Os heróis de amanhã, cap 1
Era noite, e estava muito abafado. Shayera odiava aquela cidade por causa disso, era como se estivesse voando em um deserto. Ela nunca ia lá se não fosse obrigada e aquela era uma daquelas vezes que o dever a chamava.
O prédio era horrível. Os tijolos eram daquele marrom sem graça, a pintura já tinha ido pro brejo e o porteiro era muito mal caráter. Por que nossa linda super heroína está em um lugar tão horrível, vocês perguntam? A resposta é simples: Willy West.
Antes de morrer Flash a fez prometer que iria cuidar de Willy e ela cumpria aquela promessa, mas tinha sido difícil. Flash e Fogo morreram quando o menino tinha apenas treze anos e não importava se ela, Superman ou qualquer um implorasse, Willy não podia mais morar na Torre. Ele tinha sido enviado para a casa da tia materna, uma mulher muito impaciente e sem o menor jeito para crianças. Shayera sempre tentou manter contato com Willy, sabendo como ele estava, se estava feliz, se estava comendo direito. Mas nunca passava disso. Agora que ele era maior de idade as coisas mudavam de figura.
A primeira coisa que ele fez ao completar dezoito anos foi sair de casa. Shayera lhe ofereceu uma vaga na Liga, mas ele não aceitou. Disse que não iria seguir os passos dos pais, que não ia morrer do jeito que eles morreram. Shayera respeitava a vontade dele, mas nunca deixou de dar uma olhada nele de vez em quando.
Willy tinha se mudado para aquele prédio horrível a dois meses, bebia sem parar, sempre estava em alguma boate e as únicas coisas que tinham na geladeira dele eram algumas latas de cerveja e refrigerante e um pedaço de queijo mofado. Shayera sempre levava comida pra ele, mas dava pra ver que ele estava se lixando para o que comia.
Ela também tinha uma cópia da chave do apartamento dele, então ela nem se importou em bater. Foi entrando de uma vez.
O apartamento de Willy não tinha muitos móveis. Na sala/cozinha só tinha um sofá, uma TV pequena e uma geladeira em estado lamentável. No quarto tinha uma cama mais ou menos e no banheiro Shayera não fazia ideia do que tinha, tinha aprendido a duras penas que entrar no banheiro de um homem que vivia sozinho podia ser pra lá de traumatizante.
Ela entrou no apartamento e deu de cara com Willy completamente adormecido no sofá. Os cabelos ruivos estavam desarrumados e ele estava com uma aparência horrível. Um copo estava na mão dele e não parecia que ele ia soltar. Shayera odiava vê-lo assim.
Ela deixou a caixa de mantimentos cair no chão pesadamente e ele se levantou num pulo, derrubando a água que estava no copo, pelo menos Shayera queria pensar que era água.
Ele logo se deitou de novo quando viu quem era.
-É só você Shay.
-O que pensa que está fazendo Willy?
-Tentando voltar a dormir, eu tô com uma ressaca...
-Dá pra perceber, onde você estava?
-Numa festa.
Shayera fez uma careta e Willy olhou pra ela sorrindo, era impressionante o quanto lembrava Wally quando sorria.
-Não faz essa cara Shay, tô feliz.
-Então era isso que você queria se ser quando crescesse?
-Não exatamente... eu queria ser mágico. – ele riu da cara que Shayera fez e se levantou pra abraçá-la. – o que te trás aqui Shay?
-Eu vim te trazer comida e repetir minha proposta.
-Obrigado pela comida, e a resposta é não.
Shayera estava a ponto de começar uma discussão, quando bateram com força na porta.
-Alugel Fósforo! Tá duas semanas atrasado!
-Eu vou pagar! – Willy gritou de volta.
-Até amanhã, ou pode achar um outro lugar pra morar.
Foi a vez de Willy fazer uma careta e Shayera sorrir, de vitória. Os dois se encararam e Willy xingou baixinho.
-Tá legal! Espera aí que eu vou fazer minhas malas.
Shayera riu vitoriosa e Willy xingou mais uma vez. Não demorou muito para Willy estar um pouco mais apresentável e com as malas prontas.
-Controle, pode nos buscar. – ela disse.
Os dois foram cobertos com uma luz cegante e quando abriram os olhos estavam na Torre da Justiça. Willy fez uma careta e botou os óculos escuros. Superman, Batman e Tantor foram cumprimentá-lo e lhe dar as boas vindas.
-Acho que você vai ser muito feliz aqui Willy. – Superman disse cheio de sorrisos.
-Eu duvido muito... – Willy resmungou baixinho, mas ninguém ouviu.
-Venha conhecer o lugar! – Tantor falou bem animado.
