Warbler to Warbler
"Todo mundo ama o primeiro namorado. Até encontrar o segundo." – A Fic tem o episódio 3x01 como ponto de partida.
N/a: Esse capítulo tem alguns paralelos com cenas da série, assim como o capítulo 1. Creio que haverá outros no decorrer da fic, acostumem-se.
Capítulo 3 – Scandals
"Até quando você vai se esquivar?"
Os olhos de Sebastian eram de um verde mítico, com matizes esverdeados, ou talvez fossem verdes em tons de mel, Blaine não saberia dizer ao certo, mas sabia que eles se transformavam em pequenas esferas brilhantes sempre que se fixavam nos seus e pareciam ter algum tipo de poder sobre-humano a considerar o calor que lhe provocavam. Talvez fosse só um pouco da timidez de ser devorado por aqueles olhos. Desviou o olhar e observou o pequeno Mozart se remexer em sua gaiola aberta.
Era engraçado como mesmo com a portinhola sem trava alguma e livre para voar, Mozart continuava ali, empoleirado nos gravetos artificiais da gaiola. Por vezes saia, pulava por cima, beliscava o ferro no topo da sua prisão e depois voltava silencioso, iniciando em seguida um canto tranqüilo e suave.
- Você sempre chega cedo aqui – a voz baixa de Sebastian chegou aos seus ouvidos naquele tom baixo e rouco, como se eles dividissem algum segredo.
- Você sempre chega mais cedo que eu – retrucou Blaine, sem tirar os olhos do pássaro. – Alguma razão especial? Duvido que seja pra pensar sobre o que leva um pássaro a preferir a gaiola sendo que a liberdade está lá fora.
- Mozart só sai da gaiola antes das sete da manhã, quando ainda há orvalho nas folhas do jardim. Eu chego antes disso, abro a janela, ele vai até lá e depois volta pra segurança da gaiola. Pra alguém que gosta de pássaros, você não sabe muito sobre eles.
Blaine arqueou a sobrancelha, juntando as mãos sobre o colo e recostando-se confortavelmente no sofá. Girou a cabeça para encarar o outro, um meio sorriso formado no rosto, com traços delicados no olhar de quem parecia impressionado.
- E você fala como um profissional.
- Li alguns livros. Não sou tão superficial assim, Blaine.
- Eu nunca disse que era – um breve silêncio formou uma camada densa de tensão entre eles e Blaine respirou fundo, focando-se imediatamente em alguma outra coisa. – Eu gosto de chegar cedo porque tenho um tempo comigo mesmo, ou tinha, já que agora você costuma madrugar por aqui. Isso explica suas mensagens às cinco da manhã.
- Você adora a minha companhia, admita.
- Nunca.
Eles riram e Sebastian ficou de pé, pondo as mãos nos bolsos e caminhando pela sala, silenciosamente. Blaine o acompanhava com o olhar, sem pronunciar palavra alguma, na espera de que o silêncio fosse quebrado pelo outro.
- O que acha de um café comigo hoje à tarde, Blaine?
O fato de Sebastian estar há quase meia hora sem lhe lançar nenhuma cantada contava alguns pontos em favor dele, com certeza. Blaine meneou a cabeça e pensou por um instante. Um café na companhia dele parecia um programa inofensivo.
- Claro, por que não?
-x-
(12:45) Kurt:
O que vai fazer hoje?
(12:48) Blaine:
Vou no Lima Bean hoje à tarde com um dos Warblers e tenho grupo de leitura à noite.
(12:49) Kurt:
Quem?
(12:51) Blaine:
Ah, você não conhece. Ele é novo na Dalton.
(12:51) Blaine:
Vejo você amanhã?
(12:52) Kurt:
Claro.
(13:35) Kurt:
E esse novo amigo, como ele é?
(13:37) Blaine:
Extremamente sexy e charmoso. Vive me chamando pra sair...
(13:38) Kurt:
Oh.
(13:38) Blaine:
LOL
(13:40) Kurt:
?
