Pessoas, quero deixar um esclarecimento aqui.

Essa fic está me matando de arrependimento.

Sim, arrependimento.

Comecei ela há MUITO tempo, empolgada com o último filme. Dediquei muito tempo a ela. Pesquisei, passei horas lendo a respeito da vida do Snape e de tantos outros personagens, muitos pouco conhecidos, pra que tudo ficasse condizente.

Mas de repente, surgiu "Platônico".

Platônico é um livro que eu escrevi e será publicado pela editora Novo Século em Julho deste ano. Foi escrito nesse intervalo de tempo entre essa fic e agora. Foi aceito pela editora em questão de 2 dias. Então desde que isso aconteceu, tenho me dedicado ao livro e acabei esquecendo um pouco essa história, que era muito mais complexa do que está agora. Tinha muitas coisas pra acontecer, muitos anos pra se passar. O ponto é: não tenho anotado tudo que ia acontecer, só lembro dos pontos principais. Só que essa fic teve mais reviews do que imaginei e estou me sentindo culpada de abandoná-la. Então se quiserem MESMO ler essa fic até o fim, continuarei postando, mas a partir do capítulo 16 não tenho mais escrito e terei que "recomeçar" a escrevê-la. Ou seja, ela pode perder alguns detalhes, pode saltar anos muito rápido e ir direto pra pontos chave, além de demorar um pouco pra sair. Espero que me perdoem =(

Obrigada e aqui vai o capítulo 14.

Capítulo 14 - Heróis

Albus ficou bastante satisfeito ao visitar o Basilisco quando as aulas voltaram. Ele agora estava do tamanho de uma constritora, com cerca de quatro metros e a grossura de um braço forte. A cabeça tinha escamas mais escuras e consistentes, com pontas semelhantes a chifres. Era estranho pensar que aquela criatura era tão perigosa, pois com a companhia de Albus, a cobra havia se tornado um bicho de estimação não muito diferente dos usuais. Como não matava seu mestre com o olhar, era meramente inofensivo ao sonserino, e parecia gostar de brincar. Aprendia rápido e era uma caçadora impressionante. Divertia-se com coelhos selvagens que Albus levava até lá, ainda que fosse capaz de conseguir comida sozinha. Em alguns anos, ele pensava, teria de levar grandes mamíferos se quisesse agradar a criatura.

Enquanto saía do banheiro da Murta, chocou-se contra uma garota, e ambos caíram no chão. Ele se levantou num pulo e espantou-se quando percebeu que a garota era Matilde, vestindo as cores da Lufa-lufa.

- Desculpe, Snape, eu estava apenas indo ao banheiro. – ela disse, após erguer-se com a ajuda dele.

- Ah, você não vai querer usar esse aí. Tem um fantasma bastante irritante. – só então ele percebeu do que ela o havia chamado – Snape? Você por acaso sabe quem é esse homem?

- Desculpe, é como falam de você, achei que gostasse. Devo parar?

Até a Lufa-lufa o chamava de Snape. A Grifinória era normal, mas não fazia ideia de que isso havia se espalhado pelas demais casas. Parecia que só a Sonserina continuava chamando-o de Albus.

- Não me importo, na verdade. Snape foi um grande homem. Severus Snape.

- Ahh! Então é daí que vem o 'Severus'. Bem, eu conversaria mais, mas… - ela trançou as pernas – Quão irritante é o fantasma aí dentro? Não muito, te vi saindo daí…

- Oh, meu irmão jogou minhas coisas lá dentro. – ele levantou uma caixa que usara pra trazer o coelho para o Basilisco, já que era a única coisa que tinha nas mãos – Se precisa tanto, pode usar, mas as pessoas costumam evitar. – essa era sua preocupação que ela estivesse por lá quando fosse entrar na Câmara.

- Vai ser só dessa vez. – ela saiu correndo e entrou no banheiro. Albus achou ter ouvido a Murta gritar, mas não ficou para ouvir.