Batman e Superman voltaram para suas obrigações e o casal de thanagarianos foram com Willy para lhe mostrar as instalações. Mostraram a cantina, a academia, a escola (*uma instalação recente já que os heróis estavam tendo cada vez mais filhos), a torra de comando e a área de lazer. Lá eles encontraram Mikaela e Cleo, como sempre estava brigando.
-O que foi dessa vez meninas? – Shayera perguntou.
-A Cleo atrapalhou minha cambalhota, eu podia ter quebrado o pescoço e quase levei um tiro! – Mikaela respondeu mal olhando para Willy.
-Isso é exagero... quem é você?
Mikaela e Cleo rondaram Willy, que estava sorrindo de maneira misteriosa.
-Eu te conheço... – Mikaela falou pensativa.
Willy levantou os óculos e piscou pra elas, as duas gritaram animadas e pularam em cima de Willy.
-Wi-Wi! – elas gritaram.
-Não queima meu filme não.
As duas gargalharam e abraçaram ele mais apertado. Willy tinha crescido junto da turma toda, mas cinco anos eram muito tempo e muitas coisas tinham mudado.
-Ok meninas, deixem ele respirar. – Shayera disse sorrindo.
-Vocês não tem treino agora não? – Tantor perguntou.
-Ih! É mesmo!
Cleo e Mikaela deram um beijo estalado em cada bochecha de Willy e saíram correndo, deixando o grupo livre para continuar o tour. No corredor eles toparam com Nathan, Jenna e Daniel. Assim como Mika e Cleo os três ficaram muito animados com a vinda de Willy, todos menos Daniel.
-Pode pagar! – Nathan disse sorrindo vitorioso.
Daniel reclamou e tirou vinte pratas da carteira. Por algum motivo aquilo fez Willy chorar de tanto gargalhar. E ele riu mais ainda quando shayera ralhou com eles por estarem matando aula, o grupo inventou uma desculpa bem esfarrapada e correu para a sala.
-Tem mais um lugar que queremos que você veja antes de ir para o seu quarto. – Tantor falou misteriosamente.
-A Sala de Treinos! – Shayera completou toda animada.
A Sala de treinos era provavelmente a maior instalação da Torre, era enorme porque tinha que ter uma grande variedade de ambientes. Um deserto escaldante ficava a poucos metros de uma floreta tropical, um mar cheio de tubarões ficava lado a lado com um lago sereno cheio de peixinhos, e uma cidade movimentada ficava bem em baixo de uma nave alienígena. Já deu pra notar que tinha vários cenários.
Foi lá que eles encontraram Shiloh e Claws, Shiloh estava tentando treinar um grupo mais novo que ela a saltar de pára-quedas e Claws estava numa luta violenta com uma lula gigante.
-Oi Willy! – Claws gritou entre um soco e outro.
-E aí Claws? – Willy perguntou.
-O de sempre.
Tantor e Shayera ficaram um tempo estudando a técnica do filho e não demorou para Shayera gritar algumas instruções.
-A Shay é muito perfeccionista , né? – Willy perguntou para ninguém em especial.
-Você não seria se fosse os seus filhos? – Tantor respondeu olhando para a esposa. Ela ainda estava gritando com Claws e este estava choramingando que não era mais criança. -Querida, não vamos falar com a Shiloh?
-É mesmo! Segura esse machado direito Claws!
Willy riu um pouco e seguiu o casal até o suposto helicóptero. Shiloh era a filha mais velha do casal thanagariano e não era famosa pela paciência. Ela estava ensinando crianças de dez anos a pular de pára-quedas, mas a maioria só conseguia choramingar e não movia um músculo.
-Vamos lá gente! É fácil! – ela falou pela décima quinta vez.
-É fácil pra você que tem asas! – uma menina loirinha reclamou.
Várias crianças concordaram com ela e Shiloh perdeu a paciência. Deixou a clava no chão e foi até a menina loira que tinha falado, as duas se mediram com os olhos e a menina lhe mostrou a língua. Shiloh a agarrou pelo colarinho e a arremessou para fora do helicóptero. O grito agudo entrou no ouvido de todo mundo e depois um barulho de pára-quedas se abrindo.
-Mas alguém quer ir do jeito difícil? – Shiloh perguntou fazendo cara de brava.
Todos fizeram um não com a cabeça e formaram uma fila para pular.
Willy estava segurando a boca para não rir, aquela tinha sido uma das cenas mais engraçadas que ele já tinha visto. Tantor olhava para a filha com uma mistura de paciência e reprovação, já Shayera não parava de enchê-la de elogios.
-Seja bem vindo Willy. – Shiloh disse sorrindo, mas alguma coisa dizia para o ruivinho que não era sincero.
-Obrigado Shiloh.
Um menino moreno se atrapalhou com as corda e pulou de mão jeito, mais um grito agudo e Shiloh fez uma careta.
-Com licença. – ela disse antes de mergulhar atrás do menino.
-O que você acha? – Shayera perguntou.
