Warbler to Warbler

"Todo mundo ama o primeiro namorado. Até encontrar o segundo." – A Fic tem o episódio 3x01 como ponto de partida.


Capítulo 2 – A Vida na Árvore

"Só pedi um beijo em troca da sua liberdade, e você está achando isso caro?"

(5:26) Sebastian:
Você tem algum complexo por causa da sua altura?

(5:28) Blaine:
Correndo o risco de responder isso ainda dormindo, mas, do que você está falando?
(5:29) Blaine:
E, francamente, você sabe que horas são?

(5:31) Sebastian:
Cinco e meia da manhã, hottie.
(5:43) Sebastian:
Você não vai explicar o porquê de querer ler um livro onde as pessoas são miniaturas e vivem numa árvore? Se identificou? Acho bonitinho, versão pocket.
(5:55) Sebastian:
Eu duvido que você tenha voltado a dormir.

(6:32) Blaine:
Você leu o livro?
(6:47) Blaine:
Ok, essa demora é algum tipo de vingança ou algo do tipo?

(6:49) Sebastian:
ZzZZzzZZz

Blaine riu e deixou o celular de lado. Tivera uma noite até agradável, considerando o fato de que acordara duas ou três vezes durante a noite depois de sonhos inquietos com Kurt o odiando por não ter se transferido para o WMHS. Tomou um banho rápido, ainda rindo da irreverência de Sebastian.

E, problemas com a minha altura? Por favor. E o que diabos "versão pocket" queria dizer no contexto daquela mensagem?

Não encontrou com o rapaz durante o dia inteiro, e na sexta não tinha ensaio ou reunião com os Warblers. Dia de sair mais cedo da Dalton e dirigir até a casa de Kurt. Era uma rotina natural das sextas-feiras. Ele ia em casa, tomar um banho, se livrava do blazer e ir jantar na casa da família Hummel-Hudson. Aquela noite deveria ser tranqüila, como geralmente eram todas as noites com eles, mas sabia que ao fim da noite teria de falar com o namorado sobre sua decisão definitiva. Ele não poderia simplesmente sair da Dalton.

Quando seu relógio de pulso marcou sete da noite ele estava estacionando o carro e caminhando na direção da porta de entrada da casa. Supôs que Kurt o estivesse esperando na janela, considerando que ele abriu a porta segundos antes de Blaine erguer a mão na direção da campainha.

- Pontual como sempre! – ele exclamou, esticando o braço e puxando Blaine pela mão para entrar. – Carole fez salmão, eu ajudei, então com certeza está delicioso! Como foi seu dia?

Blaine respirou fundo e sorriu, acompanhando-o até o sofá e sentando ao seu lado, ficando frente a frente com ele. Pensou um pouco antes de responder sobre seu dia. Não tinha realmente sido grande coisa. A aula fora entediante, nada de Warblers, aquela sensação de que Kurt ia ficar triste com a sua decisão de permanecer na Dalton... nada de excepcional.

Pelo menos soube o que argumentar quando o professor perguntou sobre Sartre. Jeff lhe lançou um olhar satisfeito depois disso, aliás.

- Nada demais. Só aula, aula extra, mais aula... E quanto a você? Não nos falamos desde ontem à tarde por mensagem de texto. Isso é uma anomalia!

Kurt sorriu, logo desfazendo a expressão animada e tomando ar, voltando o olhar diretamente ao de Blaine e segurando sua mão entre as dele.

- Você sabe o que estou esperando. Só quis te dar um espaço pra, você sabe, preparar o coração dos Warblers, o seu próprio... – ele riu ao notar o sorriso contido de Blaine. – Você decidiu?

Blaine entreabriu a boca para falar, embora o olhar brilhante e lotado de expectativa de Kurt o intimidasse um pouco naquela situação. Antes, porém, que pronunciasse qualquer palavra, sentiu o celular vibrar em seu bolso. Aproveitou isso para fugir um pouco do assunto.

(19:11) Sebastian:
O que as pessoas dessa cidade fazem às sextas-feiras à noite?

(19:11) Blaine:
Namoram.

