People, mil perdões pela demora. Espero que alguém ainda leia isso. Desculpa mesmo.
Cap. 11 – Bad influence
8 meses depois.
Albus conhecia cada pedra daquele caminho. O chão úmido, as cabeças de cobras saindo da água. O cheiro de mofo incrustrado nas paredes. O leve ressoar da água andando pelas tubulações como cobras sem começo ou fim. Uma goteira aqui e ali. Os passos na pedra bruta eram arrastados e pouco cautelosos. Aquele lugar virara sua casa, quase sem querer. O rosto enorme de pedra ao fim da câmara parecia encará-lo com uma sabedoria medonha, mas Albus aprendera a ignorar.
Há cinco meses, Albus havia sido capaz de aprender uma boa parte da língua das cobras, e hoje em dia quase a dominava. Sua dedicação resultou em queda na maior parte das notas, mas estava convicto de que conseguiria ser um Ofidiglota. E conseguiu.
Abrir a câmara fora fácil. O fez tão logo aprendeu as primeiras palavras naquela língua. Scorpio e Rose entraram com ele, alegremente. Iam visitar o lugar com frequência. Mas Albus tinha sempre que estar junto, e nos últimos tempos ele havia desistido de entrar lá. Pelo menos na frente dos amigos. Queria que eles perdessem o interesse, porque logo ia se tornar perigoso demais que entrassem lá.
Atravessou o corredor entre as cabeças de cobras até muito perto de onde sua mãe estava caída quando seu pai a salvou, mas não tinha como ele saber disso. No chão havia uma caixa pequena, com uma fechadura enfeitiçada. Abriu-a e teve de segurar o sapo que lá havia, para que este não saltasse e continuasse sobre o ovo de galinha.
" Ainda não chocou…" pensou Albus, frustrado. Então jogou algumas moscas mortas lá dentro e fechou a caixa mais uma vez, que tinha vários furos pro animal respirar.
Albus pretendia contar a Scorpio e Rose sobre o que estava fazendo. Mas queria pensar no que realmente faria depois que saísse de Hogwarts. Onde ia levar aquela cobra. Ou se ia acabar deixando-a lá pra que seus filhos a controlassem. Não sabia bem o que queria com ela.
Naquela tarde, Albus voltou para o dormitório da Sonserina a tempo de continuar estudando pras últimas provas. Lá, Philipo Grinch estava infernizando algum aluno do primeiro ano. O garoto era o monitor da Sonserina, admirado por ter sempre boas notas, mas conhecido por sua raiva contra nascidos trouxas ou mestiços. Era estranho, porque sua namorada era uma mestiça da Corvinal, mas com os alunos Sonserinos que não eram sangue puro, ele costumava agir como um babaca.
Albus sentou-se em sua cama, tentando ignorar que o colega de casa havia petrificado o novato. A essa altura do ano, ninguém era um iniciante mais. Albus mesmo era plenamente capaz de se defender daqueles feitiços no fim do primeiro ano, então não podia sentir pena.
- Vaaamos, novato! – dizia Philipo – Não aprendeu nada nas aulas de defesa contra as artes das trevas?
O garoto soltou um guincho e seus olhos lacrimejaram.
- Solta ele, Philipo, não tem graça. – disse Albus, sem tirar os olhos do livro que lia.
- Não, ele é um sangue ruim qualquer, precisa ser ensinado sobre seu lugar.
Albus inflou. O sangue correu quente em suas veias, e a raiva o fez se levantar de imediato e apontar a varinha no colega do quinto ano.
- Nunca mais repita isso! – bradou Albus, atraindo a atenção de todos, incluindo de Scorpio. Havia pessoas demais que amava que eram mestiças ou nascidas trouxas pra que aceitasse esse tipo de palavreado.
- Sangue ruim? – o garoto riu.
- Estúpido! – disse Albus – O meu sangue é exatamente igual o seu. O sangue dele – e apontou para o jovem que ainda chorava no chão – também. O sangue de todo mundo aqui é vermelho igual, e se nos cortarmos ele vai sair em igual proporção. Não tem diferença nenhuma entre nascidos trouxas, mestiços, descendentes de mestiços ou puro-sangues! Liste agora os maiores bruxos que esse mundo já conheceu, e eu direi que mais da metade não eram puro-sangue! Albus Dumbledore, Severus Snape, Harry Potter, e mesmo Lord Voldemort. Todos eles mestiços! Hermione Granger, nascida-trouxa!
- Você realmente me coloca no mesmo degrau que os demais Sonserinos estúpidos que apenas prezam o sangue puro por uma ideologia sem o menor fundamento, tal como Voldemort. Se o Lord das Trevas tivesse realmente ido adiante com sua ideia ridícula de afastar do mundo bruxo todos os que não eram puro-sangue, nós teríamos sido extintos. – disse Philipo, muito sério, esquecendo-se do novato no chão – Não é essa a ideologia a respeito dos não puros. A ideia é muito mais simples do que parece.
- Diga-me então, garoto que namora uma mestiça. – provocou Albus.
- Acha estranho que eu namore uma mestiça, não é? Pois vai entender. Pense da seguinte forma: Um casal de trouxas. Qual a chance de nascer uma criança bruxa?
- Existem muitos nascidos trouxas por aí. – disse Albus.
- Muitos nesse colégio, porque todos que nascem vêm pra cá. Mas e lá fora? Quantas milhões de crianças nascem de pais trouxas todos os dias e quantas são bruxas? Uma em mil? Uma em um milhão?
- O que quer dizer com isso?
- Um casal de bruxos tem perto de cem por cento de chance de ter uma criança bruxa. Um casal formado por um bruxo e uma trouxa tem cinquenta por cento de chance de ter um filho bruxo. Digamos que eles só tenham um filho e ele seja trouxa. Se ele se casar com outra trouxa, a chance de nascer um bruxo cai pra quanto? Dez por cento?
- Aonde quer chegar com essas porcentagens?
- Os que defendem os trouxas e suas miscigenações com os bruxos dizem que se não tivéssemos nos casado com trouxas, teríamos sido extintos. Mas isso é verdade apenas se os que nascem dessas uniões não continuarem se casando com trouxas. Caso contrário, uma hora a linhagem perde todo o sangue mágico.
Albus calou-se, porque tudo aquilo fazia sentido o suficiente pra ele. Foi Scorpio quem se levantou.
- Nada disso justifica o modo como você trata os que não têm sangue-puro.
- Eles têm que saber que devem se casar com bruxos puros. – disse Philipo – Assim como minha adorável namorada. Eles têm que saber que são inferiores, e por isso devem lutar pra se igualar. Se todos os tratarem bem, se verão no direito de se casar com trouxas, e assim destruir a linhagem de bruxos.
- E quando um bruxo se casa com um nascido trouxa ou um mestiço, não é ajudar a destruição da linhagem? – provocou Albus, invertendo os lados.
- Eu chamo de boa ação. – respondeu Philipo, erguendo o queixo – E tais pais devem ter filhos e saber lhes ensinar que devem se casar com bruxos ou repetir a boa ação e casar com mestiços ou nascidos trouxas. Mas nunca. Nunca casar com trouxas.
Naquela lógica, a existência dos trouxas era facilmente anulada num futuro próximo.
Albus pensou mais naquilo do que gostaria.
Prévia do próximo cap.
- Eu, Albus Severus Potter sou seu mestre. – a cobra ergueu a cabeça em sua direção, apesar dos seus olhos ainda estarem fechados – E serei eu aquele para o qual dirigirá o primeiro olhar.