(13:41) Blaine:
Seu lado ciumento é divertido! O nome dele é Sebastian, mas não precisa ter ciúmes, ok?
(13:42) Kurt:
Eu não tenho.
(13:43) Blaine:
Ainda bem... porque aquilo sobre ele ser sexy e ter me chamado pra sair é verdade.
(13:44) Kurt:
Tchau Blaine.
(13:44) Blaine:
Até amanhã!
-x-
O Lima Bean parecia aconchegante. Pelo menos foi o que pensou Sebastian ao entrar com Blaine ao seu lado. Os dois não demoraram muito na fila até pegar o café logo se dirigiram a uma das mesas. Ele contava sobre Paris e algumas aventuras – nada românticas, para o gosto de Blaine – e por vezes pedia que o outro falasse sobre a Dalton, suas experiências, frequentemente mudando de assunto quando Blaine tocava no assunto "namorado".
- No ano passado ele foi estudar na Dalton e nos tornamos amigos...
- Por que você não está no conselho?
- Eu devia começar a contar todas as vezes que você não me deixa falar sobre o meu namorado.
- Eu não dou a mínima pro seu namorado, e não vamos progredir se você continuar falando dele. Mas então, porque você não está no conselho? Disseram pra mim que seu nome foi citado por vários Warblers para estar no conselho esse ano.
Blaine tomou um gole de seu café respirou fundo. Sebastian mantinha aquele olhar de quem o despia em sua mente. Depois de um sorriso tímido, a resposta veio finalmente.
- Eu prefiro estar entre os outros. O conselho não faz muito meu estilo... talvez no meu último ano, mas por enquanto não.
- Por enquanto você podia parar de fazer o difícil e aceitar ficar comigo. – a tranqüilidade da voz era acompanhada por aquele tom rouco baixinho que adentrava com uma sensualidade absurda nos ouvidos de Blaine. – Eu já sei o número do seu quarto, Blaine. Se você não topar uma fuga noturna eu juro que bato na sua porta e canto uma música da Britney Spears até você abrir e me deixar arrancar sua roupa.
Blaine entreabriu os lábios e arregalou os olhos, sem palavras que pudessem responder àquele ultimato.
- Você ficou vermelho de novo – comentou Sebastian, por fim.
- Você precisa parar com isso, Sebastian.
- O quê? De comentar minha vontade de tirar sua roupa ou de deixar você vermelho? Ambas as opções são atraentes demais para que eu abra mão.
- Eu sei que isso realmente não parece importar pra você, mas eu não quero magoar ninguém, principalmente o meu namorado – a pronúncia da palavra namorado fez com que Sebastian virasse o rosto numa expressão de tédio. – Eu não faria nada pra estragar minha relação com ele, e isso inclui fugas noturnas com quem quer que seja.
A conversa foi interrompida pela voz de Kurt que se aproximou por trás de Blaine.
- Ora, mas que surpresa! Eu não imaginei que estaria aqui essa hora, Blaine. Achei que viria mais cedo com o seu... amigo... – Kurt examinou Sebastian por alguns segundos antes de sorrir, forçadamente.
- E você seria... – disse Sebastian, estreitando os olhos para o recém-chegado, indiferente.
- Você é o Sebastian, imagino. Blaine falou alguma coisa a seu respeito... – olhou Sebastian de cima a baixo e depois sentou ao lado de Blaine, o mais próximo que lhe fora possível. – A propósito, sou Kurt Hummel, você deve saber quem eu sou – concluiu, enlaçando seu braço ao do namorado.
- Hum... não. Não faço idéia. Blaine não me falou nada sobre você – ele tomou um gole do café e depois seus olhos brilharam, como se acabasse de lembrar algo há muito esquecido. – Oh, Kurt, você disse? – ele riu, dirigindo seu olhar a Blaine. – Foi esse o nome que vi no seu celular dia desses, não foi Blaine?
Kurt virou o rosto quase em sincronia com Sebastian, olhando Blaine fixamente, esperando que ele se pronunciasse, embora fosse inadiável a pergunta que incomodava os neurônios de Kurt no momento – Por que ele estava com o seu celular?
