Pessoas, eu não fazia ideia que ainda tinha alguém interessado nessa fic. Sério. Vou continuar postando. Eu já tinha até desistido dela. Mil perdões.

Cap 13 – Importa?

Naquelas férias, Lily Luna estava extasiada e passara dias na frente da janela, esperando sua coruja com a carta de Hogwarts chegar.

James a seguia por todos os lados, deixando claro que ela devia ir pra Grifinória, e que Sonserinos eram maus. Albus se limitava a não se importar. Nem quanto olhava o brilhante troféu de Quadribol que o garoto colocara junto aos demais da mãe e do pai. Aquilo lhe causava raiva, mas não inveja, porque sabia que havia sido roubado. Se não tivesse sido atingido por James, teria pego o pomo, teria vencido a Grifinória.

Mas as mãos de Albus tremiam de expectativa em jogar de novo.

Havia treinado muito durante as aulas. Seis balaços, seis batedores, todos contra ele. Podia se desviar de qualquer coisa. Até de James, tinha certeza. Precisava ter certeza.

No dia que a carta de Lily chegou, junto à carta de materiais para serem comprados para James e Albus, a garota saíra pulando pela casa com a carta na mão, em êxtase.

- Papai! Chegou, chegou! – ela gritava, descendo as escadas – Mamãe! Vamos comprar minhas coisas, vamos! – ela puxou Albus pela camiseta – Pegue o pó de flu, Al, vamos pro Beco Diagonal!

James também desceu as escadas, lentamente, enquanto lia a carta em mãos. Ia pro quinto ano, e a quantidade de livros quase dobrara, para estudar para os NOMs.

- Não preciso de metade disso. – ele deu de ombros – Vou prestar só cinco NIEMs. Só o suficiente pra virar Auror.

Ginny havia pego a carta de Lily, sorridente, e não ouviu o que o filho dissera.

- Vamos comprar sua Firebolt 5 hoje, querida. – ela sorriu e passou a mão no cabelo ruivo da menina – E sua varinha.

Albus percebeu que o pai estava falando ao telefone, e achou isso particularmente estranho. O aparelho estava lá, mas nunca havia sido usado. Ou pelo menos não se lembrava de ver os pais usando-o. Na verdade, Albus não fazia ideia de como fazer uma ligação, e tinha certeza de que sua mãe também não.

Quando Harry desligou, aproximou-se de Ginny com um sorriso estranho no rosto. A mulher o encarou, perguntando-lhe o que acontecera, apenas com o olhar.

- Era o Duda. Adivinha quem recebeu uma carta de Hogwarts?

Ginny assustou-se, mas então pôs-se a rir. Harry a acompanhou. Os filhos ficaram sem entender.

- Pedi que nos encontrassem em frente o Caldeirão Furado. Ele quer ajuda com as compras. – disse Harry. – Vamos então?

As crianças ignoraram o quão perdidas estavam até então e se animaram pra ir às compras.

Em frente o Caldeirão Furado estava Duda Dursley, agora um homem com aparência um tanto melhor que o pai. Os dedos de salsicha não foram herdados, e a dieta a qual o primo passara ainda na época da adolescência lhe garantiu um porte aceitável. A esposa era uma mulher quase tão ossuda quanto Petúnia, mas tinha os cabelos loiros. Junto aos dois estava uma criança, aparentemente mais empolgada que os pais.

Harry se aproximou ainda sorrindo, e apresentou a mulher e os filhos. Notou que o primo impressionou-se pelas três crianças. Não haviam conversado desde o momento em que ele e os pais saíram de casa, deixando Harry lá. Não sabia sequer que Harry havia casado. O número de telefone fora encontrado na lista telefônica.

Duda apresentou a mulher Margarida, e a filha Matilde, constrangido. Uma garotinha que havia herdado os cabelos loiros da mãe, e o rosto bastante magro.

- Então Matilde é uma bruxa. – disse Harry, com o sorriso quase de escárnio no rosto – Parabéns, Duda. Petúnia e Valter já sabem?

Duda constrangeu-se e fez que sim com a cabeça.

- Foi mamãe quem me disse pra te ligar.

- Olá tio Harry. – disse a pequena Matilde, educada demais.

- Olá, Matilde. Está pronta para comprar sua varinha e livros?

