Okay, milhões de obrigados pelos reviews, pessoas! Amo vocês.

Acho que vocês vão odiar o James cada vez mais com o tempo. Preparei algumas coisas meio sérias pra ele, num futuro próximo.

Vamos ver como vocês reagem...

Cap. 5 – Firebolt 5

James simplesmente não desistiu de torturar o irmão.

Porém resolveu que o faria com mais cuidado, já que o incidente no almoço causou-lhe uma bronca fenomenal da diretora. E Albus sabia disso. Sabia que, contanto que houvessem testemunhas ao redor, James não faria nada. Então estava sempre acompanhado de Rose e Scorpio, que, após dois meses, haviam se tornado amigos inseparáveis. Ainda que Rose já fosse sua prima e estivessem mais do que acostumados a passar muito tempo juntos. Em Hogwarts eles descobriram uma amizade verdadeira. E Scorpio ainda tinha medo da garota, enquanto ela continuava lançando olhares que congelavam a alma. Apesar das brigas, os dois se toleravam em nome de Albus.

E algo que o garoto logo descobrira é que o irmão levava mesmo a sério a história de se aproveitar da fama dos pais. Era o garoto mais popular do colégio, e não era apenas o irmão que ele importunava. Ia pra diretoria toda semana, viera a descobrir. Os pais não faziam ideia disso.

E dois meses após o início das aulas, algumas coisas estavam claras:

Albus era exclusivamente bom em poções, e fazia parte do clube da fama de Slughorn. Não por um dom nato ou algo assim. Por mero interesse.

Também era ótimo em duelos, por já conhecer a maioria dos feitiços que os companheiros ainda aprendiam.

Ele e Scorpio passavam horas na biblioteca, no período que Rose estava em aula. Os dois liam incansavelmente os livros mais empoeirados que lá havia. Achavam divertido tentar, sem que ninguém soubesse, os mais negros feitiços.

Numa tarde de sexta-feira, após as aulas, Scorpio, Rose e Albus iam até o pátio quando viram um acúmulo de pessoas amontoadas num corredor, olhando para a parede. Pequenos, os dois se esgueiraram para passar pelos alunos e chegar à parede onde quatro cartazes estavam colados.

"Seleção de novos jogadores para os times de quadribol"

E havia um para cada casa de Hogwarts, indicando as vagas abertas.

Para a Sonserina, apanhador, goleiro e batedor.

Paga a Grifinória, goleiro e apanhador.

Para as demais, precisavam de todos, menos de apanhador.

- Vou tentar pra batedor. – disse Scorpio. – Sempre quis. – E você?

Albus observou o irmão escrevendo o nome na lista de pessoas que tentariam, a alguns metros de onde estavam. Suspirou, resignado.

- Não vou tentar pra nada. – disse, e afastou-se da multidão para se sentar numa mureta.

Rose foi a primeira a segui-lo. Scorpio escrevera seu nome e só então foi até ele.

- Por que não vai tentar pra nada? Não sabe jogar? – perguntou Scorpio.

- Se eu sei jogar? – Albus deu uma leve risada de escárnio. Rose o acompanhou no riso. Ela sabia tudo que o garoto diria em seguida. – Se você for até a sala de troféus, vai ver que tem uma porção com o nome Potter. Meu pai foi o apanhador mais jovem do século. Minha mãe jogou pelas Harpias durante vários anos e só parou por estar grávida. Nós temos um pequeno campo de quadribol em casa e meus pais nos ensinaram a jogar aos três anos, em pequenas vassouras. Quando eu e James fomos até o Beco Diagonal comprar nossos materiais pra Hogwarts, recebemos uma vassoura Firebolt 5, e Lily vai ganhar a dela também, tão logo complete onze anos. Consigo perseguir um pomo desde os cinco anos.

- Então por que diabos não vai se inscrever pra nada? – perguntou Scorpio.

Foi Rose quem respondeu por ele.

- Porque sempre que ele joga, acaba com um osso quebrado.

- Só quando é contra o meu irmão. Às vezes até a favor. – resmungou Albus. – Ele é batedor. Só que as vezes me confunde com os balaços.

- E você não vai jogar por medo do seu irmão? – disse Scorpio, inconformado.

- Ele faz isso perto dos meus pais, quando estamos numa boa, o que vai fazer num jogo oficial de Grifinória contra Sonserina sem ninguém pra repreendê-lo?