Toda vez que via Matilde, o pensamento de que ela nascera de pais trouxas lhe vinha à mente. O que lhe intrigava era que a menina nascera de uma família onde já havia uma nascida trouxa antes. O que ele queria era saber mais sobre a família que dera origem a Lily Evans, sua avó. Teria os pais de Lily tido algum bruxo na linhagem? Por parte de pai, de mãe, ou ambos?

Albus parou no pé da escada e não sabia bem pra que lado ia. Scorpio havia feito novas amigas ultimamente, e passava o tempo ocupado com elas. Martha Green, a monitora da Sonserina, o havia chamado para tomar cerveja amanteigada no Três Vassouras, na próxima viagem a Hogsmade, e ficara deveras irritada quando Juliet Mace, a apanhadora da Corvinal e garota bastante requisitada, fizera o mesmo convite. Então Scorpio agora passava a maior parte do tempo sendo paparicado por elas e por outras também, para que o convencessem sobre qual escolher.

Rose havia sumido, e ele não sabia bem o porquê. A via de vez em quando, no Salão Principal, ou nas aulas, mas, em geral, ela preferia ficar com outras garotas da Grifinória, ainda que não estivesse agindo estranho quando perto dele.

Nesse tempo em que pensava no que fazer, ele sentiu vontade de voltar ao Basilisco, mas se interrompeu quando Matilde parou ao seu lado.

- É, a fantasma é bem irritante.

Albus sorriu, impedindo-se de rir.

- Murta pode ser simpática se a tratar bem. – não que ele já tenha conseguido a façanha.

- Ela morreu naquele banheiro? Uma forma muito desagradável de morrer.

- Morreu lá, mas foi indolor. Olhou nos olhos de um Basilisco. – internamente, ele sentiu um certo orgulho de si mesmo.

- O que é um Basilisco?

- Uma cobra muito grande que mata com o olhar.

- E tem um desses por aqui?

- Não mais. – Albus se apressou em dizer – Meu pai matou o que assassinou Murta.

- Seu pai? – os olhos dela aumentaram de tamanho, interessada – Como ele fez isso?

- Ninguém te contou nada sobre Voldemort e toda história da magia não é?

Ela deu de ombros.

- Madame Frida diz que essa parte da História da Magia vem no terceiro ano.

- São coisas que todos sabem. Voldemort, o mais terrível bruxo das trevas que já existiu. – Albus sorriu, e pensou que seria interessante contar a Matilde a história toda como seu pai costumava contar. – Gostaria de ouvir?

- Sim! Seria ótimo.

Albus pensou em todos os nascidos trouxas que pipocavam em Hogwarts todos os anos e no quão perdidos todos eles deviam se sentir ao chegar lá.

Mas seus pensamentos foram interrompidos quando Lily apareceu, correndo e quase tropeçando nos próprios pés, ao lado de Fred II. Os dois riam até ficarem sem ar e pararam ao lado de Albus.

- Al! Não vai querer ir pra aula de Feitiços hoje. – aconselhou Lily.

- Bombas de bosta? – ele perguntou.

- Não pense pequeno. – Fred piscou um olho para ele.

- Pântano encharcado. – Albus ponderou.

- Sempre me espanta. – disse Fred – Um pouco de fumaça verde, lama, escuridão e o doce aroma de animais em decomposição.

- Vai demorar um tempo até limparem tudo. – concordou Lily.

A irmã havia ido pra Grifinória, como previsto. Tal como Fred II. Os dois eram bons amigos, e Lily Luna parecia se divertir com cada peça pregada pelo primo.

- E nem apresenta as amigas, Al? – reclamou Fred, virando-se para Matilde – Prazer, Fred Weasley II, primo do Al.

Al franziu o cenho e desgostou da atenção que Matilde reservou ao primo. Talvez se sentisse bem quando a prima nascida-trouxa lhe olhava com aqueles olhões verdes de curiosidade. Sem Scorpio e Rose, Albus se sentia jogado de lado, e ter a atenção de alguém era bom.