-Essa espelunca tá a mesma coisa. – Willy respondeu sem emoção.
-Ingrato. – Shayera resmungou. – pelo menos você viu a antiga turma, e não me diga que não gostou.
-Tudo bem, rever essa gente foi legal. Mas só isso.
Shayera fez uma careta para Willy e ele sorriu, Tantor teve que se separar deles para ajudar Claws, ele tinha deixado o machado cair e a lula o estava sufocando.
-Venha, vou te mostrar o seu quarto.
-Tá legal.
Os dois foram para um corredor e Shayera parou na frente de uma porta que tinha um relâmpago desenhado. De repente Willy parou de sorrir.
-Esse era o quarto dele, não era? – ele perguntou sem emoção.
-Batman achou uma boa ideia.
A porta se abriu e os dois entraram, tudo estava intocado, os quadrinhos, as roupas, a cama e até o quadro de fotos. Aquele tinha sido o quarto de Flash antes dele ter se casado com Fogo, as vezes, quando tinha uma missão muito demorada ele voltava a dormir lá. Depois que ele morreu ninguém mexeu naquele quarto. Willy deixou as duas malas caírem e ele olhou em volta. Wally tinha levado ele naquele quarto milhares de vezes, ele tinha perdido a conta de quantas vezes tinha lido aqueles quadrinhos e pulado naquela cama. O quadro de fotos estava cheio de fotos dos pais, antes e depois de se casarem, tinha até fotos do próprio Willy quando era mais novo.
-Eu vou te deixar sozinho. – dito isso Shayera saiu do quarto.
Willy ficou parado por um tempo depois foi vasculhar a caixa de quadrinhos, um sorriso brotou nos lábios dele ao ver os títulos, milhares de lembranças boas vieram para a mente dele e ele riu como não ria há muito tempo. Ele mexeu nas roupas e achou um terno azulado, com essa ele teve que gargalhar de novo. Ele tinha pego aquele terno quando tinha seis anos para brincar de casamento com as meninas, claro que o pai descobrir, mas não ficou bravo não, na verdade ele foi o padrinho dele. Tinha um foto desse dia no quadro de fotos.
Tudo que estava dentro do quarto era cheio de lembranças boas, ele tinha rido muito dentro dele com o pai e com a mãe. E agora eles estavam mortos. Willy não chorou com a lembrança desse fato, já tinha se conformado. Ele estava na fase de morrer de saudades deles, e foi isso que ele fez. Mexeu nas coisas e lembrou de tudo que tinha acontecido com elas. Como quando ele tinha sete anos, ele achou um dos anéis do pai, aqueles com o disfarce dentro, pois bem, Willy saiu pela Torre vestido com o disfarce dizendo para quem quisesse ouvir que ele era o Flash. Wally riu tanto naquele dia que deu um dos anéis para Willy.
E a outra vez que conseguiu alcançar a maquiagem da mãe, ele ficou tão animado com a conquista que chamou todos os amigos para brincar. Fogo quase teve um ataque quando viu aquele monte de crianças acabando com a maquiagem dela. Willy tinha uns quatro anos.
É... Willy tinha sido muito feliz com os pais.
E por mais que ele não quisesse ia ter que tirar algumas coisas do pai para dar lugar para as suas. Bateram na porta quando ele estava encaixotando as roupas de Wally.
-Willy. – falou uma voz feminina. – eu trouxe o seus horários.
Ele largou a caixa e foi abrir a porta, era Shiloh. Agora que ele estava reparando Shiloh estava muito mudada, a máscara de gavião escondia suas emoções e seu rosto. Willy se lembrava dela como uma menina tímida e quieta, meio desengonçada e com um probleminha de espinhas. Agora ele não fazia a mínima ideia de como ela era por causa da máscara.
Ela lhe entregou uma folha e já estava a ponto de sair quando Willy a chamou.
-Que horário é esse Shiloh?
-É bem simples, de manhã temos o café e os treinos. De tarde é o almoço e a escola para os menores, como você é maior de idade pode ajudar nas aulas ou pode entrar na equipe de espionagem do Batman. E de noite tem o jantar e o resto do tempo livre.
-Não vamos em missões?
-Vamos, mas elas não podem ser agendadas em temos que ficar em alerta constante. Se é só isso-
-Como você está Shiloh? Faz um tempo que eu não te vejo.
-Como pode ter reparado eu estou muito bem. – ele se assustou no tom cortante que ela usou. – e eu estou atrasada pra uma coisa.
Dito isso ela saiu e deixou pra trás um Willy bem confuso. Mika e Nathan apareceram um tempo depois querendo saber como ele estava. Willy os obrigou a ajudar a tirar as coisas velhas do quarto.
-O que aconteceu com a Shiloh? – Willy perguntou pegando mais uma caixa.
-Como assim? – Nathan perguntou.
