher que tivera filho há pouco e precisava trabalhar. Ela vinha somente à noite, ao contrário das outras que o faziam de dia. Entendia perfeitamente que o homem fazia aquilo pra ter a mulher pra ele de noite, por isso nem questionou. O marido dela também não, uma vez que precisavam muito do dinheiro e o que Expedito se propunha a pagar era quase o dobro que o que se costumava pagar às amas de leite naquela região.
Assim que foi apresentada à mulher naquela noite, Violante não reclamou, porém assim que seu homem deitou ao seu lado, já procurando com as mãos as suas "curvas macias" que há tanto tempo ele não tocava, ela protestou afinal:
- Meu senhor, pra que uma ama de leite ao nosso filho? Tenho eu bastante para ele.
- Minha senhora, todas as mulheres fidalgas tem uma. Vossa mercê não se sente digna de dar a ele o tratamento de um filho de fidalga que ele certamente é? E eu posso ser frade, minha senhora, mas também tenho muito boa procedência. Meu sangue é totalmente limpo, sou descendente das melhores linhagens do reino, não tenho mistura. Somente me tornei frade porque minha tia fez uma promessa, se fosse homem leigo seria um dos mais cotados para casamento fidalgo se quer saber. Nada devo para os homens da corte e de mais a mais, para que um frade seja indicado inquisidor, são verificadas as suas origens desde muitas gerações, para saber se não há ascendência judia ou mesmo moura. Compreende?
- Entendo tudo isso. Mas esperei tanto para ter esse filho... por que não posso criá-lo junto a mim?
- Pois pode criar - desde que à noite seja minha... deixe o trato dele para o dia, minha senhora!
E já ia mais uma vez direcionando as mãos para as "curvas macias" dela, quando subitamente a mulher o repeliu.
- Meu senhor, não posso.
- E por que não pode? Com esse negócio de parto, devemos estar já há uns bons quinze dias sem nada! Que dias antes do nascimento vossa mercê também não conseguia mais fazer, por conta da barriga e tudo mais...
- O que ocorre, meu senhor, é que há um período após o parto chamado de "resguardo". A mulher deita sangue fora de si, como nas regras, mas não somente por alguns dias; tal período costuma durar quarenta dias!
- O que?! E como é que Maria da Graça não me fala nada sobre isso?!
- É que são cousas de mulher; não se fala disso com os homens.
- Pois como não?! Sou seu homem, tenho lá meus direitos! Tinha de saber como acontecia, para ficar ciente! Pois esta não me está má! Já se passaram sete dias do parto até aqui; mais trinta e três dias sem me deitar com minha mulher! Essa é boa!
- É a natureza, meu senhor; não tenho culpa!
- Pois se me deitava com vossa mercê até mesmo quando tinha regras... que nunca tive asco de sangue! Pelo contrário... o sangue a deixa ainda mais bela, minha senhora...!
E ao dizer isso seus olhos brilharam, a mão segurando forte o braço dela, mal se aguentando para não destruir alguma coisa após tantos meses sem dar uma surra nela por conta da gravidez.
- Nesse caso é diferente. Ainda estou... fragilizada pelo parto, não posso me deixar possuir. Posso me machucar, se é que me entende.
- Pois se é assim...
Vendo que não tinha outro jeito, Expedito tomou a mão da mulher e a colocou em seu membro já duro. Assustada, ela a retirou na hora.
- Que é isso, meu senhor?!
- Oras, se não pode me dar prazer de uma forma... me dê de outra.
- Mas meu senhor...! Eu nunca fiz isso antes!
- Antes de me conhecer não tinha feito um monte de coisas que agora já fez...
- Mas antes fazíamos para gerar filhos e-
- Quantas vezes fizemos que não geraram filhos? Apenas uma gerou.
- Mas meu senhor!
- Ora vamos! Já me recebeu tantas vezes em si neste ano em que estamos juntos, pra que ter medo?
