Então, acho que alguém vai ficar 'parcialmente' decepcionado. Me pediram pro Scorpio ir pra mansão dos Potter, mas disseram que talvez fosse um pouco cedo. Bem, isso já estava escrito há tempo demais pra eu mudar, então sorry : )

Cap. 6 – O novo Golden trio

Os jogos de Quadribol estavam todos marcados para depois das férias de inverno. Albus e James iam ambos voltar pra casa naquele ano.

Na cabine do trem, Albus, Scorpio e Rose sentaram-se juntos. No meio de Novembro, Albus havia mandado uma coruja aos pais, pedindo que o amigo pudesse ir passar parte das férias em sua casa. A reação de Harry e Ginny fora muito mais acolhedora que a do pai de Scorpio. Mas no fim, as duas famílias concordaram. Como já era habitual, Rose passava quase todos os dias na casa dos primos, junto a Hugo, Teddy e sua namorada Victoria (filha de Fleur e Gui), Fred e Roxanne (filhos de George e Angelina Johnson), James e Lily Luna. A casa dos Potter ficava cheia a maior parte das férias escolares, e antes que as crianças fossem a Hogwarts, ficavam lá o ano todo.

Não só as crianças, mas os pais adoravam se encontrar. Hermione e Ron eram as visitas mais frequentes, mas a família Weasley toda acontecia de ficar por lá. E quando combinavam de chamar a geração toda de heróis – como dizia George – a casa chegava a comportar vinte e uma pessoas. Scorpio seria o vigésimo segundo participante das tardes de almoço exageradamente animadas.

George era certamente o responsável pelas maiores risadas. Após dezenove anos, o adolescente brincalhão se transformara num homem igualmente engraçado. O comércio na loja de brincadeiras Weasleys' Wizard Wheezes continuava vendendo tão bem quanto quando abriu, proporcionando à sua família uma vida muito mais tranquila do que aquela em que cresceu. Certamente que seus filhos não precisavam de livros e roupas de segunda mão. Mas Harry era capaz de perceber uma tristeza imortal nos olhos de George, sempre que passava perto de um espelho. A falta de uma orelha era causa de uma dor imensa: não podia ver seu irmão. Não podia ver aquele que tanto lhe fazia falta nem tendo sido idêntico a ele, pois quando olhava no espelho o que via era um ruivo sem uma orelha. E este não era Fred. Só ele mesmo.

Fred II, por outro lado, mesmo tendo apenas dez anos, era dotado do mesmo humor que o tio que nunca conhecera. E agora era com o filho que Goerge completava frases e dava apelidos aos demais.

Harry achou estranho que os filhos tenham parado de se falar. Mas julgou que fosse graças à rivalidade entre a Sonserina e a Grifinória. Principalmente agora que os dois faziam parte do time de Quadribol. Estava orgulhoso de ambos, mas preocupado. Sabia que James não toleraria perder para o irmão mais novo. Era assim dentro de casa, orgulhoso, sempre preocupado em ser o melhor nos jogos mais inocentes. Enquanto Albus era simplesmente tolerante, e parecia guardar a raiva passageiramente dentro de si, sempre que caía e quebrava o braço pela quinta vez no mês, graças a um balaço mandado pelo irmão.

Mas naquele sábado de natal, com o frio cortando o ar lá fora, e uma agradável lareira acessa na grande casa – escolhida pra abrigar toda a família e amigos de uma só vez – Harry simplesmente observava a amizade de Albus e Rose com Scorpio. Os três eram tão amigos quanto ele fora de Hermione e Rony.

- Eu mando ela bater no garoto e olha o que acontece. – disse Ron ao reparar que o amigo observava as três crianças.

- São como nós, Ron. – disse Harry, um tanto quanto emocionado.

Hermione aproximou-se dos dois amigos na sala de jantar e abraçou o marido.

- Se forem mesmo como nós, Scorpio e Rose podem se casar.

- Bloody hell! – disse Ron, afastando-se se Hermione – Não! E o filho ia chamar o quê? Lagarto? Iguana? Cobra?

- Qualquer coisa rastejante e peçonhenta. – riu Harry, e Hermione o acompanhou.

- Eles parecem só estarem juntos porque ambos são amigos de Albus. – disse Ron, defendendo-se.- Rose e Scorpio brigam o tempo todo, eu vi.

- É. – riu Harry – Nada a ver com vocês dois.

- Ah, cala a boca, Harry. – bufou Ron, dando um soco amigável no amigo.

Alguns segundos depois, os três ouviram Molly gritar da cozinha.

- Harry, Ginny, Hermione, Ron, Teddy, Victoria… ora, não me façam chamar todos pelo nome! Criaturas viventes nessa casa, venham comer!

- Fantasmas são proibidos! – berrou George em seguida.

Aos poucos, todos os vinte e dois bruxos foram se arrumando na grande sala de jantar, com cadeiras reserva – para o caso de alguém resolver ter mais filhos, dissera Ginny na época. A comida flutuou da cozinha para a mesa com um feitiço simples de Molly, pouco depois dela ter se sentado ao lado do marido.

