Sorry pela demora again, people.

Cap. 12 – Wrong potion

Mais uma semana de espera e Albus achou que estava na hora de voltar à câmara secreta e checar se o ovo havia eclodido.

De manhã, antes que Scorpio acordasse, ele se levantou e se vestiu. Ninguém estava acordado, não era nem seis da manhã, e o café começava às sete.

Atravessou a gelada sala comunal e se viu nas masmorras. Passou por onde antes era a sala de Snape e chegou às escadas. O banheiro da Murta ficava no primeiro andar. E quanto passava pelo segundo andar, Al pensou ter ouvindo alguém o seguindo. Olhou para trás e não viu ninguém. Seguiu caminho até o banheiro feminino que até hoje ninguém usava.

A Murta estava sentada em uma das portas quando chegou, chorando.

- Ahhh... – ela soltou um gemido agudo ao vê-lo – Veio falar com a Murta? Claro que não, ninguém fala com a Murta, não é? Veio entrar na câmara! – ela gritou.

- Shhh! – ele pediu silêncio e então se aproximou da pia com o símbolo de uma cobra – Abra. – Ele ordenou, na língua das cobras. Deu um passo pra trás quando a passagem se abriu.

Deixou-se cair pelo buraco com tranquilidade. Havia colocado um grande amontoado de almofadas pra proteger sua queda. Então atravessou o lugar todo até o grande salão com as cabeças de cobras saindo da água. Ao fim dele, chegou à caixa fechada magicamente. Ao abri-la, uma boa surpresa. No lugar do ovo e do sapo, uma cobra de olhos fechados por uma camada fina de pele (já que cobras não têm pálpebras) e muito sangue repousava lá dentro.

Albus sorriu e ajoelhou-se ao lado da caixa. Sabia o que precisava fazer em seguida, e só quando pensou nisso é que temeu. Ia doer? A cobra havia devorado o grande sapo sem problemas, mesmo sendo recém nascida. Olhando bem, a cabeça era mais cumprida do que a de uma cobra normal. Era exatamente como um Basilisco em miniatura.

Albus afastou a manga das vestes de Hogwarts e colocou seu braço à frente da cobra. Achou que teria de abrir sua mandíbula para que o mordesse, mas quase caiu pra trás quando o Basilisco prontamente o mordeu, num bote extremamente rápido e faminto. Completamente cego, o animal recuou, e Albus não soube por quê, mas agradeceu imensamente, já que a dor fora nauseante.

Respirou fundo e sentou-se.

- Eu, Albus Severus Potter sou seu mestre. – a cobra ergueu a cabeça em sua direção, apesar dos seus olhos ainda estarem fechados – E serei eu aquele para o qual dirigirá o primeiro olhar.

O Basilisco ficou parado. Sua língua entrando e saindo da boca, imóvel na direção de Albus. Então recuou e entrou na caixa novamente. Virara sua casa? Albus sorriu, satisfeito, e fechou a caixa. Parece que ia precisar levar comida para ele em breve.

Olhou o ferimento no braço. Estava feio, muito fundo. Os dentes chegaram a até metade da largura do membro, e o sangue escorria farto.

Ajoelhou-se perto da água e o lavou, então enrolou a gravata no braço para estancar o sangue. Escondeu debaixo das vestes e saiu da sala.

Em uma semana o Basilisco ia abrir os olhos, e ele precisava estar lá. Caso contrário, se chegasse e os olhos já estivessem abertos, seria morto instantaneamente.

Mas por hora, precisava ir até a ala Hospitalar. Estava começando a ficar tonto pelo sangue.

A mulher da ala Hospitalar não era do tipo que fazia perguntas. Albus sabia disso já que ela não fazia ideia do que tinha acontecido a ele quando fora parar lá por quebrar a coluna. Também não devia perguntar se aparecesse com dois furos no braço. E se perguntasse, não havia veneno nenhum pra que ela duvidasse que fora algum feitiço qualquer mal sucedido.

- Por Merlin! – ela exclamou – Isso está horrível, querido, horrível. Venha, vou lhe dar uma poção para a dor, venha, venha. – ela a deitou numa das camas e lhe entregou um copo – Isso deve dar um sono. Vai dormir um pouquinho, mas quando acordar estará melhor.

Albus não reclamou. Não podia discutir como havia se machucado se estivesse dormindo. Achou ruim que não podia avisar Scorpio e Rose.

- Senhora? Poderia avisar meus amigos que estou aqui? Scorpio Malfoy e Rose Weasley.

- Claro, claro, agora beba, meu jovem.

Albus olhou para a caneca. Achava tê-la visto vermelho carmim, mas agora estava verde grama. Sentiu o cheiro, e só com ele sentiu sono. Bebeu até o fim e caiu dormindo.

Quando Albus acordou, teve aquela familiar sensação de estar dormindo há tempo demais. O estômago deu uma cambalhota ao pensar que talvez dormira por um período maior do que imaginava.

