Sempre muito obrigada pelos reviews.

Acho importante dizer que essa história está apenas no começo e vai ganhar um estilo muito mais 'abrangente' em breve. As brigas atuais são apenas base.

Também é importante dizer que o ponto de vista não vai ser sempre do Albus : )

Cap. 4 - Perguntas em silêncio

Depois do ocorrido, Albus e James não se cruzaram mais, nem pelos corredores, já que o mais novo estava tentando explicar aos amigos como se fazia o feitiço Expulso, que lera naquele mesmo livro sem capa. Alegremente, diga-se de passagem.

Talvez por isso ele tenha entendido o que era ser um Sonserino. Aquele mesmo feitiço, se soltado por um Grifinório, causaria repulsa, exclusão. Era violento e só aprendido após o quinto ou sexto ano. E não servia pra demonstrações aleatórias de força. Mas na Sonserina aquilo era conhecimento extremamente útil e admirado. Então Albus se sentia verdadeiramente bem dentro daquela gravata verde.

Mas o garoto sentiu a espinha gelar uma vez mais assim que o correio chegou. Como era de se esperar, sua coruja, denominada Fawkes, depositou um envelope à sua frente. A coruja de James fez o mesmo.

Quase tremendo – e se aguentando pra não dar a perceber – abriu a carta.

"Filho,

Parece que a Sonserina ganhou um ótimo aluno. Estou orgulhoso de você, e espero que honre e seja honrado pela sua casa. E nada me deixa mais feliz que sua amizade com o filho de Draco Malfoy, já que este foi o único amigo que não consegui fazer em Hogwarts. Você não precisa viver minha vida, está agora tendo a chance de viver o que eu não vivi, e ser grande de formas que não fui.

Sua mãe está ansiosa em receber uma carta sua. Então trate de escrever para mim e para ela, mas não conte que eu que pedi, ok?

Com amor,

Do seu pai."

Albus releu algumas vezes, sorrindo, sem nem perceber. Todo o peso de ser filho de Harry Potter sumia vagarosamente. E ficou ainda mais feliz ao perceber que James não gostara nada da carta que recebera. Tinha sido ele – e Albus apostava a vida nisso – que mandara uma carta aos pais pra contar que tinha ido pra Sonserina, na esperança de ver decepção.

Ainda naquele dia, Albus finalmente reencontrou Rose. Estavam ele e Scorpio indo para a primeira aula de História da Magia quando avistaram a garota em suas vestes grifinórias.

- Al! Achei que não ia mais te ver! – ela protestou, dando um tapa leve em seu ombro. – Ah, oi, Scorpio.

O menino loiro se encolheu. Rose ainda lhe causava arrepios de medo. Algo naquele tom de voz lhe transmitia ameaças. Parecia que se um dia não tivesse Albus por perto, acabaria sendo socado ou transformado numa doninha pela garota.

- Você não apareceu no almoço. – Lembrou Albus. – Perdeu uma briga e tanto.

- Briga? Quem brigou?

- Eu e James. Ele não consegue aceitar que eu seja Sonserino.

- Vocês brigaram? Al, na Grifinória, estão todos te chamando de Snape, sabia? Podia não piorar as coisas.

- Deixe que chamem. Qual o problema? Não vejo como um insulto. E não sou eu quem está piorando tudo.

- Um sonserino nunca deixa uma ofensa impune! – disse Scorpio, levantando o queixo pontudo de orgulho, só até se encolher de novo após o olhar de desprezo de Rose. – Foi bastante humilhante, o Potter o empurrou, sem nem usar magia nem nada.

Agressões físicas, no mundo mágico, são coisas muito raras. A maioria dos bruxos a considerava ainda mais humilhante. É como se dissesse "não preciso usar magia pra te derrubar".

- Al, você devia tentar entender. Snape foi um herói, ok. Mas não sempre. Se juntou aos comensais assim que saiu do colégio, e teve tendências a magia negra desde antes de Hogwarts.

- E o que o fez voltar atrás?

Rose deu de ombros. O amor de Snape por Lily só era assunto conhecido por Harry e mais ninguém.

