Willy dormiu melhor do que esperava, fazia muito tempo que ele não dormia em uma cama boa. Quando ele acordou ele se sentiu como não se sentia em cinco anos, ele se sentia em casa. Não que ele fosse admitir esse fato, já podia ver o sorriso vitorioso de Shayera se ela descobrisse, então era melhor não contar para ninguém.

Ele se vestiu e foi tomar café, Mika, Nathan, Cleo e Claws já estava lá. Willy ficou meio surpreso por ver que todos usavam roupas de herói. Mika, por exemplo, usava uma calça preta bem justa, botas combinado, a blusa também era preta e justa, tinha um desenho em prata de morcego e era curta o suficiente para mostrar um pouco da barriga. A máscara era negra, mas Mika não a estava usando, assim como a capa, que era negra no exterior e prata no interior.

Nathan usava uma roupa verde, bem parecido com o pai dele. O arco, a máscara e a aljava de flechas estavam perdurados da cadeira atrás dele. Cleo se vestia exatamente como a Super Moça e Claws se vestia de forma parecida com o Gavião Negro, a única diferença era a máscara, que era muito mais parecida com a dos tanhagarianos.

-Eu vou querer saber por que vocês estão vestidos assim? – Willy perguntou se sentando.

-Estamos vestido para trabalhar Willy. – Nathan respondeu. – não somos mais crianças.

-A Shay disse que a Vixen está desenhando uma roupa pra você. – Mika disse.

-O quê? Eu vou ter que usar isso também?

-Claro que vai! – Nathan disse quase chocado. – você é um herói Willy, tem que se vestir feito um.

Willy já ia disser alguma coisa sobre preferir ficar careca do que virar um herói quando viu que não ia adiantar. Ele tinha se mudado para a Torre da Justiça, teria que seguir as regras, senão ia ficar sem lugar pra morar.

O resto da turma (menos Shiloh) chegou e todos tomaram café juntos. Depois eles foram juntos para o treino. Shiloh já estava lá se alongando. Quem ia supervisionar o treino naquele dia era Shayera e ela logo tratou de separar os meninos das meninas.

-Os meninos vão para as corridas e as meninas vão para o mar.

As meninas se despediram e os meninos foram para a pista. Enquanto eles se alongavam Shayera falava as instruções.

-É tudo bem simples. – ela disse puxando a perna de Claws até estralar – quem terminar o percurso primeiro pode ficar o resto do treino olhando as meninas. Mas quem errar uma coisinha vai ter que fazer tudo de novo.

Willy nem teve tempo de se alongar direito, mal ele se ajeitou J'honn o chamou. Os dois foram silenciosamente pelos corredores até um quarto, era o quarto de Vixen. E estava entulhado de panos, agulhas e linhas, muitas e muitas linhas.

-Willy! – Vixen chamou ao longe, dentro daquela bagunça de pano. – ainda bem que você chegou! Eu preciso das suas medidas!

Willy suspirou e se despediu de J'honn, o marciano foi embora deixando os dois sozinhos. E Vixen deu o bote.

Assim que Willy notou estava coberto de fitas e tecidos, o coitado até tentou ir embora, mas Vixen não deixou e chamou a filha, Jenna, para mantê-lo ali enquanto ela costurava. Não demorou muito ela já tinha feito uns cinco modelos de disfarces. Willy não gostou de nenhum, todos eram copias do disfarce do Flash.

Foi aí que Jenna tropeçou em um rolo enorme de tecido preto. Este caiu em cima de um retalho azul escuro e Vixen teve uma revelação.

A próxima roupa que ela fez não teve nada a ver com o Flash, muito pelo contrário. O pai de Willy era conhecido pelas cores vivas e radiantes. O traje de Vixen era negro com algumas faixas de azul bem escuro, a máscara não cobria o cabelo ruivo, só os olhos e parecia ser feita de vinil.

No inicio Willy foi muito relutante em experimentar, mas Vixen e Jenna foram muito persistentes e Willy acabou tirando a camisa com elas ainda dentro do quarto. Vixen não se importou muito, mas Jenna ficou muito vermelha (o máximo que a pele negra permitia) e saiu super sem graça do quarto.

