Não terá slash nessa fic, posso garantir. Albus e Scorpio são amigos, não vai passar disso : )

Cap. 7 – Basilisk

É importante que o resto do ano letivo seja retratado, mas seria de grande inutilidade descrevê-lo com demasiada cautela.

Scorpio e Albus continuaram estudando todo tipo de magia e criaturas das trevas.

Os dois, juntos, ganharam a partida de Quadribol contra a Lufa-lufa e a Corvinal, mas Albus levou um balaço na cabeça, diretamente do taco de seu irmão, na partida contra a Grifinória, nos primeiros dois minutos de jogo. Acabou no chão, desmaiado por uma semana, ao preço de perder a Taça.

James fazia questão de andar pela casa com ela na mão durante as férias de verão.

A Grifinória também ganhou a Taça das Casas naquele ano, não com a ajuda de James, que levou cerca de oito detenções durante o ano, duas delas por brigas com Albus. Mas isso não significa que ele não tenha jogado na cara de Albus também.

"Enquanto eu estiver nesse colégio, a Sonserina não vai ganhar nenhuma única taça" dizia ele.

E com isso veio o segundo ano de Albus, no qual ele teve que unir os amigos de novo. Durante mais da metade do ano, Scorpio e Rose ficaram brigados, sem sequer olhar nos olhos um do outro.

Nesse período, Albus esteve relativamente sozinho, pois não queria demonstrar tomar partido de nenhum dos dois. Então o segundo ano fora bastante conturbado.

Sozinho na Biblioteca, o garoto pegou um livro qualquer para ler. Tinha uma capa vermelha e bastante atrativa – e não estava na seção reservada, o que já era muito bom perto dos que ele costumava ler.

"Animais fantásticos e onde habitam"

Estava até nos livros didáticos até alguns anos atrás. Mas foi tirado, graças à nota referente ao…

- Basilisco. – leu Albus.

"Das muitas feras e monstros temíveis que vagam nossa terra, não há nenhum mais curiosa ou mais mortal do que o basilisco, também conhecido como o Rei das Serpentes. Esta cobra, que pode atingir um tamanho gigantesco e viver centenas de anos, nasce de um ovo de galinha, chocado debaixo de um sapo. seus métodos de matar são dos mais maravilhosos, pois além de suas presas mortais e venenosas, o basilisco tem um olhar assassino, e todos os que o olham no olho sofrerão morte instantânea . Aranhas fogem do Basiliscos, pois são inimigos mortais, e o basilisco foge apenas do cantar do galo, que é fatal para ele. "

Albus olhou para os lados, e então levantou-se para buscar mais livros sobre o assunto. Havia ganhado uma prática inexplicavel para adentrar na seção reservada sem ser visto.

Lá, puxou outro livro que dizia basicamente a mesma coisa sobre o Basilisco.

"São criaturas altamente mortais, visto que podem matar apenas com o olhar. Há rumores que o contato tem que ser direto – qualquer lente no caminho causará petrificação daquele que olhar em seus olhos, mas sem ser fatal.

O Basilisco é uma criatura extremamente perigosa, dado que sua criação é das mais fáceis dentre as feras consideras proibidas no mundo mágico. Basta dar um ovo de galinha para ser chocado por um sapo. A prática foi proibida há muito, e não há registros de Basiliscos há pelo menos quatrocentos anos."

Não era isso que Albus procurava. Guardou o livro de volta e conferiu novamente se alguém podia pegá-lo ali.

Devia saber. A informação que procurava era extremamente sedutora para qualquer bruxo com más intenções.

Saiu da seção reservada e voltou sorrateiramente para a comum. Passou os olhos pelas estantes. Gostava de ler os títulos, gostava do cheiro dos livros, mesmo os mais velhos. Folhear, saber tudo sobre o mundo mágico.

"Albus Dumbledore – O maior mago depois de Merlin".

Havia cerca de quinze ou dezesseis livros sobre o ex-diretor de Hogwarts naquelas estantes, todos muito descritivos. A maioria falava bem. Havia um, de Rita Skeeter, que era cheio de contradições e histórias que, se verídicas, tornariam Dumbledore um dos piores magos do mundo. Albus só tinha lido uns cinco, pois chegara a conclusão de que todos falariam exatamente a mesma coisa. Aquele, em especial nunca lhe chamara atenção. Mas como não tinha nada pra fazer, puxou o livro. Era menor que os demais.

Professor Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore

Ordem de Merlin, Primeira classe.

Albus Dumbledore foi considerado o estudante mais brilhante de toda história de Hogwarts ainda eu seu primeiro ano, chegando a superar seus professores em seus últimos anos. Deu aula de Transfiguração antes de se tornar o mais amado diretor de Hogwarts, em 1956, então pode-se imaginar que tenha dominado esta arte por completo. Também foi o único bruxo que Lord Voldemort temeu.