- Longa história! – respondeu Sebastian, piscando o olho. – Coisas de nossas aventuranças pelo jardim, você não vai querer ouvir – o comentário fez Blaine tossir.
- Kurt é o meu namorado. E eu falei que tinha namorado, - disse ele, mais para Kurt do que para Sebastian. – E teria até falado mais, porém...
- Porém estávamos ocupados tratando de outros assuntos. E por falar nisso, temos que pensar em algumas idéias pras músicas das seletivas. Sei que ainda vão demorar um pouco, mas é sempre bom ter algo em mente desde cedo.
Kurt tossiu, como se para chamar atenção de Sebastian.
- Estavam falando sobre as seletivas antes de eu chegar?
- Não – respondeu Sebastian, de imediato. – Você quer retomar o assunto, Blaine? Eu não me importo nem um pouco.
Blaine pigarreou. Voltar ao assunto queria dizer voltar ao momento em que Sebastian cogitava arrancar as roupas dele em algum dos corredores da Dalton e Kurt certamente não ia gostar muito de ouvi-lo falar isso de novo. Ou continuar dizendo suas intenções, o que poderia ser ainda pior.
- Não, na verdade eu estava falando de você agora mesmo pro Sebastian. A surpresa é você aqui, aliás. Eu não imaginei que você fosse aparecer!
- Decidi de última hora.
- O que vocês vão fazer amanhã à noite? Convidaria para um programa hoje, mas é dia de clube de leitura dos Warblers e nós não perderíamos isso por nada, não é, Blaine?
- Amanhã é dia de jantar em família, - respondeu Kurt, direcionando seu olhar de um para o outro. – Blaine e eu estaremos ocupados vendo um bom filme, fazendo planos e declarações de amor até a madrugada.
Sebastian fez uma careta rápida e sua retina caminhou apressada até o canto dos olhos, como se buscasse um ponto de apoio que não o fizesse rir. – Excitante. Eu costumava fazer isso com as minhas primas de oito e seis anos de idade, quando eu tinha... bom, oito ou seis anos de idade, por aí. Amanhã é noite de Karaokê na Scandals. Que tal ir até lá e ter um pouco de diversão de verdade?
Blaine hesitou, explicando baixinho no ouvido de Kurt sobre a tal Scandals. A única boate gay de Ohio e onde eles certamente não conseguiriam entrar sem uma identidade falsa. Kurt sorriu para Sebastian, como se o desafio não o ameaçasse.
- Eu agradeço o convite, Sebastian, mas isso não é algo que Kurt e eu curtimos e...
- Nós vamos.
- O quê? – Blaine não pôde conter a surpresa de ouvir a voz de Kurt ao seu lado. – Kurt...
- Não é nada demais, parece ser divertido. E vamos estar juntos, então não vejo problema algum...
Sebastian sorriu satisfeito e cruzou os braços, seus olhos brilhando de satisfação quando encontrou com os de Blaine assentindo com a cabeça a decisão de Kurt e sorrindo em sua direção.
- Ótimo. Eu arranjo umas identidades falsas. Entrego nas mãos do Blaine amanhã...
-x-
Blaine não estava muito certo sobre a ideia de ir até aquela boate com Kurt e Sebastian. Em parte queria estar lá, dançar, se divertir, gastar algum tempo fazendo algo diferente com Kurt e onde não houvesse o risco dos pais dele interromperem. Não é como se ele nunca tivesse pensado em maneiras de fazer com que Kurt se sentisse mais confortável e entregue às suas carícias, mas sempre havia um "Cuidado com essa mão, alguém pode entrar a qualquer momento" que nunca era resolvido com um "Feche a porta, então." O fato é que Kurt ainda mantinha o velho discurso sobre sexo ser sujo ou sobre não estar pronto para dar um passo tão grande quanto aquele.