O traje ficou estupidamente estiloso, Vixen não parava de se elogiar e Willy se alongou com a nova roupa. Até que não era tão ruim, não atrapalhava nenhum movimento, não era muito colada, não lembrava o Flash e lhe dava um toque de mistério, o que ele adorava.

A turma adorou a roupa nova de Willy, Mika e Cleo então não paravam de dizer o quanto ele estava bonito e fashion com ela. Mas Willy não ficou muito tempo com o povo, Batman e Superman o chamaram e lhe disseram que ele teria um treinamento especial.

Esse treino era visivelmente mais difícil que os outros, afinal ele tinha que compensar cinco anos e várias garrafas de bebida. Mas Willy agüentou a barra e no fim de cinco meses ele estava completamente em forma. Batman ficou tão satisfeito com os resultados dele que o liberou dos afazeres de tarde por tempo indefinido.

Tudo estava bem, Willy estava se acostumando com a Torre, já estava dando umas dicas para Claws, Dan e Nathan sobre o requisito garotas. E Shiloh já não fazia mais caretas quando olhava pra ele. Ele apostava que naquele ritmo quando os dois completassem sessenta anos Shiloh estaria sorrindo pra ele.

Até que chegou o dia da primeira missão que eles tiveram. Cinco adolescentes estavam roubando um banco e tinham feito doze reféns. Willy, Nathan, Shiloh e Jenna foram mandados para resolver a situação.

Os cinco adolescentes não passavam de marmanjos desesperados por um pouquinho de dinheiro, Willy achou melhor não comentar, mas um deles era seu companheiro nas baladas. E era ele que apontava uma arma para uma mulher.

Nathan atirou uma de suas flechas e a arma voou longe, Willy correu até ela e a desarmou na hora (isso levou uns três segundos). Shiloh nem ouviu as exigências dos meninos, a clava saiu voando para tudo que era lado e antes que alguém notasse os cinco meninos estavam no chão nocauteados. Jenna e Nathan ajudaram as pessoas a se levantarem enquanto Willy remontava a arma para entrega-la aos policiais. Shiloh se certificava que os bandidos ficassem no chão.

Foi tão rápido que nem mesmo Willy viu o que estava acontecendo. Um dos meninos tinha botado uma bomba dentro de um dos caixas e tinha acabado de explodir. A explosão não foi tão grande a ponto de derrubar o prédio ou matar todos que estavam dentro, mas machucou seriamente as pessoas que estavam perto demais. E uma dessas pessoas era Shiloh.

A menina foi arremessada para o outro lado do banco e ficou inconsciente. Os meninos não demoraram para acordar e fugiram. Nathan e Jenna não puderam ir atrás deles, pois estavam com as mãos ocupadas com os reféns. Willy nem cogitou em ir atrás deles, sua mente só se focava em uma coisa naquele momento: Shiloh.

A menina podia não gostar muito dele, mas ele adorava Shayera e Tantor. Não deixaria a filha deles na mão. E mesmo que ela não fosse filha de quem era Willy a ajudaria. Uma coisa ele tinha aprendido com Wally, nunca deixamos um membro da equipe na mão.

Os bandidos tinham fugido, mas Willy não ligou. Ele ergueu Shiloh com todo o cuidado do mundo e Jenna e Nathan deixaram o restante de reféns nas mãos da polícia. Os quatro voltaram para a Torre e Willy levou Shiloh para a área médica. Uma de suas asas parecia quebrada e ela ainda estava inconsciente. Ele ficou com ela até Shayera, Tantor e Claws chegarem.

Só de noite que Batman veio falar com Willy, estava sério como sempre. Willy já ia começar a se desculpar, mas Batman o elogiou, disse que Wally o havia ensinado bem e que Willy estava mais que pronto para se tornar um herói em tempo integral.

-Mas e os cinco caras? – Willy perguntou confuso.