- É só não deixa-lo te pegar. É um jogo oficial, quem disse que ele vai conseguir se preocupar tanto em te bater enquanto tem um jogo acontecendo? E nem sabemos se ele vai passar no teste.

- Ele vai. – afirmou Albus – Não tenha dúvidas. James consegue fazer um balaço passar pelos aros de gols.

- Todos eles. – completou Rose, rindo. Já tinha jogado contra os irmãos. – Mas Al consegue pegar um pomo numa chuva de granizo.

- Bem, eu acho que é sua chance de humilhá-lo. Quem sabe ele não pare de te encher depois.

Os três pararam de conversar quando um grifinório que passava por ali olhou para Albus e correu até James. Disse algo em seu ouvido que fez o garoto se virar e finalmente avistar o irmão.

- Vai tentar entrar no time, Snape? Eu não faria isso, se tivesse amor pelas minhas costelas. – ameaçou James.

Albus se levantou. Olhou no fundo dos olhos do irmão e foi até o papel de inscrição. Num movimento do punho, assinou o nome com a varinha.

- Veremos, James.

Os testes da Sonserina seriam logo no dia seguinte. O menino ficou impressionado pela quantidade de pessoas que ali estavam. Outros cinco tentavam a posição de apanhadores, e o encaravam com raiva e receio. Albus era um Potter, e nenhum Potter havia deixado de participar do time de quadribol. E, de qualquer forma, o garoto era o único no campo com uma Firebolt 5. O 5, aliás, era muito prático. Aceleração cinco vezes maior que uma Firebolt comum.

Segundo Ewan Grenadwin, o capitão do time – um loiro alto e incrivelmente assustador – tudo ficaria mais divertido se eles fossem treinados da seguinte forma:

Goleiros, que eram seis candidatos, iam de dois em dois, um de cada lado. Após três gols sofridos, o perdedor sairia e o vencedor enfrentaria o próximo, e assim por diante.

Batedores iam todos juntos, e mais 4 balaços seriam soltos. Seriam avaliados pelo número de jogadores que conseguiram evitar de serem atingidos e de jogadores atingidos no time adversário – o que contava mais pontos. Para o medo total de Albus, quem acertasse um apanhador cinco vezes seguidas, seria automaticamente selecionado.

E quanto a apanhadores, todos os cinco iam ao mesmo tempo. Pode-se dizer que aquele que pegasse o pomo seria um ótimo apanhador, pois enfrentara outros quatro concorrentes.

Albus levantou voo em grande velocidade. Sua vassoura era capaz de realizar manobras em velocidades altíssimas. Com um pequeno gesto de mãos ela fazia uma curva perto de noventa graus. Os dez segundos que a Firebolt comum levava pra atingir 240km/h foram superados pelos dois segundos incontroláveis da Firebolt 5. Velocidade máxima de insuperáveis 350km/h, ainda que apenas alguns poucos ousassem chegar a tanto. O gramado era apenas um borrão, tal como as arquibancadas e os jogadores. Havia dois apoiadores de pés perto das cerdas, reforçados, para que o ousado jogador que tentasse usar de todo seu poder tivesse um mínimo de segurança, ainda que muitos acidentes continuassem acontecendo nas ligas internacionais. Não obstante, quando Albus voava exatamente na horizontal, tinha certeza de que jamais cairia: seus pés colavam nos apoiadores devido à aceleração que lhe dava até náusea. Era nas curvas que tudo que aprendera com os pais tinha de ser usado. Ousar de todo o poder de malabarismo da vassoura era suicídio: sair pela tangente era tão fácil quanto contar até dois enquanto ela atingia 240km/h. Era preciso deitar o corpo e confiar nas leis da física. Era muito parecido com dirigir uma moto. Nas curvas, deita-se o corpo na direção da curva, de modo que o peso estará inteiro sobre a vassoura, e não fora dela. Mas tudo isso tinha que ser muito rápido.

Então, no fim, os demais que usavam Nimbus 2001 ou 2000 não podiam reclamar que Albus levava vantagem com a vassoura. Nenhum deles seria capaz de voar numa Firebolt 5.

O pomo demorou muito tempo para ser avistado, e não foi Albus quem o fez. Estava preocupado demais fugindo de dois balaços lançados contra ele ao mesmo tempo. Mas quando viu dois apanhadores indo na mesma direção, rumou cegamente. Não seguindo-os, mas na direção oposta, dando a volta no campo, passando tão rápido pela arquibancada e tão perto do chão que quem assistia ficou sem ar ao vê-lo passar, e seus pés levantaram areia da borda do campo.