Mas quando se é um adolescente essas vontades não são contidas por simples pedidos de paciência, e Blaine - por mais paciente que fosse - já chegara ao limite mais de uma vez por tentar manter suas mãos longe de qualquer área sensível do corpo de Kurt. E ter alguém como Sebastian lhe lançando olhares e dando as sugestões mais variadas sobre como poderiam gastar o tempo pelos diferentes cenários da Dalton fazendo qualquer atividade indecente que não incluísse roupas não era a melhor forma de alimentar sua paciência para com o namorado.
Porém agora era Kurt dando um passo a frente, chamando-o para uma boate, sorrindo como se nada estivesse fora do lugar. Mas Blaine sabia que algo estava definitivamente fora de lugar. Talvez fazer piadas sobre o quão charmoso Sebastian é não tivesse sido sua melhor ideia, e o fato era que definitivamente ele estava incerto sobre estar naquela boate aquela noite.
Avistaram Sebastian pouco depois de entrarem e darem uma rápida olhada ao ambiente ao redor. Nenhum rosto realmente familiar, algumas duplas pelos cantos, alguns olhares maliciosos jogados sobre eles, mas nada realmente escandaloso, como o nome propunha. Blaine sorriu ao avistar Sebastian e Kurt respirou fundo, seguindo-o até chegar onde ele estava.
- Aí estão vocês! – cumprimentou o rapaz, que mais cedo ficara incomodado quando Blaine dissera que iria buscar Kurt em casa e não poderia ir com ele à boate. – Tomei a liberdade de pedir uns drinks, espero que não se importe, Kurt, pedi sem álcool pra você, motorista da noite, ouvi dizer.
Não demorou muito até que a bebida tomasse controle do cérebro e do corpo de Blaine que deixava-se guiar pelos passos de Sebastian na pista de dança. A música estava alta e conversar não estava nos planos dele no momento. Apenas deixava-se levar pela bebida que circulava como um energético poderoso. Ele nunca fora muito forte no que se tratava de beber. Lembrava de quando ficou bêbado no ano anterior e chegou a acreditar que estava fortemente atraído por Rachel Berry. Mas agora estava na pista com um garoto que o devorava com os olhos e ignorava a existência de seu namorado que parecia nada animado com a situação, do outro lado do bar, tomando alguma bebida livre de álcool e com o olhar assassino direcionado a Sebastian.
Quando no auge de uma das músicas Kurt decidiu que era hora de defender o território. Não é a melhor sensação do mundo ver seu namorado dançando tão perto do garoto 'sexy e charmoso que vive o chamando pra sair', mesmo se isso fosse uma piadinha de Blaine, Kurt sabia que ele não dissera aquilo sem exibir alguma verdade. Levantou e foi confiante até Blaine, puxando para si e tomando controle da situação, tentando ao máximo mantê-lo longe de Sebastian.
Não havia uma forma de Sebastian roubar Blaine para si naquela situação sem causar uma briguinha ridícula com Kurt e ele honestamente não estava disposto a atingir tal nível de imaturidade. Parou de dançar e seguiu sem hesitar até o palco onde estava montado o equipamento de som e karaokê. Trocou algumas palavras com um dos operadores e posicionou-se diante do microfone. Segundos depois da música parou e ele chamou a atenção para si.
- Boa noite, Scandals... Sebastian Smythe para abrir a noite do Karaokê... Domino, Jessie J... – seu olhar captou o de Blaine aplaudindo e, sorrindo, apontou o dedo em sua direção. – This is for you, hottie.
A introdução da música começou a tocar e Sebastian não poupou olhares e movimentos sensuais enquanto começava a cantar (n/a: recomendo essa versão da música para acompanhar a cena: WWW. youtube. com /watch?v=pLBgzeGTjFw). Sua voz e suas entonações pareciam seguir como ondas diretas para Blaine, assim como seu olhar. "I can taste the tension like a cloud of smoke in the air… Now I'm breathing like I'm running, cause you're taking me there… Don't you know…" - uma piscadela e um sorriso acompanharam um movimento pélvico provocante. – "You spin me out of control!"