A fidalga teve receio da reação dele. Repentinamente, lembrou de quando seu homem explodira em violência e daquela vez em que ele a surrara com o chicote a ponto de ela sangrar. Teve mais medo de que aquele monstro, o qual estava adormecido nos últimos meses, acordasse e ela tivesse de encará-lo outra vez. Então, colocando o pudor de lado, deixou que ele colocasse a sua mão em seu membro afinal.
- Isso... seja boazinha, eu vou ensiná-la como se faz...
Fechando os olhos, ainda lutando contra a repressão sexual que vivera a vida toda, Violante deixou que ele a guiasse a fim de que lhe desse prazer. Mas só aquilo não o satisfazia: ele passou a beijá-la, passar a mão em seus peitos - os quais estavam sensíveis, doloridos por estarem cheios de leite e também por ela ter amamentado mais cedo - e apertá-la em seus braços. Já a moça, estava fragilizada, sem vontade alguma de estar ali, mas tinha medo de que ele buscasse outras fora. Lembrava de quando ele dissera que muitas das confessas - dentre as nobres mesmo - se ofereciam a ele.
Foi ruim. Não gostou de fazer aquilo. Estava cansada, pensando em tudo menos em ter desejo. Quando ele gozou enfim, foi estranho; quando era dentro de si nem sentia direito, mas fora grudava, fora difícil de tirar, sem contar que o cheiro era bem forte. Mas ela fez. Fez, porque lembrou de todos os homens que conhecia - inclusive seu pai - que tinham amantes dentre as meretrizes e mesmo dentre as escravas. Lembrou de todas as mulheres que ele dissera desejarem a ele. Lembrou de João Fernandes, que traía mesmo a Xica, a quem dizia amar. Lembrou do medo de ficar sozinha. Lembrou de seus deveres de mulher. Lembrou que nunca nenhum homem a amara antes dele. E lembrou que já estava a ficar velha, com quase trinta anos de idade. Que faria da vida sem Expedito? Tinha tanta sorte de ele não ser velho, de ele desejá-la tanto, de ele ter feito um filho nela. Tinha tanta sorte de ele não ter outras amantes, mesmo sendo assediado. Tinha tanta sorte de ele tê-la tirado daquela torre. Tinha tanta sorte...
Nas noites seguintes, foi igual. Em algumas vezes, ele a pedia que fizesse mais de uma vez. Homem fogoso, que não ficava um dia sem querer! Percebia que os dias em que pedia para que fizesse mais de uma vez eram os que havia autos de fé, quando as condenadas eram queimadas ou imoladas. Nesses dias, ele batia em si; não forte, não arrancando sangue, como no dia do chicote. Mas queria bater, queria deixá-la roxa, e ela deixava. Era seu dever de mulher. Tinha tanta sorte...
De dia, cuidava do menino, embora Expedito pedisse a ela que não desse de mamar; gostava de seus peitos cheios, maiores agora, seus quadris mais largos. Sua cinta estava menos fina, era verdade, mas ele gostava assim. Ele gostava de mulher opulenta, embora também gostasse dela mais magrinha; mas a Violante magrinha era a donzela recém-deflorada; agora a Violante mais cheia era a matrona, a mulher já iniciada nos prazeres do sexo.
E todos os dias, após cearem e ele dispensar às criadas - menos a ama de leite, a qual ficava trancada no quarto de hóspedes com Timóteo, o filho de ambos - ele perguntava a ela:
- Já acabou?
- Não.