Quando finalmente viu o pomo, este vinha em sua direção, fugindo dos outros dois apanhadores. Um quarto se juntou ao grupo vindo ao lado de Albus quando este abaixou a velocidade para enxergar o pomo.

Eram dois de cada lado e a dupla de Albus claramente chegaria primeiro.

Ele e o menino ao lado, ombro a ombro, começaram a se bater. Albus jogava a vassoura contra ele e vice versa. Até que, mesmo que o pomo ainda viesse em suas direções, Albus guinou para a direita e sumiu de vista dos demais. O quinto apanhador então o substituiu na briga.

Albus deu a volta numa arquibancada e não podia mais ser visto. Então subiu dez, quinze, vinte metros. Os joelhos dobrando com a velocidade insuperável da vassoura. Deitou o corpo. Ficou pendurado do lado de baixo do cabo e executou uma curva em forma de arco. Estava subindo, e agora estava descendo.

Os quatro apanhadores que estavam prestes a pegar o pomo tiveram de desviar repentinamente quando viram que os dois grupos iam se chocar. Um deles ainda tentou ousar mais e pegar o pomo, mas batera violentamente contra o garoto que ia na direção contrária quando o pomo mudou de direção num assovio. Ele subira, em direção a Albus, que já estava perto demais para que a bolinha virasse de novo. O pomo era seu.

Quando pousou, olhou para Scorpio, que acabara de acertar o goleiro com um balaço. Assim que se viu mais livre, o Malfoy bateu palmas, plainando sobre sua vassoura. Albus agradeceu com um aceno de cabeça e o loiro voltou a buscar mais alvos.

No fim, ambos foram selecionados, e comemoraram com Rose e muitos doces que pegaram da mesa de café da manhã e levaram até o lado de fora do castelo.

- Al foi incrível! – exasperou-se Scorpio – Os quatro voando na direção do pomo e – ele começou a correr em círculos, imitando o movimento da vassoura – ele deu a volta na arquibancada – ergueu a mão girando-a no ar, tentando mostrar a manobra executada por Albus – e o pomo fugiu dos quatro e parou na mão do Al. – agarrou uma bala de alcaçuz como se fosse um pomo. – Foi perfeito. Estão dizendo que você prevê o movimento dos pomos.

- O pomo não se deixa pegar. – disse Albus. – Se ele tiver pra onde fugir, ele vai fugir. E só dava pra ir pra cima. Estavam muito perto do chão.

- Bom, parabéns pros dois. – disse Rose – Estão de parabéns.

- Eu vou enfiar um balaço na boca do seu irmão, Al! – prometeu o Malfoy.

- James é mais velho e mais forte que você. – disse Rose, com desdém. – Ele vai mandar de volta todos os balaços que lançar.

- Então vou ter que acertá-lo com o próprio taco. – riu Malfoy.

Os dois o acompanharam no riso, e continuaram rindo enquanto Scorpio usava uma caneca de suco de abóbora pra imitar o movimento do taco e como derrubaria James. Foi isso até que eles se interromperam quando um grupo de meninas da Grifinória passou por eles.

- Rose? O que faz aqui com esses Sonserinos?

A menina ruiva engoliu a fala.

- Não são boa companhia pra você. – disse uma delas. – Venha conosco, vai estar melhor.

- Al é meu primo. – defendeu-se Rose – Eu sempre estive com ele.

- Mas agora ele é um Sonserino. Não é gente com que se ande. – advertiu uma delas. Era aluna do terceiro ano, como James. – Eles são comensais.

Ser chamado de comensal havia se tornado ofensa quase tão grande quanto 'Sangue-ruim'. Não tão pejorativo, mas também não era algo que se dissesse numa conversa civilizada. Isso porque os comensais que sobraram não se orgulham do que foram. Os que ainda estavam vivos, os que fugiram, eram criminosos de baixo escalão, que apenas se uniram a Voldemort pra não serem mortos. E estes, hoje em dia, negaram seu passado pra proteger a própria vida novamente. E se um comensal tem vergonha de ser um comensal, pode-se dizer que aqueles que estavam na casa que mais originou comensais não gostavam de ser chamados por esse nome. Era ruim para os que efetivamente haviam sido, que dirá para os que nem tinham nascido na época.