Blaine não tirava seus olhos do palco, como se tomado por algum feitiço ou talvez pelo nível de feromônios que parecia aumentar em progressão geométrica quando estava sob efeito do álcool. Sebastian se movia e cantava num ritmo gostoso de se ouvir e causava fagulhas de excitação que ultrapassavam o nível humanamente respeitável em Blaine. Kurt tentava não dar muita atenção a isso, concentrando-se em tentar roubar a atenção do namorado, embora não fosse tão fácil quando Sebastian se movia pelo palco, com seus passos teatrais, com aquele rebolado provocante e os olhares dirigidos.
"Dirty dancing in the moonlight… Take me down like I'm a domino…" – os lábios de Blaine se moviam junto da música.
Sebastian saiu do palco, ainda cantando, se aproximando de Blaine, dançando frente a frente, seus olhares entrecruzando-se, como se a música criasse vida dentro deles, expondo-se em uma forma bêbada e sedutora. "Uuh uuh uuh uh, ee can do this all night, turn this club, skin tight… Baby come on! Uuh uuh uuh uh, pull me like a bass drum… Sparkin' up a rhythm! Baby, come on!"
Embora Sebastian estivesse ignorando completamente a presença de Kurt, ele sabia que ele estava ali. Talvez próximo o suficiente para quebrar aquele momento a qualquer instante, mas ele sabia que Blaine estava envolvido demais para perceber o desconforto do namorado, sabia que ele estava excitado demais para ignorar sua música, seus movimentos, a sugestão explícita em cada gesto seu. "Every second is a highlight, when we touch don't ever let me go… Dirty dancing in the moonlight… Take me down like I'm a domino!"
Aplausos, pedidos de "bis", gritos, e o olhar de Blaine ligado ao seu. Sebastian entregou o microfone para o próximo a cantar e manteve o sorriso no rosto enquanto o clube ficava em silêncio por alguns instantes até a nova música começar a tocar.
- Belo show – comentou Kurt, quebrando o contato visual dos outros dois com sua voz.
- Obrigado, mas Blaine parece ter gostado bem mais. O que é ótimo, não me leve a mal.
- Eu vou ao banheiro – disse Blaine, afastando-se da tensão em que os outros se encontravam e tentando acabar com a sua própria ao lembrar de Sebastian cantando tão próximo dele.
Sozinhos e com aquela notória indiferença mútua, os dois na pista de dança trocavam um olhar recheado de veneno de ambas as partes. A diferença básica era que Sebastian mantinha o sorriso enquanto Kurt fechava sua expressão ao máximo.
- Fique longe do Blaine.
- E você é... o pai dele? Ou o irmão mais velho? O melhor amigo que parece com uma garota... Vou ficar essa última opção. A propósito, seu namorado – se é que posso chamar o que quer que vocês tenham de namoro – acabou de sair daqui completamente excitado, e estou falando mesmo no sentido sexual da palavra, e ao invés de ir atrás dele para aproveitar a visível vontade dele de transar, você preferiu ficar aqui para me dar conselhos ou fazer ameaças que passam longe de me comover.
- Você não me assusta. E Blaine e eu temos algo que você nunca seria capaz de ter com alguém, porque parece estar perdido por trás dessa máscara de futilidade que você carrega no rosto.
- Você me assusta um pouco. Aliás, você deve assustar qualquer pessoa num raio de um quilômetro só com essas suas roupas de Drag Queen moderna. Agora, se me dá licença...
-x-
Blaine jogou mais água no rosto. Estava se sentindo grogue, como se os pés não tocassem o chão. E estava excitado. Céus, como estava excitado! E estava no banheiro de uma boate gay lotada de estranhos. A voz de Sebastian ainda ecoava pela sua mente. Suspirou, fechando os olhos e erguendo a cabeça numa tentativa de diminuir um pouco a tontura que o álcool provocava. Foi, porém, surpreendido pelo contato de duas mãos quentes em seus quadris. Não tinha como saber se eram quentes por sobre o jeans, mas a sensação era quente. Virou-se apressado para vislumbrar o rosto de Sebastian atrás dele.
- Wow, você me assustou!