Ele sabia que os quarenta dias ainda não haviam se passado. Mas falava daquele jeito para ver se mesmo ainda sangrando ela aceitava ser sua. E ela ainda não aceitava. Tinha medo de profanar o resguardo, tinha medo do ímpeto sexual dele, tinha medo de quando ele batia nela enquanto ela lhe dava prazer; mas tinha ainda mais medo de perdê-lo, de se ver sozinha no mundo com toda aquela idade e com um filho nos braços. Que seria dela? Não tinha mais pai nem mãe, seus irmãos não davam a mínima; todos uma vez armaram para colocá-la no hospício, e quem intercedera? João Fernandes, que se não fosse por ele Violante estaria no hospício até então, ou já morta. E esse mesmo João Fernandes a abandonara depois na torre. Seu dote estava em poder do frei. Ela não tinha ninguém, somente Expedito. Então aceitava apanhar, aceitava ficar roxa, apenas para manter o homem. Tinha tanta sorte...
- E agora, já acabou?
- Não, meu senhor. Ainda faltam cerca de dez dias.
- Pois eu a quero minha, e logo.
Aceitava tudo aquilo por medo de ficar só, porque um dia afirmara trocar o céu por um beijo de amor. Mas ele a amava, não? Ele a beijava todos os dias, e ela trocava a dignidade, a vontade própria, apenas para tê-lo não somente lhe dando beijos, mas também a deixá-la marcada, a dar-lhe nomes feios, a chamá-la "cachorra...!" enquanto gozava em suas mãos, e depois ela ia ter todo aquele trabalho pra limpar...! Tomara que as criadas não percebessem que ela estava a dar prazer a seu homem daquele modo, somente em jogar fora as toalhas sujas que ela usava para tirar aquele... negócio de si.
- Já acabou?
Acabara afinal. Ela tinha medo, ele sabia que já haviam se passado os quarenta dias. Se mentisse, do que ele seria capaz de fazer? Devia era ceder, fazer sexo logo com ele; afinal de contas, tinha tanta sorte... ele podia trai-la com as mulheres da corte, perfumadas, bonitas; e ela ali, cheirando a leite de peito que dera ao filho no período do dia. Tinha tanta sorte... pois ele a procurava, pois ele a desejava mesmo ela estando passada da idade, com o corpo ainda a se recuperar de um parto; aquilo sim era prova de que ele a amava.
- Sim, já acabou.
Mal ela proferira essas palavras, Expedito subiu em cima dela e a tomou com ardor, nem esperando para ver se ela se excitava. Céus, como o homem estava terrível naquele dia. Quase dois meses sem fazer sexo fizeram com que ele se transformasse num ser completamente ávido por aquilo.
Apertara-a muitas vezes, seus seios doíam mas ela ignorou a dor para cumprir com seus deveres de mulher. Tinha medo de após o parto não ser a mesma coisa, de ele não sentir o mesmo prazer, mas ele parecia não se importar. A possuía com tanto ardor, que ela se assustara. Teve medo; a figura do monstro ávido de sangue que tomara a sua mente no dia em que ele a chicoteara veio à sua memória outra vez.
E ainda a possui-la, Expedito bateu nela. Mas foi em locais onde não daria pra ver com ela vestida; ninguém diria cousa alguma. E a possuiu longamente aquela noite, não batendo com o chicote mas com as mãos, a deixar marcas nela toda.
Naquela noite, a primeira entre ambos após ela ter dado à luz, Violante ficara tão dolorida quanto no dia das chicotadas. Seu órgão genital ardia, seu corpo ficara roxo; Expedito percebera toda a sua dor, mas continuou fazendo mesmo assim, com maior prazer ainda do que antes. Ah, como a gozara após o parto! Estava a adorar aquela Violante já matrona, já com formas de mulher que tinha seios e quadris mais opulentos.
Após tudo aquilo, foram ao banho, ele sorrindo, ela morrendo de dores. Mas feliz por ele tê-la desejado e estar ali em vez de estar no lupanar de uma marafona. Era realmente uma prova de que a desejava e a amava. Tinha tanta sorte...