(19:12) Sebastian:
Opa!
(19:12) Sebastian:
Atrapalhei alguma coisa, né?
(19:12) Sebastian:
Mande um abraço.
(19:13) Sebastian:
Você parou uma transa pra responder minha mensagem?
(19:13) Sebastian:
Estou subitamente me sentindo muito importante.

(19:13) Blaine:
Pelo amor de Deus? Para um desconhecido, você é atrevido demais.

(19:14) Sebastian:
Ok... entendi. Não interrompi nada de interessante então.
(19:15) Sebastian:
E você feriu meus sentimentos ao me chamar assim.
(19:16) Sebastian:
Afinal, eu nem sou mais um desconhecido.

- É muito importante? – a voz de Kurt o fez finalmente tirar os olhos do visor.

Blaine sorriu e guardou o celular. Estava quase retomando a conversa quando Finn adentrou a sala e sentou ao lado de Kurt, uma generosa travessa de pipoca em mãos. Blaine suspirou, não sabia se aliviado ou de ainda mais tensão por ter o momento adiado novamente.

- Isso não vai ser muito cavalheiro da minha parte, mas por que o Blaine está aqui? – perguntou de repente, recebendo um olhar de desaprovação de Kurt. Blaine apenas riu. – É que sexta é dia de jantar em família, só perguntei por perguntar mesmo. Aliás, ele está sempre aqui no dia de jantar da família. Não se sinta indesejado, Blaine – acrescentou, inclinando-se sobre a pipoca para olhar no rosto do outro. – É só uma curiosidade sadia.

- Blaine é meu namorado, futuro marido, então ele praticamente já é parte da família.

Blaine ergueu as sobrancelhas e continuou calado, prendendo o riso enquanto Finn estreitava os olhos na direção de Kurt.

- Rachel é minha namorada e... bom, não sei se vamos casar, mas... mesmo assim, eu não nunca convidei ela pras noites em família.

- Como você mesmo disse previamente, você não é muito cavalheiro. A prova disso, além de não convidar a Rachel, é claro, é que você interrompeu a conversa importante que eu estava tendo com o Blaine.

- Oh, fiquem à vontade. Eu vou ligar a TV e podem fingir que eu não estou aqui.

Kurt rolou os olhos e olhou para Blaine, que deu de ombros, rindo simpaticamente. Talvez mais umas duas horas antes de dar seu veredicto a Kurt.

-x-

O jantar fora agradabilíssimo. Carole era encantadora e Burt não para de falar com Blaine e Finn sobre futebol. Por vezes ouvia uma ou outra reclamação de Kurt ou Carole, mas a conversa prosseguia tranquilamente entre todos. Quando cada um se recolheu a seus devidos lugares – o que significava Kurt e Blaine no quarto onde Finn não entraria com pipoca e perguntas inconvenientes – Blaine soltou o ar de seus pulmões e tomou as mãos de Kurt entre as suas.

- Kurt, você sabe que eu ia amar passar o ano inteiro com você, não sabe?

Kurt o olhou curioso, como se adivinhasse o que viria depois. – Mas...? – indagou o mesmo, soltando suas mãos das de Blaine, que as tomou de volta.

- Mas eu tenho uma história na Dalton, Kurt. Assim como você na McKinley. Você tem seus amigos e é por isso que você voltou, não é? Então, eu respeito o que é melhor pra você, eu sei que você se sente mais à vontade com os seus amigos ao redor e é exatamente assim comigo, também. Os Warblers são como minha família, eu não me vejo abandonando eles de repente e...

- Blaine, é só um ano! É o meu último ano, você pode voltar depois, ninguém te impediria. Eu só queria que... Eu só queria você comigo o tempo inteiro. Pode chamar de egoísmo, mas eu amo você, eu não quero ter que esperar pelas sextas à noite pra te ver ou pelas tardes depois do ensaio dos Warblers uma ou duas vezes na semana pra poder ver você.

Blaine suspirou, virando o rosto e fechando os olhos por um instante antes de voltar a encarar o olhar do outro.