Ergueu o tronco e instintivamente tentou mover as pernas. Talvez pelo último trauma de acordar na Ala Hospitalar paralítico. Mas estavam se mexendo normalmente, exceto pela fatiga de não mover os membros por muito tempo.

A mulher da Ala Hospitalar se aproximou, com seu jeito eterno de estar preocupada demais. Albus estava começando a achar aquilo irritante.

- Querido, peço mil desculpas! Mil desculpas, mesmo!

Albus olhou para o braço antes machucado, e percebeu que estava com duas cicatrizes feias no lugar dos furos.

- Por que? – ele perguntou, nervoso.

- Nunca errei, não imagino como posso ter… ah, querido, mas está tudo bem, falei com Minerva e ela é muito boa, muito boa, consegui adiar todas as suas provas dessa semana. A culpa foi minha, devo ter… - seu olhar ficou perdido um tempo, e Albus tinha certeza de que ela estava se culpando por algo que tinha certeza não ter feito – devo ter trocado os frascos.

- Trocado? Como assim? O que eu tomei?

- A poção que uso pra acalmar os que foram amaldiçoados com Dementia.

- E isso significa…

- Você dormiu por uma semana. – ela disse, com as mãos ossudas presas uma na outra. – A poção pra dor ia fazer você dormir por três horas, no máximo. Não compreendo como posso ter errado, são cores muito diferentes, muito.

Albus pensou em perguntar se a cor da poção que devia ter tomado era vermelho carmim, como achou ter visto, mas a ideia de que o Basilisco já havia aberto os olhos fez com que todas as palavras fossem engolidas e mal digeridas, já que suas entranhas pareceram virar líquido quando o pensamento lhe ocorreu.

- Tudo bem, preciso ir. – ele tirou o lençol que o cobria e desceu da cama, pondo-se a correr em seguida, ziguezagueando e lutando pra que os músculos da perna voltassem ao normal.

Ele correra desesperadamente, mas no meio do caminho diminuiu a velocidade e pôs-se a andar, quase querendo voltar.

E se o animal já estivesse de olhos abertos?

E se ele morresse ali, na câmara secreta, vítima do Basilisco que ele mesmo criara. Um animal pequeno e recém nascido, enquanto seu pai havia matado um daqueles que tinha mais de novecentos anos, sozinho.

A ideia lhe deu um calafrio que percorreu toda a espinha.

Quis deixar pra lá e nunca mais entrar na câmara. Se nunca mais a abrisse, talvez…

Mas aí a cobra ficaria sem um mestre, e com aquele tamanho poderia se enfiar em qualquer cano da escola e fazer uma matança.

Albus tremeu e amaldiçoou a mulher da Ala Hospitalar por ter confundido os frascos.

Se é que tinha confundido.

Mas não havia ninguém no lugar então não tem como alguém ter trocado as poções. Então fora um erro dela mesmo, e merecia sua raiva.

Voltou a correr. Se o Basilisco estivesse com os olhos abertos, Albus teria que mata-lo. Apertou a varinha debaixo das vestes quando pensou nisso. Ele ainda devia estar dentro da caixa, o que facilitaria. Mas se os olhos estavam abertos, o veneno já existia. E mesmo se a enfrentasse de olhos fechados, abrir a caixa podia significar uma morta rápida, porém dolorosa. Ele não hesitaria em atacar Albus. Hagrid dissera que se a primeira coisa que a cobra visse não fosse o bruxo que mordeu antes do veneno existir, ele se tornaria seu alvo até que o matasse.

Albus suava frio. O estômago rodopiou quando abriu a passagem para a câmara, e seus passos nunca foram tão cautelosos lá dentro. Temeu que a cobra tivesse escapado.

Engoliu em seco quando chegou à câmara com as cabeças de cobras. Viu, de longe, a caixa caída, partida em dois.

Ela havia escapado.

- Eu, Albus Severus Potter, ordeno que apareça ao seu mestre. – ele disse, em língua de cobra, tentando se lembrar como se falava 'ordeno'.

Ouviu o chiado agoniante da cobra rastejando em sua direção, mas completamente branco de medo de procurar por ela ao seu redor.

Desejou profundamente que ela não estivesse realmente com os olhos abertos. O medo que sentia era tão desesperador que chegava a lhe dar ânsia. Com certeza uma criatura daquelas lhe traria muitos benefícios.

Deu um pulo e se afastou quando sentiu a respiração dela em seu calcanhar. Fechou os olhos e estendeu a varinha. Não sabia o que fazer. Estava completamente cego. Não fazia ideia de onde ela estava. Completamente indefeso, uma lágrima escorreu de seus olhos, e ele desejou nunca ter feito aquilo.

Num momento de desespero, ele decidiu que aquele comportamento não ia lhe ajudar em nada. Respirou fundo e pensou.