- Fiz bem mais que assustar você hoje, hein? – sempre o tom rouco e baixo que levava uma vermelhidão anormal às maçãs do rosto de Blaine. – Sua calça está apertada, Blaine... – comentou, colando seu corpo ao do menor, subindo as mãos por sua cintura, puxando a blusa que estava ainda arrumada dentro da calça, chocando sua pélvis contra a de Blaine, sentindo o contato de sua ereção – Você me tocar se quiser...
- Onde está o Kurt? – indagou Blaine, nervosamente, olhando para a porta.
- O quê? Você quer que ele se junte a nós? Safado.
Blaine não conseguiu evitar que um gemido baixo escapasse de seus lábios quando Sebastian inclinou-se e encostou seus lábios em seu pescoço. Um arrepio guiado por ondas elétricas que fizeram suas pernas bambearem por um segundo percorreu todo o seu corpo e entreabrindo os olhos, ele sabia que se não saísse dali agora, não sairia mais.
- Não, Sebastian, não - ele ria, como se sua consciência estivesse comprometida o suficiente para não ter certeza do que dizer –, eu tenho que ir encontrar o Kurt, eu não posso.
- Você sabe que quer isso tanto quanto eu. Porque fingir que não? Vamos lá, Blaine... somos só você e eu aqui. – a fricção de seus corpos se tornava mais intensa e suas ereções mais evidentes sob o tecido grosso da roupa.
- Não... não... não, Sebastian! Eu não quero! – disse, esquivando-se e buscando a porta do banheiro o mais rápido que conseguiu, sua respiração ofegante e o fôlego curto como se tivesse corrido uma maratona.
- Até quando você vai se esquivar, Blaine?
Antes de abrir a porta e sair, Blaine dirigiu-lhe o olhar mais sóbrio que foi capaz de esboçar no rosto e entreabriu os lábios, buscando palavras, tais essas que entregou a Sebastian antes de abandonar o local.
- Até você desistir.
-x-
Kurt ficou mais tranqüilo quando Blaine voltou e o chamou para ir embora. Ele parecia alterado, rindo e movendo a cabeça com freqüência, como se com isso pudesse espantar um pouco do alto teor alcoólico de seu sangue. Haviam combinado de Blaine dormir na casa de Kurt, idéia tal que agora corria pela mente de Blaine como uma chance única de tentar ultrapassar um poucos seus limites e fazer Kurt ultrapassar os dele. Ao chegarem no carro, Kurt o ajudou a entrar no banco traseiro, insistindo que seria o melhor para ele naquele estágio de embriaguez. Blaine apenas o puxo para cima de si, colando seus lábios, levando suas mãos até a nuca do outro.
- Blaine... ok, chega, eu vou levar você pra casa agora, vamos... Blaine...
- Eu quero você agora, Kurt, não quero esperar mais nem um segundo pra ter você... vamos, não seja tão cheio de pudor – percorreu o corpo do namorado com as mãos, seus dedos buscando o fecho da calça.
- Você está bêbado, Blaine! Pare com isso.
- Eu quero arrancar sua roupa agora, eu não posso esperar, Kurt, vamos...
- Não, Blaine! – exclamou, afastando-se do carro e expondo ao máximo seu aborrecimento. – Qual é o seu problema?
- Por que você está gritando agora?
- Você acha que eu estou disposto a ter qualquer tipo de intimidade com você depois de você passar a noite inteira dançando com outro cara e ter visivelmente ficado excitado por causa dele? Eu não estou! Eu só quero te levar pra casa agora e esperar que você acorde no seu estado normal amanhã para que possamos por tudo em pratos limpos e com você sóbrio!
Blaine saiu do carro rapidamente, tomando distância.
- Blaine, onde você está indo?
- Eu vou voltar pra casa a pé.
- Você ficou louco?
- Kurt... amanhã a gente se fala. Eu me viro.
Kurt o observou caminhar e tomar distância. Seu coração apertado e aquela preocupação que crescia exponencialmente em seu peito. Sabia que Blaine estava fora de seu estado normal e sabia que aquilo mudaria na manhã seguinte, mas mesmo assim era sufocante vê-lo partir como se tudo fosse de uma importância tão ínfima pra ele, como se de repente todo o discurso sobre paciência e hora certa tivesse caído por terra. Sentia que choraria antes de ter tempo de dar partida no carro.