Foi o mestre da Varinha das varinhas após ter derrotado Gellert Grindelwald, que até então a possuía.

Sem nenhum exagero, Albus Dumbledore foi o maior bruxo de sua época nas seguintes habilidades:

Genialidade – Que foi provada na primeira e na segunda guerra bruxa

Transfiguração – Habilidade que atingiu níveis nunca antes vistos ainda em sua época de estudante.

Duelista – Supertou Gellert Grindelwald, até então considerado o maior bruxo da época, e conta-se que superou Voldemort num duelo no Ministério da Magia.

Invisibilidade – Era capaz de ficar um invisível por tempo indeterminado com um feitiço de desilusão extremamente poderoso.

Oclumência – Não houve, até o nascimento de Severus Snape, um oclumente/legimente tão habilidoso quanto Albus Dumbledore. É importante ressaltar que Snape foi ensinado pelo Lord das Trevas.

Feitiços não verbais – De 'Vera Verto' a 'Crucio', Albus Dumbledore era capaz de fazer qualquer coisa com sua varinha, sem pronunciar uma palavra sequer.

Multilinguagem – Albus falava a língua das sereias, dos Goblins e das cobras. Dumbledore não nasceu com esta última habilidade, tida como sanguínea – especialmente entre sonserinos. Sabe-se que estudou até ser capaz de compreendê-la, e tardiamente especula-se que aprendera a fala-la.

Nesse momento, Albus ficou deveras fascinado. Sabia que seu pai costumava ser capaz de falar a língua das cobras, mas que perdera a habilidade quando a parte da alma de Voldemort que estava nele, morreu. Harry não era capaz nem de dizer o próprio nome em Perseltongue, mesmo a tendo falado por anos, o que tornava Dumbledore realmente fascinante.

Mas seu interesse não durou mais que alguns minutos, pois não foi atrás de mais informações, sobre como o bruxo havia conseguido estudar esta língua, ou coisa do tipo. Sabia que Dumbledore havia sido genial e não esperava menos. Apenas se perguntava quantos anos levaria pra que outro estudante como ele entrasse no colégio e surpreendesse a todos novamente. Sua genialidade era algo extremamente raro.

Facilmente entediado, Albus voltou a pensar nos Basiliscos. Algo nele dizia que isso era errado, pois mesmo com a pouca idade, tinha plena noção dos motivos que o levavam a pensar nessa criatura, e não eram dos melhores. Mas Albus não era uma criança má. Não fazia mal a ninguém, e nem pretendia fazê-lo. Queria apenas estudar a tudo como se não houvesse maldade no mundo, como se qualquer feitiço fosse capaz de ser usado para o bem.

Suficientemente convencido de que não havia mal nisso, levantou-se, limpou as vestes do pó dos livros e correu pelo castelo, sentido falta de Scorpio – ele iria gostar daquela história toda. Na parte de fora, desceu as escadas tortas que levavam à cabana de Hagrid, mais rápido do que seria seguro.

Bateu na porta enorme, achando que a força que fazia não seria suficiente pra ser escutado, mas Hagrid o atendeu antes que batesse de novo.

- Ah! Olha o Potter aí de novo. É a cara do seu pai.

- É, eu sei, Hagrid. – disse, entediado – Você me diz isso há quatro anos, desde que me conheceu.

- E continua ficando cada vez mais parecido. – disse, orgulhoso – Agora o que posso fazer por você? Não veio entregar aquele trabalho atrasado, não é?

- Não. – ele nem lembrava de que trabalho ele estava falando – Só vim conversar.

- Nesse caso, entre. Estou colocando lenha na lareira, por que, deuses, está começando a ficar frio.

Albus entrou e sentou-se numa das enormes poltronas do meio-gigante. Ficava quase escondido no meio delas, mas já estava acostumado.

- E sobre o que veio conversar? Dragões? Trasgos? Não sou muito inteirado nos assuntos políticos, se é o que procura.

- Estava só pensando… quando Askaban ficar lotada, como vão fazer pra mandar os bruxos pra cadeia?

Albus sabia exatamente onde queria chegar com essa história, e se ele soubesse que outro estudante muito famoso em Hogwarts costumava usar a mesma tática pra tirar informações dos outros, provavelmente teria pensado duas vezes, já que este bruxo se tornaria Lord Voldemort.

- Oh, tem mais cadeias por aí. Claro, não como Askaban, não como Askaban. Jamais vai haver uma prisão como Askaban. – disse Hagrid, com um fio de tremor nos olhos.

- Você parece se sentir mal com esse nome.

- Ah, alguém que já esteve lá sabe os horrores.

- Já esteve lá? – Albus sabia que sim, seu pai já lhe falara, mas fazia parte do plano – Quando? Por que? Você não é um bruxo mal.

