Era véspera de Natal, todos já estavam no chalé do Batman prontos pra comemorar, só faltava uma pessoa na festa. E essa pessoa não era ninguém menos do que Daniel Sage.

Coitada da Cleo, ela amava o Natal por dois motivos. 1º. Bem era o Natal, como não gostar? 2º. Ela e Dan tinham começado a namorar no Natal, era o aniversario de namoro deles. E ela tinha passado a tarde toda se arrumando, quase enlouqueceu as amigas na busca do vestido perfeito e gastou uma fortuna no cabelereiro. Mas tinha valido a pena, porque ela estava muito mais bonita que o normal. Muito mais.

Ela nem conseguiu acreditar que Dan não estava lá, da última vez que falara com ele Dan estava se arrumando pra sair.

-Tenho que investigar uma coisa na cidade, não se preocupe, vou voltar antes que você perceba.

Dito isso ele a beijou e foi embora.

Tinha se passado dez horas e ele ainda não tinha voltado.

-Onde ele está? – ela perguntou quase chorando.

-Você conhece a figura. – Mika disse tentando acalmá-la. – ele provavelmente perdeu a noção do tempo.

-Mas já vai chegar. – Jenna completou.

-Se ele não chegar antes da meia noite... – Cleo disse segurando o atiçador de brasa. – eu nem sei o que eu vou fazer com ele.

A pobre peça de metal foi torcida cinco vezes e jogada com força no chão. Jenna, Mika e Shiloh trocaram um olhar e engoliram em seco. Era melhor Dan chegar rápido, antes que fosse tarde demais.

Dan tinha mesmo perdido a noção do tempo, ele tinha invadido uma loja e estava hackeando o computador quando por acaso olhou o relógio. Ele arregalou os olhos quando viu a hora e desligou o computador. Ele foi correndo pra fora da loja e já estava em cima do snowmobile quando viu uma coisa interessante em cima do telhado do prédio mais alto.

Era um pontinho cinza e estava se mexendo!

-Mas o quê? – ele perguntou pra si mesmo enquanto apertava os olhos pra ver melhor.

Demorou um pouco pra ele notar que era uma pessoa lá em cima. E parecia que ela queria pular!

Dan praticamente voou na direção do prédio e subiu as escadas como se tivesse um touro bravo atrás dele. Ele estava indo tão rápido que quase atravessou a janela quando parou do lado da pessoa. Era um menino dois anos mais velho que ele, um pouco mais baixo e usava um casaco cinza meio rasgado.

-Quem é você? – ele perguntou ameaçador.

-Calma, meu nome é Daniel. – ele ergueu as mãos mostrando que não ia tentar fazer nada. – qual o seu nome?

-De que importa? – ele deu um passo pro lado e um monte de neve caiu.

-Você não está pensando em pular, está?

-E se eu estiver? Isso não é problema seu!

-É sim. – Dan se sentou e o menino deu mais um passo pra longe. – se você pular eu vou ter que chamar a policia, explicar pra eles o que aconteceu, explicar pra sua família o que aconteceu e, se você não tiver família, eu vou ter que arrumar o seu funeral. Vai acabar com todos os meus planos pro Natal. E o Natal é muito importante pra mim.

-Então vá embora!

-Mas eu já te vi, minha consciência não me deixaria ir embora.

O menino amarrou a cara e se sentou na beira do telhado, o mais longe possível de Dan. Eles ficaram um tempo em silencio e Dan olhou o relógio.

-Mas se você for pular eu acho melhor pular agora. – ele disse casualmente.

-Como assim? – o menino perguntou olhando pra ele como se ele fosse maluco.

-Ainda não é Natal, e ainda vai dar tempo de eu chegar em casa antes de meia noite.

-Por que você quer tanto chegar em casa?

-Bem... é Natal. Sabe? Passar um tempo com a minha família, com os meus amigos... e com a minha namorada.

-Eu nunca tive uma namorada...

-É por isso que você quer pular?

-Não. – o menino relaxou um pouco. – é mais por causa do meu pai.

-O que aconteceu?

-Ele morreu. E eu tô praticamente sem ninguém.

-Sinto muito em ouvir isso. – Dan falou com sinceridade. – eu não consigo imaginar como é perder um pai, mas eu tenho um amigo que perdeu os dois.

-O que aconteceu?

-É complicado. – e era mesmo, como Dan ia disser que Flash e Fogo foram sequestrados, torturados e mortos? Simples, ele não dizia.

-O meu morreu num acidente de carro.

-Vocês eram muito unidos?

-Éramos. Ele sempre ficou de olho em mim depois que a minha mãe morreu.

-O que você acha que ele ia dizer se te visse fazendo uma coisa dessas?

A cara do menino se fechou e ele se afastou mais.

-Eu não preciso de lição de moral. Vai embora! Você está me atrapalhando!

Dan olhou no relógio de novo e uma veia saltou da testa dele. Se as coisas continuassem assim ele ia perder o Natal e Cleo não ia perdoá-lo.