- Kurt, independente do tempo que vamos ter juntos nós só precisamos fazer valer esse tempo, não acha? E nós vamos fazer esse ano ser mágico de um jeito ou de outro, mas eu preciso que você entenda que não é me transferindo pra McKinley que isso vai acontecer. Não foi com você se transferindo pra Dalton que as coisas melhoraram, lembra?

- Foi na Dalton que eu conheci você.

Não havia resposta que valesse para aquela afirmação. Blaine sorriu, procurando palavras que pudessem servir de argumento, mas não fazia sentido algum argumentar contra isso. É verdade, a Dalton era o local onde tudo começara entre os dois.

- Talvez por isso eu não queira sair de lá, Kurt. Os melhores momentos da minha vida estão lá, e embora você não esteja lá comigo. Eu só não posso arriscar mais uma mudança drástica na minha vida agora. Por favor, entende isso?

Kurt entortou a boca, não muito contente com a idéia, mas aparentemente convencido de que insistir não adiantaria. Suspirou profundamente e deitou na cama ao lado de Blaine, esperando que o garoto fizesse o mesmo e deitasse. Ficaram ambos com o olhar fixo no teto, até que Kurt riu baixinho e virou o rosto na direção do Blaine.

- Tem alguma coisa viva no seu bolso.

Blaine pegou o celular e sentou na cama antes de responder.

(21:37) Sebastian:
Suponho que AGORA SIM vou atrapalhar alguma coisa.

(21:37) Blaine:
Você continua me mandando mensagens aleatórias.

(21:39) Sebastian:
Você reparou? Sweet. Mas e então, já está indo pra casa? Estou meio perdido por essa cidade.

(21:39) Blaine:
Você está sempre perdido em algum lugar. Vou te acrescentar na minha lista de natal e te dar um GPS de presente. Prometo.

(21:40) Sebastian:
Que tipo de namoro é esse seu?

(21:40) Blaine:
Boa noite
.

-x-

Nick continuava mastigando a goma de mascar e encarando Blaine como se ele tivesse acabado de contar o maior absurdo do mundo. Jeff continuava prendendo o riso. Blaine, por sua vez, apenas os olhava como se não entendesse o que acabara de acontecer com o humor de ambos que pareciam não conseguir se concentrar em não rir.

- Qual é a graça? – perguntou, sério.

- Sebastian parece ser determinado, né? – comentou Nick, piscando o olho e rindo. – Qual é Blaine? Você não pode ser tão tonto. Ele te mandou mensagem às sete pra saber onde você tava e depois... bom, provavelmente pra checar se você e o Kurt tavam... você sabe...

Blaine olhou ao redor, vermelho. Jeff não conseguia conter o riso, embora fosse contido o suficiente para não pronunciar palavra alguma.

- Isso não é engraçado. Ele tem que parar. Eu nem conheço ele o suficiente para ficar trocando mensagens e ainda mais mensagens que tem a única intenção de se informar sobre a minha vida íntima. Eu vou falar com ele.

- Isso foi há dias, Blaine. – pontuou Nick, categoricamente.

- Eu sei, mas mesmo assim! Já viu o jeito que ele fica olhando pra mim nos ensaios?

- Não... e você também não veria se não olhasse pra ele também – comentou Jeff, enxugando os olhos ao parar de rir finalmente.

Na falta de uma boa resposta, Blaine deu de ombros e bufou, cruzando os braços.

- Kurt ficou distante depois daquele jantar. Sebastian nem mandou mais mensagens também, só comentei sobre aquelas porque vocês ficaram enchendo querendo saber a razão de eu o estar evitando nos últimos dias. Eu não quero que ele ache que estou dando qualquer abertura pra ele se aproximar.

- Oh, claro. Ele é parece ser o tipo de cara que liga pra isso. – Nick não poupou ironia na frase. – Aliás, alguém que te manda uma mensagem ambígua às dez da noite querendo saber se você está fazendo sexo com o seu namorado é mesmo o tipo de pessoa que se importa em esperar por alguma abertura pra se aproximar. E, repito, isso foi há dias. Se você for procurar ele agora vai parecer meio doido. Você acabou de dizer que ele parou de mandar mensagens, não foi?

