Ainda bem que Questão e Caçadora só tiveram um filho, senão ninguém iria agüentar.

Daniel Sage era um menino legal. Um pouco pirado, mas mesmo assim... a culpa não era dele se tinha puxado os genes defeituosos do pai (não como se os da mãe fossem melhores...). Ele era bonito, em poucos momentos chegava até a ser fofinho. E era inteligente, muito inteligente.

O único problema é que ele não se lembrava de nenhum compromisso. Cleo que o diga, era a quarta vez da semana que ele dava um bolo nela. Ela era muito paciente, mas aquilo estava ficando ridículo!

Ela foi batendo o pé até a sala onde Dan e Questão ficavam e no caminho deu de cara com Caçadora, ela também não parecia muito feliz.

-Você também? – Cleo perguntou roendo os dentes.

-Nem me lembre.

As duas trocaram um olhar cúmplice e apareceram que nem dois anjos vingadores na sala. Questão estava atrás de uma pilha de papéis falando consigo mesmo, Dan estava com a cara enfiada em um computador. Os dois ergueram os olhos e arregalaram os olhos.

Só agora eles tinham visto o perigo que eles estavam correndo.

Cleo foi mais rápida, arrancou a gravata de Dan e a usou para amarrar suas mãos. Ele ficou preso na cadeira antes de ter a chance de dizer "socorro". Caçadora não precisava de gravata, ela já tinha suas próprias algemas e antes que Questão tivesse a chance de fugir ela também o prendeu na cadeira.

-Te vejo depois Cleo. – Caçadora falou sorrindo. – troquem um último olhar meninos, pode ser a última vez que vocês se vêem.

-Seja forte meu filho! – Questão gritou antes de Caçadora empurrar sua cadeira para longe.

Cleo não disse nada, só tirou o material da escrivaninha até não ter nada em cima. Daniel sabia que estava em maus lençóis e era melhor não dizer nada. Depois de liberar o espaço Cleo se sentou em cima da escrivaninha e encarou Daniel com os braços e as pernas cruzados.

-Qual é sua desculpa dessa vez? – ela perguntou séria.

-Bem... eu e o meu pai estamos bem perto de descobrir o ingrediente secreto das asinhas de frango daquela lanchonete que a gente foi semana passada, lembra?

-Deixa eu ver se entendi, você me deu um bolo por causa de asinhas de frango?

-Parece bem ruim quando você fala assim... - Dan falou pensativo.

-Por que eu não posso ter um namorado legal? – Cleo perguntou para si mesma. – um que se lembre das coisas, que não seja desconfiado de tudo, que me leve pra dançar de vez em quando?

-Podemos ir dançar amanhã.

-Eu duvido que você se lembre. – os dois ficaram em silêncio e Cleo não agüentou mais, teve um chilique. – não é justo! Eu passo horas me arrumando, ficando toda bonita e perfumada pra você e nem pra me ligar dizendo que não pode você faz! Olha só pra esse vestido! – ela apontou desnecessariamente, já que Daniel não tirava os olhos dela. – ele não foi feito para ficar dentro de um armário. Ele foi feito para uma noite romântica, num jantar com comida italiana e uma boate!

Cleo escondeu o rosto nas mãos e Daniel ficou rodando a cadeira com os pés, ele não fazia a mínima ideia do que ele tinha que dizer.

-Se serve de consolo, você está muito bonita. - ele disse sorrindo inocentemente.

Cleo ergueu o rosto e olhou pra ele. Era isso que ela odiava nele, aquele jeitinho inocente e sem noção que acabava com ela. Aquele charme que a fazia esquecer toda a raiva e mágoa. Ela não conseguia ficar brava com ele por muito tempo. E ela tentava, muito.

-Eu te odeio, sabia? – ela perguntou amarrando a cara.

-Você é uma péssima mentirosa.

Os dois sorriram e Cleo desceu da escrivaninha e se sentou no colo dele. Ela lhe deu um beijo na bochecha e ele virou a cara para beijá-la nos lábios, tudo bem que ela não conseguia ficar brava com ele, mas mesmo assim ele tinha que ser castigado. E antes que ela o perdoasse de vez.

Ela se levantou e tirou um cabide do armário. Foi aí que Dan começou a suar frio, Cleo estava segurando seu terno favorito e não parecia que ela só o estava admirando.

-Cleo, minha linda, o que você vai fazer? – ele perguntou com a voz tremendo.

-Eu? Nada.

E aí ela pegou fôlego e soprou. O precioso terno de Dan virou um cubo de gelo e ela o tacou no chão. Só Deus sabe como o chão não quebrou, mas mesmo assim ficou bem amassado e o terno se partiu em bilhões de caquinhos bem pequenininhos.

-Você é uma menina muito cruel. – Dan choramingou.

-Bem amanhã, nós vamos no shopping mesmo, então você pode comprar um novo.

-Nós vamos no shopping?

-Pode apostar. – ela sorriu maldosamente pra ele. – e você vai ter que aturar uma tarde inteira comigo escolhendo roupas e mais roupas.

Ela o beijou de novo e saiu da sala. Daniel adorava a namorada, mas mesmo assim ela conseguia ser muito má as vezes. Não só pelo terno destruído, mas também pelo fato de que ela não o soltou da cadeira e os nós que ela fazia eram muito difíceis de soltar. Da última vez ele levou umas quatro horas para soltar os pulsos.

Pelo menos ele não era Questão. O coitado devia estar sofrendo em algum lugar. Caçadora era mil vezes pior que Cleo, principalmente pelo motivo que ela era uma mulher adulta sem nenhuma vergonha ou escrúpulos. Pois é... coitado do Questão.

Por sorte de Daniel, Willy passava no corredor e o encontrou.

-A Cleo é da Marinha? – Willy perguntou olhando o nó. – vai levar séculos para desfazer!

-Ainda bem que você é rápido.

-Engraçadinho. É melhor cortar-

-Nem pense nisso! Já perdi muitas peças de roupa num só dia.

Willy não entendeu e Dan olhou desolado para os caquinhos que antes eram seu lindo terno. Willy achou tão engraçado que chorou de tanto rir.

-Quer um conselho? – Willy perguntou enquanto lutava com o nó.

-Sobre o quê?

-Garotas.

-Claro.

-Dê flores pra ela.

-Você acha que é uma boa ideia?

-Acho, garotas não resistem a flores e uma cara arrependida. Se você fizer tudo certo talvez ela te livre da tarde no shopping.

-Eu vou pensar nisso...

Willy finalmente conseguiu soltar Daniel e este foi pensativo para o quarto. Flores parecia uma solução muito simples para o problemão que ele tinha arranjado. Mas de novo, Willy era uma espécie de especialista, devia saber do que estava falando.

Quem sabe?

O capítulo 3 não tem muito do Willy ou do resto da turma, eu vi que eu estava me focando demais em só um personagem. Nem consegui mostrar a vida dos outros direito. Então aí está. Esse é um pedacinho da vida do Dan, depois vai ser a vez do Nathan e depois o Claws. Eu estou pensando em fazer um capítulo só das garotas, mas eu não me decidi ainda.

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