- Ah, isso foi… no segundo ano do seu pai aqui. Parecia que a história estava se repetindo, sabe? Acho que não há mal em te contar isso. Eu estudei com Tom Riddle. Sabe, Tom Riddle?

- Lord Voldemort. Sim, eu sei.

- Pois esse mesmo. Você-sabe-quem ainda era um garoto nessa época, e falava a língua das cobras, você sabe. E há mil anos, quando essa escola foi fundada, Salazar Slytherin deu de criar uma câmara onde guardou uma criatura terrível, que, sob seus comandos, mataria os nascidos trouxas e os mestiços. Como herdeiro dele, Tom usou a coisa para os mesmos fins, e me acusou de culpado quando ameaçaram fechar o colégio porque uma garota tinha morrido. Fui expulso, e virei guarda-caças, porque Dumbledore sabia que eu não era culpado – disse, erguendo a voz com orgulho ao dizer o nome do bruxo. - Mas não tinha como provar, sabe. Muitos anos depois e alguém solta a maldita criatura de novo, e claro que fui acusado novamente. Daí fui preso. – ele deu de ombros. – Mas me soltaram rápido, graças ao seu pai, que matou a cobra.

- Era uma cobra então. A criatura.

- Um Basilisco. Uma criatura terrível, terrível. Mata só de olhar. Sabe, garoto, eu já tive dragões, já fui amigo de uma Acromântula, já criei hipogrifos como se fossem gatos. Já domestiquei um cão de três cabeças maior que esta cabana. Aliás, eu não entraria na Floresta Proibida se fosse você, soltaram ele lá há algum tempo. Mas um Basilisco é uma criatura que até eu temo.

Por dentro, Albus sorriu. Por fora, expressou medo.

- Mas não pode ser tão perigoso, pode? Como Tom Riddle conseguiria controla-la quando era tão jovem?

- Ah, e você nunca se perguntou por que não existem muitos Basiliscos por aí, não é? Claro que não, esse tipo de coisa não passa pela cabeça de uma criança de doze anos. Mas é uma questão importantíssima. Ouso dizer que apenas dois bruxos das trevas souberam como se controla um Basilisco. Salazar Slytherin e Tom Riddle, que provavelmente aprendeu sem querer. Não é uma coisa que se fale por aí. Dumbledore me disse, e acho que ninguém mais nunca soube. É melhor assim. Imagine se cada bruxo das trevas precisasse apenas de um ovo de galinha e um sapo pra ter direito a uma criatura que mata com o olhar e com as presas.

- E como é? Por que um Basilisco obedece alguém?

Hagrid o encarou com suspeita. Mas seus olhos pretos escondidos atrás da barba já inteira branca simplesmente não enxergaram o coração de Albus palpitando quando finalmente chegou na pergunta que queria.

- Ora, você é um Potter. – Hagrid bateu no ombro de Albus de forma que quase o desequilibrou – Claro que não vai usar essa informação pro mal. Mas o segredo é que o Basilisco nasce cego e sem veneno. Demora cerca de uma semana pra que abra os olhos e goteje veneno de suas presas. Antes disso, o bruxo deve deixar-se morder, para que a cobra sinta o gosto do seu sangue. E quando abrir os olhos, seu primeiro olhar não será mortal. A primeira pessoa que vir será aquela que seus olhos nunca vão matar. E o sangue é importante porque o Basilisco vive até mil anos, e durante esse tempo, todo aquele que portar o mesmo sangue de seu primeiro mestre, ele obedecerá. Isso e a necessidade de falar língua das cobras, claro, senão a criatura não entende os comandos.

- E se o bruxo não estiver presente quando a cobra abrir os olhos?

- Então ela não obedecerá ninguém. E irá perseguir aquele cujo gosto do sangue sentiu, até mata-lo. Acho que esse é um ótimo motivo pra que aqueles que souberam o segredo não tentassem criar um.

Albus tremeu, e não soube disfarçar. Hagrid riu longamente e então lhe ofereceu uma xícara enorme de chá, que o garoto aceitou prontamente. Fazia muito frio lá fora, e ele não recusaria uma chance de aquecer os ossos.

- Vai nevar antes da época esse ano. – previu o professor.

- Ou seja, vou perder algumas extremidades no jogo contra a Corvinal. – riu Albus.

Prévia do próximo capítulo:

- Quero ir embora. Quero falar com meus amigos.

- Ah, não, não pode. Vai precisar ficar por aqui ainda até conseguir andar de novo. É complicado.

- O que quer dizer com isso?

- Consertar ossos é fácil, eu sei fazer. Merlin sabe o quanto sei. Mas nervos, e todas essas coisas, isso demora. E dói bastante. Chamaram um médico do Saint Mungus. Ele está trabalhando com Slughorn numa poção pra você, querido. Vai ficar bem, é uma promessa. Muitos bruxos quebram a coluna e voltam a andar.