- Sim, mas, o jeito que ele olha e...

- É só não olhar de volta, já disse – foi a vez de Jeff falar, gesticulando com as mãos como se a paciência estivesse se esgotando. – Você tá fazendo tempestade em copo d'água.

- Talvez.

- Você é cheio de talvez, Blaine. Francamente. Mais um talvez na sua vida e você vai ser promovido a filósofo moderno. E não encare isso como um elogio, pequeno Sócrates.

- Pequeno Sócrates? Por que Pequeno Sócrates?

- Isso ainda é sobre a pergunta do Sebastian sobre você ter problemas com a sua altura?

Blaine fechou a cara de novo enquanto Jeff e Nick voltaram a rir como se aquela fosse a piada mais engraçada do dia. Talvez fosse.

-x-

(14:48) Sebastian:
Você me pediu pra roubar aquele livro por nada? Ou era mesmo só pra eu ler e imaginar que você é um dos pocket men da árvore?

(14:50) Blaine:
Funny.

(14:51) Sebastian:
Ainda bravo? Prometo não interromper mais suas sextas-feiras.
(14:51) Sebastian:
Sábados livres?

(14:54) Blaine:
Wes vai acertar a marreta dele na sua cabeça se você não parar de olhar pro telefone mais do que ouvir os anúncios dele.
(14:54) Blaine:
E não. Nada de sábados livres.

(14:55) Sebastian:
Evite o meu assassinato e me encontre às 15:30 no jardim.

(14:59) Blaine:
"Querida encolhi as crianças" versão "Smythe encolhendo Blaine" pra eu poder experimentar a vida na árvore?

(15:01) Sebastian:
Te encolher? LOL
(15:02) Sebastian:
Desculpa. Mas vamos te manter num tamanho visível a olho nu, ok? Não se atrase.

Um riso irônico na direção de Sebastian foi a resposta final de Blaine.

-x-

Blaine chegou pontualmente ao jardim. Não vira problema em atender ao chamado do rapaz, afinal ele próprio o pedira para roubar o livro para ele dias atrás. Era sexta-feira, aliás. Dia de ver Kurt. Passara a semana inteira receoso. Kurt não recebera da melhor forma a notícia de que Blaine não iria se transferir. Na verdade ele pareceu extremamente chateado e não fazia muita questão de esconder sua decepção. Embora Blaine quisesse poder fazer algo a respeito, os últimos dias tinham sido silenciosos no que se tratava de Kurt. Não foram tomar café nenhuma vez no Lima Bean, a última conversa por telefone durara menos de vinte minutos – e fora há três dias – e Kurt quase nunca estava online. O único contato mais longo era por mensagens e ele nunca sabia que humor Kurt estava em suas mensagens. Como se fosse possível adivinhar.

Olhou ao redor pelo jardim e não viu ninguém. Parou à sombra da única árvore realmente alta de lá e se encostou no tronco, suspirando demoradamente e pegando o celular.

(15:31) Blaine:
Pontualidade é uma das minhas qualidades mais admiráveis. Você vai demorar?

(15:31) Sebastian:
Eu já estou aqui.

(15:32) Blaine:
A não ser que você tenha realmente encontrado a fórmula para diminuição de massa corporal... eu não estou te vendo.

(15:32) Sebastian:
Em cima de você.
(15:32) Sebastian:
Não num sentido sexual, infelizmente.

Blaine riu e se afastou alguns passos da árvore e olhou para os galhos mais altos. Sebastian não estava tão alto na árvore, só alguns galhos acima da cabeça de Blaine.

- Achei que era humanamente impossível você parecer ainda menor, Blaine!

- Quando as piadas sobre a minha altura vão terminar, Golias?

- Golias? Péssimo gosto pra piadas, o seu! – Sebastian, desceu da árvore e bateu as mãos para tirar o pó da madeira que ficara nelas, respirou profundamente e abriu um largo sorriso. – E não são piadas. Só estou associando você ao personagem do livro que você me fez roubar. Você é uma má influência, Blaine! Sobre o livro, os personagens... são mínimos e moram em folhas, que tipo de absurdo é esse? A propósito, é um livro infantil, que idade você tem? Onze?