- Comensais? Quem você está chamando de comensal! – bradou Scorpio, brandinho sua varinha na direção das meninas.

- Seu pai e seu avô foram. A semente não foge à árvore. – disse a menina, em tom de escárnio.

- Pois os meus não, e ainda sou Sonserino. – disse Albus.

-Ninguém falou com você, Snape.

Rose entrou no meio das varinhas que se ameaçavam.

- Ninguém aqui é comensal. Voldemort está morto há muito tempo!

- Todo mundo sabe que esses dois vivem estudando magia negra. Todo mal deve ser eliminado.

A ideia de que um simples estudante havia derrotado o maior bruxo que já existira criara em todos da Grifinória um sentimento de heroísmo, um fardo de que precisavam ser tão bravos quanto a geração de Harry Potter. O único problema é que não havia mal algum a ser combatido.

- Conheça o mal – disse Albus, com os olho fixos na menina – e só então lute contra ele.

- Depois de conhecê-lo pode ser tarde demais. – a frase saiu em tom de ameaça.

- Só para os fracos.

- Só para os Sonserinos. – rebateu ela.

- Apresente um Grifinório que tenha conhecido o mal e retornado, e eu lhe apresentarei Severus Snape.

Eles viram a menina cerrar os olhos frios na direção de Albus, que se mantinha calmo, porém em posição de defesa. Após alguns segundos, ela deu as costas e partiu. As outras a seguiram.

- Vocês estão estudando magia negra? – perguntou Rose depois do ocorrido – Nunca me falaram nada disso.

Albus e Scorpio se entreolharam. Como explicar?

- Não é magia negra. – afirmou Albus – Nós apenas estudamos essas coisas que foram tiradas do currículo depois da segunda guerra.

- Magia negra. – repetiu Rose.

- Claro que não! – bradou Scorpio – Eram ensinadas antes da guerra!

- São magias que foram usadas na guerra contra seu próprio pai, Al! – disse Rose.

- E se houver outro? – perguntou Al – E se no futuro aparecer outro como Voldemort, usando essas mesmas magias contra nós novamente? Nenhum bruxo da nossa geração saberia se defender de uma maldição imperdoável, só porque nunca aprendeu nada sobre elas. Ou saber sobre os basiliscos. Meu pai matou um aos doze anos, por que eles foram tirados dos livros?

- Pra não incitar Sonserinos a criar um novamente. – respondeu Rose, mais fria que uma pedra.

- Ah, claro. – zombou Scorpio – Vou ali criar um Basilisco e já volto. Inimigos dos Malfoy, cuidado. – e soltou uma risada.

- Vocês não sabem com o que estão mexendo. Zombam das artes das trevas até que elas te peguem. – preveniu Rose.

- As artes das trevas foram pro saco! – disse Scorpius – E tolo é quem não acredita nisso.

- Não há bruxos das trevas que se ponham contra meu pai. – disse Albus – Eles fogem como baratas. – afirmou – Então pode ficar tranquila, Rose. Magias das trevas hoje em dia são como vassouras não mágicas.

- Existem, mas ninguém usa. – disse Scorpio rindo.

Scorpio e Albus estavam certos em muitos pontos. A magia das trevas estava quase obsoleta naqueles tempos. Isso porque todos os bruxos maus o suficiente para usá-la tremiam só de pensar num duelo contra o maior auror vivo: Harry Potter.

Mas isso só era verdade até que nascesse alguém sem medo de enfrentar este auror. Alguém que Harry Potter temesse enfrentar.

Mas como o futuro não pertence a ninguém exceto a Trelawney – e ela estava aposentada há muito – e ao chapéu seletor, Albus e Scorpios estavam plenamente certos naquele dia.

Naquele dia.

Prévia do próximo cap:

- Pai? – após ter a atenção desejada, continuou – Por que Snape voltou atrás na decisão de ser um comensal?

O resto da mesa – principalmente o lado dos adultos – parou de comer lentamente. Fez-se um silêncio estranho. Lily Luna e Hugo, os mais novos, ficaram perdidos, olhando para os lados, sem entender. Ouviram as corujas das crianças piarem no andar de cima, evidenciando o silêncio. Hermione e Rony se entreolharam.

Ninguém. Ninguém naquela mesa, exceto Harry, sabia da história.

Ah, galera, um aviso!

Em breve teremos algo muito mais profundo sobre o Snape do que meramente seu quadro.