-São idiotas, e idiotas nunca aprendem. Vamos voltar a vê-los, não se preocupe.

Willy relaxou e voltou para ver Shiloh, ela ainda estava desacordada, mas só Claws estava com ela.

-Cadê a Shay e o Tan? – Willy perguntou baixinho.

-Eles tiveram uma missão.

-Você parece cansado Claws.

-E eu estou. Mamãe me obrigou a repetir o percurso treze vezes hoje, eu só fui liberado agora.

Willy olhou chocado para Claws, o meninos estava todo ralado e o rosto (*que estava sem máscara) tinha o cansaço evidente. Willy ficou morrendo de dó do amigo e falou para ele ir dormir.

-Mas e a Shiloh? – Claws perguntou cheio de culpa, não conseguia esconder o quanto queria ir dormir, mas também não podia deixar a irmã sozinha.

-Eu fico com ela.

Claws foi para o quarto se sentindo muito culpado, mas também muito feliz. Sua cama nunca lhe pareceu mais aconchegante. Enquanto isso Willy ouvia uma música baixinha no Ipod, nem ouviu quando Shiloh acordou.

A menina ficou bem parada. Willy estava olhando para baixo, tentado achar uma música. Shiloh não disse ou fez nada para chamar sua atenção. Ela estava triste e com vergonha, tinha baixado a guarda num momento crucial. Tinha se machucado e pelo visto tinha sido colocada nas mãos de Willy.

Shiloh não sabia o que pensar dele. Quando os dois eram mais jovens Shiloh o adorava, os dois eram amigos e sempre estavam rindo. Ela sabia que Willy preferia ficar com Mika, Cleo ou Jenna, mas Shiloh não se importava, simplesmente aproveitava os momentos que passava junto com ele. Mas quando Flash e Fogo morreram tudo mudou, Willy tinha se mudado e parecia sozinho.

Shiloh tentou animá-lo telefonando ou lhe mandando cartas, mas ele nunca a atendia ou respondia. O último telefonema que ela fez foi o mais horrível. Como sempre a tia dele atendeu e disse em alto e em bom som:

-Meu sobrinho não tem tempo para aberrações alienígenas como você!

Aquilo acabou com Shiloh, e o pior é que ela não tinha nascido em Thanagar e nem na Terra. Ela e Claws tinham nascido na Torre e não num planeta. Ela ficou arrasada, se perguntando o que tinha feito de errado para Willy evitá-la daquele jeito. Os dois não eram assim tão próximos, mas mesmo assim eram bons amigos. Nunca sabia que ele a odiava tanto assim. Ela tentou esconder suas origens aliens, mas as asas eram praticamente impossíveis de se esconder.

Demorou, mas Shiloh se recuperou e decidiu que não ligava para que os outros pensavam. Pessoas xingavam e protestavam contra os pais dela até hoje, pra que seria diferente com ela ou com Claws. Ela era alienígena e tinha orgulho daquilo, por isso não tirava a máscara. Queria que todos soubessem que ela, Shiloh Hawk, era uma thanagariana.

E agora Willy estava ali. A primeira coisa que Shiloh pensou foi que ele só a tinha ajudado por ser filha de Shayera, e por um momento ela ficou triste. Mas depois ela percebeu que não tinha sido exatamente educada com ele.

Talvez ele precisasse de uma chance de verdade, para provar que o menino que ela gostava, que era amigo dela, ainda estava lá. E provar que de uma vez por todas não era Willy que falou aquelas coisas horríveis pra ela, e sim a tia dele.

Demorou, mas aqui está.

O segundo capítulo. Eu sei que eu acelerei muito as coisas, mas gente, eu tô muito apertada na escola e vai ficar muito difícil ficar escrevendo a história do jeito que eu queria então só lamento.

Espero que vocês tenham gostado e comentem!

PS: A Shiloh não tem uma queda pelo Willy, pelo menos não ainda. Então parem de pensar que ela tem!

PSS: Se tiver um erro de digitação ou coisa parecia eu peço desculpas, mas não deu tempo de revisar.