Subitamente atingido pela dúvida, Albus percebeu que sempre achou que Snape havia fingido o tempo todo, mas agora isso não fazia sentido em ponto algum. Por que se fingir mau nos tempos de Hogwarts? Snape havia sido mau sim, e algo o fez voltar atrás. Decidiu que ia perguntar aos pais sobre o assunto.

- Ahn, Al? O quão ruim foi sua briga com James? – perguntou Rose, apreensiva.

- Por que?

- Porque McGonagall está vindo aí. – respondeu, apontando para algum lugar atrás de Albus – E não parece feliz.

Albus e Scorpio giraram nos calcanhares apenas para verem a diretora caminhando até eles tão rápido quanto possível.

- Dois dias nessa escola – lamentou Albus – e dois dias na diretoria.

A diretora parou na frente deles. O rosto amável que o garoto conhecera havia desaparecido e fora substituído pelo que trouxas chamam de bruxa. Ficou encarando Albus pra deixar clara sua irritação e só então falou alguma coisa.

- Mr. Potter, quero o senhor na minha sala imediatamente, enquanto vou a procura do seu irmão.

Albus fez que sim, de ombros baixos, quase irritado. Então deu as costas aos amigos e rumou para a sala da diretora. Ele sabia que ela ia demorar muito tempo pra voltar. Há algum tempo o irmão o convencera a ajuda-lo a pegar um mapa que ficava no escritório do pai, enquanto o mesmo estava na Escócia, caçando um bruxo das trevas. Para Albus aquilo não significava nada, então contentou-se com balas que James trouxera de Hogsmade no ano seguinte. "O mapa do maroto", era o que estava escrito ali. Lembrava-se de ter visto James passar horas tentando revelar o segredo daquilo. E Albus não chegou a descobrir como o irmão finalmente conseguira e como aquilo o ajudara a ir a Hogsmade sem ter idade suficiente. Não até espreitar usando a capa de invisibilidade do pai enquanto o irmão observava o castelo de Hogwarts e todas as pessoas que nele caminhavam. Então para James, fugir de Minerva era relativamente fácil, já que ele sabia onde ela estava o tempo todo.

A capa de invisibilidade era, aliás, outro artefato que o pai possuía e não deixava os filhos chegarem perto. Mas o tempo que Harry passava em outros países ajudava a passar por isso.

Albus se viu sozinho no escritório dessa vez. Os quadros dos diretores o observaram. O de Niggelus Black, em especial, soltou um muxoxo de desaprovação. Não se lembrava de tê-lo visto anteriormente. Devia estar em outro lugar.

- O garoto Potter andou aprontando já então. – disse o ex-diretor Niggelus – Mas que vergonha ter um mestiço em nossa digníssima casa, não é a toa que já está enrascado. Nos meus tempos nós o penduraríamos de cabeça pra baixo nas masmorras.

- Nos seus tempos os alunos o temiam demais e o respeitavam muito pouco. – disse o quadro de Dumbledore, com a voz branda e acalentadora.

Alvo deu por si olhando em todos os quadros dali. Em todos, os ex diretores conversavam, encaravam, ou fingiam que não existia. Só havia uma pintura sem ninguém, com seu fundo amarronzado espalhado pelo quadro todo, sem sinal do seu dono.

- Onde está Snape? – perguntou ao quadro de Dumbledore.

- Eu diria que está tomando um chá no quadro da bruxa da estalajadeira, mas seria apenas uma suposição. – respondeu o quadro. – Porém, se disser que tem algo a dizer a ele, posso chama-lo.

- Eu não… - Albus percebeu-se com medo, pois a experiência anterior com aquele quadro lhe dizia que não seria paciente ou amável e provavelmente não gostaria de ser chamado por um garoto que admirava o homem nele. – eu não tenho nada a dizer.

- Entendo. Talvez você esteja mais interessado em ouvir.

- Ouvir?

- Você tem perguntas. – afirmou Dumbledore – Perguntas que receia que seu pai não lhe vá responder.

Albus baixou a cabeça e olhou novamente para o quadro de Snape. Assustou-se quando viu o Sonserino nele, encarando-o com desdém.