-x-
Sebastian riu ao virar a esquina. Desacelerou o carro e foi se aproximando da imagem solitária de Blaine na beira da estrada, caminhando rápido com sua roupa desarrumada e o cabelo livre o penteado comportado que usualmente mantinha. Quando estava perto o bastante do lado direito de Blaine, baixou o vidro do carro.
- Parece que não sou eu quem está perdido hoje! Você sabe que Westerville não fica tão perto assim para você ir a pé, não sabe? – o silêncio foi sua única resposta. – Entra no carro, dirigir a essa velocidade me deixa enjoado e eu não estou disposto a te seguir por cinco horas nesse seu passo. Porque não via pra casa? Fim de semana, Blaine, geralmente vamos pra casa no fim de semana. – Blaine continuou seu caminho, sem sequer olhar pro lado. – Ok, você sabe que se chegar na Dalton nesse estado e em plena madrugada no começo de um fim de semana o máximo que vai encontrar é um segurança lá para te guiar até o orelhão mais próximo pra você ligar pro seu pai, não sabe? Entra no carro, eu levo você pra casa. Já fui simpático o suficiente quando você não quis sair da Dalton comigo hoje mais cedo.
- Eu não quero ir pra casa. E você poderia me deixar em paz?
- Ok, suponho que vá se empoleirar na árvore do jardim do colégio por todo o fim de semana então? Ou fazer amizade com algum duende. Tenho outras opções menos decentes também, mas não quero arriscar. Blaine, entra no carro. Você vem comigo pra minha casa, amanhã de manhã você decide o que fazer.
- Eu não vou com você a lugar nenhum.
- Ok, então eu vou continuar tagarelando até você adquirir uma dor de cabeça e desmaie na rua. Assim eu posso te carregar a força. O que você decide?
Ele parou. Pôs as mãos na cintura e bufou, olhando para os dois lados da estrada. Sem sinal de vida em lugar algum. Sebastian era a única pessoa ali e ele sabia que ele estava certo. Ele não chegaria longe naquele estado. Porém a idéia de acompanhá-lo até sua casa era um tanto quanto incômoda.
- Se você tentar alguma gracinha...
- Sério, Blaine? Entra logo.
Blaine deu a volta e entrou no carro, esfregou os olhos e suspirou. Colocou o cinto de segurança e cruzou os braços sobre o peito, mantendo o olhar distante pra fora da janela. Sebastian riu baixinho, dirigindo-lhe um olhar divertido antes de tirar o pé do freio.
- Eu ainda acho que você tem onze anos, Blaine.
-x-
- Eu não preciso que você me dê banho! – reclamou Blaine, afastando as mãos de Sebastian que o empurravam para o banheiro. – E a minha roupa está na casa do Kurt, eu tenho que...
- Cala a boca. Entra logo e toma seu banho. Vou deixar um pijama aqui ao lado da toalha. Eu não sou nenhum maníaco pra me aproveitar de um bêbado só porque ele está no banheiro do meu quarto.
Sebastian fechou a porta em seguida, ainda a tempo de ouvir mais algumas reclamações. Riu e seguiu até outro banheiro da casa. Terminou seu banho antes de Blaine, teve receio de que o garoto tivesse adormecido sob o chuveiro ou algo nesse sentido, mas pouco tempo depois de se ajustar na cama usando apenas a calça do pijama, ouviu a maçaneta da porta mexer e Blaine sair de lá vestindo seu pijama. A imagem chegou a ser engraçada.
- Ficou enorme! – reclamou o garoto, levantando um pouco as pernas da calça antes de caminhar até a cama e sentar.
- Não exagera. Não ficou tão grande – o riso não durou muito, tendo em vista o olhar sério de Blaine ao sentar. Ele escondeu o rosto entre as mãos e respirou fundo. – O que foi?