Ela empolgou-se e fez que sim, balançando os braços nervosamente. Albus achou particularmente curiosa a forma como a garota agia. Era bizarro, e estava escrito 'trouxa' em cada pedaço de suas vestes. Uma criança criada como não mágica durante onze anos, vivendo o mundo dos trouxas como se nada de magia existisse. Sabia que seu pai havia sido quase assim, exceto por algumas mágicas acidentais eventualmente.

- Vamos rápido. – disse Ginny. – As cartas chegaram todas hoje, significa que o Beco Diagonal vai estar fervendo.

Os oito passaram pela parede de tijolos no fundo do Caldeirão Furado, e Harry não podia deixar de pensar no quão bizarro era andar por ali com Duda ao seu lado. Quis rir quanto o primo quase saiu correndo ao ver uma coruja voando muito perto. E o lugar estava, definitivamente, fervendo.

- Primeiro, Olivaras. – disse Harry, apontando a loja renovada de um neto do antigo vendedor – Pra Matilde e Lily.

- E Hugo. – empolgou-se a garota, apontando a família Weasley entrando com Hugo na loja – Papai, Ron e Hermione estão logo ali!

Duda teve que correr segurando a mão de Matilde e Margarida para acompanhar os Potter. Ainda estava confuso e atordoado com tudo ao redor, mas não podia deixar de achar tudo aquilo bonito, por mais estranho que fosse.

Harry abraçou os amigos e despenteou o cabelo das crianças. Ginny deu um soco amigável no ombro do irmão e cumprimentou Hermione. Então Harry apresentou a família do primo. Albus imediatamente correu até Rose e a abraçou.

- O quê? O porquinho teve uma filha bruxa? – riu Ron.

- Ron! – brigou Hermione.

- Hugo, Lily e Matilde vão pegar suas varinhas agora. – disse Harry, e abriu a porta pra Duda e a família entrarem no Olivaras.

- Se não se importam, Ron e eu vamos atrás dos livros de Hugo e Rose. – Hermione tocou o ombro de Harry – Podem acompanhar Hugo com a escolha da varinha?

- Claro. Se puder comprar em dobro pra Lily e Albus, te pago mais tarde. Daí só falta os de James. – pediu Ginny. – Aliás, James, você podia ir com seus tios e comprar os seus.

O garoto bufou e fez que sim.

- Sem problemas. – disse Hermione, e saiu com Ron e James.

Matilde estava feliz. Duda e a mulher, nem tanto. Mantinham uma expressão estupefata no rosto, jeito de quem mal sabe o que está fazendo ali.

- A varinha escolhe o bruxo. – disse Harry à Duda quando percebeu que o primo estava procurando alguma pra dar logo à filha e sair – Ela tem que testar.

Um rapaz quase tão estranho quando Olivaras surgiu, animado, quando soaram a campainha pra chama-lo.

- Ah! Senhor Potter, grande senhor Potter, mas que prazer, sim, um enorme prazer revê-lo. Mais um Potter vem até minha loja escolher sua varinha, ah, que orgulho, vovô estaria muito feliz, muito feliz.

Internamente, Duda se perguntava curioso em saber o quão 'popular' o primo era entre os amigos. Ele não fazia muita ideia das coisas que haviam se passado no mundo bruxo, ainda que Petúnia pudesse perfeitamente lhe falar como fora perder a irmã para um bruxo maligno. A ideia de que Harry era famoso nem lhe ocorreu pela mente, e com certeza não fazia nem ideia que o primo trabalhava como chefe dos caçadores de bruxos das trevas na Grã Bretanha, atuando no mundo todo.

- Agora é Lily Luna. – disse Harry, orgulhoso, e colocando a mão no ombro da filha – A última, ao que tudo indica. E também a filha do meu primo.

- Vamos ver, vamos ver. – Olivaras puxou algumas caixas de varinhas e colocou sobre a mesa – Seus filhos parecem ter uma preferencia por ébano. Ou deveria dizer, o ébano tem preferencia pelos seus filhos? – ele entregou uma varinha à Lily.

A garota a sacudiu, e a lâmpada dos fundos estourou.

- É, mas não tem o coração como o de Albus. – ele riu – Sem escamas de dragão pra pequena Lily.

Albus sorriu. Ele já tinha relacionado sua varinha à casa para qual fora selecionado. A maioria dos bruxos da Sonserina possuíam escamas, coração ou pelo de dragão no núcleo de suas varinhas.