Era um tipo de tradição. Os adultos sentavam de um lado, e as crianças do outro. Teddy, naquele ano, sentava-se ao lado dos adultos. Era seu último ano em Hogwarts, aos dezoito anos. Isso porque ele se recusara a ir para o lugar onde seus pais morreram. Mas depois que Harry lhe contou tudo sobre o heroísmo dos dois, Ted se sentiu envergonhado do medo e acabou indo para a escola como todos os demais, aos doze anos.

Victoire, por ser sua namorada, sentou-se ao seu lado. Ela tinha dezesseis anos, quase dezessete, e era filha de Gui e Fleur. Como sua mãe, nascera bonita o suficiente pra chamar a atenção da maioria dos homens. Estava, junto a Teddy, no último ano da escola.

James costumava sentar ao lado de Albus, mas agora o garoto estava no meio de Scorpio e Rose. James sentara-se perto de Lily, de frente pra Teddy, ao lado de Fred e Roxanne.

- Vamos todos comemorar que os filhos de Harry e Ginny tenham ambos entrado no time de quadribol! – disse Molly.

- Com os pais que tem, eu desconfiaria se não fossem pro time. – disse George.

- Vamos comemorar também pela seleção de Rose para a Grifinória, mantendo-a parte da família. – riu Ron, lembrando da promessa de deserda-la se fosse pra Sonserina.

- E de Albus pra Sonserina – disse Harry -, pra provar que alguém nessa família tem que ser bom em ser cauteloso antes de sair gritando feitiços.

Albus sorriu, olhando para o pai, e ignorou completamente quando James virou os olhos, achando aquilo ridículo.

- E também a presença de Scorpio Malfoy. – continuou Harry – Que…

- É muito mais legal que o pai! – interrompeu Rony, sendo alvo de um chute de Hermione – E que nunca vai se casar com a minha filha. – outro chute e ele grasnou de dor.

Scorpio olhou para Rose e os dois fizeram cara de nojo com a possiblidade.

- Se me permitem, - disse Teddy – gostaria de comemorar também o fato de estarmos eu e Victoire no último ano, prestes a realizar vários NEWTs, e o fato de faltar apenas dois meses para que eu possa pedi-la em casamento.

Lily bateu palmas entusiasticamente, pois torcia muito para que os primos se casassem. Os demais também bateram palmas, exceto por Gui e Fleur.

- Tem que ter um bom emprego antes, rapaz. – disse Fleur.

- E Victoire também. – acrescentou Gui, bem humorado. – Estão prestando pra onze NEWT, não estão?

O garoto fez que sim, orgulhoso.

- Pois bem, uma vaga no Ministério não deve ser difícil.

- Não. – ele disse – Eu quero ser um Auror e lutar como meus pais.

Harry sorriu para o garoto.

- Tio Harry, prometa deixar alguns bruxos maus pra ele. – disse Fred.

- Hey! –reclamou Ron – Eu também sou um Auror!

- Você não pega um bruxo há anos, tio. – zombou o menino.

- Harry é chefe dos aurores da Grã-Bretanha. – lembrou Ginny, segurando a mão do marido – Ele manda no Rony como quiser.

- Sempre vão haver bruxos das trevas com quem se lutar. – disse Harry.

- E por algum motivo estúpido todos os bruxos dessa família querem ser aurores. – disse George – Quer dizer, alguém podia fazer algo mais criativo.

- Nem todos são aurores. – disse Hermione – Você tem uma loja, Carlinhos cuida de dragões, Ginny escreve para o Profeta Diário, eu trabalho no Ministério…

- Porque foi a única de nós três que terminou Hogwarts! – disse Rony – Por sorte, eu e Harry tínhamos Voldemort como desculpa pra não fazer os NEWTs. Mas você quis voltar pra escola depois de matar o maior bruxo das trevas que esse mundo já viu, sabe-se lá por que.

- Ron! – bronqueou Hermione – É assim que quer que seus filhos encarem a escola?

- Rose puxou a você, não importa o que eu diga. – ele riu, e foi acompanhado pelo resto da mesa.

- Ok, só uma dúvida. Quantos de vocês querem ser aurores? – perguntou George.

Lily Luna, Teddy, James e Hugo levantaram as mãos.

O novo trio de amigos se entreolharam. Não faziam ideia do que queriam ser, e os adultos imaginavam que eles eram novos demais pra pensar nisso – exceto que Lily, com nove anos, queria ser aurora só porque achava o nome legal. Mas na verdade, Albus pelo menos, não queria ser auror porque o pai já era, e muito bem. Queria ser algo em que pudesse se destacar, não ficar apagado pelo pai.

Em algum ponto daquele jantar, quanto só o que se ouvia eram os talheres contra a porcelana e conversas esparsas, Albus parou de comer, deixando garfo e faca no prato, e então olhou para o pai.

- Pai? – após ter a atenção desejada, continuou – Por que Snape voltou atrás na decisão de ser um comensal?