- Porém, - disse Dumbledore, chamando sua atenção novamente – receio que o professor Snape não goste de partilhar essas respostas que procura.

O quadro de Snape olhou na direção do de Dumbledore, quase acusando-o. Então voltou-se novamente ao menino. E com uma voz que parecia apenas forjada pra manter o desprezo, começou a falar.

- Por que voltou à diretoria?

O menino respirou fundo. Suas mãos suavam frio.

- Briguei com meu irmão.

- Severus e James brigando. – disse Dumbledore, quase nostálgico – É uma ironia, não é, Severus?

Albus não soube dizer se o quadro falava com ele ou com a outra pintura. Mas a julgar pelo olhar de Snape, aquela frase fora dirigida a ele.

- Aquele menino, James, é a escória dos Potter. – disse Snape, com nojo na voz – Orgulhoso da fama que o pai lhe trouxe, ignorante. Não conseguiria usar o feitiço Vera Verto nem se sua vida dependesse disso.

- Diga-me, Albus Severus. – disse Dumbledore – Por que brigaram?

- James está furioso porque entrei na Sonserina. Disse que eu vou ser mau. Me derrubou na frente de todos. Disse que eu não puxei ao meu pai, que não sabe a quem puxei.

- E o que você pensa disso?

- Penso que quanto mais diferente de meu pai eu for, melhor. – assumiu – Me orgulho do meu pai. Mas ele é ele e eu sou eu. Enquanto não me libertar da alcunha de filho do eleito, serei sempre a sombra de alguém.

Albus pensou ter visto o quadro de Snape lhe dar um levíssimo sorriso.

- Mas agora estou enrascado. – disse Albus. – Usei um feitiço que não devia. Meu irmão certamente vai usá-lo pra me culpar.

- Feitiço?

- Eu usei Expulso numa cadeira. Tinha aprendido isso há um tempo, num livro que achei no Beco Diagonal há dois anos.

- E posso lhe perguntar… - Snape pareceu deveras interessado naquilo – com que varinha treinou este feitiço?

- Com a da minha mãe. – explicou Albus, envergonhado – Foi o único que tentei, os demais eu só li, juro! Não achei que ia funcionar porque não tinha varinha naquela época, então tentei apenas pra brincar. Deu certo. Mas nunca mais tentei.

Dumbledore sorrira. Snape também, porém de uma forma mais irônica e gélida.

- Da próxima vez que tentar – disse Snape – lembre-se de mirar em James.

Naquele momento, uma McGonagall furiosa entrou pelo aposento. Seu irmão não a acompanhava, então imaginou que fosse aquele o motivo de toda a raiva.

- Ele não pode se esconder pra sempre. – disse ela. – Tem que frequentar aulas, então logo eu vou dar a ele a punição que merece.

Albus engoliu em seco.

- E você, menino. – ela disse – Foi relatado a mim que você…

- Perdão, Minerva. – disse Dumbledore, interrompendo-a – Mas creio que já ouvimos a história desse garoto.

Ela olhou para os dois quadros ruborizada pela interrupção.

- Ele precisa ser punido, Albus.

- Usou o feitiço Expulso numa cadeira. Deveríamos punir um aluno do primeiro ano por ser tão brilhante quando o Sonserino que lhe originou o nome?

Snape, Minerva e Albus calaram-se.

- Tem… tem razão, professor. – disse Minerva, não muito certa daquilo. – Senhor Potter, está liberado.

Albus sorriu imensamente e saiu da sala correndo.

- Ouvi dizer do quadro da mulher gorda que o estão chamando de Snape na Grifinória. – disse Dumbledore, olhando para o quadro de Snape – Ele tem os olhos dela, percebeu?

Num suspiro de irritação, a pintura rolou os olhos e se retirou.

Prévia do próximo cap.

- Vai tentar entrar no time, Snape? Eu não faria isso, se tivesse amor pelas minhas costelas. – ameaçou James.

Albus se levantou. Olhou no fundo dos olhos do irmão e foi até o papel de inscrição. Num movimento do punho, assinou o nome com a varinha.

- Veremos, James.