- Vamos ser fantasiosos então? – Olivaras puxou outra varinha e entregou à menina. Dessa vez, sorriu abertamente, quando a menina fez flores dançarem ao seu redor – Parabéns, temos uma pena de Fênix. A última vendida foi…

- A minha. – disse Harry, sorrindo.

Albus parabenizou a irmã. Com aquilo ele já quase podia adivinhar. Lily ia mesmo pra Grifinória.

- Estou ficando cada vez melhor em achar a varinha dos seus filhos, senhor Potter. Se tiver mais um, prometo que acerto de primeira.

- Eles são todos muito diferentes uns dos outros. Nunca acertaria. – disse Harry. – Agora é a vez de Matilde.

Para a filha de Duda, a escolha demorou pelo menos oito minutos de muitas coisas quebradas. Quando finalmente encontrou a ideal, virou na direção de seu pai pulando de alegria. Duda se encolheu.

- Matilde, seu pai não gosta que apontem varinhas pra ele. – riu Harry – Sei disso melhor que ninguém.

- Desde aquele gigante enorme. – bufou Duda.

- Hagrid. Ele ainda dá aulas lá. Sua filha vai ter aula com ele de Trato das Criaturas Mágicas.

- Quase transformou eu mesmo numa criatura mágica. – resmungou Duda, lembrando-se do episódio do rabo de porco.

Quando a família toda saiu da loja de varinhas, Rose e Albus avistaram um garoto loiro, bastante alto, com cabelos desorganizados de forma parecer que fora o vento que o bagunçara. Rosto bonito, olhos profundamente verdes, postura correta. Estava ao lado dos pais e surpreendeu Rose e Albus quando se virou e mostrou ser Scorpio.

- Pai, podemos…? – perguntou Albus, apontando para o amigo.

- Claro, vão. Vou levar Matilde, Hugo e Lily pra comprar os materiais e nos encontramos na loja do seu tio. – mandou Harry.

Os dois enfrentaram a multidão no caminho para chegar até o amigo. Ao vê-los, Scorpio olhou para Draco, pedindo permissão pra falar com eles. Draco fez um leve aceno de cabeça, confirmando, e então olhou para Albus. O que viu não foram os olhos de desprezo que esperava, mas um leve sorriso. Quase assustou-se – e percebeu que Scorpio efetivamente ficou espantado – quando Draco aproximou-se e apertou-lhe a mão.

- Meu filho fala muito de você. – ele disse, e olhou para Rose, não com a mesma gentileza – E também da Weasley. – Fez uma pausa, olhando para o filho – Seria ótimo se pudesse passar as férias de inverno em nossa casa.

Albus sorriu. Conhecer a casa de uma família Sonserina podia ser muito interessante.

- Claro, senhor.

- Bem, vou deixa-los conversar. Scorpio, eu e sua mãe estamos indo comprar seus livros. – após a confirmação de Scorpio, Draco e a esposa partiram.

Sozinhos, Albus foi o primeiro a dar um soco no ombro do amigo.

- Que diabos aconteceu nas férias? Algum acidente com feitiços?

Albus era o mais alto dos três até antes das aulas acabarem. Agora Scorpio havia crescido de repente e se tornado incrivelmente atraente e alto. O amigo riu.

- Não reparei que cresci tanto assim.

Rose corou quando Scorpio olhou para ela.

- Senti saudades dos dois. – disse Scorpio – As férias não foram tão legais quanto as que passei na sua casa, Al.

- Imagine-se ouvindo seu irmão falar que a Grifinória ganhou novamente o troféu das casas e o de Quadribol.

- Mas foi o último de Quadribol, convenhamos. Agora você vai vencer.

- Eu vou. – afirmou Albus – Com certeza.

Após vaguearem pelo Beco Diagonal por algum tempo, os três foram para a Loja de George. Lá, Fred II e Roxanne já estavam se divertindo com algumas invenções, com suas novas varinhas. Harry conversava com Ron e Hermione e Matilde tentava livrar o pai de uma espécie de macaco que havia agarrado sua cabeça.

Encontraram também um grupo de meninas da Sonserina que se apressaram em ir falar com Scorpio e Albus. Ou apenas Scorpio, quando perceberam a mudança que a puberdade estava causando no garoto.