Blaine cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas, ouvindo-o atenciosamente e sem reclamações. Sebastian tinha aquele ar despreocupado, como se qualquer assunto fosse tranqüilo o suficiente para se tratar com ele sem restrições.

- Eu li o livro quando era criança. Só senti falta da história e procurar pra ele pareceu uma boa distração para alguém perdido na biblioteca à noite. Espero não ter dado muito trabalho encontrar.

- Na verdade não. Encontrei um garoto prestativo que aceitou procurá-lo por mim em troca de... um ou dois favores.

Blaine tossiu, baixando a cabeça e tentando não parecer constrangido com o olhar sugestivo de Sebastian. Esse último riu, parecendo divertir-se com a timidez que surgia subitamente ao rosto do rapaz.

- Você vai me dar o livro ou vai cobrar algum favor em troca dele? – indagou Blaine, segundos depois, num tom sarcástico, enquanto caminhava na direção da árvore e voltava a apoiar as costas nela.

Sebastian o encarou e desceu o olhar pelo corpo de Blaine indiscretamente. Ele colou as mãos nos bolsos e deu passos lentos na direção dele, pondo uma das mãos contra a árvore, ao lado do rosto de Blaine que não teve reação imediata à aproximação. – Eu ainda acho que a biblioteca é mais agradável, Blaine. A iluminação é perfeita, o clima também... há vários corredores vazios e o risco de nos pegarem no flagra é bem menor, mas se o jardim é mesmo o único lugar que te convenci a vir sem insistir muito... acho que posso pensar em alguns favores que você possa fazer à luz do dia. Parece excitante.

Blaine entreabriu os lábios e riu, entendendo a intenção de Sebastian e saindo de onde estava, tomando alguma distância que lhe parecesse segura.

- Eu não estava me referindo a isso, na verdade. E... Eu já disse a você, Sebastian... eu tenho namorado e você realmente devia parar com isso. E com isso eu quero dizer tudo mesmo. Mensagens fora de hora, olhares... tipo esse... e essas cantadas com alto teor erótico que realmente deviam parar.

- Eu não estou te pedindo em casamento... só sugeri que saíssemos da rotina... e eu não ligo se você tem namorado, ele não precisa saber de tudo, precisa? O que os olhos não vêem o coração não sente. E ele está longe, você agüenta mesmo passar uma semana inteira sem... oh, ok, isso considerando que sua última sexta-feira não parece ter sido divertida.

O rosto de Blaine ganhou tons avermelhados intensos e ele apenas desviou o olhar e tentou encontrar palavras para responder ao outro. Limpou a garganta, tentando camuflar seu nervosismo. O jeito de Sebastian falar o deixava levemente inquieto.

- Há muitos garotos na Dalton, Sebastian.

- Atualmente, aqui na Dalton, só você me interessa.

- Aqui na Dalton, oh, ok – Blaine riu, incrédulo. – Você é tão... – interrompeu-se ao sentir a vibração do celular no bolso e parou para olhar. Era Kurt, antes, porém, que seus dedos deslizassem pela tela para que ele pudesse ler a mensagem, Sebastian tomou o aparelho de suas mãos.

- É o seu namorado? Oh, claro que é.

- Sebastian, me devolve isso.

Ele começou a andar em círculos ao redor da árvore, lendo a mensagem em voz alta para que Blaine pudesse ouvir - "Ansioso por hoje à noite. Tenho essa sensação de que fui um péssimo namorado essa semana. Prometo compensar." Que adorável, mas não fiquei muito empolgado.

- Devolve! – Blaine segurou o braço de Sebastian e o puxou, virando-o para si e esticando o braço tentando recuperar o celular, o outro apenas ergueu o braço o mais alto que pôde e sua altura ajudava, pois Blaine tentava inutilmente alcançar sua mão. Sebastian ria enquanto Blaine segurava seu outro braço com uma das mãos e se esticava contra seu corpo em tentativas frustradas de tomar seu telefone.

- Sabe, Blaine, se você continuar se esfregando contra o meu corpo com essa insistência vai ser difícil permanecer com o discurso de que eu devo respeitar seu namorado e tudo o mais...