"Se eu senti a respiração dela em meu calcanhar, ela teve chance de me matar. Muitas. Se não o fez, é porque…" ele abriu os olhos, um de cada vez, lentamente. A cobra estava parada, com parte do corpo erguido em sua direção, aparentemente esperando por ordens.

Mas seus olhos estavam fechados.

Albus sentiu uma tonelada sair de cima de sua cabeça. Respirou profundamente. A adrenalina ainda correndo no sangue, a sensação de alivio. Tudo isso era inexplicável.

Começou a rir quando deu por si. Abaixou-se e passou a mão na cabeça do Basilisco. Ele havia crescido e agora certamente não caberia mais na caixa.

Albus não foi capaz de sair daquela câmara o dia todo. Ficou sentado observando a cobra ziguezaguear por aí. Tinha que ser hoje, tinha que abrir os olhos. E por seis horas, Albus aguardou, contando que os amigos achavam que ainda dormia na Ala Hospitalar.

Era por volta de meia noite e meia quando ele começou a se preocupar de verdade. Alguém ia atrás dele. Alguém devia estar sentindo sua falta. Iam começar a procura-lo, se já não o estivessem fazendo.

Chamou pela cobra e ficou olhando na direção dos olhos fechados. Ficou assim vinte minutos até que ela começasse a abri-los lentamente.

O coração de Albus palpitou. Os olhos amarelos o encararam com frieza. O Basilisco o encarou alguns segundos antes de dar uma volta em torno de si mesmo e repousar a cabeça em sua perna.

Agora era, definitivamente, seu mestre.

Albus saiu da câmara apressado e foi direto para as masmorras. Não devia estar vagando pelo castelo a uma hora dessas. Tentou não fazer barulho, principalmente quando viu o inspetor passando pelas escadas logo abaixo das que estava.

Lentamente, Albus as subiu, pedindo internamente às escadas para que não mudassem agora. Caso contrário seria pego.

Foi então que sentiu algo em seu ombro e se desequilibrou. No susto, tentou evitar de cair e foi para o lado do corrimão. As costas dobraram e as pernas foram pro ar. Ele passou por cima do corrimão de pedra e ficou pendurado do lado de fora da escada, a quinze metros do chão mais próximo.

Não queria gritar por ajuda. Não queria fazer barulho. Queria apenas içar-se sozinho e continuar caminho. Mas não era capaz.

- Socorro! – gritou Albus – Socorro!

O inspetor olhou para cima e prontamente apontou sua varinha a Albus, salvando-o. Apenas para leva-lo a Minerva logo em seguida.

Não se lembrava de tê-la visto tão irritada. Vestia uma capa escura por cima do que Albus imaginou serem vestes de dormir. Os olhos fundos indicavam que fora interrompida no sono. Os quadros também estavam todos dormindo, apesar de ter tido a impressão de ver o de Snape o espiando.

- Quero que diga agora onde estava, senhor Potter. Não tenho tempo pra desculpas.

- Quando acordei na Ala Hospitalar, achei que já era capaz de sair. – ele inventou – E fui embora, procurar por Scorpio e Rose lá fora. Mas acabei pegando no sono. A poção ainda estava forte. Sinto muito, professora.

- Nós procuramos pelo senhor por todo o castelo! E quer me convencer de que estava dormindo e não foi encontrado? Seu irmão apareceu desesperado dizendo que tinha morrido, e o senhor estava dormindo?

- Meu irmão? – Albus deu uma risada de escárnio – Ele gostaria que eu tivesse morrido. Eu estava dormindo na passagem pra Casa dos Gritos. – disse Albus, lembrando-se das histórias do pai – Por isso não me encontraram.

- E o que o leva a crer que aquilo é um lugar seguro?

- Meu pai e meu avô costumavam ir lá. Por que não eu?

Minerva engoliu a fala e olhou para o quadro de Dumbledore, disfarçadamente. A pintura dormia num canto. Então ela voltou os olhos à Albus.

- Que isso não se repita, ou vou ter que lhe dar uma detenção.

- Não se repetirá, professora.

No dia seguinte, Albus ficou surpreso de ver o irmão o encarando da mesa da Grifinória, durante o café da manhã. Quando passou por ele, não foi capaz de ficar quieto.

- Achou que eu tivesse morrido, James?

- Talvez você devesse ter morrido. – ele respondeu, seguindo caminho e o ignorando.

Prévia do próximo cap:

Albus percebeu que o pai estava falando ao telefone, e achou isso particularmente estranho. O aparelho estava lá, mas nunca havia sido usado. Ou pelo menos não se lembrava de ver os pais usando-o. Na verdade, Albus não fazia ideia de como fazer uma ligação, e tinha certeza de que sua mãe também não.

Quando Harry desligou, aproximou-se de Ginny com um sorriso estranho no rosto. A mulher o encarou, perguntando-lhe o que acontecera, apenas com o olhar.

- Era o Duda. Adivinha quem recebeu uma carta de Hogwarts?