Albus se afastou quando percebeu que não era bem vindo e se juntou a Rose na escolha de alguns motivos pra matarem aulas. Exceto que a prima jamais as usaria e Albus não sabia exatamente por que ela sempre comprava, se ia acabar dando para ele.

- Scorpio está fazendo sucesso, não? – disse Rose, pegando algumas vomitilhas.

- Ele cresceu uns quinze centímetros essas férias, não é possível. – disse Albus. – Não, Ro, bombas de bosta são muito óbvias. – disse quando a prima pegou algumas da prateleira.

- Parece estar adorando a atenção que está recebendo. – resmungou Rose. – Típico de um Malfoy.

- Meu irmão faz uso da fama do meu pai desde os onze anos. E ele é um Potter.

Os dois ainda conversavam quando Matilde se aproximou dos dois, tímida, mas ainda feliz demais pra se conter. Albus a achava bastante peculiar, talvez porque suas roupas fossem muito trouxas, e ele nunca tivesse convivido com um trouxa. Ele não conhecia muito bem esse mundo, e morava num tipo de condomínio só com bruxos, o que era raro. E achava muito interessante que ela fosse bruxa, porque a tia-avó de Matilde era Lily, uma bruxa também nascida trouxa. O que, no sangue da família, fazia com que crianças bruxas nascessem eventualmente?

Aparentemente, bruxos não nasciam sem motivo algum de trouxas. A magia estava no sangue, de alguma forma.

- Então, como é essa escola? Hog...hog...

- Hogwarts. – disse Rose – É legal.

- Eu vou aprender feitiços?

- Feitiços, poções, história da magia, trato de criaturas mágicas, herbologia. Vai aprender a andar de vassoura também, e se o fizer bem, pode pertencer ao time de Quadribol da sua casa.

- Vassouras? Achei que isso fosse mito. – os olhos de Matilde brilharam – Quadribol? É tipo futebol em vassouras? E casa? Como assim?

Albus não estava acostumado a explicar o mundo bruxo a pseudo-trouxas. Aliás, essa palavra era mais comumente usada no lugar de sangue-ruins, já que não era pejorativa, mas significava exatamente a mesma coisa.

- Quadribol é o esporte favorito dos bruxos. É difícil explicar, mas você vai acabar assistindo um jogo uma hora ou outra. E quanto às casas… os estudantes de Hogwarts são divididos conforme suas personalidades em quatro casas diferentes. Sonserina, Grifinória, Lufa-lufa e Corvinal.

- Sonserina é para os ambiciosos, - começou Rose – Grifinória para os corajosos, Corvinal para os inteligentes e Lufa-lufa para os mais leais.

- Em que casa vocês estão?

- Sonserina – Albus apontou para si próprio – e Grifinória – e apontou para a prima. – Scorpio também é da Sonserina. Meus pais são da grifinória, e todos os demais da família, a exceção da mãe de Teddy – apontou para Teddy, ao lado de Victoire, ambos já formados, mas acompanhando a família – que é da Lufa-lufa. Mas ela já morreu, há bastante tempo. Então é uma família de Grifinórios.

Matilde estava perdida pois descobrira que muita gente fazia parte daquela família. Ainda tinha muita coisa pra ela descobrir.

- Scorpio é aquele loiro alto? – ela perguntou – Bonito. Acho que quero ir pra Sonserina também.

- Você não vai. – disse Rose, rapidamente – É nascida trouxa e eles não aceitam nascidos trouxas.

- Faz diferença? – os olhos dela quase se entristeceram – Ser nascida-trouxa?

Albus a encarou, pensando na avó que morrera tão corajosamente, e no sangue mágico que se mantinha naquela família, sendo provado pelo nascimento de Matilde. Pensou na tia Hermione, a mais brilhante bruxa de sua época. E olhando nos olhos da menina, sorriu, mais gentilmente do que gostaria, e lhe respondeu:

- Não faz diferença. Não faz diferença nenhuma.

Se Harry tivesse ouvido, teria rido sozinho, já que só ele sabia que naquela hora Albus estava sendo mais Severus do que qualquer outra coisa.

Muitas pessoas num capítulo extremamente longo. Nem preciso dizer que a Lily vai ter um papel importantíssimo. A Matilde também.

Dessa vez eu continuo, guys x.x