- Não fala besteira, me dá o celular.

- O celular por um beijo – sugeriu, mirando os lábios de Blaine com o olhar.

- Sem chances! Você bebeu? Eu não vou te beijar de jeito nenhum! Anda, me devolve isso agora, Sebastian!

- Só pedi um beijo em troca da sua liberdade, e você está achando caro? – brincou, embora a surpresa pela rejeição fosse genuína – Que tal uma resposta pro seu namorado, então, Blaine? Não é legal deixá-lo esperando. Deixe-me ajudar você com isso.

A respiração de Blaine já estava fora de compasso enquanto seu corpo se chocava frequentemente contra o do garoto, ficando nas pontas dos pés e inclinando contra Sebastian, que agora tinha os dois braços erguidos e o olhar fixo no visor do telefone. Ele digitou algo apressadamente e depois voltou seu olhar para Blaine, se desequilibrando momentaneamente e caindo de costas no chão com o outro por cima dele. O menor aproveitou a deixa para se esgueirar até sua mão e pegar o aparelho, erguendo-se sobre os joelhos logo depois para checar o visor. Havia uma mensagem enviada e uma resposta que acabara de chegar.

(15:54) Blaine:
esteja nu

(15:56) Kurt:
Blaine?

Arregalando os olhos e encarando o sorriso travesso que Sebastian tinha no rosto, Blaine não conseguiu sequer pensar em algo para responder de imediato e seu coração estava acelerada a um nível de adrenalina tão elevado que era impossível raciocinar.

- Embora estar entre as suas pernas seja agradável... eu ainda acho que isso seria melhor num lugar onde ninguém pudesse nos ver, Blaine.

A coxa direita de Sebastian estava entre as duas pernas de Blaine, que continuava de joelhos com o misto de expressões mais variado estampando-se no rosto, ele abriu os lábios para dizer qualquer coisa, mas a voz não veio de imediato. Levantou-se e limpou a calça, voltando a atenção para o celular mais uma vez.

(15:57) Blaine:
Piadinha. Até mais tarde.

(15:58) Kurt:
Oh... ok.

Sebastian ficou de pé e limpou a roupa, rindo enquanto via um Blaine nervoso arrumar o blazer à sua frente. Ele mordiscou o lábio inferior e tentou ficar sério para falar, mas o olhar irritado do garoto à sua frente era de certa forma tão hilário que era impossível não rir ainda mais.

- Eu aposto que te garanti uma noite mais divertida, Blaine! Você devia me agradecer e não me olhar assim!

- Não teve graça.

- Não, a não ser que você e o seu namorado realmente nunca tenham... – o olhar rápido de blaine em sua direção o fez parar e abrir a boca, incrédulo. – Oh meu Deus! Vocês nunca...? – a gargalhada soou límpida como uma sinfonia e Blaine revirou os olhos, sem jeito. – Ok, desculpa. Eu realmente achei que sexta-passada poderia ter sido apenas uma má noite ou algo assim... afinal, que namoro em boas condições de sobrevivência te daria tempo para responder as mensagens de um... como é mesmo que você me chamou? "Desconhecido"?

- Você não sabe nada sobre Kurt e eu, não faça comentários.

- Certo, eu vou guardar meus comentários pra mim mesmo. Kurt é o nome dele?

- Eu estou indo embora.

- Hey, espera! Eu não te chamei aqui só pra você ir embora com raiva de mim. Toma seu livro – ele puxou o livro do bolso interno do blazer e ofereceu a Blaine que se aproximou rapidamente para pegá-lo. Sebastian, no entanto, ergueu o braço mais uma vez. Blaine parou.

- Nós não vamos começar com isso de novo, ok?

O garoto fez beicinho e depois deu de ombros, esticando o braço com o livro na direção de Blaine. – Não custava nada tentar.

-x-

Se Blaine tivesse que dizer qual o momento mais constrangedor da sua vida, certamente seria aquele em que Kurt abriu a porta e olhou pra ele com aquele olhar de quem iria dar uma bronca homérica e depois cultivar uma tensão tão imensa que ele poderia tocar com as mãos e escalar até encontrar ar respirável entre as nuvens depois.