O resto da mesa – principalmente o lado dos adultos – parou de comer lentamente. Fez-se um silêncio estranho. Lily Luna e Hugo, os mais novos, ficaram perdidos, olhando para os lados, sem entender. Ouviram as corujas das crianças piarem no andar de cima, evidenciando o silêncio. Hermione e Rony se entreolharam.

Ninguém. Ninguém naquela mesa, exceto Harry, sabia da história.

E, do lado dos adultos, todos, sem exceção, já haviam se perguntado isso.

- Ele era um bom homem, no fundo. – disse Harry – Que foi tentado pelas artes das trevas, mas percebeu toda a besteira que era se deixar levar por isso.

- Só isso? – perguntou Albus.

- Snape foi inteligente para perceber o erro que cometia, e bravo o suficiente pra dar as costas a Voldemort. – ressaltou Harry.

Albus fez que sim, tentando parecer satisfeito com a resposta, mas não estava. Nem tampouco o restante da mesa, mas estes fingiram melhor.

- Snape era um cara legal, não era, papai? – perguntou Lily.

- Olha a que ponto chegamos. – disse Ron. – Snape era um cara legal!

- Sim, Lily. – disse Harry, e só ele podia saber o quanto era irônico que Lily dissesse aquilo – Snape foi um cara legal.

- Só que não estaria nessa mesa hoje se estivesse vivo. – disse George, rindo.

Albus ficou confuso com aquilo. Quem era Snape afinal? Quem havia sido o homem de quem herdou o nome?

Harry não pode deixar de notar que James havia estado quieto durante todo o jantar, o que não era normal. O filho costumava falar mais que Albus, e este havia conversado com Scorpio e Rose durante o jantar todo.

- James? Está quieto. – disse Harry.

- Eu não tenho duvidas quanto a quem herdei meu nome, papai, e estou muito feliz que tenha escolhido pessoas boas no meu caso.

- James! – brigou Ginny.

Harry estava ficando até confuso com tudo aquilo. James, seu pai, havia praticamente torturado Snape durante seus anos em Hogwarts e agora o filho zombava do irmão por ser da Sonserina. Lily Luna dizia que Snape era um cara legal, assim, aleatoriamente. Albus Severus interessado na vida de Snape. Que diabos estava acontecendo com aquelas crianças?

- É melhor irem todos vocês pros seus quartos. – disse Harry – Sem mais provocações por hoje, ou eu acho que vou explodir.

As crianças, que já haviam acabado de comer, subiram para os dormitórios. O trio ainda conversou por horas antes de dormir.

- Sua casa é animada, Al. – disse Scorpio – Lá em casa é sempre só eu e meus pais. Às vezes meu avô, mas… não gosto dele.

- Lucius, não? – perguntou Rose – É, não é exatamente flor que se cheire.

- Não é quanto ao passado dele como comensal. – disse Scorpio – É… - ele pensou bem, em dúvida – Não sei. Meu pai nunca me fala nada sobre a segunda guerra bruxa, mas meu avô sim. E depois de aprender os papéis que cada um de nossos pais exerceram, eu entendo que meu pai não queira me contar sobre o que fez. Mas meu avô, ele…parece estar orgulhoso até hoje. Como se tivesse sido certo, como se ele tivesse sido realmente um herói em algum momento. Eu ouvi dizer que no fim ele só queria fugir.

- Meu pai fala do seu como um garoto que tomou decisões erradas. – disse Albus – Nunca como um comensal. Ele ficou orgulhoso quando soube que você era meu amigo.

- Lindo, não? – riu Rose – Se continuarmos assim, logo Al vai estar almoçando na sua casa, Scorpio.

- E por que você não? –perguntou o loiro – Também é minha amiga.

As bochechas muito brancas de Rose coraram e ela virou o rosto.

- Amiga? Scorpio, está confundindo tudo. Eu apenas te tolero.

- Ouch. – disse Albus – Essa doeu. – e riu

- Desculpe. – ele encolheu os ombros, e segurou o riso o quanto pode.

Após alguns minutos de conversa, Harry abriu a porta do quarto.

- Al, Ro, Scorpio, eu realmente não queria ter que manda-los dormir, mas se continuarem vão acordar a casa toda.

- Desculpe paaai. – disse Albus, deitando-se na cama.

- Desculpe, tio Harry. – e Rose fez o mesmo.

- Desculpe… ahm… - Scorpio ficou confuso e corou quando os amigos riram dele – Senhor?

- Seu pai me chamava só de "Potter" – e imitou o jeito de Draco mexer muito os lábios pra falar seu nome.

Scorpio riu bastante.

- Sim, igualzinho!

Os três dormiram em pouco tempo.

James adormecera com um gosto amargo na boca.

Prévia do cap. 7

Albus sabia exatamente onde queria chegar com essa história, e se ele soubesse que outro estudante muito famoso em Hogwarts costumava usar a mesma tática pra tirar informações dos outros, provavelmente teria pensado duas vezes, já que este bruxo se tornaria Lord Voldemort.