Mais um mês se passou. O raio do homem vinha tão fogoso pra casa, que voltara àquele ritmo dos primeiros meses de relação: queria todos os dias, alguns dias mais de uma vez. Agora batia nela sem nem disfarçar: ela que se acostumasse, que ele era assim mesmo, só conseguia sentir prazer machucando, e agora? Não podia mudar sua natureza. Quem mandou, naquele já longínquo período em que ela era uma solteirona insípida, escrever ao rei pedindo um inquisidor para o Arraial do Tijuco?
Pois agora o tinha, e o tinha tantas vezes quanto podia. Mais do que desejaria, certamente, mesmo quando ainda era solteira e desejava homem ardentemente. Agora tinha homem até demais.
Violante percebia que ele a possuía mais vezes quando eram dias de auto de fé: agora ele sequer escondia o tesão que sentia nos condenados - fossem homens ou mulheres. Lembrou de quando ele torturara Eurico e lhe dissera: vossa mercê não sente nada ao olhar pra esse corpo machucado? É um corpo jovem, viril, desnudo...
Céus, ele tivera desejo até mesmo em Eurico! E tinha nela também, e desde aquele tempo Expedito lhe acendia o desejo, e fora assim que ela começara a desejá-lo também. Mas que importava? Ele era bonito, era jovem, lhe dava de um tudo. Que melhor ela ia conseguir? Tinha tanta sorte...
Após cerca de dois meses daquela forma, o frei querendo sexo todos os dias, louco desenfreado, pior ainda que no começo da relação, ela reparara com susto e horror - sim, com susto e horror, ela que ainda tinha um bebezinho de meses de idade - que a menstruação não descia.
E temeu estar grávida novamente.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO
Outro capítulo tenso. Porra, o cara não deu uma chance nem de o bebezinho ser devidamente criado pela mãe. Já foi pegando ama de leite e os cambau. Agora também não tá nem escondendo o desejo em destruir e bate nela todos os dias.
Nunca é demais repetir: ome louco da porra! Como disse a Xica no capítulo anterior: não tem boniteza que justifique esse sangue ruim!
Sobre o "sangue sem mistura": naquele tempo as pessoas execravam quem tinha sangue judeu ou mouro (eu estaria ferrada, tenho sangue libanês). Para ser inquisidor, precisava ter linhagem cem por cento sem misturas com esses povos. Era um termo que na Espanha era chamado de "sangre limpia", e pior que Torquemada, um dos inquisidores mais famosos e assassinos de seu tempo, tinha origem judaica e escondeu com maracutaias.
De qualquer forma, as cenas do hospício aconteceram na novela: Violante quase foi internada ao declarar que o irmão mais velho matara a seu pai. E pior que dessa vez a acusação era verdadeira! Daí todo mundo faz um "gaslighting" coletivo e a acusa de louca publicamente! Ela só não vai pro hospício porque o irmão mais novo dela, Xavier, apresenta uma carta da madrasta de Violante (Micaela) na qual ela confessava ter mandado o Luis Felipe matar o próprio pai.
Violante na novela tentou prender e difamar muita gente que não tinha feito nada; mas da única vez em que ela fala a verdade, esculhambaram no "gaslighting" e bonito.
Sobre ela ter "pudor" de masturbar o próprio companheiro: gente, naquele tempo o sexo era beeeem basiquinho, as mulheres só transavam de camisolão e sem tirar a roupa. O sexo que eles fazem na fic é até bem "elaborado" em comparação com o dos outros, pq eles ficam pelados, ele a estimula pra sentir prazer, etc. Essas coisas nem existiam na época. Então imagine uma mulher que foi criada pra ser pudica, pra casar virgem, cuja mãe (na novela mesmo) falava que não se devia deixar nem o marido beijá-la longamente. Pegar no "coiso" do cara então, era impensável... rsssss! Ela só fez por medo de perdê-lo mesmo.
No próximo capítulo: ela tá grávida de novo? Vai começar a parir um filho por ano? Não percam! Abraços a todos os que lerem!