- Matilde Dursley. – ela apertou a mão do ruivo, sorrindo bastante. – Também prima do Al.

- Lily Luna, irmã. – ela balançou a cabeça na direção da menina, sorridente.

- E agora que a família já se apresentou, tenho um assunto pra falar a Matilde. – disse Albus, tocando o braço dela para leva-la embora.

- Que assunto? – perguntou Fred II, cheio de segundas intenções.

- Al vai me contar sobre Voldemort e toda a história da família.

- Isso pode ser interessante. – admitiu Fred II. – Lily, tem algo melhor pra fazer?

- Não.

E assim, ao contra gosto de Albus, foram os quatro até a Biblioteca, porque Albus gostava do lugar, e porque poderia lhe mostrar imagens que foram parar nos livros.

Eles mostraram a ela um livro com ilustrações de Hogwarts destruída após a guerra, e apontaram a todos os nomes de mártires numa espécie de anuário.

- Sirius Black, o padrinho do meu pai. – disse Albus, apontando uma figura de um homem com boa postura – E James Potter, o meu avô. Eles deram o nome do meu irmão.

- Lily Evans, nossa avó. – disse Lily, apontando no anuário – Meu nome veio dela. E de uma amiga da família que ainda vive.

- Fred Weasley. – o garoto apontou o tio no anuário, tão idêntico ao pai – Irmão gêmeo do meu pai, morreu na guerra também. Meu nome veio dele.

- E o seu, Albus? – perguntou Matilde.

- Meu nome veio de dois ex-diretores. – ele apontou a foto dos dois no anuário. Estavam um do lado do outro – Albus Dumbledore e Severus Snape.

- O que eles fizeram?

- Albus foi quem guiou meu pai o tempo todo, ensinando, lhe dizendo o que era preciso. E Snape… Snape foi quem enganou Voldemort por tanto tempo. O único capaz de mentir para ele. Ajudou meu pai secretamente. – ele não sabia muito mais do que isso, mas a figura lhe dava um olhar de confiança que não sabia explicar. – Me orgulho muito.

- Eu também me orgulharia. – ela tocou seu ombro, alheia ao fato de que Albus ainda encarava a pequena foto de Snape, perdido – Meus pais não sabem de nada disso. Enquanto seus pais lutavam, os meus… não sei, pra falar a verdade. – ela riu – Mas que engraçado todos vocês com nomes de heróis.

- Heróis. – murmurou Albus, pensativo, deslizando a mão pela página de fotos.

- E quanto ao Quadribol? – Matilde interrompeu seu pensamento, extremamente sorridente. – Disse que eu ia ver um jogo, mas até agora nada.

- Não se preocupe. O primeiro jogo é Sonserina contra Grifinória. – disse Fred II – Sempre uma boa partida.

- Engraçado. – disse Albus – Nunca vi uma do começo ao fim. – disse, relembrando que saíra muito machucado de todas elas.

O fato da primeira partida ser entre Grifinória e Sonserina tornava tudo muito mais perigoso: O time que perdesse, perdia imediatamente a taça, disputando com os demais as outras posições. Segundo lugar, no máximo, mas a taça jamais. A ideia das duas casas rivais se enfrentando eclodia com o fato de que só uma seguiria em frente pra disputar com as demais casas mais fracas o título. Perder na primeira rodada. Era vergonha demais pra qualquer uma das duas.

Albus sabia disso e sabia o que estava em jogo. Com a proximidade da partida, seus nervos se retesavam. Ele abria e fechava a mão seguidas vezes, como se pegando um pomo imaginário.

- Desculpem, Grifinórios. – ele disse, erguendo o punho – Este ano, o troféu de Quadribol será meu.

Prévia do próximo cap:

- Al, achei que devia saber. Seu irmão. E aquele outro. – falava pausadamente, pra respirar, pois havia corrido até lá – Colocaram alguma coisa na bebida do Scorpio.