-Ela está diferente, mais séria...
-Não liga pra ela. –Mika respondeu. – ela mudou muito desde que você foi embora. Ficou mais quieta que o normal, mais impaciente. E não tira mais aquela porcaria de máscara.
-Pensei que os thanagarianos não tiravam as máscaras. – Willy comentou.
-Eles tiram às vezes. – Nathan falou. – a Shay e o Tan tiram sempre que terminam uma missão, até o Claws tira quando ele está relaxando. A Shiloh não faz isso.
-Por que você tá perguntando da Shiloh? – Mika perguntou.
-É que ela foi bem fria comigo, sabe?
-Ela é fria com todo mundo que ela não está acostumada. – Nathan disse. – dá um tempo pra ela que vai melhorar.
-Mas a Shiloh me conhece.
-Ela conhecia um menino de treze anos que ficava todo vermelho quando falava com uma menina. – Nathan disse. – você mudou, ela não te conhece mais.
Willy ficou pensativo por um tempo, tudo bem o que Nathan falava fazia sentido. Mas ele não conseguia esquecer o jeito que Shiloh tinha falado com ele, Willy não conseguia explicar, mas era como se Shiloh estivesse com raiva dele. Talvez ele estivesse imaginando coisas, talvez ela estivesse apenas estranhando vê-lo tão mudado. Ele também estava estranhando o quanto ela tinha mudado. E ele resolveu aceitar o conselho de Nathan, talvez devesse dar um tempo pra ela.
Willy, Mika e Nathan passaram um bom tempo arrumando aquele quarto do jeito que Willy queria. Ele não queria apagar todas as memórias do pai, mas também não queria guardar todas. Quando terminaram milhares de gibis e roupas estavam empacotados para doação. Willy tinha separado uns poucos gibis para guardas e por mais que desejassem não guardou nenhuma roupa do pai, aquilo era simplesmente muito depressivo pra ele. O quadro de fotos também foi limpo, as fotos foram guardadas com todo carinho dentro de uma caixa especial que Willy guardou na gaveta. O armário ficou vazio sem as roupas de Wally, mas Willy logo o encheu com as próprias roupas. As coisas mais intimas como troféus e medalhas de honra também foram guardadas com todo o carinho que mereciam.
Quando acabaram o quarto estava totalmente redecorado. Os pôsteres de jogadores e de heróis de Flash tinham sido substituídos por pôsteres de bandas que Willy tinha trago, os troféus foram substituídos por aparelhinhos eletrônicos e os livros de Flash sumiram para dar espaço para um som. Até a roupa de cama foi mudada, antes eram vermelha com um raio amarelo, agora era azul sem nenhum desenho. Willy encheu o quadro de fotos com seus próprias fotos, claro que deixou algumas originais, mas a maioria era dele mesmo dentro de uma boate ou com alguma menina.
-Demorou, mas ficou bom. – Mika disse deliciosamente satisfeita.
-Ficou mesmo. – Willy concordou. – obrigado pela ajuda galera, não ia conseguir terminar tudo hoje.
-Sem problemas. – Nathan disse olhando para o relógio. – e ainda dá tempo de jantar.
-Você só pensa em comida? – Mika perguntou.
-Penso em você também.
-Bobo. – Mika disse corando.
Nathan riu e Willy teve que rir junto, Mika ficava mais que adorável quando corava daquele jeito.
Os três saíram do quarto e foram para a cantina. Claws, Jenna, Dan e Cleo estavam sentados na mesma mesa rindo. Willy tinha que admitir, podia não querer ser um herói, mas sentia falta da Torre e de seus amigos. Pelo menos tinha ganhado isso quando se mudou de volta pra lá. O único problema era o lance de herói. Willy sabia que aquilo não era pra ele e não importava o que Shayera, Tantor ou qualquer um disesse, Willy não se via como um herói.
Shiloh passou por eles, mas não olhou pra eles. Ela se sentou na mesa dos pais e não olhou na direção deles nem uma vez. Willy fez uma careta, Shiloh estava começando a ser irritante. Ele ia ter que fazer alguma coisa pra mudar aquilo.
Eba! Capítulo 1!
Eu sei o que vocês estão pensando e não, Willy não é alcoólatra, ele só é um menino MAIOR de idade com sérios problemas. E além do mais o que vocês fariam se seus pais tivessem morrido e vocês fossem obrigados a morar com uma megera.
Então, a Torre mudou muito, os heróis que estamos acostumados estão se aposentando e tendo filhos, e eu não faço a mínima ideia se vocês descobriram de que eles são filhos.
Se vocês não descobriram até agora temos sérios problemas, sério.
Mais uma coisa, Shiloh não é uma megera metida não. É como Nathan disse, ela só não está acostumada com Willy.
Espero que vocês tenham gostado e comentem!
NS