-Olha aqui! Se você quiser se matar eu recomendo que você faça isso outro dia, senão você vai estragar o natal de todo mundo e vão se lembrar de você como o cara que estragou o Natal. É isso que você quer?

-Eu não me importo.

Dan bufou e pegou o celular, não queria ligar pra Claws, mas pelo jeito não ia ter escolha. Mas não foi Claws que atendeu, foi Shiloh.

-Alô?

-Shi! – Dan sussurrou, não queria que o menino ouvisse. – eu preciso da sua ajuda!

-Onde você está? A Cleo vai te matar, e ela tá acabando com os móveis do tio Bruce, a coisa tá feia-

-Shiloh! Vem logo pra cá!

-Tá legal! Onde você está?

Dan disse o endereço e desligou o telefone. O menino tinha se levantado e o sangue de Dan gelou.

-Antes de você pular pode me responder uma coisinha? – ele perguntou disfarçando a urgência da voz.

-Quê? – ele perguntou mal humorado.

-Qual o seu nome? Eu tenho que colocar alguma coisa na sua lápide.

-É Thomas. Thomas Genaro.

Dan viu um vulto voando a toda velocidade e sorriu. Shiloh era mesmo rápida.

-Bem Thomas Genaro. – ele disse se levantando. – te vejo na outra vida.

Thomas respirou fundo e pulou. Shiloh o pegou no ar e Dan desceu feliz da vida. Quando chegou lá em baixo viu um Thomas muito surpreso e uma Shiloh muito brava. Shiloh estava muito bonita, com um vestido rosa mal chegando nos joelhos, ela estava sem nenhum agasalho e sem a máscara. Ela levantou Dan pelo colarinho e o ergueu do chão.

-Posso saber por que esse idiota caiu em cima de mim? E por que você ainda não está no chalé?

Dan ergueu as mãos de novo e tossiu antes de responder:

-Ele queria se matar, e eu não pude dar as costas!

Shiloh amarrou mais a cara e soltou Dan, ele caiu no chão e massageou o pescoço. Thomas olhava pra Shiloh fascinado.

-Eu morri mesmo? – ele perguntou pra ninguém em especial. – eu nem senti nada! E quem diria que eu fui pro céu...

Shiloh ergueu uma sobrancelha e Dan riu.

-Ele acha que você é um anjo, Shi. – ele explicou.

Porém Shiloh não estava de bom humor. Ela deu um soco em Thomas e ele caiu pesadamente na neve.

-Agora escute aqui, seja lá quem você for, suicídio é coisa pra covardes. E eu não me interesso por covardes. Eu não quero saber de você em cima de prédios de novo e da próxima vez que você quiser fazer uma burrada dessa pensa no que eu tô dizendo. Porque se você tentar se matar de novo e não conseguir eu mesma vou te matar. Entendeu?

-Entendi. – ele disse ainda caído na neve.

Shiloh pegou Dan de novo, mas dessa vez foi pela mão e voou de volta pro chalé.

-Meu snowmobile! – Dan choramingou.

-Até parece que alguém vai querer roubar aquela lata velha.

Eles chegaram e Shiloh limpou a neve de Dan antes de empurra-lo pra dentro. Cleo veio pra cima dele como um anjo vingador.

-Onde você estava?

-É uma longa história. – Cleo fez cara de choro e Dan abriu um sorriso. – mas o importante é que eu estou aqui, né? E eu não esqueci o seu presente.

Ele tirou do bolso uma caixinha de veludo. Lá dentro tinha um lindo anel de prata com um pequeno diamante rosa.

-São raros, sabia? – ele perguntou enquanto colocava o anel no dedo dela. – iguais a você.

Cleo olhou pra mão segurando as lágrimas e pulou em cima de Dan. Ele a segurou e os dois se beijaram. Jenna, Claws, Nathan e Mika começaram a aplaudir e Shiloh, que estava mais longe sorriu.

-O que aconteceu? – Willy perguntou do lado dela.

-É uma longa história. – ela repetiu a resposta de Dan.

-Bem, pelo menos você ajudou Dan a chegar. – Willy parou de falar e olhou pra cima.

Shiloh seguiu o olhar dele e viu. Pendurado no teto estava o visco de natal. Ela desviou o olhar tentando manter a calma e Willy sorriu enquanto se inclinava na direção dela. Ele a beijou na bochecha e apesar de não conseguir ver sabia que ela estava corada.

-Feliz Natal, Shiloh. – ele sussurrou no ouvido dela.

Quando ela se virou de novo ele já tinha se afastado pra conversar com Nathan. Shiloh tocou a bochecha e deu um pequeno e tímido sorriso.

Eu sei que a gente passou do Natal e eu tô muito atrasada, mas o que vocês esperavam? Muita coisa aconteceu! Veio as férias, depois o meu cachorro morreu e então veio um monte de coisa da escola pra fazer e depois eu ganhei um filhote e depois ela ficou doente e depois eu fiquei soterrada de dever de novo e só agora eu tive tempo e criatividade pra escrever sobre esse pessoal.

Não ficou muito bom, mas eu gostei do final e eu espero que vocês também tenham gostado.

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