- Eu fui um idiota com o Kurt – ele disse, passando as mãos pelo cabelo.
Sebastian olhou para o teto e se aproximou em seguida, sorrindo, tentando parecer compreensivo com a situação.
- Você mal deixou eu me encostar em você, não seja dramático.
- Não estou falando disso. É que... deixa pra lá, Sebastian.
- Ok, esqueçamos então esse assunto ou eu faço você dormir no tapete.
- Você não se atreveria.
- Você não vai querer arriscar, Blaine Anderson.
Deitar ao lado de Sebastian era no mínimo uma forma estranha de terminar aquela noite. Ainda mais quando ele dormir usando apenas a parte de baixo do pijama. Blaine agradeceu pela cama ser grande. E por poder usar a desculpa de estar bêbado o suficiente para aceitar dormir na cama com ele. Não seria a primeira vez que dormiria na cama de um amigo depois de beber demais. Fizera isso com Kurt uma vez quando eram amigos. A diferença talvez fosse o fato de que Kurt não tentara seduzi-lo horas antes, não cantara uma música sugestiva para ele e não usava aquele tom de voz rouco provocante toda vez que se dirigia a ele.
Agora lá estava ele, Blaine Anderson, deitado e fantasiando mais do que devia com o rapaz e desejando que o sono viesse o mais rápido possível para que seus hormônios parassem de agir sobre seu cérebro. Tentou se concentrar em Kurt, em como ele ficara extremamente magoado. Detestava ficar naquele clima pesado com ele. Sabia que agarrá-lo daquele jeito não fora a melhor forma de demonstrar carinho, mas mesmo assim...
Blaine checou o rosto de Sebastian ao seu lado. Ele parecia adormecido. Buscou seu celular na cabeceira da cama e discou o número de Kurt.
"Blaine? Onde você está? Você foi pra casa?"
"Eu estou bem, não se preocupa. Só não queria dormir antes de falar com você."
"Blaine..."
"Não, não diz nada. Olha, amanhã eu prometo que conversamos e..."
- Blaaaaine... desliga o celular... – a voz de Sebastian soou preguiçosa e muito próxima ao seu ouvido. – Sabe que horas são?
"Blaine, quem está com você?"
"Ninguém. Amanhã nós conversamos Kurt, eu prometo."
Ele desligou imediatamente, tentando se desvencilhar do corpo quente de Sebastian
- Você é louco? – cochichou Blaine, sentindo o braço do outro em volta de seu corpo, o queixo apoiado em seu ombro e a respiração contra seu pescoço. – Sebastian, eu juro que estou quase pensando em ir mesmo dormir no tapete... Sebastian? Seb... oh, Deus, você dormiu, não dormiu?
Embora a resposta fosse óbvia, ele ainda tentou empurrá-lo para o lado, falhando miseravelmente na tentativa. Aos poucos teve de se acostumar com a idéia de dormir ali, assim, com a respiração suave de Sebastian em seu pescoço, seu braço nu o envolvendo e a perna que lentamente subia por sobre a sua, como se ele de repente houvesse se tornado um body pillow vivo. O problema é que não era fácil tê-lo ali tão perto, tão quente e ter que fingir indiferença quando ele sabia que seu corpo reagia a cada mínima aproximação de Sebastian e que dormir ali, ao lado dele, não era nem de longe a melhor forma de superar essa atração.
N/a: Ops? Esse capítulo mudou TANTO enquanto eu o escrevia que só Deus sabe. Primeiro a música. Eu pensei em umas cinco músicas diferentes pro Sebastian cantar, mas no fim decidi por essa, mesmo. Depois que eu não sabia se devia remexer a história toda de uma vez e fiquei num vai e vem desgraçado até decidir pelo "foda-se, vamos chacoalhar tudo". Decidi manter um pouco a plot original do episódio em que Sebastian e Kurt se conhecem, mudei só uma coisinha ou outra. É possível que alguns outros paralelos surjam no futuro, mas nada muito relevante.
Espero que tenha ficado bom. Acho que o drama começa por aqui.
