Nathan tinha acordado aquela manhã muito feliz consigo mesmo, ele estava animado, feliz, como se nada no mundo pudesse derrubá-lo. Isso até ele ver Daniel conversando no canto com Mika.

Nathan não era ciumento, muito pelo contrário. Sua mãe, a Canário Negro, sempre o ensinou a deixar as mulheres terem seu espaço. Ciúmes só desgastava a relação. Mas Nathan também não era idiota, ele sabia que Dan não tinha a cabeça no lugar e que Mika gostava muito dele. E o jeito que os dois estavam rindo só deixou Nathan mais nervoso.

-O que vocês estão conversando? – ele perguntou se aproximando.

-Estamos numa missão muito importante. – Mika respondeu sorrindo.

-Caso de vida ou morte. – Dan completou.

-E vocês não querem ajuda?

-Acho que não, só vou precisar da Mika mesmo.

Dan passou o braço pelo ombro de Mika e ela aumentou o sorriso. O sorriso de Nathan rachou, ele não estava gostando nem um pouco da proximidade dos dois. Eles se afastaram ainda cochichando e Nathan ficou pra trás com seus pensamentos.

-Claws! – Nathan saiu gritando pela torre.

Demorou para Claws aparecer, como sempre ele estava escondido observando Jenna, então foi um pouco difícil achá-lo.

-Claws, preciso falar com você.

-O que é Nate? – ele perguntou preocupado.

E Nathan contou tudo o que tinha acontecido, Claws ouviu tudo com paciência e assim que Nathan terminou de narrar Claws lhe deu uma machadada leve na cabeça.

-Pra que você fez isso? – Nathan perguntou esfregando a cabeça. O "leve" de Claws não era tão leve assim.

-Pra você deixar de paranóia, pra isso temos o Dan. O que você esperava? Uma menina bonita como aquela não ia ficar solteira por muito tempo.

-Mas o Dan tem namorada!

-E você está todo enciumando por causa do Dan? Me engana que eu gosto! Você devia parar de viajar e contar pra Mika que você gosta dela.

-Olha quem fala! – Nathan falou com raiva. – você devia parar de espionar a Jenna e pedir ela em namoro de uma vez!

-O meu caso é diferente.

-Como?

-Oras! – Claws cruzou os braços contrariado. – o pai dela não gosta do meu pai e também não gosta muito de mim. Se eu pedir a Jenna pra namorar comigo o John vai fazer picadinho de mim.

-Você tem um ponto, mas mesmo assim-

-E eu sei o que você está fazendo.

-E o que seria? – Nathan perguntou também cruzando os braços.

-Está desviando o assunto pra mim. Sabe o que você devia fazer? – Claws não esperou uma resposta. – falar com o Willy.

-Não sei não...

-Quem é melhor no assunto que ele?

Nathan pensou no assunto com muito cuidado. Ele não queria ir conversar com Willy, não porque não gostava dele, na verdade ele e Willy eram bons amigos. Mas Willy tinha sumido por muito tempo, eles não eram mais os melhores amigos, isso só ia voltar com o tempo, mas até lá Nathan não se sentia confortável o suficiente para falar sobre Mika com ele.

Mas de novo... Willy tinha tido mais namoradas que todos os jovens da Liga juntos ao quadrado. Ele sabia o que fazer.

Meio inseguro Nathan foi falar com Willy, ele estava no corredor sussurrando alguma coisa no ouvido da filha do Doutor Destino, Nathan não conseguiu ouvir o que era, mas a menina ficou super corada e não parou de dar risinhos.

-Willy. – Nathan chamou incrivelmente sem graça.

Willy se afastou da menina (que foi correndo para a aula, já que Willy conseguiu prendê-la lá por um bom tempo) e foi para perto de Nathan.

-Que é?

-Eu preciso de uma ajudinha.

-Com o quê?

Os dois se sentaram no chão e Nathan contou tudo pra Willy, o quanto ele gostava de Mika, o quanto ele não sabia o que dizer pra ela e o quanto ele estava confuso quando viu ela conversando tão intimamente com Dan. No final Willy riu.