Quando o jantar silencioso – pelo menos da parte de Blaine e Kurt – terminou, Blaine sentiu que era o momento em que morreria pelas mãos de Kurt. Aquela sensação de frio na barriga estava incomodando. Estavam no quarto, sentados frente a frente na cama.

- Kurt...

- "Esteja nu"? Piadinha? Blaine...?

Blaine fechou os olhos e tentou encontrar uma boa forma de explicar ou pelo menos diminuir o constrangimento daquela conversa. Não seria inteligente dizer que um outro garoto havia mandado aquela mensagem. Não havia uma forma inteligente, aliás, de explicar aquilo. Apelou para os hormônios.

- Eu estava... excitado e... bom, é isso, eu estava excitado e você me mandou uma mensagem e meu cérebro entrou em conflito com os meus hormônios, provavelmente... Não torne isso ainda mais difícil de explicar, por favor.

Kurt arqueou a sobrancelha e depois riu, levando as mãos aos ombros de Blaine inclinando-se para um beijo. – Não vou tornar, tudo bem. Blaine, você sabe como eu me sinto em relação a isso... eu não sei se estou pronto pra...

- Kurt, tudo bem. Eu não quero pressionar você com isso, por favor, só... esquece a mensagem, ok? Não foi nada. E você... – Blaine sorriu, tentando recuperar um pouco da calma e bom humor. - só precisa ficar nu quando estiver pronto, ok?

- Claro... – Kurt sorriu de volta.

-x-

(23:49) Sebastian:
Does she look at you the way i do? Try to understand the words you say and the way you move?
(23:50) Sebastian:
Does she get the same big rush, when you go in for a hug and your cheeks brush?

(23:53) Blaine:
Hum… o quê?

(23:54) Sebastian:
Estava ouvindo essa música e quis compartilhar com alguém. Não seja estraga prazer.
(23:58) Sebastian:
Tarde para ainda estar acordado. Eu te acordei?

(00:00) Blaine:
Amanhã é domingo, posso me dar ao luxo de dormir mais tarde. Não, não me acordou.

(00:10) Blaine:
Tell me am i crazy, or is this more than a crush?

(00:12) Sebastian:
Crush? Não sou criança pra ficar de quedinha por alguém, sou mais inteligente que isso.

(00:13) Blaine:
Eu só estava continuando a música, grosso.

(00:14) Sebastian:
Tem noção de que escolheu um péssimo verso pra mandar?
(00:15) Sebastian:
Você não é muito bom nisso de paquera, né?

(00:16) Blaine:
Não estou te paquerando. Você me mandou sms antes.

(00:17) Sebastian:
Sua inexperiência é excitante, Blaine.

(00:18) Blaine:
Boa noite, Sebastian.

(00:18) Sebastian:
Maybe i'm alone in this, but i find this peace is solitude knowing if i had but just one kiss, this whole room would be glowing…
(00:23) Sebastian:
Você não vai continuar cantando, né?

(00:24) Blaine:
Eu disse "Boa noite", Sebastian!

(00:25) Sebastian:
Pff.

(00:25) Blaine:
Pff.
(00:27) Blaine:
Esqueça o pff.

(00:28) Sebastian:
Hã? Você está naquele estágio de mandar mensagem dormindo de novo?

(00:29) Blaine:
Boa noite.


N/a: Ficou UM POUCO mais longo que o primeiro. Acho que a prática traz a perfeição, né? Gostei mais desse capítulo que do primeiro. Estou empolgada. HAHAHA. Esse veio até rápido, mas não garanto que o novo capítulo venha amanhã, ok? Talvez um ou dois dias pra eu poder terminá-lo e postar. Spoilers, frames e músicas eu fico mandando aleatoriamente no meu twitter lari_wonka. Beijocas!

A música que Sebastian mandou por sms é essa: /watch?v=nRISG6pZIoc (youtube, só colar isso depois do youtube (ponto) com (barra) KKKK é a música Blame it on the rain da banda He is We. Até a próxima!