-Você é muito bobinho! – Willy disse rindo.

-Não é engraçado.

Willy riu mais um pouco e Nathan ficou corado e bem sem graça.

-Tudo bem. – Willy disse parando do rir aos poucos. – em primeiro lugar a Mika não tem nenhum rolo com o Daniel. Ele tem namorada cara e ele está tendo a ajuda da Mika para arrumar uma surpresa pra Cleo.

-Isso faz mais sentido... – Nathan disse pensativo.

-Claro que faz. E em segundo lugar as mulheres dizem que querem um homem sensível que possa se abrir com elas, mas o que elas querem de verdade é um homem de ação.

-E o que isso quer dizer?

-Você não consegue se expressar, certo?

-Certo.

-Então só beija ela. – Willy continuou ignorando o ataque de tosse de Nathan. – e deixa as coisas acontecerem naturalmente.

-Você enlouqueceu? Eu beijar ela? Ela é a filha do Batman, ele vai me trucidar!

-Bem meu amigo. – Willy falou se levantando. – só tem um jeito de você saber, não é?

E com essa frase de efeito Willy saiu deixando Nathan perdido em seus próprios pensamentos. Nathan se convenceu que aquela era uma péssima ideia e que iria assustar Mika. Mas uma vozinha na cabeça dele dizia o contrário, talvez Willy estivesse certo...

No final do dia Nathan foi para a academia onde Mika, Cleo e Shiloh estavam. Cleo tinha acabado de receber um buquê lindo de rosas vermelhas e não parava de pular. Mika estava pulando junto e Shiloh só revirava os olhos enquanto levantava uns duzentos quilos.

-Nate, olha o que o Dan me deu! – Cleo disse toda feliz quando viu Nathan entrar.

-São muito bonitas Cleo.

-E a Mika ajudou a escolher! Dá pra acreditar, minha melhor amiga de cúmplice com o meu namorado!

-Incrível. Eu preciso falar com você Mika.

Cleo, Mika e até Shiloh pararam o que estavam fazendo e as três encararam Nathan.

-A sós.

Cleo e Shiloh saíram em silêncio sem tirar os olhos de Nathan. Assim que ele viu que estava sozinho com Mika seu coração disparou.

-O que é Nate? – Mika perguntou curiosa.

-Bem... é que... – ele fechou os olhos com força, odiava se embolar com as palavras. – droga! Eu queria te dizer uma coisa.

-Pois então fale.

-Não é tão fácil assim. – ele olhou para Mika e dava pra ver a confusão no rosto lindo dela. E foi aí que Nathan jogou tudo pro ar. – isso é ideia do Willy, então se você não gostar desconta nele.

E ele a beijou. Ela não fez nada de primeira por causa do choque, mas depois, quando Nathan já estava perdendo as esperanças, ela o beijou de volta passando os braços pelo pescoço dele.

Eles foram interrompidos por um gritinho animado que vinha da porta, Cleo e Shiloh espiavam sem nenhum arrependimento. Cleo não parava de sorrir e dar gritinhos animados, e até Shiloh sorria. Mika as mandou embora e assim que elas saíram de vez Nathan e Mika se olharam, um mais corado que o outro.

-Sabe o que eu não entendo? – Mika perguntou passando os braços no pescoço dele de novo.

-O que?

-Por que você consegue fazer indiretas, mas não consegue falar o que você está sentindo.

-Eu acho que eu travo, ou alguma coisa assim...

-Foi o Willy que te falou para fazer isso?

-Foi.

-Então me lembre de agradecer a ele depois.

Ela sorriu e ele também sorriu. Aí os dois se beijaram mais uma vez e Nathan fez uma anotação mental de ouvir os conselhos de Willy mais vezes.

E esse é o final do capitulo 4, eu não fiquei muito satisfeita com ele, mas dá pro gasto.

Espero que vocês tenham gostado e comentem!